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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.
Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."
Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa."
Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.
E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?
E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.
São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.
Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393
Pode um país, só porque tem mais poder militar, entrar noutro e dele retirar duas pessoas? Pode um país, seja porque justificação for, usar a sua superioridade militar, ameaçando e atacando outro país? Bem, parece que efetivamente até pode, pois se a ação em si podia ser criticável sobre muitos aspetos, a verdade é que a crítica veio fraca e a aceitação fez-se saber. Continuando o que ontem já aqui tinha vindo a referir, Trump usou a diretiva da possibilidade: se é possível, faz-se.
Obviamente que sou contra o governo de Maduro, tal como sou contra muitos outros governos autoritários e autocratas, que usam a força e repressão do seu povo para governar, mantendo de cabeça baixa em submissão os seus cidadãos. Na verdade, a prisão de Maduro pode à primeira vista, ser algo bom, quando olhamos para a questão de um regime controlador, num país em que não há liberdade de expressão nem liberdade de imprensa e onde grassa a corrupção, a criminalidade grave e o narco-tráfico. Aliás, as acusações de Trump já têm alguns anos, embora só nete mandato se tenham manifestado mais intensamenmte. A Venezuela "luta contra uma hiperinflação recorde, escassez de bens básicos, desemprego, pobreza, doenças, elevada mortalidade infantil, subnutrição, problemas ambientais," entre outros.
Durante o século XX, o país passou por várias crises começando desde logo pela governação de Cipriano em 1908, caraterizada "por uma política externa agressiva." Foi substituído devido a problemas de saúde "por Juan Vicente Gómez, que governou a Venezuela" através de políticas de "autoritarismo, corrupção, cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e eleições fraudulentas." Durante "o governo de Gómez, pouco antes da Primeira Guerra Mundial," foram descobertas e começaram a ser amplamente exploradas as "gigantescas reservas de petróleo venezuelanas," o que trouxe "grandes lucros, permitindo ao Estado fazer obras de infraestrutura, subsidiar a agricultura e pagar a dívida." No entanto, a maioria da população continuava a viver na pobreza e foram raros os "investimentos estatais na saúde ou educação."
Até aos dias de hoje, a Venezuela foi governada intermitentemente por Juntas militares e por governos autocratas, dos quais se destacaram Eleazar López Contreras, o Major Marcos Pérez Jiménez, o Tenente-Coronel Carlos Delgado Chalbaud e, mais tarde, Hugo Chavéz. Madúro, que havia sido vice-presidente de Chavez, "assumiu interinamente a presidência" depois do golpe de estado que derrubou Chavéz do poder. "A eleição presidencial de 14 de abril de 2013," foi "a primeira em que o nome de Chávez" não apareceu "na cédula de votação desde que assumiu o poder em 1999." E esta foi vencida por Maduro. Apesar da sua nomeação não ter sido consensual, "o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu que, segundo a constituição nacional, Nicolás Maduro" era "o presidente legítimo e foi investido como tal pelo congresso venezuelano."
Mas se esta eleição estava "ganha" a continuidade passaria por vários precalços. Em agosto de 2017, "a Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foi eleita e retirou os poderes da Assembleia Nacional," numa eleição que "levantou preocupações sobre uma ditadura emergente." Em dezembro desse mesmo ano, "Maduro declarou que os partidos da oposição estavam impedidos de participar nas eleições presidenciais do ano seguinte, após terem boicotado as eleições autárquicas." Venceria "as eleições de 2018 com 68% dos votos" com o resultado a ser "contestado pela Argentina, Chile, Colômbia, Brasil, Canadá, Alemanha, França e Estados Unidos, que o consideraram fraudulento e reconheceram Juan Guaidó como presidente." Perante esta desconfiança, os EUA começaram a aplicar sanções ao país. Em agosto de 2019, no seu primeiro mandato, "o presidente americano Donald Trump impôs um embargo econômico à Venezuela" e em março do ano seguinte, "indiciou Maduro e autoridades venezuelanas, sob acusações de tráfico de droga, narcoterrorismo e corrupção."
Na Venezuela, quem é contra o governo, acaba por desaparecer ou tornar-se preso político, podendo mesmo ser submetido a tortura. A oposição acaba por ser muitas vezes silenciada.
Em 2024, "Maduro concorreu ao terceiro mandato consecutivo nas eleições presidenciais," contra a oposição representada pelo "ex-diplomata Edmundo González Urrutia," em representação da "Plataforma Unitária (PUD)." As sondagens apontavam para uma clara vitória da PUD, "principal aliança política da oposição," mas depois do "Conselho Eleitoral Nacional (CNE), controlado pelo governo, ter anunciado resultados parciais que mostravam uma vitória estreita de Maduro em 29 de julho, os líderes mundiais expressaram predominantemente ceticismo em relação aos resultados" que lhes estavam a ser apresentados pela CNE. Ambos "se proclamaram vencedores," mas os resultados acabaram por não ser "reconhecidos pelo Carter Center e pela Organização dos Estados Americanos."
Se a Venezuela estava bem? Se o povo Venezuelano estava bem? Não.
Se agora ficarão melhores? Sinceramente, tenho as minhas dúvidas. Saiu Madúro, mas a governação do país ficou entregue à sua vice-presidente, à mesma equipa e, por isso, a forma de controlar e de gerir poderá manter-se. Além do mais, penso que tem sido bastante percetível que os EUA querem controlar a exploração de petróleo e, com isso, beneficiar de forma exploratória daquilo que são os recursos venezuelanos. Podemos dizer que estão em guerra? Para já, penso que não, mas estaremos a enfiar a cabeça na areia, se não conseguirmos comparar esta situação com aquilo que se passa na Ucrânia ou com aquilo que se pode vir a passar em Taiwan.
A Europa precisa de acordar!
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela
Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Bem, precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano.
Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...
Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.
Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."
Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.
Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.
Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil.
O primeiro-ministro português não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."
Fontes:
A tensão entre a Venezuela e os EUA tem vindo a crescer. A situação agravou-se com o anúncio feito pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que dava ordem de "encerramento" do espaço aéreo venezuelano. O narcotráfico, é um problema real para os EUA, mas numa outra interpretação dos factos, podemos dizer que esta forte presença militar, pode também servir como pressão contra o regime de Nicolás Maduro. A Venezuela viu a mobilização dos seus cidadãos, criando milícias e "comandos de defesa".
Nicolás Maduro, acusado por muitos de ser um ditador, interpreta o posicionamento do arsenal americano e as ameaças de Trump, "como uma tentativa de o afastar do poder."
Donald Trump já tinha colocado na região das Caraíbas um grande dispositivo militar, "incluindo o maior porta-aviões do mundo," - o Gerald R. Ford, "com quatro mil soldados e 75 caças a bordo" - com a intenção de, ao que o mesmo afirma, acabar com o tráfico de droga e de pessoas na Venezuela. Desde setembro, os Estados Unidos destruíram já cerca de "20 lanchas supostamente envolvidas no tráfico de droga no mar das Caraíbas e no Pacífico, matando mais de 80 pessoas com recurso a ataques aéreos."
Trump recomendou às companhias aéreas comerciais que tivessem "extrema cautela” ao sobrevoar aquela região, o que muitas acabaram por fazer, receando que os voos pudessem de alguma forma ser atingidos em potenciais ataques de parte a parte. A TAP, que serve os milhares de emigrantes que se encontram na Venezuela, seguiu o exemplo de outras companhias aéreas e "suspendeu também os voos para Caracas," alegando falta de condições de segurança.
No seguimento deste aconselhamento de Trump, Maduro ameaçou que, ou as companhias retomavam os voos em 48 horas, ou não retomariam mais e, cumprindo a ameaça, revogou "as autorizações de operação de várias companhias aéreas, nomeadamente a TAP, Avianca, Latam, Turkish Airlines, Colombia e Gol," acusando-as de se "unirem aos atos de terrorismo" promovidos pelos Estados Unidos. Sem forma de sair do país, estão muitos emigrantes, muitos deles portugueses. Muitos desses portugueses, são madeirenses,
Trump deu agora a "ordem" de encerramento do espaço aéreo venezuelano - que, ao que se vai vendo nos noticiários, está a ser cumprida. O anúncio foi publicado nas redes sociais, onde se pode ler, algo como: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos, por favor considerem o espaço aéreo acima e em torno da Venezuela como encerrado na sua totalidade”. Ordens dadas a um outro estado? Envolvida está também a República Dominicana cujo governo, depois de uma reunião com o "secretário de Defesa dos Estados Unidos" Pete Hegseth, cedeu autorização para que os Estados Unidos possam "utilizar de forma provisória dois aeroportos no âmbito da luta contra o tráfico de droga na região."
Foi ontem atribuído o Prémio Nobel da Paz e, felizmente, foi parar às mãos certas! Disse Jørgen Watne Frydnes, o presidente do Comité, em Oslo, que "quando os autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem."
María Corina Machado, tem 58 anos e tem sido ao longo dos últimos anos, uma "das figuras-chave da política venezuelana da atualidade," vivendo na "clandestinidade" devido à "sua forte oposição ao regime de Nicolás Maduro." É engenheira industrial e ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela. É ela o "rosto da oposição venezuelana a Nicolás Maduro."
O prémio foi-lhe atribuído, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela" e "pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia". O Comité declarou ainda sobre a entrega deste prémio que "a democracia depende de pessoas que se recusam a permanecer em silêncio, que arriscam dar um passo em frente apesar dos graves riscos e que nos recordam que a liberdade nunca deve ser tomada como garantida, mas deve ser sempre defendida – com palavras, coragem e determinação."
Maria Corina Machado candidatou-se às "eleições primárias" da Venezuela. tendo vencido as mesmas, mas sendo impedida pelo regime de Maduro de exercer as suas funções. Assim, passou a dar o seu apoio a "Edmundo González Urrutia, que o Parlamento Europeu (PE) reconheceu como presidente eleito, na sequência da contestação dos observadores internacionais, incluindo a ONU, à declaração de vitória de Maduro." Edmundo Urrutia, que já tinha sido "embaixador da Venezuela na Argentina e na Argélia," acabou por substituir María como "candidato nas presidenciais de 28 de julho de 2024" e que depois se viu obrigado a ir para Espanha. A o receber o prémio, Corina Machado afirmou que faz parte de todo um grupo e que não trabalha de forma isolada: "Muito obrigada, mas eu espero que perceba que isto é um movimento, eu sou só uma pessoa. Eu certamente não mereço isto."
Merece, sim.
Foi escolhida entre um total de 338 candidatos, incluindo 244 personalidades individuais e 94 organizações.
Frustrado deve ter ficado o presidente dos EUA, Donald Trump, que por várias vezes afirmou que devia ser nomeado para receber este prémio. Trump "afirmou considerar que será um insulto para os Estados Unidos se não receber o Nobel da Paz." Publicamente, recebeu apoio do "primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu," que afirmou que Trump deveria receber este galardão pela “dedicação inabalável e excecional à promoção da paz, da segurança e da estabilidade em todo o mundo”, e do Paquistão, chegou também o pedido de nomeaão pelo seu “trabalho na resolução do conflito entre a Índia e o Paquistão”. Algo que para mim soaria estranho, se fosse ele o vencedor, mas, neste tipo de prémios, tudo é possível.
Fontes:
À vista de todos e arriscando-se a que alguém perca a paciência ou seja menos despojado de princípios do que ele, Trump continua a tentar demonstrar a sua potencial força, através de ações e provocações.
Desta vez, os "Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela." Estes navios têm como "objetivo" o combate ao narcotráfico, num momento em que a tensão entre os dois países vai crescendo.
Para quem ainda não conhece a relação entre estes dois estados, começo por dizer que, no início deste mês, Trump duplicou a "recompensa oferecida por qualquer informação que permita" prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo mandato não é sequer reconhecido pelo presidente Trump, por "tráfico de drogas." Em resposta, Nicolás Maduro colocou nas ruas cerca "de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), preparadas, ativas e armadas, no que designou como um "plano de paz."
Trump não teme lançar ataques contra a Venezuela. E por isso, não é de estranhar que possam já haver mais meios a caminho, todos com o mesmo objetivo: "a missão envolve um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, vários contratorpedeiros e um navio de guerra equipado com mísseis," podendo ainda estar a caminho cerca de "4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas, perto da costa venezuelana."
Mas viajemos até ao ano de 2019. Trump estava na Casa Branca quando os EUA se recusam a aceitar a vitória de Maduro, impondo rígidas medidas contra a Venezuela, onde, manifestações contra Maduro, levaram à morte de "sessenta e sete pessoas," 59 das quais à mão de "polícias e grupos civis armados que apoiavam o governo de Maduro" e as outras seis em "execuções extrajudiciais cometidas por forças policiais especiais após os protestos."
A relação entre os dois estados tem sofrido vários altos e baixos, especialmente desde que os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país e, ainda, se nos lembrarmos que a Venezuela foi um dos países que se manifestou contra o ataque dos EUA a três instalações nucleares iranianas, a favor de Israel (além de Cuba e do Chile). Então, isto poderá estar tudo relacionado, ou será mesmo só sobre combater o tráfico de drogas?
Vamos aguardar.
Fontes:
https://observador.pt/2020/01/25/venezuela-morreram-67-pessoas-durante-protestos-em-2019/
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/06/internacional/1565055325_220193.html
A Venezuela foi a eleições na passada semana, mas passada quase uma semana, os resultados ainda não são explícitos. Ainda não tinha conseguido vir aqui falar deste assunto (sendo que por outro lado estava também a aguardar que a situação deixasse de ser tão ambígua e que as atas fossem realmente apresentadas e a verdade reposta), mas uma semana depois a situação na Venezuela - onde estão milhares de cidadãos portugueses e luso-descendentes - continua tensa.
No passado domingo, ainda faltava terminar a contagem de várias mesas eleitorais, já Nicolás Maduro alegava ter ganho com 51,20% dos votos contra 44,2% da oposição, liderada por Edmundo Urrutia. Logo depois, a oposição reinvindicava que, mesmo sem a contagem total, já tinham conseguido derrubar o governo de Maduro por quase 80% dos votos. Perante esta dualidade de resultados e com a falta de apresentação das atas definitivas, a verdade é que uma semana depois, a situação não está devidamente esclarecida e Maduro não foi ainda legitimado para iniciar o seu terceiro mandato consecutivo como presidente da Venezuela. Vários estados vieram já pedir a divulgação das atas eleitorais, ainda mais, depois de ter sido recusada a entrada de representantes europeus e pan-americanos.
Por sua vez, Maria Corina Machado, afirma que Edmundo Urrutia venceu com 70% dos votos, levando a que milhares de venezuelanos viessem para a rua protestar por fraude eleitoral. Corina Machado, depois de alegar que tinha tido de se esconder e que temia pela sua própria vida, acabou por aparecer na manifestação, pedindo "mobilização para exigir transparência no resultado eleitoral e defender a alegada vitória de Edmundo González."
Aquilo que está em causa não é apenas a contagem dos votos, mas sobretudo os atos de violência que estão a ser executados contra quem se opõe a Maduro ou quem se mostre apoiante da oposição. Desde domingo passado, já se registaram vários conflitos, os quias levaram à morte de, pelo menos, 20 pessoas, entre as quais estava um jovem de apenas 15 anos.
Fora da Venezuela, os Estados Unidos já vieram reconhecer a "vitória de Edmundo Gonzales", considerando "válida a contagem de votos apresentada pela oposição, liderada por María Corina Machado, que representa 80% das assembleias de voto."
Na sexta-feira, Nicholás Maduro já veio anunciar que 1200 pessoas tinham sido "detidas em protestos pós-eleitorais na Venezuela" e que outras 1000 estavam "a ser procuradas por destruírem 300 esquadras" no país, alegando ainda que estes "alegados criminosos" tinham sido "treinados nos Estados Unidos, na Colômbia, no Peru e no Chile."
Brasil, Colômbia e México, já vieram apelar para que "os atores políticos e sociais" exerçam as suas manifestações com a "máxima cautela e contenção" para que possa ser evitada "uma escalada de episódios violentos," bem como a que seja realizada "uma verificação imparcial dos resultados" das eleições presidenciais.O Brasil assumiu entretanto a representação da Argentina, depois dos diplomatas de sete países terem sido expulsos aquando do rompimento diplomático entre Caracas e Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Os governos desses países foram acusados pelo governo de Maduro de "intromissão" e de "desconhecerem os resultados eleitorais". A apoiar Maduro estão países como a China e a Rússia...
Fontes:
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