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Caderno Diário

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08
Mar21

Dia da Mulher

Elsa Filipe

Eu sou mulher e ter um dia que nos é dedicado a nós, faz-me muito orgulhosa. Mas eu nunca fiz nada para merecer este dia. Sou apenas eu, mãe e trabalhadora, que faço o que posso, mas nada de excecional.

Mas na minha vida tive e tenho mulheres excecionais. A minha mãe que já me deixou foi uma delas, uma lutadora até ao fim, sempre de cabeça erguida enfrentava o mundo. A mãe que nos trazia sempre limpas, arranjadas, mas que nos deixava brincar na terra, apanhar caracóis de chinelos e chegar a casa cheias de picos, ou subir às figueiras para roubar figos na Fonte de Carvalho. Que às 07h da manhã nos levava ainda ensonadas para a cozinha da Santa Casa, para ir trabalhar. A mãe que me levava à noite para o carnaval, que me ensinou como "sobreviver" à confusão e a amar aquela festa, desfilando comigo e com a minha irmã nos primeiros anos, na escola de samba "Juventude na Baía". Que me mostrou que podemos mentir mas só no dia das mentiras, que podemos fazer badalos no carnaval e colocar espuma de barbear em todos os carros da rua (incluindo no do meu pai, para os vizinhos não desconfiarem). Ainda me viu entrar para o meu curso, que sempre apoiou, mas já não me viu completar o 1º ano, nem nunca chegou a andar de carro comigo. Na verdade, a minha primeira viagem a conduzir de carta acabadinha de tirar foi de minha casa para o IPO e nas (poucas) semanas seguintes era assim que treinava a condução, no carro do meu pai ou do meu tio, vingando "sozinhas" nas rotundas de Lisboa, na auto estrada - nunca fui medrosa a conduzir.

Dela herdou a minha irmã muitas caraterísticas e por isso a admiro todos os dias mais, por estar sempre, sempre, pronta a ajudar. Mesmo nos piores momentos, levanta-se e parece um furacão enfrentando tudo e todos. Quase telepaticamente, dou-me a pensar em ligar para ela e está o telemóvel a tocar. Independente muito cedo, tal como eu, fez da raiva e da tristeza força, uma força imensa que leva tudo à frente se preciso for. E que me deu as meninas mais lindas do mundo que amo como se fossem minhas tanto como ao meu filho.

E a minha avó, sem a qual nada disto teria sido possível. Pois foi ela que lutou com unhas e dentes por salvar os filhos e a si mesma, dando-lhes uma vida melhor, que enfrentou todos e depois, nos deu a nós tudo. A minha avó esteve sempre lá, a perda da sua menina fez-la sofrer até hoje e deixou marcas muito profundas, mas é aquela avó a quem recorremos quando precisamos de alguma coisa, que nos dá tanto sem "mostrar" que dá. 

A avó onde ficavamos o verão todo para podermos ir para a praia com os nossos primos e os nossos amigos. Que me deixava ler aqueles livros que estavam nas prateleiras e que ainda não eram para a minha idade. E que ensinou a ler, a escrever, a contar, somar multiplicar, dividir. Que me ia todos os dias levar o lanchino ao portão da escola, a casa de quem ia almoçar, lanchar e às vezes ficava também para juntar ou dormir. 

Estas foram as mulheres que mais me influenciaram no meu crescimento. As que tenho em mente sempre que tenho de fazer uma escolha. As que moldaram a minha personalidade.

15
Fev21

Ciclone de 1941

Elsa Filipe

Passaram-se 80 anos que a dia 15 de Fevereiro de 1941, o país e em particular a vila de Sesimbra, da qual eu sou oriunda (saudades da minha terra natal) foram fustigados por um ciclone. Desde miúda que oiço falar deste evento, pelos meus avós que me diziam "isto? Isto não é nada! Não queiras saber como foi no ciclone. Tudo destruído." A verdade é que sempre quis saber. Tenho desde já a agradecer justamente, ao Museu Marítimo de Sesimbra, por partilhar este e outros factos da nossa amada vila, fazendo-nos recordar a força da qual os pexitos são feitos.

Este ciclone provocou a morte de quatro pessoas na vila de Sesimbra e a destruição de, aproximadamente, três centenas de embarcações. Os ventos podem ser considerados os mais violentos desde que há recolha de registos meteorológicos (finais do século XIX), tendo rondado os 130 km/hora.

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e ao ar livre

A destruição causada pelo ciclone, pode ser vista em algumas das fotos que o próprio museu disponibiliza.
 
Pode ser uma imagem de ao ar livre
 
Nesta foto, podemos ver um grupo de homens (possivelmente todos pescadores, ou quase) a verificar os estragos nas embarcações arremessadas pelo mar e pelo vento contra as casas.
 
A história das gentes de Sesimbra, é um dos temas sobre os quais escrevo (só falta coragem de publicar alguma coisa, talvez um dia).

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