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Cheias e tornados

por Elsa Filipe, em 16.11.25

Este ano, o mau tempo tempo já provocou três mortos em Portugal. Na quinta-feira, dia 13, morreu um casal octagenário, de nacionalidade portuguesa, numa casa em Pinhal do General, Fernão Ferro. Uma associação (a APROSOC) já veio a público acusar o município do Seixal e a Junta de Freguesia de Fernão Ferro por culpa na morte deste casal,  afirmando que não cumpriram as suas "responsabilidades" no que ao "ordenamento do território" diz respeito e que permitiu "a existência daquela habitação em situação de risco, aparentemente sem avaliação geotécnica e hidrológica". Segundo o presidente da Câmara do Seixal, esta "trata-se de uma casa construída clandestinamente, sem qualquer licenciamento camarário, no âmbito do loteamento clandestino do Pinhal do General, que começou nos anos 70", o que retira na minha opinião qualquer culpa à câmara.

Não estou a par da situação, mas a existir ali um leito de cheia e não se podendo construir, o que deveria ter sido feito era o derrube das casas, mas depois lá caía tudo em cima da Câmara. Em relação a não terem sido dadas orientações, foram transmitidas tanto a nível local como a nível nacional, o problema é que, em muitos casos, as pessoas não cumprem determinadas medidas preventivas e não acautelam os seus bens seja por incapacidade de o fazerem seja por estarem sempre à espera que o mal só bata à porta dos outros. Há fenómenos que são súbitos. Estar a viver numa zona perigosa, sabendo-o, já não me parece ser algo súbito ou que tenha de ser alertado. É como quem constrói na base de encostas ou arribas e vai vendo as pedras a rolar, pedacinhos da arriba a cair... e quando aquilo um dia cai tudo, dizerem que foi "sem aviso".

A terceira vítima foi uma senhora de nacionalidade britânica que ficou ontem debaixo dos escombros da casa onde vivia com o marido (uma espécie de bungalow), depois da passagem de um tornado, na região do Algarve. Este tornado fez, além da vítima mortal, vinte e oito feridos, dois dos quais considerados graves, tendo atingido o Parque de Campismo de Albufeira e o hotel "Eden Resort," que aquando deste "fenómeno meteorológico extremo" estaria a servir os pequenos-almoços aos clientes. Entre os feridos estão algumas crianças. Em Silves, a chuva e o vento forte provocaram dois desalojados.

Em Nisa, na passada quinta-feira, um outro tornado terá afetado cerca de dez habitações, levantando coberturas, "mas sem registo de desalojados." Na região, o mau tempo terá ainda provocado "a queda de várias infraestruturas de média e alta tensão." No mesmo dia, "um descarrilamento e a queda de um poste de iluminação obrigaram à suspensão da circulação de comboios em dois troços ferroviários." A circulação "entre a Covilhã e Tortosendo e entre Abrantes e Alferrarede" ficou interrompida. No que respeita ao descarrilamento, este terá ocorrido depois de um "comboio embater numa barreira," devido a um “aluimento de terras”. 

O fim de semana, foi ainda de aguaceiros um pouco por todo o país. Entretanto, a água vai começando a baixar em algumas regiões deixando à vista a destruição causada. A situação foi também bastante complicada em Vila do Conde, onde várias casas de primeira habitação ficaram inundadas, principalmente as que se localizam "nas imediações da ribeira da Lage, que, com o aumento do caudal provocado pela chuva, galgou as margens, derrubou muros e invadiu quintais e habitações." 

Em Aveiro, mais propriamente "no centro histórico de Santa Maria da Feira," a chuva intensa "inundou várias casas e lojas. Parte da bancada do estádio do União de Lamas desabou."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/depressao-claudia-a-evolucao-do-mau-tempo-em-portugal_e1698380

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2025-11-16-video-depressao-claudia-provocou-tres-vitimas-mortais-feridos-desalojados-e-mais-de-4.000-ocorrencias-2691f46e

https://sicnoticias.pt/pais/2025-11-13-hoje-vivemos-um-dia-dificil-autarca-do-seixal-lamenta-mortes-em-fernao-ferro-8d9fd6d1

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publicado às 19:02

Podemos dizer que está na altura da chuva forte e que, no meu tempo, a estes fenómenos se chamava, inverno, mas existem dois aspetos a considerar: o primeiro é que passamos de andar de manga curta para uma tempestade que quase não nos deixava sair de casa e, o segundo, é que apesar de todos os avisos, de passar informação constante nas televisões e na internet (jornais digitais, sites, publicações nas redes sociais) ainda houve quem se deixasse surpreender e achasse estranho tanto vento e tanta chuva, Há dias que se andava a falar nisto!

Infelizmente, as previsões acabaram por se comprovar em muitas regiões: houve cheias rápidas tal como havia sido anunciado, houve deslizamentos de terras e pequenas derrocadas devido às terras soltas que se viram rapidamente infiltradas de águas, houve painéis que tombaram, telhados que levantaram e placas que se soltaram devido aos fortes ventos. O que é de estranhar não é o fenómeno em si, mas a falta de preparação para estes eventos que nós continuamos a acusar, como se houvesse em nós uma confiança inata de que aqui nunca "acertam com as previsões", "o temporal passa ao lado", "dizem que vai chover e afinal foi só umas pinguinhas"... pois é, mas agora, desta vez, houve mortos, houve feridos, gente a precisar de ser resgatada, houve um aumento significativo no número de ocorrências e (pasmem-se!) afinal o número de bombeiros disponíveis já nem sequer é o mesmo em algumas regiões do país do que era no verão. 

Continuamos a sofrer de falta de consciência preventiva. Há falta de reuniões e discussões com a população sobre o que fazer se isto ou aquilo vier a acontecer, andamos sempre a correr atrás do prejuízo. Se na primavera e no verão, os canais televisivos repetem e repetem informações sobre os incêndios, chegamos ao outono e ao inverno e são as cheias, as ondas que galgam os muros, os avisos para que não vão para as zonas de risco! E continuamos assim, ano após ano...

Fomos alertados para chuva forte e pelo agravamento da tempestade ao chegar a terra pela confluência de um "rio atmosférico" (lembram-se? Aquele fenómeno que tantos mortos fez em Espanha no ano passado?) o que levou a que se andasse nos últimos dias em oscilação entre alertas laranjas e vermelhos em diversos pontos do país. Entre os avisos divulgados, esteve o da ANEPC, que "emitiu um aviso à população, apelando à adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos do mau tempo." Entre as recomendações estavam atos práticos e que nãoi deveriam ser guardados para quando a tempestade chega, mas que já deviam ser comuns, especialmente neste período do ano em que as folhas das árvores tendem a causar maiores entupimentos: "a limpeza de sarjetas e sistemas de escoamento de águas," bem como outras recomentdações como "a fixação de estruturas soltas" e evitar "deslocações desnecessárias durante os períodos de maior instabilidade."

No dia 12, já se havia avisado que "a frente fria estacionária associada à depressão Claudia" estava "a enviar sucessivas linhas de instabilidade," prevendo-se "que os períodos de chuva ou aguaceiros, inicialmente mais fortes no Minho e Douro Litoral" se tornassem "mais persistentes e fortes em termos de área geográfica abrangida à medida que o sistema frontal" fosse "progredindo de oeste para leste" nas horas seguintes. O IPMA já avisava para a possibilidade de ocorrência de "precipitação forte e persistente, rajadas de vento entre 75 e 90 km/h," que podiam "atingir os 100 km/h em algumas zonas, e ondas que" poderião "atingir 4,5 metros de altura significativa, sobretudo na costa ocidental," ondas estas que poderiam chegar aos "3 e 4,5 metros de altura a partir de quinta-feira" (ontem).

Ou seja, nada indicava que a depressão nos passasse ao lado. Fomos alertados para a "possibilidade da precipitação ser acompanhada de trovoada" e que o vento forte poderia levar ao risco "de danos em infraestruturas e de potenciais quedas de árvores, entre outros possíveis impactos."

Ontem, quinta-feira, "cerca de 20 mil clientes" ficaram "sem energia devido ao mau tempo, sendo Lisboa, Santarém e Setúbal as zonas mais afetadas - um número que pelas 15h já estava reduzido a 7000." No distrito de Setúbal - que se encontrava em alerta vermelho - cerca de "8000 clientes" ficaram sem eletricidade e houve mesmo várias escolas que não chegaram a abrir devido ao mau tempo. 

Entre elas, estiveram as escolas do "Agrupamento de Escolas do Montijo, do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, da Escola Profissional do Montijo e do Conservatório Regional de Artes do Montijo," bem como, do Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra, o que permitiu evitar a deslocação de alunos por zonas alagadas e perigosas, tanto para quem circula a pé como de carro.

Além das estradas alagadas e que ficaram intransitáveis, houve várias quedas de árvores e de estruturas. "A forte chuva levou também ao corte temporário da Segunda Circular, junto ao aeroporto, cerca das 06h00, devido a uma inundação." Desde o início do evento até à manhã de quinta-feira, tinham sido efetuados "três salvamentos terrestres e cinco aquáticos."

Em Fernão Ferro, aqui mesmo no Seixal, um casal de idosos perdeu a vida, ao que tudo indica por não terem conseguido sair da sua habitação no momento em que a mesma ficou inundada. Nesta freguesia, foram vários os casos de inundações, mas este foi de todos o mais grave. Esta é uma zona vulnerável à ocorrência de cheias, tendo a água isolado "várias ruas da freguesia."

As vias de circulação ferroviária, foram também afetadas, tendo as do "Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte," sido as que registaram maiores atrasos na circulação. No que respeita à agitação marítima, 14 barras portuguesas, entre as quais a do "Douro, Esposende, Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde" entre outras, foram encerradas à navegação. "As barras de Aveiro, Figueira da Foz, Albufeira e Portimão, ficaram também "condicionadas à navegação."

E o mau tempo vai ainda continuar nos próximos dias, por isso, mantenham-se em segurança! 

"Face às condições adversas, a Proteção Civil recomenda especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas e aconselha precaução junto à orla costeira e zonas ribeirinhas. Pede ainda que sejam evitadas atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-mar ou o estacionamento de veículos junto à linha de costa." Evitem também circular em zonas alagadas, caso não tenham percebido, compraram um carro, não um submarino! E podem correr o risco de "arrastamentos ou quedas em buracos e caixas de esgoto abertas." Por último, mas não menos importante, por favor protejam também os vossos animais! Sim, ainda há alguns inergúmes que deixam os animais presos a trelas no exterior e nem sequer se lembram de que em caso de subida rápida das águas, eles podem afogar-se! 

Fontes:

https://www.tempo.pt/noticias/previsao/a-partir-desta-hora-a-depressao-claudia-vai-agravar-se-em-portugal-chuva-e-vento-geram-preocupacao-nestes-distritos.html

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-13-mau-tempo-deixa-milhares-de-pessoas-sem-eletricidade-em-lisboa-setubal-e-santarem-montijo-encerra-escolas-e398385f

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-12-depressao-claudia-traz-chuva-intensa-e-ventos-fortes-a-quase-todo-o-pais--apenas-quatro-distritos-escapam-ao-aviso-laranja-8487e839

https://www.sesimbra.pt/noticia-74/mau-tempo-causa-estragos-em-todo-o-concelho

https://sapo.pt/artigo/inundacoes-e-quedas-de-arvores-depressao-claudia-provoca-198-ocorrencias-nas-ultimas-horas-6918578cf7bc778b434b2196

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publicado às 11:55

Dar voz aos nossos combatentes

por Elsa Filipe, em 11.05.25

Esta manhã, durante um passeio pelo Seixal, observei a celebração do aniversário do Núcleo do Seixal da Liga dos Combatentes (com sede na freguesia da Amora) e que completou hoje 12 anos. As celebrações decorreram no Jardim da Praça dos Mártires da Liberdade, junto ao monumento aos combatentes da Grande Guerra.

Aquilo que mais me emocionou, foi ver que o grupo é composto por pessoas com uma idade já avançada e, o pensamento de que muitos deles são livros-vivos que não se podem deixar calar. É preciso que a luta destes homenes e das suas famílias e amigos, não seja esquecida. Muitos deles, deram a sua vida e a sua saúde pelo país, obrigados a ir para uma guerra na qual muitos não desejavam estar. Tantas histórias foram já contadas, mas quantas mais haverão aí por contar?

No dia 9 de abril, assinalou-se o Dia do Nacional do Combatente, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, com a presença do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, que no seu discurso, frizou que “… só o fim da escalada de violência e a vontade de construir a paz, permitirão caminhos de futuro!” 

Hoje, no Seixal, o grupo era pequeno. Muitas pessoas paravam um pouco para ouvir e continuavam a sua vida. Muitos Seixalenses desconhecem que monumento é aquele que está ali na relva (e que entretanto foi trocado de lugar depois das obras executadas no Jardim) e a quem se refere. De facto, o monumento é dedicado "aos combatentes da Grande Guerra," (aos portugueses mortos na 1ª Guerra Mundial, tantas vezes esquecidos, oito dos quais filhos do Seixal). "Tendo enviado tropas em defesa das colónias em África em 1914, foi em 1916 que se deu a entrada oficial de Portugal na guerra, juntando-se aos Aliados."

Não havendo um monumento aos mortos da Guerra do Ultramar, serve este como ponto de encontro e de reflexão sobre a importância da Paz, mas também da Memória devida a todos os que morreram em situação de conflito envolvento tropas portuguesas. Cerca de "noventa por cento da população jovem masculina do país foi mobilizada para a Guerra do Ultramar, que causou cerca de 10 mil mortos e 20 mil inválidos entre os soldados e mais de 100 mil vítimas entre os civis que viviam nas colónias."

Fontes:

https://www.ligacombatentes.org/dia-nacional-do-combatente-2025-seixal/

https://ultramar.terraweb.biz/03Mortos%20na%20Guerra%20do%20Ultramar/LetraS/MEC_246n.pdf

https://ensina.rtp.pt/explicador/das-causas-ao-final-da-i-guerra-mundial-h83/

https://ensina.rtp.pt/artigo/memorias-da-guerra-do-ultramar/

https://ultramar.terraweb.biz/index_MortosGuerraUltramar_Portugal.htm

https://www.dn.pt/sociedade/mortos-na-guerra-colonial

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publicado às 14:24

Sismo sentido em Portugal

por Elsa Filipe, em 17.02.25

Esta tarde, por volta da hora de almoço a casa abanou. Senti o meu maior abalo até hoje, talvez por me encontrar sentada no sofá. Aqui em casa não houve barulho, apenas um balançar durante alguns segundos, mas o suficiente para me desiquilibrar. Pelas discrições que tenho visto, o sismo fez-se sentir de forma mais intensa em algumas zonas, mas a verdade é que o epicentro foi aqui bem pertinho e, isso, sim, assusta um bocadinho.

O sismo teve uma "intensidade 4,7 na escala de Richter," e ocorreu pelas 13h24m, com "epicentro a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal, no distrito de Setúbal, e a cerca de sete quilómetros de profundidade," com localização inicialmente registada no mar, "a cerca de quatro quilómetros da costa atlântica." Em Sesimbra, há a registar alguns danos na falésia da praia da Califórnia.

Por aqui a autarquia informou que "devido ao sismo verificado no concelho, algumas escolas e centros de saúde locais foram evacuados por iniciativa dos respetivos delegados de segurança, sem haver registo de danos pessoais ou materiais." Em Sesimbra algumas escolas procederam à evacuação dos alunos para o exterior seguindo os procedimentos adequados, enquanto outras, ignoraram completamente a evacuação. Mesmo sem grandes danos, seria uma boa oportunidade para treinar as crianças (e os adultos) para saberem o que fazer nestes casos, uma vez que as crianças sentiram o abalo. Daqui para a frente, valorização e colocar-se-ão em segurança?

O sismo do Seixal, afinal ocorreu na falha da Lagoa de Albufeira e de "acordo com o IPMA, o epicentro foi a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal (no mar), mas o USGS (United States Geological Survey) assinalou o “epicentro em terra, na zona da Charneca da Caparica”.

o sei em que ficamos... talvez entretanto resolvam este diferendo. Tinha havido ontem um pequeno sismo de "magnitude 1,6, por volta das 22h48," na mesma zona, mas o qual não pode ser classificado como "um sismo premonitório", como que uma espécie de aviso para um evento maior ou se foi apenas coincidência, ou seja, se "foi um sismo em frente casual."

Em agosto do ano passado, um outro sismo fez a terra tremer em Portugal e foi também sentido com alguma intensidade nesta zona, deixando alguns danos, embora sem vítimas a registar, felizmente.

"Nessa altura, o tremor de terra terá tido um impacto de 5,3 na escala de Richter, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com epicentro no Atlântico, 70 km a sudoeste de Sesimbra. Também nesse caso não houve registo de vítimas nem de danos materiais." Agora foi bem mais perto...

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/sismo-em-lisboa/sismo-seixal/sismo-de-4-7-leva-a-evacuacao-de-escolas-e-centros-de-saude-no-seixal/20250217/67b36efdd34ef72ee44264e1

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-em-lisboa-teve-baixa-magnitude-mas-proximidade-a-zonas-habitadas-e9df896e

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-de-47-na-escala-de-richter-sentido-em-lisboa-4cfa8ad1

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publicado às 20:57

Tradição... as festas de S. Pedro

por Elsa Filipe, em 29.06.24

Hoje é feriado municipal no Seixal. Além de se celebrar o Dia Municipal do Bombeiro, celebra-se o dia de S. Pedro, registando-se o ponto alto das festividades a decorrer desde dia 21, com a Marcha das Canas e, também, com a já tradicional procissão em honra do santo. Mas quem foi S. Pedro e que ligação tem à vila e à população do Seixal?

Bem, em primeiro lugar, São Pedro era um galileu de nome Simão que viria depois a tornar-se no "primeiro Papa da Igreja Católica." Segundo o Evangelho de São Lucas, Simão, na altura um simples pescador, terá decidido seguir Jesus Cristo, depois de um episódio descrito como "Pesca milagrosa." O nome Pedro vem de "Kepha, palavra aramaica para pedra (ou rocha)."

Pedro, foi considerado Padroeiro dos pescadores e, por isso, é npormal que as localidades piscatórias tenham uma especial devoção a este santo. No Seixal, onde a vida acontecia "à volta da Baía, desde a época romana, comprovada pelos sítios arqueológicos da Olaria Romana da Quinta do Rouxinol, em Corroios, e da Quinta de S. João, em Arrentela, à época dos Descobrimentos e até aos nossos dias," é natural que o santo a que muitos seixalenses são devotos, seja S. Pedro.

"O primeiro Papa da Igreja Católica morreu cruxificado em Roma, entre os anos 64 d.C e 67 d.C, a mando do Imperador Nero." A Basílica de São Pedro, em Roma, guarda os seus restos mortais. "São Pedro distingue-se das imagens graças às chaves que segura na mão" e que serão "as chaves das portas do céu." De acordo com a tradição popular, por guardar o céu, foi-lhe também atribuída a culpa pelo bom ou mau tempo.

A data, como na maioria das celebrações católicas não foi ao acaso: veio substituir "uma antiga celebração pagã que comemorava no mesmo dia a festa de Rómulo e Remo, considerados os pais da cidade de Roma." Assim, o dia 29 de junho, passou a celebrar Pedro e Paulo. Mas voltando à antiguidade, sabe-se que, em Roma, "a tradição mandava celebrar neste dia três missas: a primeira na Basílica de São Pedro, a segunda em São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos Apóstolos tiveram de ser escondidas por algum tempo, para escapar às profanações."

Fontes:

https://observador.pt/explicadores/tudo-o-que-precisa-de-saber-sobre-sao-pedro/

 

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publicado às 15:31

As tábuas queimadas do Cravidão

por Elsa Filipe, em 02.08.23

Quem passa pela marginal da Arrentela, vê os destroços de uma embarcação que jaz há anos junto ao edifício do Núcleo Naval do Ecomuseu. Quando faço as minhas caminhadas fico sempre a pensar em como teria sido aquele barco e o que se teria passado entretanto. Ao que sei, houve um incêndio que destruiu o que restava dos destroços do barco, mas mesmo assim a Câmara resolveu manter ali o que restou. No fundo do rio Judeu, são muitos os destroços que ainda jazem.

Esta embarcação foi um dos diversos tipos de barcos que navegaram no estuário do Tejo até meados do século XX e na página da câmara municipal podemos ver uma reconstrução virtual de como teria sido. Sabemos assim que o barco se chamava "Cravidão", mas pouco mais se encontra. Quem souber mais, pode deixar aqui nos comentários.

Na Internet encontramos muitos registos fotográficos dignos de postal. Hoje em mais uma breve caminhada, fiquei a observar e voltei a fazer mais algumas fotografias. Ali está um pouco da nossa história e, se não for recuperado, irá perder-se para sempre.

O Ecomuseu esteve encerrado para obras, mas agora já pode ser visitado. 

 

Fontes:

https://www.cm-seixal.pt/ecomuseu-municipal/nucleo-naval

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publicado às 21:40

Lagoa de Nafta

por Elsa Filipe, em 26.04.23

Infelizmente, espaços como estes existem há muito no nosso país e pouco "sabemos" deles. De quem são ou quem os gere é uma incógnita e os terrenos baldios continuam assim, atentando contra a saúde pública e o ambiente.

Foi o que aconteceu hoje e que já está a mobilizar muita gente - ante desconhecedora deste perigo - contra a lagoa onde descarregam produtos derivados de petróleo desde há muitos anos.

Segundo várias notícia na comunicação social e na página do IRA, que tenho por hábit acompanhar, hoje os Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal e o próprio Núcleo de Intervenção e Resgate Animal (IRA) resgataram, esta quarta-feira, dois cães que se encontravam a afogar numa lagoa cheia de nafta, na zona de Vale de Milhaços, em Corroios. Contaram também com o apoio dos Bombeiros de Camarate com uma ambulância de salvamento animal. Um dos animais está em estado crítico e teve de ser estabilizado antes de serem encaminhados para um hospital veterinário.
Os dois animais têm o corpo coberto de uma massa pastosa, que será agora muito difícil de remover.

Segundo um requerimento do PCP para o Sr. Presidente da Assembleia da República, em 2009, deu-se conhecimento da existência de três locais onde foram depositados resíduos de
hidrocarbonetos em Corroios:

- "no antigo areeiro de J. Caetano, em Vale de Milhaços, numa depressão de terreno com cerca de O,5ha, transformada numa lagoa, encontram-se depositadas águas oleosas e outros resíduos de hidrocarbonetos";

- "na lagoa do antigo areeiro de Femando Branco em Sta Marta de Corroios, perto do cemitério municipal e a cerca de 400 metros do outro areeiro de Vale de Milhaços, encontra-se outra depressão com cerca de 350m2 preenchida com hidrocarbonetos";

- "e no poço da Quinta do Talaminho" foram despejados resíduos classificados como"naftas".

Segundo o mesmo documento, pode ler-se que "estes despejos foram denunciados junto das entidades competentes e foi dado conhecimento ao então Secretário de Estado do Ambiente, Sr. Eng. José Sócrates, a 28 de Maio de 2006, pela Câmara Municipal do Seixal" que "teve oportunidade de visitar o local, onde ficou decidido a resolução da questão."

"A 12 de Outubro de 1997 iniciou a extracção parcial dos resíduos de hidrocarbonetos na lagoa em Santa Marta de Corroios, executada pela empresa Quimitécnica e acompanhada pela DRARN/LVT, tendo sido interrompida no final de Outubro/inicio de Novembro de 1997, não voltando a ser retomada. Hoje, parte dos resíduos já se encontra soterrada."

E de 1997, até 2023 nada foi feito?

"Esteve também previsto intervenção na Quinta do Talaminho, mas não chegou a realizar-se."

Por aqui podemos ver que já havia conhecimento da parte da Câmara, dos partidos e do próprio governo desta situação, pelo menos desde 2005, pelo que já terá havido tempo mais do que suficiente para se fazer alguma coisa. De certo, outros animais já terão perdido a vida ali e quem sabe o que estará escondido naqueles locais.

Na ata 11/2018, de 30 de maio, pode ler-se que "a defesa do ambiente, nas suas múltiplas componentes, constitui um eixo estruturante da nossa ação." No entanto, nesta ata e após se referirem os vários passos positivos na defesa e proteção do ambiente, também se trocam acusações sobre o que há ainda a fazer em relação à Siderurgia Nacional em Paio Pires e às lagoas de hidrocarboretos em Corroios, entre outros aspetos que são discriminados como estando ainda a aguardar soluções. O assunto estava aqui em debate, mas em todo o caso ainda hoje não se encontra de todo resolvido.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2308315/caes-resgatados-de-areias-movedicas-em-corroios-um-em-estado-critico

https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c637939595355786c5a79394562324e31625756756447397a554756795a3356756447467a556d5678645756796157316c626e527663793878553077764e6a41334e3245314f5759744d7a466b4f4330304d6a5a694c546b30595745744f4459314e6d49304f575a6b4e4755354c6e426b5a673d3d&fich=6077a59f-31d8-426b-94aa-8656b49fd4e9.pdf&Inline=true

https://www.cm-seixal.pt/sites/default/files/editais/11_ata_rc_30maio2018.pdf

 

 

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publicado às 23:47

Caminhando

por Elsa Filipe, em 10.12.21

Passou algum tempo desde a minha última caminhada matinal. As dores não me têem permitido sair da cama de forma fácil o suficiente para me aventurar a sair de casa ainda de noite. Mas é algo que comecei a fazer com alguma frequência durante o último verão e que me ajuda a lidar com os meus próprios pensamentos. É ali, na solidão das manhãs, que organizo a minha mente e que defino os passos que vou dar nesse dia. Nem sempre sigo tudo à risca, porque muitas vezes perco a coragem de tomar certas decisões, mas ajuda-me bastante.

Hoje foi mais um desses dias. A semana tem sido difícil. Preciso de avançar com decisões que me vão influenciar tanto a mim como a outras pessoas, e ainda não sei como o vou fazer. O que sei é que tenho de criar os meus planos e tenho de ir em frente sem estar sempre a pensar "e se?"

Hoje o passeio teve a particularidade de poder passar pela feira de Natal do Seixal, completamente deserta. Estava frio, uma borrasca irritante daquelas que penetra nos ossos, mas soube muito bem. Apesar das dores que sinto e que têm estado piores nestes dias, caminhar ajuda-me a ativar a circulação, a pôr os músculos a funcionar e a diminuir a rigidez tão típicas da fibro. 

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publicado às 19:02

Afetações e limitações de circulação

por Elsa Filipe, em 01.07.21

Os casos estão a aumentar muito no Seixal e em Sesimbra. Infelizmente, estas regiões têm sido notícia quase todos os dias, expondo-se as nossas gentes ao olhar inquiridor e maldoso de tanta gente.

Hoje em comunicado do Conselho de Ministros, Seixal e Sesimbra são aplicadas as medidas de Risco muito elevado, o que significa entre outras coisas que voltamos a estar confinados das 23h00m às 05h00m. Todas estas medidas são necessárias, embora me incomodem a mim como incomodam muita gente.

A minha vida pessoal não devia estar dependente das medidas anunciadas nas notícias, mas está. Preciso saber diariamente o que se espera de mim, dos meus comportamentos, para saber até onde posso levar as minhas liberdades. Se saio, se vou, se não vou... 

Mas eu tento cumprir as medidas, sempre, pensando em mim e nos outros. Não me sinto com medo, mas acho que se não cumprirmos, não estamos a respeitar o trabalho duro das equipas hospitalares. É tão difícil o seu trabalho.

 

Fontes:

https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=429

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publicado às 21:57

A luta não termina

por Elsa Filipe, em 26.06.21

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.

Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.

Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.

No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.

Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?

Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

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publicado às 18:49


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