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Atentado mata ex-Congressista no Minnesota

por Elsa Filipe, em 14.06.25

A violência continua nos EUA e, desta vez, os alvos foram a ex-congressista "democrata do Minnesota," Melissa Hortman, e o seu marido, Mark Hortman. Os corpos de Melissa, que foi também "porta-voz da Câmara de Representantes" pelo Minnesota, e do marido, só foram descobertos depois da polícia ter sido chamada para a casa do "senador estadual John Hoffman (também ele democrata)" e da sua mulher, "Yvette," atacados a tiro. Os dois foram levados em estado grave mas ainda com vida para o hospital e a polícia foi verificar a casa da congressista, encontrando os dois corpos e ainda chegando a trocar tiros com o atacante.

"O governador do estado do Minnesota diz que os ataques têm motivações políticas." O suspeito é "Vance Boelter," um americano de "57 anos, mas ainda encontra em fuga. "Estava vestido" como se fosse "um agente da autoridade e foi assim que conseguiu entrar nas casas dos dois políticos, que distam cerca de 12 quilómetros uma da outra." De acordo com a CNN, o atirador teria dentro da viatura utilizada, "um manifesto com o nome de vários representantes estaduais e outros responsáveis – incluindo o de Melissa Hortman e de John Hoffman, mas também do próprio governador Tim Walz." Desta lista de potenciais alvos, constavam 70  nomes, incluindo "pessoas que prestam serviços para a interrupção voluntária da gravidez, defensores do aborto, e legisladores do Minnesota e de outros estados. A polícia também encontrou um cartão do Dia do Pai dirigido ao suspeito numa mala cheia de munições."

Melissa, "contribuiu para a aprovação de leis que alargaram os direitos ao aborto, legalização da marijuana e baixas médicas, quando os liberais tinham o controlo do Governo daquele estado." A questão do aborto é um ponto sensível na política interna dos EUA. A lei de 1973 que dava este direito às mulheres foi revogada em 2022. Em 2024, "dos 50 estados que compõem os Estados Unidos, em 21 o procedimento" era considerado "ilegal ou restrito." A polarização é bem visível, com "os estados dominados por democratas a manterem o direito à interrupção voluntária da gravidez e os estados dominados por republicanos a proibirem ou restringirem o acesso."

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publicado às 23:41

Falar em cólera é falar de uma doença que se propaga através de águas conspurcadas com fezes, alimentos mal lavados e mal confecionados. A bactéria que a provoca pertence à estirpe "das bactérias Vibrio cholerae. Os sintomas podem variar entre nenhum, moderados ou graves. O sintoma clássico é a grande quantidade de diarreia aquosa com duração de alguns dias. Podem também ocorrer vómitos e cãibras musculares."

Mas não fica por aqui. Nos países menos desenvolvidos com fracos cuidados médicos, a cólera mata. E sem cuidados médicos, a morte pode chegar em poucas horas...

Em apenas dois dias, cerca de "70 pessoas" já perderam a vida "na capital do Sudão," Cartum. O "Ministério da Saúde" sudanês veio já registar "942 novas infeções e 25 mortes" esta "quarta-feira, após 1.177 novos casos e 45 mortes na terça-feira." Cartum regista "90% das novas infeções," depois de "semanas de ataques com `drones`, atribuídos às RSF," terem interrompido "o fornecimento de água e eletricidade da capital."

Em Angola, a situação também tem sido bastante complicada, registando-se desde janeiro deste ano, cerca de 700 vítimas mortais. Só nas últimas 24 horas, registaram-se "248 casos de cólera" e dez mortos. A  "província do Namibe" tem sido a mais fustigada. O surto tem-se vindo a espalhar por vários países, especialmente aqueles com menos condições de saúde e de salubridade. A água é um dos bens mais raros e é, muitas vezes, também o meio de propagação desta doença. 

Em Moçambique, o surto tinha sido declarado em outubro do último ano e terá morto quase 60 pessoas, de entre as cerca de 3.600 infetadas, "segundo o último balanço das autoridades sanitárias," que indicam que este surto "foi registado nos distritos de Mogovolas, Angoche, Murrupula, Larde e cidade de Nampula, na província de Nampula." Foram entregues, entretanto, para esta região "2,3 milhões de doses de vacinas" contra a cólera. As crianças acabam por ser, mais uma vez, as mais afetadas. Na véspera de se celebrar o Dia da Criança (em Portugal), lembremo-nos, que nem todas as crianças têm acesso a cuidados médicos e a uma alimentação, hidratação e higiene adequados.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/colera-fez-70-mortos-em-dois-dias-no-sudao_n1658360

https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/angola-ultrapassa-as-700-mortes-por-colera-desde-o-inicio-da-epidemia-em-janeiro

https://observador.pt/2025/05/12/surto-de-colera-em-mocambique-ja-matou-57-pessoas-em-sete-meses-com-quase-3-600-casos/

 

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publicado às 19:34

O apagão de que "todos" falam

por Elsa Filipe, em 29.04.25

Ontem, a grande maioria dos portugueses foi surpreendida por uma falha de energia elétrica. O que nos primeiros minutos se pensou ser algo mais localizado, era de facto uma falha que atingia também Espanha e uma zona de França. Não atingiu toda a Europa como ainda se chegou a ouvir. Aliás, durante o dia de ontem (e hoje ainda mais, pois hoje é que as pessoas foram regressando às redes) tem sido divulgada muita informação duvidosa. E se numas vezes, pode ser mesmo por desconhecimento e por tentativa de encontrar uma causa para esta situação, noutras terá mesmo sido divulgada informação falsa com a intenção de lançar o caos e de prejudicar os envolvidos. Nem uma nem outra coisa deveriam ter sido feitas e era bom que se encontrassem os responsáveis por começarem a lançar teorias da conspiração através (não apenas, mas principalmente) na Internet.

No meio disto tudo, e apesar de em algumas regiões do país a eletricidade ter regressado ao final da tarde, muitas pessoas acabaram por estar sem luz, sem comunicações e sem água até perto das 23h00 (sendo que nalgumas regiões a situação só se restabeleceu pela manhã de hoje).

A falha de eletricidade num país vai afetar, não apenas o consumidor final desse tipo de energia, como também outros sistemas que dependem de eletricidade para funcionar, como é caso do fornecimento de água, cujas bombas são elétricas, e o caso das torres de telemóveis, que ao longo do dia foram ficando sem sinal.

O que nunca nos abandonou foi a rádio. Neste dia, muitas das rádios estiveram em transmissão ininterrupta, trabalhando para encontrar e transmitir à população o máximo de informação possível. Mesmo com as dificuldades de filtragem de toda a informação, a rádio acabou por prestar um excelente serviço à comunidade - tenham sido as rádios nacionais, tenham sido as rádios locais. 

Não vou divagar muito sobre este tema, uma vez que acho que, apesar de ser muito importante, está a ser, erradamente, aproveitado para se fazer campanha política. Acho, no entanto, que devo dar os parabéns àqueles profissionais que, mais uma vez, continuaram a trabalhar para que a situação regressasse à normalidade o mais rapidamente possível. E um destaque para os funcionários dos supermercados: parabéns pela vossa paciência, para aturar coisas que não lembra a ninguém.

A nossa sociedade continua a não estar preparada para eventos destes. A marioria das pessoas não sabia o que fazer, não estava organizada com a família para que fossem tomadas decisões assertivas. Dou um exemplo que aconteceu com algumas famílias. Por não conseguirem encontrar transporte, muitas pessoas entraram em pânico por não conseguirem contatar com ninguém para o filho ou a filha serem recolhidos da escola, ou da creche. Foram vários casos destes que aconteceram e, claro, é natural que se fique ansioso, mas tem de haver um plano familiar pré-definido que, nestes casos, possa ser executado. As creches, Jardins de Infância e escolas de 1º ciclo e 2º ciclo, não poem crianças sozinhas no meio da rua e mesmo nas escolas em que os alunos são mais velhos, a ordem foi para só se deixar sair aqueles alunos que, já nos outros dias, saem sozinhos. 

O que eu senti, e que entendo perfeitamente, foi a necessidade das pessoas resolverem a sua própria situação no imediato, numa impaciência motivada talvez pela falta de comunicação das entidades competentes. Mas temos de nos lembrar que, no decorrer destas horas, muitas das pessoas ligadas às entidades competentes estavam a gerir situações. E essa gestão, feita de acordo com procedimentos organizados, tem ordens de prioridades e obedece a tempos que muitas vezes não são os mesmos que a cada um de nós poderia interessar.

De acordo com informação do "operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes", a meia noite estariam já "ligadas parcialmente 424 subestações," o que dava para fornecer energia a cerca de 6,2 milhões de clientes" dos 6.5 milhões de consumidores.

Não acho, porém, que tenha sido um bom dia. Houve situações graves que podiam ter corrido muito mal e se, ainda, não temos registos de mortos, foi porque no meio do possível caos que se começou a fazer sentir, houve algumas pessoas que usaram uma capacidade que se chama resiliência, enquanto outras usavam o "chico-espertismo." Por favor, isto não foi nada bom, podia ter sido bem pior. Agora que já passou, podemos refletir - a nível pessoal e familiar, o que correu bem ou mal, o que podia ter sido feito de outra forma e, claro, a nível comunitário, encontrando não tanto soluções, mas caminhos. 

Este apagão acabou por levar ao encerramentos dos aeroportos, ao "congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades," ao encerramento de lojas e serviços e à "falta de combustíveis," e de ter sido até considerado como um dos mais graves a acontecer na Europa nos últimos anos. Para muitos, foi um incómodo, um dia diferente que nos surpreendeu e transtornou, mas para algumas pessoas, foi mesmo uma situação de uma gravidade extrema, principalmente naqueles casos em que a presença de uma tomada elétrica pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Foi o caso de doentes que necessitam de dispositivos como ventiladores, bipap, cipap ou outros (apesar de haver baterias, por vezes, as pessoas esquecem-se de as carregar e de ter baterias extra caso aquelas se tenham de gastar até ao fim ou avariem), ou podem sofrer um agravamento da sua situação devido ao stress causado pela falha elétrica em si. Outros casos bastante graves - as pessoas que ficaram retidas em comboios, elétricos e elevadores (felizmente a falha começou às 11h30 porque se fosse na hora de ponta em que os transportes vão completamente apinhados, acredito que aí sim a situação teria sido bem pior), as que estavam em veículos suspensos (teleféricos) ou em gruas e estruturas elevatórias. Muitos destes sistemas funcionam a eletricidade e, apesar de terem sistemas de descida redundantes (por exemplo, manuais) ou hidráulicos.

Esperemos que uma situação destas não se volte a repetir, mas que esta tenha servido de aprendizagem para muitas pessoas. Principalmente no que se refere à prevenção.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/apagao-corte-de-energia-eletrica-atinge-portugal-e-outros-paises-europeus_e1650845

 

 

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publicado às 22:54

Poliomielite - uma doença que volta a atacar

por Elsa Filipe, em 31.08.24

Arrancou hoje a campanha de vacinação contra a poliomielite, na Faixa de Gaza, com o objetivo de "vacinar todas as crianças até aos 10 anos de idade e evitar a propagação do vírus em Gaza, que foi diagnosticado há alguns dias numa criança." Há 25 anos que não se registavam casos em território palestiniano e a deteção deste caso, levou a uma forte preocupação, uma vez que, a região tem "falta de produtos de limpeza" que, aliado à sobrelotação dos espaços, à poluição e à "escassez de água", são "fatores que a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que contribuem para a propagação do poliovírus e outras doenças infecciosas."

Terão sido atribuídas a Gaza já "1,26 milhões de doses de vacina oral (duas gotas nesta primeira fase de imunização), bem como equipamento para assegurar a cadeia de frio," essencial para a preservação da vacina.

Com Israel a conceder apenas três dias de pausa nos ataques - "o governo israelita aceitou parar os combates entre as 6h e as 15h durante três dias, com a possibilidade de um prolongamento de um dia" - as entidades envolvidas (Ministério da Saúde palestiniano, em cooperação com a Organização Mundial de Saúde, a Unicef e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina), irão tentar chegar às cerca de "640000 crianças", que precisam de ser vacinadas.

Para que a esta campanha de vacinação produza alguma eficácia, "a OMS declarou que pelo menos 90 por cento das crianças devem ser vacinadas", o que levou ao envolvimento de "mais de 2100 profissionais de saúde das agências da ONU e do Ministério da Saúde de Gaza." De acordo com a ONU, depois da primeira interrupção de três dias, irá seguir-se outra "de três dias no sul de Gaza e depois uma outra no norte de Gaza, de forma a terminar o processo de vacinação." Mesmo assim, será uma missão quase impossível.

Segundo o site do SNS, não existem neste momento "casos de poliomielite em Portugal." De facto, foi em 1986 que se registou "o último caso da doença no país" e, "desde 2002 que a região europeia está considerada como livre de poliomielite." Em 2019, a nível mundial, foram registados apenas "175 casos."

A vacinação "e a melhoria das condições de saneamento vieram contribuir para esta redução," uma vez que este vírus tem duas formas de propagação, uma por via direta (por via feco-oral através do contato com as "fezes de uma pessoa infetada", através da tosse ou espirros, e inalação de partículas contaminadas)  e outra por contato indireto através da "água, alimentos ou objetos contaminados."

Fontes:

https://pt.euronews.com/saude/2024/08/31/guerra-em-gaza-arranca-a-campanha-de-vacinacao-contra-a-poliomielite

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-08-31-arrancou-a-campanha-de-vacinacao-contra-a-poliomielite-em-gaza-1fdfde27

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-29-video-abdul-rahman-de-dez-meses-e-o-primeiro-caso-de-poliomielite-identificado-em-gaza-em-25-anos-b9544234

https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/poliomielite/

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publicado às 21:04

Dia Mundial da Ajuda Humanitária

por Elsa Filipe, em 19.08.24

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, uma data tão importante quando relevante e necessária, criada "em memória das 22 vitimas do atentado à Nações Unidas em Bagdade, no Iraque." A data foi criada exatamente com o intuito de celebrar o trabalho de todos aqueles que "ao serviço dos outros e na defesa de causas humanitárias, arriscam as suas vidas na frente de combate, muitas vezes, em cenários inóspitos de guerra."

Em ocasião desta data, refere a OMS que, desde o início do conflito, os "serviços de saúde da Ucrânia sofreram 1940 ataques", naquele que é já o maior número "registado durante uma crise humanitária." Na prática, destes ataques resultou a destruição de cerca de 200 ambulâncias por ano devido a ataques russos na Ucrânia. O grande problema está também naquilo que é chamado de "duplo ataque", em que "um bombardeamento inicial é seguido de um segundo bombardeamento, destinado a matar as equipas de socorro que acorrem em auxílio das vítimas do primeiro." Algo que não pode de forma nenhuma ser tolerado!

Pelo mundo, a OMS acode anualmente a diferentes crises humanitárias, provocadas não só pos conflitos armados, mas também por catástrofes naturais. Os mais afetados são sobretudo as populações mais pobres, e as faixas mais suscetíveis das populaçoes continuam a ser as crianças e os idosos.

Uma das situações mais graves é, sem dúvida, o que se passa na fronteira sudanese, com "aproximadamente 13 milhões de pessoas" deslocadas. Cerca de 800 mil pessoas estão isoladas no Darfur, sem acesso a comida e "sem serviços essenciais."

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-da-ajuda-humanitaria

https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/oms-contabiliza-1-940-ataques-a-servicos-de_66c3639bcbcd6f42659d0e5b

https://news.un.org/pt/story/2024/07/1834601

 

 

 

 

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publicado às 18:27

Os meninos de Gaza

por Elsa Filipe, em 03.03.24

Não há infância em Gaza. Há muito que lhes foi retirado o direito de brincar sem medo, de dormir tranquilo... A infância já foi perdida há muito, não foi hoje, nem ontem, numa região onde quase caiem mais bombas que chuva! Estas crianças morrem dos bombardeamentos, morrem fuziladas, morrem de fome, de doenças e de graves infeções. Muitas vezes, morrem sem os pais, sem família, sem ninguém que as chore, ou porque também eles tiveram o mesmo destino ou porque nem sequer sabem onde elas estão.

Devido às mortes constantes, algumas famílias tentaram arranjar forma de identificar as suas crianças caso estas sejam mortas e não seja possível identificá-las, ou caso sejam levadas para uma vala comum. Assim, "colocam pedaços de tecidos coloridos em redor dos pulsos das crianças ou escrevem o nome nos braços e nas pernas."

"A 29 de janeiro, Bashar, de 44 anos, e a mulher, Anam, de 43 anos, puseram os quatro filhos e a sobrinha no carro, depois de o exército israelita ter ordenado a evacuação do bairro de Tel Al Hawa, em Gaza." Hind Rajab tinha apenas 5 anos e ia nesse carro quando um tanque os atingiu com rajadas de tiros. A menina, ficou viva e pegou no telemóvel que a prima, de 15 anos, tinha usado para ligar para a ajuda do Crescente Vermelho Palestiniano, para implorar que a viessem buscar. Nas horas seguintes, conseguiram manter-se em contato com a menina e encontraram até forma de ser autorizada uma "passagem segura" para que uma ambulância a fosse buscar. A mãe chegou a estar em contato com a menina, sem poder fazer nada para a ajudar. Ao fim do dia, os tripulantes da ambulância informaram que estava a acontecer um “tiroteio pesado", informaram "que conseguiam ver o carro onde estava Hind e avisaram que estava apontado um laser à ambulância." Ao mesmo tempo, noutra chamada Hind continuava a pedir que a fossem buscar. "Ambas as chamadas caíram. Durante 12 dias, não foi possível saber o que aconteceu."

Doze dias depois, a ambulância com os seus dois tripulantes foi encontrada completamente destruída e com dois corpos carbonizados lá dentro. No carro, a pequena Hind jazia também morta "rodeada pelos cadáveres de seis familiares."

Num outro ataque, entre tantos, cerca de 30 pessoas morreram mas, nove dias depois, ainda foi possível retirar um menino com vida dos escombros! Desidratado e subnutrido, foi levado para um "hospital numa carroça, já que não há combustível na Faixa de Gaza." Espera-se que sobreviva agora, depois da sua dura provação e de ter perdido toda a família. Mas quantos como ele poderiam estar vivos e acabado por sucumbir por falta de ajuda?

Continuar com os hospitais abertos e com ambulâncias na rua é um ato heróico para quem o faz. Os meios de socorro estão constantemente a ser atacados, sem dó nem piedade. Esta quarta-feira, "os hospitais Kamal Adwana e Al-Awda, ambos localizados no Norte da Faixa de Gaza, anunciaram a suspensão total dos seus serviços." Já serão até agora pelo menos dez, as crianças que morreram em hospitais daquela área "devido à desnutrição e desidratação" nos últimos dias. Muitas crianças morrem no chão dos hospitais, sem que nada possa ser feito para as salvar. Há a vontade, mas falta tudo o resto.

O que o Hamas fez em Israel não tem perdão. O que Israel está a fazer em Gaza, também não. Uma ação não pode desculpar a outra, quando quem mais sofre são os bebés e as crianças. 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-03-01-Crianca-e-resgatada-com-vida-apos-9-dias-debaixo-de-escombros-em-Gaza-093ff989

https://observador.pt/2024/02/12/hind-rajab-a-menina-de-5-anos-que-implorou-por-ajuda-encontrada-morta-em-gaza/

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2023-10-27-Em-Gaza-os-pais-colocam-fitas-coloridas-nas-criancas-para-as-reconhecerem-caso-morram-2dfa0b95

 

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publicado às 11:56

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Combate à Depressão. Esta é uma condição médica muito comum que afeta cerca de 5% da população mundial. Esta é uma doença que pode trazer um impacto muito negativo e entre as suas graves consequências pode mesmo estar o suicídio.

A depressão tem sido um tabu e como tantas doenças mentais é escondida dos outros por muitos dos seus portadores e recusada como um problema por muita da comunidade médica. A depressão é sobretudo uma doença estigmatizada e isso traz vários obstáculos ao seu correto tratamento. "A par da Irlanda somos o país com maior prevalência desta doença que continua a não ter resposta atempadas por parte Serviços de Saúde e gera incompreensão por parte da sociedade." 

E para que este preconceito deixe de existir é cada vez mais importante falar sobre o assunto, relembrar que existem meios de diagnóstico e de apoio e que podemos e devemos pedir ajuda. No entanto, é importante não esquecer que no nosso país a saúde mental continua a ser um parente pobre das restantes áreas da saúde. 

Uma das questões que temos de trazer para o primeiro plano é que a depressão é uma doença e não um sentimento. É diferente da tristeza, que "é uma emoção humana válida como qualquer outra e tem a sua função." E não podemos nunca dizer que é o mesmo.

A depressão pode ter diferentes causas. Estas podem ser “endógenas ou reactivas a fatores quer precipitantes, ou predisponentes: desencadeadas" por fatores prévios que ocorrem na vida de alguém. Independentemente da sua causa, todas as depressões devem ser atendidas, sejam mais leves ou mais severas. 

No decorrer do aparecimento dos sintomas associados à fibromialgia, a depressão apareceu na minha vida. Acabei por detetar alguns dos seus sintomas e procurei ajuda, mas se tivesse havido um trabalho paralelo na altura em que o diagnóstico ainda não estava atribuído e os problemas no trabalho se iam sucedendo, com conhecimento de todas as situações aos médicos que me seguiam, poderia ter sido prevenida ou agarrada muito mais cedo. Felizmente, o apoio de alguns amigos e familiares nessa altura foi fundamental. Mas a minha realidade não é igual à de muitas outras pessoas que passam sozinhas por estas situações e que acabam por entrar em fases muito mais profundas. O importante foi que no meu caso eu estava atenta e tive a capacidade de pedir apoio quando nenhum dos médicos que na época me estava a acompanhar percebeu (ou quis perceber) que tinha de haver um acompanhamento diferente. A procura de uma psicóloga foi inicialmente feita por mim, através do privado e às minhas custas, o que levanta também outras questões, como a da responsabilidade e disponibilidade financeira. Só bastante tempo depois (cerca de dois anos depois de estar na Unidade da Dor) é que me foi atribuída consulta de acompanhamento de psicologia na própria Unidade. Poderia ter sido tarde.

Fontes:

https://vaniacardoso.net/2023/01/17/13-de-janeiro-2023-dia-mundial-de-prevencao-e-combate-a-depressao/

https://www.medicina.ulisboa.pt/dia-mundial-mundial-do-combate-depressao

https://www.publico.pt/2024/01/13/impar/opiniao/depressao-doenca-estigma-obstaculos-tratamento-2076592

 

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publicado às 22:40

Mais uma volta à nossa estrela

por Elsa Filipe, em 01.01.24

Bom dia e feliz ano novo.

2024 começa sem surpresas como qualquer outro dia do ano. A guerra continua, na Ucrânia ouviram-se estrondos mas não foram de festejos, houve um sismo no Japão, morreram pessoas em acidentes de viação, um jovem foi assassinado por uma estupidez qualquer numa noite que devia ter sido de festa. Sobem os salários e os preços. Os hospitais continuam cheios, os casos de gripe continuam a crescer. Na Dinamarca, a rainha começa o ano a abdicar do trono.

Por aqui tudo igual também. Depois de mais uma volta completa ao Sol, começamos o dia a lavar a loiça do jantar de ontem, a box da televisão do quarto cansou-se e hoje não lhe apeteceu recomeçar as suas funções e as minhas artroses não se foram embora por magia. Gravei no polegar e pulso as cenouras raladas e a cebola picada de ontem, depois da Bimby ter resolvido fazer greve (talvez zangada por eu raramente a usar).

Ainda pensei em me levantar e ir atirar-me ao mar junto com centenas de pessoas que foram corajosamente dar o primeiro mergulho do ano, mas ainda não me apeteceu tirar o pijama. Acho que me vou atirar para as páginas do livro que estou a ler e passar a tarde de forma tranquila em casa. Se o sol aquecer talvez faça uma loucura e saia de casa para ir dar um passeio à marginal do Seixal.

Ontem à noite foi bom ter um jantarzinho aqui em casa. Vimos o fogo de artifício aqui mesmo da janela da sala e brindámos ao novo ano. Pedidos não fiz nenhuns, acho que não vale a pena pedir nada se não tiver a intenção de fazer mudanças por mim mesma. As melhores coisas são as mais simples, como os abraços apertadinhos de quem amo mais do que a vida, o meu filho.

Celebra-se neste primeiro dia do ano o Dia Mundial da Paz. Esta é uma celebração de origem católica realizada anualmente no dia 1 de janeiro, com o objetivo de celebrar e promover a paz. "Foi criada, em 1967, pelo papa Paulo VI, sendo celebrada, pela primeira vez, em 1968. É comemorada anualmente com um discurso realizado pelo pontífice." É também celebrada por não católicos. Devemos também ter em conta que na época em que foi criada, o mundo passava por uma década que "ficou marcada pelo auge da rivalidade entre soviéticos e norte-americanos e a ameaça de um conflito nuclear." E nos nossos dias, o risco é grande e por isso devemos erguer as nossas vozes em sua defesa! Além da defesa da paz, a data pretende também combater "a miséria, a desigualdade social e garantindo os Direitos Humanos básicos de todo indivíduo."

Um ano feliz a todos os meus seguidores e que continuem a vir até aqui em 2024 dar uma espreitadela e deixar-me os vossos comentários! Obrigada.

Fontes:

https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-mundial-paz.htm

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publicado às 12:12

Hoje aponto aqui duas notícias ocorridas este ano e ambas com caraterísticas muito parecidas. Os casos deram-se em Espanha, mas não é o país que está em casa. O que me acorre é o sofrimento em que estas crianças deveriam estar para saltarem para a morte.

No mês de maio deste ano, duas meninas terão saltado do 6º andar de um prédio, em Oviedo em Espanha. Inicialmente, não se sabia bem o que as tinha levado a saltar ou se até teriam caído por acidente, mas as investigações levadas a cabo vieram identificar que Aleksandra e Anastasiia, de origem rússa, "poderiam estar a  sofrer de bullying" e que isso as levou ao suicídio. A notícia de 19 de maio, dava conta que a mãe e o pai estariam a receber apoio psicológico devido à morte trágica das gémeas de 12 anos.

A mãe das meninas esclareceu agora as dúvidas, através de uma carta, na qual explica "que a família era vítima de maus tratos protagonizados pelo pai das crianças, que regularmente as trancava em casa e as impedia de sair." Segundo Olga, mãe das meninas e de um outro menino de 10 anos com quem entretanto voltou para a Rússia, terá sido mesmo esse o "que motivou o ato das meninas, deixando a família de luto." Seja qual o motivo, ou se calhar até pelo acumular de ambas as razões a verdade é que estas meninas não encontraram quem as entendesse, no seu sofrimento.

"Em junho, o Tribunal de Violência contra as Mulheres de Oviedo ordenou a Igor Zuev que se mantivesse longe da sua mulher e do filho mais novo."

Em fevereiro deste ano, em Sallent, Barcelona, outras duas meninas também de 12 anos, gémeas, caíram da varanda da casa onde moravam e neste caso "uma das crianças morreu e a outra ficou gravemente ferida." Estas meninas, Ivan e Leila, deixaram uma "carta de despedida antes de saltarem da varanda do prédio onde moravam. Na carta falam de intolerância, racismo, bullying e transfobia."

O suicídio é, confesso, algo que me preocupa bastante. Quando se trabalha com crianças e jovens, temos de ser pessoas muito (mesmo muito) atentas. Em Portugal têm sido vários os casos de suícidio em jovens, mas um flagelo também grande que por cá assistimos, são as fugas de jovens. Se para uns, não passará de uma forma de mostarem a sua independência e a sua forte vontade de autonomia (quem nunca?) para outros é um passo para serem vítimas de outras situações (entrada em grupos problemáticos, gangues, assaltos, abusos, violações... morte).

A saúde mental é uma área que precisa de ter uma maior atenção. Temos de começar por ver que o suicídio, em si, não é uma doença, mas sim um comportamento. Pode até ser uma "chamada de atenção" mas, o que temos de perceber é quantas foram as "chamadas" que estes jovens tiveram de fazer, até chegar a este ponto limite! Ana Matos Pires, afirma até que o suicídio "já é a principal causa de morte junto de crianças e jovens adultos no país”, dando a conhecer dados que indicam que "uma em cada seis mortes de pessoas entre os dez e os 29 anos em Portugal é por suicídio." Assustador, não? A própria OMS já começa a dar uma maior importância a este flagelo. "A área infanto-juvenil está contemplada no PRR" (Plano de Recuperação e Resiliência), havendo a esperançã de que em futuros Orçamentos do Estado, haja "algum investimento a nível preventivo — nomeadamente no meio escolar e de interligação da escola com a saúde mental da infância e da adolescência no SNS.”

Segundo dados da OMS, Portugal até "ocupa um lugar mediano na tabela de taxas de suicídio na Europa, continente onde há uma morte por suicídio a cada 40 segundos." Um outro dado importante, é que "a depressão aumenta o risco de suicídio em 20 vezes (seis em cada dez suicídios foram efetivados por doentes com depressão) e que o suicídio causa mais mortes do que o cancro da mama, a malária, a guerra ou os homicídios." Mais uma razão para se reforçarem os cuidados de saúde mental, sobretudo, os preventivos.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2380354/espanha-gemeas-que-morreram-apos-queda-de-6-andar-eram-vitimas-do-pai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2323863/irmas-gemeas-de-12-anos-morrem-apos-cairem-de-janela-em-espanha

https://observador.pt/2023/05/19/gemeas-de-12-anos-morreram-ao-cair-de-uma-janela-nas-asturias/

https://dezanove.pt/suicidio-em-espanha-criancas-gemeas-1861941

https://expresso.pt/sociedade/2021-09-10-Suicidio-e-a-principal-causa-de-morte-em-criancas-e-jovens-adultos-em-Portugal-8a69a853

 

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publicado às 19:03

Ser velho no nosso país

por Elsa Filipe, em 15.06.23
Chegarei a velha? Gostava, sim, mas só se fosse com alguma qualidade de vida e com a minha cabeça lúcida. Infelizmente, o mais certo é vir a ser mais uma pessoa sozinha, sem o apoio para me manter sã física e mentalmente. Ou então ficar-me aí a meio caminho...
 
Ser velho é a somatória de fatores biológicos, sociais e subjetivos, elementos responsáveis pela peculiaridade de cada idoso. 
 

O Dia da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa comemora-se hoje, 15 de junho, e foi instituído em 2006 pela Rede Internacional para a Prevenção do Abuso à Pessoa Idosa ("The International Network for the Prevention of Elder Abuse").

Este dia foi estabelecido com o objetivo de proporcionar a reflexão sobre uma questão social sensível. O envelhecimento da população nos países desenvolvidos, proporciona o aumento dos maus-tratos fisícos e psicológicos e o seu esquecimento, tanto pelas famílias como pelos serviços de acolhimento. Alguns sinais de alerta são: a falta de apetite ou perda de peso, as mudanças de humor e comportamento, a higiene pessoal insatisfatória e as lesões físicas frequentes (equimoses, hematomas, abrasões).

Apesar de vivermos numa sociedade cada vez mais envelhecida, continua a predominar entre nós uma visão negativa do envelhecimento – populacional e do indivíduo.

Esta visão comporta estereótipos quanto às pessoas idosas, que são frequentemente vistas pela sociedade como pessoas frágeis, doentes e dependentes.

As perceções negativas do envelhecimento e os estereótipos associados às pessoas idosas conduzem, necessariamente, ao desrespeito pelos seus direitos, à exclusão e marginalização daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade e, não raras vezes, a situações de crime e violência.

A ONU relembra que a discriminação etária é uma grave violação dos Direitos Humanos, reconhecendo este dia através da Resolução 66/127 da Assembleia Geral da ONU a 11 de dezembro de 2011.pessoas idosas calar é ser cúmplice 2021

Por semana, 31 pessoas idosas foram apoiadas pela APAV no ano de 2020. A violência contra pessoas idosas é, simultaneamente, um fenómeno crescente e um fenómeno invisível, que são absolutamente necessários de inverter.

A sensibilização para estas questões e a informação sobre os canais de apoio disponíveis para pessoas vítimas de violência e de crime fazem parte do trabalho da APAV, que tem como objetivos a prevenção da violência interpessoal nos adultos, promover a igualdade e a equidade em saúde, contribuindo para a informação da população e sensibilização dos profissionais de saúde.

Fontes:

https://www.sbgg-sp.com.br/o-que-e-ser-velho-quando-ficamos-velhos/

https://www.ordemenfermeiros.pt/acores/noticias/conteudos/dia-mundial-da-consciencializa%C3%A7%C3%A3o-da-viol%C3%AAncia-contra-a-pessoa-idosa-2022/

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2751-15-de-junho-dia-mundial-da-consciencializacao-da-violencia-contra-a-pessoa-idosa

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-da-consciencializacao-da-violencia-contra-pessoa-idosa-2021

Resolução 66/127 da AG das Nações Unidas sobre o Dia da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa [en]

 

 

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publicado às 13:01


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