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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
O regime de Bashar al-Assad caiu há apenas três meses, mas a população Síria não tem visto melhorias na sua situação. As "forças do novo regime estão a ser acusadas do massacre de mais de 700 civis", num total de "29 massacres, entre sexta-feira e sábado, na região costeira de Latakia, na zona ocidental do país." Deposto o ditador, ficaram vários grupos, uns fiéis a Assad e outros fiéis ao novo regime. Entre estes grupos têm-se registado vários conflitos num constante clima de tensão "entre as forças governamentais sírias e grupos armados leais ao antigo regime de Bashar al-Assad."
Os mortos espalham-se pelo chão. As imagens que nos chegam, deixam-nos sem palavras para descrever o massacre. A situação agravou-se quando na passada quinta-feira, "grupos armados ligados ao antigo regime - muitos deles antigos soldados e oficiais - lançaram ataques coordenados" investindo contra "as forças de segurança" e conseguiram tomar "o controlo de edifícios governamentais."
Deste então, contando com a situação vivida este fim de semana, contabilizaram-se já quase mil mortos. As forças de segurança não reconhecem a culpa por estas mortes, dizendo que muitas das "execuções sumárias de dezenas de jovens e os ataques a casas e aldeias da comunidade alauita nos últimos dias," se devem a várias "milícias armadas que vieram ajudar as forças de segurança."
A escalada de violência agravou-se "levando a ataques contra civis inocentes, incluindo mulheres e crianças", afirmaram os patriarcas das igrejas cristã ortodoxa, católica melquita e siríacos ortodoxos, num comunicado conjunto."
Pensa-se que a "maior parte das vítimas" sejam alauitas, pertencendo à "comunidade religiosa de que descende a família de Bashar al-Assad." A mensagem foi clara: ou entregavam as armas ou sofriam as consequências.
A fuga levou a que muitos fossem procurar refúgio numa base militar russa.
Fontes:
França foi mais uma vez palco de um "atentado com recurso a uma faca durante uma manifestação", que decorria na cidade de Mulhouse, em "apoio à República Democrática do Congo, que enfrenta uma ofensiva, no leste, do movimento armado M23, apoiado pelo Ruanda."
Durante o ataque, um português de 69 anos, que tentou conter o ataque, foi morto e cinco polícias municipais foram feridos, "sendo que dois estão em estado grave."
"A unidade nacional de procuradores antiterroristas de França (PNAT), que assumiu o comando da investigação, disse que o suspeito atacou primeiro os polícias municipais." Também o "presidente francês, Emmanuel Macron," se referiu a este ato, como um "ato de terrorismo" e como um ato de origem "islâmica". O suspeito, é um homem de 37 anos que nasceu "na Argélia" e que já "estava sinalizado para efeitos de prevenção de terrorismo." ,Segundo relatos da imprensa francesa, ao avançar com uma faca direito aos manifestantes, "terá gritado “Allahu akbar” (“Deus é grande”, em português)."
Num outro ataque, que aconteceu na noite de ontem, mas neste caso, na Alemanha, um "turista espanhol de 30 anos ficou gravemente ferido." A vítima, foi "atacada aparentemente sem razão conhecida," tendo sido esfaqueada na região do pescoço, "quando visitava o Memorial do Holocausto em Berlim."
O suspeito deste ataque, fugiu, mas acabou por ser detido algumas horas depois. o suspeito deste ataque é um cidadão sírio, com estatuto de refugiado. Terá apenas "19 anos" e "mora em um abrigo para refugiados na cidade de Leipzig, no leste alemão."
Estas duas situações, além da sua proximidade temporal, nada terão que as relacione. No entanto, o ato que ocorreu na Alemanha, foi relacionado com o "conflito no Oriente Médio", tendo acontecido apenas "dois dias antes das eleições gerais no país." Um país que está em tensão não apenas pelas eleições mas por uma "série de ataques fatais" que aconteceram durante as últimas semanas e "cujos suspeitos são imigrantes," ou refugiados.
Fontes:
O regime de Bashar al-Hassad na Síria foi derrubado e começam-se a mostrar os horrores daquele que foi um regime com quase 50 anos. Quando achamos que já assistimos aos maiores horrores, eis que nos surge a verdade sobre mais um regime que, além de opressor, assassinou sem dó nem piedade um povo.
A Síria fica localizada no Médio Oriente, fazendo fronteira com o Iraque, a Jordânia, Israel, o Líbano e a Turquia, é um local de uma riqueza cultural única, não convivessem no seu território "diversos grupos étnicos e religiosos, inclusive árabes, gregos, arménios, assírios, curdos, circassianos, mandeus e turcos. Os grupos religiosos incluem sunitas, cristãos, alauitas, drusos, mandeus e iazidis. Os árabes sunitas formam o maior grupo populacional do país." E é este caldo cultural que faz da Síria uma zona em constante conflito.
A história da Síria remonta à sua capital, Damasco - uma das cidades mais antigas do mundo. Durante "a era islâmica," Damasco tornou-se "a sede do Califado Omíada e uma capital provincial do Sultanato Mameluco do Egito."
Mas foi só depois da "Primeira Guerra Mundial durante o Mandato Francês," que a Síria moderna se estabeleceu, conquistando" a independência como uma república parlamentar em 24 de outubro de 1945." Nessa altura, a Síria tornou-se também "membro fundador da Organização das Nações Unidas, um ato que legalmente pôs fim ao antigo domínio francês — embora as tropas francesas não tenham deixado o país até abril de 1946." O período que se seguiu foi tumultuoso e esta nação árabe acabaria por ser abalada por "vários golpes militares" entre 1949 e 1971.
Hafez al-Assad, governou a Síria entre 1970 e 2000, e Bashar al-Assad, seu filho, era o presidente do país desde 2000, num sistema de governo "amplamente considerado como autoritário," que caiu na última semana.
Em 2012, arrastada pela Primavera Árabe, que fez cair vários governos do Médio Oriente, começou a guerra civil Síria, "que começou como uma série de grandes protestos populares" a 26 de janeiro de 2011 a que se seguiu "uma violenta revolta armada" a 15 de março de 2011. A "23 de agosto de 2011, a oposição" uniu-se finalmente," formando uma "única organização representativa", chamada "Conselho Nacional Sírio."
Em 2013, o Estado Islâmico, "começou a reivindicar territórios na região," atacando "qualquer uma das fações," fossem ou não apoiantes de Assad. Em 2014, conseguiram proclamar um Califado na região e iniciaram a sua "expansão militar," subjugando os seus "rivais e impondo a sharia (lei islâmica) nos territórios que controlavam." A NATO começou a intervir contra o EI, enquanto a Rússia e o Irão, vieram apoiar militarmente o regime de Assad.
Já este ano, em novembro e depois de quatro anos de uma aparente acalmia, talvez escondida pelos conflitos nos territórios fronteiriços, "a guerra recomeçou a todo vapor, com as forças rebeldes" a atacar vindas de norte, sul e leste. A "8 de dezembro de 2024, após treze anos de guerra, Bashar al-Assad fugiu de Damasco." Nem a Rússia, nem o Irão, conseguiram pôr cobro à ação que derrubaria "cinquenta e três anos de governo da Família Assad."
O fim desta guerra civil, foi para muitos "um momento de vitória popular, após anos de miséria" e de "pobreza extrema," mas a estabilidade não será imediata.
"O colapso do regime de Assad pode abrir caminho para uma nova era de esperança, mas também traz o risco de vácuo de poder, ascensão de fações radicais e perpetuação do sofrimento."
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria
https://observador.pt/opiniao/a-queda-de-bashar-al-assad-e-o-destino-incerto-do-povo-sirio/
O governo sírio, de Bashar al-Assad, "foi derrubado pelos rebeldes neste domingo," depois de, na semana passada, terem conseguido controlar Alepo, a que se seguiu Homs e, hoje, o domínio da capital, Damasco. Com o avanço dos rebeldes sobre a capital, "cerca de 2000 soldados sírios terão mesmo atravessado a fronteira com o Iraquepara procurar refúgio," sinal claro do "colapso das forças governamentais." A Rússia tem sido um dos apoiantes do governo da Síria, Rússia, ajudando a "lançar ataques aéreos contra os rebeldes," mas acabou por diminuir esse apoio quando duas das suas instalações militares, foram colocadas como alvo dos opositores ao governo.
Pensa-se que o presidente do país tenha "embarcado num avião que, depois de descolar, voou em direção à costa síria mas acabou por fazer meia-volta, perdendo altitude e desaparecendo do radar." Há uma forte probabilidade "de que o avião se tenha despenhado" e al-Assad possa ter morrido, mas esta notícia ainda carece de confirmação.
A embaixada do Irão, na Síria, foi atacada e a entrada do Palácio Presidencial foi incendiada, por "forças rebeldes lideradas por islamitas radicais." Os rebeldes libertaram também "todos os prisioneiros" que o governo tinha detido “injustamente.”
Al-Assad, tinha contado com "o apoio militar da Rússia, do Irão e do movimento Hezbollah," na reconquista de "uma grande parte do país em 2015 e a totalidade de Alepo em 2016, cuja parte oriental tinha sido tomada pelas forças rebeldes em 2012."
Jalali, primeiro-ministro sírio, "diz estar disposto a entregar o Governo à oposição, mas exige uma transição pacífica," pedindo "racionalidade e cooperação a ambas as partes."
A fronteira do Líbano foi reforçada pelo exército libanês, "após a queda" do regime. "Centenas de refugiados sírios residentes no Líbano atravessaram hoje a fronteira de regresso ao seu país, poucas horas depois de ter sido expulso o presidente Bashar al-Assad."
De acordo com o governo do Líbano, estima-se "que cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios vivam no país, dos quais mais de 800.000 estão registados na Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)."
Fontes:
https://www.dn.pt/6886259565/palacio-presidencial-onde-residia-bashar-al-assad-ja-foi-tomado/
No passado sábado, "jatos russos e sírios bombardearam" várias cidades na província de Idlib, que havia caído "sob controle rebelde." Na véspera, a região tinha sido invadida por insurgentes, o que acabou por forçar o "Exército a se remobilizar, no maior desafio ao presidente Bashar al-Assad em anos." De acordo com o exército sírio, dezenas de soldados "foram mortos no ataque."
Idlib é um enclave sob o "domínio dos rebeldes perto da fronteira com a Turquia, onde cerca de quatro milhões de pessoas vivem em tendas e moradias improvisadas."
No dia 1 de dezembro, domingo, forças russas e sírias atacaram diretamente a cidade de Idlib, conseguindo recapturar várias das "cidades que tinham sido invadidas nos últimos dias por rebeldes." Num ataque aéreo, os soldados russos "atingiram a praça junto à Universidade de Alep, matando pelo menos cinco pessoas."
Estes rebeldes são uma coligação secular entre grupos armados "apoiados pela Turquia,"e o grupo islâmico "Hyat Tahrir al Sham." A situação que se vivia este domingo em Alepo, fez com que as ruas da cidade estivessem desertas. Muitos civis escolheram já deixar a cidade, receando o agravamento da situação. Os rebeldes terão entretanto capturado "a cidade de Khansir," numa tentativa de "cortar a principal rota" de fornecimento de material ao exército. Esta ofensiva que teve início na passada quarta-feira já fez mais de 300 vítimas mortais, entre civis, militares e rebeldes.
Fontes:
https://www.jn.pt/6186843720/cinco-mortos-em-ataque-russo-perto-da-universidade-de-alepo/
Voltamos a falar de ataques na zona de Golã, anexada por Israel e onde várias crianças e jovens perderam a vida este sábado, num ataque com um míssel, que foi "atribuído ao Hezbollah libanês." O ataque atingiu um campo de futebol, na cidade de Majdal Shams e matou "12 jovens, com idades entre os 10 e os 16 anos, e feriu cerca de 30 outras pessoas." As crianças atingidas são de origem drusa, ou seja, árabes. O míssel que ontem atingiu o campo de futebol, é do "tipo Falaq, com uma ogiva de 53 quilos."
Horas antes, Israel tinha "atingido uma escola na Faixa de Gaza," onde "morreram trinta pessoas. Metade das vítimas eram crianças." Mais uma vez, o discurso é o mesmo: o local era um "centro de comando e controlo do Hamas". Todavia, aquilo que se vê é que era um abrigo, onde estavam "dezenas de palestinianos deslocados" e que há dias tinham regressado do Egipto.
O Irão, forte apoiante do Líbano, veio já avisar Israel das "consequências" que pode ter se empreender "um ataque de retaliação no Líbano." Já a Síria, tem opinião diferente, acusando Israel de ser o verdadeiro culpado deste ataque. "A entidade de ocupação israelita cometeu ontem um crime hediondo na cidade de Majdal Shams, no Golã sírio ocupado desde 1967, e depois culpou a resistência nacional libanesa (Hezbollah) pelo seu crime", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio num comunicado.
Em retaliação, Israel empreendeu já vários ataques, bombardeando "sete regiões do sul e interior do Líbano." Estes ataques foram "dirigidos às zonas libanesas de Sabrinha, Borj El Chmali, Beka'a, Kfar Kila, Rab a-Taltin, al Khyam e Tir Hafa."
Fontes:
Neste momento, o Médio Oriente encontra-se em grande tensão, com Israel no centro dos conflitos. Se por um lado, as forças israelitas se mantém na Faixa de Gaza, onde os bombardeamentos se sucedem, por outro, estamos neste momento a ver o intensificar do conflito entre o Hezbollah e Israel, bem como ataques na região de Golã, tomada pelos israelitas, na Síria.
Nos últimos dias, os ataques têm-se repetido. Esta manhã, o exército israelita intercetou um míssil que se aproximava do país, proveniente do Iémen. Os houthis reivindicaram a responsabilidade pelo lançamento de "vários mísseis balísticos" contra Israel, depois do "ataque israelita no porto iemenita de Hodeida", que causou "seis mortos e mais de 80 feridos."
Os houthis são um "movimento xiita rebelde apoiado pelo Irão," que há meses, se encontra a atacar "navios que consideram ligados a interesses" de Israel, "ao largo das costas do Iémen." Os houthis estão integrados no "eixo de resistência". Este eixo é de facto "uma coligação liderada pelo Irão" da qual fazem parte também, "entre outros, o grupo islamita palestiniano Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah."
Mas contextualizando um pouco. Este conflito, voltou a estar no plano do dia desde 8 de outubro de 2023 (dia seguinte ao dos ataques a Israel por homens armados do Hamas) quando o grupo armado Hezbollah disparou contra alvos israelitas a partir do Líbano, afirmado estar a agir em apoio a Gaza. Seguiram-se ataques contra aeroportos sírios, da parte de Israel, "enquanto milícias armadas" pelo Irão disparam "mísseis de dentro da Síria" em direção ao território israelita.
Tal como o Hamas, o Hezbollah é classificado por muitos países como "um grupo radical islâmico" e uma organização terrorista, mas é também um partido político. O grupo "surgiu como uma milícia durante a guerra civil do Líbano, quando Israel invadiu o país em 1982", com "o apoio do Irão durante a ocupação israelita, embora as suas raízes ideológicas remontem ao renascimento islâmico xiita no Líbano nas décadas de 1960 e 1970." Apesar de alguns libaneses o considerarem como sendo "uma ameaça à estabilidade do país, o grupo continua a ter uma grande popularidade "entre a comunidade xiita."
Há 18 anos, em 2006, "o Hezbollah e Israel travaram uma guerra brutal que durou um mês, fazendo 1200 mortos do lado libanês e 160 israelitas, na sua maioria militares." Desde então, o Hezbollah e Israel continuam esporadicamente a trocar tiros nas suas fronteiras. Acredita-se que o Hezbollah tem, neste momento, armamento suficiente para se tornar um forte opositor de Israel, especialmente devido ao apoio do Irão.
O que fez aumentar a violência foi a morte de Mohammed Nimah Nasser, procurado por ser comandante do Hezbollah e cuja viatura foi atingida a 3 de julho, "em plena luz do dia, com um ataque aéreo." Para os apoiantes do Hezbollah, foi considerado um "mártir" e o seu funeral foi cuidadosamente preparado. Depois do enterro, muitos se mostravam prontos para a guerra, para retaliar a morte de um dos seus líderes, num país que neste momento "não tem presidente," mas sim um "governo provisório e uma economia destroçada."
O Líbano encontra-se dividido: se uns querem seguir os ideais do Hezbollah e avançar para a guerra, outros, a última coisa que querem é voltar a estar em guerra. Infelizmente, muitos acreditam que a saída honrosa é o martírio. "Alguns países como a Alemanha, os Países Baixos, o Canadá e a Arábia Saudita já disseram aos seus cidadãos para deixarem o Líbano imediatamente. O Reino Unido desaconselhou todas as viagens ao país e está aconselhando os britânicos que estão no país a partirem."
À medida que os ataques e contra-ataques entre estas duas forças continuam, muitas famílias sofrem e vários inocentes são mortos. Além do Líbano, na região Síria de Golã, tomada por Israel, está também a ser alvo de ataques do Hezbollah. Nas colinas de Golã, um casal israelita foi morto quando o seu carro foi atingido por fogo do Hezbollah, deixando três filhos adolescentes. Já no sul do Líbano, três crianças entre os quatro e os oito anos, foram mortas num ataque israelita. Apenas dois exemplos entre muitos...
Mas que papel tem a Síria neste conflito?
É complicado de entender. Se por um lado temos a Síria como apoiante da Palestina, por outro temos vindo a assistir ao longo dos últimos anos a vários ataques sírios contra grupos palestinianos, tal como o que sucedeu em "Yarmouk, um bairro de maioria palestina" que acabou por se tornar num campo de refugiados. Depois de "forças rebeldes tomarem Yarmouk, as tropas de Assad impuseram um cerco, barrando a entrada de comida, medicamentos, energia e outros mantimentos. Como ninguém podia entrar ou sair dali, muitos passaram a se referir ao lugar como a Gaza da Síria".
Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgk7xej3k3o
https://www.dw.com/pt-br/o-papel-da-s%C3%ADria-no-conflito-entre-israel-e-hamas/a-67407431
https://sicnoticias.pt/mundo/2024-07-21-houthis-ameacam-israel-com-continuacao-dos-ataques-f3dd399f
Na segunda-feira, Israel bombardeou um edifício contíguo à embaixada do Irão, em Damasco, na Síria, o que faz com que os EUA, estejam agora em alerto, com receio de um "ataque do Irão contra ativos israelitas ou norte-americanos no Médio Oriente." Este foi apenas mais um de vários ataques. Já em fevereiro, um ataque com mísseis atingiu um edifício de 10 andares "num bairro que concentra edifícios residenciais, escolas e centros culturais iranianos, e fica perto de um grande complexo dos serviços secretos."
A região está em ebulição, o que pode levar a qualquer momento a um alargamento do conflito. Eu acho que é cada vez mais importante tentarmos compreender o que é que este clima de tensão pode vir a trazer e, para o fazermos, é preciso olharmos para a história do Médio Oriente e da sua relação tanto com os EUA como com a Europa. Acho que é preciso compreendermos quem apoia quem (e porquê) bem como quais podem ser as consequências diretas e indiretas desse apoio. O apoio dos EUA a Israel pode levar a que outros países que também pertencem à NATO venham a ser atingidos, pelos estados que se revelam opositores a Netanyau. Por outro lado, o apoio de alguns países - tal como é o caso de Portugal - à população palestiniana, pode ter também consequências graves.
Neste ataque, perderam a vida 16 pessoas, entre as quais poderá estar "um comandante militar iraniano," que pertencia à "Força Quds, o braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária, responsável pelo relacionamento com governos e grupos aliados" de Teerão.
O "chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah," já veio dizer que a resposta do Irão será "inevitável" sem, no entanto, dizer, onde, como e quando esta irá acontecer. Devemos lembrar que, desde o ataque de 7 de outubro, que "o Hezbollah e Israel" se atacam recíprocamente, em particular "nas regiões fronteiriças entre os dois países." Estes ataques "já provocaram centenas de mortos, na maioria combatentes do Hezbollah e civis libaneses," aumentando "os receios sobre uma extensão do conflito."
São estes receios fundamentados?
Fontes:
https://www.dn.pt/6007382124/estados-unidos-em-alerta-maximo-para-um-eventual-ataque-do-irao/
https://pt.euronews.com/2024/02/21/israel-lanca-ataque-contra-damasco-e-faz-dois-mortos
Ontem, ao final do dia, na Rússia, um grupo de atiradores entrou na sala de concertos Crocus City Hall, "uma sala de espetáculos situada em Krasnogorsk, nos arredores da capital russa, onde se preparava para atuar a banda PikNik," e atacou indiscriminadamente quem lá estava. O balanço ao início da madrugada era de cerca de 40 mortos e mais de cem feridos, mas hoje esses valores já foram atualizados e passam para 140 vítimas mortais e centenas de feridos.
O grupo armado terá também lançado um cocktail "molotov" que incendiou o espaço e causou o pânico das pessoas que tentaram fugir das chamas. O telhado do edifício acabou por desabar parcialmente, ainda estando a decorrer operações de busca e salvamento. "Não foi dada qualquer informação sobre o número de pessoas presas no interior da estrutura."
Uma das falhas apontadas tem sido a falta de segurança do edifício e a demora dos serviços de socorro e de segurança a chegar ao local para socorrer as pessoas. A Rússia começou por apontar logo a mira à Ucránia, através de Dmitri Medvedev, "ex-chefe de Estado e atual vice-chairman do Conselho de Segurança russo," que começou logo por fazer um apelo a "uma forte retaliação caso se descubra uma ligação entre Kiev e o atentado." Putin, manteve-se em silêncio.
A Ucrânia desde logo negou ter "qualquer responsabilidade e os serviços secretos de Kiev" acusaram mesmo "o Kremlin de orquestrar o ataque, para culpar a Ucrânia e justificar uma escalada da guerra, conforme noticiou a agência France-Presse (AFP)." Também outros grupos armados "pró-ucranianos, incluindo a Legião Rússia Livre, ativa em território russo," negaram qualquer envolvimento no ataque.
Entretanto, o atentado já foi aparentemente reinvindicado pelo Estado Islâmico. O Daesh, através da sua célula "Khorasan, ativa no Médio Oriente, Irão, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central," terá reinvindicado o ataque" e, ao que parece, "há muito que o país se encontrava na mira do grupo, sobretudo após a participação das forças russas na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad."
O Presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou o "cancelamento de todos os eventos públicos deste fim de semana. Os principais museus e teatros da capital também anunciaram que vão fechar as portas." Segundo informações transmitidas pela televisão russa, "foram tomadas medidas de segurança reforçadas, nomeadamente nos aeroportos de Moscovo e noutras grandes cidades do país."
Já foram entretanto efetuadas várias detenções, tendo sido detetado um veículo em fuga "perto da localidade de Jatsun, região de Briansk, a cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo" no qual terá sido encontrada "uma pistola, um carregador para uma arma de assalto e passaportes para o Tajiquistão, noticiou a agência russa TASS." O governo tajique, informa que "a difusão de informação não confirmada e pouco fiável pode prejudicar os cidadãos do Tajiquistão que se encontram atualmente fora do país."
Num comunicado de 7 de março, uma nota emitida pela "embaixada dos Estados Unidos na Rússia apelava aos cidadãos norte-americanos para evitarem ajuntamentos na capital russa, alertando para a possibilidade de um ataque terrorista."
Este foi é o mais mortífero ataque registado nos últimos anos na Rússia, depois do ataque ao Teatro Dubrovkna, em 2002, e do ataque a uma escola em Beslan, em 2004.
Em 2002, "um comando checheno fez cerca de 850 reféns no teatro Dubrovka" em Moscovo, mas foi durante a "operação de resgate" que se registou um dramático “banho de sangue”, com a morte de pelo menos 170 pessoas.
Já em setembro de 2004, "durante uma cerimónia de início do ano escolar, três dezenas de rebeldes chechenos invadiram o recinto de uma escola em Beslan, mascarados e com cintos explosivos. Exigiam a retirada das tropas russas da região da Chechénia. Durante três dias, mantiveram mais de mil pessoas sequestradas no interior da escola, que armadilharam com bombas, ameaçando explodir o edifício a qualquer momento." A situação terminaria numa terrível falha de atuação, "três dias depois, com a entrada repentina de tropas especiais russas no edifício. As explosões ocorridas no início do sequestro e durante a entrada das tropas russas causariam mais de três centenas de mortes, entre as quais 186 crianças."
Fontes:
https://www.jn.pt/6976308829/onze-detidos-apos-ataque-do-daesh-que-matou-115-pessoas-em-moscovo/
Estou aqui a tentar encontrar as melhores palavras para iniciar... Em todas as guerras há mortos. Em todas se cometem atrocidades. Israel e Palestina. Estamos a assistir a um autêntico massacre. Famílias inteiras mortas, queimadas, mutiladas, decapitadas pelo Hamas, em ataques terroristas. Num último balanço, contam-se entre os mais de mil mortos, "260 crianças e 230 mulheres". Cerca de 4600 pessoas ficaram feridas. Logo na sequência dos ataques, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou a "preparação de uma ofensiva total contra a Faixa de Gaza que alterará totalmente a situação no terreno".
Segundo Benjamin Netanyahu, caraterizou o ataque do Hamas a Israel como “uma selvajaria nunca vista desde o Holocausto”. Numa conversa telefónica com Joe Biden, o primeiro-ministro israelita, fala numa “centenas de massacres, famílias destruídas nas suas camas, nas suas casas, mulheres brutalmente violadas e assassinadas, mais de uma centena de raptos (…), levaram dezenas de crianças, amarraram-nas, queimaram-nas e executaram, decapitaram soldados”.
Vários líderes europeus têm-se manifestado. Desde Erdogan, da Turquia, a Zelensky presidente Ucraniano. "Numa conferência de imprensa com o chanceler austríaco Karl Nehammer, o líder turco manifestou ainda a sua preocupação com o alastramento do conflito a todo o Médio Oriente após o ataque terrorista do Hamas." O medo invade a Europa. Em Berlim, na Alemanha, manifestações a favor da Palestina foram proibidas por poderem representar, de acordo com as autoridades, “um perigo para a segurança e ordem pública”. Já Zelensky, afirmou "que a Rússia apoia o ataque do Hamas a Israel para promover a desestabilização global." O presidente ucraniano afirma ter "indicações que nos levam a crer que a Rússia está a ajudar a levar a cabo certas operações terroristas", e que “não é a primeira vez que atua desta forma". Dá o exemplo do que se passou na Ucrânia, na Síria e no continente africano.
Numa mensagem forte e emotiva, Joe Biden afirmou que "os Estados Unidos reforçaram a postura das forças militares na região para fortalecer a dissuasão”, estando armamento a caminho e já tendo mesmo aterrado no país o primeiro avião com munições. Serão cerca de vinte, os cidadãos norte-americanos desaparecidos em Israel e ainda "não é claro se estão entre os reféns capturados pelo Hamas e levados para Gaza, embora a Casa Branca tenha confirmado que um número indeterminado se encontra entre os reféns."
João Gomes Cravinho, "defendeu o regresso à via diplomática, com um diálogo mais aprofundado que inclua ONU e países árabes". Uma família lusodescendente está desaparecia e uma jovem de 25 anos, acabou mesmo por ser encontrada morta. Neumann, luso-israelita, estudava em Tel Aviv e estava "no festival Teva, um dos vários festivais de música perto da fronteira de Gaza que foi invadido por militantes nas primeiras horas da manhã de sábado".
Israel está cercado, os ataques estão a vir de todos os lados. "As forças israelitas adiantaram que estão a responder, com artilharia e morteiros, a um ataque com projéteis não identificados desde a Síria, enquanto prossegue a resposta de Israel contra Gaza na sequência do ataque do Hamas." A maioria terá caído numa zona deserta. Do Líbano, foram lançados vários foguetes que atingiram o território.
Do lado palestiniano, há também fortes acusações, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Palestina a acusar Israel "de utilizar bombas de fósforo branco, destruindo um bairro no noroeste da cidade de Gaza". O cerco a Gaza, condena a população que lá permanece. O "rei Abdullah II da Jordânia ordenou o envio de ajuda médica e humanitária para a Faixa de Gaza, face às exigências israelitas para bloquear fundos internacionais à Palestina." Este apoio está a ser coordenado com o Egito, "através da passagem de Rafah", que entretanto foi encerrada depois dos "bombardeamentos israelitas terem atingidos as zonas envolventes".
Israel terá bombardeado "bairro por bairro na Faixa de Gaza, reduzindo prédios a escombros e fazendo com que as pessoas procurassem todos os meios para encontrar segurança no pequeno e isolado território," como retaliação ao ataque surpresa do Hamas. "As organizações humanitárias apelaram à criação de corredores humanitários para levar ajuda a Gaza, alertando que os hospitais locais, sobrelotados com feridos, estão a ficar sem meios e "os Médicos Sem Fronteiras indicaram que não conseguiram contatar as suas equipas em Gaza" depois do governo israelita ter cortado por completo o fornecimento de água e eletricidade à população.
É o povo que sofre. De ambos os lados.
Fontes:
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