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A guerra sem fim...

por Elsa Filipe, em 19.10.25

Será que há mortos que valem mais do que outros nesta guerra? Seá que há reféns e presos que valem mais do que outros?

A resposta rápida poderia ser "não", mas a realidade talvez seja outra.Temos visto nos últimos dias um grande ênfase dado aos reféns que o Hamas tem estado a libertar e, esses, apanhados num ato de imensa brutalidade e há mais de dois anos em cativeiro, sofrerão horrores que a nenhum de nós lembra, ameaçados pela morte às mãos de uma guerrilha ou, tantas vezes, recaindo sobre as suas cabeças a ameaça dos mísseis enviados para os, supostamente, salvarem.

Felizmente (e muito tardiamente) estes homens e mulheres voltam agora a casa. Outras famílias, estão neste momento a receber ainda os restos mortais dos seus entes queridos, se tais corpos se confirmarem serem mesmo os seus. Foi isto, que a negociação que Trump liderou, conseguiu. E em troca, o governo de Israel libertou cerca de 1900 prisioneiros. Quem são e porque estavam presos, alguém sabe? Que valor tem cada um deles? É que vários (muitos) foram entregues também já mortos. Mortos de quê e porquê? Foram presos ou também eram reféns? É que isto de se olhar para os outros, pode dar-nos uma opinião errada de acordo com a perspetiva que seguimos.

E nesta guerra, há vítimas - demasiadas - mas também há culpados de ambos os lados. Até do lado ocidental que tanto preza dizer que é contra e a favor disto e daquilo, sem saber do que fala. A história de Israel e da Palestina é muito mais antiga do que muitos imaginam. A terra "prometida" por um deus foi depois prometida por um governante. Um governante que a prometeu a dois povos, que hoje se julgam ambos no direito de a habitar. "A região histórica da Palestina foi assim denominada pelos gregos e romanos por causa de um dos povos que habitavam essa área, os filisteus."

Para mim, é o hoje que mais importa, um hoje feito de muitos mortos de ambos os lados. Mortos que têm de importar o mesmo de ambos os lados, que deviam ter o mesmo destaque e não têm. Parece que, ao apoiarmos um dos povos, somos obrigados a concordar com o "fim" do outro, e não, isso não é assim. O que é a solução dos dois estados de que todos falam e como é que se podes chegar a um acordo entre dois povos que têm ainda muito ódio a correr nas veias? 

Em 1891, "várias centenas de americanos proeminentes," assinaram uma declaraçá que apoiava a criação "de um Estado judaico na Palestina." Anos mais tarde, os judeus seriam amplamente perseguidos, mais uma vez, um povo do mundo, mas sem casa, embora muitos falassem da pátria que os receberia. A história deste povo é dura, mas é também dura a história do povo palestiniano, que atualmente vive na Faixa de Gaza, mas também na Líbia, Jordânia (onde vivem cerca de 1,9 milhões de palestinianos) e Cisjordânia.

Falam árabe, mas possuem também um dialeto local. A "religião predominante é o islamismo sunita, mas existe uma importante minoria cristã." Podíamos aqui falar também da influência britânica neste conflito, "durante o Mandato Britânico da Palestina" ou da "Guerra de Independência de Israel, entre 1947 e 1949," na qual mais de "600 mil" palestinianos "foram deslocados, no que os palestinos chamam de Nakba”. Em 1967, ocorreu a "Guerra dos Seis Dias" que transformou a Palestina, não apenas num "local de origem," mas também na ideia de "um passado e um futuro compartilhados, na forma de um Estado palestino."

Durante os Acordos de Oslo (que ocorerm em 1993 e 1994), foi criada a "Autoridade Nacional Palestina (ANP), um autogoverno provisório palestino liderado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), um conjunto de organizações políticas criado em 1964 por Yasser Arafat e que visa representar o povo palestino internacionalmente."

O importante seria este conflito terminar e, fora a questão política e geográfica, o que mais importaria era haver respeito e aceitação, de ambas as partes e isso, está muito difícil de acontecer.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Palestinos

 

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publicado às 12:37

Habemos Papa...

por Elsa Filipe, em 08.05.25

... e vem dos Estados Unidos.

Chama-se Robert Francis Prevost, tem 69 anos e assumiu o papado com o nome de Leão XIV. A escolha "foi feita no segundo dia do Conclave e ao fim de quatro votações. Embora tenha nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost "tem ascendência espanhola e nacionalidade peruana, e pertence à Ordem de Santo Agostinho."

Prevost adotou o título de Leão XIV, como que fazendo "referência à postura política do último pontífice com esta designação no século XIX, e um compromisso com a justiça social de Francisco, segundo uma especialista em religião." Se olharmos do ponto de vista hitórico e teológico, percebemos a importância que a escolha de um nome pode ter, acabando por ser um sinal de compromisso com as questões sociais. O antecessor, "Leão XIII", foi líder da Igreja Católica entre os anos de 1878 e 1903, tendo  lançado "as bases para o pensamento social católico moderno, sobretudo na sua encíclica Rerum Novarum de 1891, que abordava os direitos dos trabalhadores e o capitalismo no início da era industrial." Durante o seu episcopado, Leão XIII foi ainda responsável pela elevação do "Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia à categoria de basílica papal em 1901."

Leão XIII foi de facto um crítico do "capitalismo insensível" e do "socialismo centrado no Estado, dando forma a uma vertente de ensino económico distintamente católica." O que poderemos esperar agora de um homem que se identifica com estes pensamentos? O que se espera é que Laeão XIV venha agora orientar a Igreja numa direção mais política, que vá ao encontro de soluções que visem a paz.

O termo Papa, embora antigo só "foi reclamada pelo bispo de Roma no século VI. A primazia papal, conceito segundo o qual o papa é o líder máximo da igreja, ficou intrinsecamente ligada ao papa de Roma, elevando o bispo da cidade acima de todos os outros bispos." Antes disso, o termo Papa "era utilizado por membros respeitados do clero em toda a cristandade."

Só mais tarde, no século XI, os papas deixaram de ser "eleitos em função da opinião popular, tanto do clero como dos crentes," mas no entanto era raro haver consenso nas decisões, o que deu origem a que algumas eleições fossem contestadas e ao aparecimentos dos chamados "antipapas – indivíduos com pretensões substanciais, embora falsas, ao assento papal." Foi também durante o século XI que se iniciou a "prática de adotar um novo nome," em vez do nome de batismo. "Durante muitos séculos, os novos papas tiveram tendência a escolher o nome do papa que os tinha elevado a cardeal."

"Em 1059, o Papa Nicolau II emitiu um decreto" que estipulou o processo pelo qual os papas deveriam a partir daí "ser eleitos, delineando o papel dos cardeais enquanto eleitores." Este decreto levou à diminuição da "influência da aristocracia romana e do baixo clero e estabeleceu as bases do Colégio dos Cardeais, criado formalmente em 1150."

Em 1179 foi então determinado que, para ser eleito, o novo Papa teria de obter pelo menos dois terços dos votos. O número de cardeais votantes faoi aumentando, chegando a 120 em 1975, no papado de Paulo VI. "O atual limite de idade dos cardeais com direito a voto, 80 anos, foi estipulado em 1970." Este ano, o número de cardeais votantes foi 133.

Está  estipulado que, "quando um papa morre ou abdica, todos os membros do colégio dos cardeais são obrigados a comparecer à eleição (o conclave), excepto se tiverem problemas de saúde ou ultrapassado o limite de idade."

"Quando a Santa Sé está vacante" - ou seja, vaga - o conclave deve ter início entre "15 e 20 dias após a partida do último papa. Este período foi estabelecido em 1922 para garantir que os cardeais tivessem tempo suficiente para realizar a viagem."

Quando chegam, "os cardeais são trancados na Capela Sistina" até que um deles seja eleito. "Os critérios referentes aos candidatos, os regulamentos da votação e a necessidade de isolar os eleitores foram formalizados, tendo sido alterados e ajustados posteriormente, quando as falhas do sistema se tornaram evidentes."

É a queima dos votos que vai indicar ao público aquilo se a votação elegeu ou não um novo Papa - fumo branco, significa que um novo Papa foi escolhido. "Não se sabe ao certo quando" é que esta prática teve início, "mas o uso de fumo branco para indicar a escolha de um novo papa remonta apenas ao final do século XIX ou início do século XX."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/papa-leao-xiv-robert-francis-prevost-e-o-novo-chefe-da-igreja-catolica_e1653157

https://www.nationalgeographic.pt/historia/como-eleito-novo-papa-conclave-escolha-fumo-branco_5860

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cardeais-fechados-na-capela-sistina-pelo-segundo-dia-para-eleger-novo-papa_e1653157

 

 

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publicado às 23:20

Charlie Hebdo - 10 anos depois, o que mudou?

por Elsa Filipe, em 08.01.25

Fez ontem 10 anos que o mundo olhou em choque para as imagens de uma redação de um jornal francês a ser atacado. O ataque "matou 12 pessoas nas instalações do jornal satírico francês Charlie Hebdo," dos quais "oito membros da redação."

O tempo passa quase sem darmos por isso e, neste caso, foi ontem ter visto algumas publicações que me direccionavam para a frase "Je suis Charlie" que me fez lembrar o ataque. Nesse dia, lembro-me que estava a trabalhar e que me senti revoltada com a situação. Não tinha sido aqui, nem perto de ninguém conhecido, mas fez-me pensar que estamos expostos a uma catrefada de doidos que por aí andam. Felizmente, o nosso cantinho ainda está protegido.... diziam alguns. Não me parece que estivesse na altura ou que esteja agora. Só que nós não temos nenhum jornal que arrisque publicar uma fotografia de um profeta em poses mais eróticas. Arriscou algo parecido Gil Vicente, pondo a nú muitos dos celeumas sociais da época, incluindo uma clara imagem da devassidão do clero da época...mas depois dele, poucos o terão feito.

O movimento de apoio sob o lema "Je suis Charlie", encheu as redes sociais e preencheu capas de jornais, acabando por correr mundo. Se algo de positivo podemos tirar desta memória triste, é que nos fez falar sobre a liberdade de expressão. 10 anos volvidos, será que ainda há medo?

A 7 de janeiro, dois irmãos franceses de origem argelina, entraram "de kalashnikov em punho," dando início a "três dias de horror na região de Paris, que terminaram com a morte de 17 inocentes," (12 neste ataque e, outros cinco, num outro ataque no dia seguinte). Ficaram ainda feridas 11 pessoas, cinco das quais com gravidade. Os irmãos "Kouachi," terão reagido perante a publicação "de uma representação caricaturada do profeta Maomé," a qual foi considerada ofensiva para muitos muçulmanos. Um desenho que, no entender de muitos muçulmanos, era um insulto direccionado ao seu profeta e à própria religião.

No mesmo dia, um outro muçulmano de nacionalidade francesa, e que estaria "ligado aos atacantes do jornal," atacou um polícia na região de Montrouge. No dia seguinte, o mesmo indivíduo "invadiu um supermercado kasher perto de Porte de Vincennes," tendo assassinado quatro dos reféns que ali fez. "Este novo ataque" só "terminou após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa." Esta não tinha sido a primeira publicação a despertar o ódio contra os cartoonistas deste jornal. Em 2011, a capa de uma das suas edições, com o título "Charia Hebdo, mostrava uma caricatura do profeta islâmico Maomé," o que resultou num ataque à bomba às instalações do jornal.

Apesar disto, em 2012, o jornal voltou a mostrar que uma caricatura é uma forma de crítica, apresentando "uma série de caricaturas de Maomé, incluindo caricaturas de nudez," no seguimento de "uma série de ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio, supostamente em resposta ao filme anti-islâmico Innocence of Muslims." Estes ataques tinham levado "o governo francês a fechar embaixadas, consulados, centros culturais e escolas internacionais em cerca de 20 países de maioria muçulmana." A publicação tentava mostrar que, as ameaças iniciadas por uma religião, faziam um país como a França, encerrar a sua presença nesses países, cedendo de certa forma, às ameaças.

Charb, que seria depois um dos principais alvos no massacre de 2015, estaria desde 2013 "na lista dos mais procurados pela Al-Qaeda, juntamente com três funcionários do Jyllands-Posten: Kurt Westergaard, Carsten Juste e Flemming Rose." Mesmo com conhecimento desta situação e de haver uma atenção redobrada sobre estas publicações ("Charlie Hebdo", em França e "Jyllands-Posten", na Dinamarca), as autoridades não foram capazes de intercetar o ataque.

A 8 de janeiro, era mostrada na capa, uma caricatura da autoria de "Michel Houellebecq," acompanhado de um dos desenhos de Charb que, nessa mesma edição, ilustrava a frase "Ainda nenhum ataque terrorista na França."

Apesar do ocorrido, o jornal parisiense não cedeu e continua o seu trabalho tendo mesmo sido feito um concurso no final de 2024 para que os cartoonistas ilustrassem o tema: "Rir de Deus", mostrando através do seu trabalho, a sua "cólera perante o controlo que todas as religiões exercem sobre as suas liberdades". 

E por cá? Somos um Estado laico, (o mesmo princípio foi "consagrado na legislação francesa em 1905, e em 1945 passou a fazer parte da Constituição), mas ainda há muito medo em nos manifestarmos contra a religião (mas se for a favor, está tudo bem). Ainda temos um país em que anda o "credo" na boca do povo e em que a religião católica faz gastar milhões ao país. Somos verdadeiramente livres ou, teremos afinal, medo de dizer o que pensamos sobre os tantos deuses e profetas que por aí andam?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/01/06/ataque-ao-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos

https://pt.euronews.com/2015/02/07/charile-hebdo-franca-nao-esquece-vitimas-dos-atentados

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-terrorista-ao-jornal-satirico-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos_a1625741

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_Charlie_Hebdo

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publicado às 20:44

Natal em estado de guerra

por Elsa Filipe, em 26.12.24

Poderíamos pensar que aqueles que acreditam num qualquer deus, pusessem a mão na consciência e parassem de uma vez por todos de atacar os seus irmãos.

Poderíamos até, esperar, que onde se diz que Jesus nasceu, a paz pudesse reinar. 

A brutalidade de um povo sobre o outro vem dos corações gelados dos homens... vem da ignorância mascarada de um poder que lhes é permitido pelos restantes, talvez com medo ou... quem sabe... por acharem que lhes chegará algum benefício. Como se pode afirmar ser líder do "mundo na luta contra as forças do mal..."  e nada acontecer? Onde andam os nossos decisores, os homens e mulheres que nos deviam proteger contra os novos ditadores que se mascaram de mártires e salvadores?

Nem no natal as armas se calaram, atingindo inocentes e aumentando ainda mais o número já elevado de mortos e feridos. Na véspera de natal, em vez da paz prometida, "o exército israelita obrigou pacientes do Hospital Indonésio, no norte da Faixa de Gaza," a seguir a pé, evacuando "aquela que é uma das últimas unidades de saúde ainda em funcionamento no enclave."

Pelo segundo ano consecutivo, Belém não assiste às tradicionais procissões natalícias, assistindo em vez disso à continuação da violência na Faixa de Gaza, em Israel e nos países limítrofes. Muitas das famílias cristãs estão a abandonar a região devido à guerra.

A 13 de dezembro, sucessivos "ataques aéreos israelitas causaram a morte de pelo menos 61 pessoas," incluindo 33 vítimas resultantes de um "bombardeamento junto a um campo de refugiados em Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza." Não sei se é a esta acalmia que algumas igrejas cristãs se referem, mas não me parece que sejam cegos a este ponto! 

Ou talvez se tenham esquecido os ataques a escolas que albergavam refugiados e que provocou a morte a "dez membros de uma mesma família, incluindo sete crianças e uma mulher." Eram todos membros da "família Khalla," e a criança "mais velha" tinha apenas seis anos.

A situação na Síria também não está a ficar melhor. Tem-se vindo a descobrir aquilo que era feito pelo regime de Assad e cada descoberta parece ser mais macabra que a anterior. Durante muitos anos, Alepo esteve sob ataque com "centenas de milhares de pessoas" a serem "mortas em bombardeamentos indiscriminados, enquanto o colapso económico do país mergulhou a maior parte da população na pobreza." As memórias dos ataques não trarão paz aos sobreviventes.

Já em Moçambique, "569 pessoas" terão sido "baleadas em todo o país, além de 252 mortos e seis desaparecidos," números que têm vindo a aumentar desde 21 de outubro. Neste natal, regista-se a fuga de "1500 reclusos" que terão fugido ou sido libertados deliberadamente "da prisão." Não se espera que a situação vá melhorar nas próximas horas. As "manifestações pós-eleitorais," ensombraram o natal e a situação acabou por piorar depois do anúncio da vitória da Frelimo e de Daniel Chapo.

Marcelo Rebelo de Sousa saúdou "a intenção já manifestada de entendimento nacional e sublinha a importância do diálogo democrático entre todas as forças políticas, que" segundo o presidente português, "deve constituir a base de resolução dos diferendos, no quadro e no reconhecimento das novas realidades na sociedade moçambicana e do respeito pela vontade popular." Parece que nem todos concordam com esta declaração, especialmente o candidato da oposição, Venâncio Mondlane, que "considera lamentáveis as posições do presidente da República português e do primeiro-ministro, sobre as eleições em Moçambique."

Mondlane, afirmou ainda que a situação vai piorar na região, pedindo aos seus apoiantes que "intensifiquem" os protestos. O que já se vê é a destruição e os saques, lojas incendiadas e viaturas destruídas.

Em "Litapata, província moçambicana de Cabo Delgado," as pessoas começaram ontem a "abandonar a sua aldeia após detetar a presença de supostos terroristas," que surgiram "em massa na aldeia, a cerca de 20 quilómetros da sede distrital de Muidumbe."

Também aqui, os insurgentes poderão estar relaciondos a grupos extremistas islâmicos, com vários ataques a terem sido já reivindicados.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mocambique-populacao-em-fuga-apos-chegada-de-alegados-terroristas-a-muidumbe_n1623749

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mocambique-saques-e-destruicao-apos-anuncio-de-resultados-eleitorais_v1623657

https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2024/12/nota-do-presidente-da-republica-sobre-eleicoes-em-mocambique/

https://www.rfi.fr/pt/mundo/20241224-v%C3%A9spera-de-natal-ensombrada-no-m%C3%A9dio-oriente-pela-guerra-na-faixa-de-gaza

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/defesa-civil-de-gaza-anuncia-morte-de-sete-criancas-da-mesma-familia-num-ataque-israelita_n1622977

https://pt.euronews.com/2024/12/22/habitantes-de-alepo-lembram-horrores-do-regime-de-assad

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publicado às 15:48

Páscoa... férias, tradições e chocolates

por Elsa Filipe, em 29.03.24

Para mim, a Páscoa é aquele conjunto de dias em que comemos amêndoas de chocolate, somos bombardeados de imagens fofinhas de coelhinhos coloridos e, já que a criançada está de férias escolares - cada vez mais curtas por sinal - podemos aproveitar para descansar um pouco mais. 

Mas para algumas pessoas, a Páscoa também é um ritual religioso, dependendo daquilo em que acreditam. Para muitos, a Páscoa é uma festa religiosa. Mas vamos ver melhor a origem destas festividades e o que significam.

Podemos dizer que a Páscoa é uma "festa de origem judaica, que comemora a liberdade do povo hebreu após um longo período de escravidão no Egito"?

Pois é, por volta de 1250 a.C., o povo hebraico que tinha sido "escravizado durante anos" pelos Egípcios acaba por ser libertado, depois daquilo que ficou conhecido como "As dez pragas do Egipto." 

O Faraó - que na época seria Ramsés II - consente a libertação dos escravos após a primeira praga, mas assim que percebe que o Egipto está livre do problema, volta atrás na sua decisão. Deus envia uma nova praga, e assim foi acontecendo sucessivamente: "sempre que Deus enviava uma praga, convencia o Faraó, que depois de se ver livre da mesma, voltava atrás." Só quando na décima praga, Ramsés II se apercebe que estão a morrer "todos os primogênitos egípcios" destino que não irá excluir o seu próprio filho, este acaba por ceder e aceitar libertar da escravatura o povo hebraico.

Depois de se verem livres, os hebreus iniciaram a sua "travessia rumo a Israel." A própria terminologia deriva de uma palavra judaica: "Pessach," que significa “passagem." Na festa judaica, um dos símbolos mais importantes é o “Matzá” (pão sem fermento), que representa a fé. Por esse motivo, no festejo que se denomina de “Festa dos Pães Ázimos” (Chag haMatzot), "é proibido comer pães com fermento."

Mas a própria palavra, sofreu algumas evoluções, conforme o povo ou a língua. Passou a ser "Paska," na Grécia e "Pascua"  em Roma. Em latim, o termo significava mesmo "alimento", ou seja, o fim do jejum da quaresma. Então, o termo já existia e a celebração também, mas podemos afirmar que o que têm em comum estas celebrações, são a sua ligação à "libertação" e à "esperança."

No caso da festa cristã, o domingo de Páscoa encerra a Semana Santa, na qual se "recorda a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, a sua crucificação e ressurreição" - o que conforme se conta, teria "acontecido durante a celebração da Páscoa judaica." Na liturgia católica, esta semana é então composta pelo "Domingo de Ramos," - que antecede a Páscoa, "Segunda-Feira Santa, Terça-Feira Santa, Quarta-Feira Santa, Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão, Sábado Santo ou Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa." Existem também outros símbolos, como por exemplo, o Círio Pascal, que em algumas zonas do país, ainda visita a casa dos crentes. Este círio pode ser também as velas que se acendem "para comemorar o retorno de Jesus Cristo, ou seja, a vida nova." Habitualmente, estas velas têm inscritas as "letras gregas alfa e ômega," que se podem traduzir como "o início e o fim, simbolizando assim, a luz de Cristo que traz a esperança." Já o "pão e o vinho, dois elementos muito emblemáticos no cristianismo, representam o corpo e o sangue de Cristo e simbolizam a vida eterna," assim como o cordeiro, que significa o sacrifício de Jesus.

Mas, vamos lá andar um pouco mais para trás!

Segundo alguns historiadores, civilizações muito mais antigas, especialmente nas mitologias nórdica e germânica, já se prestava culto a "uma deusa, conhecida como Ostara ou Eostern, numa festa que celebrava a passagem do inverno para a primavera," e que era também conhecida por ser a "deusa da fertilidade."

Ou seja, já os "antigos povos pagãos (celtas, fenícios, egípcios, etc.) festejavam a chegada da primavera e o fim do inverno," numa celebração que "simbolizava a sobrevivência da espécie humana."

E de onde apareceram então os coelhos e os ovos?

Bem, de certeza que este costume também teria de vir dos povos mais antigos! Em várias culturas, o coelho era um símbolo ligado à "fertilidade" e ao próprio "nascimento."

Também os ovos simbolizam a fertilidade. "Os ovos de páscoa (cozidos e coloridos ou de chocolate), carregam o germe da vida e representam a fertilidade, o nascimento, a esperança, a renovação e a criação cíclica." A tradição de trocar ovos vem da antiguidade, mas ainda hoje o fazemos, seja como oferta ou até escondendo-os para as crianças os poderem encontrar. 

Em Portugal, apesar de não ser tão festejada como o Natal, a Páscoa ainda mantém um "importante significado religioso, assinalado através de diversos eventos de norte a sul do país." Este é especialmente "um momento de reunião" da família em volta da mesa, como é hábito por cá.  Em cada região podemos encontrar diferentes tradições gastronómicas, mas são os mais conhecidos, os pratos "que incluam cabrito ou borrego."

São tradição também os folares, o pão-de-ló, as amêndoas, os ninhos, as queijadinhas, entre outras delícias típicas. 

Fontes:

https://www.todamateria.com.br/origem-da-pascoa/

https://www.todamateria.com.br/historia-da-pascoa/

https://www.lostinlisbon.com/pt/blog/pascoa-a-sua-origem-e-o-que-fazer-nesta-epoca-tao-especial/

 

 

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publicado às 18:02

Dia de Reis

por Elsa Filipe, em 06.01.24

Melchior, Gaspar e Baltazar foram considerados santos apensa no século VIII depois de Cristo. O dia de Reis, é celebrado hoje em muitas partes do mundo por cristãos católicos.

A lenda, narrada no evangelho de S. Mateus, conta que os três magos foram visitar o menino Jesus a Belém e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Só no período da Idade Média, passaram a ser considerados "Reis".

Sobre a nossa tradição, em várias zonas do país de continua a celebrar com o bolo-rei que traz uma fava e, a quem calhar a fatia com a fava deverá providenciar o bolo no ano seguinte. Existe ainda a variação a este bolo, que é o bolo-rainha (dos dois, o meu preferido é este) por sua vez sem as tradicionais frutas cristalizadas.

Em algumas zonas do país, ainda se continua com a tradição de  cantar as Janeiras de porta em porta, em pequenos grupos. Nas escolas, as crianças preparam coroas em cartão e aprendem a cantar as "Janeiras". Antigamente, íamos neste dia ao comércio local e quando cantávamos as pessoas ofereciam-nos doces. Agora, isso ainda acontece, mas houve uma grande quebra nesse hábito devido à pandemia.

Os cristãos ortodoxos celebraram o Natal na noite de 6 janeiro para 7 de janeiro, por seguirem o calendário juliano.

 

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publicado às 21:52

As primeiras notícias são de maio e eu relatei aqui em julho a situação terrível que se está a viver na Índia. Além de milhares de edifícios e de igrejas destruídas, lojas e negócios vandalizados, por todo o lado há trocas de tiros, e os relatos de violações e de assassinatos sucedem-se.

Nas ruas, há corpos espalhados pelas ruas e milhares de pessoas acabaram por fugir para campos de refugiados. O futuro da população cristã é cada vez mais incerto, devido à atuação dos grupos extremistas hindus.O funeral de 35 pessoas, mortas durante os conflitos no distrito de Churachandpur foi impedido porque o terreno onde aconteceria o enterro destes cristãos, pertence à comunidade Meitei. Os meitei são hindus, enquanto grupos rivais, incluindo os kuki e outras tribos, são maioritariamente cristãos e vivem principalmente nos distritos montanhosos circundantes.

Fontes:

https://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/cristaos-enfrentam-violencia-extrema-na-india-manipur-cheira-sangue.html

https://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/enterro-em-massa-de-cristaos-e-cancelado-por-tribunal-em-manipur-na-india.html

https://cnnportugal.iol.pt/manipur/conflitos-etnicos/confrontos-etnicos-no-nordeste-da-india-fazem-pelo-menos-nove-mortos/20230614/648a09f5d34ea91b0aad8c42

 

 

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publicado às 22:33

Um Papa que falou para todos

por Elsa Filipe, em 06.08.23

Para Todos.

Foi assim que o Papa caraterizou a Igreja que defende.

Eu, como tenho dito sempre, não acredito na existência de deuses, mas respeito quem crê em algo superior que os guia. A crença e a fé de cada pessoa não deve ser ridicularizada. Cada um de nós é livre de acreditar ou não e eu tenho cá para mim que ninguém pode impor a sua religião aos outros, seja ela qual for. Nestes dias, acompanhei as Jornadas Mundiais da Juventude através da televisão e senti ali uma onda de amor e de dedicação ao outro, que passava entre os voluntários e os peregrinos. Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a jornada nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Esta onda de amor fraterno, entre pessoas que nunca se tinham conhecido, que receberam jovens em suas casas, que receberam os padres, os missionários e lhes deram abrigo é sem dúvida algo lindo que não pode ser esquecido. As Jornadas fizeram-me ver que ainda pode haver fé nos jovens de hoje e que mesmo que não sejam a maioria, estes jovens têm uma grande força e podem, se assim quiserem, transpor para o seu dia a dia as boas atitudes e os bons valores que a sua igreja lhes passa ao longo da vida. 

Acredito nos jovens, que o Papa Franscisco desafiou a fazerem mais e a serem inconformados. Sim, os nossos jovens podem ser agentes de mudança. Esta união entre jovens de vários países, foi uma prova de que ainda há esperança e que se pode viver em comunidade. Mas enquanto uns rezam, outros matam, ferem, agridem! Pelo país, pelo mundo... o sofrimento tem sido uma constante. O respeito pelo outro, na sua diferença, não tem sido mantido. 

O Papa deixou mensagens muito claras, que acho que todos conseguimos compreender. Sejamos cristãos, muçulmanos, hindus, budistas, judeus ou ateus, devemos pegar nas palavras deste homem e de refletir sobre o seu sentido. Independentemente do deus ou deuses em que acreditem (ou não), pelo menos podemos juntos acreditar na humanidade? Na beleza das coisas, em olharmos o outro nos olhos e sermos verdadeiros com quem nos rodeia, com quem nos pede auxílio. O papa considerou ainda que "esta Jornada ajuda tanto a reordenar a nossa vida". "E para pôr ordem na vida não servem as coisas, as distrações e o dinheiro; o que serve é dilatar o coração, por isso não tenham medo: dilatem o coração", disse, renovando o seu apelo de coragem aos jovens.

Sobre os gastos feitos, penso que o país quis mostrar que recebia bem, mas acho que era desnecessário gastar tanto dinheiro. Antes do evento, falava-se já em enormes gastos o que levantou, claro, muita polémica. Não há ainda números globais nem oficiais, mas estimou-se que, no total, a JMJ iria custar cerca de 160 milhões de euros. O Governo avançou com o número de 36 milhões de euros e a Igreja admitiu que iria gastar cerca de 80 milhões.

O recinto da jornada com cerca de 100 hectares, (concelhos de Lisboa e Loures), tinha a ponte Vasco da Gama como pano de fundo. Para unir os dois concelhos foi construída uma ponte sobre o Rio Trancão.

Apesar da comitiva que trazia ser grande, o Papa é uma pessoa simples. Poderiam ter gasto em melhores condições para os peregrinos e para os voluntários, bem como em melhoria nas condições de trabalho das forças de segurança e de saúde que esstiveram presentes neste evento em vez de terem gasto num palco enorme que não reflete aquilo que este Papa defende. É a minha opinião, a opinião de quem viu o evento de fora.

O Papa agradeceu hoje aos voluntários, dizendo que sem eles o evento não teria sido possível. “Quem ama não fica de braços cruzados, mas apressa o passo para alcançar os outros. E vós, quanto correstes nestes meses e nestes dias”, disse.

Com temperaturas sempre a subir - hoje estavam 40º aqui no Seixal quase às 18h - os números de participantes foram também muito elevados. Segundo as autoridades, cerca de 500 mil pessoas estiveram no Parque Eduardo VII para assistir à cerimónia de acolhimento, a primeira com a presença do Papa e que se realizou na quinta-feira. Na sexta-feira, aponta-se em 800 mil participantes, os que marcaram presença no Parque Eduardo VII para a Via-Sacra, presidida pelo Papa Francisco, segundo a sala de imprensa da Santa Sé. Na visita a Fátima estiveram presentes 200 mil pessoas. A Santa Sé estimou que 1,5 milhões de pessoas assistiram à vigília no Parque Tejo, no sábado à noite.

Os serviços de imprensa da Santa Sé avançam que estão cerca de um milhão e meio de pessoas estão este domingo, no Parque Tejo, em Lisboa, na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), presidida pelo Papa Francisco.

Hoje, domingo, os números de participantes contiunuam elevados, apesar do calor. "As autoridades locais confirmaram a presença de cerca de um milhão e 500 mil pessoas no Parque Tejo para a Santa Missa”, divulgou a Santa Sé. Também presentes, a concelebrar com o Papa, estão 30 cardeais, 700 bispos e 10 mil sacerdotes.

Durante a JMJ, o Banco Alimentar promoveu uma campanha de sensibilização para o desperdício alimentar dirigida aos jovens de todo o mundo que participaram no encontro. No entanto, no fim do evento e apesar dos participantes terem usado as caixas para deixar alimentos que seriam depois enviados a famílias carenciadas, estes não chegaram a ser recolhidos e estão a estargar-se ao sol. 

Fontes:

https://pt.euronews.com/2023/08/06/jmj-ultimo-dia-do-papa-francisco-em-portugal

https://www.rtp.pt/noticias/pais/jornada-mundial-da-juventude-o-ultimo-dia-do-evento-religioso-em-lisboa_e1505428

https://rr.sapo.pt/noticia/religiao/2023/08/06/jmj-cerca-de-15-milhoes-de-pessoas-na-missa-do-envio/341931/

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/jmj-e-banco-alimentar-lancam-campanha-contra-o-desperdicio-alimentar-nao-desperdice-partilhe

https://expresso.pt/sociedade/jornada-mundial-da-juventude/2023-07-30-JMJ-conheca-os-principais-numeros-em-torno-da-vinda-do-Papa-Francisco-a-Portugal-97cb37b5

 

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publicado às 19:35

Censura num país livre

por Elsa Filipe, em 03.08.23

A possibilidade de dizermos o que sentimos, de expressarmos as nossas opiniões sem sermos reprimidos é um direito adquirido pelos portugueses. 

Ainda há pouco tempo, nos andavamos a vangloriar de sermos todos "Charlie", aquando de um dos atentados em França. E agora? Deixamos que calem a opinião?

Somos todos 'CharlieHebdo'”: a reação ao atentado nas redes ...

Porventura agora é diferente falarmos de abusos sexuais?

Vejamos, o próprio Papa Francisco, que por acaso até está agora em Portugal, já falou disso - e não apenas uma vez - e condenou esses atos! Não é melhor que ele saiba que Portugal (ou a maioria) está do lado das vítimas? Ninguém está, com o cartaz que foi afixado em Oeiras a afastar o Papa nem o que ele representa. A sua vinda, apesar de nem todos concordarem, é a vinda de um chefe de Estado como outros. Um chefe de Estado especial para algumas pessoas.

No entanto, um dos três cartazes em que se denunciam os abusos sexuais a crianças na Igreja portuguesa, colocado em Algés, foi retirado por ordem da Câmara Municipal de Oeiras por ser "publicidade ilegal". Isto deveria ser explicado para que todos percebessemos, uma vez que nem sequer se trata de um cartaz publicitário.

Explicação é insuficiente.″ Oeiras retira cartaz sobre ...

Uma coisa é eu ser contra as ações de pessoas, outra coisa é a generalização. Portugal é de maioria católica: 80% declararam-se como tal nos Censos, embora nem todos sejam praticantes. Somos um país de muitas culturas, com influências do mundo! Não há uma esquina onde não se respire interculturalidade - e isso é bom! Não nos tornmos por estes dias, um país fechado, quando temos de ser é um país livre e aberto, com direitos e deveres que balizam a nossa sociedade!

Fontes:

https://veja.abril.com.br/mundo/somos-todos-charliehebdo-a-reacao-ao-atentado-nas-redes

https://www.publico.pt/2023/08/01/sociedade/noticia/portugueses-face-religiao-catolicos-2058660

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/explicacao-e-insuficiente-cartaz-sobre-abusos-sexuais-na-igreja-retirado-em-oeiras-16796980.html

 

 

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publicado às 11:14

Situação de extrema violência na Índia

por Elsa Filipe, em 12.07.23

A riqueza do nosso mundo é a sua diversidade. Infelizmente, é também essa diversidade a causa de muitos distúrbios e guerras, sejam elas de ordem civil ou religiosa ou ambas.

Na Índia, é o que tem estado a acontecer (apesar de ter sido pouco noticiado). Segundo várias notícias internacionais, foram destruídas mais de 500 igrejas, em ataques que fizeram mais de 100 mortos. Destes ataques resultaram a deslocação de cerca de 35 mil pessoas, devido à escalada de violência no Estado de Manipur, no nordeste da Índia, denunciada por grupos de cristãos.

Os ataques começaram em maio, devido a divergências entre dois grupos étnicos, os Kuki (cristãos) e os Meitei. "A comunidade Meitei, que representa cerca de 50% da população do estado," e que é composta essencialmente por pessoas de origem hindu, mas também por muçulmanos, tem tentado desde há vários anos ser "reconhecida como uma tribo classificada, o que lhes daria acesso a benefícios mais amplos, incluindo saúde, educação e empregos públicos." A situação tem escalado dia após dia e trazido um clima de medo, insegurança e morte.

Um missionário cristão, que reside mora numa das regiões que recentemente forma afetadas, confirmou que os Meitei continuam a atacar diariamente, com tiros. O principal objetivo é o de aterrorizar os cristãos tribais.

Segundo um outro missionários cristão que vive naquela na zona, várias “mulheres e meninas são assediadas sexualmente e abusadas. Já os homens com mais de 18 anos são treinados com armas pelos grupos insurgentes." São relatados muitos casos de agressões. Um desses casos é o de “uma mãe" que seguia com o seu filho com destino a um acampamento. "No caminho, uma multidão os encontrou e espancou o filho até a morte. A mãe, que estava tentando proteger o filho, foi morta também.”

Em maio deste ano, foi feita uma tentativa pelo exército do estado de Manipur no sentido de "resgatar civis em todas as comunidades, reduzir a violência e restaurar a normalidade”.

E assim vai o nosso mundo, mais uma vez, em nome de crenças.

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn4gdlm5542o

https://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/conflitos-continuam-mais-de-350-igrejas-sao-destruidas-na-india.html

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/conflitos-etnicos-deixam-55-mortos-e-23-000-deslocados-em-manipur-na-india/

 

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publicado às 13:21


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