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Daqui a uma semana, iremos a eleições. Mas já há quem tenha votado. A ida às urnas iniciou-se logo no dia 6 de janeiro, nos círculos da emigração. Quem vive no estrangeiro, viu-se "obrigado a deslocar-se a um posto consular, nalguns casos a centenas de quilómetros de distância de casa," se quis "participar na escolha do próximo Presidente da República."

Votar não é obrigatório, mas é um direito e nem a distância deveria ser um impedimento. Poderia ser mais fácil? Sim, poderia. Por algum motivo, ainda não é possível usar as novas tecnologias a favor da participação em eleições, preferindo-se aceitar que muita gente não irá às urnas, abstendo-se de participar num ato tão importante. Apesar da possibilidade de votarem a partir do dia 6, muitos portugueses queixam-se de falta de informação. 

Amanhã, dia 11, já se pode votar em Portugal (incluindo ilhas), ou seja, quem tenha decidido votar antecipadamente e se tenha inscrito até à última quinta-feira, "por não conseguir deslocar-se às urnas no dia das eleições, 18 de janeiro, vai poder votar apenas este domingo," no local por si "selecionado."

Aliás foi por causa dos votos da emigração que não foi possível corrigir os boletins de voto e iremos ter 14 nomes, sendo que "apenas" 11 candidatos vão a votos! Mesmo assim, onze, é um dos maiores números de candidatos de sempre. Por algum motivo, "a definição dos nomes que neles vão constar tem que ocorrer antes do processo de validação das candidaturas," e esta discrepância nas datas, fez com que este fenómeno pudesse acontecer. Na minha opinião, isto poderia ter sido corrigido, mas parece que foi mais fácil aceitar que ia ser assim e pronto. " O primeiro nome que aparece no boletim é o de Ricardo Sousa," aparecendo depois misturados nos restantes, os nomes "de Joana Amaral Dias e o de José Cardoso," mas marcar a cruz em qualquer deles será igual a voto nulo. Penso que ninguém vá, sem que o faça propositadamente, marcar o nome num destes nomes, mas depois de conversar com uma colega minha que já esteve em mesas de voto, sim parece ser possível que as pessoas se enganem.

E assim vai Portugal. Com pessoas que votam sem saber em quem votam e com um Tribunal Constitucional que permite a passagem de 14 nomes, sem os ter antes confirmado.

E depois temos aqueles onze. No grupo da frente, afastados por uma pequena percentagem que vai oscilando consoante a origem da sondagem ou o dia da semana, estão António José Seguro, Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura. Depois, com alguma distância, vêm Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Sugiro a leitura do Perfil de cada candidato nesta página, caso tenham alguma curiosidade. Neste grupo de personalidades, algumas mais conhecidas do que outras, há de tudo um pouco. Uns declaradamente mais à Direita e outros mais à Esquerda. Houve esta semana até a discussão sobre se alguns candidatos poderiam desistir para que os votos não ficassem tão dispersos e se concentrassem mais num candidato do que noutro, numa clara tentativa da Esquerda para não se deixar vencer pela Direita. Na política, vale (quase) tudo. 

Entretanto, lá vão puxando a brasa às suas sardinhas e referindo este ou aquele nome, como apoiante ou inspiração, numa clara tentativa de apelar às memórias e ao coração dos eleitores. Mário Soares, Cavaco Silva ou Francisco Sá Carneiro, são apenas exemplos desta ida constante ao baú.

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/mais-cm/especiais/eleicoes-presidenciais-2026/detalhe/um-em-cada-seis-eleitores-esta-no-estrangeiro-e-nao-pode-votar-a-distancia

https://observador.pt/opiniao/o-espelho-do-estado-num-boletim-de-voto-com-14-nomes/

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026-01-08-ultimo-dia-para-se-inscrever-e-poder-votar-antecipadamente-em-mobilidade-nas-eleicoes-presidenciais-63e73be2

https://sapo.pt/artigo/conheca-o-perfil-de-cada-um-dos-11-candidatos-6957deca7f0df3a885b27763

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publicado às 19:33

Acordar em 2026

por Elsa Filipe, em 01.01.26

A passagem para o novo ano já aconteceu e por aqui, foi passada de pijama a observar da janela, as pessoas que festejavam nas ruas com o fogo de artifício que abrilhantava a noite fria. Enquanto a Oreo ficou perto de mim, a receber festas, a Twisty escondeu-se debaixo do sofá a tremer e lá ficou até de madrugada, horas depois da música ter cessado lá fora. Os animais sofrem nestes dias e nós nem sabemos o mal que lhes poderemos estar a fazer. Mas faz parte e respeito, porque é uma festa e tudo passa. Somos seres de rituais e alguns levam-nos mais a sério. Eu confesso que gosto de estar em casa, longe da confusão das grandes multidões, preferindo um serão de filmes ou séries a um concerto ou optanto por um jantar em família. Raramente brindo (só se estiver com pessoas que o façam, o que é raro acontecer) e ainda mais raramente me lembro de que era suposto ter passas para pedir desejos. Gosto de fazer listas de coisas e se chover no dia 1 ainda melhor, pois é mais uma desculpa para não sair de casa.

Hoje acordamos com a notícia de uma explosão nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas, num bar onde se festejava a passagem de ano. À primeira explosão, que ocorreu por volta da 1h30m locais, seguiram-se outras e um forte incêndio. A maioria dos feridos sofreram queimaduras graves e muitos ainda lutam pela vida. A localização da estância de esqui, o número de vítimas mortais e a gravidades dos ferimentos, acabam por dificultar bastante as operações. Ainda não se sabem as causas, mas fala-se que estarão relacionadas com o mau armazenamento ou com o mau manuseamento de engenhos pirotécnicos. No entanto, a "queima de fogo-de-artifício durante as celebrações da passagem de ano estava proibida em Crans Montana, tendo as autoridades locais colocado cartazes na povoação a notificar a interdição, devido a situação de seca, com falta de neve e temperaturas acima do normal para o inverno."

A partir de hoje, a Bulgária passa a ser oficialmente o "vigésimo primeiro membro" da Zona Euro, depois de ter entrado para a UE em 2007. O Euro passa assim a substituir o lev búlgaro. Por cá, passam 40 anos da entrada do país na CEE e apesar do balanço ser positivo, continuamos com muitos problemas por resolver. O preço de várias portagens vai aumentar, o preço do pão e de outros produtos vão também aumentar e os hospitais continuam a não dar conta da grande afluência de doentes. Os políticos continuam a atirar culpas uns aos outros sobre o estado do país, enquanto os candidatos à Presidência da República pedem que ninguém deixe de ir votar. 

Na Ucrânia, o momento da passagem de ano foi assinalado pelo silêncio. As luzes, poucas, apagaram-se. A morte continua à espera de um acordo. Sucedem-se os ataques e as acusações entre os dois países, com a Rússia a atacar novamente "a cidade portuária de Odessa" e a deixar mais de "170 mil casas" sem energia elétrica. Em vez de fogo de artificio, a noite contou com sirenes que alertavam para o perigo de ataques aéreos. Entretanto, há dois dias, Putin acusou a Ucrânia de atacar prepositadamente uma das suas residências, "situada na região de Novgorod." 

Infelizmente, não é por mudar o ano que o mundo reinicia. Não passamos a ser melhores pessoas e não vamos mudar os nossos hábitos. Para o fazermos, é preciso muito mais do que a passagem dos ponteiros do relógio. Como não festejamos todos em simultâneo, já é tradição que as televisões passem o último dia do ano a mostrar as muitas passagens de ano pelo mundo fora. 

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/2026-01-01-dezenas-de-mortos-em-incendio-num-bar-de-estancia-de-ski-na-suica-8530d616

https://www.rtp.pt/noticias/economia/bulgaria-torna-se-21o-pais-a-aderir-ao-euro_n1707202

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-intensifica-ataques-a-ucrania_v1707163

https://www.rfi.fr/pt/mundo/20251230-acusa%C3%A7%C3%A3o-de-ataque-ucraniano-a-casa-de-putin-e-ataque-russo-a-portos-de-odessa

 

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publicado às 12:10

É Natal

por Elsa Filipe, em 25.12.25

Natal é tempo de mensagens bonitas, de presentes que se oferecem e outros que se desembrulham. Para alguns, o natal é tempo de pôr o sapatinho na chaminé e esperar que lá apareçam prendas, colocadas por um menino que nessa noite não tinha nascido ainda ou por um senhor de barbas brancas que sempre foi velho mas nunca envelheceu a tempo de morrer. Tradições, cada um tem as suas. As tradições vão-se adaptando aos tempos, até porque a maioria das casas já nem tem uma chaminé de jeito, as árvores são de plástico e até já é proibido ir apanhar musgo. Problemas de quem já tem tanto com que se preocupar ao longo do ano.

Para mim, cada vez mais o Natal é para ser prático. Sendo época de frio, troco bem uma tarde a tentar montar uma árvore e a apanhar lixo, por uma manta, um chá quente e um bom livro. Também sou menina para trocar uma ida às compras de última hora, por um bom filme ou um passeio ao ar livre junto à baía. Os presentes, começo logo a comprá-los a partir de setembro e a embrulhá-los conforme vão chegando. Cá por casa, faz muito tempo que não há pai natal. Nem Jesus. Quem trabalhou fui eu.

O que importa é que estejamos bem, pelo menos com alguma saúde. Natal é tempo de rir, de pôr a conversa em dia com pessoas que não vemos todos os dias. É dia de jantar na casa do pai porque é consoada e de almoçar na casa da irmã porque ela faz anos. É dia de acordar cedo e querer aproveitar o dia, mas perceber que são poucas as pessoas que já estão acordadas. É também o dia de me irritar porque se marcou o encontro para o almoço às 12 horas e às 13h30 ainda falta gente (para o ano fazemos uma vaquinha e oferecemos-lhes um relógio de pulso). De passar o dia sentados à mesa a comer, a dizer parvoíces e a contar coisas que não contaríamos noutros dias. Descobrem-se carecas e trocam-se sorrisos cúmplices. De ano para ano os miúdos crescem e nós vamos ficando mais velhos, isso já sabíamos, mas depois percebemos que na mesa das crianças o mais velho já conduz, os outros para lá caminham e só as mais pequeninas ainda acham alguma piada a ter uma toalha com desenhos que se pode pintar (ainda pensei em trocar de mesa com um deles, pois a toalha era bem gira). A Internet vai-nos trazendo fotos de natais passados em que as crianças ainda eram todas crianças e não adolescentes de hormonas aos saltos.

Natal é tempo de ter a televisão ligada o dia todo. Este ano confesso que passámos um pouco ao lado dos noticiários. Um pouco fartos de que se fale tanto do mesmo. Não entendo a necessidade de se repetirem tantas vezes as mesmas notícias - e ainda se fossem notícias! Lá vamos vendo excertos de filmes, dos antigos e dos mais recentes, para de repente alguém fazer um comentário, começar uma nova conversa e, quando voltamos a prestar atenção ao ecrã, já não está a dar a Frozen e está a dar o Rei Leão. Felizmente, com a possibilidade de ir ver o que passou no pequeno ecrã nos últimos dias, sei que vou ter agora de arranjar tempo para ver os filmes e as séries que perdi. Natal é tempo de fazer doces e de arriscar receitas que não se voltarão a fazer durante o resto do ano, porque dão muito trabalho, principalmente a mim que não tenho jeitinho nenhum para a cozinha.Valem as caixas vazias de gelado que nestes dias se voltam a encher para trazer carne assada ou feijoada de choco.

Natal é dia dos mais velhos dizerem que no tempo deles é que se trabalhava e que não havia máquinas para nada, mesmo quando a sua profissão foi ser mecânico (às tantas achei que não sabia que os camiões e os autocarros eram movidos a motor). Para guardar para os próximos encontros à mesa: não discutir com quem acha que o que descontava para a segurança social era superior àquilo que ganhava quando a matemática ficou já lá atrás esquecida nos bancos de escola. As conversas passam dos ordenados, para a política, discutem-se ideologias e comparam-se partidos. Chegamos à conclusão que nem todos defendemos o mesmo, mas que defendemos que se vote e que quem não vota não se deveria queixar (até que alguém diz "eu não voto porque eles são sempre os mesmos", "são chulos" e "eu nem os conheço" - tudo na mesma frase, em algo que me soa a antítese dita sem querer - e lá ficamos a fazer contas de cabeça, a tentar perceber porque é que o país está como está e se a culpa é toda das novas gerações).

E lá se passou mais um natal. Agora, um chazinho para a noite. Camomila, para acalmar o estômago nada acostumado a tantas misturas de paladares em tão pouco tempo e vou para a cama tentar acabar de ler um livro que tem de ser entregue amanhã na biblioteca! Feliz Natal.

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publicado às 22:50

Clara Pinto Correia era escritora, bióloga e professora universitária. Tinha apenas 65 anos e "foi encontrada morta em casa em Estremoz esta terça-feira." O que aconteceu para se perder, de forma tão precoce, uma mulher que (nas palavras do próprio Presidente da República) "juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros," e que nunca deixou "ninguém indiferente"?

Clara nasceu em Lisboa a 30 de janeiro de 1960. Era do mesmo ano e da geração da minha mãe e, apesar de nunca a ter conhecido, sabia-a uma importante escritora. Viveu em Angola, onde o pai cumpria o serviço militar e foi n o Ultramar que lhe "nasceu a paixão pela Biologia." Dizem que foi uma "excelente aluna," tendo frequentado "o Liceu Francês Charles Lepierre" e, mais tarde, "o Liceu Rainha D. Leonor." Estudou Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde termina a licenciatura em 1984. Doutorou-se e ainda foi investigadora numa área muito específica e que estava ligada à clonagem "de embriões de mamíderos." Chegou a especializar-se também em História das Ciências.

Até desconhecia que fosse professora, pois as minhas referências estavam nos artigos que tinha lido na imprensa escrita. Comecei a perder-lhe o rasto e, estava longe de saber daquilo de que a tinham acusado. Infelizmente, o caso das acusações feitas a Clara, deram cabo da sua reputação. Mas é na sua obra que me quero agora focar.

Em 1984, Clara edita o seu primeiro romance, com um estranho título: "Agrião." Mas quem conhece a sua peixão pela natureza, entenderia o título deste e de outros livros. A verdade é que "como escritora, assinou entre 1983 e 2007 mais de quarenta obras, entre as quais se destacou o romance Adeus, princesa, sobre a reforma agrária no Alentejo," livro que acabou por dar "origem a um filme." Escreveu também "literatura infantil, crónica, poesia" e "narrativa." Foi atriz e apresentou programas de rádio.

Escreveu artigos para “O Jornal” (entre 1980-1985), e para o “Jornal de Letras” (entre 1983 e 1986). Escreveu também para a revista "Visão", mas em 2003, e apesar de nem sequer estar em Portugal, foi "acusada de plágio" em duas das crónicas que escreveu para essa mesma revista. Calou-se, mas arrependeu-se de não se ter vindo defender. Num trabalho fotográfico apresentado por Pedro Palma, em Cascais, mostrou-se em poses íntimas, rosto descomplexado e inebriado, que deram que falar e fizeram correr muita tinta na imprensa cor de rosa e não só. Divorciou-se.

Ficou sem trabalho e, como a própria chegou a referir, a segurança social demorou "quase dois anos" para lhe atribuir um "subsídio de desemprego." Queixou-se de ter enfrentado filas onde se sentia olhada de lado...Foi despejada da casa que alugava há 30 anos "no Penedo (perto de Colares, Sintra)." 

Em  2017, enfrentou a "misteriosa morte do ex-marido, Pedro Palma," cujo corpo foi encontrado "dentro da bagageira do próprio carro," no mesmo ano em que recebeu "o Prémio Mulher Empreendedora, no domínio da literatura."

No ano passado, escreveu numa artigo para a Revista Nova Gente, que tinha sido "violada, há cerca de cinco anos, no Natal," por "dois tarados." Além da sua médica, mais ninguém soube - até agora. Afastou-se das suas pessoas, dos que amava, para não os magoar, talvez, magoando-os ainda mais. Quantos de nós nos afastamos, para não aborrecer os outros com os nossos problemas? São escolhas, que fazemos, mas que nos trazem consequências graves. Não sabemos (só eles sabem) o que terá passado, os encontros e desencontros da vida que a levaram a ficar sozinha.

E morreu sozinha... diz-se (mas dizem-se tantas coisas que nunca saberemos o que é verdade e o que é apenas especulação), que ficou durante dias sozinha, sem que ninguém tivesse dado pela sua falta e que foi "encontrada morta pela sua empregada doméstica." Talvez a amiga que lhe valia nos dias de solidão. Aos amigos e à família, os meus sentimentos.

Fontes:

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/cultura/detalhe/morreu-a-escritora-clara-pinto-correia

https://www.novagente.pt/clara-pinto-correia-violacao-que-revelou-dias-antes-de-morrer-fiquei-traumatizada

https://www.flash.pt/celebridades/detalhe/a-macabra-e-misteriosa-morte-do-ex-marido-de-clara-pinto-correia-que-a-biologa-nunca-conseguiu-ultrapassar

https://pt.wikipedia.org/wiki/Clara_Pinto_Correia

 

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publicado às 19:29

A guerra sem fim...

por Elsa Filipe, em 19.10.25

Será que há mortos que valem mais do que outros nesta guerra? Seá que há reféns e presos que valem mais do que outros?

A resposta rápida poderia ser "não", mas a realidade talvez seja outra.Temos visto nos últimos dias um grande ênfase dado aos reféns que o Hamas tem estado a libertar e, esses, apanhados num ato de imensa brutalidade e há mais de dois anos em cativeiro, sofrerão horrores que a nenhum de nós lembra, ameaçados pela morte às mãos de uma guerrilha ou, tantas vezes, recaindo sobre as suas cabeças a ameaça dos mísseis enviados para os, supostamente, salvarem.

Felizmente (e muito tardiamente) estes homens e mulheres voltam agora a casa. Outras famílias, estão neste momento a receber ainda os restos mortais dos seus entes queridos, se tais corpos se confirmarem serem mesmo os seus. Foi isto, que a negociação que Trump liderou, conseguiu. E em troca, o governo de Israel libertou cerca de 1900 prisioneiros. Quem são e porque estavam presos, alguém sabe? Que valor tem cada um deles? É que vários (muitos) foram entregues também já mortos. Mortos de quê e porquê? Foram presos ou também eram reféns? É que isto de se olhar para os outros, pode dar-nos uma opinião errada de acordo com a perspetiva que seguimos.

E nesta guerra, há vítimas - demasiadas - mas também há culpados de ambos os lados. Até do lado ocidental que tanto preza dizer que é contra e a favor disto e daquilo, sem saber do que fala. A história de Israel e da Palestina é muito mais antiga do que muitos imaginam. A terra "prometida" por um deus foi depois prometida por um governante. Um governante que a prometeu a dois povos, que hoje se julgam ambos no direito de a habitar. "A região histórica da Palestina foi assim denominada pelos gregos e romanos por causa de um dos povos que habitavam essa área, os filisteus."

Para mim, é o hoje que mais importa, um hoje feito de muitos mortos de ambos os lados. Mortos que têm de importar o mesmo de ambos os lados, que deviam ter o mesmo destaque e não têm. Parece que, ao apoiarmos um dos povos, somos obrigados a concordar com o "fim" do outro, e não, isso não é assim. O que é a solução dos dois estados de que todos falam e como é que se podes chegar a um acordo entre dois povos que têm ainda muito ódio a correr nas veias? 

Em 1891, "várias centenas de americanos proeminentes," assinaram uma declaraçá que apoiava a criação "de um Estado judaico na Palestina." Anos mais tarde, os judeus seriam amplamente perseguidos, mais uma vez, um povo do mundo, mas sem casa, embora muitos falassem da pátria que os receberia. A história deste povo é dura, mas é também dura a história do povo palestiniano, que atualmente vive na Faixa de Gaza, mas também na Líbia, Jordânia (onde vivem cerca de 1,9 milhões de palestinianos) e Cisjordânia.

Falam árabe, mas possuem também um dialeto local. A "religião predominante é o islamismo sunita, mas existe uma importante minoria cristã." Podíamos aqui falar também da influência britânica neste conflito, "durante o Mandato Britânico da Palestina" ou da "Guerra de Independência de Israel, entre 1947 e 1949," na qual mais de "600 mil" palestinianos "foram deslocados, no que os palestinos chamam de Nakba”. Em 1967, ocorreu a "Guerra dos Seis Dias" que transformou a Palestina, não apenas num "local de origem," mas também na ideia de "um passado e um futuro compartilhados, na forma de um Estado palestino."

Durante os Acordos de Oslo (que ocorerm em 1993 e 1994), foi criada a "Autoridade Nacional Palestina (ANP), um autogoverno provisório palestino liderado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), um conjunto de organizações políticas criado em 1964 por Yasser Arafat e que visa representar o povo palestino internacionalmente."

O importante seria este conflito terminar e, fora a questão política e geográfica, o que mais importaria era haver respeito e aceitação, de ambas as partes e isso, está muito difícil de acontecer.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Palestinos

 

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publicado às 12:37

Desastre de Alcafache

por Elsa Filipe, em 11.09.25

Dias depois do acidente que ocorreu em Lisboa e que voltou a trazer à discussão pública a qualidade dos serviços de caminhos de ferro em Portugal, relembro um outro caso: o da colisão entre um comboio internacional e um comboio regional, que ocorreu a 11 de setembro de 1985, na região norte do país, mais propriamente em Moimenta da Beira. Podem encontrar. com um pouco mais de detalhe, a publicação no meu novo blog: https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981.

O acidente aconteceu perto do apeadeiro de Moimenta-Alcafache, a 11 de setembro de 1985 e foi mesmo considerado como um dos maiores acidentes ferroviários do país. Esta colisão que envolveu "um comboio internacional e um regional," ficou para a história pela sua violência e quanto ao número de mortos, apenas se pode estimar, "já que a larga maioria dos corpos nunca foram identificados."

É possível ainda lamentar que, teria bastado uma chamada para um dos maquinistas e tudo se poderia ter evitado. Os factos são os seguintes: 

"Às 15h57, parte de Campanhã, no Porto, um comboio Sud-Express com destino a Paris-Austerlitz" e que seguirá caminho passando por Vilar Formoso. "Levava à volta de 400 passageiros, a maior parte emigrantes que tinham vindo passar férias a Portugal. Sai com um atraso de 17 minutos."

Precisamente "às 16h55, parte da estação da Guarda um comboio regional com destino a Coimbra, cumprindo o horário." Uma vez que o "Sud-Express" irá atravessar "a faixa centro-interior portuguesa, ambos os comboios terão de, a certa altura da sua viagem, passar no mesmo troço da Linha da Beira Alta, eixo ferroviário central na região, mas que na maior parte do percurso tem apenas uma única via."

"Com o "ganho de tempo" entretanto conseguido, havia que "alterar o cruzamento do comboio Internacional, onde estariam cerca de 350 passageiros, com o Regional 1439, que circulava no sentido oposto, da Guarda para Coimbra. Como a linha era, e ainda é, de via única, esse cruzamento apenas podia acontecer numa estação, e isso devia agora ocorrer em Nelas — em vez do local habitual, Mangualde."

"O Sud-Express chega a Nelas às 18h19. Entretanto, o comboio regional alcança quatro minutos depois a estação de Mangualde, a poucos quilómetros. Aqui, tendo em conta o atraso do comboio internacional, esta locomotiva devia ter aguardado. Mas não o fez." 

E é aqui que uma decisão provoca um acidente que poderia ter sido evitado. Na época dependiam do "posto de comando em Coimbra" para comunicar "às estações a mudança no cruzamento dos comboios, e aos chefes de estação comunicar entre si antes de mandar avançar comboios, para se assegurarem de que o caminho estava livre."

Mas isso não aconteceu e o "comando em Coimbra, que supervisionava a linha com base nas informações dos chefes de estação, não comunicou a Nelas a necessidade de o Internacional esperar lá pelo Regional. Com essa informação em falta, os chefes de Nelas e Mangualde não sabiam que estavam a enviar dois comboios para uma colisão fatal." O então "responsável da estação de Nelas" ainda chegou a ligar "para a passagem de nível, pedindo que se fizesse sinal para o comboio parar, com petardos na via ou o agitar de uma bandeira," porém, infelizmente, o pedido chegou tarde e "o comboio já tinha passado. O acidente era agora inevitável " e foi confirmado pela visualização de "uma nuvem de fumo a elevar-se no meio do pinhal."

É indiscritível e assustadora a imagem da "certeza assustadora de choque frontal." Esta impossibilidade de "comunicar, na altura, com dois comboios em andamento, os passageiros e funcionários circulando em ambas as viaturas rumam a um desastre inevitável," que ocorreria "às 18h37, quando o internacional 315 e o regional 1324 chocaram com estrondo e violência, descarrilando ao longo de dezenas de metros num espaço florestal." Embora tivessem sido os homens que se encontravam na passagem de nível e de uma ambulância que passava na estrada no momento a dar o alerta, acabaram por ser os populares os primeiros a tentar ajudar, resgatando mortos e feridos por entre os ferros retorcidos, que a deflagração de violentos incêndios, que "o derrame de gasóleo das locomotivas gerou" nas carruagens e "no pinhal em redor," tornou impossível.

Os bombeiros que, algum tempo depois, ali chegaram e que "participaram na operação de salvamento descreveriam um cenário de absoluto horror. Desde terem de descolar literalmente o que restava de corpos de pessoas, inclusive pais abraçados aos filhos num acto derradeiro e desesperado de proteção." Muitas das vítimas morreram carbonizadas. "A demora no auxílio deveu-se ao facto de o local onde ocorreu o acidente ser remoto, mas também à falta de organização dos meios, num país pouco habituado à gestão deste género de tragédias."

O presidente da República da altura, Ramalho Eanes, visitou o local e falou com sobreviventes. Foi no seu "helicóptero que acabaria por ser transportado para o hospital" de São José, em Lisboa, um dos feridos graves, depois realizada "uma análise do próprio médico presidencial." Também a "Força Aérea Portuguesa e o Exército colaboraram activamente nas operações, nomeadamente no resgate dos feridos e no transporte dos mesmos por via aérea."

No local da catástrofe, "Eanes, ciente da importância do sucedido e também dos fantasmas de um país que dez anos antes vivera sob um ditadura que controlava as notícias, declarou que o país tinha o direito de saber o que se passara ali, e na hora." As imagens, recolhidas por um operador de vídeo que foi ao local do acidente, naquele dia, que havia registado tudo o que lhe tinha sido possíveis, foram depois enviadas para "os estúdios da RTP no Porto" para serem transmitidas e, assim, se mostrar aos portugueses o resultado daquele desastre. "Na sequência desta transmissão televisiva, centenas de cidadãos dirigiram-se aos hospitais para dar sangue."

Ainda hoje não se sabe exatamente o número de vítimas, estando atualmente assumidas como mortas, as vítimas contabilizadas à época como desaparecidas. As contagens, foram sendo feitas ao longo dos anos, mas nunca se soube um número exato. "Algumas estimativas colocam o número de vítimas de Alcafache na ordem dos 150."

No local do acidente foi aberta "uma vala comum. Aqui se reuniram todos os pedaços soltos de corpos e cinzas calcinadas possíveis e, depois de uma pequena cerimónia, fechou-se então esta sepultura improvisada."

"O primeiro-ministro, Mário Soares, chegou uma hora depois, anunciando ao país três dias de luto nacional e um inquérito para apuramento dos factos." Este inquérito, "rapidamente concluiu que este acidente foi causado por erro humano." Depois de quatro anos de julgamento, o juís absolveu os arguidos pois era a palavra de um contra a do outro e não existiam registos.

No mesmo ano, tinham já sido registados oito "desastres ferroviários," embora de menor dimensão. "Antes de 1985, os fatídicos desastres na Linha Porto-Póvoa em 1963, com entre 91 e 102 mortos, e em Santa Clara, Odemira, dez anos antes, registando 54 vítimas, habituaram o país a esta realidade. Aliás, um ano antes do desastre de Alcafache-Moimenta, a colisão entre uma camioneta e uma automotora em Recarei causa 17 mortos.

Naquele dia, não houve forma de evitar esta catástrofe e, hoje, haveria? Sim ainda existem linhas que em algumas regiões se tornam em pontos de circulação únicos e este "erro" que esteve na origem deste cenário “aterrador”, poderia voltar a repeir-se uma vez que "Portugal ainda tem linhas dependentes de chamadas entre estações para controlar os comboios." No entanto, depois deste desastre "foi instalada uma rede de sistemas mais avançados de comunicação e sinalização do tráfego, o que teria impedido este desastre, e ocontrolo de velocidade, que tornou estes desastres muito mais difíceis de acontecer." Ocorreu ainda a "introdução desistemas de rádio solo, que permitem que os maquinistas comuniquem entre si e com as centrais de controlo."

Apesar disso, não nos podemos esquecer que "quarenta anos depois, a presença do cantonamento telefónico em quatro linhas significa que há 412,5 quilómetros da ferrovia portuguesa onde um erro humano pode ter consequências mais graves." Este sistema, que data do século XIX, consiste num "sistema de operação de uma linha ferroviária onde os agentes numa estação pedem autorização à estação seguinte para que o trem ou comboio possa avançar." Inicialmente, chegou a ser feita por telégrafo. Atualmente, tal como era na época do acidente de Alcafache, "para controlar a circulação ferroviária, as linhas são divididas por cantões, que não podem ser ocupados por mais do que um comboio ao mesmo tempo. Esses cantões tanto podem corresponder a toda a linha entre duas estações — o que acontece no sistema telefónico e no de interpostos — como espaços mais reduzidos, de poucas centenas de metros, num equilíbrio entre a capacidade necessária na linha e a velocidade permitida aos comboios."

Fontes:

https://www.nationalgeographic.pt/historia/11-setembro-1985-quando-a-linha-da-beira-alta-foi-palco-de-uma-tragedia-nacional_4197

https://www.rtp.pt/noticias/pais/alcafache-40-anos-jose-augusto-sa-nunca-encontrou-nem-o-pai-nem-a-irma_a1682895

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cantonamento_telef%C3%B3nico

https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981

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publicado às 12:31

Ondas de calor

por Elsa Filipe, em 01.07.25

Julho começou e com ele chegaram as ondas de calor. Já não são só os picos de calor ao longo do dia que nos preocupam, é a sucessão de dias muito quentes e a influência que estas temperaturas têm no equilíbrio climático global. Para mim, o pior neste fim de semana foram as dores e o mal estar provocado pelo calor e pelos inchaços no corpo. A mesma fibromialgia que no frio me traz dores atrozes nas articulações, traz-me no calor extremo, a ssensação de mau estar, de desmaio e de um desânimo enorme que se reflete até no esforço para pensar. No domingo, foi mesmo muito difícil estar de pé e até trabalhar (estar ao PC a preparar os conteúdos de formação, quando não nos aguentamos sequer em pé e saber que temos prazos de entrega que, assim, não iremos conseguir cumprir, porque não me conseguia sequer levantar e manter os olhos abertos por muito tempo... é desgastante). À tarde, no domingo, o meu carro marcava 50º (claro que este valor se devia ao facto do carro estar ao sol, mas pelo país as temperaturas não andaram assim tão longe disso). A noite de domingo para segunda foi passada a trabalhar até perto das quatro. Antes de me ir deitar ainda fui à janela e corria um ar quente... as temperaturas estavam perto dos 30º...

Hoje foram batidos recordes de temperatura em alguns locais de Portugal. Em Mora os termómetros bateram os 46.6º (embora o máximo até aqui registado não tenha sido ainda alcançado - a "1 de Agosto de 2003," atingiram-se os "47,3 graus na Amareleja," em Beja).

Na Europa a situação "já atingiu uma extensão geográfica sem precedentes em França", onde "o topo da Torre Eiffel" chegou mesmo a ser "encerrado por precaução." Prevê-se também o encerramento de "1350 escolas públicas" francesas, esta terça-feira devido ao calor extremo. Os incêndios também não têm dado tréguas. Até ontem tinha sido já destruídos cerca "de 400 hectares" devido às chamas, "forçando a evacuação de um parque de campismo e de uma abadia."

O calor estendeu-se dos Balcãs até Inglaterra. "Até agora, duas pessoas" que trabalhavam "ao ar livre faleceram possivelmente devido ao calor extremo, uma em Espanha e outra em Itália." Em Huelva, Espanha, "foi registado um recorde histórico para o mês de junho," chegando aos "46 graus Celsius, superando os 45,2 graus registados em Sevilha em 1965."

Na Alemanha, a onda de calor levau a que as autoridades tivessem já emitido um apelo ao limite do "uso de água," bem como "avisos de tempo quente em grande parte das regiões oeste e sudoeste nesta segunda-feira, onde as temperaturas subiram até 34 graus Celsius."

Em Itália, "o Ministério da Saúde colocou 17 cidades em alerta vermelho, entre as quais Roma, Milão, Florença e Verona," além de terem sido instalados “abrigos climáticos” em Bolonha. Várias regiões italianas estão a ser também atingidas por incêndios florestais. Na região de Lombardia, no norte da Itália, acabou por ser decidida a proibição do "trabalho ao ar livre na parte mais quente do dia, atendendo a um pedido dos sindicatos."

Nos Países Baixos, as temperaturas também têm atingido valores fora do normal. Normalmente, aí acabam por haver "temperaturas relativamente mais frias do que noutras partes da Europa,"mas desta vez acabaram por subir perto dos "40 graus Celsius em algumas partes do país." Por este motivo, "Amesterdão prolongou o horário de funcionamento dos abrigos para sem-abrigo."

Já na Turquia, "mais de 50 mil pessoas de 41 localidades tiveram de ser" ontem retiradas "devido aos incêndios florestais." Também na Grécia, os "incêndios florestais" têm atingido as regiões "ao redor da capital Atenas", agravados pelas altas temperaturas, que ultrapassam "os 40 graus Celsius, alimentando os incêndios que estão a consumir casas e a forçar evacuações." 

"Na Croácia, a grande maioria da costa está em alerta vermelho devido às temperaturas a rondar os 35 graus Celsius, enquanto o Montenegro enfrenta um elevado risco de incêndios e a Sérvia enfrenta uma seca severa e extrema em grande parte do seu território."

Por cá, houve queda de granizo em alguns locais e, o calor sentido este domingo, "levou à formação de um raro fenómeno" que assustou muitos dos veraneantes que estavam na praia, quando uma massa de densa de nuvens avançou do mar para terra. O fenómeno de “nuvens rolo”, é explicado pelas diferenças de temperatura entre o mar (que chegou aos 26ºC, no Mediterrâneo e bem perto no Atlântico) e o território continental, mas foi confundido com nuvens de tempestade e até com um tsunami, levando muita gente a fugir da praia. Apesar do vento, o fenómeno não causou estragos.

Para quem não entende o que é viver com uma doença crónica, até o calor nos incomoda! E podem dizer que há o ar condicionado - que no meu trabalho está quase sempre ligado. Sabem o que são enxaquecas? A minha cabeça, passa o dia a latejar e a dor diminui quando saio para a rua. É uma sensação de pressão enorme... e a medicação dá sono, muito, muito sono!

 

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/07/01/azul/noticia/duas-mortes-europa-durante-onda-calor-precedentes-2138499
https://www.publico.pt/2025/06/30/azul/noticia/onda-calor-europa-trabalhadora-morre-espanha-apos-jornada-ar-livre-2138336

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publicado às 22:44

Ontem assinalou-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Esta data foi escolhida por ser a data (conhecida) da morte do poeta Luís de Camões. Este feriado começou, aiás, por ser celebrado apenas como feriado municipal em Lisboa, "dedicado a Camões," mas com o Estado Novo acabou por ser elevado "a feriado nacional, como o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça»." A Revolução de 25 de abril, trouxe-lhe uma nova designação: "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses" - desaparecendo o termo "raça", usado pelo regime. Depois da vitória - no passado domingo - da equipa das quinas, contra a seleção espanhola, nada melhor do que homenagear os portugueses. 

Nesta data, presta-se homenagem a Portugal, aos portugueses, à cultura lusófona e à presença portuguesa por todo o mundo. São habitualmente feitas cerimónias públicas em que o Presidente da República e outras entidades, discursam. Este ano as celebrações realizaram-se em Lagos. Estas celebrações são uma boa "oportunidade de assistir ao desfile das forças armadas, em terra e no mar, à exposição dos meios militares, às bandas e orquestra militares e civil e, ainda, à atuação da charanga a cavalo da GNR, a única no mundo que executa trechos musicais nos três andamentos, a passo, a trote e a galope."

Nas comemorações deste ano, o Presidente da República condecorou o antigo Presidente da República, Ramalho Eanes, destacando também o trabalho das diferentes Forças Armadas Portuguesas. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o general "merece como ninguém o primeiro grande-colar da Ordem Militar da Avis, nunca atribuído".

O ainda Presidente da República, com a sua presença carismática, afirmou no seu discurso que "Isto é Portugal, os portugueses e as portuguesas, e nele os nossos combatentes, os nossos militares, esses militares que aqui estão, todos os anos pelo 10 de Junho, mas estão na nossa História desde que nascemos." Na sua originalidade, e não deixando de ser uma pessoa interventiva (às vezes mais do que o esperado e, quando não fala, acabamos por estranhar) e, neste discuros, lá foi dando achada daqui, bordoada dali, as suas palavras sobre a importância de sermos um país construído a partir de muitas culturas, de uma história rica em invasões e conquistas. Um país multicultural e, por isso, um país que é mais rico. Sobre as Forças Aramadas referiu que "Portugal foi um reino feito por esses soldados" e que hoje somos "uma pátria que vive em liberdade e democracia feitas por esses soldados".Mas muitos não interpretaram assim as palavras de Marcelo e criticaram a sua posição, não percebendo a alegoria das suas palavras. 

Enquanto isso, numa "cerimónia de homenagem aos ex-combatentes em Lisboa," alguns ex-militares insurgiram-se contra Gouveia e Melo e "contra o imã de Lisboa, convidado para a cerimónia."

Lídia Jorge, conselheira de estado e uma figura iimportante no panorama sócio-político e literário do nosso país, aproveitou para relembrar "o passado esclavagista de Portugal e a atualidade da obra de Camões, que viveu num fim de ciclo, tal como aquele em que o país se encontra atualmente." A escritora, alertou para "a possibilidade de loucos atingirem o poder" e contra "a fúria revisionista que assalta pelos extremos," dizendo ainda que "cada um de nós é uma soma do nativo e do migrante, do europeu e do africano, do branco, do negro e de todas as outras cores humanas. Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou."

O que mais me chocou - e o motivo para esta minha publicação no blogue - foram muitas outras coisas que se passaram à margem deste feriado: os apupos, os comentários, as agressões. O racismo, esteve todo o dia em discussão - muito, por causa de comentários e reinvindicações mais extremistas que se foram fazendo ouvir - e porque nesta data se assinala também um outro acontecimento, a morte de Alcino Monteiro, agredido com muita violência há 30 anos. Numa manifestação contra o racismo e, também, em "memória de Alcindo Monteiro, centenas de pessoas juntaram-se no centro de Lisboa, num percurso que foi desde o "local onde foi encontrado o corpo de Alcindo Monteiro, na Rua Garrett," e que terminou junto ao Largo do Carmo.

Um grupo de indivíduos - que durante a tarde tinha estado numa manifestação e já teria provocado outros desacatos - enxovalharam e agrediram alguns atores da companhia de Teatro, "A Barraca", quando estes se dirigiam para o teatro. Neste grupo, podem ter estado alguns dos intervenientes na morte de Alcino Monteiro.

O ator Adérito Lopes teve de ser levado ao hospital devido à gravidade dos ferimentos. A atriz Maria do Céu Guerra, explicou muito bem o que se passou e mostrou de forma muito precisa, que é preciso pôr fim a estes atos de violência. "Segundo o relato da encenadora, que exibiu para as televisões autocolantes da loja Pró-Pátria," este terá sido um ataque contra a liberdade de expressão e, um ato cobarde.

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas

https://www.dnoticias.pt/2025/6/10/452103-marcelo-termina-ultimo-discurso-com-homenagem-aos-militares-e-a-eanes/

https://www.publico.pt/2025/06/10/sociedade/noticia/luta-racismo-memoria-alcindo-monteiro-juntam-centenas-lisboa-2136227

https://www.rtp.pt/noticias/pais/insultos-racistas-e-a-gouveia-e-melo-em-homenagem-a-ex-combatentes_v1661173

https://www.rtp.pt/noticias/pais/somos-portugueses-porque-somos-universais-o-ultimo-discurso-de-marcelo-no-10-de-junho_e1660831

 

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publicado às 22:30

Dia da Criança

por Elsa Filipe, em 01.06.25

A todos os primeiros de junho se repete pelo mundo fora que é preciso fazer mais pelas nossas crianças, que o mundo tem de abrir os olhos e perceber que está a destruir o futuro da humanidade, que continuam a morrer milhares de inocentes, pela fome, pela guerra, pela  ganância dos adultos.

E todos os anos se fazem pedidos de mudança, manifestos, reuniões urgentes e planos, muitos planos... e todos os dias se sonha (sonham as crianças, sonhamos nós) que algo venha a ser feito. Que as crianças pudessem brincar, sem se preocuparem com o o som das bombas, sem pisarem destroços, sem pisarem sangue dos seus. 

Todos os anos milhares de crianças morrem. Não de morte natural, não apenas de doenças inevitáveis para as quais a ciência ainda não encontrou cura... mas de fome. De desidratação. De falta de cuidados de saúde e de falta de operância daqueles que as deviam proteger. Os governos do mundo inteiro estão a falhar na proteção das crianças.

"Em Portugal, o Dia da Criança é festejado no dia 01 de junho. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas das crianças e como forma de reconhecimento de que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de paz e fraternidade."

Os dados são assustadores... e não vão caber todos aqui.

Em abril último, contava-se cerca "de 1150 bebés com menos de um ano," mortos desde o início "da guerra na Faixa de Gaza." Muitos não tiveram qualquer hipótese de sobrevivência, atingidos pelos bombardeamentos ou sucumbindo à fome e ao frio. A UNICEF vem alertar para os números em Gaza: "50.000 crianças mortas ou feridas desde outubro de 2023"! O que é que será necessário ainda conversar, mostrar? "Desde o fim do cessar-fogo em 18 de março, 1.309 crianças foram mortas e 3.738 ficaram feridas em Gaza."

Outra região em guerra, depois da invasão da Ucrânia por parte do estado russo, tem também sofrido com a guerra. Segundo Pavlo Sadokhav, presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, "já morreram mais de 600 crianças na Ucrânia e que quase 20.000 foram levadas para território russo."

Já noutra latitude, as crianças começam desde cedo a ser recrutadas e obrigadas a pegar em armas. Na República Democrática do Congo (RDCongo), cerca "de 375.000 crianças estão impedidas de ir à escola," ficando muito mais vulneráveis a "sofrer violência, incluindo violência sexual, e de recrutamento por grupos armados." Aqui, tal como em muitos outros locais em que a guerra se impõe, as crianças são também as mais afetadas pelos "explosivos" deixados nos "campos perto das aldeias e das escolas," seja quando se deslocam para ir buscar água ou ir até à escola, seja quando brincam ou trabalham nos campos. 

E haveria ainda muitos outros valores a mostrar, mas será que é preciso fazê-lo? Andaremos todos a dormir, ou viramos apenas a cara para o lado para não ver?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dia-da-crianca-marcelo-sublinha-urgencia-de-cuidar-de-todas-as-criancas-sobretudo-em-zonas-de-guerra-e-fome_n1659069

https://www.dn.pt/sociedade/ucranianos-assinalam-dia-da-crian%C3%A7a-com-manifesta%C3%A7%C3%A3o-em-frente-%C3%A0-embaixada-russa-em-lisboa

https://observador.pt/2025/03/06/violencia-afasta-da-escola-cerca-de-375-000-criancas-no-leste-da-republica-democratica-do-congo/

https://www.dn.pt/internacional/mais-de-1100-beb%C3%A9s-com-menos-de-1-ano-mortos-desde-o-in%C3%ADcio-da-guerra-em-gaza

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-05/faixa-gaza-unicef-mais-50-mil-criancas-mortas-desde-outubro-2025.html

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publicado às 13:50

Nasceram cá, vivem cá, mas não se interessam pelo passado do país. Apesar de algumas exceções, a maioria dos nossos jovens não se interessa sequer em saber um pouco mais acerca dos episódios mais marcantes da nossa História. (Outros colegas falarão do drama que é ensinar matemática, ciências... e eu teria muitas histórias para aqui acrescentar também).

Decoram "mal" as datas de que vão precisar para a realização do próximo teste e, saídos da sala, passam uma borracha que lhes leva para bem longe as palavras guardadas na mente por alguns momentos. E depois, aparecem aqueles "tesourinhos", tais como: "preciso de estudar a segunda metade do séc. XXI para o teste", "o Renascimento aconteceu quando deus nasceu", "os Lusíadas foram mais importantes que a chegada do Homem à lua porque aconteceram há milhares de anos e ainda são lembrados." 

O que fazer? Compreender que as disciplinas estão desatualizadas e que cada vez menos vão ao encontro das nossas crianças e jovens. Perceber que é preciso alterar os livros de História, que cada vez mais "escondem" factos importantes e "saltitam" para a frente e para trás, confundindo os miúdos. Criar uma interligação entre as matérias de Português, História e de Geografia. Com tantos recursos que temos hoje em dia, os nossos manuais estão uma verdadeira lástima! Contêm erros que, rapidamente são desconstruídos por qualquer pesquisa e, daqueles que tenho vindo a conhecer, tornam-se confusos para os alunos quando voltam "para trás" para falar de outros assuntos. Existem alguns temas que, na minha opinião poderiam passar para o secundário, libertando o 3º ciclo daqueles que deveriam ser os conhecimentos essenciais. Para mim - e isto é a minha opinião própria - para quem não vai seguir História/ História de Arte (ou outras), falar sobre o nome de pintores (poderia ser falado em EV), ou saber distinguir o estilo Gótico, não tem assim tanta importância, quando o aluno não faz ideia do que significa Idade Média. Se calhar, podia referir-se como uma demonstração das mudanças sociais que ocorreram durante o século XII. É que muitos, não conseguem sequer associar este estilo ao reinado de D. Afonso Henriques. 

Nos últimos dias, li num trabalho que D. Afonso Henriques tinha assumido o governo de Portugal depois da morte de D. Fernando. E noutro, que o filho de D. Beatriz tinha subido ao trono e lutado contra a mãe. Vai aqui uma grande confusão!

A desmotivação parece ser cada vez maior e, o que mais me preocupa, são os alunos entre o 9º e o 12º ano. Daqui a muito pouco tempo, serão eles a votar e - já se nota - a falta de cultura geral, o massivo desinteresse por assuntos da atualidade ou do passado (bem) próximo. A maioria não sabe em que ano se deu a Revolução de Abril e, pior ainda, não explicar (mesmo que de forma simples) o que é a Democracia. Quando a culpa dos problemas económicos Americanos do início do século XX se devem a "Hitler" e quando "Salazar" participa na invasão de Lisboa para libertar o presidente... tudo pode ser verdade. A culpa não é da IA. A culpa é de quem não lhes exige mais, de quem lhes vai facilitando a vida até que chegam a este ponto (que, temo, já seja) de não retorno!

No outro dia, um aluno dizia que os "judeus" tinham sido "burros", porque, segundo ele, podiam ter fugido "todos para a Suíça." Esta frase, a menos de dez dias de terminar o seu 9º ano, leva-me a perguntar, seriamente, em que é se está a falhar nestes últimos anos  na escola?

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publicado às 13:58


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