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José Mattoso

por Elsa Filipe, em 08.07.23

Tomei agora conhecimento do falecimento de José Mattoso. O nome deste senhor, apareceu durante muitos anos nos nossos manuais de HGP e História e foi através destes manuais que nasceu a minha paixão por esta área. Ainda hoje, o podemos encontrar em alguns manuais como consultor científico. Mattoso era um especialista na história das ordens religiosas e da aristocracia nos séculos X a XIII. 

Faleceu hoje com 90 anos.

BNP - Bibliografia Nacional Portuguesa

Nasceu em Leiria a 22 de Janeiro de 1933, filho do professor do ensino liceal António Gonçalves Mattoso. Estudou no Liceu Nacional de Leiria, seguindo-se o seu ingresso na vida religiosa. Durante 20 anos foi monge da Ordem de São Bento, vivendo na Abadia de Singeverga (Portugal), em Lovaina, na Bélgica, e usando o nome de Frei José de Santa Escolástica Mattoso.

No mesmo período em que foi monge, Mattoso licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Lovaina, e doutorou-se em História Medieval, pela mesma universidade. Só em 1970 retornou à vida laica, iniciando uma carreira académica.

A produção historiográfica de José Mattoso começou a ser publicada em 1968, com “Les Monastèresde la Diocèse du Porto de l’an mille à 1200”, seguindo-se, em 1970, “As Famílias Condais Portucalenses séculos X e XI”, tema a que voltou, em 1981, com a obra “A Nobreza Medieval Portuguesa - A Família e o Poder”.

Foi investigador no Centro de Estudos Históricos (Lisboa), integrado no Instituto de Alta Cultura, e no período subsequente a 1972 foi admitido como professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Posteriormente, em 1979, tornar-se-ia professor catedrático na recém-criada Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Em 1982, publica “Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa”, em 1983 sai para as bancas "Narrativas dos Livros de Linhagens", em 1985 “Portugal Medieval” e, no ano seguinte, a sua obra de referência, “Identificação de um País” (dois volumes), que lhe valeu o Prémio Alfredo Pimenta e o Prémio Ensaio do P.E.N, Clube, em 1986. Nas obras do autor encontramos caraterísticas muito específicas: se por um lado é uma pessoa rigorosa quanto àquilo que escreve e um profundo conhecedor das nossas referências históricas, por outro, encontramos uma visão diferente, em textos como "Narrativas dos Livros de Linhagens", onde abundam os contos, anedotas e situações caricatas que nos dão uma perspetiva mais humana daquelas "personagens".

Em 1987, foi o primeiro galardoado com o Prémio Pessoa. Entre as obras que o tornaram uma referência no estudo das origens de Portugal, destaca-se também "Fragmentos de uma Composição Medieval" (1987). Dele é também a direção e coordenação da obra "História de Portugal", uma obra completa de oito volumes (1993-1994).

Foi presidente do Instituto Português de Arquivos, de 1988 a 1990. Em 1992 é condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.  

Entre 1996 e 1998, foi diretor da Torre do Tombo. Em 2005, publicou “A dignidade Konis Santana e a Resistência Timorense”, uma das suas raras incursões na História Contemporânea, quando aceitou ser “colaborador voluntário do Instituto Português de Auxílio à Cooperação, durante os cinco anos” que permaneceu em Timor, como explica na introdução da biografia daquele combatente timorense. Quando esteve em Timor-Leste, colaborou na recuperação do Arquivo Nacional e no Arquivo da Resistência, e lecionou no Seminário Maior de Díli.

O historiador assinou também uma biografia de D. Afonso Henriques, publicada em 2006, pelo Círculo de Leitores. Em 2007 recebe o Troféu Latino. Da sua responsabilidade foi também a direção de outras obras coletivas ( “História da vida privada em Portugal”, 2010-2011; “Património de origem portuguesa no mundo”, 2010).

Numa rara intervenção política, foi mandatário nacional do Partido Livre, em 2015.

Em 2012, publicou “Levantar o Céu – Os Labirintos da Sabedoria”, que lhe valeu o Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica, um galardão a juntar a outros com os quais foi distinguido ao longo da carreira. José Mattoso, recebeu ainda o Prémio Árvore da Vida, pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica, em parceria com o Grupo Renascença Multimédia, a 1 de junho de 2019, em Fátima.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mattoso

https://tvi.iol.pt/noticias/jose-mattoso/historiador/morreu-o-historiador-jose-mattoso-tinha-90-anos/20230708/64a985c1d34e72171a0af8eb

https://www.temasedebates.pt/noticias/-narrativas-dos-livros-de-linhagens-de-jose-mattoso/162506

 

 

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publicado às 20:38

20 anos

por Elsa Filipe, em 09.07.22

As pequenas coisas ficaram e ainda na outra noite sonhei que me estavas a tapar e aconchegar. Senti as tuas mãos mas não me conseguia virar para ver o teu rosto, o sonho começa de repente a ser um pesadelo em que não me consigo mexer com o corpo paralisado e já nem conseguia acordar do sonho que sabia não ser realidade. Mas queria ver-te. Quando acordei abri a janela e estava um incêndio a começar na loja em frente à minha casa. Tremia tanto que nem conseguia ativar o telemóvel.

No dia seguinte as dores eram tamanhas. Os músculos contraídos não correspondiam depois de uma noite sem descanso. Não foi fácil. Felizmente, já consegui descansar um pouco esta noite e hoje já me sinto melhor. É com tranquilidade agora que recordo que já se passaram 20 anos da maior perda da minha vida. Estamos juntos hoje, eu a avó e o meu filho. 

A vida passou e tenho vencido muitas batalhas. Dou valor a tudo o que tenho conseguido atingir e, sim, tenho cometido muitos erros dos quais me arrependo. Não sou perfeita, tenho uma vida que não é fácil, mas tenho tudo o que preciso para sobreviver e para criar o meu filho em condições. Só isso é importante para mim. O resto é apenas acessório. Vou conquistando o meu lugar aos poucos.

Tenho conhecido algumas pessoas especiais. Não acredito na existência de nada além do nosso mundo físico. Acredito que a nossa mente ainda é um lugar por descobrir e que encerramos na nossa cabeça muitos segredos por desvendar. Hoje estamos com um dia muito quente e sabe bem estar em casa, a dormitar, a ver séries, a pintar e a escrever. Mais daqui a bocado podemos se calhar ir passear ou comer um gelado. É bom ter essa possibilidade num bom dia de julho, mesmo que seja um dia triste de memórias distantes.

 

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publicado às 14:52

Saudade

por Elsa Filipe, em 13.07.21

Há muita coisa em mim que era dela, umas que faço questão de manter, outras que não me agradam assim tanto ter herdado. Herdei os problemas de pele, a propensão a uma osteoporose precoce e se calhar a outras coisas que não quero nem saber. Herdei também a teimosia, o péssimo feitio quando me pisam os calos e a incapacidade de ficar calada quando me apetece mandar alguém para o alto do mastro.

Não preciso de saber quantos anos se passaram para saber que é como se fosse ontem. Ainda acordo a pensar em coisas que tenho de lhe contar, para perceber rapidamente que não o vou poder fazer. Nos meus sonhos, ela está muitas vezes presente, conhece o meu filho, sabe das coisas da minha vida. Em pensamento é a minha confidente. Atenção que eu não acredito em nada dessas coisas da vida depois da morte, nem acredito que me oiça, ou que me ajude a tomar decisões. Acho é que a memória que tenho dela e da sua presença é tão forte que me acompanhará sempre. 

Se fosse viva, hoje festejaríamos  os seus 61 anos. 

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publicado às 18:13

Sair de casa - passeio por Sines

por Elsa Filipe, em 10.06.20

Qualquer pequena saída pode ser usada para conhecer um pouco mais sobre a nossa história, sobre os antepassados que povoaram as nossas vilas e como viviam. Hoje fomos visitar a vila de Sines, a sua praia e o seu castelo. Sair de casa depois de tantos dias fechada parece um pouco estranho, porque apesar de termos tido agora algumas tréguas, parece que nada disto acabou ainda e que ainda estamos longe do fim desta pandemia que nos afeta a todos.

Estava um dia quente e à chegada o mar azul e as areias quase brancas chamavam para um mergulho. Depois de estacionar, foi das primeiras coisas que fizemos. Passeamos pelo areal com a água do mar a refrescar-nos as pernas. As minhas, cansadas e inchadas da condução.

Depois de descansar um pouco na toalha e de ler algumas páginas do meu livro, lanchamos e fomos fazer um passeio até ao castelo. A subida é feita por um jardim construído em patamares, com algumas descobertas a fazer pelo caminho: espécies diferentes de plantas e de árvores, que proporcionam sombras simpáticas e locais de descanso, instrumentos musicais gigantes, mas na sua maioria danificados e alguns baloiços também eles já não nos seus melhores dias.

Finalmente depois da subida, chegamos à praça, onde se ergue majestoso o castelo de Sines. Monumento de Interesse Público desde 1933, esta é uma fortaleza medieval construída sobre um ponto da falésia com sucessivas ocupações desde o Paleolítico, de grande utilidade defensiva e que é hoje um dos melhores miradouros sobre a baía.

Com os Romanos, o concelho define-se pela primeira vez como centro portuário e industrial. A baía de Sines é o porto da cidade de Miróbriga. O canal da Ilha do Pessegueiro está ligado a Arandis (Garvão). Sob o poder de Roma, Sines e a Ilha são polos "industriais", com complexos de salgas de peixe. A segunda hipótese de etimologia de Sines é também romana: "sinus" - baía ou "sinus" - seio, que é a configuração do cabo de Sines visto do Monte Chãos.

Depois resolvi levar o meu filho a conhecer melhor a vila, a sua disposição, as ruas estreitas e caraterísticas e outros pontos de interesse. Depois do passeio a pé, voltamos ao carro para seguir viagem pelas redondezas ants de regressarmos. Esta é uma região extremamente rica em factos históricos que ainda hoje espreitam à nossa passagem.

A Alta Idade Média, em que a região teve ocupação por Visigodos e Mouros, é o período mais obscuro da história de Sines. Há no Museu de Sines cantarias visigóticas que atestam a existência de uma basílica do século VII. Durante a ocupação árabe do sul da Península, Sines é praticamente abandonada.

À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, a região foi conquistada por D. Sancho I (1185-1211) entre o final do século XII e o início do século XIII. O seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223) fez a doação dos domínios de Sines aos cavaleiros da Ordem de Santiago.

No século XIV, o pequeno povoado burguês de Sines reivindica junto do rei Dom Pedro I a autonomia administrativa em relação a Santiago do Cacém. O monarca, interessado na importância estratégica da terra na proteção desta zona de costa em relação aos corsários, concede foral a Sines. Mas com uma condição: a construção de uma cerca defensiva.

O castelo é construído durante a primeira metade do século XV. A sua área é relativamente pequena, meio hectare, o que pode justificar-se pelo facto de na altura em que o castelo é construído a povoação ocupar já uma área demasiado grande para ser totalmente cercada.

O mais famoso dos alcaides de Sines foi Estêvão da Gama, pai de Vasco da Gama, que fez obras na fortaleza. Admitindo que Estêvão já ocupava esse posto em 1469, ano provável de nascimento do navegador, este deve ser o local de nascimento de Vasco da Gama.

À época da Guerra Peninsular, tropas napoleônicas saqueiam a vila, picando a pedra de armas com o brasão real que encimava o portão de armas do castelo.

Quando das Guerras Liberais, após a Concessão de Évora Monte (26 de Maio de 1834) foi de Sines que D. Miguel (1828-1834) embarcou para o exílio (Julho de 1834).

Houve acordo de aliança dos Reinos de Portugal e de Inglaterra no século XIX em altura de Rainha Victoria, o acordo era os senhores ingleses a ocupar os terrenos do território de Sines, de Santiago do Cacém e de Odemira, com a divisão dos terrenos de mais de numa área dois campos de futebol em atualmente ainda na cidade e no arretares de Sines e de Porto Côvo, foi a forma a iniciar a produtividade de agricultura, de animais e de cortiça nos territórios do Litoral Alentejano e o desenvolvimento das vilas de Sines, de Santiago do Cacém, de Odemira, de Santo André e de Milfontes e das aldeias de Porto Côvo, de Melides, de Abela e de Grândola.

A industria com mais produtividade para os senhores ingleses foi a da cortiça, com oito fábricas em Sines. No século XIX, com o Liberalismo, o concelho deixa de pertencer à Ordem de Santiago.

É no século XX que começa a restauração do município, em 1914. A indústria da cortiça, a pesca e alguma agricultura e turismo constituem a base da vida de Sines até ao final da década de 60, quando, além da proximidade do mar, Sines pouco se distingue do resto do Alentejo.

O grande complexo industrial criado pelo governo de Marcello Caetano em Sines, em 1970, muda o concelho. A população começa a aumentar exponencialmente e diversifica-se, a paisagem ganha novas configurações e a comunidade luta para manter a sua integridade e a qualidade de vida, mitigando os impactos negativos da instalação das novas unidades e aproveitando os positivos.

O castelo foi objeto de obras de restauro, completadas em novembro de 2008, em simultâneo com a inauguração do núcleo sede do Museu de Sines e Casa de Vasco da Gama. 

 

Fontes:

https://www.sines.pt/pages/701

https://www.castelosdeportugal.pt/castelos/Castelos(pos)SECXIII/sines.html

 

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publicado às 22:55


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