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Ainda se morre de frio

por Elsa Filipe, em 16.01.26

Faz frio. Mas em regiões como a Ucrânia, a Rússia ou a Palestina, faz frio, muito frio. 

E não há energia que permita aquecer as casas. Tem sido assim, intermitentemente, desde que a guerra começou. Zelensky decretou o estado de emergência energética e pela cidade vão-se erguendo tendas, nas quais as pessoas entram para se aquecerem, carregar os telemóveis e comer uma refeição quente. As escolas deverão ficar encerradas durante os próximos dias. O estado de espírito é de entreajuda, enquanto se tentam manter rotinas. Nos prédios, de muitos andares, não se pode usar o elevador e os mais velhos têm mais dificuldade em sair de casa, onde faz quase tanto frio como na rua.

O ano passado, foi o ano em que mais civis morreram na Ucrânia desde que a guerra começou. Os ataques russos têm destruíodo sucessivamente as estruturas energéticas do país - é a sua forma de matar e causar dano às populações mais vulneráveis sem as bombardear diretamente. Os últimos grandes ataques ocorreram a 9 de janeiro. No mesmo dia em que a Rússia atingiu Kiev com um míssel hipersónico, do qual resultaram 4 mortos, uma equipa de socorristas foi também atacada e um deles acabou por perder a vida. Só nos "primeiros dias deste ano, a agência da ONU já documentou nove ataques a serviços de saúde na Ucrânia, com duas mortes e 11 feridos."

Na noite de 12 de janeiro, "quase 300 drones de ataque, a maioria deles 'shaheds', juntamente com 18 mísseis balísticos e 7 mísseis de cruzeiro, foram lançados pelos russos contra a Ucrânia ontem à noite." Um dos locais atacados foi uma "central termoelétrica pertencente à empresa privada ucraniana DTEK," o qual sofreu "danos substanciais nos equipamentos."

A Ucrânia tem também usado drones para contra-atacar, atingindo infraestruturas russas importantes. Na semana passada, atacou também a região de Beldorod, atingindo infraestruturas energéticas russas e "deixando mais de 500 mil russos sem electricidade." Nestes ataques podem ter sido atingidos "uma empresa industrial, casas, gasodutos e veículos," na região de "Taganrog."

O direito que protege os cidadãos é o mesmo, pois colocam em risco aquelas que são as pessoas mais vulneráveis. E isso é verdade não só nas tendas de Kiev, como ainda são mais visíveis na Faixa de Gaza, onde o frio mata. Apesar do cessar-fogo, a região continua a ser bombardeada. Estes "bombardeamentos e incursões militares ocorrem num contexto de agravamento extremo da crise humanitária, marcada pelo frio intenso, falta de abrigo e colapso do sistema de saúde, que já vitimou bebés e crianças deslocadas." As temperaturas baixas chegam para matar: desde novembro, "pelo menos quatro bebés morreram de hipotermia," sendo o caso conhecido mais recente, o de "Mohammed Abu Harbid, de dois meses, que faleceu no Hospital Infantil Al-Rantisi devido a hipotermia severa," no passado domingo. No dia anterior, "um outro bebé palestiniano de apenas sete dias" tinha também perdido a vida pelo mesmo motivo: o "frio extremo" que se faz sentir naquela região. As tempestades e os ventos fortes destroem os abrigos e deixam os colchões, mantas e cobertores totalmente encharcados. Aqui, também os cortes de energia matam, principalmente os bebés dependentes de incubadores que na sua frágil vida, não encontram qualquer possibilidade de sobrevivência.

Fontes:

 

https://www.publico.pt/2026/01/09/mundo/noticia/ataque-russo-kiev-mata-quatro-ofensiva-ucrania-deixa-meio-milhao-energia-2160574

https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852028

https://www.dn.pt/internacional/extensa-destruio-ataque-atinge-infraestruturas-energticas-clnica-peditrica-e-faz-quatro-mortos

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2026-01-11-ataques-israelitas-matam-tres-pessoas-e-inverno-intenso-tira-a-vida-a-quatro-bebes-em-gaza-3833100c

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publicado às 12:58

Acordar em 2026

por Elsa Filipe, em 01.01.26

A passagem para o novo ano já aconteceu e por aqui, foi passada de pijama a observar da janela, as pessoas que festejavam nas ruas com o fogo de artifício que abrilhantava a noite fria. Enquanto a Oreo ficou perto de mim, a receber festas, a Twisty escondeu-se debaixo do sofá a tremer e lá ficou até de madrugada, horas depois da música ter cessado lá fora. Os animais sofrem nestes dias e nós nem sabemos o mal que lhes poderemos estar a fazer. Mas faz parte e respeito, porque é uma festa e tudo passa. Somos seres de rituais e alguns levam-nos mais a sério. Eu confesso que gosto de estar em casa, longe da confusão das grandes multidões, preferindo um serão de filmes ou séries a um concerto ou optanto por um jantar em família. Raramente brindo (só se estiver com pessoas que o façam, o que é raro acontecer) e ainda mais raramente me lembro de que era suposto ter passas para pedir desejos. Gosto de fazer listas de coisas e se chover no dia 1 ainda melhor, pois é mais uma desculpa para não sair de casa.

Hoje acordamos com a notícia de uma explosão nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas, num bar onde se festejava a passagem de ano. À primeira explosão, que ocorreu por volta da 1h30m locais, seguiram-se outras e um forte incêndio. A maioria dos feridos sofreram queimaduras graves e muitos ainda lutam pela vida. A localização da estância de esqui, o número de vítimas mortais e a gravidades dos ferimentos, acabam por dificultar bastante as operações. Ainda não se sabem as causas, mas fala-se que estarão relacionadas com o mau armazenamento ou com o mau manuseamento de engenhos pirotécnicos. No entanto, a "queima de fogo-de-artifício durante as celebrações da passagem de ano estava proibida em Crans Montana, tendo as autoridades locais colocado cartazes na povoação a notificar a interdição, devido a situação de seca, com falta de neve e temperaturas acima do normal para o inverno."

A partir de hoje, a Bulgária passa a ser oficialmente o "vigésimo primeiro membro" da Zona Euro, depois de ter entrado para a UE em 2007. O Euro passa assim a substituir o lev búlgaro. Por cá, passam 40 anos da entrada do país na CEE e apesar do balanço ser positivo, continuamos com muitos problemas por resolver. O preço de várias portagens vai aumentar, o preço do pão e de outros produtos vão também aumentar e os hospitais continuam a não dar conta da grande afluência de doentes. Os políticos continuam a atirar culpas uns aos outros sobre o estado do país, enquanto os candidatos à Presidência da República pedem que ninguém deixe de ir votar. 

Na Ucrânia, o momento da passagem de ano foi assinalado pelo silêncio. As luzes, poucas, apagaram-se. A morte continua à espera de um acordo. Sucedem-se os ataques e as acusações entre os dois países, com a Rússia a atacar novamente "a cidade portuária de Odessa" e a deixar mais de "170 mil casas" sem energia elétrica. Em vez de fogo de artificio, a noite contou com sirenes que alertavam para o perigo de ataques aéreos. Entretanto, há dois dias, Putin acusou a Ucrânia de atacar prepositadamente uma das suas residências, "situada na região de Novgorod." 

Infelizmente, não é por mudar o ano que o mundo reinicia. Não passamos a ser melhores pessoas e não vamos mudar os nossos hábitos. Para o fazermos, é preciso muito mais do que a passagem dos ponteiros do relógio. Como não festejamos todos em simultâneo, já é tradição que as televisões passem o último dia do ano a mostrar as muitas passagens de ano pelo mundo fora. 

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/2026-01-01-dezenas-de-mortos-em-incendio-num-bar-de-estancia-de-ski-na-suica-8530d616

https://www.rtp.pt/noticias/economia/bulgaria-torna-se-21o-pais-a-aderir-ao-euro_n1707202

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-intensifica-ataques-a-ucrania_v1707163

https://www.rfi.fr/pt/mundo/20251230-acusa%C3%A7%C3%A3o-de-ataque-ucraniano-a-casa-de-putin-e-ataque-russo-a-portos-de-odessa

 

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publicado às 12:10

Nos últimos dias, tenho dado conta de que se fala cada vez mais em drones e em ataques feitos com estes disposoitivos. Temos também assistido, a partir dos blocos noticiosos, a diversos relatos de aeronaves russas que violam o espaço aéreo de países pertencentes à NATO. Embora sem danos diretos, estes voos podem ter diferentes causas e diversas intenções, desde logo, permitir testar as defesas anti-aéreas e os tempos e formas de reação de cada país a um ataque russo.

Dsta vez, três caças entraram no espaço aéreo da Estónia e, de acordo com o governo deste país, não tinham "autorização" para o fazer e voaram "durante 12 minutos antes de serem interceptados por F-35 italianos," que estariam na região a participar "numa missão de vigilância do Báltico." Estas aeronaves, não responderam a nenhum a tentativa de "comunicação de rádio bidirecional com o controlo de tráfego aéreo da Estónia e não tinham planos de voo," o que constitui desde logo uma situação grave que podia mesmo ter levado ao abate dos caças. No caso da Estónia, esta foi a quarta vez este ano que tal aconteceu e já levou a que "vários líderes políticos europeus" condenassem "o incidente, entre os quais a ministro da Defesa da Lituânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o chefe da diplomacia alemã, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, bem como os primeiros-ministros da Suécia e da Chéquia."

Situação idêntica tinha acontecido na Polónia, cerca de uma semana antes, "depois de mais de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo do país" e levando a que aviões da NATO tivessem mesmo chegado a abater alguns deles. Este incidente levou a que a NATO, tivesse, ainda no passado sábado, avançado com a ativação da "iniciativa militar Sentinela Oriental, criada para reforçar a defesa do flanco oriental." 

No caso da Polónia, este ato foi considerado como uma provocação, que deve ser levada a sério pela NATO, tendo ainda solicitado "uma reunião extraordinária do conselho de segurança da ONU." Entretanto, "dois caças russos sobrevoaram a baixa altitude a plataforma Petrobaltic, no Mar Báltico," violando a "zona de segurança da plataforma."

Sobre a mesma situação, Portugal, através de Paulo Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros), "convocou o embaixador russo para pedir explicações" acerca da "invasão do espaço aéreo e da fronteira" da Polónia. Não nos podemos esquecer que o nosso país está, apesar de tudo, envolvido diretamente na defesa do espaço aéreo e marítimo europeu, seja através da sua participação ativa em missões da NATO, seja pela importância da sua localização geográfica, particularmente, da base das Lajes, sita nos Açores.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já veio, no entanto, em defesa do seu homólogo russo, dizendo que se poderia ter tratado apenas de um "acidente," ou "um erro," embora estes atos estejam a ser vistos por algumas forças da NATO, como testes às defesas aéreas de países que fazem parte da organização, bem como, atos de provocação, para incitar a que outros países se envolvam na guerra. O perigo, é nunca sabermos de que lado é que ele está e, isso sim, é um perigo!

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/09/19/mundo/noticia/estonia-denuncia-violacao-espaco-aereo-cacas-russos-2147853

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-15-polonia-abate-drone-que-sobrevoava-edificios-do-governo-e3b559fa

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-09-20-ucrania-sugere-resposta-energica-a-incursao-de-cacas-russos-na-estonia-bdbb0d64

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-11-portugal-convoca-embaixador-russo-por-causa-de-intrusao-no-espaco-aereo-polaco-1e881941

https://pt.euronews.com/2025/09/19/tres-cacas-russos-invadiram-o-espaco-aereo-da-estonia

https://expresso.pt/internacional/uniao-europeia/2025-09-19-estonia-denuncia-violacao-do-espaco-aereo-por-cacas-russos-e-solicita-reuniao-ao-abrigo-do-artigo-4-da-nato-7533e6fb

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publicado às 13:21

Quando se discute o futuro da Europa

por Elsa Filipe, em 17.08.25

Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).

Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?

Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...

Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22." 

Para quê? Com que intenção?

Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."

O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?

Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."

Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.

Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz... 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-15-trump-e-putin-reunem-se-no-alasca-0025aa1e

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-16-os-avioes-militares-com-que-trump-tentou-impressionar-putin-7a1d9263

 

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publicado às 22:25

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa.

Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Guerra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas FilipinasMalásiaSingapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar?

A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."

Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945)

 

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publicado às 20:10

Sismo na Rússia, Pacífico em alerta

por Elsa Filipe, em 30.07.25

Esta madrugada, (00h24 de Portugal continental e 11h24 da manhã de quarta-feira no mar de Kamchatka), foi sentido um sismo de 8.8 na escala de Richter. O epicentro "foi registado no mar," na região de Kamchatka, Rússia, "a cerca de 130 quilómetros da costa" e a uma profundidade de "18,2 quilómetros," e a "119 quilómetros da cidade russa de Petropavlovsk-Kamchatsky, com 180.000 habitantes, na península de Kamchatka."

Apesar de muito perto do território russo, e da intensidade do abalo, o risco estendeu-se a praticamente toda a costa do Pacífico, devido à elevada probabilidade da ocorrência de tsunamis que atingissem a costa.

Neste momento, de acordo com as autoridades russas, existe apenas registo de feridos leves, resultantes da queda de pedras de alvenaria, telhados e varandas, embora exista a possibilidade de haver vítimas em locais menos acessíveis que não tenham sido identificadas. Foram emitidos diversos alertas de tsunami, tendo em alguns locais as ondas atingido "os 10-15 metros de altura," resultando em ferimentos em "várias pessoas."

Além da onda que atingiu a Rússia, provocando inundações na região de Severo-Kurilsk, houve outros eventos a registar. No Japão, a populção foi colocada em alerta devido à iminência de ocorrência de tsunamis, tendo a central nuclear de Fukushima sido evacuada.

O "vulcão Klyuchevskoy, na península russa de Kamchatka, entrou em erupção na sequência do forte impacto do sismo."

Vários dos avisos emitidos acabaram por ser levantados ao longo do dia, chegando a estar ativo um alerta vermelho de tsunami para a região do Chile. Este é um dos vários países "banhada pelo Oceano Pacífico" onde se procedeu à evacuação de "centenas de pessoas" das zonas costeiras. Entre esses países estão as "Filipinas, a Indonésia, a Austrália ou a Nova Zelândia, ou o Equador e o Chile na América do Sul," que se encontram "também em prontidão, mas não sujeitos por agora a um alerta de tsunami ou a ordens de evacuação."

Um dos locais que também foi afetado, foi o Perú, onde os seus "126 portos" acabaram por ser encerrados devido ao risco de tsunami. Apesar de se localizar a milhares de quilómetros do epicentro, o Havai foi também atingido por várias ondas, embora de pequenas dimensões, o mesmo acontecendo na região da Califórnia.

Este sismo estará entre os dez sismos de maior magnitude registados nos últimos anos, mas apesar da sua intensidade os danos foram menores quando comparado com outros. A diferença estará na localização do seu epicentro e da sua profundidade. Durante o último mês tinham sido registados diversos abalos na região. 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-07-30-sismo-de-87-registado-ao-largo-da-russia-186b765b

https://observador.pt/liveblogs/apos-sismo-de-magnitude-88-na-costa-russa-sao-emitidos-alertas-de-tsunami-no-japao-eua-nova-zelandia-china-filipinas-e-outros/

https://www.publico.pt/2025/07/30/ciencia/noticia/sismo-forte-extremo-oriente-russo-coloca-orla-pacifico-alerta-tsunami-2142242

https://www.nowcanal.pt/ultimas/detalhe/sabe-como-se-formam-os-tsumanis-descobra-aqui-o-impacto-do-sismo-na-russia

 

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publicado às 19:09

O mundo não está a ver?

por Elsa Filipe, em 02.07.25

Basta ligarmos a televisão. Em todos os blocos noticiosos, em qualquer canal, as imagens de ataques e contra-ataques sucedem-se. Em direto, assistimos à guerra, enquanto os comentadores televisivos tecem as suas achegas e opiniões sobre como, onde e porquê cairão os próximos mísseis.

O povo da Palestina continua a ser massacrado pelos constantes "ataques das forças israelitas na Faixa de Gaza." Só ontem, contaram-se "pelo menos 74" mortos, 30 dos quais estariam junto a um café onde tentavam carregar os telemóveis, num dos poucos negócios que ainda se mantêm abertos naquela região. Este local, tornou-se um dos poucos sítios, "onde as pessoas se juntam para carregar os telemóveis e ter acesso à Internet. À hora do ataque estava cheio de mulheres e crianças." Para além "dos 30 mortos, dezenas de pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade." De um outro ataque, resultaram "15 mortos."

Outras 23 pessoas "morreram quando tentavam obter ajuda alimentar." De acordo com informações do "hospital Al-Aqsa," seis pessoas terão morrido depois do edifício onde se encontravam ter sido "bombardeado perto da cidade de Zawaida, no centro da Faixa de Gaza." Já ao "hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, no sul do país," chegaram "os corpos de pessoas baleadas quando regressavam de um local de distribuição de ajuda da Gaza Humanitarian Foundation (GHF, na sigla em inglês), onde soldados israelitas denunciaram ter ordens superiores para disparar sobre as multidões." Desde o final do mês de maio, terão já sido mortas "pelo menos 410 pessoas nestes centros de distribuição."

Estes serviços de distribuição de comida, são tutelados por Israel e pelos EUA, o que levanta muitas outras questões.

Na Ucrânia, "pelo menos 20 civis foram mortos e centenas ficaram feridos em ataques de drones e mísseis russos." no último dia 25. O presidente Volodymyr Zelenskyy continua a tentar negociar "mais ajuda ocidental para os esforços do seu país para repelir as forças russas." Mas não foi possível impedir um ataque russo com "mísseis balísticos," que atingiu "vários locais civis," nas cidades de "Dnipro" e de "Samar." Para além dos mortos, há a lamentar "cerca de 300 feridos." Um dos mísseis terá feito "explodir as janelas de um comboio de passageiros que transportava cerca de 500 pessoas."

Na madrugada de 28, a Ucrânia sofreu um dos mais mortíferos ataques. A "cidade de Samar, no oblast de Dnipropetrovsk," foi atingida e "cinco pessoas" perderam a vida, registando-se ainda 25 feridos. Na mesma noite, na "cidade portuária de Odessa, no sul do país, um casal foi morto por um drone russo que atingiu um edifício residencial de 21 andares. O ataque provocou um grande incêndio em três andares, ferindo pelo menos 14 outras pessoas, incluindo três crianças."

A Rússia voltou ainda a bombardear Kherson, atingindo "bairros residenciais e infraestruturas críticas," e provocando  quatro mortos "civis e ferindo pelo menos onze outros." Já na região de "Sumy, no nordeste da Ucrânia, um ataque de drones na segunda-feira matou três civis, incluindo um menino de cinco anos," tendo ainda feito seis feridos.

Só durante o último mês, a Rússia terá lançado "um número recorde de 5.438 drones contra a Ucrânia," enquanto que há um ano, "o número total de drones lançados por Moscovo" contra território ucraniano tinha sido "de 332." E aqui entra armamento proveniente de duas grandes potências - a China e o Irão. Desde o início dos ataques, em 2022, "a Rússia tem utilizado drones Shahed, fabricados e importados do Irão. Mais tarde, Moscovo introduziu os UAV Geran, que são cópias exatas dos drones Shahed, mas fabricados na Rússia."

"Mais recentemente, foram também utilizados os Garpiya-A1," que se assemelham "aos drones Shahed, mas utilizam componentes chineses." Nos seus ataques, a Rússia começa por lançar "chamarizes", ou seja drones e mísseis que não estão armados, de forma a sobrecarregar a capacidade de defesa da Ucrânia, "seguido de ataques coordenados com mísseis de cruzeiro e balísticos."

Fontes:
https://www.publico.pt/2025/07/01/mundo/noticia/ataques-israelitas-matam-74-pessoas-gaza-incluindo-30-cafe-junto-mar-2138478

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/25/pelo-menos-20-mortos-em-ataques-na-ucrania-enquanto-zelenskyy-se-encontra-com-os-aliados-o

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/07/01/russia-lancou-um-numero-recorde-de-5337-drones-contra-a-ucrania-so-em-junho

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/28/pelo-menos-10-mortos-em-ataques-noturnos-com-misseis-e-drones-na-ucrania

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publicado às 22:50

Razões que a razão desconhece

por Elsa Filipe, em 19.06.25

Sou só eu que acho que atacar uma central nuclear, pode correr mal, mesmo muito mal?

Ou será que a ideia é destruir a central e, aproveitando, destrruir um ou dois países ali à volta, já que não nos "estamos" a entender com eles? É que, sinceramente, isto está a começar a cheirar muito mal. Segundo afirmou Donald Trump, "ainda não decidiu se vai intervir militarmente," embora exista a possibilidade de "apoio a um ataque israelita às instalações nucleares do Irão." O Irão acusou ainda "a Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas de agir como parceira da guerra de agressão de Israel." Aquilo que parece estar aqui em causa, não é só a guerra entre o estado judaico de Israel e o regime autocrático do Irão, mas abrange outras duas grandes potências - os EUA e a Rússia. E está a ser complicado perceber quem está a apoiar quem, havendo interesses que vão muito além da política externa da qual se vai falando por aí.

O Irão acabou, há poucas horas, por se manifestar contra o apoio dos "Estados Unidos" a Israel, "avisando que tal ação teria como consequência uma resposta severa”. Já numa declaração feita numa visita ao Líbano, a intervenção do "Hezbollah, movimento armado libanês apoiado pelo regime iraniano," é visto pelos EUA como uma "péssima decisão."

A guerra entre o Irão e Israel não é nova - aliás tem décadas - mas as coisas parecem ter piorado de uma semana para a outra assim "do nada". Voltemos a 2010, quando um "vírus informático Stuxnet - amplamente atribuído aos serviços secretos norte-americanos e israelitas - desativou as centrifugadoras iranianas." Já em julho de 2020, um ataque alegadamente de origem israelita terá danificado "gravemente uma central de centrifugação em Natanz e, mais tarde nesse ano, o cientista nuclear de topo Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado perto de Teerão." No ano seguinte, "o Irão voltou a culpar Israel por um apagão em Natanz e, pouco depois," terá começado "a enriquecer urânio a 60%." Em 2022, estas acusações foram aumentando "ainda mais, com o Irão a acusar Israel de envenenar dois dos seus cientistas nucleares sem apresentar provas." As relações entre os dois estados agravaram-se ainda mais quando, depois dos ataques de 7 de novembro, o Irão "manifestou o seu apoio" ao Hamas. 

Os ataques mútuos, apesar de frequentes, não eram diários e andávamos talvez distraídos com outras guerras. Depois de diversos "atos de sabotagem e ataques aéreos," foi lançada no "início de 2024, uma operação israelita" que resultou em danos num "gasoduto iraniano."  A 1 de abril do mesmo ano, "um ataque com mísseis destruiu o consulado do Irão em Damasco, matando dois generais e 14 outras pessoas."

Em retaliação, "o Irão lançou mais de 300 mísseis e drones num ataque direto a Israel, a maioria dos quais" acabou por ser "intercetada." Em outubro seguinte, "Israel conduziu os seus primeiros ataques diretos no interior do Irão, visando as defesas aéreas e locais onde existiam mísseis." A Mossad tem aqui um papel importante, por ter sido responsável por montar "uma base secreta para drones explosivos no interior do Irão semanas antes da operação, que foi posteriormente utilizada para atacar plataformas de mísseis superfície-superfície."

Na passada sexta-feira, Israel anunciou que iria avançar com "uma operação militar de grande envergadura contra alvos nucleares e militares no Irão, sob o nome de Lion Rising," referindo que pretende “eliminar a ameaça iraniana à existência do Estado hebreu”. Durante esta última semana, a Mossad terá investido pelas "profundezas do território iraniano, visando sistemas de mísseis, defesa aérea e infraestruturas nucleares."

Durante esta noite foram lançados vários mísseis de parte a parte. Um hospital israelita, "em Be'er Sheva, no sul," bem como um outro em "Holon e Ramat Gan, no centro do país," acabaram por ser atingidos. O balanço mais recente é de "65 pessoas" feridas, embora de forma "leve". Israel fala em crime de guerra, porque o ataque atingiu alguns edifícios hospitalares - faz-me lembrar alguma coisa, hum... a vocês não? Um outro míssil iraniano terá também conseguido "furar" a Hiron Dome israelita e acabou por atingir "a base de um arranha-céus na rua Jabotinsky em Ramat Gan, perto do centro de Telavive e a cerca de 200 metros da bolsa de diamantes da cidade."

Entretanto, as "Forças de Defesa de Israel" atacaram "dezenas de alvos militares no Irão e foi emitido um aviso instando os civis a evacuar a área em torno do reator de água pesada de Arak." Os EUA já reforçaram as suas bases militares no Médio Oriente, tentando, entre outras coisas, evitar o "encerramento do Estreito de Ormuz."

O que a mim também não me faz sentido - mas que vindo daqueles lados, já começa a parecer normal - é a intenção demonstrada por Vladimir Putin de ser mediador do "fim do conflito entre Israel e o Irão, ao mesmo tempo que Moscovo intensifica a sua guerra contra a Ucrânia." A Rússia, alertou para as consequências de um "eventual" apoio dos "Estados Unidos contra qualquer intervenção militar no conflito entre o Irão e Israel," dizendo que estas pode ser "verdadeiramente imprevisíveis.” O presidente russo chegou mesmo a sugerir "que o Kremlin poderia ajudar a negociar um acordo que permitisse a Teerão prosseguir um programa nuclear pacífico, ao mesmo tempo que atenuaria as preocupações de segurança de Israel." Que interesse está por trás desta mediação e que solução poderia aqui ser encontrada, tendo em conta os interesses dos envolvidos?

E deixo aqui outra questão. Parece que estamos longe e que não é nada que nos possa atingir, mas sabemos que não é bem assim. De que lado se coloca a UE? As opiniões dividem-se, mas há que explicar que a "UE considera que o Irão é a principal influência desestabilizadora no continente europeu, através do seu apoio militar à Rússia."

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/06/19/putin-diz-que-russia-pode-mediar-acordo-entre-israel-e-irao-enquanto-intensifica-ataques-a

https://pt.euronews.com/2025/06/19/hospital-no-sul-de-israel-atingido-por-missil-iraniano-informam-as-autoridades

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/19/ue-dividida-quanto-ao-direito-de-israel-bombardear-o-irao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-no-medio-oriente-a-evolucao-do-conflito-entre-israel-e-irao_e1663271

https://pt.euronews.com/2025/06/13/cronologia-como-ocorreu-a-escalada-do-conflito-entre-israel-e-o-irao

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publicado às 15:20

Estamos na Páscoa, mas...

por Elsa Filipe, em 20.04.25

É tempo de festa para uns, fé para outros, mas independentemente da religião e crenças de cada um, deveria ser um tempo de paz, de respeito e de tolerância. Mas o que mais se vê, é ódio. Quero acreditar que o ser humano consegue ser melhor do que isto...

O presidente Vladimir Putin declarou uma trégua durante o período de Páscoa, com o anúncio de um cessar-fogo. No entanto, o ato não passou de um anúncio, já que no terreno, os ataques continuaram. 

Kiev acusa a Rússia de ter duplicado "o uso de drones kamizakes."  

Na província de Kherson, "três pessoas morreram" devido a ataques russos.

De acordo com declarações à imprensa do presidente Zelensky, "até agora, de acordo com relatórios do comandante-chefe, as operações de ataque russo continuam em vários setores da frente e o fogo da artilharia russa não diminuiu," sobretudo na "frente de Pokrovsk, localizada na região de Donetsk e uma das prioridades nos esforços da Rússia para continuar a ganhar terreno no leste da Ucrânia."

Fontes:

https://www.dw.com/pt-br/ucr%C3%A2nia-relata-ataques-russos-apesar-da-tr%C3%A9gua-de-putin/a-72290346

 

 

 

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publicado às 22:28

Crimes de guerra

por Elsa Filipe, em 15.04.25

Falamos em crimes de guerra quando os alvos atacados não têm fundamento militar ou estratégico. 

Falamos em crimes de quando são violados os direitos contra a humanidade.

Um bombardeamento russo a uma cidade ucraniana resultou em 35 mortos e 117 feridos. "Moscovo alega ter alvejado uma reunião de comandantes militares, mas os dois mísseis balísticos atingiram zonas civis. Trump responsabilizou Joe Biden e Volodymyr Zelensky por esta guerra." 

No passado dia cinco deste mês, um ataque a uma zona residencial na região de Kryvyi Rih, resultou na morte de "18 pessoas, incluindo nove crianças, e feriu mais de 30."

No artigo 11º, secção 2, da Lei n.º 31/2004, de 22 de Julho, constam como crime de guerra, quem "atacar a população civil em geral ou civis que não participem directamente nas hostilidades", "atacar bens civis, ou seja, bens que não sejam objectivos militares", "atacar, por qualquer meio, aglomerados populacionais, habitações ou edifícios que não estejam defendidos e que não sejam objectivos militares", "Lançar um ataque indiscriminado que atinja a população civil ou bens de carácter civil, sabendo que esse ataque causará perdas de vidas humanas, ferimentos em pessoas civis ou danos em bens de carácter civil, que sejam excessivos..." e muitos outros.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-russo-mata-35-pessoas-na-ucrania-e-trump-culpa-kiev_v1648024

https://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?artigo_id=123A0009&nid=123&tabela=leis&pagina=1&ficha=1&so_miolo=&nversao=

https://www.publico.pt/2025/04/05/mundo/noticia/ataque-russo-mata-18-pessoas-incluindo-nove-criancas-cidade-zelensky-2128674

 

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publicado às 22:41


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