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Já se elegeu o Presidente da República

por Elsa Filipe, em 09.02.26

Finalmente, o meu coração tranquilizou um pouco. Afinal, o nosso país ainda tem muita gente de bem que não quer voltar a uma memória passada que não pode ser esquecida. Como se esperava, o eleito para Presidente da República foi António José Seguro, deixando em segundo lugar nesta segunda volta o líder do Chega André Ventura. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir e que deixou várias zonas do país destruídas, sem água e sem luz, alguns concelhos não foram ainda a votos tendo nestes casos o ato sido adiado para o próximo domingo, dia 15 de fevereiro. 

No fim de contas, ganhou a democracia, a união da esquerda, do centro e de muitos, muitos votantes de direita, contra o risco de termos na Presidêncioa alguém com valores muito pouco humanos e ainda menos democráticos. De lembrar, que André era o homem que dizia que o país precisava de "três Salazares" e que, apesar de ter perdido, afirmou que "o resultado alcançado" servia para colocar o Chega "no caminho para governar o país," reforçando a ideia de que reforçando a ideia de que os portugueses tinham dado "ao partido um sinal de crescimento e de afirmação no panorama político nacional." Felizmente, ainda não foi desta...

Mas quem é o novo Presidente? Confesso que conhecia muito pouco sobre Seguro e que acabei por ler alguns artigos e ver algumas entrevistas para me inteirar sobre o seu percurso. Se na primeira volta, poderei ter andado um pouco indecisa inicialmente, na segunda volta, não houve qualquer dúvida sobre em quem recairia o meu voto.

Nascido a 11 de março de 1962, em Penamacor, licenciou-se "em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa," tirando depois o Mestrado "em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL." Destaca como "pilares" de vida, "os valores transmitidos pelos pais, honestidade, ética e trabalho." É casado e tem dois filhos.

"Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor," terra com a qual ainda "hoje mantém ligações." Na juventude, esteve sempre ligado "ao associativismo, ao desporto e à cultura" e, como muitos jovens daquela época, fez "parte do jornal da escola," tendo mais tarde fundado o jornal “A Verdade de Penamacor”, do qual acabou por ser diretor. Junto com "o primo Jorge Seguro Sanches," criou uma "associação cívica," denominada "Geração 2000." Escreveu ainda para o "semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo"." 

Na política, a sua carreira efetivamente começou na "Juventude Socialista (JS)" da qual foi líder na década de 90, começando a "aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS," e lhe dá o lugar de "chefe de gabinete do secretário-geral." Foi também "presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude, de 1989 a 1993) e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas." 

Nas legislativas de 1991 tinha sido eleito deputado, mas é "a partir de 1994," que comneça a fazer "parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional."

"Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude," e de cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares."

"Entre 1999 e 2001, foi deputado ao Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Em 38 anos de participação europeia, António José Seguro foi o único português a quem foi atribuída a responsabilidade de elaboração de um relatório sobre um Tratado Europeu." Ainda na Europa, foi também "vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, com o pelouro da Organização Mundial do Comércio, presidente da Delegação dos Deputados Socialistas Portugueses e presidente da Delegação para as relações com os países da América Central, México e Cuba."

Em 2001, acaba por renunciar e substitui Armando Vara, no cargo de "ministro-adjunto do primeiro-ministro," a pedido de António Guterres. Em 2002, acaba por regressar "à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (entre 2004 e 2005), tendo presidido às Comissões Parlamentares de Educação e Ciência (X Legislatura) e de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura). Dirigiu também o Gabinete de Estudos do PS, de 2002 a 2004."

Em 2004, apesar de ter mostrado essa disponibilidade, acaba por não concorrer à liderança do partido socialista, talvez por influência ou a pedido de Jorge Coelho, e é Sócrates que acaba no poder. Seguro foi-se mantendo "na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia." Em 2007, acabaria esmo por coordenar "os trabalhos de reforma e modernização da Assembleia da República, conhecida como a Reforma de 2007, na base do relatório que ele próprio coordenou no interior do seu grupo parlamentar."

Só em 2011, volta a mostrar que tem vontade de avançar "para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis," ganhando "com 68% dos votos" e sucedendo assim "a José Sócrates como secretário-geral do PS. Foi ainda reeleito, em abril de 2013, com mais de 95% dos votos."

Esteve nesse cargo até "setembro de 2014," altura em que foi então "derrotado por Costa, obtendo cerca de 32% dos votos, demitindo-se assim da liderança do Partido Socialista e renunciando aos mandatos de conselheiro de Estado e de deputado à Assembleia da República."

Dedicou-se nos últimos anos a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas," salvo em algumas exceções. Continua a produzir "vinho e azeite em homenagem ao pai, projetos que descreve como fonte de felicidade e de ligação às origens." 

Apresentou a sua candidatura a 3 de junho de 2025, "sem qualquer garantia de apoio por parte do Partido Socialista." Mesmo sem esse apoio, avançou e conseguiu "vencer a primeira volta, com 31,11% dos votos." No entanto, estes valores não lhe garantiam o lugar e teve mesmo de ir à segunda volta da qual saiu vencedor, "com o maior número de votos de sempre numas Presidenciais, ultrapassando Mário Soares."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-quem-e-antonio-jose-seguro-o-novo-presidente-da-republica--357b8142

https://sicnoticias.pt/podcasts/alta-definicao/2025-09-27-antonio-jose-seguro-gostava-muito-de-ter-sido-primeiro-ministro-mas-essa-possibilidade-nao-se-concretizou.-ha-mais-vida-para-alem-disso-31a2e22c

https://nossaeuropa.eu/pt/direccao/antonio-jose-seguro

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-portugueses-votam-este-domingo-na-segunda-volta-das-eleicoes-presidenciais-6812035c

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-o-discurso-de-andre-ventura-na-integra-67747cb9

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jos%C3%A9_Seguro

 

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publicado às 11:54

A primeira já está... vamos à segunda volta

por Elsa Filipe, em 18.01.26

Hoje o país foi votar e, tal como era anunciado pelas muitas sondagens que foram apresentadas nos últimos dias, António José Seguro e André Vaentura passam à segunda volta. Em causa está o lugar mais alto da nação, o cargo de Presidente da República. Depois de se terem confirmado os dois candidatos que passam à segunda volta, começam a manifestar-se os interesses de voto para ambos os lados. Ainda as urnas não se tinham fechado e já se perspetivava que a segunda volta seria disputada por estes dois candidatos: um da esquerda democrática, o outro da extrema direita. Estas eleições ficaram desde logo marcadas pela grande afluência às urnas e pela diminuição dos números da abstenção.

Desde logo, Seguro que não tinha sido inicialmente apoiado pelo PS, começa agora a receber apoios e votos de confiança de figuras como José Luís Carneiro, Catarina Martins, ou José Manuel Pureza. Também Jorge Pinto, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, do Livre, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referem que vão dar o seu apoio a Seguro. Paulo Raimundo diz mesmo que o seu "voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições."

Nem Cotrim, nem o Primeiro-ministro Luís Montenegro, recomendam ou endossam o seu voto para esta segunda volta, o que nos deixa com algumas questões. Se por um lado, nada os obriga a dizer em quem vão votar, por outro a não escolha pode significar uma virada ao extremismo que, se virmos bem as coisas, não tem sido descartado por estes políticos. Cotrim havia até referido, uns dias antes das eleições que poderia votar em Ventura, o que mesmo tendo sido um lapso, não deixa de ser um ponto a considerar. Do lado dos liberais e contrariamente à opinião manifestada por Cotrim de Figueiredo, tanto José Miguel Júdice, como Mário Amorim Lopes, afirmam votar em Seguro. Já do lado do PSD e, contrariamente à opinião de Luís Montenegro, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte (autarca do Porto) já vieram manifestar-se a favor de apoiar Seguro, pois a outra candidatura seria impensável num país que se quer democrático.

Já o líder do Chega, André Ventura, "considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita". Desde logo, Ventura começou por se dizer líder da direita nacional e que  Os seus atos e declarações foram, para quem os observou bem, cheios de simbolismos: a Família, a postura da esposa ao seu lado, a saída da igreja onde tinha ido assistir à missa... e é nesse momento que apela a um “radicalismo de convicções” contra "o fim dos valores cristãos." E quem for de direita sem ser cristão? É que estamos num país que ainda, ao que sei, é laico... estranho, não é? O mesmo candidato que uns dias antes, tinhe referido a “matriz cristã” do país, condenando a “imigração descontrolada” que deixou o país “dilacerado” e destruído” e que havia terminado as suas declarações, defendendo uma liderança “com radicalismo de convicções”.

Na minha opinião, o voto é livre e deve ser feito em consciência. Temos agora alguns dias para ponderar em qual dos dois candidatos queremos votar, mas não nos devemos esquecer que estamos a eleger o maior representante do país. Cá dentro, mas sobretudo, lá fora. Queremos alguém impulsivo, ou ponderado? Queremos moderação e estabilidade, ou mudança a mascarar os extremismos? Exerçam o vosso voto de forma consciente - vão ser cinco anos. 

E sim, já perceberam em quem é que vai recair o meu voto.

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publicado às 23:55

Daqui a uma semana, iremos a eleições. Mas já há quem tenha votado. A ida às urnas iniciou-se logo no dia 6 de janeiro, nos círculos da emigração. Quem vive no estrangeiro, viu-se "obrigado a deslocar-se a um posto consular, nalguns casos a centenas de quilómetros de distância de casa," se quis "participar na escolha do próximo Presidente da República."

Votar não é obrigatório, mas é um direito e nem a distância deveria ser um impedimento. Poderia ser mais fácil? Sim, poderia. Por algum motivo, ainda não é possível usar as novas tecnologias a favor da participação em eleições, preferindo-se aceitar que muita gente não irá às urnas, abstendo-se de participar num ato tão importante. Apesar da possibilidade de votarem a partir do dia 6, muitos portugueses queixam-se de falta de informação. 

Amanhã, dia 11, já se pode votar em Portugal (incluindo ilhas), ou seja, quem tenha decidido votar antecipadamente e se tenha inscrito até à última quinta-feira, "por não conseguir deslocar-se às urnas no dia das eleições, 18 de janeiro, vai poder votar apenas este domingo," no local por si "selecionado."

Aliás foi por causa dos votos da emigração que não foi possível corrigir os boletins de voto e iremos ter 14 nomes, sendo que "apenas" 11 candidatos vão a votos! Mesmo assim, onze, é um dos maiores números de candidatos de sempre. Por algum motivo, "a definição dos nomes que neles vão constar tem que ocorrer antes do processo de validação das candidaturas," e esta discrepância nas datas, fez com que este fenómeno pudesse acontecer. Na minha opinião, isto poderia ter sido corrigido, mas parece que foi mais fácil aceitar que ia ser assim e pronto. " O primeiro nome que aparece no boletim é o de Ricardo Sousa," aparecendo depois misturados nos restantes, os nomes "de Joana Amaral Dias e o de José Cardoso," mas marcar a cruz em qualquer deles será igual a voto nulo. Penso que ninguém vá, sem que o faça propositadamente, marcar o nome num destes nomes, mas depois de conversar com uma colega minha que já esteve em mesas de voto, sim parece ser possível que as pessoas se enganem.

E assim vai Portugal. Com pessoas que votam sem saber em quem votam e com um Tribunal Constitucional que permite a passagem de 14 nomes, sem os ter antes confirmado.

E depois temos aqueles onze. No grupo da frente, afastados por uma pequena percentagem que vai oscilando consoante a origem da sondagem ou o dia da semana, estão António José Seguro, Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura. Depois, com alguma distância, vêm Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Sugiro a leitura do Perfil de cada candidato nesta página, caso tenham alguma curiosidade. Neste grupo de personalidades, algumas mais conhecidas do que outras, há de tudo um pouco. Uns declaradamente mais à Direita e outros mais à Esquerda. Houve esta semana até a discussão sobre se alguns candidatos poderiam desistir para que os votos não ficassem tão dispersos e se concentrassem mais num candidato do que noutro, numa clara tentativa da Esquerda para não se deixar vencer pela Direita. Na política, vale (quase) tudo. 

Entretanto, lá vão puxando a brasa às suas sardinhas e referindo este ou aquele nome, como apoiante ou inspiração, numa clara tentativa de apelar às memórias e ao coração dos eleitores. Mário Soares, Cavaco Silva ou Francisco Sá Carneiro, são apenas exemplos desta ida constante ao baú.

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/mais-cm/especiais/eleicoes-presidenciais-2026/detalhe/um-em-cada-seis-eleitores-esta-no-estrangeiro-e-nao-pode-votar-a-distancia

https://observador.pt/opiniao/o-espelho-do-estado-num-boletim-de-voto-com-14-nomes/

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026-01-08-ultimo-dia-para-se-inscrever-e-poder-votar-antecipadamente-em-mobilidade-nas-eleicoes-presidenciais-63e73be2

https://sapo.pt/artigo/conheca-o-perfil-de-cada-um-dos-11-candidatos-6957deca7f0df3a885b27763

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publicado às 19:33

A caminho das presidenciais 2026

por Elsa Filipe, em 30.11.25

Começaram os debates entre os os candidatos para a Presidência da República. Estes debates permitem-nos conhecer um pouco mais sobre as ideias de cada candidato, mesmo quando estes se calam ou mudam de assunto perante questões mais incómodas. As eleições, que se realizarão a 18 de janeiro, poderão ser realizadas em duas voltas, uma vez que, de acordo com a lei portuguesa, o candidato à presidência da República "deve receber a maioria absoluta dos votos para ser eleito. Se nenhum candidato alcançar a maioria na primeira volta, deve ser realizada uma segunda volta, entre os dois candidatos que receberam mais votos na primeira."

Nestas eleições, concorrem para já 8 candidatos (mas chegaram a ser mais).

Aquilo que tenho notado (e porque andamos a falar sobre a queda da monarquia e a implantação da República), é que a grande maioria dos jovens não sabe quais são as funções do Presidente da Raepública e confundem-no com o Primeiro Ministro. Estes jovens, que agora ainda não votam, não fazem ideia de quem foi Mário Soares, Jorge Sampaio ou Cavaco. E se posso estar a pedir muito, talvez não seja assim tão descabido que lhes seja explicado o que é um partido de extrema esquerda e de extrema direita, quais as implicações de estarmos na União Europeia e na NATO.

Em Portugal o presidente da República "atua como chefe de Estado com funções principalmente cerimoniais, embora tenha alguma influência política e possa dissolver o Parlamento durante uma crise." Para conhecermos um pouco mais sobre os candidatos, temos vários programas televisivos e de rádio. Desde logo, o programa "Grande Entrevista" brilhantemente conduzido por Vitor Gonçalves na RTP. Há também um ciclo de debates (28 ao todo) transmitidos de forma intercalada pelos três principais canais, que opõem num frente a frente moderado por um jornalista, todos os candidatos. O formato é interessante, enquanto dois candidatos debatem num canal, todos os outros vão discutindo o que está a ser dito. Podemos ir mudando de canal se quisermos escutar o que é dito pelos comentadores em vez de prestar atenção aos próprios candidatos, porque há muita palha a ser mastigada entre uma e outra questão. O que mais me choca, é a incapacidade de se ouvirem e de nos deixarem ouvir. A técnica usada por alguns é interromper o outro de tal forma que, no fim, não conseguimos espremer nada de jeito. 

Em corrida, destaco agora:

Luís Marques Mendes (PSD), Catarina Martins (BE), António José Seguro (PS), António Filipe (PCP), João Cotrim Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo (Ind), André Ventura (Chega), Jorge Pinto (Livre), José Cardoso (PLS), Joana Amaral Dias (ADN), Vitorino Silva (Ind), André Pestana (Ind) e Aristides Teixeira (Ind). Alguns são mais conhecidos do que outros, pelo menos no que respeita ao panorama e à experiência política.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_portuguesas_de_2026

https://www.rtp.pt/noticias/politica/candidatos-a-presidencia-da-republica_i1696454

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publicado às 10:14

Ontem assinalou-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Esta data foi escolhida por ser a data (conhecida) da morte do poeta Luís de Camões. Este feriado começou, aiás, por ser celebrado apenas como feriado municipal em Lisboa, "dedicado a Camões," mas com o Estado Novo acabou por ser elevado "a feriado nacional, como o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça»." A Revolução de 25 de abril, trouxe-lhe uma nova designação: "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses" - desaparecendo o termo "raça", usado pelo regime. Depois da vitória - no passado domingo - da equipa das quinas, contra a seleção espanhola, nada melhor do que homenagear os portugueses. 

Nesta data, presta-se homenagem a Portugal, aos portugueses, à cultura lusófona e à presença portuguesa por todo o mundo. São habitualmente feitas cerimónias públicas em que o Presidente da República e outras entidades, discursam. Este ano as celebrações realizaram-se em Lagos. Estas celebrações são uma boa "oportunidade de assistir ao desfile das forças armadas, em terra e no mar, à exposição dos meios militares, às bandas e orquestra militares e civil e, ainda, à atuação da charanga a cavalo da GNR, a única no mundo que executa trechos musicais nos três andamentos, a passo, a trote e a galope."

Nas comemorações deste ano, o Presidente da República condecorou o antigo Presidente da República, Ramalho Eanes, destacando também o trabalho das diferentes Forças Armadas Portuguesas. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o general "merece como ninguém o primeiro grande-colar da Ordem Militar da Avis, nunca atribuído".

O ainda Presidente da República, com a sua presença carismática, afirmou no seu discurso que "Isto é Portugal, os portugueses e as portuguesas, e nele os nossos combatentes, os nossos militares, esses militares que aqui estão, todos os anos pelo 10 de Junho, mas estão na nossa História desde que nascemos." Na sua originalidade, e não deixando de ser uma pessoa interventiva (às vezes mais do que o esperado e, quando não fala, acabamos por estranhar) e, neste discuros, lá foi dando achada daqui, bordoada dali, as suas palavras sobre a importância de sermos um país construído a partir de muitas culturas, de uma história rica em invasões e conquistas. Um país multicultural e, por isso, um país que é mais rico. Sobre as Forças Aramadas referiu que "Portugal foi um reino feito por esses soldados" e que hoje somos "uma pátria que vive em liberdade e democracia feitas por esses soldados".Mas muitos não interpretaram assim as palavras de Marcelo e criticaram a sua posição, não percebendo a alegoria das suas palavras. 

Enquanto isso, numa "cerimónia de homenagem aos ex-combatentes em Lisboa," alguns ex-militares insurgiram-se contra Gouveia e Melo e "contra o imã de Lisboa, convidado para a cerimónia."

Lídia Jorge, conselheira de estado e uma figura iimportante no panorama sócio-político e literário do nosso país, aproveitou para relembrar "o passado esclavagista de Portugal e a atualidade da obra de Camões, que viveu num fim de ciclo, tal como aquele em que o país se encontra atualmente." A escritora, alertou para "a possibilidade de loucos atingirem o poder" e contra "a fúria revisionista que assalta pelos extremos," dizendo ainda que "cada um de nós é uma soma do nativo e do migrante, do europeu e do africano, do branco, do negro e de todas as outras cores humanas. Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou."

O que mais me chocou - e o motivo para esta minha publicação no blogue - foram muitas outras coisas que se passaram à margem deste feriado: os apupos, os comentários, as agressões. O racismo, esteve todo o dia em discussão - muito, por causa de comentários e reinvindicações mais extremistas que se foram fazendo ouvir - e porque nesta data se assinala também um outro acontecimento, a morte de Alcino Monteiro, agredido com muita violência há 30 anos. Numa manifestação contra o racismo e, também, em "memória de Alcindo Monteiro, centenas de pessoas juntaram-se no centro de Lisboa, num percurso que foi desde o "local onde foi encontrado o corpo de Alcindo Monteiro, na Rua Garrett," e que terminou junto ao Largo do Carmo.

Um grupo de indivíduos - que durante a tarde tinha estado numa manifestação e já teria provocado outros desacatos - enxovalharam e agrediram alguns atores da companhia de Teatro, "A Barraca", quando estes se dirigiam para o teatro. Neste grupo, podem ter estado alguns dos intervenientes na morte de Alcino Monteiro.

O ator Adérito Lopes teve de ser levado ao hospital devido à gravidade dos ferimentos. A atriz Maria do Céu Guerra, explicou muito bem o que se passou e mostrou de forma muito precisa, que é preciso pôr fim a estes atos de violência. "Segundo o relato da encenadora, que exibiu para as televisões autocolantes da loja Pró-Pátria," este terá sido um ataque contra a liberdade de expressão e, um ato cobarde.

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas

https://www.dnoticias.pt/2025/6/10/452103-marcelo-termina-ultimo-discurso-com-homenagem-aos-militares-e-a-eanes/

https://www.publico.pt/2025/06/10/sociedade/noticia/luta-racismo-memoria-alcindo-monteiro-juntam-centenas-lisboa-2136227

https://www.rtp.pt/noticias/pais/insultos-racistas-e-a-gouveia-e-melo-em-homenagem-a-ex-combatentes_v1661173

https://www.rtp.pt/noticias/pais/somos-portugueses-porque-somos-universais-o-ultimo-discurso-de-marcelo-no-10-de-junho_e1660831

 

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publicado às 22:30

Tal como esperado, Trump regressou ontem à Casa Branca. Por cá, a comunicação social foi acompanhando todas as etapas e, foram vários os comentadores que nos foram ajudando a perceber o que se ia passando. A cerimónia teve a presença de várias figuras americanas importantes, grandes magnatas, multimilionários que desde logo receberam uma atenção especial. Por outro lado, notou-se a ausência de líderes europeus (excetuando a primeira-ministra italiana, Georgia Meloni).

Mas antes do poder ter sido entregue a Donald Trump, ainda houve tempo para que Joe Biden assinasse mais alguns indultos, que tinham um objetivo preventivo, ou seja, foram aplicados mesmo antes dos indivíduos terem sido julgados. Biden atribui indultos "ao responsável pelo combate à Covid-19, Anthony Fauci, ao ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, Mark Milley, além de membros do Congresso e funcionários que integraram uma comissão de investigação sobre o ataque ao Capitólio, ocorrido a 6 de janeiro de 2021, numa ação sem precedentes destinada a prevenir uma potencial vingança da administração Trump."

No princípio do ano, antecipando a mudança de poder de mãos, "Biden comutou as penas de cerca de 1 500 pessoas que foram libertadas da prisão e colocadas em confinamento domiciliário durante a pandemia de COVID-19 e de 39 outras condenadas por crimes não violentos, o maior ato de clemência num só dia na história moderna dos EUA."

Além disso, e como foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação social, concedeu o "perdão pós-eleitoral" ao seu próprio filho, que tinha sido acusado "de posse de armas e fuga de impostos."

Mas as ações de Biden não se ficaram por aqui. Biden tinha já alterado "as sentenças de 37 dos 40 reclusos federais" que se encontravam no corredor da morte e que viram as suas penas serem agora convertidas em "prisão perpétua, semanas antes de passar o poder ao presidente eleito Donald Trump, um defensor da pena de morte." Esta decisão "surge na sequência da pressão exercida por democratas do Congresso, ativistas contra a pena de morte e líderes religiosos, incluindo o Papa Francisco, devido às preocupações com a posição da nova administração Trump em matéria de execuções." Ficam ainda "2200 prisioneiros no corredor da morte condenados em tribunais estaduais dos EUA, uma vez que Biden não tem autoridade sobre essas execuções," que acabarão por ir, certamente, em frente.

Regressemos então a Trump... pois a noite foi longa e eu acabei por ficar acordada, assoberbada com tudo o que se ia passando do outro lado do Atlântico. Trump também concedeu "indultos presidenciais para aqueles que foram condenados pela invasão ao Capitólio," que aconteceu a 6 de janeiro de 2021. Comparou os detidos, a reféns.

Uma das primeiras ordens executivas, assinadas ainda "no palco da Capital One Arena," em vez de - como seria de esperar - na Sala Oval, foi a polémica "retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e o fim do teletrabalho para funcionários do Estado." Já na Sala Oval e enquanto ia assinando mais alguns documentos, Trump respondia a algumas questões dos jornalistas presentes. A tradução simultânea não deixada perceber tudo, mas ficou desde logo certo que os EUA irão sair da OMS, uma das agências da ONU. Quando questionado, Trump "justificou a sua decisão criticando o facto de os Estados Unidos contribuírem com muito mais recursos do que a China para este organismo."

Uma outra medida, atirada como se de uma qualquer banalidade se tratasse, pelo agora 47º presidente dos EUA, foi a promessa de deportação de “milhões de imigrantes ilegais." A luta contra a imigração ilegal não é de agora.

Trump não se coibiu também de decretar "emergência nacional na fronteira com o México," bem como de dizer que vai "assumir o controlo do Canal do Panamá, uma infraestrutura marítima fundamental para o comércio," e que liga os Oceanos Atlântico e Pacífico. "O canal é, e continuará a ser, do Panamá", garantiu José Mulino, presidente do Panamá em resposta.

Trump quer também "mudar o nome do Golfo do México, passando este a chamar-se Golfo da América."

Outro interveniente que deu que falar, foi Elon Musk que, "depois da tomada de posse de Donald Trump," subiu ao palco para discursar e no final fez "um gesto que está a ser considerado polémico," por se assemelhar a uma saudação nazi. Mais do que o gesto em si, que Musk veio depois negar, fica aquilo que disse há cerca de um mês, quando fez uma declaração referindo "que só o partido de extrema-direita alemão" poderia "salvar a Alemanha," palavras essas que foram consideradas por vários líderes europeus de que Musk poderá ser um "perigo para a democracia."

E quanto à situação de Israel? É sabido que durante o seu primeiro mandato, Trump, tal como fez lembrar Netanyahu, "retirou-se do acordo nuclear perigoso com o Irão, reconheceu Jerusalém como capital de Israel, transferiu a embaixada dos EUA para Jerusalém e reconheceu a soberania de Israel sobre os Montes Golã." 

Foi também durante a primeira presidência de Trump que se firmaram os "históricos Acordos de Abraão, ao abrigo dos quais Israel estabeleceu a paz com quatro países árabes." Na sua mensagem, "Netanyahu agradeceu ainda a Trump pelos seus esforços” para libertar os reféns israelitas detidos pelo Hamas desde o ataque que visou o sul de Israel a 7 de outubro de 2023."

E aqui... é só a ponta... o que virá mais?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/01/20/biden-concede-indultos-preventivos-a-fauci-milley-e-a-outros-potenciais-alvos-de-trump

https://pt.euronews.com/2024/12/23/joe-biden-comuta-pena-de-morte-de-37-dos-40-condenados-a-morte-a-nivel-federal

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2025-01-20-video-trump-esta-de-volta-a-casa-branca-e-promete--re-lancar-eua-na-idade-de-ouro-5db1ba6a

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2025-01-20-elon-musk-acusado-de-fazer-saudacao-nazi-apos-tomada-de-posse-de-trump-eb738b14

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/china-defende-reforco-do-papel-da-oms-na-sequencia-da-saida-dos-eua_n1628901

https://www.tsf.pt/5947679926/posse-de-trump-netanyahu-garante-que-os-melhores-dias-da-alianca-eua-israel-estao-para-vir/

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publicado às 13:54

Queda de helicóptero da UEPS no rio Douro

por Elsa Filipe, em 30.08.24

Hoje pelas 12h50m, chegou a notícia da queda de um helicóptero, com seis ocupantes a bordo. Os homens pertenciam ao grupo de combate a incêndios da UEPS, da GNR, e iam a caminho de uma ocorrência no concelho de Baião. Por alguma razão, ainda não explicada, voltaram para trás sem chegar ao seu destino. E é quando regressam que o helicóptero se acaba por despenhar, perto da localidade de Samodães, Lamego. No local, uma embarcação de recreio que fazia uma excursão no rio Douro, socorreu de imediato o piloto. O único que conseguiu sair da aeronave com vida, com vários ferimentos e preocupado com os colegas que ele sabia estarem dentro do aparelho.

"Dos cinco militares da Unidade de Emergência Proteção e Socorro (UEPS) da GNR que estavam dentro do helicóptero acidentado falta localizar um. Dois deles foram encontrados dentro do aeronave e, os outros dois junto à cauda do aparelho."

O trabalho destes homens é muitas vezes desvalorizado, mas é muitas vezes essencial ao combate a grandes incêndios florestais. Normalmente, são transportados pelo aparelho, neste caso, uma aeronave ligeira, até ao local do incêndio e quando saem, acoplam o balde ao aparelho. Enquanto os cinco homens da equipa apeada seguem com ferramentas manuais e fazem o seu trabalho em terra, sempre em contato com o piloto do heli, o piloto segue para o ponto de abastecimento de água (um rio ou um lago, por exemplo) e começa o seu trabalho de combate ao incêndio, com descargas de água sobre pontos quentes. É um trabalho difícil e perigoso.

 O que se sabe até agora, pelas notícias que vão saíndo, é que a aeronave se encontra partida em duas partes no fundo do rio. As buscas serão interrompidas agora pelas 21horas. Luís Montenegro, em declarações sobre a sua ida ao local do acidente, numa embarcação, referiu que se sentiu na "obrigação e responsabilidade" de estar "ao lado de quem arrisca a vida" numa missão "completa e muito perigosa". Hoje em dia, é comum, as principais figuras do nosso país, ou alguém em sua representação, se dirigirem aos locais de ocorrência, quando situações deste género ocorrem.

Amanhã será dia de luto nacional, decretado pela morte confirmada dos quatro militares.

Falta encontrar um.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2624200/helicoptero-que-caiu-no-rio-douro-partiu-se-em-duas-partes

https://sicnoticias.pt/pais/2024-08-30-queda-de-helicoptero-no-rio-douro-2e71d525

 

 

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publicado às 20:40

Há 25 anos, Timor foi a eleições e, além da independência, ganharia então a vontade de construir uma democracia firme. "Depois de uma colonização de quase cinco séculos, pelos portugueses, e 24 anos de ocupação indonésia, o povo timorense foi chamado no dia 30 de agosto de 1999 para votar se queria livrar-se dos ocupantes ou manter-se sob a sua governação." O ato foi de facto um marco importante, em que a verdadeira vontade daquele povo foi mostrada ao mundo. Na verdade, "ninguém, nem o próprio presidente indonésio, que aceitou o referendo após longa batalha diplomática entre Portugal, Indonésia e as Nações Unidas, esperava tamanha afluência às urnas."

António Guterres, antigo primeiro ministro português, está presente em "Díli para participar nas celebrações dos 25 anos do referendo que levou à restauração da independência do país, pondo fim à ocupação Indonésia" junto com outros representantes nacionais e internacionais. Ao atual secretário-geral da ONU foi atribuída hoje a cidadadina timorense.

Guterres encontrou-se hoje com "o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão", uma das figuras mais importantes em todo este processo, a quem "António Guterres prestou também homenagem", destacando o seu papel "enquanto líder da resistência timorense e pela forma como defendeu a independência do seu povo detido em Jacarta, capital da Indonésia," bem como, no seu papel na "transformação de Timor-Leste num país independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e que se afirma internacionalmente com crescente influência."

Guterres referiu ainda, que tinha ficado "impressionado com o compromisso do Governo timorense em matéria de segurança alimentar e investimento na agricultura," o que considerava ser um "desafio crucial para o êxito do desenvolvimento, saúde, educação e infraestruturas."

"Timor-Leste aderiu no início do ano à Organização Mundial do Comércio, é fundador do G7+ e deverá aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano."

Uma outra figura importante neste processo, foi Durão Barroso, que em "1992, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal," participou em "quatro rondas de negociações" com a Indonésia. Apenas a 5 de maio de 1999, os dois países assinariam "três acordos, nomeadamente sobre a questão de Timor-Leste, outro sobre a modalidade da consulta popular e um terceiro sobre segurança," com o contributo essencial das Nações Unidas. Barroso, salientou ainda que foi "o massacre do cemitério de Santa Cruz" o grande acontecimento que "contribuiu para dar visibilidade à questão de Timor-Leste." Lembro-me ainda hoje desse massacre e eu era bem pequena na altura. Existem imagens que nos ficam gravadas na mente. Se foi "com a ajuda da comunidade internacional," que o povo de Timor-Leste se conseguiu livrar do domínio indonésio, também não se deve esquecer que muitos países não acreditavam que tal fosse possível.

"Os acordos foram assinados por Jaime Gama, na altura chefe da diplomacia portuguesa, pelo seu homólogo indonésio, Ali Alatas, e por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU." No entanto, o processo não foi fácil e a«s Nações Unidas tiveram mesmo de permanecer no país como força de gestão e manutenção de paz até ao ano de 2012. Durante este período, chegou mesmo a ser necessária a entrada de uma força liderada pela Austrália, devido a ataques de extrema violência causados por milícias apoiadas pela Indonésia.

Fontes:

https://www.tsf.pt/1577666496/timor-ganhou-a-batalha-da-independencia-agora-tem-de-ganhar-a-do-desenvolvimento/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2623023/timor-uma-historia-bonita-conseguida-com-dificuldade-e-falta-de-apoio

 

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publicado às 22:42

Dissoluções... e muitas confusões

por Elsa Filipe, em 11.12.23

Estas últimas semanas têm sido um pouco confusas no que respeita à situação política do nosso país. Além do anúncio feito pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a dissolução da Assembleia da República, no dia 9 do passado mês de novembro, depois do estranho parágrafo onde surgia uma alegada escuta com o nome de António Costa que afinal não era o Primeiro-ministro, mas outro, parece que as dissoluções não se irão ficar por aqui. Desde a passada quinta-feira que o parlamento passou a estar numa situação de gestão até que seja eleito um novo Primeiro-ministro e se componha um novo governo para o país.

Este caso não é inédito, apesar de raro, sendo que se pode dizer que "a dissolução da Assembleia da República consiste num ato político livre do Presidente da República que determina a cessação de funções desse órgão parlamentar antes de o mesmo completar a legislatura." Neste caso, foi tomada a opção de se esperar que houvesse "uma última reunião do conselho de ministros" e que fossem aprovados vários "diplomas relacionados com os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência."

Hoje foi também anunciada pelo Presidente da República a dissolução da Assembleia Legislativa Regional dos Açores e marcou eleições regionais antecipadas para o dia 4 de fevereiro. Esta decisão obteve parecer favorável do Conselho de Estado. 

Mas qual a razão para que também esta estrutura se tenha dissolvido? No dia  "30 de novembro, o Presidente da República" ouviu "os partidos representados no parlamento açoriano, na sequência do chumbo do orçamento regional para 2024" e de acordo com a sua decisão, acaba por "fazer cair 57 diplomas pendentes na Assembleia Legislativa Regional."

A "crise política que se vive nos Açores", vem já do início deste ano, quando "divergências quanto ao modelo de transportes e à política de nomeações para cargos públicos" fez com que dois dos deputados - um deles independente (ex deputado pelo CHEGA) e outro da Iniciativa Liberal - rompessem com o acordo que permitia a existência de um Governo Regional de Coligação. Este acordo tinha sido assinado por três partidos (PSD, CDS-PP e PP que juntos representam 26 deputados) depois das eleições de outubro de 2020. 

Esta quebra do acordo, fez com que deixasse de haver uma maioria governativa.

"Como consequência, o parlamento dos Açores rejeitou as propostas de Plano e Orçamento do Governo para 2024, pela primeira vez na história da autonomia", apesar de a maioria de diplomas pendentes (40) já terem obtido "parecer da respetiva comissão parlamentar" e estarem prontos "para subir a plenário."

Estes "diplomas pendentes no parlamento terão de ser apresentados e apreciados, de novo, numa próxima legislatura." Pelo caminho irão ficar "iniciativas legislativas como o recrutamento do pessoal dirigente na administração pública, a revisão da legislação sobre as inspeções automóveis, a cooperação financeira com as autarquias e o novo programa de ordenamento turístico da região."

Mas os casos não se ficam por aqui. É que também o Presidente da República e outros membros do governo, podem vir a estar sob investigação, se se provar que houve interferência da Casa da Presidência e do próprio Presidente no caso das meninas gémeas, de origem brasileira, a quem foi dado um medicamento para uma doença rara da qual ambas são portadoras. Em 2019, as duas meninas conseguiram receber o medicamento Zolgensma para a atrofia muscular espinhal, com um custo total de quatro milhões de euros. Esta medicação tem de ser superiormente autorizada, o que parece ter sido feito através de um pedido por email que o Drº Nuno Rebelo de Sousa, filho do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, fez chegar ao próprio.

De facto, já é certa a existência desse mesmo email, uma vez que na passada segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que "o seu filho o contatou sobre a situação das gémeas luso-brasileiras que mais tarde vieram a receber o medicamento no Hospital de Santa Maria e defendeu que o tratamento que deu a este caso foi neutral e igual a tantos outros." Foi entretanto solicitada a audição de Marta Temido e Lacerda Sales na Assembleia da República para esclarecer esta situação, só que este pedido foi travado pelo PS. Quem poderá ser chamado a prestar declarações na Assembleia é o próprio Nuno Rebelo de Sousa.

Só que aqui há outro problema. É que mesmo que se provem as influências, não será assim tão simples seguir com a acusação, uma vez que o governo está em gestão e por isso não tem poderes para abrir um processo contra o Presidente da República, a não ser que a Comissão Permanente avance com essa decisão e "promova a convocação do plenário", uma vez que não nos podemoss esquecer que o Presidente tem "imunidade perante o Ministério Público, que é o titular da ação penal," passando assim todo o processo de acusação a ser "promovido no âmbito da própria Assembleia da República". É importante referir que no artigo 130º da Constituição da República Portuguesa, diz que "o Presidente da República responde perante o Supremo Tribunal de Justiça por crimes cometidos no exercício de funções", mas seria "necessária uma proposta apresentada por um quinto dos deputados", e que dois terços desses mesmos de deputados (todos em efetividade de funções) aprovassem essa deliberação.

"Mesmo que o processo avançasse, a queda do Presidente da República não seria imediata. Aliás, só se confirmaria depois da respetiva investigação judicial e de uma condenação do Supremo Tribunal de Justiça." 

"Até à eleição do sucessor em eleições presidenciais, seria o Presidente da Assembleia da República a primeira figura de Estado", que neste caso é Augusto Santos Silva.

Apesar de tudo, até agora não há qualquer acusação e por isso este caso está a ser apenas "julgado" nos meios de comunicação social, sendo que já se levantam suspeitas sobre a coincidência entre este caso e o que levou à dissolução do Governo. Vamos esperar pelo que aí vem, pois acredito que isto não vai ficar por aqui e acredito que, agora fora do governo, o Primeiro-ministro possa começar a explicar outras coisas.

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/acores/governo-regional/dissolucao-do-parlamento-dos-acores-faz-cair-57-diplomas-pendentes/20231211/6577593bd34e65afa2f886bc

https://www.tsf.pt/portugal/politica/demissao-do-governo-formalizada-dia-7-de-dezembro-e-dissolucao-da-ar-a-15-de-janeiro-17437111.html

https://www.rtp.pt/noticias/politica/demissao-do-governo-formalizada-em-7-de-dezembro-e-dissolucao-do-parlamento-a-15-de-janeiro_n1534255

https://www.publico.pt/2023/12/10/politica/noticia/caso-gemeas-il-quer-ouvir-filho-presidente-republica-parlamento-2073146

https://cnnportugal.iol.pt/gemeas-luso-brasileiras/marcelo-rebelo-de-sousa/alguem-pode-fazer-cair-o-presidente-a-assembleia-da-republica-mesmo-dissolvida-ou-ele-proprio/20231206/656f5f83d34e371fc0ba9e5a

https://executivedigest.sapo.pt/noticias/gemeas-luso-brasileiras-o-que-seria-preciso-para-marcelo-ser-destituido-e-porque-so-poderia-acontecer-em-2024/

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/politica/detalhe/o-governo-entra-em-gestao-e-agora-o-que-pode-fazer

https://cnnportugal.iol.pt/acores/acores-caiu-o-acordo-partidario-que-sustentava-o-governo-desde-as-ultimas-eleicoes-regionais/20230308/64088fdf0cf2665294d90b73

 

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publicado às 22:06

Durante a governação de António Costa, primeiro ministro eleito com maioria absoluta, foram vários os casos que foram levantando suspeitas de corrupção. Nada inédito em Portugal, infelizmente mas que desta vez tomou proporções maiores ao envolver diretamente ministros no ativo e o próprio Primeiro Ministro. Esta manhã, a Polícia Judiciária, depois de várias investigações, dirigiu-se às residências dos ministros João Galamba (responsável pelas Infraestruturas) e de João Pedro Matos Fernandes (ex-ministro do Ambiente) assim como à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, e ao Ministério do Ambiente, liderado pelo ministro Duarte Cordeiro, para efetuar buscas.

Depois de falar com o Presidente da República, o Primeiro Ministro tomou a decisão de apresentar a sua demissão, uma vez que na sua opinião, o estatuto de arguido não é compatível com as funções que está a desempenhar. Referiu ainda estar disposto a responder a todas as questões da justiça e garante ainda que não cometeu qualquer irregularidade. Refere a Reuters (citada pelo "Observador") que Costa se demitiu "no meio de uma investigação sobre alegadas irregularidades cometidas pela sua administração maioritariamente socialista na gestão de projetos de mineração de lítio e hidrogénio no país". Os negócios do lítio e do hidrogénio estão assim na base desta problemática.

O país não precisava nada de uma crise política agora e, apesar de muitos terem ficado contentes com este "embate" em Costa, a verdade é que a queda de um governo não é algo para se levar de ânimo leve. Não foi a primeira vez em Portugal, é certo e novas eleições podem sempre trazer novas caras e ideias ao panorâma político. Mas a verdade é que estamos a passar por um período crítico ao qual não é alheia a situação vivida na restante Europa, em especial na nossa própria participação em organizações internacionais, como a União Europeia e a própria NATO. 

No país, os últimos meses têm sido marcados por sucessivos protestos e greves, em áreas chave como a da saúde e a da educação. Ninguém está acima da justiça e ainda bem que desta vez as investigações não foram "suspensas" em resultado do possível envolvimento de alguém com altos cargos políticos. A vida privada de quem tem cargos políticos é sempre alvo de escrutínio. Muito mais quando há suspeitas de envolvimento num caso de corrupção ativa e passiva e que pode ter prejudicado gravemente o país. Seria deveras importante que este caso fosse levado até ao fim, mas receio bem que acabe por "cair" por uma qualquer falta de "provas" ou de incompatibilidades. Se era necessária a demissão de António Costa? Não quereria de todo estar no seu lugar. A demissão poderia não ser necessária ou obrigatória, mas acho completamente compreensível que tenha tomado essa decisão, até percebendo que pode ser uma forma de se proteger e de se resguardar um pouco, enquanto decorrerem as investigações e de estar mais disponível. 

António Costa apresentou a demissão ao fim de quase oito anos em funções como primeiro-ministro, cargo para o qual foi empossado em 26 de novembro de 2015 pelo então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Oito anos difíceis, sobrevivendo a uma pandemia e a várias crises políticas.

Ainda não sabemos qual será a decisão do Presidente da República. Está em causa se o país segue para novas eleições ou se será dado ao PS, partido atualmente com maioria absoluta na AR, que nomeie um sucessor para António Costa e que termine o mandato. No dia 30 de março de 2022, quando o XXIII Governo Constitucional tomou posse depois das eleições novamente vencidas por António Costa, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa alertou-o de que "não será politicamente fácil" a sua substituição na chefia do Governo a meio da legislatura, dando a entender que nesse caso convocaria legislativas antecipadas.

Já no decorrer deste ano, a 24 de janeiro, foi mais definitivo e afirmou que, "se mudar o primeiro-ministro, há dissolução do parlamento", referindo-se à "hipótese teórica de aparecer um outro primeiro-ministro da área do PS". Perante isto, aguardemos.

Fontes:

https://expresso.pt/politica/2023-11-07-Buscas-na-residencia-oficial-do-primeiro-ministro-Estamos-a-assistir-a-algo-inedito-tudo-isto-lanca-uma-nevoa-em-cima-do-Governo-8dcd3112

https://www.dn.pt/politica/manchado-por-escandalo-como-a-demissao-de-costa-foi-vista-la-fora-17298348.html

 

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publicado às 22:40


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