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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.
Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal.
Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.
Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."
No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.
Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários."
Fontes:
Finalmente, o meu coração tranquilizou um pouco. Afinal, o nosso país ainda tem muita gente de bem que não quer voltar a uma memória passada que não pode ser esquecida. Como se esperava, o eleito para Presidente da República foi António José Seguro, deixando em segundo lugar nesta segunda volta o líder do Chega André Ventura. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir e que deixou várias zonas do país destruídas, sem água e sem luz, alguns concelhos não foram ainda a votos tendo nestes casos o ato sido adiado para o próximo domingo, dia 15 de fevereiro.
No fim de contas, ganhou a democracia, a união da esquerda, do centro e de muitos, muitos votantes de direita, contra o risco de termos na Presidêncioa alguém com valores muito pouco humanos e ainda menos democráticos. De lembrar, que André era o homem que dizia que o país precisava de "três Salazares" e que, apesar de ter perdido, afirmou que "o resultado alcançado" servia para colocar o Chega "no caminho para governar o país," reforçando a ideia de que reforçando a ideia de que os portugueses tinham dado "ao partido um sinal de crescimento e de afirmação no panorama político nacional." Felizmente, ainda não foi desta...
Mas quem é o novo Presidente? Confesso que conhecia muito pouco sobre Seguro e que acabei por ler alguns artigos e ver algumas entrevistas para me inteirar sobre o seu percurso. Se na primeira volta, poderei ter andado um pouco indecisa inicialmente, na segunda volta, não houve qualquer dúvida sobre em quem recairia o meu voto.
Nascido a 11 de março de 1962, em Penamacor, licenciou-se "em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa," tirando depois o Mestrado "em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL." Destaca como "pilares" de vida, "os valores transmitidos pelos pais, honestidade, ética e trabalho." É casado e tem dois filhos.
"Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor," terra com a qual ainda "hoje mantém ligações." Na juventude, esteve sempre ligado "ao associativismo, ao desporto e à cultura" e, como muitos jovens daquela época, fez "parte do jornal da escola," tendo mais tarde fundado o jornal “A Verdade de Penamacor”, do qual acabou por ser diretor. Junto com "o primo Jorge Seguro Sanches," criou uma "associação cívica," denominada "Geração 2000." Escreveu ainda para o "semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo"."
Na política, a sua carreira efetivamente começou na "Juventude Socialista (JS)" da qual foi líder na década de 90, começando a "aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS," e lhe dá o lugar de "chefe de gabinete do secretário-geral." Foi também "presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude, de 1989 a 1993) e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas."
Nas legislativas de 1991 tinha sido eleito deputado, mas é "a partir de 1994," que comneça a fazer "parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional."
"Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude," e de cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares."
"Entre 1999 e 2001, foi deputado ao Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Em 38 anos de participação europeia, António José Seguro foi o único português a quem foi atribuída a responsabilidade de elaboração de um relatório sobre um Tratado Europeu." Ainda na Europa, foi também "vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, com o pelouro da Organização Mundial do Comércio, presidente da Delegação dos Deputados Socialistas Portugueses e presidente da Delegação para as relações com os países da América Central, México e Cuba."
Em 2001, acaba por renunciar e substitui Armando Vara, no cargo de "ministro-adjunto do primeiro-ministro," a pedido de António Guterres. Em 2002, acaba por regressar "à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (entre 2004 e 2005), tendo presidido às Comissões Parlamentares de Educação e Ciência (X Legislatura) e de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura). Dirigiu também o Gabinete de Estudos do PS, de 2002 a 2004."
Em 2004, apesar de ter mostrado essa disponibilidade, acaba por não concorrer à liderança do partido socialista, talvez por influência ou a pedido de Jorge Coelho, e é Sócrates que acaba no poder. Seguro foi-se mantendo "na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia." Em 2007, acabaria esmo por coordenar "os trabalhos de reforma e modernização da Assembleia da República, conhecida como a Reforma de 2007, na base do relatório que ele próprio coordenou no interior do seu grupo parlamentar."
Só em 2011, volta a mostrar que tem vontade de avançar "para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis," ganhando "com 68% dos votos" e sucedendo assim "a José Sócrates como secretário-geral do PS. Foi ainda reeleito, em abril de 2013, com mais de 95% dos votos."
Esteve nesse cargo até "setembro de 2014," altura em que foi então "derrotado por Costa, obtendo cerca de 32% dos votos, demitindo-se assim da liderança do Partido Socialista e renunciando aos mandatos de conselheiro de Estado e de deputado à Assembleia da República."
Dedicou-se nos últimos anos a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas," salvo em algumas exceções. Continua a produzir "vinho e azeite em homenagem ao pai, projetos que descreve como fonte de felicidade e de ligação às origens."
Apresentou a sua candidatura a 3 de junho de 2025, "sem qualquer garantia de apoio por parte do Partido Socialista." Mesmo sem esse apoio, avançou e conseguiu "vencer a primeira volta, com 31,11% dos votos." No entanto, estes valores não lhe garantiam o lugar e teve mesmo de ir à segunda volta da qual saiu vencedor, "com o maior número de votos de sempre numas Presidenciais, ultrapassando Mário Soares."
Fontes:
https://nossaeuropa.eu/pt/direccao/antonio-jose-seguro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jos%C3%A9_Seguro
... poderia vir a bonança, mas a chuva continua a cair com intensidade e o vento, embora menos forte, continua a fazer estragos. As notícias, que ontem já eram alarmantes e nos davam conta da tragédia que o país estava a viver, mostram-nos hoje que os danos são bem maiores do que inicialmente se previa.
As regiões de Leiria, da Batalha, de Santarém e de Coimbra ficaram praticamente destruídas. Os distritos de Castelo Branco e de Portalegre também sofreram fortes danos. Os rios estão na capacidade máxima e começam a ser abertas as comportas para se libertar os rios da grande pressão a que as barragens estão sujeitas - não se quer que rebentem, então há que as ir escoando. Isto levou a agravar a situação em alguns municípios, como foi o caso de Alcácer do Sal, onde o "Rio Sado acabou por galgar o muro de suporte na frente ribeirinha."
Na zona da Marinha Grande, fortemente atingida por este corredor de tempestades, está a ser feita uma recolha de "mantas e cobertores (em bom estado) para apoiar as pessoas desalojados, após a passagem da depressão Kristin," de forma a salvaguardar algum conforto a quem teve de sair de casa. A autarquia ativou ainda um "Gabinete de Apoio Social para apoiar quem possa estar a sentir dificuldades devido à Tempestade Kristin." Muitas outras câmaras formaram gabinbetes de crise em que se uniram esforços para socorrer quem precisava. E os pedidos des ajuda não pararam ainda de chegar!
Além da destruição direta causada pela tempestade, há agora problemas derivados da afetação dos cabos de linha elétrica e de redes de comunicações. Pelo país são vários os Centros de saúde que se encontram encerrados por não haver eletricidade, o mesmo estando a acontecer com farmácias, escolas, estações de correio, entre outros serviços. Então, parece que pouco se aprendeu com o apagão. Nos serviços municipais, continuam a faltar geradores e, não há água corrente em diversas aldeias e cidades do nosso território. Mais de 24 horas depois da tempestade, ainda há zonas completamente isoladas. Por volta das 6h de ontem, dia 28, havia ainda "cerca de um milhão os clientes da E-Redes sem energia eléctrica em Portugal continental, a maioria nos distritos de Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal." As falhas de eletricidade levaram também a falhas nos "abastecimento de água" e no "acesso a telecomunicações." Segundo a E-Redes, só no "distrito de Leiria, o mais afetado pela passagem da depressão Kristin," havia esta manhã, dia 29, cerca "de 260 mil clientes afetados" levando a que fosse ativado o "estado de emergência", tendo a empresa instalado naquela zona "30 geradores e estando a ser mobilizados mais cerca de 200." Foram identificados pelos técnicos da E-Redes, "450 postes de Alta e Média Tensão partidos ou danificados, assim como 24 subestações afetadas, das quais oito permaneciam por ligar, estando as dificuldades de acesso a condicionar a identificação total dos danos e a sua reparação."
No caso de Leiria, algumas habitações começava a ter eletricidade, esta manhã, "mas apenas estão a beneficiar das estações móveis ligadas aos postos de transformação que a E-Redes está a instalar junto das "infraestruturas nevrálgicas", como são os "quartéis de bombeiros, hospital ou centros de saúde." Nesta zona, há ainda a lamentar a destruição do pinhal de Leiria, do "terminal de autocarros," do "estádio municipal Dr. Magalhães Pessoa" e também de uma parte do "Santuário de Nossa Senhora da Encarnação." Em Fátima, o Santuário também teve danos significativos." Em Figueiró dos Vinhos, "cerca de 120 agregados familiares sofreram estragos nos telhados das suas habitações, o que poderá levar a autarquia a proceder a realojamentos" e a "mata municipal do Cabeço do Peão," também ficou com danos que tão cedo serão irreparáveis.
Em Gondomar, devido à subida do rio Sousa, uma equipa da Guarda Nacional Republicana, em colaboração com a "Proteção Civil" e com a "Polícia Municipal de Gondomar", ajudaram a "retirar 25 cães de instalações na freguesia de Covelo." Os animais foram postos em segurança.
Os presidentes de junta têm de ir aos quartéis pedir para usar telefones de satélite, quando os há para pedir ajuda. Não estamos preparados. As nossas câmaras estão muito fracas ao nível da proteção civil e não digo que a culpa seja de quem lá está, neste momento, mas culpo sim a falta de preparação e de antecipação. Continuem a fazer simulacros em que está tudo avisado e sai tudo muito bonito e ão vejam o que pode realmente acontecer.
Temos no terreno em apoio direto à população milhares de meios - esses não costumam falhar e trabalham com os parcos recursos que têm - da cruz vermelha e dos bombeiros. Acrescentem-se os homens e mulheres do exército, da GNR, da PSP, das associações de proteção aos animais e muitas mais - eles estão lá a ajudar, a trabalhar diariamente, muitas vezes muito além das suas capacidades. E os grupos de proteção civil pertencentes aos municípios também estão no terreno, funcionários das câmaras municipais, das juntas de freguesia e populares que se uniram para cuidar dos seus, para limpar as ruas, reconstruir telhados... mas não chega! É preciso reforçar as zonas mais atingidas. Foi declarado Estado de Calamidade, o que significa que estão previstos "limites ou condicionamentos à circulação e a fixação de cercas sanitárias. Quem desobedecer, poderá mesmo incorrer num crime." Agora os recursos têm de ser direccionados para as regiões que mais precisam.
Digo só, só tivemos cinco vítimas mortais (as confirmadas até agora), mas porque aconteceu durante a noite e, nisso funcionou muito bem, houve dezenas de alertas às populações, avisos por mensagem ou nas televisões, jornais e rádios. Toda a imprensa se mobilizou e, desta vez, até foi pior do que fizeram crer. Mas as pessoas ficaram em casa - na sua maioria - cumpriram o que lhes era pedido, prepararam-se. O fenómeno é que foi bem mais forte do que nós achavamos que seria possível de atingir o nosso país. Não estamos acostumados, mas temos de nos mentalizar que este tipo de fenómenos vai começar a ser cada vez mais frequente.
Já aqui tinha deixado, num post anterior, referência a muitos dos danos causados pela Ingrid. Muitas pessoas acordaram com o barulho de telhas a cair e de vidros a partirem-se. Logo o vento e a chuva começaram a entrar também dentro das habitações. A destruição, em muitas casas, não foi apenas exterior. Algumas das árvores que caíram, derrubaram chaminés, varandas, rasgaram telhados e abriram fendas nas paredes das casas. Outras esmagaram viaturas como se fossem folhas de papel. Ontem estava a ouvir na rádio, o autarca da Batalha e fiquei de coração apertado. Além dos seis desalojados, muitas casas acabaram por sofrer danos. Descreve um cenário desolador, com centenas de árvores e de poste caídos, havendo ainda "danos significativos" em vários edifícios industriais e "até num pavilhão desportivo." Tal como noutras regiões, também ali a rede SIRESP deixou de funcionar e o autarca precisou de se deslocar até Ourém para pedir auxílio.
Lembro-me da grande tempestade de 1941 (não me lembro, não era nascida, mas ouvi falar dele muitas vezes e tenho vindo a pesquisar sobre os seus efeitos), um ciclone que atingiu o nosso país. Neste caso, o fenómeno "teve origem numa vasta depressão centrada a oeste da Irlanda mas abrangendo a sua influência à Europa Ocidental e a Península Ibérica," provocando elevados estragos numa "vasta área de Portugal e metade do Noroeste da Península Ibérica." No caso do ciclone de 1941, sabe-se que as "tempestuosas velocidades de vento (de nascente) observadas" decorreram da "conjugação de forte actividade ciclogénica com a aproximação e passagem de uma superfície frontal fria." No caso que se passou esta semana, não foi considerado um ciclone, mas sim um "comboio" de tempestades: depois das depressões Ingrid e Joseph, chegou a mais forte de todas, a Kristin.
Em 1941, houve um "elevado número de vítimas mortais, superior a uma centena, e o número indefinido de feridos. Muitas das vítimas mortais, em especial, em Lisboa, Alhandra, Sesimbra, Alhos Vedros terão sido por afogamento devido a inundações que ocorreram nas áreas ribeirinhas." Felizmente, agora isso não ocorreu e, penso eu, por dois motivos: a população estava avisada e as casas são agora mais resistentes a este tipo de intempéries do que eram naquela altura.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_de_1941
https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-29-depressao-kristin-deixa-rasto-de-destruicao-beb621d0
Perante os avisos do IPMA e da Proteção Civil, esta noite optámos por ficar em casa e não nos deslocarmos para o ensaio a que deveríamos ter ido. Ontem a noite foi muito complicada, mas felizmente, nós conseguimos ficar em segurança. Como residente no distrito de Setúbal, recebi vários alertas e pela comunicação social fui-me mantendo informada. De facto foi mesmo uma noite praticamente passada em branco. O nosso distrito "esteve sob avisos meteorológicos associados ao vento e à agitação marítima, tendo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitido aviso vermelho para a agitação marítima em vários períodos, alertando para ondulação forte e condições perigosas junto à orla costeira."
Aqui pelo concelho do Seixal os danos limitaram-se à queda de estruturas metálicas (cartazes) e algumas árvores e ramos que foram caindo sobre as vias de circulação. "A Proteção Civil da Câmara Municipal do Seixal procedeu ao corte do trânsito, em ambos os sentidos, no início da Avenida Carlos Oliveira, na zona do Cavadas." Esta decisão foi tomada devido "ao estado do muro da antiga Fábrica de Moagem — atualmente convertida em restaurante — que apresenta várias fissuras e infiltrações de água, representando um potencial risco para a segurança pública." No concelho do Seixal, estiveram cortados o "troço compreendido entre o cruzamento com a Avenida 6 de Novembro de 1836 e o cruzamento com a Avenida General Humberto Delgado" e a "Avenida Dr. Arlindo Vicente," na zona da Arrentela. Já na Amora, "esteve cortada a Rua Infante Dom Augusto (Estrada do Talaminho), entre a Rua Arquiteto José António Conde (acesso à Quinta da Princesa) e a Avenida 25 de Abril (EN10)." Na Aldeia de Paio Pires, foram cortadas as ruas "José Gregório de Almeida, entre a Avenida Siderurgia Nacional e a Rua Quinta da Galega e na Rua Quinta da Galega (prolongamento da rua do Desembargador), entre a Rua Quinta da Campina e a Rua José Gregório de Almeida." Devido à queda de árvores, foi também preciso "fechar o trânsito na Rua das Artemísias, em Belverde, e na Rua Quinta das Conchas, em Fernão Ferro."
No concelho de Almada, os maiores danos registaram-se também várias ocorrências. Na Costa da Caparica, uma "árvore de grande porte caiu" sobre o estacionamento de uma zona residencial, danificando gravemente "três viaturas ligeiras." Houve também graves danos nas "infraestruturas desportivas da Associação Desportiva de Almada, onde a bancada ficou danificada e, segundo a informação disponível, destruída." Existem registos de "rajadas de vento" muito fortes que "terão chegado aos 140 km/h, contribuindo para a degradação rápida de várias estruturas, incluindo painéis que ficaram dobrados e cadeiras que foram deslocadas, acabando por ficar inutilizáveis."
Registou-se uma morte em Vila Franca de Xira, devido à queda de uma árvore de grande porte sobre a viatura em que seguia. O acidente mortal aconteceu "na N1 em Povos."
Na freguesia de Vieira de Leiria, na Marinha Grande, um homem de 34 anos perdeu a vida, "na sequência do mau tempo," havendo ainda a lamentar "uma dezena de feridos ligeiros, cerca de meia centena de desalojados e uma situação de destruição por todo o território."
No caso de Leiria, há a lamentar pelo menos três mortes "relacionadas com o fenómeno (duas em Carvide, uma mulher com 36 anos e um homem com 58 anos) relacionadas com desabamento de telhados, anexos." Este foi um dos concelhos mais afetados, onde a maioria das ocorrências registadas prendem-se com danos "em equipamentos públicos e em propriedade privada, afetando infraestruturas essenciais, espaços públicos, habitações, atividades económicas e o normal funcionamento da vida comunitária”. Foi por exemplo atingido o Hospital de Leiria e o Estádio Municipal. Responsáveis da autarquia consideram que é "indispensável" ativarem-se "mecanismos extraordinários de apoio, que permitam mobilizqar meios adicionais," sendo ainda salientado salienta que “a dimensão e gravidade dos estragos ultrapassam claramente a capacidade de resposta normal do município, configurando, como tal, uma situação excecional com forte impacto social e económico”. A possibilidade não foi ainda descartada pelo Primeiro-ministro, que já afirmou "ter estado desde a primeira hora atento às necessidades de serviços públicos como o hospital de Leiria, garantindo que estão a ser tomadas todas as diligências para que não haja problemas no fornecimento de energia, até ver por geradores."
Na Figueira da Foz, nove pessoas, pertencentes a "quatro famílias, residentes em três freguesias do município da Figueira da Foz, ficaram desalojadas devido à depressão Kristin." A Câmara está a tratar do seu realojamento. Já em Vila Real, além dos ventos fortes, a neve também veio agravar a situação, provocando o corte de estradas.
Entretanto, devido ao forte vento, Nazaré viu as suas ruas ficarem completamente cobertas por areia. Em Coimbra, o "vento que se fez sentir de madrugada destruiu várias aeronaves e o hangar da empresa de manutenção do Aeródromo Municipal Bissaya Barreto," e em Montemor-o-Velho, o Centro Náutico sofreu também vários prejuízos.
Já na zona de Lisboa e concelhos limítrofes e, também na região centro e norte do país, a situação foi ainda mais complicada. "Segundo a ANEPC, a depressão Kristin provocou mais de mil ocorrências em todo o país, sobretudo relacionadas com quedas de árvores e de estruturas, que afetaram de forma mais significativa os distritos de Leiria, Coimbra e Lisboa."
A passagem desta depressão afetou ainda, em vários pontos do país, "as redes de fornecimento de eletricidade, deixando dezenas de milhares de consumidores sem energia ao longo da madrugada e início desta manhã. As empresas responsáveis ativaram planos de contingência para repor o serviço de forma gradual."
No que respeita aos transportes, "o temporal provocou estradas cortadas ou condicionadas, interrupções pontuais na circulação ferroviária e atrasos em vários eixos rodoviários, sobretudo devido à queda de árvores e objetos na via pública." Várias escolas estiveram hoje sem aulas, em alguns casos devido à falta de eletricidade e de água, mas noutros apenas devido a não estarem garantidas as condições de transporte e deslocação de crianças para as aulas em segurança.
Em Silves, Faro, uma mulher de 85 anos de nacionalidade holandesa, foi arrastada, na sua viatura, pela subida da água. As equipas de socorro terão recebido "um alerta cerca das 11h50, dando conta de que uma mulher teria tido um acidente e precisaria de socorro, e à chegada ao local iniciaram as buscas para encontrar o veículo, que acabou por ser localizado cerca das 15:20, com a vítima mortal, de 85 anos, no interior." A região continuava inundada ao fim do dia.
A tempestade trouxe ventos fortes e ultrapassou mesmo os valores da tempestade Leslie, tendo sido registada a "maior rajada de vento" que atingiu os "178 km/h e foi registada na Base Aérea de Monte Real." Minutos antes, a "mesma estação militar" tinha registado "uma rajada de 176 km/h. Depois disso, ficou destruída pelo vento. Foi assim batido o recorde nacional, que era de 176,4 km/h, na Figueira da Foz, a 13 de Outubro de 2018, durante a tempestade Leslie."
É impossível referir todas as situações, pois o país está um verdadeiro caos. Só espero que as pessoas afetadas sejam rapidamente ajudadas e que a resolução dos danos sejam apoiada financeiramente, pois ninguém tem culpa da ocorrência destes fenómenos extremos.
Fontes:
Hoje o país foi votar e, tal como era anunciado pelas muitas sondagens que foram apresentadas nos últimos dias, António José Seguro e André Vaentura passam à segunda volta. Em causa está o lugar mais alto da nação, o cargo de Presidente da República. Depois de se terem confirmado os dois candidatos que passam à segunda volta, começam a manifestar-se os interesses de voto para ambos os lados. Ainda as urnas não se tinham fechado e já se perspetivava que a segunda volta seria disputada por estes dois candidatos: um da esquerda democrática, o outro da extrema direita. Estas eleições ficaram desde logo marcadas pela grande afluência às urnas e pela diminuição dos números da abstenção.
Desde logo, Seguro que não tinha sido inicialmente apoiado pelo PS, começa agora a receber apoios e votos de confiança de figuras como José Luís Carneiro, Catarina Martins, ou José Manuel Pureza. Também Jorge Pinto, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, do Livre, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referem que vão dar o seu apoio a Seguro. Paulo Raimundo diz mesmo que o seu "voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições."
Nem Cotrim, nem o Primeiro-ministro Luís Montenegro, recomendam ou endossam o seu voto para esta segunda volta, o que nos deixa com algumas questões. Se por um lado, nada os obriga a dizer em quem vão votar, por outro a não escolha pode significar uma virada ao extremismo que, se virmos bem as coisas, não tem sido descartado por estes políticos. Cotrim havia até referido, uns dias antes das eleições que poderia votar em Ventura, o que mesmo tendo sido um lapso, não deixa de ser um ponto a considerar. Do lado dos liberais e contrariamente à opinião manifestada por Cotrim de Figueiredo, tanto José Miguel Júdice, como Mário Amorim Lopes, afirmam votar em Seguro. Já do lado do PSD e, contrariamente à opinião de Luís Montenegro, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte (autarca do Porto) já vieram manifestar-se a favor de apoiar Seguro, pois a outra candidatura seria impensável num país que se quer democrático.
Já o líder do Chega, André Ventura, "considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita". Desde logo, Ventura começou por se dizer líder da direita nacional e que Os seus atos e declarações foram, para quem os observou bem, cheios de simbolismos: a Família, a postura da esposa ao seu lado, a saída da igreja onde tinha ido assistir à missa... e é nesse momento que apela a um “radicalismo de convicções” contra "o fim dos valores cristãos." E quem for de direita sem ser cristão? É que estamos num país que ainda, ao que sei, é laico... estranho, não é? O mesmo candidato que uns dias antes, tinhe referido a “matriz cristã” do país, condenando a “imigração descontrolada” que deixou o país “dilacerado” e destruído” e que havia terminado as suas declarações, defendendo uma liderança “com radicalismo de convicções”.
Na minha opinião, o voto é livre e deve ser feito em consciência. Temos agora alguns dias para ponderar em qual dos dois candidatos queremos votar, mas não nos devemos esquecer que estamos a eleger o maior representante do país. Cá dentro, mas sobretudo, lá fora. Queremos alguém impulsivo, ou ponderado? Queremos moderação e estabilidade, ou mudança a mascarar os extremismos? Exerçam o vosso voto de forma consciente - vão ser cinco anos.
E sim, já perceberam em quem é que vai recair o meu voto.
Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Bem, precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano.
Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...
Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.
Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."
Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.
Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.
Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil.
O primeiro-ministro português não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."
Fontes:
A passagem para o novo ano já aconteceu e por aqui, foi passada de pijama a observar da janela, as pessoas que festejavam nas ruas com o fogo de artifício que abrilhantava a noite fria. Enquanto a Oreo ficou perto de mim, a receber festas, a Twisty escondeu-se debaixo do sofá a tremer e lá ficou até de madrugada, horas depois da música ter cessado lá fora. Os animais sofrem nestes dias e nós nem sabemos o mal que lhes poderemos estar a fazer. Mas faz parte e respeito, porque é uma festa e tudo passa. Somos seres de rituais e alguns levam-nos mais a sério. Eu confesso que gosto de estar em casa, longe da confusão das grandes multidões, preferindo um serão de filmes ou séries a um concerto ou optanto por um jantar em família. Raramente brindo (só se estiver com pessoas que o façam, o que é raro acontecer) e ainda mais raramente me lembro de que era suposto ter passas para pedir desejos. Gosto de fazer listas de coisas e se chover no dia 1 ainda melhor, pois é mais uma desculpa para não sair de casa.
Hoje acordamos com a notícia de uma explosão nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas, num bar onde se festejava a passagem de ano. À primeira explosão, que ocorreu por volta da 1h30m locais, seguiram-se outras e um forte incêndio. A maioria dos feridos sofreram queimaduras graves e muitos ainda lutam pela vida. A localização da estância de esqui, o número de vítimas mortais e a gravidades dos ferimentos, acabam por dificultar bastante as operações. Ainda não se sabem as causas, mas fala-se que estarão relacionadas com o mau armazenamento ou com o mau manuseamento de engenhos pirotécnicos. No entanto, a "queima de fogo-de-artifício durante as celebrações da passagem de ano estava proibida em Crans Montana, tendo as autoridades locais colocado cartazes na povoação a notificar a interdição, devido a situação de seca, com falta de neve e temperaturas acima do normal para o inverno."
A partir de hoje, a Bulgária passa a ser oficialmente o "vigésimo primeiro membro" da Zona Euro, depois de ter entrado para a UE em 2007. O Euro passa assim a substituir o lev búlgaro. Por cá, passam 40 anos da entrada do país na CEE e apesar do balanço ser positivo, continuamos com muitos problemas por resolver. O preço de várias portagens vai aumentar, o preço do pão e de outros produtos vão também aumentar e os hospitais continuam a não dar conta da grande afluência de doentes. Os políticos continuam a atirar culpas uns aos outros sobre o estado do país, enquanto os candidatos à Presidência da República pedem que ninguém deixe de ir votar.
Na Ucrânia, o momento da passagem de ano foi assinalado pelo silêncio. As luzes, poucas, apagaram-se. A morte continua à espera de um acordo. Sucedem-se os ataques e as acusações entre os dois países, com a Rússia a atacar novamente "a cidade portuária de Odessa" e a deixar mais de "170 mil casas" sem energia elétrica. Em vez de fogo de artificio, a noite contou com sirenes que alertavam para o perigo de ataques aéreos. Entretanto, há dois dias, Putin acusou a Ucrânia de atacar prepositadamente uma das suas residências, "situada na região de Novgorod."
Infelizmente, não é por mudar o ano que o mundo reinicia. Não passamos a ser melhores pessoas e não vamos mudar os nossos hábitos. Para o fazermos, é preciso muito mais do que a passagem dos ponteiros do relógio. Como não festejamos todos em simultâneo, já é tradição que as televisões passem o último dia do ano a mostrar as muitas passagens de ano pelo mundo fora.
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/economia/bulgaria-torna-se-21o-pais-a-aderir-ao-euro_n1707202
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-intensifica-ataques-a-ucrania_v1707163
Nos últimos dias, o mar tem estado revolto, os ventos fortes atingem a costa e fustigam as barras. Apesar de não estarmos em alerta, têm sido emitidos avisos à navegação e tem sido pedido que se reforcem os cuidados. Sair para a pesa é, muitas vezes, mais do que uma decisão a tomar, uma (quase) obrigação. Porque os outros vão... porque nunca acontece nada...
Mas acontece e no domingo, uma embarcação acabou mesmo por naufragar "ao largo de Caminha", com cinco ocupantes. Dois foram resgatados e levados ao hospital e estão ainda "três pescadores indonésios desaparecidos no mar." Apesar das buscas intensas e que se estenderam até Espanha, apenas alguns vestígios do naufrágio foram encontrados. O barco terá naufragado junto de uma zona rochosa, perto da ilha de Ínsua.
Hoje, "os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa, Leiria, Beja e Coimbra" encontravam-se "sob laranja devido à agitação marítima forte," e assim estarão até amanhã. Os "distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro e Braga" estão "sob aviso amarelo até às 03:00 de quarta-feira," com as "barras marítimas de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Douro, Figueira da Foz, Nazaré e Cascais, (...) fechadas a toda a navegação."
Hoje, mais um naufrágio, desta vez ao largo de Aveiro. Uma embarcação que se encontrava por perto e que acorreu às buscas, ainda conseguiu "resgatar três dos sete tripulantes da embarcação, mas um deles não resistiu," acabando por ser posteriormente confirmada a sua morte. Ainda faltam encontrar outros quatro pescadores. Refira-se que a "barra marítima de Aveiro está condicionada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros." O barco, com o nome “Carlos Cunha”, "está registado em Vila Praia de Âncora." O mestre é português e penso que saberia dos alertas e avisos, "mas a maioria dos membros da tripulação são de nacionalidade indonésia." O barco tem um comprimento entre os "12 e os 14 metros," dedicando-se à "faina especialmente do espadarte” e estando habitualmente fundeado em Vigo. Como é que temos tantos pescadores de nacionalidade indonésia a operar em barcos portugueses? Em que condições e com que formação e meios é que trabalham?
Neta de um homem do mar (filha de pescadores, mas que era em terra que faziam o seu trabalho), sei o que é esperar por notícias. Sobrinha-neta de pescadores, sei o que é chorar quem se perde na rebelia das ondas. E sei que sempre se arriscou muito. Hoje, com muitos mais recursos e muito mais informações, barcos que estão (ou deveriam estar) equipados com radares, sonares e estações meteorológicas, ainda se choram muitos mortos. Às famílias e amigos, que o mar seja rápido a devolver-vos os vossos. E espero que, depois das buscas, se apurem responsabilidades. Há regras, há licenças, há até formação... esperemos que estas duas embarcações tivessem tudo isso em ordem e que não estivessem a operar de forma "menos" legal.
Fontes:
https://ominho.pt/barco-de-pescadores-que-naufragou-em-aveiro-e-de-vila-praia-de-ancora/
Celebra-se hoje o dia da Imaculada Conceição, feriado nacional que, para os católicos, assinala "a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus," por esta ter recebido "o título de dogma católico no dia 8 de dezembro de 1854."
Assim, tem origem a celebração dessa comemoração, que é uma data de grande significado para a Igreja Católica. Em Portugal, durante vários séculos celebrou-se nesta data o dia da mãe, e para algumas pessoas ainda continua a ser hoje - "mas a data acabou por ser movida para o primeiro fim de semana de maio por este ser considerado o mês de Nossa Senhora."
Conta a história que, a 25 de março de 1646, o "rei D. João IV organizou uma cerimónia solene para agradecer a Restauração da Independência de Portugal em relação à Espanha" declarando que Nossa Senhora da Conceição seria a partir daí "considerada padroeira de Portugal."
A partir desse dia, mais nenhum rei português usou uma coroa, visto que este passou a ser privilégio apenas da Imaculada Conceição. Em ocasiões especiais, a coroa era colocada sobre uma almofada, no lado direito do rei. A mim interessa particularmente a parte histórica e este gesto de D. João IV pode ter várias interpretações. Para quem quiser saber mais sobre as origens deste feriado convido a pesquisarem sobre o dogma atribuído pelo Papa Pio IX, na sua bula Ineffabilis Deus, ou sobre a posição de Tomás de Aquino, santo da igreja católica. Sobre outros aspetos ligados à data, vejam também o meu outro blog, Pés da História.
Fontes:
https://www.calendarr.com/portugal/imaculada-conceicao/
https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/dia-da-imaculada-conceicao-a-9071?tc=215227148908
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