... e vem dos Estados Unidos.
Chama-se Robert Francis Prevost, tem 69 anos e assumiu o papado com o nome de Leão XIV. A escolha "foi feita no segundo dia do Conclave e ao fim de quatro votações. Embora tenha nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost "tem ascendência espanhola e nacionalidade peruana, e pertence à Ordem de Santo Agostinho."
Prevost adotou o título de Leão XIV, como que fazendo "referência à postura política do último pontífice com esta designação no século XIX, e um compromisso com a justiça social de Francisco, segundo uma especialista em religião." Se olharmos do ponto de vista hitórico e teológico, percebemos a importância que a escolha de um nome pode ter, acabando por ser um sinal de compromisso com as questões sociais. O antecessor, "Leão XIII", foi líder da Igreja Católica entre os anos de 1878 e 1903, tendo lançado "as bases para o pensamento social católico moderno, sobretudo na sua encíclica Rerum Novarum de 1891, que abordava os direitos dos trabalhadores e o capitalismo no início da era industrial." Durante o seu episcopado, Leão XIII foi ainda responsável pela elevação do "Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia à categoria de basílica papal em 1901."
Leão XIII foi de facto um crítico do "capitalismo insensível" e do "socialismo centrado no Estado, dando forma a uma vertente de ensino económico distintamente católica." O que poderemos esperar agora de um homem que se identifica com estes pensamentos? O que se espera é que Laeão XIV venha agora orientar a Igreja numa direção mais política, que vá ao encontro de soluções que visem a paz.
O termo Papa, embora antigo só "foi reclamada pelo bispo de Roma no século VI. A primazia papal, conceito segundo o qual o papa é o líder máximo da igreja, ficou intrinsecamente ligada ao papa de Roma, elevando o bispo da cidade acima de todos os outros bispos." Antes disso, o termo Papa "era utilizado por membros respeitados do clero em toda a cristandade."
Só mais tarde, no século XI, os papas deixaram de ser "eleitos em função da opinião popular, tanto do clero como dos crentes," mas no entanto era raro haver consenso nas decisões, o que deu origem a que algumas eleições fossem contestadas e ao aparecimentos dos chamados "antipapas – indivíduos com pretensões substanciais, embora falsas, ao assento papal." Foi também durante o século XI que se iniciou a "prática de adotar um novo nome," em vez do nome de batismo. "Durante muitos séculos, os novos papas tiveram tendência a escolher o nome do papa que os tinha elevado a cardeal."
"Em 1059, o Papa Nicolau II emitiu um decreto" que estipulou o processo pelo qual os papas deveriam a partir daí "ser eleitos, delineando o papel dos cardeais enquanto eleitores." Este decreto levou à diminuição da "influência da aristocracia romana e do baixo clero e estabeleceu as bases do Colégio dos Cardeais, criado formalmente em 1150."
Em 1179 foi então determinado que, para ser eleito, o novo Papa teria de obter pelo menos dois terços dos votos. O número de cardeais votantes faoi aumentando, chegando a 120 em 1975, no papado de Paulo VI. "O atual limite de idade dos cardeais com direito a voto, 80 anos, foi estipulado em 1970." Este ano, o número de cardeais votantes foi 133.
Está estipulado que, "quando um papa morre ou abdica, todos os membros do colégio dos cardeais são obrigados a comparecer à eleição (o conclave), excepto se tiverem problemas de saúde ou ultrapassado o limite de idade."
"Quando a Santa Sé está vacante" - ou seja, vaga - o conclave deve ter início entre "15 e 20 dias após a partida do último papa. Este período foi estabelecido em 1922 para garantir que os cardeais tivessem tempo suficiente para realizar a viagem."
Quando chegam, "os cardeais são trancados na Capela Sistina" até que um deles seja eleito. "Os critérios referentes aos candidatos, os regulamentos da votação e a necessidade de isolar os eleitores foram formalizados, tendo sido alterados e ajustados posteriormente, quando as falhas do sistema se tornaram evidentes."
É a queima dos votos que vai indicar ao público aquilo se a votação elegeu ou não um novo Papa - fumo branco, significa que um novo Papa foi escolhido. "Não se sabe ao certo quando" é que esta prática teve início, "mas o uso de fumo branco para indicar a escolha de um novo papa remonta apenas ao final do século XIX ou início do século XX."
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/papa-leao-xiv-robert-francis-prevost-e-o-novo-chefe-da-igreja-catolica_e1653157
https://www.nationalgeographic.pt/historia/como-eleito-novo-papa-conclave-escolha-fumo-branco_5860
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cardeais-fechados-na-capela-sistina-pelo-segundo-dia-para-eleger-novo-papa_e1653157