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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
De uma voz inconfundível, "Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro," deixa-nos hoje, aos 89 anos. Anita Guerreiro vivia há cerca de 11 anos na Casa do Artista. Coincidência, celebraram-se ontem, 6 de dezembro, 113 anos da abertura do Teatro Politeama.
Foi fadista, mas também nos encantou com a sua voz na revista à Portuguesa e espantou nas marchas populares de Lisboa. Uma artista completa, foi atriz e será sempre lembrada como uma mulher que não se dava a vedetismos e que sempre lutou a pulso por conquistar o seu lugar. E se ela merecia ser vedeta! Ficam as saudades!
A muitos inspirou e agora perde-se uma das maiores vozes do nosso país! Nasceu "a 13 de novembro de 1936, em Lisboa," e foi com apenas 7 anos que se estreou "na coletividade Sport Clube do Intendente."
Em "1952 concorreu ao Tribunal da Canção, um passatempo radiofónico do programa Comboio das Seis e Meia, à época um enorme sucesso," o qual a tornou conhecida do público. Em 1954, a "fadista estreou-se" no palco do "Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa," ainda "menor" de idade e, por isso, com "uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para atuar."
"Em 1955 estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, seguindo-se apresentações em Festa é Festa (1955) e revistas no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956)." Ainda em 1956, participou no filme "Lisboa," cantando Lisboa Antiga. Chegou a viver nos EUA, mas quando em 1982 regressou, Anita Guerreiro fez parte do "elenco da revista Há mas são verdes, onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", numa "homenagem a Hermínia Silva," e Calçadinha à portuguesa. Outras canções da artista: "Sardinhada", ou "Sou Tua".
"Integrou também o elenco de várias telenovelas e séries portuguesas, como Primeiro Amor (1995), Roseira Brava (1996), Uma Casa em Fanicos (1998)," e quem não se lembra de a ver em "A Loja do Camilo," ou em "Os Batanetes (2004)"? Na musica, é de destacar é claro o grande sucesso “Cheira bem, cheira a Lisboa, mais tarde imortalizado por Amália Rodrigues." Na revista, recebeu em 1970, o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, pela sua interpretação em Peço a Palavra. Em Angola, foi vencedora também de uma "Guitarra de Ouro." E foram tantas as revistas em que participou!
Álvaro Laborinho Lúcio deixou-nos na última madrugada com 83 anos.
Álvaro nasceu na Nazaré, no dia 1 de dezembro de 1941 e, na sua "juventude, chegou a ser ator amador, tendo mesmo "participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré." Entretanto, veio a ingressar na "Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas."
Foi "ministro da Justiça e deputado à Assembleia da República, juiz, procurador da República, inspetor do Ministério Público e diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários."
Na Nota de Pesar do site da Presidência da República, Laborinho Lúcio é caraterizado como um homem que "esteve sempre à frente do seu tempo," como um humanista de uma grande "ética cívica" e "um elevado sentido de serviço ao país." Foi desde sempre um defensor "dos direitos humanos, sempre na procura permanente da defesa intransigente dos direitos das crianças em todas as suas dimensões."
Além da publicação de vários livros, foi ainda "dirigente de várias associações, como a APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, e mais recentemente, fez parte da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica." Em março de 2023,
Foi também membro da "Academia Internacional da Cultura Portuguesa e doutor honoris causa pela Universidade do Minho, recebeu a Grã-Cruz da Ordem de S. Raimundo de Peñaforte pelo rei de Espanha e a Grã-Cruz da Ordem de Cristo pelo Presidente da República Jorge Sampaio."
Fontes:
Tinha 97 anos e assistiu por isso a importantes eventos do curso histórico do nosso país, da Europa e do Mundo! Além de historiador, António Borges Coelho, foi também poeta e ficcionista. Escreveu sobre a "Inquisição portuguesa e a ocupação islâmica daquele que viria a ser o território português." Passou pela queda da República, por uma ditadura, pela 2ª Guerra Mundial e pela chegada da democracia. Assistiu ao encerramento do país devido ao Covid, o mesmo covid que o mantinha internado e que terá contribuído para a sua morte.
Nascido em Murça a 7 de outubro de 1928, quis "ser frade franciscano," tendo arriscado ir "para o seminário de onde acabaria por ser expulso."
No final da década de 1940, ingressa na "Faculdade de Direito Lisboa, mas abandona os estudos para dedicar-se exclusivamente à política," participando de forma ativa "na campanha presidencial de Norton de Matos."
"Em 1949 integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil e, depois, o Partido Comunista Português (PCP). A 3 de janeiro de 1956, já como dirigente do PCP na clandestinidade, é preso pela PIDE, recolhendo à cadeia do Aljube."

Em junho de 1957 é julgado e "condenado a dois anos e nove meses de prisão," seguindo "para a prisão de Peniche." É ainda na prisão que casa "com Isaura Silva, em 1959. Um ano depois, Borges Coelho opta por não integrar a fuga de Peniche de vários dirigentes do PCP," recusando assim voltar à clandestinidade. A sua pretensão era a de se dedicar "a uma carreira como historiador após a libertação" algo que mais tarde acabaria por acontecer, mas não sem antes ter sido "castigado e enviado para o Aljube." Ali, foi sujeito "à tortura da estátua e a seis meses de isolamento."
Regressado à prisão de "Peniche, dedica-se ao trabalho de escrita histórica. Em 1962 ser-lhe-ia concedida liberdade condicional por um período de cinco anos." Diz o PCP que, depois de adquirida a liberdade, Borges Coelho toma a decisão "de se desvincular do PCP," mas não se sabe se terá sido assim, uma vez que terá continuado a "manter um posicionamento de estreita colaboração com o Partido."
"Em 1967 conclui a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa. Em 1968 torno-se jornalista, n’ A Capital." Depois disso, veio ainda a trabalhar "no Diário de Lisboa, Diário Popular, Vértice ou Seara Nova."
"Já em liberdade continuou os trabalhos que tinha iniciado no Forte de Peniche e escreve “As Raízes da Expansão Portuguesa”, livro que foi apreendido das livrarias e que o levou a ser submetido a novos interrogatórios pela PIDE. No ano seguinte publicou “A Revolução de 1383”.
Além destes, publicou as obras "Questionar a História, A Inquisição em Évora (1987)" bem como "vários volumes da História de Portugal."
Até 2020, foi "presidente do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, com quem colabora desde o seu início. Em 1999, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, em 2018 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e em 2019 foi-lhe atribuída pelo Governo a Medalha de Mérito Cultural." Tinha publicado este ano, na editora Caminho, "a coletânea Poemas."
Uma das fontes vivas da memória deixou-nos e deixou mais pobre o nosso país. O PCP diz dele que é um "homem vertical, solidário, homem de causas e de luta pela liberdade, pela emancipação social, por um Portugal democrático, de progresso e de justiça." Pelo menos, ficaram a sua escrita e os seus relatos e isso será mais difícil de apagar.
Fontes:
https://www.museudoaljube.pt/doc/antonio-borges-coelho-jorge-tavares-da-silva/
https://www.pcp.pt/faleceu-antonio-borges-coelho
Hoje o dia amanheceu mais triste.
Morreu o Papa Francisco, um homem que se destacou pela sua simplicidade, mas também pela controvérsia, pelas suas origens e sobretudo, pelas suas mensagens de amor.
Jorge Mario Bergoglio nasceu a 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores de Buenos Aires, na Argentina. Era neto de emigrantes, vindos do norte de Itália. O mais velho de cinco irmãos, teve uma educação católica. Em "1957, formou-se em Química," ao que se seguiu aos 21 anos, a sua entrada para o "seminário da Companhia de Jesus" onde se formou "na área da Filosofia."
"Uns anos mais tarde, deu aulas nos colégios da Companhia de Jesus em Santa Fé e em Buenos Aires," onde ensinou "Literatura e Psicologia." Nesta época, uma doença respiratória que lhe surgiu na juventude, piorou e "teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão." Isso não o fez parar e, a "13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, graduou-se em Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, continuando a lecionar em paralelo."
Vivia-se uma ditadura militar na Argentina quando, durante a década de 1970, Jorge Bergoglio "foi eleito responsável pela ordem jesuíta" no seu país. "Em 1986 foi para a Alemanha, onde finalizou a tese de doutoramento." Regressou à Argentina em 1992, tendo sido "designado bispo auxiliar de Buenos Aires."
Recebe o "título de cardeal" a 21 de fevereiro de 2001. Nesta ocasião, terá convencido "centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres."
Em 2005, no conclave que levou à eleição "do alemão Joseph Ratzinger", acabou por ser "o segundo mais votado entre os cardeais."
"Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa do continente americano, o primeiro pontífice do hemisfério sul, o primeiro chefe da Igreja Católica não europeu desde há mais de 1200 anos e também o primeiro jesuíta a assumir as funções no Vaticano." Foi padre, professor universitário e arcebispo. "Foi também o primeiro papa com o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, simbolizando humildade e compromisso com os pobres." Disse sempre que não queria ser Papa, mas acabou por ser "eleito pelo Conclave a 13 de março de 2013, apesar de quase nada indicar que seria o escolhido para suceder Bento XVI."
Ontem, o Papa Francisco despediu-se. Já muito debilitado, apareceu pela última vez na Praça e, podemos até dizer que de forma simbólica, teve o seu "último" banho de multidão, tivesse ele consciência disso ou não. No seu último dia de vida, a sua presença foi
Sustentava que a Igreja devia "ser mais aberta e acolhedora," defendendo uma igreja para "todos." Esteve sempre "próximo do povo." Durante o seu papado, deu enfoque à "justiça social" e tentando sempre manter uma "abertura ao diálogo interreligioso." Quis tornar a igreja mais inclusiva, chegando a promover "uma postura mais aberta sobre temas polémicos na Igreja mais conservadora, como o acolhimento a divorciados, de pessoas LGBTQ+ e pessoas em situação de marginalização. Foi também o primeiro a nomear uma mulher para um cargo no Vaticano.
Durante o seu papado, "deu ênfase ao combate de abusos sexuais por membros do clero católico, tornando obrigatórias as denúncias e responsabilizando quem as omite."
Foi sempre um homem dedicado à promoção da paz, tentando "aproximar e fortalecer o diálogo inter-religioso, encontrando-se com líderes islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos." Mostrou sempre que condenava "a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques na Faixa de Gaza, nos combates entre Israel e o Hamas."
Durante o seu pontificado, "Francisco visitou Portugal em duas ocasiões." A primeira foi em maio de 2017 aquando das "celebrações do Centenário das Aparições de Fátima - tendo estado no Santuário de Fátima, onde canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto." A segunda vez que cá esteve foi em 2023, na tão falada "Jornada Mundial da Juventude" que se em Lisboa. Nessa ocasião, "presidiu a celebrações no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, visitou bairros da capital portuguesa e reuniu com vítimas de abusos na Igreja." Chegou ainda a visitar novamente o santuário de Fátima.
"O estado de saúde de Francisco era frágil há vários anos, tendo-o levado a pelo menos três hospitalizações desde 2023." Este ano, a situação piorou bastante e, chegou a estar 38 dias internado "devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março." Desde aí, tem estado a recuperar desta situação.
De acordo com informação já divulgada pelo médico "Andrea Arcangeli, responsável pela certidão de óbito," do sumo pontífice, a sua morte ter-se-á devido a um "Acidente Vascular Cerebral (AVC) que provocou uma insuficiência cardíaca irreversível."
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco
Faleceu Nuno Guerreiro. Para mim, uma das maiores vozes portuguesas da atualidade. Ainda no outro dia, mostrava ao meu filho a canção "Caçador de sóis", uma das minhas preferidas.
Nascido em Loulé, a 5 de Setembro de 1972, cedo Nuno quis ir para a capital estudar.
Estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional, para onde foi com apenas 16 anos para tentar uma carreira como bailarino, mas foi com a limpidez e singularidade da sua voz que se destacou. Dançou no palco do Teatro São Luiz, tendo também sido neste palco que cantou pela primeira vez, numa colaboração "com o grupo Diva de Natália Casanova."
Carlos Paredes viu-o a cantar e convidou-o "a participar, em 1992," nos seus concertos de Lisboa e do Porto. "Colaborou também com o ex-Madredeus Rodrigo Leão." Mais tarde, integraria a "Ala dos Namorados", convidado por João Gil e Manuel Paulo.
Gravou a solo o álbum "Carta de Amor", e o álbum "Tento Saber" em 2002. Juntou-se a outros grandes nomes para um tributo a José Afonso (com Olavo Bilac, dos "Santos & Pecadores" e Tozé Santos da banda "Per7ume"). Em 2014 lança o álbum "Felicidade."
Em 2021 participou no programa "A Máscara" da SIC, onde desempenhou brilhantemente o papel de "Coruja".
Atualmente, Nuno era colaborador no Cineteatro de Loulé, na área da produção e estava também envolvido num projeto intitulado "Nuno Guerreiro & Mau Feitio, composto pelos músicos do Algarve Ricardo J. Martins, João Palma, Vítor Bacalhau e Vasco Moura. O grupo deu vários concertos recentemente." Chegou mesmo a dar dois espetáculos, "com casa cheia", nos dias 30 e 31 de março, juntamente com os 'Mau Feitio' e com a Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Artistas de Minerva.
Nuno Guerreiro tinha apenas 52 anos. Lançou o seu último trabalho como vocalista da banda Ala dos Namorados em 2023. O seu último trabalho a solo tinha sido lançado no ano anterior e encontrava-se ainda a colaborar com a AR para a produção de um evento nas celebrações do 10 de Junho deste ano.
Uma enorme perda para o nosso panoraman musical... fica por saber o que esta voz ainda teria para nos dar, tal o seu talento!
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Guerreiro_(cantor)
João Cravinho tinha 88 anos e faleceu devido a doença prolongada. Encontrava-se em casa.
João Cravinho, nasceu em Angola em 1936, foi engenheiro de formação, militante do partido socialista e "ministro da Indústria e Tecnologia do IV governo provisório de Vasco Gonçalves, em 1975." Anos mais tarde, foi também "ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, no XIII Governo, liderado por António Guterres." Chegou a ser "ministro da República em vários Governos, deputado à Assembleia da República em várias legislaturas e deputado ao Parlamento Europeu, onde aliás foi vice-presidente."
Defendeu sempre a "ética na política e na vida pública," e desempenhou um "importante papel na luta anticorrupção," mesmo contra "deputados parlamentares do seu próprio partido." Foi o que aconteceu quando, em 2006, "apresentou um ‘pacote anti-corrupção’, que incluía a polémica proposta de criminalização do enriquecimento ilícito, e que foi rejeitado pela sua própria bancada parlamentar, numa altura em que o líder do PS era o primeiro-ministro, José Sócrates."
Entre "2007 a 2011, foi administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), com sede em Londres."
De acordo com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, João Cravinho ter-se-á também destacado "como Presidente da Comissão Independente para a Descentralização. Multifacetado, pautou a sua vida por uma defesa incansável da ética na política e na vida pública, lutando sempre contra a corrupção e desempenhando os mais diversos cargos com desassombro e coragem."
Fontes:
Os incêndios que lavram em Los Angeles, no estado norte-americano da Califórnia, tomaram proporções nunca vistas e, para mim, inimagináveis num país que se diz tão evoluído. Perante as condições atmosféricas adversas principalmente devido à ocorrência de fortes ventos (os conhecidos ventos de Santa Ana) e à persistência de vários meses de seca intensa, como é que foi feito o planeamento do combate aos incêndios que, como podemos facilmente constatar, são comuns naquela região? E, apesar de todas estas condições, como é que se deixa evoluir esta situação até ao extremo, tendo em conta que estamos em pleno inverno?
Agora, depois de vários dias de caos, há a lamentar a morte de 16 pessoas e outras 16 continuam desaparecidas. A maioria das pessoas seguiam as indicações dadas pelas autoridades e deixou tudo para trás. "As bocas-de-incêndio secaram na zona de luxo de Pacific Palisades, enquanto a escassez de água também dificultou os esforços noutros locais." Na maioria dos casos, não chegou sequer a haver qualquer tentativa de salvar as habitações. "Até ao momento, os incêndios florestais destruíram mais de 12 mil habitações e outros edifícios e queimaram 145 quilómetros quadrados."
As "primeiras chamas surgiram, na manhã de terça-feira (7/1), em Pacific Palisades, um bairro rico que fica entre as Montanhas de Santa Monica e o Oceano Pacífico." O fenómeno que provoca os ventos de Santa Ana, "que têm alimentado e espalhado as chamas," dificultando muito o combate. "Na madrugada do dia 9 de janeiro, o incêndio" de Palisades, tinha já destruído "uma área de cerca de 6.900 hectares."
Tem sido dado, na comunicação social, um certo destaque às várias celebridades que foram evacuadas das suas casas, como se ser alguém conhecido, fosse um fator diferenciador para o próprio do incêndio. É, na nossa sociedade, sim, diferente ser conhecido. É diferente viver em Skid Row, em Los Angeles ou em Santa Mónica. Para as chamas? Não há diferença... A situação é catastrófica!


Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c20503w69x6o
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gx59jvvelo
Imagens retiradas de: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpq9qqj27z7o
O 25 de abril de 1974 trouxe grandes mudanças na governação do país, o que levou a uma clara distinção "entre aqueles que pretendiam prosseguir a revolução com o MFA, incluindo-se aqui o governo liderado por Vasco Gonçalves e os que entendiam que o caminho se deveria fazer com os partidos políticos sufragados em eleições."
As opiniões dividiam-se e o país acabou por assistir, nos meses seguintes, a vários "episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita. Sentia-se no ar "a ameaça de uma guerra civil." O que se passou no dia 25 de novembro, foi um entre tantos momentos importantes, naquele período de dois anos que vai de 1974 a 1976. Foram dois anos complicados, em que se sucederam diferentes governos provisórios, em que uns se demitiram e outros se revoltaram. Não se fala disto nos livros de História e, só se o formos pesquisar, é que encontramos alguma informação sobre esta data e sobre os vários acontecimentos que se sucederam à Revolução de Abril. Parece que foi apenas uma data e que no dia seguinte, a democracia estava instalada. Nada disso...
Em julho de 1975, Vasco Gonçalves, faz a proposta de recentrar "a autoridade no Conselho da Revolução, e a liderança política num diretório que incluiria também Costa Gomes (na altura Presidente da República) e Otelo Saraiva de Carvalho." Vasco Gonçalves, ficaria conhecido como "companheiro Vasco" e já em finais de 1973, tinha integrado o movimento dos capitães e participado na comissão responsável pela elaboraço do "programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), assegurando também a ligação ao general Costa Gomes," sendo por isso uma das várias personalidades importantes e que é tantas vezes esquecido.
Outros, seriam os integrantes de um grupo organizado e composto por "um conjunto de militares moderados e pertencentes ao Conselho da Revolução," designado de “Grupo dos Nove." Este grupo vem propor que "o poder seja exercido pelos partidos políticos.
Este grupo, "composto por militares conotados com a ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)", lançaram a 7 de agosto de 1975, um documento que ficaria conhecido como o “Documento dos Nove”, em que se "opunham aos modelos socialistas da União Soviética e da Europa do Leste, assim como à social-democracia europeia."
Vieram ainda a propor um "sólido bloco social de apoio a um projeto nacional de transição para o socialismo", mas que fosse de forma inequívoca, "inseparável da democracia política”.
No entanto, acabam por ser mesmo afastados do "Conselho na sequência dessa tomada de posição," e em resultado do confronto entre as diversas forças políticas durante o chamado " Verão Quente de 1975," Vasco Gonçalves acaba também por ser afastado do poder, "não voltando à ribalta política."
No dia 12 de novembro desse ano, "houve uma manifestação reivindicativa que contou com dezenas de milhares de trabalhadores e que cercou o Palácio de São Bento durante dois dias," impedindo que os deputados que estavam lá dentro pudessem sair "durante dois dias." O Ministério do Trabalho recusa-se a receber os manifestantes o que conduz a ações mais radicais e à mobilização contra o VI Governo Provisório.
Na semana seguinte o governo - algo que eu nunca pensei que pudesse acontecer - "entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato." O país acaba por ficar num limbo em que não tem quem o governe.
É a 25 de novembro que toda esta tensão chega ao limite, "com setores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado," com o Grupo dos Nove a ser responsável por "organizar e desencadear as operações do 25 de Novembro fazendo a tal correção para a via democrática, liberal." Este golpe acabou por sair frustrado pelos militares que se encontravam em conluio com o “Grupo dos nove”, apoiados por um "plano militar liderado por Ramalho Eanes."
Mas qual o motivo de tanta discórdia, se a verdade é que este golpe pôs fim aos extremos (da esquerda e da direita)?
Para Joaquim Vieira, autor da biografia de Mário Soares, “o 25 de Novembro assinalaria o fim do PREC e a entrada de em fase de normalização democrática, com a consagração do projeto constitucional e a realização dos atos eleitorais nele previstos." O resultado, acabou por ser a vitória da chamada "ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)," que "marcaram o fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC)."
Diz também o autor que, o próprio Mário Soares, se fosse vivo, teria recusado participar nestes festejos. O seu papel foi, no entanto, preponderante na vitória da democracia conseguida nessa data. Mário Soares era, na época, "ministro sem pasta do IV Governo Provisório," e como representante do PS, assinaria "o primeiro pacto constitucional MFA-Partidos," em abril de 1975. Depois da sua demissão, "juntamente com os restantes ministros do PS, a 10 de julho de 1975," e da "demissão dos ministros do PSD", a crise agravar-se-ia.
A 23 de novembro, o discurso que faz durante a "manifestação do PS na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa," acabou por ser um marco simbólico "na mobilização que visava conter os setores mais radicais do processo revolucionário português."
Este ano, pela primeira vez, a data será celebrada na Assembleia da República - assinalando-se a passagem de 49 anos desde o acontecimento. Porquê só este ano - ou porquê este ano?
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/
https://ensina.rtp.pt/artigo/vasco-goncalves-o-companheiro-vasco/
Faleceu hoje o conhecido cantor Marco Paulo, aos 79 anos, após uma luta inglória contra o cancro, uma doença que continua a matar de forma indiscriminada apesar de todos os avanços que a medicina tem tido.
João Simão da Silva, nasceu a 21 de Janeiro de 1945, em Mourão, "no distrito de Évora, fixando-se com a família em Alenquer, no distrito de Lisboa, no final dos anos 1950, e depois no Barreiro, já na década de 1960." Marco Paulo - ou, como em menino era conhecido - João Silva, tinha uma relação de afeto e "cumplicidade com os irmãos," mas do pai, um homem austero, recebeu "pouco carinho."
A sua carreira foi sempre seguida por milhares de fãs, tendo o cantor lançado "mais de 70 discos e várias canções de sucesso" ao longo de 50 anos de carreira.
A sua estreia foi nas festas de Alenquer a cantar a "Campanera" de Joselito. Com 14 anos, "entra para o rancho folclórico de Alenquer onde esteve dois anos como cantor até ir viver para o Barreiro."
Devido à profissão do pai, que obrigava a várias deslocações chegou a viver também em "Celorico de Basto, Alcabideche, Alenquer e Arcos de Valdevez," bem como no Barreiro ou em Sintra.
É a fadista"Cidália Meireles," que o vem a descobrir, já no Lavradio, onde o jovem João Simão frequentava "aulas de canto com Corina Freire," cantora lírica. Cidália Meireles levou-o ao seu programa e, as portas abriram-se para que participasse "pela primeira vez no Festival da Canção da Figueira da Foz." Esta participação fez com que fosse visto e fosse "convidado por Mário Martins, da editora Valentim Carvalho, para gravar o seu primeiro disco."
Em 1967, participou no Festival RTP da Canção com "Sou Tão Feliz", depois do que foi para a Madeira onde cantou "com Madalena Iglésias," e em 1982 voltou ao festival para interpretar “É o Fim do Mundo”, de João Henrique e Fernando Guerra.
Marco Paulo, fez a tropa "em Beja, Leiria e Estremoz", mas com a guerra colonial ainda decorrer foi enviado para a Guiné, onde a sua estadia foi um pouco diferente da da maioria dos jovens que para lá iam. Apesar de lhe terem dado uma Mauzer, era no escritório que passava a maior parte do tempo. O seu principal problema, se é que assim se poderia chamar, era andar sempre distraído em cantorias. Durante uma brincadeira, um colega atingiu-o na cabeça com uma pressão de ar e o chumbo nunca chegou a ser retirado. Durante o tempo que esteve na Guiné, ficou sempre na cidade e nunca chegou a estar no mato, onde a situação era muito mais complicada. "Cantava nos aniversários" dos camaradas e animava as festas para que o convidavam por já ter discos seus a passar "na rádio."
Marco Paulo ganho vários prémios, entre os quais, "em 1978, conquistou o seu primeiro disco de ouro com o single “Canção Proibida/Ninguém Ninguém”, com 85 mil cópias vendidas." Em 1979 ganhou o "disco de ouro com “Mulher Sentimental” e, em 1980, com o êxito “Eu Tenho Dois Amores”, versão de “Petra”, do grego Giorgos Hatzinasios, com 195 mil discos vendidos."
O cantor ganhou ainda "140 discos de platina, ouro e prata, tendo vendido mais de cinco milhões de discos e sendo o quinto cantor nacional com mais discos vendidos de que há registo."
É ainda "o único cantor português com um disco de diamante," que venceu com a canção “Maravilhoso Coração”.
Entre muitos outros discos, editou em 2001, o disco "35 Anos da Nossa Música", onde podíamos ouvir temas como "Nossa Senhora", "Te Amo, Te Amo" e "Amália A Nossa Voz."
Foi também apresentador, num programa que passava ao domingo à noite na RTP 1: “Eu Tenho Dois Amores," (1994-1995). Dois anos depois e ainda na RTP, apresentou o programa “Música no Coração”, onde fazia entrevistas a convidados ligados ao meio musical e artístico.
Foi em 1996 que o diagnóstico do primeiro cancro chegou, localizado no "testículo direito."
Corria já o ano de 2016, quando Marco Paulo "tornou público que lhe fora diagnosticado cancro da mama e que seria submetido a tratamentos. No final desse ano, revelou que o seu estado de saúde se tinha agravado com o diagnóstico de um tumor pulmonar." No mesmo ano, o cantor foi galardoado com "o Prémio de Mérito e Excelência na XXI Gala dos Globos de Ouro." Em 2022, foi "condecorado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa", com a "distinção de Comendador da Ordem Infante D. Henrique, numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa."
Já na SIC, estreia em "junho de 2021," o programa “Alô Marco Paulo”, onde Ana Marques co-apresentava com o artista. O programa, que "começou por ser transmitido nas tardes de sábado da SIC," passou em abril de 2022 para as manhãs de fim de semana. Em 2022, "quando era atualizado sobre o estado do tumor pulmonar, descobriu o cancro no fígado."
Já em janeiro de 2023, a Sica lança na plataforma Opto, uma série biográfica que descreve com vários pormenores a vida do cantor, “Marco Paulo: A História da Minha Vida."
Desde junho deste ano, tinha estado a ser "transmitida uma emissão especial"com o título, “Força, Marco Paulo”,que tinha como principal intuito apoiar o cantor, já visivelmente debilitado, na"luta contra dois cancros," tendo o cantor sido informado pelos médicos de "que os tratamentos de quimioterapia seriam suspensos por não estarem a resultar." Em resultado disso, "o cantor encontrava-se em repouso em casa."
Em maio do presente ano, foi-lhe feita uma bonita homenagem, como todas deveriam ser, ainda em vida, no espetáculo “Para Sempre Marco." O cantor cantou o refrão de “Maravilhoso Coração”, deixando ainda uma mensagem emotiva. Da sua vida privada, o cantor manteve quase sempre segredo.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Paulo
Hoje recordo as músicas da minha infância e, na altura, mal eu sabia que devia a esta senhora as criações e adaptações que eu ouvia e cantarolava. Ana Faria, deixou-nos ontem, mas as suas músicas irão sempre fazer parte das minhas lembranças e, de certeza, das vossas também. Tinha 74 anos.
Foi no programa Zip Zip, transmitido no final da década de 1960, que Ana Faria se tornou conhecida (nessa altura eu ainda não era nascida) interpretando a "Canção de Embalar", de José Afonso, e "Avé Maria do Povo", popularizada por Simone de Oliveira. Em 1982, publica o disco "Brincando aos Clássicos", em que "interpretava sinfonias clássicas de compositores como Beethoven ou Mozart."
Em conjunto com o marido, Heduíno Gomes, que era responsável pela produção, "criaram os grupos Queijinhos Frescos, Jovens Cantores de Lisboa, seguindo-se os Onda Choc, com mais de um milhão de discos vendidos." Foram também responsáveis pela criação dos Popeline.
"A maioria das músicas destas bandas eram sucessos de versões internacionais com uma letra nova em português," que todos decorávamos de tanto rodar as cassetes! Era um mimo, que a minha mãe me comprava, ainda antes de termos leitor de cd's e, algumas dessas cassetes ainda resistiram e estão cá em casa. Momentos felizes.
Os "Quijinhos Frescos" era formado "pelos três filhos de Heduíno Gomes e Ana Faria, nomeadamente: João Faria Gomes, o mais velho; Nuno Faria Gomes, o irmão "do meio"; e Pedro Faria Gomes, o mais novo." Ainda gravaram alguns discos "para a editora CBS" tendo obtido bastante sucesso "na década de 1980."
Em 1984 sai o álbum "Ana Faria e os Queijinhos Frescos", ao qual se seguiu o álbum discográfico "Batem Corações." Segue-se o lançamento do "single com o tema do programa Jornalinho da RTP." Em 1986, é então "editada a compilação "O Melhor dos Queijinhos Frescos." Aparece então um novo grupo infantil: Onda Choc.
Os Onda Choc era um grupo "constituído por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade. Os elementos eram recrutados através de casting e ou através do coro juvenil dos Jovens Cantores de Lisboa. Os ensaios das canções e das coreografias decorriam num pavilhão do Clube Futebol Benfica (também conhecido como Fófó), e as produções discográficas ficaram a cargo de Heduíno Gomes, o marido da cantora Ana Faria."
Em 1992 surgiram as "Popeline", um grupo feminino de música infantil. Recordo as roupas coloridas e os chapéus!
Ana Faria dedicou-se mais tarde à pintura e aos retratos, bem como à escrita para crianças.
Fontes:
https://observador.pt/2016/01/20/ministars-onda-choc-outros-miudos-cantam/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Onda_Choc
https://pt.wikipedia.org/wiki/Queijinhos_Frescos
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