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Caderno Diário

Caderno Diário

03
Mar21

Maria José Valério

Elsa Filipe

3.05.1933 - 03.03.2021

Hoje a cultura ficou mais pobre com a morte (pelas notícias que li terá sido mais uma vítima de Covid19) de Maria José Valério, que estaria internada desde 20 de Fevereiro no hospital de Santa Maria. A artista, cuja imagem de marca era a sua franja verde, notabilizou-se pela forte presença nos grandes palcos e, também, por ser a intérprete da "Marcha do Sporting". 

Embora no curso de Direito, Maria José começou a deixar-se levar pela música tendo com a ajuda do tio, o maestro Frederico Valério conseguido passar numa audição na Emissora Nacional que lhe deu acesso ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio. Na verdade, este foi o ponto de partida de uma carreira que logo nos anos 50 viveu um período de grande sucesso, participando em vários espetáculos de variedades da mesma Emissora Nacional mas também nas emissões experimentais da RTP, feitas na Feira Popular, em Lisboa. 

Protagonizou outros êxitos como "Olha o Polícia Sinaleiro" e "As Carvoeiras". 

Também se destacou no cinema, com participação no filme "O Homem do Dia" (1958), de Henrique Campos e Teresita Miranda, protagonizado pelo ciclista Alves Barbosa.

Na década de 1960, foi eleita rainha da Rádio de Goa, território então sob administração portuguesa.

Em 1962, casou com o matador de touros José Trincheira, que marcou a atualidade da época, com transmissão em direto pela RTP. O casamento foi celebrado pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, tendo o Papa mandado tocar os sinos em Roma, em sinal de bênção.

A artista gravou, em homenagem ao marido, do qual se veio a separar, o 'pasodoble' "Trincheira", no qual exalta as suas qualidades toureiras. O toureiro despediu-se das arenas em 1989.

Nos anos 90, participou na série televisiva "Um Solar Alfacinha" ao lado de Deolinda Rodrigues, Pedro Pinheiro, Carlos Cabral, Natalina José e Natália de Sousa, entre outros.

Em 2000, participou na série televisiva "Casa da Saudade", de autoria de Filipe la Féria, tendo contracenado com Carmen Dolores, Anita Guerreiro, Virgílio Teixeira, Raul Solnado, João d'Ávila, Helena Rocha e Artur Agostinho, entre outros.

Em 2004, recebeu a Medalha de Mérito da Cidade de Lisboa, grau ouro. Em maio de 2009, o município da Amadora inaugurou um centro cultural com o seu nome, na freguesia da Venteira.

Em 2017, liderou, com o cantor António Calvário, o espetáculo "Do musical à revista".

Maria José Valério internada após cair em casa e perder os sentidos

O seu repertório, dividido entre o fado e a canção ligeira, inclui temas como "Cantarinhas", "Fado da Solidão", "Expedicionário", "Um Dia", "Casa Sombria", "Deixa Andar", "Férias em Lisboa", "Longos Dias", "Lisboa, Menina Vaidosa", "Nunca Mais", muitos da dupla de autores Eduardo Damas e Manuel Paião, que assinam também a "Marcha do Sporting".

17
Fev21

Carmen Dolores

Elsa Filipe

22/04/1924 - 16/02/2021

Ontem soube que o mundo da representação tinha ficado mais pobre com a morte da atriz Carmen Dolores, com 96 anos. 

Deixo-vos aqui hoje um pouco da sua história de vida, que contou com grandes marcos. 

Carmen Dolores nasceu a 22 de abril de 1924 e era filha de José Sarmento, (jornalista, tradutor e crítico de teatro) tendo por isso desde muito cedo, tido contato com o meio teatral lisboeta.

Estreou-se como atriz aos 19 anos, com o filme 'Amor de Perdição'. Foi declamadora na rádio e pisou o palco pela primeira vez no Teatro da Trindade em Lisboa em 1945, na Companhia "Os Comediantes de Lisboa". A partir daí, foi sempre somando sucessos.

A carreira passou pelos palcos mas também pela televisão, em  telenovelas como 'Passerelle', 'A Banqueira do Povo' ou a 'Lenda da Garça'.

Pelo cinema, além de 'Amor de Perdição', esteve também em 'Balada da Praia dos Cães' ou a 'Mulher do Próximo'.

Foi uma das fundadoras da APOIARTE/Casa do Artista, com Raul Solnado, Manuela Maria, Armando Cortez e Octávio Clérigo. Abandonou os palcos em 2005.

Recebeu ainda várias distinções pelas interpretações no teatro, no cinema e na televisão. A primeira distinção foi a de melhor interpretação feminina de cinema, no filme "Um homem às direitas", em 1944. Foi ainda agraciada pela Presidência da República com a Ordem de Sant'Iago da Espada em 1959, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 2005 e com as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Mérito em 2018.

Imagem Presidência da República.
03
Fev21

Adelaide João

Elsa Filipe

27/07/1921 - 03/02/2021

Um surto na "Casa do artista" levou dos palcos a querida Adelaide João. Uma vida cheia de muitas outras vidas, as das personagens a que foi dando corpo ao longo de toda uma carreira.

Maria da Glória Pereira Silva, de nome artístico Adelaide João, nasceu em Lisboa em 27 de julho de 1921 e começou como atriz amadora no grupo de teatro da Philips.

A atriz iniciou-se pela mão do pai do ator Morais e Castro e foi buscar o nome profissional aos dois primeiros nomes da mãe e do pai.

Estudou no Conservatório Nacional e, em 1961, partiu para Paris para estudar teatro, com uma bolsa de estudo, tendo trabalhado com várias companhias francesas (obteve a carteira de atriz profissional em França). Chegou a ser dirigida por Ingrid Bergman.

Adelaide, integrou o elenco de "A intrusa", do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck. Participou em "A Castro", de António Ferreira, em 1961, e em "Eva e Madalena", de Ângelo César, em 1962.

Em 1961, representou "O consultório", de Augusto Sobral, no Teatro Nacional D. Maria II, e, um ano depois, "A rapariga do bar", dirigida por Couto Viana, no Teatro da Trindade pela Companhia Nacional de Teatro.

Em 1965, Adelaide João, volta de vez a Portugal, voltando também para a televisão e integrando a Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Helena Félix e Luzia Maria Martins.

Nos anos seguintes, integrou companhias como o Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado ou O Bando, de que era cooperante.

No teatro O Bando fez parte do elenco de peças como "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, e "Os anjos", de Teolinda Gersão, entre outras.

O seu trabalho na televisão repartiu-se por séries, telenovelas, telefilmes e teatro televisivo.

Participou também nas peças "O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, "A sapateira prodigiosa", de Federico García Lorca, "A vida do grande D. Quixote", de António José da Silva, "Schweik na Segunda Guerra Mundial", de Brecht.

Integrou o elenco de telenovelas como "Vila Faia" (1982), "Origens" (1983), "Chuva na areia" (1985), "Palavras cruzadas" (1987), "Nunca digas adeus" (2001) e "Tudo por amor" (2002).

Em filmes, a atriz desempenhou papéis em "Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos, "A última dança", "A mulher que acreditava ser presidente dos Estados Unidos", de João Botelho, "Telefona-me" e "A estreia", de Frederico Corado, "O processo do rei" e "O fim do mundo", de João Mário Grilo, "Francisca", "manhã submersa" e "Amor de perdição", de Manoel de Oliveira.

O último trabalho de Adelaide João na televisão data de 2014 na série televisiva "The Coffee Shop Series", cuja primeira temporada foi transmitida na SIC Radical e, a segunda, na RTP 2.

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02
Fev21

Cecília Guimarães

Elsa Filipe

28/05/1927 - 02/02/2021

Conhecia a cara, não sabia o nome. Tanto assim é, com outros atores e atrizes. Admirava muito o seu trabalho. Os atores como ela, que nos deixam, ficam sempre gravados e podemos revivê-los uma e outra vez, quando temos saudades. Recentemente participou na telenovela, “A Única Mulher” como Filomena (elenco adicional) que está agora a ser retransmitida na Tvi. 

A atriz estava na "Casa do Artista" depois de uma carreira de 70 anos em televisão e teatro. Aqui fica um pouquinho dessa história:

Cecília Guimarães fez o curso do Conservatório Nacional e estreou-se com "A qualquer hora o diabo vem", de Pedro Bom, no Teatro da Rua da Fé (1951).

Passou pela Companhia Alves da Cunha e pelo Teatro do Gerifalto. Ainda na década de 1950, foi trabalhar para o escritório da Fábrica de Condutores Eléctricos Diogo d'Avila, tendo sido convidada por António Lopes Ribeiro para participar no filme "O primo Basílio", com o qual foi distinguida com o prémio para Melhor Actriz, pelo Secretariado Nacional de Informação (SNI).

Cecília Guimarães foi uma das atrizes pioneiras na televisão, interpretando várias peças de teatro televisivo. Participou em filmes como "As Horas de Maria" (1979), "Francisca" (1981), "O Lugar do Morto" (1984), "A Filha" (2003), "Axils" (2016), "A Canção de Lisboa" (2016) e "Olga Drummond" (2018). Participou ainda em “O Princípio da Incerteza”, de Manoel de Oliveira, e, na televisão, desempenhou papéis que iam do drama, como na adaptação de “Harpa de Ervas”, de Truman Capote, à comédia mais recente, como “Milionários à Força”. 

Em televisão participou também em "A Mala de Cartão" (1988), "A Morgadinha dos Canaviais" (1990), "Cluedo" (1995), "Filhos do Vento"(1997), "Casa da Saudade"(2000), "Estação da Minha Vida" (2001) e "Hotel Cinco Estrelas" (2013).

Mais um grande atriz que nos deixa. Este ano tem sido terrível e ainda agora começou.

Imagem Diário da República.

31
Jan21

António Cordeiro

Elsa Filipe

18/05/1959 - 30/01/2021

Faria todo o sentido falar deles em vida, os que nos deixam memórias. Nas últimas entrevistas que deu (por exemplo no programa Alta definição, na Sic) António Cordeiro manifestou o sentimento de abandono e o desejo de voltar a trabalhar, mesmo com uma doença degenerativa que o estava a afetar de forma galopante e bem visível.

Estreou-se em 1987, na série "Duarte e Companhia" no papel de um psiquiatra. Tornou-se especialmente conhecido do grande público em 1991, quando protagonizou a série policial "Claxon" onde foi detetive.

A última novela em que participou foi em "Espelho de água" na Sic, em 2018, mas teve papéis também em "Coração de Ouro", "Mar salgado", "Laços de Sangue" e "Perfeito Coração" entre outras. Na "Ilha dos Amores" foi o Inspetor Resendes e no "Triângulo Jota" o detetive Anacleto. Também na 3ª série dos "Morangos com Açucar" o vimos representar.

No cinema, participou em filmes como "O processo do Rei" (1990), "Os Olhos da Asia" (1996)e mais recentemente em "Índice Médio de Felicidade" (2017) ano em que foi diagnosticado com paralisia supranuclear progressiva, doença rara e degenerativa que o foi privando da fala e dos movimentos até estar confinando a uma cama.

Morreu a 30 de janeiro de 2021, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com apenas 61 anos.

Imagem: <a href="//pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ant%C3%B3nio_Cordeiro.jpg" title="Conteúdo restrito">Conteúdo restrito</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=6479335">Hiperligação</a>

13
Jan21

Natália de Sousa

Elsa Filipe

25/01/1947 - 13/01/2021

Quem não recorda a participação de Natália de Sousa em o "Tal canal"?

Natália de Sousa ficou conhecida como uma das “coelhinhas” que acompanhavam a personagem "Tony Silva" (Herman José), contracenando com atores como Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro, Manuel Cavaco e Vítor de Sousa. Na televisão, teve outras participações também elas marcantes.

Participou em "Hermanias", e noutras produções de comédia como "Lá em Casa Tudo Bem", "As Aventuras do Camilo" e "Milionários à Força".

Foi presença regular em outras produções: "Nicolau no País das Maravilhas" (1975) e "Eu Show Nico" (1980), de Nicolau Breyner, e também em "Excursões Air Lino" (2018), com Rui Unas.

"Sabadabadu"E "O Resto São Cantigas", ambos de 1981, "Um Solar Alfacinha" (1990), "Não Há Duas Sem Três" (1998), "Médico de Família" (2000) e "As Taradas" (2003) são outras produções de espectáculo, comédia e ficção, que tornaram o rosto de Natália de Sousa conhecido por quase todos nós.

A actriz, no entanto, também fez papéis dramáticos, como em "O Homem que Matou o Diabo", série da RTP sobre o romance de Aquilino Ribeiro, 1979, "Antígona" de Jean Anouilh, filmada para a televisão pública em 1984, e "Ricardina e Marta" em 1990, novela baseada nos romances de Camilo Castelo Branco.

No teatro, foi co-fundadora companhia Ádóque - Cooperativa de Trabalhadores de Teatro, que construiu o seu próprio palco, no largo do Martim Moniz, em Lisboa, após o 25 de Abril. Entrou na revista inicial, "Pides na Grelha", em 1974, e na produção seguinte, a "CIA dos Cardeais", de 1975. Com esta companhia destacam-se igualmente os seus trabalhos em "A paródia" e "Ó da guarda!", em 1977, "Chiça! Este é o bom governo de Portugal" e "Paga as favas", de 1980 e 1981, respetivamente, depois ter atuado em "A Batalha do Colchão", que esteve em cena em 1977, no Teatro Capitólio.

No ano de 1978, fez parte do elenco de "Aldeia da Roupa Suja",  de Vasco Morgado, no Teatro Variedades, Parque Mayer. No início dos anos 80, entrou na revista "Não Há Nada Pra Ninguém", do Teatro Maria Vitória, e depois em "Sem Rei Nem Rock".

Em 1983, entrou no musical "Annie", no Teatro Maria Matos, onde contracenou com Manuela Maria e Canto e Castro, entre outros conhecidos atores.

Participou ainda em várias comédias, até meados da década de 1990, entre as quais "Coronel em Dois Actos", de Jean-Jaques Bricaire e Maurice Lasaygues, adaptada aos palcos portugueses por Francisco Nicholson, com Alina Vaz e Camilo de Oliveira, no Teatro Variedades.

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06
Ago20

Fernanda Lapa

Elsa Filipe

11/05/1943 - 06/08/2020

Nasceu na Junqueira, em Lisboa. Estudou no Colégio de Santa Maria de Belém e em 1962 passou pelo Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa (TAUL), integrando no ano seguinte o núcleo fundador da "Casa da Comédia", companhia de vanguarda na década de 60 em Portugal, ao lado de Fernando Amado, Maria do Céu Guerra, Manuela de Freitas, Norberto Barroca e outros jovens artistas.

Foi na "Casa da Comédia" que se estreou como atriz na peça de Almada Negreiros "Deseja-se Mulher", em 1963. E foi com essa mesma peça que se estreou como encenadora, também na "Casa da Comédia", em 1972, dirigindo a sua irmã São José Lapa.

Ao longo de quase 60 anos de vida profissional, Fernanda Lapa tornou-se uma figura de referência pela visão inovadora que trouxe para o teatro. Influenciou gerações de artistas e manteve uma atividade cívica constante na defesa de direitos das mulheres e na reivindicação de condições de trabalho para os criadores portugueses. No auge da sua luta, fundou a "Escola das Mulheres", em 1995 com Isabel Medina, Cucha Carvalheiro, Cristina Carvalhal, Aida Soutullo, Conceição Cabrita e Marta Lapa.

Do seu percurso conta-se o curso de assistente social no Instituto Superior de Serviço Social eo trabalho que desempenhou durante uma década na reabilitação de cegos na Fundação Sain.

Em 1979 conseguiu uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, que a levou para Varsóvia, a fim de frequentar a Escola Superior de Encenação. Nesta escola diplomou-se em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.

Encenou espetáculos de teatro, teatro-dança e ópera. Desenvolveu também outras atividades pedagógicas na área do teatro e do cinema, ao mesmo tempo que se destacava como atriz em teatro, televisão e cinema.

Foi nomeada para os 'Sete de Ouro' em 1984, 1990 e 1991. No ano de 1992, ganhou o prémio de melhor encenação e o Prémio de Crítica para a Encenação com "Medeia é Bom Rapaz". Em 1996, foi nomeada para os Globos de Ouro e recebeu o prémio SIC na modalidade de Teatro. Em 1999, recebeu o prémio especial "Procópio" e em 2005 ganhou o Globo de Ouro de Melhor Espetáculo com "A Mais Velha Profissão" e a Medalha de Ouro de Mérito cultural.

A atriz e encenadora continuava no ativo e coordenava até agora as comemorações do centenário do nascimento do escritor e dramaturgo Bernardo Santareno, que se assinala em 2020 e de quem a Escola de Mulheres vai levar a cena, previsivelmente em novembro, a obra "O Punho", com versão cénica da própria Fernanda Lapa.

Foi professora e diretora do conselho do departamento de artes cénicas da Universidade de Évora até agosto de 2012, e de onde se reformou. Também deu aulas na Escola Profissional de Teatro de Cascais e na Universidade Intergeracional (UNIESTE).

Fez diversas participações em televisão, das quais destaco a série da RTP "Pós de bem-querer" (1992), a telenovela "Filhos do Vento" em 1997, "O Processo dos Távoras" (escrita por Francisco Moita Flores, 2001) e onde também entraram Henrique Viana, João d’Ávila, Júlio Cardoso, Lia Gama, Canto e Castro e João Lagarto, a telenovela "Lusitana Paixão" na RTP em (2003) e na telenovela da TVI "Doce Fugitiva", em 2006, e em 2016 participou na "Impostora" na TVI.

Em janeiro deste ano, estreou a sua última criação, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa: a peça Sem Flores Nem Coroas, de Orlando Costa (pai do atual primeiro-ministro, António Costa, e amigo de longa data de Fernanda Lapa).

A atriz estaria agora gravar "Amar demais". O elenco perdeu também Pedro Lima, em Junho deste ano.

 

20
Jun20

Pedro Lima

Elsa Filipe

20/04/1971 - 20/06/2020.

Muito está ainda por explicar, mas tudo indica que o ator se suicidou, após se despedir dos amigos mais próximos. Não há palavras que exprimam o que se sente neste momento, pois como pode uma pessoa com 5 filhos, uma relação com 20 anos, uma carreira reconhecida, acabar assim com a própria vida? São esses os mistérios da nossa mente, os fantasmas que atormentam quem sofre e que mais ninguém tem o poder de sentir nem de perceber. Mesmo com sinais de depressão confessados aos amigos e até através da imprensa, ninguém viu. O sorriso fácil escondia a dor.

E também esta crise, esta pandemia que tem levado à destruição de tantos sonhos, à dissolução de negócios, aos despedimentos, à perda de bens, ao desmoronamento das vidas até aí construídas. Ninguém sabe o que se passou, mas como estes, outros casos haverão por aí, em que a falta de trabalho, a solidão (mesmo em famílias grandes e aparentemente felizes é possível estarmos sós? Sim, às vezes tão sós que dói), a perda de alguém e a destruição dos sonhos de vida levam à escolha de um trágico destino.

Os meus sentimentos para a família e para os amigos. E que seja uma lição, para que não se esqueçam dos nossos atores, dos nossos artistas, cantores, sonógrafos, guionistas... 

Pedro Lima nasceu em Luanda, a 20 de abril de 1971. Foi atleta olímpico na modalidade de natação, por Angola, tendo participado nos jogos olímpicos de 1988 e 1992.

Mas foi como ator que muitos de nós o conhecemos.

Entrou no meio artístico através de Ricardo Carriço, na Central Models. Iniciou-se na RTP2, tendo apresentado Magacine, um programa dedicado ao mundo do cinema.

Nas novelas participou em "Terra mãe", "Os lobos", "O Último Beijo", "Ninguém como Tu", "Fala-me de Amor", "Ilha dos Amores", "A Herdeira" e "A Outra" entre muitas outras com pequenos e grandes papéis.

Participou também na novela "Espírito Indomável" (2010), que está a ser transmitido novamente pela TVI. Estaria a gravar a nova novela da TVI "Amar Demais" que irá estrear possivelmente em Dezembro.

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