Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Nos últimos dias, tenho dado conta de que se fala cada vez mais em drones e em ataques feitos com estes disposoitivos. Temos também assistido, a partir dos blocos noticiosos, a diversos relatos de aeronaves russas que violam o espaço aéreo de países pertencentes à NATO. Embora sem danos diretos, estes voos podem ter diferentes causas e diversas intenções, desde logo, permitir testar as defesas anti-aéreas e os tempos e formas de reação de cada país a um ataque russo.

Dsta vez, três caças entraram no espaço aéreo da Estónia e, de acordo com o governo deste país, não tinham "autorização" para o fazer e voaram "durante 12 minutos antes de serem interceptados por F-35 italianos," que estariam na região a participar "numa missão de vigilância do Báltico." Estas aeronaves, não responderam a nenhum a tentativa de "comunicação de rádio bidirecional com o controlo de tráfego aéreo da Estónia e não tinham planos de voo," o que constitui desde logo uma situação grave que podia mesmo ter levado ao abate dos caças. No caso da Estónia, esta foi a quarta vez este ano que tal aconteceu e já levou a que "vários líderes políticos europeus" condenassem "o incidente, entre os quais a ministro da Defesa da Lituânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o chefe da diplomacia alemã, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, bem como os primeiros-ministros da Suécia e da Chéquia."

Situação idêntica tinha acontecido na Polónia, cerca de uma semana antes, "depois de mais de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo do país" e levando a que aviões da NATO tivessem mesmo chegado a abater alguns deles. Este incidente levou a que a NATO, tivesse, ainda no passado sábado, avançado com a ativação da "iniciativa militar Sentinela Oriental, criada para reforçar a defesa do flanco oriental." 

No caso da Polónia, este ato foi considerado como uma provocação, que deve ser levada a sério pela NATO, tendo ainda solicitado "uma reunião extraordinária do conselho de segurança da ONU." Entretanto, "dois caças russos sobrevoaram a baixa altitude a plataforma Petrobaltic, no Mar Báltico," violando a "zona de segurança da plataforma."

Sobre a mesma situação, Portugal, através de Paulo Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros), "convocou o embaixador russo para pedir explicações" acerca da "invasão do espaço aéreo e da fronteira" da Polónia. Não nos podemos esquecer que o nosso país está, apesar de tudo, envolvido diretamente na defesa do espaço aéreo e marítimo europeu, seja através da sua participação ativa em missões da NATO, seja pela importância da sua localização geográfica, particularmente, da base das Lajes, sita nos Açores.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já veio, no entanto, em defesa do seu homólogo russo, dizendo que se poderia ter tratado apenas de um "acidente," ou "um erro," embora estes atos estejam a ser vistos por algumas forças da NATO, como testes às defesas aéreas de países que fazem parte da organização, bem como, atos de provocação, para incitar a que outros países se envolvam na guerra. O perigo, é nunca sabermos de que lado é que ele está e, isso sim, é um perigo!

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/09/19/mundo/noticia/estonia-denuncia-violacao-espaco-aereo-cacas-russos-2147853

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-15-polonia-abate-drone-que-sobrevoava-edificios-do-governo-e3b559fa

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-09-20-ucrania-sugere-resposta-energica-a-incursao-de-cacas-russos-na-estonia-bdbb0d64

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-11-portugal-convoca-embaixador-russo-por-causa-de-intrusao-no-espaco-aereo-polaco-1e881941

https://pt.euronews.com/2025/09/19/tres-cacas-russos-invadiram-o-espaco-aereo-da-estonia

https://expresso.pt/internacional/uniao-europeia/2025-09-19-estonia-denuncia-violacao-do-espaco-aereo-por-cacas-russos-e-solicita-reuniao-ao-abrigo-do-artigo-4-da-nato-7533e6fb

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:21

Em Gaza, todos podem ser um alvo a abater

por Elsa Filipe, em 11.08.25

Até os jornalistas.

Seis foram calados, seis que estavam numa tenda "perto do portão principal do hospital de al-Shifa, na Cidade de Gaza". Cinco jornalistas eram da Al Jazeera e um era freelancer, um dos poucos que conseguem entrar no território. Israel, dificulta cada vez mais a entrada de quem pretende mostrar a verdade, de quem quer mostrar os ataques, a fome... a morte. Não foi a primeira vez que o exército israelita, justifica a morte de jornalistas, afirmando que estes "pertencem" a células terroristas.

Esta é uma guerra em que ninguém irá ganhar, mas são principalmente os palestinianos quem está a sofrer mais. Tudo isto é inaceitável. Os ataques indiscriminados, a fome que se propaga, a destruição dos hospitais e, cada vez mais, os ataques à imprensa, a proibição imposta para que as notícias não cheguem. Não querem que saibamos o que se passa - e quanto não saberemos, nunca chegaremos a ver, talvez felizmente - que assistamos ao genocídio de um povo. Um povo a quem nem se deu hipótese de lutar, pois para tal não tem capacidade, perante sucessivos ataques. Um dia, quando não houver mais nada para destruir, estarão lá os reféns ainda, para serem salvos? Estará lá alguém do Hamas à espera de ser "apanhado"? Não me parece. Estarão os mortos e os quase mortos, os desistentes, moribundos e resistentes.

De acordo com as Nações Unidas, já morreram "242 jornalistas palestinianos", no enclave palestiniano, desde 7 de outubro de 2023, numa clara violação do Direito Internacional Humanitário. A situação nesta região não é nova. Felizmente, agora temos conseguido ver, assistir, perceber, ser informados do que se passa. Quem não quer por lá os meios de comunicação social? Quem não quer que se mostre o que se passa?

É preciso pensar nisto.

Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/ataque-israelita-cala-vozes-de-seis-jornalistas-em-gaza/17858136

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-israelita-mata-jornalistas-da-al-jazeera-em-gaza_n1675590

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:20

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa.

Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Guerra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas FilipinasMalásiaSingapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar?

A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."

Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:10

Quando se morre... apenas por querer comida!

por Elsa Filipe, em 17.06.25

A cada dia que passa sinto-me dividida. Entre falar das férias que já antecipo, ou do medo de que não se cheguem a realizar... entre escrever sobre a felicidade que é estar numa esplanada a comer um gelado que pinga doçura e a fome de quem nada tem e ainda morre quando aguarda que lhe seja largada comida. Dizer que estou triste, é pouco. Sinto-me sem esperança. E perder a esperança, é o limite a que se chega quando o mundo nos parece um sítio negro.

O mundo tem sido atingido por catástrofes, temos ultrapassado tanta coisa, mas nada se compara à maldade humana. Nada é pior do que a falta de compaixão, a absurda incompetência de quem se acha senhor de um país, dono de um Estado, de pôr fim à barbárie que vai corroendo a superfície deste torrão.

Na Palestina, 45 pessoas foram assassinadas de forma bárbara, enquanto aguardavam que lhes fosse distribuída comida. Os rostos estão magros da fome, os olhos desesperados por algo que não sabem se chega, por alguém que os olhe e os acolha. Segundo "fontes da Defesa Civil de Gaza," estas 45 pessoas, foram "vítimas de disparos israelitas contra o centro de ajuda humanitária." A "agência de notícias norte-americana," chama-lhe "incidente."

Apesar de não assumir a culpa desta matança, Israel assume que "nas últimas semanas" foram disparados "tiros de aviso contra pessoas" que se tinham aproximado das forças "de forma suspeita".

"As autoridades sanitárias locais, controladas pelo Hamas, afirmam que foram mortas dezenas de pessoas e centenas ficaram feridas desde a abertura no mês passado de pontos de distribuição de alimentos geridos por um grupo apoiado pelos EUA e Israel." Já no final de maio, as forças "militares israelitas" alvejaram um grupo de pessoas que "invadiu um centro de distribuição de ajuda humanitária em Gaza, provocando 47 feridos." Autoridades, associações e ONG deveriam estar a unir esforços para a paz, não para a guerra. 

"A Organização das Nações Unidas tem reiterado que não há lugar seguro para as crianças na região, e os números são alarmantes: nos últimos meses, milhares de crianças perderam a vida devido aos bombardeamentos das forças armadas israelitas." A abertura de corredores humanitários não tem sido eficiente e, isso tem levado à morte de centenas de bebés. Cerca de "14 mil bebés" encontram-se "em risco de morte iminente devido à falta de alimentos e medicamentos." Locais que deveriam ser seguros, neutros, acolhedores, estão a ser bombardeados. "Escolas e hospitais," acabaram por se tornar "alvos de ataques indiscriminados. Muitas crianças foram mortas ou mutiladas enquanto" se procuravam abrigar "em locais que deveriam protegê-las. A ONU tem apelado repetidamente para um cessar-fogo imediato e para que todas as partes envolvidas respeitem o direito internacional humanitário."

 

Fontes:

https://www.jn.pt/1578752038/mortos-a-tiro-45-palestinianos-que-esperavam-ajuda-alimentar/

https://iacrianca.pt/2025/06/comunicado-a-tragedia-das-criancas-de-gaza/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:20

Dia da Criança

por Elsa Filipe, em 01.06.25

A todos os primeiros de junho se repete pelo mundo fora que é preciso fazer mais pelas nossas crianças, que o mundo tem de abrir os olhos e perceber que está a destruir o futuro da humanidade, que continuam a morrer milhares de inocentes, pela fome, pela guerra, pela  ganância dos adultos.

E todos os anos se fazem pedidos de mudança, manifestos, reuniões urgentes e planos, muitos planos... e todos os dias se sonha (sonham as crianças, sonhamos nós) que algo venha a ser feito. Que as crianças pudessem brincar, sem se preocuparem com o o som das bombas, sem pisarem destroços, sem pisarem sangue dos seus. 

Todos os anos milhares de crianças morrem. Não de morte natural, não apenas de doenças inevitáveis para as quais a ciência ainda não encontrou cura... mas de fome. De desidratação. De falta de cuidados de saúde e de falta de operância daqueles que as deviam proteger. Os governos do mundo inteiro estão a falhar na proteção das crianças.

"Em Portugal, o Dia da Criança é festejado no dia 01 de junho. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas das crianças e como forma de reconhecimento de que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de paz e fraternidade."

Os dados são assustadores... e não vão caber todos aqui.

Em abril último, contava-se cerca "de 1150 bebés com menos de um ano," mortos desde o início "da guerra na Faixa de Gaza." Muitos não tiveram qualquer hipótese de sobrevivência, atingidos pelos bombardeamentos ou sucumbindo à fome e ao frio. A UNICEF vem alertar para os números em Gaza: "50.000 crianças mortas ou feridas desde outubro de 2023"! O que é que será necessário ainda conversar, mostrar? "Desde o fim do cessar-fogo em 18 de março, 1.309 crianças foram mortas e 3.738 ficaram feridas em Gaza."

Outra região em guerra, depois da invasão da Ucrânia por parte do estado russo, tem também sofrido com a guerra. Segundo Pavlo Sadokhav, presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, "já morreram mais de 600 crianças na Ucrânia e que quase 20.000 foram levadas para território russo."

Já noutra latitude, as crianças começam desde cedo a ser recrutadas e obrigadas a pegar em armas. Na República Democrática do Congo (RDCongo), cerca "de 375.000 crianças estão impedidas de ir à escola," ficando muito mais vulneráveis a "sofrer violência, incluindo violência sexual, e de recrutamento por grupos armados." Aqui, tal como em muitos outros locais em que a guerra se impõe, as crianças são também as mais afetadas pelos "explosivos" deixados nos "campos perto das aldeias e das escolas," seja quando se deslocam para ir buscar água ou ir até à escola, seja quando brincam ou trabalham nos campos. 

E haveria ainda muitos outros valores a mostrar, mas será que é preciso fazê-lo? Andaremos todos a dormir, ou viramos apenas a cara para o lado para não ver?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dia-da-crianca-marcelo-sublinha-urgencia-de-cuidar-de-todas-as-criancas-sobretudo-em-zonas-de-guerra-e-fome_n1659069

https://www.dn.pt/sociedade/ucranianos-assinalam-dia-da-crian%C3%A7a-com-manifesta%C3%A7%C3%A3o-em-frente-%C3%A0-embaixada-russa-em-lisboa

https://observador.pt/2025/03/06/violencia-afasta-da-escola-cerca-de-375-000-criancas-no-leste-da-republica-democratica-do-congo/

https://www.dn.pt/internacional/mais-de-1100-beb%C3%A9s-com-menos-de-1-ano-mortos-desde-o-in%C3%ADcio-da-guerra-em-gaza

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-05/faixa-gaza-unicef-mais-50-mil-criancas-mortas-desde-outubro-2025.html

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:50

Três anos de conflito

por Elsa Filipe, em 26.02.25

Três anos...

Há três anos, eramos surpreendidos pela entrada de tropas russas na Ucrânia. Da mesma forma que Putin achava que entrava por ali adentro e derrubava o governo ucraniano, subjugando o seu povo às suas vontades, também o povo daquele país mostrava que não seria com duas cantigas que se renderiam ao arsenal bélico do inimigo. Um inimigo conhecido de longa data, é bom que se diga. 

Os planos do presidente russo, Vladimir Putin, previam uma vitória fácil e poucos "analistas internacionais ousaram contestar essa previsão, dada a disparidade de força entre os dois países." Mas, a verdade, é que o povo ucrâniano tem dado provas de que a sua decisão em resistir, não foi uma má escolha e que, mesmo com todas as dificuldades e as perdas em vidas humanas, tem conseguido resistir. Passaram-se três anos e a guerra está num impasse. A Rússia não tem avançado muito, mas também é verdade que a Ucrânia ainda está longe de recuperar as regiões perdidas.

Embora os dados sejam difíceis de confirmar, desde o início da invasão, a Ucrânia terá registado "43 mil militares mortos em combate e mais de 370 mil feridos, números abaixo das estimativas de várias entidades." Do lado russo, terão havido cerca de "845.310 baixas desde o começo do conflito."

A Ucrânia pediu ajuda... mas foi muito a medo que a União Europeia e a NATO foram facultando armas e viaturas, não cedendo aos muitos pedidos da Ucrânia para entrar na Organização Transatlântica. Durante todo este tempo, a Ucrânia pediu ajuda e esta lá foi chegando, primeiro mais a medo, depois de forma mais visível, mas sempre sob ameaça da Rússia. Atualmente, "a Rússia controla pouco menos de 20% do território ucraniano, ou cerca de 110 mil quilómetros quadrados." A Ucrânia, conseguiu entretanto avançar também "a província fronteiriça de Kursk, no oeste da Rússia, onde chegou a ocupar cerca de mil quilómetros de quadrados de território, segundo as autoridades militares de Kiev, mas esse número deverá ser atualmente menos de metade."

António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou hoje no seu discurso, "o impacto devastador do conflito: milhares de civis mortos, cidades destruídas e infraestruturas essenciais reduzidas a escombros," referindo ainda que a "ONU tem mobilizado todos os seus recursos para aliviar o sofrimento da população e promover uma paz justa e duradoura."

As proporções desta crise humanitária são, apesar de tudo o resto que uma guerra envolve, o mais alarmante: "cerca de cinco milhões de ucranianos enfrentam insegurança alimentar, especialmente nas regiões próximas da linha da frente. A subida dos preços e a destruição das cadeias de abastecimento deixaram muitas famílias sem acesso a alimentos nutritivos, forçando-as a recorrer a medidas extremas, como saltar refeições ou contrair dívidas para comprar comida." 

Foram cerca de "11 milhões" as pessoas forçadas "a abandonar suas casas, com 6,9 milhões registados como refugiados e outros 3,7 milhões deslocados internamente." No que respeita aos civis mortos desde o início do conflito, estes deverão andar próximo aos 2500, "incluindo 669 crianças." Além disso, 28.382 civis, entre os quais 1.833 menores, ficaram feridos, mas os números reais deverão ser "consideravelmente maiores", já que apenas são contabilizados os casos verificados.

Uma das situações mais preocupantes é a "das mulheres e das raparigas na Ucrânia."

"Além disso, a ONU documentou centenas de casos de violência sexual relacionada com o conflito e alertou para o aumento de 36% nos casos de violência doméstica. Em resposta, a ONU Mulheres tem investido em programas de apoio psicossocial, empoderamento económico e participação feminina nos processos de paz e reconstrução." Assinalando esta data, "o executivo comunitário anuncia um pacote de ajuda à segurança energética da Ucrânia e aprova o 16.º pacote de sanções à Rússia."

Os EUA terão sido o país que mais ajuda em termos de armamento enviou para a Ucrânia, mas a relação entre os dois países deixou de ser a mesma desde que Trump chegou ao poder. "Crítico da ajuda norte-americana a Kiev, Trump já suspendeu os financiamentos globais da agência estatal de desenvolvimento USAID. Segundo o Instituto Kiel, os Estados Unidos transferiram 3,4 mil milhões de euros em ajuda humanitária para a Ucrânia desde o começo do conflito."

Já do lado da Rússia, os principais apoiantes têm sido o Irão e a Bielorrússia. Mas o aliado que se tem mostrado mais na concretização do apoio à Rússia no "campo de batalha é a Coreia do Norte. No âmbito de uma parceria estratégica com a Rússia e a troco de alimentos e cooperação tecnológica e financeira, e ainda de proteção militar mútua, Pyongyang forneceu a Moscovo pelo menos 13 mil contentores de munições de artilharia, 'rockets' e mísseis, segundo o serviço de informações de Seul (NIS), como forma de ambos os países contornarem o isolamento internacional e as sanções ocidentais." O governo de "Kim Jong-Un destacou acima de dez mil militares para lutar ao lado das tropas russas na província russa de Kursk, parcialmente ocupada pela Ucrânia."

Apesar de afirmar que não apoio militarmente a Rússia, "a China é acusada pelas potências ocidentais de alimentar a máquina de guerra do Kremlin, através da venda de componentes para a sua indústria de defesa, e a sua economia por via do comércio e mesmo acontece em relação a outro gigante global, a Índia." Já no que respeita às sanções aplicadas, as mesmas acabaram por não ter os resultados esperados, uma vez que durante os três anos em que esta guerra já dura, "a China surge como o principal cliente de combustíveis fósseis da Rússia, com cerca de 165 mil milhões de euros em importações, bastante à frente da Índia (98 mil milhões), da Turquia (68 mil milhões) e dos países da União Europeia (55 mil milhões)."

Fontes:

https://unric.org/pt/tres-anos-de-guerra-na-ucrania-a-resposta-humanitaria-da-onu/

https://www.publico.pt/2025/02/24/mundo/noticia/ucrania-tres-anos-guerra-mapas-numeros-2123649

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-02-24-principais-indicadores-em-tres-anos-de-guerra-na-ucrania-c210fa43

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:51

Os ataques a Beirute continuam...

por Elsa Filipe, em 28.09.24

...e o líder do Hezbollah terá sido dado como morto. É nesta situação que agora todas as atenções se estão a focar.

Hassan Nasrallah, líder do movimento islamita libanês, terá sido morto "durante um ataque aéreo na sexta-feira à sede da organização em Beirute." Além dele, terão ainda sido eliminados "outros comandantes do Hezbollah que se encontravam no mesmo local, em Dahiyeh, um subúrbio do sul de Beirute, densamente povoado."

A sede do Hezbollah, estaria a funcionar "numa estrutura subterrânea, debaixo de um edifício residencial," o que levou também à morte de vários civis, cujo número ainda não foi revelado. "As forças israelitas dizem não ter ainda essa informação, recusando especificar o tipo de armamento usado no bombardeamento, assim como detalhes sobre a comprovação da morte de Nasrallah." Sabe-se apenas que terá sido através de um dos vários ataques de precisão lançados contra Beirute, com recurso "a um esquadrão de caças F15I munidos de bombas antibunkers."

De acordo com o jornal New York Times, citado pelo Observador, terão sido "lançadas mais de 80 bombas durante vários minutos com o objetivo de matar Hassan Nasrallah," num ataque que teria "começado a ser planeado no início da semana passada, ainda antes de Netanyahu, primeiro-ministro israelita deixar o país para marcar presença na Assembleia Geral das Nações Unidas." 

A situação envolve também o Irão.

Ali Khamenei, líder do Irão, deixou numa "mensagem muito clara sobre as consequências dos ataques militares ao Líbano," que "é obrigatório para todos os muçulmanos apoiar orgulhosamente o povo libanês e o Hezbollah.," contra Israel que acusa de ser um "regime usurpador, cruel e maléfico."

Nasrallah, nasceu em 1960 e tinha 67 anos. "Quando Israel invadiu o Líbano, em 1982, Nasrallah juntou-se a um grupo de combatentes que evoluiria para o atual Hezbollah."

Desde 1992 que era líder do movimento "em substituição de Abbas Moussaoui, depois de este ter sido igualmente morto durante um ataque israelita com um helicóptero."

Durante os últimos anos, viveu quase sempre escondido e tornou-se "o homem mais poderoso e influente" do Líbano. A sua popularidade "no seio da comunidade xiita é apoiadas por uma vasta rede de escolas, hospitais e associações ao serviço dos seus apoiantes. Membro do governo e do parlamento, onde nem o seu campo nem os seus opositores têm maioria absoluta, impediu a eleição de um Presidente da República durante quase dois anos."

Entre ontem e hoje, estão ainda a ser retirados do Líbano vários portugueses.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-nasrallah-esta-morto.-israel-anuncia-morte-do-lider-do-hezbollah-632e727d

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-lider-do-irao-pede-apoio-de-todos-os-muculmanos-ao-libano-e-ao-hezbollah-fc998ed0

https://observador.pt/especiais/como-nasrallah-tornou-o-hezbollah-um-dos-maiores-inimigos-de-israel-e-semeou-o-caos-no-libano/

https://observador.pt/liveblogs/israel-diz-que-matou-lider-do-hezbollah/#liveblog-entry-678580

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:00

E a guerra continua...

por Elsa Filipe, em 24.09.24

E parece que pouco ou nada se pode fazer. 

Nos ataques que Israel levou a cabo contra o Líbano entre ontem e hoje, já se contabilizam 558 mortos - o "número mais elevado desde a última guerra entre o Hezbollah e Israel em 2006." Nesta lista, estão "50 crianças e 94 mulheres." Ao número de mortos, é preciso acrescentar os feridos - "1835 feridos até agora" - muitos deles, graves.

O ministro libanês da Saúde, Firass Abiad, “desmente todas as alegações israelitas de que os alvos são combatentes", acrescentando que "na verdade, infelizmente, a grande maioria, se não todos, são pessoas desarmadas que se encontravam nas suas casas". Muitos habitantes do sul do Líbano acabaram por fugir "em massa para Beirute," devido incessantes bombardeamentos por parte da aviação israelita. "A preocupação também atinge a capital libanesa com habitantes a receberem avisos israelitas nos seus telemóveis e linhas fixas. As escolas foram encerradas em todo o país."

Durante esta manhã, dezenas de rockets foram disparados do Líbano contra Israel, em retaliação, atingindo diversos edifícios. De um lado, ou do outro, quem sofre é o povo...

As companhias aéreas já estão a cancelar os voos para Beirute devido ao risco de insegurança que o intensificar deste conflito está a provocar.

O Irão promete que não vai abandonar o Hezbollah e a escalada de violência não parece parar aqui. Como pode alguém aguentar tudo isto? Como não compreender que, muitas destas pessoas, queiram afinal sair destes territórios, deixando para trás o pouco que tinham?

Hoje começou a "79.ª Assembleia Geral da ONU" onde António Guterres apelou "à comunidade internacional" para que se mobilizasse de forma a que "seja alcançado um acordo de cessar-fogo e de libertação de reféns entre Israel e o Hamas." Referiu ainda que “devemos todos ficar alarmados com a escalada" de violência que está a lcolocar o "Líbano à beira do abismo." Apela a que se faça alguma coisa para que "o Líbano" não "se transforme noutra Gaza."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-09-24-ataques-de-israel-no-libano-sobe-para-558-o-numero-de-mortos-cdc2b469

https://www.rfi.fr/pt/geral/20240924-ataques-israelitas-no-l%C3%ADbano-provocaram-mais-de-550-mortos

https://observador.pt/2024/09/24/comeca-agora-a-79-a-assembleia-geral-da-onu-guterres-pede-cessar-fogo-e-diz-que-libano-nao-se-pode-tornar-numa-nova-gaza/

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:22

Massacre em Beslan... 20 anos depois

por Elsa Filipe, em 01.09.24

Passaram já 20 anos desde que um grupo terrorista atacou uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, na Rússia.

O ataque começou precisamente a 1 de setembro de 2004, no dia da abertura oficial do ano escolar, com o rapto de mais de 1100 pessoas (das quais, quase 800 eram crianças).

Os raptores eram um "grupo de militantes islâmicos armados, composto principalmente por inguches e chechenos,", ou seja, mais especificamente por "membros do batalhão Ryadus-Salikhin" os quais teriam "sido enviados e instruídos pelo senhor da guerra tchetcheno Shamil Basayev que daquele modo exigia o reconhecimento da independência da Tchetchenia por parte das Nações Unidas e a retirada das tropas russas do seu território."

Às 9h30 da manhã, um grupo de terroristas, invadiu a escola de forma violenta, fazendo reféns todos os que lá se encontravam, entre crianças e jovens, familiares e professores. Os mais novos teriam seis, sete anos. Apenas cinquenta conseguiram escapar, na confusão inicial que se gerou,tendo os restantes passado por "três dias de inferno no ginásio da escola, sob ameaça constante de explosivos, e num calor sufocante."

"Às 10h, os assaltantes começaram a armadilhar com explosivos o ginásio e outros edifícios da escola. Às 10h20, o Presidente russo, Vladimir Putin, cancela as suas férias em Sochi e regressa a Moscovo."

Aos reféns, apesar do calor, foi-lhes recusada qualquer água ou comida.

"As crianças passaram por situações dramáticas e foram obrigadas" a coabitar com os corpos de 20 pessoas que "os terroristas mataram para marcar a sua posição e evitar uma revolta."

"Depois de falhadas todas as tentativas de negociação, a 3 de setembro, as autoridades lançam um assalto à escola" provocando a morte de 334 pessoas que ainda se encontravam lá dentro, entre as quais 186 crianças. As mortes deveram-se aos combates entre as forças russas e os terroristas, o que levou a uma brutal explosão no ginásio onde se encontravam os reféns.

"O assalto à escola de Beslan acabou por ser classificado como o ato de terrorismo mais sangrento levado a cabo em solo russo desde que a Tchetchenia tinha sido declarada independente, em 1991."

Fontes:

https://pt.euronews.com/2014/09/01/relembrar-o-massacre-na-escola-de-beslan-dez-anos-depois

https://expresso.pt/internacional/massacre-de-beslan-foi-o-pior-assalto-a-escolas-mas-nao-o-unico=f902839

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:08

Há 25 anos, Timor foi a eleições e, além da independência, ganharia então a vontade de construir uma democracia firme. "Depois de uma colonização de quase cinco séculos, pelos portugueses, e 24 anos de ocupação indonésia, o povo timorense foi chamado no dia 30 de agosto de 1999 para votar se queria livrar-se dos ocupantes ou manter-se sob a sua governação." O ato foi de facto um marco importante, em que a verdadeira vontade daquele povo foi mostrada ao mundo. Na verdade, "ninguém, nem o próprio presidente indonésio, que aceitou o referendo após longa batalha diplomática entre Portugal, Indonésia e as Nações Unidas, esperava tamanha afluência às urnas."

António Guterres, antigo primeiro ministro português, está presente em "Díli para participar nas celebrações dos 25 anos do referendo que levou à restauração da independência do país, pondo fim à ocupação Indonésia" junto com outros representantes nacionais e internacionais. Ao atual secretário-geral da ONU foi atribuída hoje a cidadadina timorense.

Guterres encontrou-se hoje com "o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão", uma das figuras mais importantes em todo este processo, a quem "António Guterres prestou também homenagem", destacando o seu papel "enquanto líder da resistência timorense e pela forma como defendeu a independência do seu povo detido em Jacarta, capital da Indonésia," bem como, no seu papel na "transformação de Timor-Leste num país independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e que se afirma internacionalmente com crescente influência."

Guterres referiu ainda, que tinha ficado "impressionado com o compromisso do Governo timorense em matéria de segurança alimentar e investimento na agricultura," o que considerava ser um "desafio crucial para o êxito do desenvolvimento, saúde, educação e infraestruturas."

"Timor-Leste aderiu no início do ano à Organização Mundial do Comércio, é fundador do G7+ e deverá aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano."

Uma outra figura importante neste processo, foi Durão Barroso, que em "1992, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal," participou em "quatro rondas de negociações" com a Indonésia. Apenas a 5 de maio de 1999, os dois países assinariam "três acordos, nomeadamente sobre a questão de Timor-Leste, outro sobre a modalidade da consulta popular e um terceiro sobre segurança," com o contributo essencial das Nações Unidas. Barroso, salientou ainda que foi "o massacre do cemitério de Santa Cruz" o grande acontecimento que "contribuiu para dar visibilidade à questão de Timor-Leste." Lembro-me ainda hoje desse massacre e eu era bem pequena na altura. Existem imagens que nos ficam gravadas na mente. Se foi "com a ajuda da comunidade internacional," que o povo de Timor-Leste se conseguiu livrar do domínio indonésio, também não se deve esquecer que muitos países não acreditavam que tal fosse possível.

"Os acordos foram assinados por Jaime Gama, na altura chefe da diplomacia portuguesa, pelo seu homólogo indonésio, Ali Alatas, e por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU." No entanto, o processo não foi fácil e a«s Nações Unidas tiveram mesmo de permanecer no país como força de gestão e manutenção de paz até ao ano de 2012. Durante este período, chegou mesmo a ser necessária a entrada de uma força liderada pela Austrália, devido a ataques de extrema violência causados por milícias apoiadas pela Indonésia.

Fontes:

https://www.tsf.pt/1577666496/timor-ganhou-a-batalha-da-independencia-agora-tem-de-ganhar-a-do-desenvolvimento/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2623023/timor-uma-historia-bonita-conseguida-com-dificuldade-e-falta-de-apoio

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:42


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D