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Faleceu Anita Guerreiro

por Elsa Filipe, em 07.12.25

De uma voz inconfundível, "Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro," deixa-nos hoje, aos 89 anos. Anita Guerreiro vivia há cerca de 11 anos na Casa do Artista. Coincidência, celebraram-se ontem, 6 de dezembro, 113 anos da abertura do Teatro Politeama.

Foi fadista, mas também nos encantou com a sua voz na revista à Portuguesa e espantou nas marchas populares de Lisboa. Uma artista completa, foi atriz e será sempre lembrada como uma mulher que não se dava a vedetismos e que sempre lutou a pulso por conquistar o seu lugar. E se ela merecia ser vedeta! Ficam as saudades!

A muitos inspirou e agora perde-se uma das maiores vozes do nosso país! Nasceu "a 13 de novembro de 1936, em Lisboa," e foi com apenas 7 anos que se estreou "na coletividade Sport Clube do Intendente." 

Em "1952 concorreu ao Tribunal da Canção, um passatempo radiofónico do programa Comboio das Seis e Meia, à época um enorme sucesso," o qual a tornou conhecida do público. Em 1954, a "fadista estreou-se" no palco do "Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa," ainda "menor" de idade e, por isso, com "uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para atuar." 

"Em 1955 estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, seguindo-se apresentações em Festa é Festa (1955) e revistas no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956)." Ainda em 1956, participou no filme "Lisboa," cantando Lisboa Antiga. Chegou a viver nos EUA, mas quando em 1982 regressou, Anita Guerreiro fez parte do "elenco da revista Há mas são verdes, onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", numa "homenagem a Hermínia Silva," e Calçadinha à portuguesa. Outras canções da artista: "Sardinhada", ou "Sou Tua".

"Integrou também o elenco de várias telenovelas e séries portuguesas, como Primeiro Amor (1995), Roseira Brava (1996), Uma Casa em Fanicos (1998)," e quem não se lembra de a ver em "A Loja do Camilo," ou em "Os Batanetes (2004)"? Na musica, é de destacar é claro o grande sucesso “Cheira bem, cheira a Lisboa, mais tarde imortalizado por Amália Rodrigues." Na revista, recebeu em 1970, o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, pela sua interpretação em Peço a Palavra. Em Angola, foi vencedora também de uma "Guitarra de Ouro." E foram tantas as revistas em que participou!

 
 
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publicado às 14:25

Faleceu Laborinho Lúcio

por Elsa Filipe, em 23.10.25

Álvaro Laborinho Lúcio deixou-nos na última madrugada com 83 anos.

Álvaro nasceu na Nazaré, no dia 1 de dezembro de 1941 e, na sua "juventude, chegou a ser ator amador, tendo mesmo "participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré." Entretanto, veio a ingressar na "Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas."

Foi "ministro da Justiça e deputado à Assembleia da República, juiz, procurador da República, inspetor do Ministério Público e diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários."

Na Nota de Pesar do site da Presidência da República, Laborinho Lúcio é caraterizado como um homem que "esteve sempre à frente do seu tempo," como um humanista de uma grande "ética cívica" e "um elevado sentido de serviço ao país." Foi desde sempre um defensor "dos direitos humanos, sempre na procura permanente da defesa intransigente dos direitos das crianças em todas as suas dimensões."

Além da publicação de vários livros, foi ainda "dirigente de várias associações, como a APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, e mais recentemente, fez parte da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica." Em março de 2023, 

Foi também membro da "Academia Internacional da Cultura Portuguesa e doutor honoris causa pela Universidade do Minho, recebeu a Grã-Cruz da Ordem de S. Raimundo de Peñaforte pelo rei de Espanha e a Grã-Cruz da Ordem de Cristo pelo Presidente da República Jorge Sampaio."

 

Fontes:

 

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publicado às 12:12

Faleceu Francisco Pinto Balsemão

por Elsa Filipe, em 22.10.25

Foi Primeiro-ministro de Portugal entre janeiro de 1981 e junho de 1983, acreditava tanto na liberdade de imprensa, que fundou um dos mais conhecidos jornais da atualidade, ainda o país não era livre. Foi advogado, mas também jornalista, político, empresário.

Morreu ontem à noite, com 88 anos e a notícia da sua morte "foi comunicada pelo próprio primeiro-ministro durante o Conselho Nacional do PSD, à porta fechada, tendo sido ouvido um longo aplauso por parte dos conselheiros nacionais do partido do qual Pinto Balsemão foi fundador."

Luís Montenegro anunciou a intenção do Governo de decretar luto nacional no dia das cerimónias fúnebres. Já Luís Marques Mendes, candidato presidencial, "fez saber" durante esta madrugada, "que todas as ações de campanha agendadas para os próximos dias serão canceladas, por respeito à memória de Francisco Pinto Balsemão," que era "Presidente da Comissão Política da sua candidatura."

Francisco Pinto Balsemão, nasceu em Lisboa a 1 de setembro de 1937. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, desde cedo, "envolveu-se no mundo da imprensa, adquirindo experiência jornalística na revista Mais Alto e, posteriormente, no semanário e no matutino Diário Popular." No ano de 1972, fundou o grupo Impresa, de onde em 1973 sairia a primeira edição do semanário Expresso, o qual "se tornaria um dos jornais mais prestigiados do país, especialmente relevante no período de transição democrática."

Figura determinante não só na vida pública, mas também na vida política, "fez parte do grupo de jovens liberais que, ainda antes da Revolução de 25 de Abril, assumiu um papel de destaque na "Ala Liberal" da Assembleia Nacional." Em 1974, funda o "Partido Social Democrata" (na altura PPD-PSD), "juntamente com Magalhães Mota e Francisco Sá Carneiro," tendo sido o militante número 1" e, em janeiro de 1981, torna-se mesmo Primeiro-ministro, no "VII Governo Constitucional, tendo permanecido no cargo até junho de 1983." Foi durante o seu mandato que se negociou o dossier do "processo de adesão à Comunidade Económica Europeia," bem como a "revisão constitucional de 1982, que afastou definitivamente o Conselho da Revolução."

Dedicou-se de forma particular à causa da liberdade e do direito à informação. "A sua visão consistiu em fomentar a liberdade de informação, modernizar os meios de comunicação social e contribuir para a consolidação da democracia portuguesa."

Em 1986, Balsemão começa a preparar o caminho para um novo conceito televisivo, que levaria à implantação de um novo canal - a SIC. Em 1991, no governo de Cavaco Silva, viu uma brecha de negócio que daria lugar no ano seguinte à criação da primeira estação privada de televisão, a SIC – Sociedade Independente de Comunicação - numa panorâmica mais comercial e generalista, apostando desde logo na informação. A primeira emissão teria lugar a 6 de outubro de 1992, com a apresentação de Alberta Marques Fernandes. Dos sócios fundadores da SIC, faziam parte o "Jornalgeste," (que detinha o Jornal de Notícias, O Jogo e a Rádio Press, "o grupo Lusomundo" e o grupo "Soincom, com 25% do capital social," do qual faziam parte, entre outros, o "grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão (Expresso, A Capital, Exame)," o "grupo Impala (Maria, Mulher Moderna, Nova Gente, TV 7 Dias)," e a Rádio Comercial."

 

Fontes:

https://expresso.pt/francisco-pinto-balsemao--1937-2025-/2025-10-21-morreu-francisco-pinto-balsemao-ex-primeiro-ministro-e-fundador-do-grupo-impresa-99d66e8d

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Independente_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o

https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693

https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693

 

 

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publicado às 07:20

Faleceu o historiador António Borges Coelho

por Elsa Filipe, em 17.10.25

Tinha 97 anos e assistiu por isso a importantes eventos do curso histórico do nosso país, da Europa e do Mundo! Além de historiador, António Borges Coelho, foi também poeta e ficcionista. Escreveu sobre a "Inquisição portuguesa e a ocupação islâmica daquele que viria a ser o território português." Passou pela queda da República, por uma ditadura, pela 2ª Guerra Mundial e pela chegada da democracia. Assistiu ao encerramento do país devido ao Covid, o mesmo covid que o mantinha internado e que terá contribuído para a sua morte.

Nascido em Murça a 7 de outubro de 1928, quis "ser frade franciscano," tendo arriscado ir "para o seminário de onde acabaria por ser expulso."

No final da década de 1940, ingressa na "Faculdade de Direito Lisboa, mas abandona os estudos para dedicar-se exclusivamente à política," participando de forma ativa "na campanha presidencial de Norton de Matos."

"Em 1949 integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil e, depois, o Partido Comunista Português (PCP). A 3 de janeiro de 1956, já como dirigente do PCP na clandestinidade, é preso pela PIDE, recolhendo à cadeia do Aljube."

Em junho de 1957 é julgado e "condenado a dois anos e nove meses de prisão," seguindo "para a prisão de Peniche." É ainda na prisão que casa "com Isaura Silva, em 1959. Um ano depois, Borges Coelho opta por não integrar a fuga de Peniche de vários dirigentes do PCP," recusando assim voltar à clandestinidade. A sua pretensão era a de se dedicar "a uma carreira como historiador após a libertação" algo que mais tarde acabaria por acontecer, mas não sem antes ter sido "castigado e enviado para o Aljube." Ali, foi sujeito "à tortura da estátua e a seis meses de isolamento."

Regressado à prisão de "Peniche, dedica-se ao trabalho de escrita histórica. Em 1962 ser-lhe-ia concedida liberdade condicional por um período de cinco anos." Diz o PCP que, depois de adquirida a liberdade, Borges Coelho toma a decisão "de se desvincular do PCP," mas não se sabe se terá sido assim, uma vez que terá continuado a "manter um posicionamento de estreita colaboração com o Partido."

"Em 1967 conclui a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa. Em 1968 torno-se jornalista, n’ A Capital." Depois disso, veio ainda a trabalhar "no Diário de LisboaDiário PopularVértice ou Seara Nova." 

"Já em liberdade continuou os trabalhos que tinha iniciado no Forte de Peniche e escreve “As Raízes da Expansão Portuguesa”, livro que foi apreendido das livrarias e que o levou a ser submetido a novos interrogatórios pela PIDE. No ano seguinte publicou “A Revolução de 1383”.

Além destes, publicou as obras "Questionar a HistóriaA Inquisição em Évora (1987)" bem como "vários volumes da História de Portugal."

Até 2020, foi "presidente do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, com quem colabora desde o seu início. Em 1999, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, em 2018 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e em 2019 foi-lhe atribuída pelo Governo a Medalha de Mérito Cultural." Tinha publicado este ano, na editora Caminho, "a coletânea Poemas."

Uma das fontes vivas da memória deixou-nos e deixou mais pobre o nosso país. O PCP diz dele que é um "homem vertical, solidário, homem de causas e de luta pela liberdade, pela emancipação social, por um Portugal democrático, de progresso e de justiça." Pelo menos, ficaram a sua escrita e os seus relatos e isso será mais difícil de apagar.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/10/17/culturaipsilon/noticia/morreu-historiador-antonio-borges-coelho-2151280

https://www.museudoaljube.pt/doc/antonio-borges-coelho-jorge-tavares-da-silva/

https://www.pcp.pt/faleceu-antonio-borges-coelho

 

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publicado às 22:57

Luís Jardim: músico morre aos 75 anos

por Elsa Filipe, em 04.07.25

Num dia, já marcado pela dor da notícia da morte de dois jovens jogadores que comove o país, chega-nos a notícia da perda de um grande nome do panorama musical: Luís Jardim.

O músico e produtor, natural da Madeira, partiu no dia em que completava 75 anos. Luís Jardim notabilizou-se pelo seu trabalho "como músico de estúdio (sobretudo na percussão), com algumas das maiores estrelas internacionais do pop/rock da segunda metade do século XX." Foi um dos pioneiros do fenómeno do "Rock, em Portugal," com a banda "Demónios Negros." Com apenas 16 anos, Luís Jardim saiu do "Funchal e partiu para Londres, onde se afirmou, sobretudo, como percussionista de estúdio. Três anos depois estava a tocar em Hyde Park com os Rolling Stones."

Jardim trabalhou com nomes como "Tina Turner" e "Elton John," além de ter participado em discos de bandas como "ABC," "Frankie Goes To Hollywood," "Duran Duran" e de cantores como "Grace Jones," "Seal," "Paul McCartney," "Robbie Williams" ou "David Bowie," entre muitos outros.

Por cá, "colaborou com a cantora Ana, também madeirense, e com Midus, a voz dos Roquivários, nos anos 80. Produziu discos de Rui Veloso e esteve ligado ao lançamento e consolidação da carreira de João Pedro Pais, entre outros." Reconhecido além fronteiras, foi com a sua participação em concursos musicais televisivos (“Ídolos”, da SIC,  “Uma Canção Para Ti” e “A Tua Cara Não Me É Estranha”, na TVI), que começou a ser mais conhecido pelos portugueses.

Fontes:

https://expresso.pt/blitz/2025-07-04-morreu-luis-jardim-musico-e-produtor-portugues-que-trabalhou-com-as-maiores-estrelas-da-musica-internacional-1932569c

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/morreu-o-musico-e-produtor-luis-jardim_n1666905

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publicado às 23:21

Serem dois jovens, dois jogadores promissores já me traz uma sensação de injustiça, mas pensar que Diogo e André são irmãos, ainda me dá um aperto maior.

Diogo Silva, mais conhecido por Diogo Jota, tinha 28 anos, era atualmente jogador do Liverpool e tinha casado no mês de junho com a sua companheira de vida, Rute Cardoso, com quem tinha três filhos. Ao seu lado no carro seguia o irmão, André Silva de apenas 25 anos e que jogava no Penafiel. Além de ter jogado no Paços de Ferreira e no FC do Porto, Diogo Jota "integrava também a selação nacional, tendo sido recentemente bicampeão da Liga das Nações da UEFA, após Portugal vencer Espanha a 9 de junho."

O acidente que os vitimou "ocorreu na província espanhola de Zamora, depois do Lamborguini onde viajam se ter despistado e incendiado." Não está ainda provada a causa do acidente, mas, "de acordo com a Guardia Civil de Espanha, um furo no pneu da viatura esteve na origem do" grave acidente.

Os dois seguiam para "Santander", onde iriam "apanhar um ferry para Inglaterra, onde Jota deveria regressar à sua equipa para um treino de pré-temporada." Diogo tinha sido desaconselhado a viajar de avião devido a uma pequena intervenção que tinha feito aos pulmões e que poderia causar problemas devido à altitude e às diferenças de pressão e, era por esse motivo que iam por estrada. Em causa, pode estar o estado do carro alugado, aliado ao mau estado daquela autoestrada e, à possibilidade, de viajarem em velocidade excessiva para as condições da estrada em causa. O embate levou a que a viatura se tivesse incendiado.

Os adeptos do Liverpool vieram já pedir que a camisola nº 20, usada por Diogo, fosse retirada e que o número ficasse eternizado para o internacional português, muito acarinhado pelos simpatizantes e adeptos do clube inglês. Seria a primeira vez que isso aconteceria, uma vez que o clube, considerado como um "gigante da Premier League inglesa," nunca antes retirou "nenhum número da camisola nos seus 133 anos de história." Além de colocarem à disposição dos adeptos um livro de condolências físico e outro digital, o Liverpool veio ainda prestar as suas condolências à família dos dois jovens, pedindo respeito pela sua dor. "Entretanto, os adeptos do Liverpool" começaram a "reunir-se no exterior do estádio de Anfield e têm depositado flores, cachecóis e camisolas em memória de Jota." Também o FCP,  prestou homenagem ao seu antigo jogador, colocando "as bandeiras a meia haste no Estádio do Dragão." Apesar do irmão, "que morreu no mesmo acidente, também" ter jogado "nas camadas jovens do FC Porto," a imagem que se vê no ecrã gigante do estádio, é apenas a do "internacional português com a camisola portista, que vestiu na época de 2016/17."

Num clube diferente e com muito menos mediatismo, André tinha acabado o curso de Gestão. "Antes de jogar no Penafiel, André representou Gondomar, Boavista e Famalicão (sub-23). O percurso de formação foi feito no FC Porto, Paços de Ferreira, Padroense e Gondomar."

Tem sido difícil de ver as muitas imagens dos dois jovens que têm sido, até excessivamente, divulgadas pelos media portugueses. Especialmente, em ouvir constantemente a frase "Diogo e o irmão" como se este não tivesse a mesma importância (para a família teriam os dois, com certeza, a mesma importância e trazem a mesma dor), mas os comentadores não pensam e acabam por ser, de certa forma, injustos para não dizer desrespeitosos para com a dor destes pais e da restante família. Claro que, pela dimensão dos clubes onde jogavam, conheceríamos melhor Diogo, mas tem de haver algum cuidado nas publicações.

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/07/03/do-pacos-de-ferreira-ao-liverpool-o-percurso-de-diogo-jota-em-fotos

https://www.abola.pt/futebol/noticias/quem-era-andre-silva-o-irmao-de-diogo-jota-2025070310435956288

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publicado às 23:37

Faleceu Jorge Mario Bergoglio

por Elsa Filipe, em 21.04.25

Hoje o dia amanheceu mais triste. 

Morreu o Papa Francisco, um homem que se destacou pela sua simplicidade, mas também pela controvérsia, pelas suas origens e sobretudo, pelas suas mensagens de amor. 

Jorge Mario Bergoglio nasceu a 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores de Buenos Aires, na Argentina. Era neto de emigrantes, vindos do norte de Itália. O mais velho de cinco irmãos, teve uma educação católica. Em "1957, formou-se em Química," ao que se seguiu aos 21 anos, a sua entrada para o "seminário da Companhia de Jesus" onde se formou "na área da Filosofia."

"Uns anos mais tarde, deu aulas nos colégios da Companhia de Jesus em Santa Fé e em Buenos Aires," onde ensinou "Literatura e Psicologia." Nesta época, uma doença respiratória que lhe surgiu na juventude, piorou e "teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão." Isso não o fez parar e, a "13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, graduou-se em Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, continuando a lecionar em paralelo."

Vivia-se uma ditadura militar na Argentina quando, durante a década de 1970,  Jorge Bergoglio "foi eleito responsável pela ordem jesuíta" no seu país. "Em 1986 foi para a Alemanha, onde finalizou a tese de doutoramento." Regressou à Argentina em 1992, tendo sido "designado bispo auxiliar de Buenos Aires."

Recebe o "título de cardeal" a 21 de fevereiro de 2001. Nesta ocasião, terá convencido "centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres."

Em 2005, no conclave que levou à eleição "do alemão Joseph Ratzinger", acabou por ser "o segundo mais votado entre os cardeais."

"Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa do continente americano, o primeiro pontífice do hemisfério sul, o primeiro chefe da Igreja Católica não europeu desde há mais de 1200 anos e também o primeiro jesuíta a assumir as funções no Vaticano." Foi padre, professor universitário e arcebispo. "Foi também o primeiro papa com o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, simbolizando humildade e compromisso com os pobres." Disse sempre que não queria ser Papa, mas acabou por ser "eleito pelo Conclave a 13 de março de 2013, apesar de quase nada indicar que seria o escolhido para suceder Bento XVI."

Ontem, o Papa Francisco despediu-se. Já muito debilitado, apareceu pela última vez na Praça e, podemos até dizer que de forma simbólica, teve o seu "último" banho de multidão, tivesse ele consciência disso ou não. No seu último dia de vida, a sua presença foi 

Sustentava que a Igreja devia "ser mais aberta e acolhedora," defendendo uma igreja para "todos." Esteve sempre "próximo do povo." Durante o seu papado, deu enfoque à "justiça social" e tentando sempre manter uma "abertura ao diálogo interreligioso." Quis tornar a igreja mais inclusiva, chegando a promover "uma postura mais aberta sobre temas polémicos na Igreja mais conservadora, como o acolhimento a divorciados, de pessoas LGBTQ+ e pessoas em situação de marginalização. Foi também o primeiro a nomear uma mulher para um cargo no Vaticano.

Durante o seu papado, "deu ênfase ao combate de abusos sexuais por membros do clero católico, tornando obrigatórias as denúncias e responsabilizando quem as omite."

Foi sempre um homem dedicado à promoção da paz, tentando "aproximar e fortalecer o diálogo inter-religioso, encontrando-se com líderes islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos." Mostrou sempre que condenava "a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques na Faixa de Gaza, nos combates entre Israel e o Hamas."

Durante o seu pontificado, "Francisco visitou Portugal em duas ocasiões." A primeira foi em maio de 2017 aquando das "celebrações do Centenário das Aparições de Fátima - tendo estado no Santuário de Fátima, onde canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto." A segunda vez que cá esteve foi em 2023, na tão falada "Jornada Mundial da Juventude" que se em Lisboa. Nessa ocasião, "presidiu a celebrações no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, visitou bairros da capital portuguesa e reuniu com vítimas de abusos na Igreja." Chegou ainda a visitar novamente o santuário de Fátima.

"O estado de saúde de Francisco era frágil há vários anos, tendo-o levado a pelo menos três hospitalizações desde 2023." Este ano, a situação piorou bastante e, chegou a estar 38 dias internado "devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março." Desde aí, tem estado a recuperar desta situação.

De acordo com informação já divulgada pelo médico "Andrea Arcangeli, responsável pela certidão de óbito," do sumo pontífice, a sua morte ter-se-á devido a um "Acidente Vascular Cerebral (AVC) que provocou uma insuficiência cardíaca irreversível."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/morreu-o-papa-francisco-lider-da-simplicidade-que-a-igreja-catolica-foi-buscar-quase-ao-fim-do-mundo_es1533890

https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

https://www.publico.pt/2025/04/21/mundo/noticia/morreu-papa-francisco-lider-igreja-catolica-desde-2013-2123551

 

 

 

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publicado às 18:54

Perdeu-se mais uma grande voz

por Elsa Filipe, em 17.04.25

Faleceu Nuno Guerreiro. Para mim, uma das maiores vozes portuguesas da atualidade. Ainda no outro dia, mostrava ao meu filho a canção "Caçador de sóis", uma das minhas preferidas.

https://youtu.be/SYV6MECcouI

Nascido em Loulé, a 5 de Setembro de 1972, cedo Nuno quis ir para a capital estudar.

Estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional, para onde foi com apenas 16 anos para tentar uma carreira como bailarino, mas foi com a limpidez e singularidade da sua voz que se destacou. Dançou no palco do Teatro São Luiz, tendo também sido neste palco que cantou pela primeira vez, numa colaboração "com o grupo Diva de Natália Casanova."  

Carlos Paredes viu-o a cantar e convidou-o "a participar, em 1992," nos seus concertos de Lisboa e do Porto. "Colaborou também com o ex-Madredeus Rodrigo Leão." Mais tarde, integraria a "Ala dos Namorados", convidado por João Gil e Manuel Paulo.

Gravou a solo o álbum "Carta de Amor", e o álbum "Tento Saber" em 2002. Juntou-se a outros grandes nomes para um tributo a José Afonso (com Olavo Bilac, dos "Santos & Pecadores" e Tozé Santos da banda "Per7ume"). Em 2014 lança o álbum "Felicidade."

Em 2021 participou no programa "A Máscara" da SIC, onde desempenhou brilhantemente o papel de "Coruja".

Atualmente, Nuno era colaborador no Cineteatro de Loulé, na área da produção e estava também envolvido num projeto intitulado "Nuno Guerreiro & Mau Feitio, composto pelos músicos do Algarve Ricardo J. Martins, João Palma, Vítor Bacalhau e Vasco Moura. O grupo deu vários concertos recentemente." Chegou mesmo a dar dois espetáculos, "com casa cheia", nos dias 30 e 31 de março, juntamente com os 'Mau Feitio' e com a Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Artistas de Minerva. 

Nuno Guerreiro tinha apenas 52 anos. Lançou o seu último trabalho como vocalista da banda Ala dos Namorados em 2023. O seu último trabalho a solo tinha sido lançado no ano anterior e encontrava-se ainda a colaborar com a AR para a produção de um evento nas celebrações do 10 de Junho deste ano.

Uma enorme perda para o nosso panoraman musical... fica por saber o que esta voz ainda teria para nos dar, tal o seu talento!

 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2025-04-17-morreu-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-893846d5

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Guerreiro_(cantor)

https://famashow.pt/famosos/2025-04-17-revelada-causa-da-morte-de-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-039c910f

 

 

 

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publicado às 12:46

Faleceu João Cravinho

por Elsa Filipe, em 16.04.25

João Cravinho tinha 88 anos e faleceu devido a doença prolongada. Encontrava-se em casa.

João Cravinho, nasceu em Angola em 1936, foi engenheiro de formação, militante do partido socialista e "ministro da Indústria e Tecnologia do IV governo provisório de Vasco Gonçalves, em 1975." Anos mais tarde, foi também "ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, no XIII Governo, liderado por António Guterres." Chegou a ser "ministro da República em vários Governos, deputado à Assembleia da República em várias legislaturas e deputado ao Parlamento Europeu, onde aliás foi vice-presidente."

Defendeu sempre a "ética na política e na vida pública," e desempenhou um "importante papel na luta anticorrupção," mesmo contra "deputados parlamentares do seu próprio partido." Foi o que aconteceu quando, em 2006, "apresentou um ‘pacote anti-corrupção’, que incluía a polémica proposta de criminalização do enriquecimento ilícito, e que foi rejeitado pela sua própria bancada parlamentar, numa altura em que o líder do PS era o primeiro-ministro, José Sócrates."

Entre "2007 a 2011, foi administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), com sede em Londres."

De acordo com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, João Cravinho ter-se-á também destacado "como Presidente da Comissão Independente para a Descentralização. Multifacetado, pautou a sua vida por uma defesa incansável da ética na política e na vida pública, lutando sempre contra a corrupção e desempenhando os mais diversos cargos com desassombro e coragem." 

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/04/16/morreu-joao-cravinho-ex-ministro-e-um-dos-militantes-historicos-do-partido-socialista-port

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/morreu-jo%C3%A3o-cravinho-hist%C3%B3rico-do-partido-socialista-tinha-88-anos

 

 

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publicado às 23:52

Ana Faria

por Elsa Filipe, em 18.08.24

Hoje recordo as músicas da minha infância e, na altura, mal eu sabia que devia a esta senhora as criações e adaptações que eu ouvia e cantarolava. Ana Faria, deixou-nos ontem, mas as suas músicas irão sempre fazer parte das minhas lembranças e, de certeza, das vossas também. Tinha 74 anos.

Foi no programa Zip Zip, transmitido no final da década de 1960, que Ana Faria se tornou conhecida (nessa altura eu ainda não era nascida) interpretando a "Canção de Embalar", de José Afonso, e "Avé Maria do Povo", popularizada por Simone de Oliveira. Em 1982, publica o disco "Brincando aos Clássicos", em que "interpretava sinfonias clássicas de compositores como Beethoven ou Mozart."

Em conjunto com o marido, Heduíno Gomes, que era responsável pela produção, "criaram os grupos Queijinhos Frescos, Jovens Cantores de Lisboa, seguindo-se os Onda Choc, com mais de um milhão de discos vendidos." Foram também responsáveis pela criação dos Popeline.

"A maioria das músicas destas bandas eram sucessos de versões internacionais com uma letra nova em português," que todos decorávamos de tanto rodar as cassetes! Era um mimo, que a minha mãe me comprava, ainda antes de termos leitor de cd's e, algumas dessas cassetes ainda resistiram e estão cá em casa. Momentos felizes.

Os "Quijinhos Frescos" era formado "pelos três filhos de Heduíno Gomes e Ana Faria, nomeadamente: João Faria Gomes, o mais velho; Nuno Faria Gomes, o irmão "do meio"; e Pedro Faria Gomes, o mais novo." Ainda gravaram alguns discos "para a editora CBS" tendo obtido bastante sucesso "na década de 1980."

Em 1984 sai o álbum "Ana Faria e os Queijinhos Frescos", ao qual se seguiu o álbum discográfico "Batem Corações." Segue-se o lançamento do "single com o tema do programa Jornalinho da RTP." Em 1986, é então "editada a compilação "O Melhor dos Queijinhos Frescos." Aparece então um novo grupo infantil: Onda Choc.

Os Onda Choc era um grupo "constituído por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade. Os elementos eram recrutados através de casting e ou através do coro juvenil dos Jovens Cantores de Lisboa. Os ensaios das canções e das coreografias decorriam num pavilhão do Clube Futebol Benfica (também conhecido como Fófó), e as produções discográficas ficaram a cargo de Heduíno Gomes, o marido da cantora Ana Faria."

Em 1992 surgiram as "Popeline", um grupo feminino de música infantil. Recordo as roupas coloridas e os chapéus!

Ana Faria dedicou-se mais tarde à pintura e aos retratos, bem como à escrita para crianças.

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/morreu-ana-faria-cantora-de-musica-infantil-que-criou-o-grupo-queijinhos-frescos

https://observador.pt/2016/01/20/ministars-onda-choc-outros-miudos-cantam/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Onda_Choc

https://pt.wikipedia.org/wiki/Queijinhos_Frescos

 

 

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