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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Pensamos muitas vezes no Irão como um país em que quase toda a gente obedece de forma cega ao poder instituído, mas aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é bem isso.
Pelas ruas, as pessoas manifestam-se contra o ayatolah Ali Kohamenei, líder do regime, juntamdo-se em acesos protestos que "começaram na capital Teerão, mas depressa se alastraram a outras cidades do país, como Shiraz, Mashad, Isfahan ou Karaj." Há cerca de 2600 detidos e mais de uma centena de mortos. Estes protestos começaram a 28 de dezembro e resultaram da insurgência contra "o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito" a muitas sanções por parte do exterior, em especial dos EUA. Na base destes protestos estiveram a "rápida desvalorização da moeda iraniana, a subida súbita dos preços de bens essenciais," bem como a decisão tomada pelo "banco central de acabar com um mecanismo que permitia a alguns importadores aceder a dólares a um câmbio mais favorável," o que provocou a indignação da população, em especial dos jovens. Depois dpo encerramento de várias lojas e mercados, as reinvindicações que inicialmente eram económicas, foram-se tornando cada vez mais políticas.
Nos últimos dias, as linhas telefónicas foram cortadas, sendo assim mais difícil que se saiba realmente o que se passa no território. A Internet está também em baixo e a "televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação." Aos manifestantes que são mortos, o regime apelida de "terroristas." Os protestos são vistos como ameaças ao regime e os participantes nos protestos são vistos como "inimigos de Deus," uma acusação que, no Irão, é punível com a pena de morte. extremamente violenta. As "forças de segurança, incluindo a polícia, a milícia Basij, a Guarda Revolucionária e agentes à paisana, recorreram a munições reais" e ao uso de "balas de metal." Soube-se de atropelamentos usando viaturas contra a multidão. É este o risco que quem ali clama por liberdade corre e, mesmo assim, ali estão às centenas. Aos milhares.
Trump tem publicado declarações nas redes sociais, como vendo sendo hábito, afirmando que o "Irão aspira à liberdade" e que os EUA "estão prontos para ajudar." Enquanto a "ONU manifestou profunda preocupação com o número de mortos," o presidente norte-americano, ameaçou "intervir militarmente caso as forças iranianas continuem a matar manifestantes." Em resposta a esta ameaça de intervenção, o "regime iraniano" já veio acusar "Washington de instigar os protestos."
Também nas redes sociais chegou a circular um vídeo no qual se podia ver um cartaz que dizia "Já não temos medo. Vamos lutar" numa clara manifestação contra a repressão do regime iraniano, que dura já há 47 anos. Muitos dos manifestantes são jovens e exigem a "recuperação da dignidade e o direito a um futuro."
Nas forças de repressão podem até estar já incluídos "membros das Forças de Mobilização Popular do Iraque (Hashel al Shaabi)," mas devido à falta de informação e às poucas imagens disponíveis, torna difícil confirmar o que se acontece.
Reza Pahlavi, (príncipe herdeiro e filho do último monarca do Irão) fez um apelo público onde exorta "os iranianos a permanecerem nas ruas, definindo explicitamente como objetivo a tomada e manutenção do controlo dos centros das cidades," apelando a "protestos coordenados." Por outro lado, Reza Pahlavi, "apelou a Trump para que esteja preparado para adotar medidas de apoio ao povo iraniano," apelando ainda para que os "sectores económicos mais importantes, nomeadamente o petróleo e a energia," participem ativamente "nas greves nacionais, o que faz eco de uma estratégia utilizada durante os últimos meses do regime do seu pai, em 1979." Os protestos espalharam-se entretanto por outros países, sendo interessante ver que a "liberdade de expressão" é uma das principais exigências. Muitos "iranianos que vivem no estrangeiro ou pessoas de ascendência iraniana," juntam-se em manifestações ou desfiles, afirmando que mais do que um direito, é seu "dever" manifestarem-se e mostrarem "o seu apoio à distância, uma vez que os iranianos no seu país, de todas as idades e origens, continuam a sair à rua para lutar pela sua liberdade."
Fontes:
Elisa Lisboa faleceu hoje aos 81 anos. A atriz residia na Casa do Artista desde 2018, depois de em 2017 ter tido um AVC. Nasceu em 1944, foi atriz, professora e encenadora.
"Filha do distinto cantor de ópera José Eurico Corrêa Lisboa e da professora Maria Isaura Belo de Carvalho Pavia de Magalhães e neta materna do maestro Eduardo Pavia de Magalhães e da pianista Branca Belo de Carvalho, a artista começou no Teatro Experimental de Cascais," passando também pela "Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro," e pelo grupo "Teatro Hoje."
Elisa Lisboa começou a sua carreira no final da década de 60, no Teatro Experimental de Cascais, onde atuou em “Bodas de Sangue” (1968), “Maria Stuart” (1969), “Antepassados Precisam-se” (1970), “Um Chapéu de Palha de Itália” (1970) e “O Rei Está a Morrer” (1970). Mais tarde, já no Grupo "Teatro Hoje (Teatro da Graça)" destacou-se em “O País do Dragão” (1987), “Vieux Carré” (1988) ou “Terminal Bar” (1990). Fez ainda parte de espetáculos como "O Duelo" (1971), "O Concerto de Santo Ovídeo" (1973), "Os Amantes Pueris" (1976), "O Equívoco" (1977) e "Os Sequestrados de Altona" (1979).
Chegou mesmo a gravar alguns singles, mas a sua carreira ganharia maior destaque no cinema e na televisão.
A sua carreira no cinema, começou nos anos 90, com participações relevantes em filmes como: “Sombras de uma Batalha” (1993), “Aparelho Voador a Baixa Altitude”, de Solveig Nordlund (2002), “Coisa Ruim”, de Tiago Guedes e Frederico Serra (2006), “Alasca”, (2009), “Luz da Manhã” (2011), “Fábrica dos Sonhos” (2011), “A Primeira Ceia” (2011), “Os Últimos Dias” (2011), “A Teia de Gelo” (2012), “Axilas”, de Fernando Lopes (2016).
Também participou em várias séries e comédias. O seu primeiro projeto foi “Tragédia da Rua das Flores” (RTP 1981), passando mais tarde por “Mistério Misterioso” (RTP 1990), “Sozinhos em Casa” (RTP 1994), “Sabor da Paixão” (Rede Globo 2002/2003). Participou também na série “Morangos com Açúcar” (TVI 2006) e, no mesmo ano, participa na SIC no sucesso "Floribella" (2006). Entretanto, participa em “Ilha dos Amores” (TVI 2007), e volta à SIC para "Podia Acabar o Mundo” (2008).
Passa ainda por “Conta-me Como Foi” (RTP 2008/2009), “Feitiço de Amor” (TVI 2008/09), “Liberdade 21” (RTP 2009), “Flor do Mar” (TVI 2009), “Meu Amor” (TVI 2009/10), “Cidade Despida” (RTP 2010), “Regresso a Sizalinda” (RTP 2010), “Velhos Amigos” (RTP 2012), “Doce Tentação” (TVI 2012/2013), “Mulheres” (TVI 2014), “Bem-Vindos a Beirais” (RTP 2015). Uma carreira cheia de diferentes personagens, de grande papéis e que terminaria com o seu último projeto "na TVI, em 2016, quando interpretou Maria Amélia Martins em "A Impostora."
A sua vasta carreira, passou também pelo ensino, tendo sido professora de Interpretação "na Escola Superior de Teatro e Cinema."
Fontes:
https://sicnoticias.pt/cultura/2026-01-09-morreu-a-atriz-elisa-lisboa-e5c289ba
Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.
Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."
Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa."
Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.
E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?
E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.
São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.
Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393
Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Bem, precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano.
Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...
Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.
Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."
Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.
Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.
Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil.
O primeiro-ministro português não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."
Fontes:
A passagem para o novo ano já aconteceu e por aqui, foi passada de pijama a observar da janela, as pessoas que festejavam nas ruas com o fogo de artifício que abrilhantava a noite fria. Enquanto a Oreo ficou perto de mim, a receber festas, a Twisty escondeu-se debaixo do sofá a tremer e lá ficou até de madrugada, horas depois da música ter cessado lá fora. Os animais sofrem nestes dias e nós nem sabemos o mal que lhes poderemos estar a fazer. Mas faz parte e respeito, porque é uma festa e tudo passa. Somos seres de rituais e alguns levam-nos mais a sério. Eu confesso que gosto de estar em casa, longe da confusão das grandes multidões, preferindo um serão de filmes ou séries a um concerto ou optanto por um jantar em família. Raramente brindo (só se estiver com pessoas que o façam, o que é raro acontecer) e ainda mais raramente me lembro de que era suposto ter passas para pedir desejos. Gosto de fazer listas de coisas e se chover no dia 1 ainda melhor, pois é mais uma desculpa para não sair de casa.
Hoje acordamos com a notícia de uma explosão nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas, num bar onde se festejava a passagem de ano. À primeira explosão, que ocorreu por volta da 1h30m locais, seguiram-se outras e um forte incêndio. A maioria dos feridos sofreram queimaduras graves e muitos ainda lutam pela vida. A localização da estância de esqui, o número de vítimas mortais e a gravidades dos ferimentos, acabam por dificultar bastante as operações. Ainda não se sabem as causas, mas fala-se que estarão relacionadas com o mau armazenamento ou com o mau manuseamento de engenhos pirotécnicos. No entanto, a "queima de fogo-de-artifício durante as celebrações da passagem de ano estava proibida em Crans Montana, tendo as autoridades locais colocado cartazes na povoação a notificar a interdição, devido a situação de seca, com falta de neve e temperaturas acima do normal para o inverno."
A partir de hoje, a Bulgária passa a ser oficialmente o "vigésimo primeiro membro" da Zona Euro, depois de ter entrado para a UE em 2007. O Euro passa assim a substituir o lev búlgaro. Por cá, passam 40 anos da entrada do país na CEE e apesar do balanço ser positivo, continuamos com muitos problemas por resolver. O preço de várias portagens vai aumentar, o preço do pão e de outros produtos vão também aumentar e os hospitais continuam a não dar conta da grande afluência de doentes. Os políticos continuam a atirar culpas uns aos outros sobre o estado do país, enquanto os candidatos à Presidência da República pedem que ninguém deixe de ir votar.
Na Ucrânia, o momento da passagem de ano foi assinalado pelo silêncio. As luzes, poucas, apagaram-se. A morte continua à espera de um acordo. Sucedem-se os ataques e as acusações entre os dois países, com a Rússia a atacar novamente "a cidade portuária de Odessa" e a deixar mais de "170 mil casas" sem energia elétrica. Em vez de fogo de artificio, a noite contou com sirenes que alertavam para o perigo de ataques aéreos. Entretanto, há dois dias, Putin acusou a Ucrânia de atacar prepositadamente uma das suas residências, "situada na região de Novgorod."
Infelizmente, não é por mudar o ano que o mundo reinicia. Não passamos a ser melhores pessoas e não vamos mudar os nossos hábitos. Para o fazermos, é preciso muito mais do que a passagem dos ponteiros do relógio. Como não festejamos todos em simultâneo, já é tradição que as televisões passem o último dia do ano a mostrar as muitas passagens de ano pelo mundo fora.
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/economia/bulgaria-torna-se-21o-pais-a-aderir-ao-euro_n1707202
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-intensifica-ataques-a-ucrania_v1707163
Ao longo do ano, os casos de violência doméstica que resultaram em morte foram-se sucedendo. O de ontem, foi um dos ataques mais violentos, resultando na morte de um rapaz de apenas 13 anos. Por muito que nos custe a morte de uma criança, é ainda pior se pensarmos que não foi o primeiro.
O agressor esfaqueou o rapaz de 13 anos, que era seu enteado, bem como a ex-companheira, tendo-se depois suicidado com a mesma arma. Antes de morrer, provocou ainda uma explosão de gás. O rapaz e o padrasto acabaram por falecer, tendo a mãe e um militar da GNR sofrido ferimentos devido a estilhaços da explosão. Um vizinho relatou que o carro do agressor era ali visto quase diariamente. A situação era conhecida por muitos dos habitantes da aldeia de Casais, em Tomar, até mesmo pela Junta de Freguesia e o homem "tinha já cumprido pena de prisão por homicídio qualificado." Esta família encontrava-se já "sinalizada na sequência de processos de violência doméstica registados em 2022 e 2023." Então, o que falhou? A prisão efetiva do agressor! Apenas isso.
As vítimas, apesar de tudo, acabam muitas vezes por aceder a visitas dos agressores, seja por causa do contato com os filhos, seja até porque ainda têm por estes sentimentos de amor ou de dependência. Não devem ser as vítimas a ser culpabilizadas, como tantas vezes são, a serem estas a ter de sair de casa, a mudar de freguesia ou, até, a sair do país. Tantas vezes, esta falta de proteção e de respeito pela vítima faz com que a mesma regresse para a mesma casa onde vive o agressor, ou que lhe abra a porta de sua casa, cedendo aos seus pedidos.
Em agosto, as imagens de uma câmara de videovigilância circularam por todo o lado. Os gritos da mulher e do seu filho mostraram-nos a realidade de muitas famílias. Não fossem as imagens e este episódio passaria, escondido como tantos outros, com as vítimas a apanhar e a calar! As agressões foram tão violentas que a mulher foi hospitalizada e sujeita a cirurgia de reconstrução facial! Mas pasmem-se, como eu me pasmei: depois de ter "passado de prisão preventiva para pulseira eletrónica em meados de outubro," o homem foi agora libertado, com "a condição de frequentar um curso de prevenção do alcoolismo e de violência doméstica." E isto aconteceu porque a mulher o perdoou. Perdoar é algo privado, algo íntimo, que nada devia influenciar nas decisões judiciais. Ele cometeu, pelo menos, dois crimes graves de agressão, um contra a mulher e outro contra o filho ao fazê-lo assistir às agressões à mãe, mas ficou em liberdade. A vítima, acabou por solicitar "que fosse restabelecido o contacto entre o filho e o pai." E se a mãe não quer proteger aquela criança, então não se encontra bem e deve também ser avaliada. A vítima pode estar a ser pressionada, a sua vida ou a do filho ameaçada, pode ter medo ou não estar a conseguir organizar a sua vida económica sem ajudas, ou pode apenas ser conivente e aí o problema será outro. Podemos apontar aqui muitas causas para este "perdão", que estranhamente vem contradizer aquilo que é visto nas imagens. Mas a justiça apenas devia decidir com factos e não opiniões: perdoar é, digo novamente, algo pessoal. Se o crime de violência doméstica não precisa que a vítima faça queixa, então porque é que, havendo um crime provado, o agressor não é condenado?
A diferença entre os dois casos? Até agora nenhuma. Ele não matou... pois em 2023 o outro também ainda não os tinha morto. Não matou a mulher, mas matou o filho dela, seu enteado. Entendem? Os sinais já lá estavam.
Os dados de 2025 não são animadores. Em apenas seis meses, morreram 13 pessoas vítimas de violência doméstica: entre janeiro e março "registaram-se 7 vítimas (6 mulheres e 1 homem) de homicídio voluntário em contexto de Violência Doméstica," no primeiro trimestre de 2025 e no "segundo trimestre deste ano morreram seis pessoas" (das quais cinco mulheres e um homem). No "terceiro trimestre deste ano, foram registados cinco homicídios em contexto de violência doméstica, elevando para 18 o número de mortos este ano." Os dados estão agora por atualizar.
Fontes:
Clara Pinto Correia era escritora, bióloga e professora universitária. Tinha apenas 65 anos e "foi encontrada morta em casa em Estremoz esta terça-feira." O que aconteceu para se perder, de forma tão precoce, uma mulher que (nas palavras do próprio Presidente da República) "juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros," e que nunca deixou "ninguém indiferente"?
Clara nasceu em Lisboa a 30 de janeiro de 1960. Era do mesmo ano e da geração da minha mãe e, apesar de nunca a ter conhecido, sabia-a uma importante escritora. Viveu em Angola, onde o pai cumpria o serviço militar e foi n o Ultramar que lhe "nasceu a paixão pela Biologia." Dizem que foi uma "excelente aluna," tendo frequentado "o Liceu Francês Charles Lepierre" e, mais tarde, "o Liceu Rainha D. Leonor." Estudou Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde termina a licenciatura em 1984. Doutorou-se e ainda foi investigadora numa área muito específica e que estava ligada à clonagem "de embriões de mamíderos." Chegou a especializar-se também em História das Ciências.
Até desconhecia que fosse professora, pois as minhas referências estavam nos artigos que tinha lido na imprensa escrita. Comecei a perder-lhe o rasto e, estava longe de saber daquilo de que a tinham acusado. Infelizmente, o caso das acusações feitas a Clara, deram cabo da sua reputação. Mas é na sua obra que me quero agora focar.
Em 1984, Clara edita o seu primeiro romance, com um estranho título: "Agrião." Mas quem conhece a sua peixão pela natureza, entenderia o título deste e de outros livros. A verdade é que "como escritora, assinou entre 1983 e 2007 mais de quarenta obras, entre as quais se destacou o romance Adeus, princesa, sobre a reforma agrária no Alentejo," livro que acabou por dar "origem a um filme." Escreveu também "literatura infantil, crónica, poesia" e "narrativa." Foi atriz e apresentou programas de rádio.
Escreveu artigos para “O Jornal” (entre 1980-1985), e para o “Jornal de Letras” (entre 1983 e 1986). Escreveu também para a revista "Visão", mas em 2003, e apesar de nem sequer estar em Portugal, foi "acusada de plágio" em duas das crónicas que escreveu para essa mesma revista. Calou-se, mas arrependeu-se de não se ter vindo defender. Num trabalho fotográfico apresentado por Pedro Palma, em Cascais, mostrou-se em poses íntimas, rosto descomplexado e inebriado, que deram que falar e fizeram correr muita tinta na imprensa cor de rosa e não só. Divorciou-se.
Ficou sem trabalho e, como a própria chegou a referir, a segurança social demorou "quase dois anos" para lhe atribuir um "subsídio de desemprego." Queixou-se de ter enfrentado filas onde se sentia olhada de lado...Foi despejada da casa que alugava há 30 anos "no Penedo (perto de Colares, Sintra)."
Em 2017, enfrentou a "misteriosa morte do ex-marido, Pedro Palma," cujo corpo foi encontrado "dentro da bagageira do próprio carro," no mesmo ano em que recebeu "o Prémio Mulher Empreendedora, no domínio da literatura."
No ano passado, escreveu numa artigo para a Revista Nova Gente, que tinha sido "violada, há cerca de cinco anos, no Natal," por "dois tarados." Além da sua médica, mais ninguém soube - até agora. Afastou-se das suas pessoas, dos que amava, para não os magoar, talvez, magoando-os ainda mais. Quantos de nós nos afastamos, para não aborrecer os outros com os nossos problemas? São escolhas, que fazemos, mas que nos trazem consequências graves. Não sabemos (só eles sabem) o que terá passado, os encontros e desencontros da vida que a levaram a ficar sozinha.
E morreu sozinha... diz-se (mas dizem-se tantas coisas que nunca saberemos o que é verdade e o que é apenas especulação), que ficou durante dias sozinha, sem que ninguém tivesse dado pela sua falta e que foi "encontrada morta pela sua empregada doméstica." Talvez a amiga que lhe valia nos dias de solidão. Aos amigos e à família, os meus sentimentos.
Fontes:
https://www.jornaldenegocios.pt/economia/cultura/detalhe/morreu-a-escritora-clara-pinto-correia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Clara_Pinto_Correia
Um sismo de 7.6 na escala de Richter atingiu ontem a "região de Hokkaido, na costa nordeste do Japão." O epicentro registou-se no Oceano Pacífico, "a cerca de 80 quilómetros da costa e 44,1 quilómetros abaixo da superfície do mar," o que levou "à emissão de um alerta de tsunami," com ordem expressa "de evacuação aos residentes da região."
Foram até ao momento registados 33 feridos, "sobretudo pela queda de objetos." Este sismo "ocorreu cerca das 23h15, hora local." Alguns dos feridos encontravam-se "num hotel da cidade de Hachinohe." Ao sismo seguiu-se uma onde de cerca de 40 cm que atingiu os "portos de Aomori (Mutsu Ogawara) e Hokkaido (Urakawa)," tendo ainda havido zonas onde a ondulação a0tingiu "os 50 centímetros, levando as autoridades a ativar alertas que previam ondas até 3 metros." Foram também "registados incêndios em diferentes pontos da província de Aomori, enquanto cerca de 90 mil residentes receberam instruções para se dirigirem a centros de evacuação."
O Japão possui várias centrais nucleares, as quais "estão a ser alvo de inspeções de segurança." Há um mês, a região tinha já sofrido um sismo de 6.9 de magnitude, ao qual se sdeguiram várias réplicas. A região é das mais afetadas por estes fenómenos telúricos, devido à sua localização geotectónica. Desta vez, os danos não foram muito elevados, mas o Japão está a alertar a população para a possibilidade de se vir a registar um sismo de maior intensidade e com risco mais elevado!
Fontes:
De uma voz inconfundível, "Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro," deixa-nos hoje, aos 89 anos. Anita Guerreiro vivia há cerca de 11 anos na Casa do Artista. Coincidência, celebraram-se ontem, 6 de dezembro, 113 anos da abertura do Teatro Politeama.
Foi fadista, mas também nos encantou com a sua voz na revista à Portuguesa e espantou nas marchas populares de Lisboa. Uma artista completa, foi atriz e será sempre lembrada como uma mulher que não se dava a vedetismos e que sempre lutou a pulso por conquistar o seu lugar. E se ela merecia ser vedeta! Ficam as saudades!
A muitos inspirou e agora perde-se uma das maiores vozes do nosso país! Nasceu "a 13 de novembro de 1936, em Lisboa," e foi com apenas 7 anos que se estreou "na coletividade Sport Clube do Intendente."
Em "1952 concorreu ao Tribunal da Canção, um passatempo radiofónico do programa Comboio das Seis e Meia, à época um enorme sucesso," o qual a tornou conhecida do público. Em 1954, a "fadista estreou-se" no palco do "Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa," ainda "menor" de idade e, por isso, com "uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para atuar."
"Em 1955 estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, seguindo-se apresentações em Festa é Festa (1955) e revistas no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956)." Ainda em 1956, participou no filme "Lisboa," cantando Lisboa Antiga. Chegou a viver nos EUA, mas quando em 1982 regressou, Anita Guerreiro fez parte do "elenco da revista Há mas são verdes, onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", numa "homenagem a Hermínia Silva," e Calçadinha à portuguesa. Outras canções da artista: "Sardinhada", ou "Sou Tua".
"Integrou também o elenco de várias telenovelas e séries portuguesas, como Primeiro Amor (1995), Roseira Brava (1996), Uma Casa em Fanicos (1998)," e quem não se lembra de a ver em "A Loja do Camilo," ou em "Os Batanetes (2004)"? Na musica, é de destacar é claro o grande sucesso “Cheira bem, cheira a Lisboa, mais tarde imortalizado por Amália Rodrigues." Na revista, recebeu em 1970, o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, pela sua interpretação em Peço a Palavra. Em Angola, foi vencedora também de uma "Guitarra de Ouro." E foram tantas as revistas em que participou!
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