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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Nos últimos dias, o mar tem estado revolto, os ventos fortes atingem a costa e fustigam as barras. Apesar de não estarmos em alerta, têm sido emitidos avisos à navegação e tem sido pedido que se reforcem os cuidados. Sair para a pesa é, muitas vezes, mais do que uma decisão a tomar, uma (quase) obrigação. Porque os outros vão... porque nunca acontece nada...
Mas acontece e no domingo, uma embarcação acabou mesmo por naufragar "ao largo de Caminha", com cinco ocupantes. Dois foram resgatados e levados ao hospital e estão ainda "três pescadores indonésios desaparecidos no mar." Apesar das buscas intensas e que se estenderam até Espanha, apenas alguns vestígios do naufrágio foram encontrados. O barco terá naufragado junto de uma zona rochosa, perto da ilha de Ínsua.
Hoje, "os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa, Leiria, Beja e Coimbra" encontravam-se "sob laranja devido à agitação marítima forte," e assim estarão até amanhã. Os "distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro e Braga" estão "sob aviso amarelo até às 03:00 de quarta-feira," com as "barras marítimas de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Douro, Figueira da Foz, Nazaré e Cascais, (...) fechadas a toda a navegação."
Hoje, mais um naufrágio, desta vez ao largo de Aveiro. Uma embarcação que se encontrava por perto e que acorreu às buscas, ainda conseguiu "resgatar três dos sete tripulantes da embarcação, mas um deles não resistiu," acabando por ser posteriormente confirmada a sua morte. Ainda faltam encontrar outros quatro pescadores. Refira-se que a "barra marítima de Aveiro está condicionada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros." O barco, com o nome “Carlos Cunha”, "está registado em Vila Praia de Âncora." O mestre é português e penso que saberia dos alertas e avisos, "mas a maioria dos membros da tripulação são de nacionalidade indonésia." O barco tem um comprimento entre os "12 e os 14 metros," dedicando-se à "faina especialmente do espadarte” e estando habitualmente fundeado em Vigo. Como é que temos tantos pescadores de nacionalidade indonésia a operar em barcos portugueses? Em que condições e com que formação e meios é que trabalham?
Neta de um homem do mar (filha de pescadores, mas que era em terra que faziam o seu trabalho), sei o que é esperar por notícias. Sobrinha-neta de pescadores, sei o que é chorar quem se perde na rebelia das ondas. E sei que sempre se arriscou muito. Hoje, com muitos mais recursos e muito mais informações, barcos que estão (ou deveriam estar) equipados com radares, sonares e estações meteorológicas, ainda se choram muitos mortos. Às famílias e amigos, que o mar seja rápido a devolver-vos os vossos. E espero que, depois das buscas, se apurem responsabilidades. Há regras, há licenças, há até formação... esperemos que estas duas embarcações tivessem tudo isso em ordem e que não estivessem a operar de forma "menos" legal.
Fontes:
https://ominho.pt/barco-de-pescadores-que-naufragou-em-aveiro-e-de-vila-praia-de-ancora/
Uma colisão entre uma pequena embarcação de pesca e o catamarã de transporte de passageiros da Soflusa, Antero de Quental, que fazia a ligação entre o Terreiro do Paço, em Lisboa e o Barreiro, fez esta tarde dois feridos (um leve e um grave) e dois desaparecidos. A embarcação teria a bordo, segundo já fizeram saber, os meios de comuniicação social, alguns utensílios que habitualmente são usados na apanha de ameijoa no rio Tejo.
Deste acidente resultaram "dois feridos - um grave e um ligeiro que foram transportados para o Hospital Garcia de Orta, em Almada - e dois desaparecidos." Os dois feridos foram recolhidos por uma outra embarcação "que se encontrava nas proximidades, e transportados até ao Cais da Margueira, em Cacilhas."
As buscas, nas quais estão envolvidos mergulhadores, elementos apeados, várias embarcações e, ainda, "um helicóptero EH-101 Merlin da Força Aérea" serão interrompidas durante a noite e retomadas amanhã de manhã. Os desaparecidos têm 26 e 32 anos e, de acordo com palavras de um dos sobreviventes, não saberiam nadar nem usariam colete salva-vidas. Um deles, é filho de Sesimbra...
Segundo informações dos meios noticiosos, o catamarã "foi alvo de abalroamento por uma embarcação de pesca, adiantando que o mestre do navio tentou evitar o embate, designadamente com vários alertas sonoros, e que estes foram ignorados pela embarcação de pesca." O capitão do porto de Lisboa confirmou ainda que "os canais que as embarcações de transportes de passageiros usam, quer para o Seixal, quer para o Barreiro, são cruzados diariamente por muitas embarcações."
Falta saber como aconteceu o acidente, mas mais do que apontar culpados, há a lamentar as vítimas. "A Transtejo/Soflusa determinou a instauração imediata de um inquérito interno," uma vez que é preciso saber o porquê de o barco de pesxca não se ter desviado da rota do catamarã. Segundo "o mestre do navio", este "tentou evitar o embate, designadamente com vários alertas sonoros," os quais não produziram qualquer efeito. Algo pode ter acontecido, talvez não tivessem conseguido pôr a embarcação a trabalhar, neste momento pouco se sabe, mas é difícil de acreditar que tivessem ignorado os alertas sonoros ou que não tivessem visto o barco. Esteve mau tempo à tarde, mas nada que pudesse ter levado a este desfecho.
Esperemos que o rio os devolva com vida. A noite já vai longa e tão fria, mas destes dois homens, ainda jovens, nada se sabe.
Fontes:
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