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Porque se discute o 25 de novembro?

por Elsa Filipe, em 25.11.25

Assinala-se hoje o 25 de novembro de 1975. Passaram-se 50 anos, mas se formos perguntar, quase ninguém sabe o que se passou nesta data. Le,mbram-se de quem constituía o "Grupo dos Nove"? E sabiam que estivemos prestes a começar uma guerra civil? Quando falamos dos anos 80 e 90, não nos podemos esquecer que estes governos foram nascendo em cima de um clima de grande instabilidade, de uma democracia recente e de uma República que tinha durado apenas 16 anos e que tinha falhado para dar lugar a um regime militar. 

No passado domingo, saiu à rua a "Marcha dos Audazes", que além de um desfile de onze quilómetros, contou ainda com um almoço convívio, entre militares e ex-militares. Para hoje, 25 de novembro, "está prevista uma sessão solene evocativa na Assembleia da República e uma parada militar no Terreiro do Paço." Em vez de cravos, vão entregar rosas brancas na Assembleia da República. Mas a discussão continua. Com uns a favor e outros contra, este ano a celebração será realizada, com a possibilidade para todos os partidos poderem intervir. "Os comunistas fizeram saber que não vão marcar presença," sublinhando que "não compactua com a operação em curso em torno dos 50 anos do 25 de Novembro para menorizar o 25 de Abril, as suas conquistas e valores, nem para tornar o 25 de Novembro naquilo que não foi, mas que alguns gostavam que tivesse sido". É a opinião deles e lá saberão... talvez não digam é que o que desejavam, na altura, era colocar num poder um outro regime, um outro tipo de ditadura e que esse plano lhes falhou redondamente. Ninguém quer desvalorizar o 25 de abril, mas como seria se o 25 de novembro não tivesse acontecido? Em que tipo de Estado estaríamos hoje?

A sessão solene prevista para as 11 horas, terá "um discurso do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco," e irá terminar "pela alocução do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa."

A 25 de abril de 1974, o país saía finalmente da ditadura e nas ruas celebrava-se a Liberdade! No entanto, um país não muda da noite para o dia e havia que se reorganizar um país que vivia na pobreza, em que os direitos estavam subjugados e que precisav de um novo rumo. A vida não voltaria a ser como antes. Exigiam-se eleições livres, uma nova Constituição, uma Assembleia. E ao contrário da simplicidade com que se trata destes assuntos nos manuais escolares, este não foi um período fácil!

Os apoiantes do MFA (Movimento das Forças Armadas) e o governo, liderado por Vasco Gonçalves, tinham opositores. Apesar do que se conseguiu neste período, não se pode dizer que tenha sido tranquilo, muito pelo contrário.

"Nos meses seguintes o país assistiria a uma série de episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita, e a ameaça de uma guerra civil era real." Houve prisões, perseguições e acusações infundadas, ataques e ameaças de morte. Houve muito, de que agora não se fala, mas uma coisa é certa: o país não podia sair de um regime para cair noutro, igual ou pior e, por isso, o 25 de novembro tem a sua relevância e vem contribuir para colocar um pouco final num período de grande instabilidade. O PREC vê oseu fim no "golpe militar de 25 de novembro de 1975 e, posteriormente, com a Constituição de 1976, dois momentos que põem fim à ilusão de liberdade caraterística desta altura e permitem pôr, finalmente, em prática, os princípios apregoados pela Revolução dos Cravos."

O país vivia em tensão e é a 25 de novembro que "toda esta tensão chega ao limite, com sectores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado, que acabou por ser frustrado pelos militares que se encontravam com o “Grupo dos nove”, apoiados por um plano militar liderado por Ramalho Eanes." Este episódio estará hoje, de forma um pouco mais detalhada, no meu blog: https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/25-de-novembro-celebrar-ou-nao-6612?tc=214097511944.

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-11-23-video-marcha-dos-audazes-assinala-50-anos-do-25-de-novembro-e-critica-guerra-politica-sobre-a-data-8102c80b

https://www.rtp.pt/noticias/politica/parlamento-assinala-50-anos-do-25-de-novembro-em-sessao-igual-ao-25-de-abril_e1700251

https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/25-de-novembro-celebrar-ou-nao-6612?tc=214097511944

https://www.jpn.up.pt/2015/04/26/40-anos-do-prec-ilusao-liberdade-ninguem-fala/

 

 

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publicado às 07:05

Parece que no próximo dia 11 de dezembro vai haver greve geral. Pelo menos é que se tem vindo a divulgar nos canais de notícias e nas redes sociais. Uma greve que, além de outras coisas, parece estar a reaproximar as duas centrais sindicais - UGT e CGTP - o que já "não acontecia há 12 anos." O anúncio (embora ainda não formal), aconteceu logo depois da marcha "Todos a Lisboa" que este sábado, juntou milhares de portugueses, contra o pacote laboral apresentado pelo "governo PSD/CDS-PP."

Esta manifestação tinha sido convocada pela CGTP e dividiu-se em "duas pré-concentrações na capital: os trabalhadores do setor público juntaram-se nas Amoreiras e os do setor privado no Saldanha, sendo que ambas desaguaram no Marquês de Pombal." Entre os manifestantes foi possível ver várias caras conhecidas, entre os quais os candidatos à presidência da República "Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados respetivamente por BE, PCP e Livre." Fica só uma questão para quem diz não tomar partido - isto não se enquadra em tomar partido?

A proposta feita pelo governo, que já tinha sido dada a conhecer a 24 de julho e que foi designada por “Trabalho XXI” pelo Governo em funções, apresenta uma profunda revisão da legislação laboral e que vão desde "alterações nas licenças parentais, no direito à amamentação e ao luto gestacional, ao "trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve."

Entre as medidas anunciadas, estão ainda "propostas" que têm como consequência "perpetuar e agravar os baixos salários" dos trabalhadores, a desregulação dos horários de trabalho, a facilitação dos despedimentos e a destruição dos "direitos de maternidade e paternidade," entre outros.

Estas propostas têm tido uma forte oposição dos sindicatos, mas também de uma grande faixa populacional, para quem estes direitos nunca deveriam sequer estar em causa. Acrescento eu, que estes direitos precisam de ser melhorados e não postos em causa. Sobre esta questão, a "CGTP tem vindo a insistir que o anteprojeto do Governo" se vem a apresentar como "um verdadeiro retrocesso" naqueles que são os "direitos dos trabalhadores," apontando "que há propostas de alteração inconstitucionais."

Vamos ver... 

Fontes:

https://expresso.pt/economia/trabalho/2025-11-08-cgtp-e-ugt-convocam-greve-geral-para-11-de-dezembro-8fd17a6f

https://www.rtp.pt/noticias/pais/milhares-de-trabalhadores-marcham-em-lisboa-contra-pacote-laboral-do-patrao_n1696875

https://observador.pt/2025/11/10/trabalhadores-social-democratas-apelam-ao-dialogo-em-concertacao-social-sobre-revisao-da-lei-laboral/

 

 

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publicado às 07:24

História do elevador da Glória

por Elsa Filipe, em 06.09.25

Muito se tem falado agora do acidente que envolve o ascensor da Glória e, é importante também referir que. além das vítimas que este desastre causou, poder-se-á ter perdido para sempre um ícone da nossa história. O elevador da Glória é um dos muitos monumentos nacionais, visitado por milhares de turistas todos os anos. Podemos até dizer que é um dos muitos postais de visita da cidade de Lisboa e do país (tal como outros ascensores, pontes e diversos monumentos que atraem os visitantes ao nosso país).

O Elevador da Glória pode mesmo ser considerado como um exemplo do desenvolvimento da "engenharia do século XIX", que viria ao longo do século XX" a sofrer diversas alterações para o adaptarem "ao crescimento constante da cidade e ao seu uso." Atualmente, podemos dizer que a engenharia foi evoluindo de forma a adaptá-lo às exigências do "século XXI, combinando tradição histórica com sistemas de segurança modernos."

 

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publicado às 14:14

Descarrilamento do Ascensor da Glória

por Elsa Filipe, em 03.09.25

O elevador da Glória descarrilou esta tarde, embatendo num prédio na rua da Glória. Infelizmente, o número de vítimas mortais é bastante elevado e irá ser decretado um dia de luto nacional. Fala-se em cerca de quinze mortos, a confirmar, pois ainda decorrem as operações de socorro às vítimas e de resgate dos corpos. O número de feridos é também elevado (18 feridos), cinco dos quais estão em estado grave. As noticias foram chegando praticamente em direto, através dos órgãos de comunicação social que se deslocaram ao local.

O acidente aconteceu pouco depois das 18 horas. O veículo que estava em baixo, na mesma rua, descaiu cerca de um metro e meio chamando a atenção a quem passava na rua e que tentou desde logo ajudar com os feridos leves que se encontravam na primeira composição. Rapidamente, apercebendo-se da composição que vinha desgovernada pela rua abaixo, as pessoas fugiram.

O veículo que descarrilou, descendo pela Rua da Glória e embatendo num prédio, ficou praticamente desfeito, numa enorme amálgama de ferro. Ambos os veículos teriam muita gente, antevendo-se que além dos ocupantes dos veículos, tenham também sido atingidos alguns peões que pudessem circular na rua, àquela hora.

Além das muitas ambulâncias do INEM e dos Bombeiros (Sapadores e Voluntários), foi ainda ativada a Viatura de Intervenção em Catástrofe do INEM, duas VMER's e um Posto de Comando Avançado. A causa do acidente ainda não foi apurada, mas a situação poderá ter tido como causa a quebra de um cabo de tração, que liga o elevador ascendente ao descendente (por "um cabo subterrâneo"), tendo o descendente ficado completamente destruído. De estranhar que os próprios travões (freios) não terem funcionado.

O elevador da Glória, foi inaugurado a 24 de outubro de 1885 e liga a "Praça dos Restauradores ao Bairro Alto." Este elevador constitui "uma das principais atrações turísticas de Lisboa e transporta anualmente mais de três milhões de passageiros." O primeiro elevador do género foi o ascensor do Lavra, inaugurado um ano antes "graças à iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa." O ascensor tinha inicialmente funcionado a água, depois a carvão e, atualmente, funciona através de um sistema elétrico.

Não há memória de um acidente deste tipo, apesar de em 2018 (a 7 de maio) ter-se registado um descarrilamento, mas do qual não resultaram vítimas. Nessa data, o "serviço do elevador foi interrompido durante cerca de um mês," e a inspeção feita às infraestruturas levou que fossem postas "a nu graves falhas na manutenção dos rodados dos veículos, o que levou a que os rodados saltassem para fora dos carris." Existem ainda em Lisboa, o "Elevador de Santa Justa" de 1885, que "liga a Rua do Ouro, na Baixa Lisboeta, ao Largo do Carmo," e o elevador da Bica que faz a ligação entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, de 1982.

Fontes:

"Jornal do dia," e "Grande Edição", da SIC Notícias;

https://www.dn.pt/sociedade/elevador-da-gl%C3%B3ria-descarrilou-perto-da-avenida-da-liberdade;

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-03-descarrilou-o-elevador-da-gloria-em-lisboa-0761e662

https://www.publico.pt/2025/09/03/local/noticia/descarrilou-ascensor-gloria-lisboa-2145917#113915

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publicado às 20:35

1º de Maio...

por Elsa Filipe, em 01.05.25

Este 1º de Maio foi um pouco estranho... depois de ter colocado a morte de um Papa à frente da celebração da Liberdade do país, a AD fez do Dia do Trabalhador, uma festa popular, ou como alguns chamaram "popularucha"... 

Depois do 25 de Afril de 1974, a Junta de Salvação Nacional (onde estavam representados os três ramos das forças armadas), "decretou feriado o dia 1 de Maio e, pela primeira vez em quase cinco décadas, o dia do trabalhador voltou a ser assinalado. Nesse dia, as pessoas vieram para a rua, empunhando cartazes e gritando "reivindicações de toda a ordem," demonstrando "de forma espontânea a sua alegria pela liberdade recentemente conquistada." Entre muitas outras coisas, pediram-se "direitos para as mulheres, para as crianças, para todos os partidos, para os artistas e para a imprensa, melhores salários" e, até, água canalizada.

(imagem: Museu do Aljube)

Em 1974, as "manifestações do Dia do Trabalhador que ocorreram em Lisboa e no Porto em 1974 impressionaram na dimensão, no exemplo de civismo e na genuína alegria partilhada entre todos, conhecidos e desconhecidos." Atualmente, descer a Avenida da Liberdade em Lisboa, ainda não é para todos.

"Em Lisboa, a Alameda Afonso Henriques foi ponto de encontro e o comício ocorreu depois no Estádio" da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, "onde muitos milhares de pessoas se juntaram nesse dia sob o lema “Paz, Pão e Liberdade!" e onde "Mário Soares" (socialista) "e Álvaro Cunhal" (comunista), "apareceram lado a lado", abraçando-se e, juntos, "celebrando a recentemente conquistada liberdade."

"Nos desfiles e comícios havia bandeiras nacionais e flores, estandartes de partidos e sindicatos, cartazes populares e milhares de vozes unidas na banda sonora da revolução. Ao mesmo tempo que cantarolavam a Grândola de Zeca Afonso e outras canções proibidas pela censura, gritavam palavras de ordem contra o fascismo e em defesa dos valores da democracia." Com este governo, quem cantou foi Tony Carreira e a festa foi feita nos Jardins do Palácio de Belém.

A origem desta data é, no entanto bem anterior a 1974. Remonta sim "ao século XIX." Em 1886, "milhares de trabalhadores" dos Estados Unidos, "organizaram uma greve geral para exigir a redução da jornada laboral para oito horas por dia." Estas manifestações, tornaram-se "particularmente violentas." Na cidade de Chicago, os ânimos exaltaram-se e a situação tomou proporções muito graves quando no dia 04 de maio, durante um protesto na Haymarket Square, "foi lançada uma bomba contra a polícia" o que levou à intensificação dos confrontos já de si violentos. "Várias pessoas morreram e líderes sindicais foram condenados à morte ou prisão."

"Três anos depois, em 1889, o Congresso Operário Internacional, em Paris, decidiu homenagear os trabalhadores de Chicago e instituiu o 1.º de Maio como dia de luta internacional pela melhoria das condições de trabalho." Em Portugal, a ditadura proibiu as comemorações, que tinham sido assinaladas pela primeira vez em 1890. 

Numa data que é, acima de tudo, simbólica, surgem agora novas questões e novas reinvindicações: "o impacto da automatização e da inteligência artificial, os efeitos da pandemia na organização do trabalho, a importância da conciliação entre vida pessoal e profissional e as desigualdades que persistem entre setores e entre homens e mulheres." Ainda hoje, tantos anos depois, os direitos não são ainda iguais para todos, os ordenados diferem pelo sexo do trabalhador e ainda há mulheres a morrer às mãos dos maridos que as consideram sua propriedade. Não podemos deixar cair a liberdade, não podemos esquecer que os nossos direitos ainda não estão seguros! 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-junta-de-salvacao-nacional-primeiro-poder-apos-a-ditadura/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-primeiro-1-o-de-maio-da-democracia/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-povo-unido-jamais-sera-vencido/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-05-01-1.-de-maio-historia-lutas-e-os-novos-desafios-do-trabalho-b077aa0e

https://sicnoticias.pt/pais/2024-05-01-video-o-primeiro-dia-do-trabalhador-em-liberdade-como-foi-o-1-de-maio-ha-50-anos--4d34e069

 

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publicado às 23:52

Um pouco de história... o massacre de Lisboa

por Elsa Filipe, em 19.04.25

No dia 19 de abril de 1506, aconteceu um dos mais trágicos momentos da nossa história. Nesse dia, uma multidão em fúria perseguiu e matou milhares de judeus (segundo Garcia de Resende, terão sido mais de 4000), naquele que ficou conhecido como o Massacre de Lisboa de 1506. Esta matança aconteceu porque a população precisava de um culpado para a situação de seca e fome que, junto com a chegada da peste negra, assolavam o país. E a culpa foi direcionada para os milhares de judeus que nove anos antes tinham sido forçados a se converterem ao catolicismo, em Portugal. Este é mais um pedaço da nossa história que teima em ser "esquecida," e que não vem "nos livros de história," acabando por cair no esquecimento.

Reinava D. Manuel I e os judeus que se convertiam eram chamados Cristãos-Novos.

Naquele domingo, rezava-se no Convento de São Domingos de Lisboa. Os fiéis pediam o fim" da seca e da peste que grassavam em Portugal, e alguém jurou ter visto no altar o rosto de Cristo iluminado — fenómeno que, para os católicos presentes, só poderia ser interpretado como uma mensagem de misericórdia do Messias — um milagre."

"Um cristão-novo," que também assistia àquela missa, "tentou explicar que esse milagre era apenas o reflexo de uma luz, mas foi calado pela multidão, que o espancou até à morte."

Portugal, vivia ainda um período obscuro, de ignorância coletiva e de medo perante qualquer fenómeno desconhecido e, este episódio, foi o reflexo dessa mesma ignorância. Nos três dias que se seguiram, as mortes sucederam-se, incitadas pelos "frades dominicanos que prometiam absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para quem matasse os hereges." O resultado foi "uma turba de mais de quinhentas pessoas incluindo muitos marinheiros da Holanda, da Zelândia e de outras terras," que perseguiram e mataram todos os judeus que iam encontrando.

Sem escapatória possível, "homens, mulheres e crianças foram torturados, massacrados e queimados em fogueiras improvisadas no Rossio, mais precisamente junto ao largo de São Domingos. Os judeus foram acusados entre outros "males", de deicídio e de serem a causa da profunda seca e da peste que assolava o país."

A esta turba de maus homens e de frades que, sem temor de Deus, andavam pelas ruas concitando o povo a tamanha crueldade, juntaram-se mais de mil homens (de Lisboa) da qualidade (social) dos (marinheiros estrangeiros), os quais, na Segunda-feira, continuaram esta maldade com maior crueza. E, por já nas ruas não acharem Cristãos-novos, foram assaltar as casas onde viviam e arrastavam-nos para as ruas, com os filhos, mulheres e filhas, e lançavam-nos de mistura, vivos e mortos, nas fogueiras, sem piedade. E era tamanha a crueldade que até executavam os meninos e (as próprias) crianças de berço, fendendo-os em pedaços ou esborrachando-os de arremesso contra as paredes. E não esqueciam de lhes saquear as casas e de roubar todo o ouro, prata e enxovais que achavam.

(Damião de Góis, in «Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória»)

Em consequência do massacre, "D. Manuel I penalizou os envolvidos, confiscando-lhes os bens, e os dominicanos instigadores foram condenados à morte por enforcamento."

"No seguimento do massacre, do clima de crescente antissemitismo em Portugal e do estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício — que entrou em funcionamento em 1540, perdurando até 1821 — muitas famílias judaicas fugiram ou foram expulsas do país, tendo como destino principal os Países Baixos," mas também a "França, Turquia e Brasil." 

Este massacre traduz bem aquilo que é "a psicologia das massas e a demonstração primitiva da falta de tolerância." Em Lisboa, existe um monumento alusivo a esta data. Um singelo "tributo da cidade de Lisboa às vítimas da intolerância e do fanatismo religioso resultantes do massacre judaico de 1506."

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Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Lisboa_de_1506

https://informacoeseservicos.lisboa.pt/contactos/diretorio-da-cidade/memorial-as-vitimas-do-massacre-judaico-de-1506

 

 

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publicado às 12:25

Dois homens desaparecidos no Tejo

por Elsa Filipe, em 06.01.25

Uma colisão entre uma pequena embarcação de pesca e o catamarã de transporte de passageiros da Soflusa, Antero de Quental, que fazia a ligação entre o Terreiro do Paço, em Lisboa e o Barreiro, fez esta tarde dois feridos (um leve e um grave) e dois desaparecidos. A embarcação teria a bordo, segundo já fizeram saber, os meios de comuniicação social, alguns utensílios que habitualmente são usados na apanha de ameijoa no rio Tejo.

Deste acidente resultaram "dois feridos - um grave e um ligeiro que foram transportados para o Hospital Garcia de Orta, em Almada - e dois desaparecidos." Os dois feridos foram recolhidos por uma outra embarcação "que se encontrava nas proximidades, e transportados até ao Cais da Margueira, em Cacilhas." 

As buscas, nas quais estão envolvidos mergulhadores, elementos apeados, várias embarcações e, ainda, "um helicóptero EH-101 Merlin da Força Aérea" serão interrompidas durante a noite e retomadas amanhã de manhã. Os desaparecidos têm 26 e 32 anos e, de acordo com palavras de um dos sobreviventes, não saberiam nadar nem usariam colete salva-vidas. Um deles, é filho de Sesimbra... 

Segundo informações dos meios noticiosos, o catamarã "foi alvo de abalroamento por uma embarcação de pesca, adiantando que o mestre do navio tentou evitar o embate, designadamente com vários alertas sonoros, e que estes foram ignorados pela embarcação de pesca." O capitão do porto de Lisboa confirmou ainda que "os canais que as embarcações de transportes de passageiros usam, quer para o Seixal, quer para o Barreiro, são cruzados diariamente por muitas embarcações."

Falta saber como aconteceu o acidente, mas mais do que apontar culpados, há a lamentar as vítimas. "A Transtejo/Soflusa determinou a instauração imediata de um inquérito interno," uma vez que é preciso saber o porquê de o barco de pesxca não se ter desviado da rota do catamarã. Segundo "o mestre do navio", este "tentou evitar o embate, designadamente com vários alertas sonoros," os quais não produziram qualquer efeito. Algo pode ter acontecido, talvez não tivessem conseguido pôr a embarcação a trabalhar, neste momento pouco se sabe, mas é difícil de acreditar que tivessem ignorado os alertas sonoros ou que não tivessem visto o barco. Esteve mau tempo à tarde, mas nada que pudesse ter levado a este desfecho.

Esperemos que o rio os devolva com vida. A noite já vai longa e tão fria, mas destes dois homens, ainda jovens, nada se sabe.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2025-01-06-colisao-entre-ferry-e-embarcacao-de-pescadores-no-rio-tejo-bd21d5c3

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2025/01/06/buscas-por-pescadores-desaparecidos-no-tejo-interrompidas-durante-a-noite/408593/

https://cnnportugal.iol.pt/rio-tejo/ferry/transtejo-diz-que-embarcacao-de-pesca-ignorou-alertas-sonoros-do-ferry-antes-de-colisao-no-rio-tejo/20250106/677c49cad34ea1acf272947a

 

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publicado às 23:18

Faleceu aos 91 anos, Celeste Caeiro, a mulher que na manhã de 25 de abril de 1974, teve um gesto que ligou para sempre os cravos à revolução de abril. Um gesto simples que, ao ser fotografado e, depois repetido, ano após ano, celebrado e comemorado em eventos, escolas e homenagens, marcou esta revolução com cor, a cor da liberdade.

Celeste tinha 40 anos e vivia no Chiado, em Lisboa. Era filha de mãe espanhola, "de Badajoz e de pai desconhecido, com dois irmãos mais velhos," tendo crescido na Casa Pia. Naquele dia, o café onde Celeste trabalhava, na rua Braancamp, em Lisboa, "completava um ano e o patrão tinha comprado cravos para oferecer aos clientes," mas a presença dos militares nas ruas fez com que o comércio não abrisse e as flores iriam "estragar-se no armazém, por isso pediram aos funcionários que os levassem para casa."

Celeste foi até ao Chiado para ver o que se estava a passar, e numa troca de palavras com um dos militares que lhe pede um cigarro, ela que não fumava, resolveu dar-lhe um dos cravos que levava. Foi o primeiro. Dali, "até perto da Igreja dos Mártires deu o resto dos cravos que levava a outros militares," mas nunca pensou que a revolução se viesse a chamar "dos cravos" devido àquela singela oferta.

 

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Este ano, na comemoração dos 50 anos desta data, Celeste Caeiro esteve presente na Avenida da Liberdade, em Lisboa, naquele que poderá ter sido "um dos momentos mais marcantes da celebração. Ao lado da família distribuiu cravos, 50 anos depois do dia que a marcou na história do país. Os fotógrafos presentes registaram o momento: as fotografias foram amplamente partilhadas e Celeste Caeiro celebrada pela importância que teve."

"Em 1988, perdeu tudo no incêndio do Chiado, ficou sem casa, sem fotografias e sem as recordações de uma vida. Em abril deste ano tinha sido já noticiado que sofria de graves problemas de visão, audição e locomoção. Viva em casa da filha e da neta em Alcobaça. "

Foi militante comunista, mulher trabalhadora, de convicções fortes, que enfrentou uma vida de dificuldades com perseverança," pode ler-se num comunicado do PCP. Celeste já faz parte dos livros de HGP, só espero que na suaa constante "simplificação" não se perca também o nome desta mulher e de tantosoutros homens e mulheres importantes e sobre os quais as nossas crianças e jovens pouco ou nada sabem.

Fontes:

https://www.publico.pt/2024/11/15/sociedade/noticia/morreu-celeste-caeiro-mulher-deu-cravos-militares-25-abril-2112039

https://www.dn.pt/3592434070/morreu-celeste-caeiro-a-mulher-que-deu-o-cravo-ao-25-de-abril/

 

 

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publicado às 22:35

Por cá é feriado...

por Elsa Filipe, em 01.11.24

Assinala-se hoje em Portugal o Dia de Todos os Santos, mas para mim, aquilo que faz mais sentido assinalar é - apesar de posterior - a passagem de 269 anos desde o terrível sismo que afetou o nosso país e que, para sempre, ficará na nossa história. Nesta data, saem sempre alguns artigos de opinião sobre a prevalência de sismos no país, sobre a possibilidade de ocorrência de uma grande catástrofe que leve milhares de vidas ou sobre se estamos ou não preparados.

Claramente, não estamos preparados nem para um sismo, nem para um maremoto, como aquele que atingiu o país, destruindo tudo à sua passagem. Mas estamos muito melhor preparados do que estaríamos há quase 270 anos. Se tal acontecesse, iriam haver mortos, muitos deles soterrados pelos escombros dos edifícios, mas porventura muitos menos pelos incêndios que naquele dia deflagraram na capital.

De acordo com um artigo apresentado pela CNN Portugal, a ocorrência de um sismo com caraterísticas idênticas às de 1755 iria por exemplo levar à morte de muitos bebés e crianças, uma vez que "centenas de berçários e infantários estão instalados em edifícios de habitação antigos, que vão colapsar ou sofrer danos severos." Isto ocorre com mais frequência nas grandes cidades e, com menos frequência, no interior e em pequenas localidades. As escolas públicas precisam, na sua maioria, de um reforço estrutural e muitas estão localizadas em quotas baixas que seriam facilmente atingidas em caso de tsunami.

Segundo o mesmo artigo, a "maioria dos hospitais públicos também não resistiria a um sismo violento. Os dois hospitais centrais de Lisboa - Santa Maria e São José – são vulneráveis." 

O hospital de São José - que desde 1759 funciona no Convento de Santo Antão (de onde foram expulsos os Jesuítas por Marquês de Pombal) - é um dos mais antigos do país nasceu porque neste convento se passou "a abrigar os doentes provenientes do Hospital de Todos-os-Santos então destruído pelo terramoto de 1755." Atualmente, podemos dizer que se pratica aqui "medicina moderna em edifícios velhos e reconstruídos." No entanto, deixo aqui a questão, apesar da sua vulnerabilidade, não podemos deixar de reparar que o edifício principal sobreviveu ele próprio ao sismo de 1755. Nesse ano, "estima-se que entre 30 mil e 40 mil pessoas tenham perdido a vida," quantas perderíamos agora?

Das perdas desse dia, contam-se inúmeras infraestruturas importantes: "os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos, 33 palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes..."

Mas não posso deixar de referir que este acontecimento trágico trouxe uma grande mudança e que nesta mudança podemos encontrar aspetos positivos. A resposta dada inicialmente a este "desastre", que teve uma "magnitude estimada entre 8,5 e 9" e que "atingiu violentamente a capital e grande parte do sul de Portugal", foi coordenada por Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como "Marquês de Pombal."

O Marquês "liderou os esforços de reconstrução, aplicando medidas urbanísticas inovadoras que moldaram a Lisboa moderna." Ganhou-se também "uma cidade nova, muito moderna para a época em que foi construída e, pormenor importante, edificada de acordo com um sistema anti-sísmico – a famosa estrutura flexível de madeira dos edifícios, «em gaiola»."

Por outro lado, a sociedade também sofreu uma mudança profunda, com clara influância no "pensamento filosófico e científico da época, especialmente sobre questões religiosas e de justiça divina, numa Europa iluminista que começava a questionar os fundamentos do mundo natural." Com esta catástrofe vieram-se a "equacionar questões importantes que mexiam com a religião, com os conceitos filosóficos, com o papel atribuído ao homem no palco do mundo."

«As nossas casa tremiam como folhas das árvores, e os nossos corações como as nossas casas. Imaginai, ó vindouros, o pavor com que o ranger e o ribombar da queda dos edifícios, que ruíam em massa, nos abrasava, como um fogo, até à medula dos ossos. Aqui uma caterva de gente contorcia-se sob os escombros, nas mais cruenta agonia. Além gritos lancinantes de morte coavam através das pedras e da terra, e a ninguém era possível acudir aos desventurados que se debatiam sozinhos. Mas além um desgraçado rasgava as unhas e a carne até aos ossos, a fim de salvar a sua pobre vida de uma cova – tal, porém, para nada mais lhe valendo senão para se tornar em coveiro de si mesmo, porquanto, com suas mãos, preparava o próprio túmulo».

(J.R.A. Piderit )

Fontes:

https://www.chlc.min-saude.pt/hospital-de-sao-jose/

https://cnnportugal.iol.pt/sismo/terramoto/terramoto-de-1755-vai-repetir-se-e-ceifar-a-geracao-de-portugueses-mais-jovem/20241101/6724b229d34ea1acf270247d

https://sicnoticias.pt/pais/2024-11-01-terramoto-de-1755-lisboa-recorda-o-dia-em-que-a-terra-tremeu-e-o-mar-engoliu-a-cidade-739e1a6a

https://aventar.eu/2010/02/07/o-terramoto-de-1755-e-a-cultura-europeia-da-epoca/

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publicado às 14:50

Capital a ferro e fogo

por Elsa Filipe, em 25.10.24

São muitas as imagens e os debates à volta dos confrontos que se vão espalhando noite dentro por vários bairros da capital e dos arredores. A situação que levou a esta violência e a toda esta revolta foi a ação policial contra um dos residentes do bairro do Zambuja, localizado na freguesia de Alfragide e pertencente ao município da Amadora que ocorreu n amadrugada de 21 de outubro.

Ao que se sabe - há várias versões, mas não se confirma ainda nada - é que o comportamento de um condutor terá despertado a atenção de um carro que patrulhava a zona e, ao mandar o condutor parar, este em vez de o fazer, fugiu tendo cometido diversas infrações durante a fuga. Seguidamente, o condutor terá entrado em despiste, "abalroando viaturas estacionadas, tendo o veículo em fuga ficado imobilizado". A fuga terminou com a tentativa de detenção do homem, que segundo relatos da própria polícia, "terá resistido à detenção" e tentado agredir os agentes "com recurso a arma branca".

Um dos polícias terá disparado dois tiros para o ar e, não tendo obtido o efeito desejado, terá disparado na direção do homem, acabando este por morrer devido aos ferimentos. 

Horas depois, "o movimento Vida Justa contesta a versão da polícia sobre a morte de Odair, afirmando que a versão dada pela PSP é “totalmente falsa”, e exigindo "uma comissão independente para investigar as mortes em circunstâncias estranhas que ocorrem na periferia" de Lisboa.

Nesta versão, a PSP informa que um homem "em fuga foi baleado por um agente do Comando Metropolitano de Lisboa, às 05:43, na Cova da Moura, quando alegadamente terá resistido à detenção e agredido os agentes com recurso a arma branca". Isto terá levado, segundo o mesmo comunicado, a que"um dos polícias, esgotados outros meios e esforços", tenha recorrido "à arma de fogo"  e atingido "o suspeito, em circunstâncias a apurar em sede de inquérito criminal e disciplinar." Seguidamente, o MAI abriu "um inquérito urgente à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) sobre a morte de Odair."

A lamentável morte de um cidadão veio então levantar várias questões, entre as quais, se havia necessidade de disparar na sua direção. Se sim ou não, não sei, o que sei é que não gostaria de estar na situação dos agentes que, ao fazerem o seu trabalho, tiveram de abordar um condutor a meio da noite, em fuga e que não cumpre as ordens que lhe são dadas. Se agiram da melhor forma, acredito que não, e que poderiam ter feito as coisas de outra forma, que podem ter-se sentido ameaçados, que podem ter sentido a vida em risco ou que podem ter agido de impulso, sem pensar. Não quero desculpar a ação do agente que disparou, mas também não o quero recriminar por tê-lo feito. Se estivesse no seu lugar, o que teria eu feito? Não consigo imaginar. 

Em relação à ação que despoletou a perseguição. Sempre me ensinaram que, perante um veículo da polícia, devidamente identificado, que nos mande parar, é isso que devemos fazer: encostar, parar, e deixar que os agentes acedam aos documentos e ao veículo se for esse o caso. Não entendo porque não o fez Odair. Se tinha algo a esconder no carro, não o devia ter, se estava alcoolizado, também não deveria estar ao volante de um automóvel. Se passou realmente como dizem um traço contínuo, devia assumir o seu erro, e se fosse o caso receber a contra-ordenação. Fugir? Nunca seria essa a opção a tomar. Daquilo que se sabe, as fugas nunca correm muito bem. Alguém se fere, outros ficam feridos. Alguém morre... muitas vezes, pessoas que nem têm relação com o caso, simplesmente estavam no lugar errado à hora errada. Não foi o caso. Odair morreu não porque estava no lugar errado à hora errada. Morreu porque fugiu, porque desobedeceu. Não devia ter acontecido, não devia ter sido atingido, devia ter sido detido. Devia estar preso e não morto. 

"Em menos de quatro dias, a morte de Odair Moniz por um agente da PSP no Bairro do Zambujal desencadeou desacatos e tumultos por toda a Grande Lisboa, foram reveladas versões contraditórias do que antecedeu os tiros fatais, realizou-se uma reunião entre autarcas e Governo, organizaram-se duas manifestações e foram proferidas muitas reações extremadas sobre o caso, da esquerda à direita."

As ações têm consequências. E agora uma comunidade chora a morte de um dos seus, uma família está enlutada. Odair deixou uma família, deixou filhos, mas naquela noite, estaria ele a pensar neles quando fugiu às autoridades? E, se realmente foi assim como contam que aconteceu - como já disse, ainda há muito que não se sabe e existem várias versões - terá pensado nos filhos? Cada um de nós vê a vida de uma forma diferente. Eu sinto-me segura na presença da polícia, mas há quem não se sinta assim e tenha as suas razões para tal, cultural e sociologicamente falando.

Acredito que o medo se imponha nos jovens que crescem em bairros, porque assistem a rusgas, assistem a portas deitadas a baixo a meio da noite e a casas invadidas. A minha porta nunca foi deitada abaixo... se tocarem, eu abro, podem ver tudo que não terei receio, de resto o que encontrarão será talvez pó.

O que agora está a acontecer é que não pode também ser permitido. Está a ser aproveitada a morte de um homem, uma morte que não deveria ter acontecido, para se fazer violência, para se criarem desacatos e destruírem bens de pessoas que nada têm que haver com o caso. Estão a destruir bens públicos, que são de todos, e bens privados. Não está a ser um ataque direcionado à polícia, mas ataques provocatórios e que podem levar a mais mortes! Se um polícia agora disparar contra um indivíduo que tenha na mão um cocktail molotov e o matar? Será mais um "mau" polícia? E não, não defendo nada que se entre de arma em punho, se atire indiscriminadamente e que se resolvam estas situações ao tiro! Isso não pode acontecer, não devia acontecer! Mas os bens que estão a destruir, são bens que têm dono! Estão a destruir coisas que são úteis aos bairros onde moram? Isso faz sentido? Estão a queimar carros de pessoas que têm família, que têm trabalho e que se esforçam por pagar as mensalidades todos os meses? Como é que, desta forma, dizem estar a manifestar-se contra esta morte? Tem de haver justiça, sim, tem de haver justiça. Mas estes atos são selváticos! São pensados para criar o caos.

No meio disto tudo, algo me passou esta noite pela cabeça. E se quem está à frente destes atos de selvajaria, não são "as pessoas" do bairro, não são "os amigos de Odair", nem quem o defende... mas sim, pelo contrário, se quem aparece de cara tapada, são aqueles que os querem fora dali? E se, imaginem, estes que atacam de forma indiscriminada, estão de facto a aproveitar o caso para fazer valer a sua posição e, ao fazerem-no, tentam-nos colocar contra estas pessoas? E se os atacantes, incendiários, estão mais à direita do que nos fazem crer? Talvez eu esteja enganada... mas foi isso que esta noite me passou pela cabeça, foi uma suposição, uma hipótese...

Fontes:

https://rr.sapo.pt/especial/pais/2024/10/25/morte-de-odair-moniz-e-desacatos-na-grande-lisboa-o-que-se-sabe-ate-agora/398881/

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2024/10/21/versao-mal-contada-vida-justa-contraria-versao-da-policia/398396/

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2024/10/21/homem-em-fuga-morre-apos-ter-sido-baleado-pela-psp-na-cova-da-moura/398362/

 

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