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Porque se discute o 25 de novembro?

por Elsa Filipe, em 25.11.25

Assinala-se hoje o 25 de novembro de 1975. Passaram-se 50 anos, mas se formos perguntar, quase ninguém sabe o que se passou nesta data. Le,mbram-se de quem constituía o "Grupo dos Nove"? E sabiam que estivemos prestes a começar uma guerra civil? Quando falamos dos anos 80 e 90, não nos podemos esquecer que estes governos foram nascendo em cima de um clima de grande instabilidade, de uma democracia recente e de uma República que tinha durado apenas 16 anos e que tinha falhado para dar lugar a um regime militar. 

No passado domingo, saiu à rua a "Marcha dos Audazes", que além de um desfile de onze quilómetros, contou ainda com um almoço convívio, entre militares e ex-militares. Para hoje, 25 de novembro, "está prevista uma sessão solene evocativa na Assembleia da República e uma parada militar no Terreiro do Paço." Em vez de cravos, vão entregar rosas brancas na Assembleia da República. Mas a discussão continua. Com uns a favor e outros contra, este ano a celebração será realizada, com a possibilidade para todos os partidos poderem intervir. "Os comunistas fizeram saber que não vão marcar presença," sublinhando que "não compactua com a operação em curso em torno dos 50 anos do 25 de Novembro para menorizar o 25 de Abril, as suas conquistas e valores, nem para tornar o 25 de Novembro naquilo que não foi, mas que alguns gostavam que tivesse sido". É a opinião deles e lá saberão... talvez não digam é que o que desejavam, na altura, era colocar num poder um outro regime, um outro tipo de ditadura e que esse plano lhes falhou redondamente. Ninguém quer desvalorizar o 25 de abril, mas como seria se o 25 de novembro não tivesse acontecido? Em que tipo de Estado estaríamos hoje?

A sessão solene prevista para as 11 horas, terá "um discurso do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco," e irá terminar "pela alocução do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa."

A 25 de abril de 1974, o país saía finalmente da ditadura e nas ruas celebrava-se a Liberdade! No entanto, um país não muda da noite para o dia e havia que se reorganizar um país que vivia na pobreza, em que os direitos estavam subjugados e que precisav de um novo rumo. A vida não voltaria a ser como antes. Exigiam-se eleições livres, uma nova Constituição, uma Assembleia. E ao contrário da simplicidade com que se trata destes assuntos nos manuais escolares, este não foi um período fácil!

Os apoiantes do MFA (Movimento das Forças Armadas) e o governo, liderado por Vasco Gonçalves, tinham opositores. Apesar do que se conseguiu neste período, não se pode dizer que tenha sido tranquilo, muito pelo contrário.

"Nos meses seguintes o país assistiria a uma série de episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita, e a ameaça de uma guerra civil era real." Houve prisões, perseguições e acusações infundadas, ataques e ameaças de morte. Houve muito, de que agora não se fala, mas uma coisa é certa: o país não podia sair de um regime para cair noutro, igual ou pior e, por isso, o 25 de novembro tem a sua relevância e vem contribuir para colocar um pouco final num período de grande instabilidade. O PREC vê oseu fim no "golpe militar de 25 de novembro de 1975 e, posteriormente, com a Constituição de 1976, dois momentos que põem fim à ilusão de liberdade caraterística desta altura e permitem pôr, finalmente, em prática, os princípios apregoados pela Revolução dos Cravos."

O país vivia em tensão e é a 25 de novembro que "toda esta tensão chega ao limite, com sectores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado, que acabou por ser frustrado pelos militares que se encontravam com o “Grupo dos nove”, apoiados por um plano militar liderado por Ramalho Eanes." Este episódio estará hoje, de forma um pouco mais detalhada, no meu blog: https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/25-de-novembro-celebrar-ou-nao-6612?tc=214097511944.

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-11-23-video-marcha-dos-audazes-assinala-50-anos-do-25-de-novembro-e-critica-guerra-politica-sobre-a-data-8102c80b

https://www.rtp.pt/noticias/politica/parlamento-assinala-50-anos-do-25-de-novembro-em-sessao-igual-ao-25-de-abril_e1700251

https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/25-de-novembro-celebrar-ou-nao-6612?tc=214097511944

https://www.jpn.up.pt/2015/04/26/40-anos-do-prec-ilusao-liberdade-ninguem-fala/

 

 

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publicado às 07:05

Parece que no próximo dia 11 de dezembro vai haver greve geral. Pelo menos é que se tem vindo a divulgar nos canais de notícias e nas redes sociais. Uma greve que, além de outras coisas, parece estar a reaproximar as duas centrais sindicais - UGT e CGTP - o que já "não acontecia há 12 anos." O anúncio (embora ainda não formal), aconteceu logo depois da marcha "Todos a Lisboa" que este sábado, juntou milhares de portugueses, contra o pacote laboral apresentado pelo "governo PSD/CDS-PP."

Esta manifestação tinha sido convocada pela CGTP e dividiu-se em "duas pré-concentrações na capital: os trabalhadores do setor público juntaram-se nas Amoreiras e os do setor privado no Saldanha, sendo que ambas desaguaram no Marquês de Pombal." Entre os manifestantes foi possível ver várias caras conhecidas, entre os quais os candidatos à presidência da República "Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados respetivamente por BE, PCP e Livre." Fica só uma questão para quem diz não tomar partido - isto não se enquadra em tomar partido?

A proposta feita pelo governo, que já tinha sido dada a conhecer a 24 de julho e que foi designada por “Trabalho XXI” pelo Governo em funções, apresenta uma profunda revisão da legislação laboral e que vão desde "alterações nas licenças parentais, no direito à amamentação e ao luto gestacional, ao "trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve."

Entre as medidas anunciadas, estão ainda "propostas" que têm como consequência "perpetuar e agravar os baixos salários" dos trabalhadores, a desregulação dos horários de trabalho, a facilitação dos despedimentos e a destruição dos "direitos de maternidade e paternidade," entre outros.

Estas propostas têm tido uma forte oposição dos sindicatos, mas também de uma grande faixa populacional, para quem estes direitos nunca deveriam sequer estar em causa. Acrescento eu, que estes direitos precisam de ser melhorados e não postos em causa. Sobre esta questão, a "CGTP tem vindo a insistir que o anteprojeto do Governo" se vem a apresentar como "um verdadeiro retrocesso" naqueles que são os "direitos dos trabalhadores," apontando "que há propostas de alteração inconstitucionais."

Vamos ver... 

Fontes:

https://expresso.pt/economia/trabalho/2025-11-08-cgtp-e-ugt-convocam-greve-geral-para-11-de-dezembro-8fd17a6f

https://www.rtp.pt/noticias/pais/milhares-de-trabalhadores-marcham-em-lisboa-contra-pacote-laboral-do-patrao_n1696875

https://observador.pt/2025/11/10/trabalhadores-social-democratas-apelam-ao-dialogo-em-concertacao-social-sobre-revisao-da-lei-laboral/

 

 

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publicado às 07:24

Faleceu o historiador António Borges Coelho

por Elsa Filipe, em 17.10.25

Tinha 97 anos e assistiu por isso a importantes eventos do curso histórico do nosso país, da Europa e do Mundo! Além de historiador, António Borges Coelho, foi também poeta e ficcionista. Escreveu sobre a "Inquisição portuguesa e a ocupação islâmica daquele que viria a ser o território português." Passou pela queda da República, por uma ditadura, pela 2ª Guerra Mundial e pela chegada da democracia. Assistiu ao encerramento do país devido ao Covid, o mesmo covid que o mantinha internado e que terá contribuído para a sua morte.

Nascido em Murça a 7 de outubro de 1928, quis "ser frade franciscano," tendo arriscado ir "para o seminário de onde acabaria por ser expulso."

No final da década de 1940, ingressa na "Faculdade de Direito Lisboa, mas abandona os estudos para dedicar-se exclusivamente à política," participando de forma ativa "na campanha presidencial de Norton de Matos."

"Em 1949 integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil e, depois, o Partido Comunista Português (PCP). A 3 de janeiro de 1956, já como dirigente do PCP na clandestinidade, é preso pela PIDE, recolhendo à cadeia do Aljube."

Em junho de 1957 é julgado e "condenado a dois anos e nove meses de prisão," seguindo "para a prisão de Peniche." É ainda na prisão que casa "com Isaura Silva, em 1959. Um ano depois, Borges Coelho opta por não integrar a fuga de Peniche de vários dirigentes do PCP," recusando assim voltar à clandestinidade. A sua pretensão era a de se dedicar "a uma carreira como historiador após a libertação" algo que mais tarde acabaria por acontecer, mas não sem antes ter sido "castigado e enviado para o Aljube." Ali, foi sujeito "à tortura da estátua e a seis meses de isolamento."

Regressado à prisão de "Peniche, dedica-se ao trabalho de escrita histórica. Em 1962 ser-lhe-ia concedida liberdade condicional por um período de cinco anos." Diz o PCP que, depois de adquirida a liberdade, Borges Coelho toma a decisão "de se desvincular do PCP," mas não se sabe se terá sido assim, uma vez que terá continuado a "manter um posicionamento de estreita colaboração com o Partido."

"Em 1967 conclui a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa. Em 1968 torno-se jornalista, n’ A Capital." Depois disso, veio ainda a trabalhar "no Diário de LisboaDiário PopularVértice ou Seara Nova." 

"Já em liberdade continuou os trabalhos que tinha iniciado no Forte de Peniche e escreve “As Raízes da Expansão Portuguesa”, livro que foi apreendido das livrarias e que o levou a ser submetido a novos interrogatórios pela PIDE. No ano seguinte publicou “A Revolução de 1383”.

Além destes, publicou as obras "Questionar a HistóriaA Inquisição em Évora (1987)" bem como "vários volumes da História de Portugal."

Até 2020, foi "presidente do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, com quem colabora desde o seu início. Em 1999, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, em 2018 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e em 2019 foi-lhe atribuída pelo Governo a Medalha de Mérito Cultural." Tinha publicado este ano, na editora Caminho, "a coletânea Poemas."

Uma das fontes vivas da memória deixou-nos e deixou mais pobre o nosso país. O PCP diz dele que é um "homem vertical, solidário, homem de causas e de luta pela liberdade, pela emancipação social, por um Portugal democrático, de progresso e de justiça." Pelo menos, ficaram a sua escrita e os seus relatos e isso será mais difícil de apagar.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/10/17/culturaipsilon/noticia/morreu-historiador-antonio-borges-coelho-2151280

https://www.museudoaljube.pt/doc/antonio-borges-coelho-jorge-tavares-da-silva/

https://www.pcp.pt/faleceu-antonio-borges-coelho

 

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publicado às 22:57

Em quem é que vamos votar?

por Elsa Filipe, em 12.10.25

Domindo, 12 de outubro. Dia de eleições autárquicas. Vamos votar em três órgãos: Câmara Municipal. Junta de Freguesia e Assembleia Municipal. Vivemos em democracia, "um sistema político em que o poder está no povo" e esse poder "pode ser exercido de forma direta, através de participação popular direta em decisões, ou indiretamente, através de representantes eleitos." É isso que temos hoje de fazer. Ir às urnas e votar, dar a nossa opinião, mostrar com quem concordamos e em quem discordamos, mesmo que não seja totalmente. Quem queremos na frente da nossa autarquia, a dar a cara, a decidir, nos próximos 4 anos?

As primeiras eleições autárquicas realizaram-se em 1976, no mesmo ano em que se realizaram as primeiras eleições livres para a AR. Nas primeiras eleições autárquicas, o partido vencedor foi o Partido Socialista, "que conseguiu cerca de 33% dos votos, apesar de ter empatado com o Partido Popular Democrático (PPD) em número de presidentes de câmara: 115." Em 1976, tendo sido eleitos no total "304 presidentes de câmara municipais, 1 906 vereadores municipais, 5 130 deputados municipais, 4 035 presidentes de junta de freguesia (787 dos quais em plenário de cidadãos eleitores) e 26 286 membros de assembleias de freguesia." 

Nas últimas eleições autárquicas, que se realizaram em 2021, "o PS venceu 147 municípios e o PSD 114" municípios.

Hoje, facto curioso, estão inscritos mais de "9,3 milhões de eleitores" para votar, dos quais, cerca "de 41 mil são cidadãos estrangeiros recenseados em Portugal." Dos 9,3 milhões, existem também "18.319" que "são eleitores estrangeiros da União Europeia (UE) e 22.799" que "são eleitores estrangeiros provenientes de fora da UE, em ambos os casos recenseados em território nacional. Em muitas autarquias, vão ver-se novas caras, não porque a mudança fosse desejada, mas porque quem estava no poder atingiu o limite de mandatos. São 89 os presidentes que saem "nestas autárquicas por terem chegado ao limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia," sendo que destes, "49 são socialistas, 21 social-democratas ou de coligações lideradas pelo PSD, 12 da CDU, três do CDS-PP e quatro independentes."

Durante a manhã, já fomos vendo as rádios e as televisões a entrevistarem os líderes dos vários partidos com assento parlamentar, enquanto estes fazem o dever cívico de ir votar, tentando assim ter algumas reacções e captar mais alguns detalhes sobre aquilo que, à partida, todos sabemos: cada um votará certamente no seu próprio partido e todos desejam, lá no fundo, que no fim, a contagem lhes dê a vitória. Mais do que quem fica a governar cada Câmarra Municipal, quer-se saber quais as cores com que o país será pintado e, far-se-ão inúmeras comparações noite dentro.

Ao votar, cada eleitor irá receber três boletins: um verde, para a câmara municipal, um amarelo, para a assembleia municipal e um branco, para a assembleia de freguesia. Três órgãos distintos mas que trabalham em articulação no dia a dia de cada município. Acredito que hoje, se vá votar mais pela pessoa, pelo efetivo que se conhece ou contra aquele que achamos que já ali não faz nada, e não pela cor partidária. 

Uma outra curiosidade, é que este ano, foram repostas "302 freguesias" que tinham sido "extintas na reforma administrativa de 2013, num processo que desagrega 135 uniões de freguesia. O país passa assim a ter 3.258 freguesias." De todos os concelhos, o "Corvo é o único concelho sem junta de freguesia, sendo as suas competências assumidas pela câmara municipal." E sabiam que em "37 freguesias" do país se irá "escolher o executivo em plenários de cidadãos, por terem menos de 150 votantes"?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/politica/dia-de-eleicoes-autarquicas-ao-minuto_e1690256

https://expresso.pt/sociedade/2025-10-12-eleicoes-autarquicas-2025-mesas-de-voto-ja-abriram.-saiba-onde-e-ate-que-horas-pode-votar-0904f90b

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/quase-90-presidentes-de-c%C3%A2mara-saem-nestas-elei%C3%A7%C3%B5es-por-limite-de-mandatos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_aut%C3%A1rquicas_portuguesas_de_1976

 

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publicado às 11:36

1º de Maio...

por Elsa Filipe, em 01.05.25

Este 1º de Maio foi um pouco estranho... depois de ter colocado a morte de um Papa à frente da celebração da Liberdade do país, a AD fez do Dia do Trabalhador, uma festa popular, ou como alguns chamaram "popularucha"... 

Depois do 25 de Afril de 1974, a Junta de Salvação Nacional (onde estavam representados os três ramos das forças armadas), "decretou feriado o dia 1 de Maio e, pela primeira vez em quase cinco décadas, o dia do trabalhador voltou a ser assinalado. Nesse dia, as pessoas vieram para a rua, empunhando cartazes e gritando "reivindicações de toda a ordem," demonstrando "de forma espontânea a sua alegria pela liberdade recentemente conquistada." Entre muitas outras coisas, pediram-se "direitos para as mulheres, para as crianças, para todos os partidos, para os artistas e para a imprensa, melhores salários" e, até, água canalizada.

(imagem: Museu do Aljube)

Em 1974, as "manifestações do Dia do Trabalhador que ocorreram em Lisboa e no Porto em 1974 impressionaram na dimensão, no exemplo de civismo e na genuína alegria partilhada entre todos, conhecidos e desconhecidos." Atualmente, descer a Avenida da Liberdade em Lisboa, ainda não é para todos.

"Em Lisboa, a Alameda Afonso Henriques foi ponto de encontro e o comício ocorreu depois no Estádio" da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, "onde muitos milhares de pessoas se juntaram nesse dia sob o lema “Paz, Pão e Liberdade!" e onde "Mário Soares" (socialista) "e Álvaro Cunhal" (comunista), "apareceram lado a lado", abraçando-se e, juntos, "celebrando a recentemente conquistada liberdade."

"Nos desfiles e comícios havia bandeiras nacionais e flores, estandartes de partidos e sindicatos, cartazes populares e milhares de vozes unidas na banda sonora da revolução. Ao mesmo tempo que cantarolavam a Grândola de Zeca Afonso e outras canções proibidas pela censura, gritavam palavras de ordem contra o fascismo e em defesa dos valores da democracia." Com este governo, quem cantou foi Tony Carreira e a festa foi feita nos Jardins do Palácio de Belém.

A origem desta data é, no entanto bem anterior a 1974. Remonta sim "ao século XIX." Em 1886, "milhares de trabalhadores" dos Estados Unidos, "organizaram uma greve geral para exigir a redução da jornada laboral para oito horas por dia." Estas manifestações, tornaram-se "particularmente violentas." Na cidade de Chicago, os ânimos exaltaram-se e a situação tomou proporções muito graves quando no dia 04 de maio, durante um protesto na Haymarket Square, "foi lançada uma bomba contra a polícia" o que levou à intensificação dos confrontos já de si violentos. "Várias pessoas morreram e líderes sindicais foram condenados à morte ou prisão."

"Três anos depois, em 1889, o Congresso Operário Internacional, em Paris, decidiu homenagear os trabalhadores de Chicago e instituiu o 1.º de Maio como dia de luta internacional pela melhoria das condições de trabalho." Em Portugal, a ditadura proibiu as comemorações, que tinham sido assinaladas pela primeira vez em 1890. 

Numa data que é, acima de tudo, simbólica, surgem agora novas questões e novas reinvindicações: "o impacto da automatização e da inteligência artificial, os efeitos da pandemia na organização do trabalho, a importância da conciliação entre vida pessoal e profissional e as desigualdades que persistem entre setores e entre homens e mulheres." Ainda hoje, tantos anos depois, os direitos não são ainda iguais para todos, os ordenados diferem pelo sexo do trabalhador e ainda há mulheres a morrer às mãos dos maridos que as consideram sua propriedade. Não podemos deixar cair a liberdade, não podemos esquecer que os nossos direitos ainda não estão seguros! 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-junta-de-salvacao-nacional-primeiro-poder-apos-a-ditadura/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-primeiro-1-o-de-maio-da-democracia/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-povo-unido-jamais-sera-vencido/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-05-01-1.-de-maio-historia-lutas-e-os-novos-desafios-do-trabalho-b077aa0e

https://sicnoticias.pt/pais/2024-05-01-video-o-primeiro-dia-do-trabalhador-em-liberdade-como-foi-o-1-de-maio-ha-50-anos--4d34e069

 

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publicado às 23:52

Que não se deixe calar Abril

por Elsa Filipe, em 25.04.25

Como um dia Ary dos Santos afirmou num dos seus célebres poemas, "agora ninguém mais cerra, as portas que Abril abriu". Mas se este era o desejo do poeta... 50 anos depois, ainda há restícios de um país com medo da Liberdade!

Ontem à noite, assisti aqui no Seixal ao concerto de celebração dos 51 anos da Revolução de Abril, com a atuação de A Garota Não e de Ségio Godinho. Duas vozes diferentes, de gerações diferentes mas que se conjugaram de forma brilhante. Com letras carregadas de simbolismo e que fazem uma verdadeira reflexão sobre os tempos em que vivemos, A Garota Não, que cantou "Diga 33", uma letra dedicada ao trabalho de Sérgio Godinho, mostrou-nos também que ainda há espaço para as cantigas de intervenção. Sérgio Godinho e Os Acessores, trouxeram-nos as canções de Abril, sem esquecer a poesia de Eugénio de Andrade e de Zeca Afonso. De entre bgrande momentos desta noite, a cantiga "A Balada da Rita", uma versão de arrepiar de "Os Vampiros" cantada a dois. Ums dupla que me surpreendeu pela positiva, seguido de um espetáculo de fogo de artifício que, pelo que estamos acostumados, foi bastante mais contido e concentrado.

E porque é que este ano eu falo deste espetáculo de abril?

Porque em muitos locais, num país que é laico, pela sua constituição, se pararam as celebrações por luto ao Papa. Se somos um país em que todas as religiões são permitidas, então como é que se faz luto ao chefe máximo da igreja católica e não se declarou luto nacional por exemplo, pela morte do Aga Khan, líder dos muçulmanos ismailitas, que até presidia em Lisboa? Ninguém põe em causa a importância da figura do Papa, especialmente deste Papa, amado por tantos e repeitado por muitos, católicos ou não. Mas, não consigo entender como é que o governo coloca à frente da Liberdade e da Democracia, à frente do país, o representante de uma religião, fosse ela qual fosse. Reforço, na Constituição da República, diz que somos um país Laico. Mas parece que é mais uma daquelas coisas que está escrita, sem no entanto ser posta em prática pelos nossos governantes. 

A religião não pode fazer parte das decisões do país nem nelas ter qualquer interferência. Infelizmente. este não é o primeiro caso em que isso acontece e, especialmente, num dia de celebração da Liberdade, esta interferência revolta-me. Sejam lá o que quiserem, acreditem naquilo que queiram, mas não, por favor, não imponham aos outros as vossas crenças e credos. Faleceu um homem bom, um diplomata, um pacificador, um revolucionário que de certeza defenderia que celebrassemos a nossa liberdade e que afirmassemos os valores de democracia e de paz!

A câmara de Almada manteve os eventos programados, mantendo também "a sessão solene da Assembleia Municipal, no qual se homenageiam "os valores de liberdade," cancelando apenas o fogo de artifício. A Câmara de Sintra, chegou mesmo a cancelar a "tradicional cerimónia de hastear da bandeira, nos Paços do Concelho." E não se pense que isto tem apenas a ver com a cor política, pois em Beja, mesmo "depois de o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, ter criticado o executivo de Luís Montenegro por ter adiado festividades," o presidente da Câmara, autarca do PS, cancelou o "fogo-de-artifício em Beja," devido ao luto nacional de três dias que foi "decretado pelo Governo pela morte do Papa Francisco." 

O governo, ao ser criticado. veio já esclarecer que não “cancelou”, nem "recomendou o cancelamento de quaisquer sessões evocativas da revolução," tendo no entanto "adiado para o dia 1 de Maio o evento festivo na residência oficial do primeiro-ministro". E a razão evocada para que os concertos ficassem "adiados para o 1.º de Maio," foi "por o país estar em luto nacional pela morte do Papa Francisco."

Noite fora, fui vendo pela televisão o que se estava a passar no Largo do Carmo, "um dos locais mais simbólicos do 25 de Abril de 1974 por ter sido no quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) lá situado que Marcello Caetano se refugiou antes de o edifício ser tomado por uma companhia do Movimento das Forças Armadas liderada por Salgueiro Maia o ter tomado." Tal como ocorreu no ano passado, e mais uma vez sem contar com o apoio da Câmara de Lisboa, o povo juntou-se e entoou "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.

Uma frase que me fica do dia de hoje, foi a acusação de Pedro Nuno Santos, repetida em vários canais televisivos é a seguinte "Hoje o povo sai à rua, enquanto o Governo fica à janela."

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/04/24/politica/noticia/governo-esclarece-nao-cancelou-cerimonia-25-abril-deu-indicacoes-municipios-2130865

https://cm-sintra.pt/atualidade/cultura/aviso-comemoracoes-do-25-de-abril-canceladas

https://almadense.sapo.pt/cidade/25-de-abril-almada-cancela-fogo-de-artificio-devido-a-morte-do-papa/

https://www.publico.pt/2025/04/24/politica/noticia/autarca-ps-cancela-fogodeartificio-beja-devido-tres-dias-luto-nacional-2130918

https://www.dn.pt/sociedade/veja-os-v%C3%ADdeos-multid%C3%A3o-invadiu-largo-do-carmo-para-cantar-gr%C3%A2ndola-%C3%A0-meia-noite

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publicado às 16:50

Irá o 25 de Abril ser um dia esquecido?

por Elsa Filipe, em 24.04.25

Assusta-me pensar que um dia, os nossos jovens deixem de saber o que aconteceu na Revolução. E não é por falta de se falar sobre isso - pois fala-se e muito - é por falta de interesse, por desvalorização daquilo que é a nossa história, por uma orientação para novos valores. Não se pode falar ainda em saudosismo, mas quando a nossa juventude, os futuros homens do amanhã, dizem que não lhes interessa saber o que era a ditadura, não sabem o que é o fascismo e não sabem que importância tiveram os capitães de abril... penso que estamos em risco de perder a luta no futuro.

Por isso, sim, vou ser chata e continuar a falar e a escrever sobre o mesmo. A ensinar mesmo quando não lhes apetece aprender, a tentar mostrar que se hoje podem abrir um site e ler sobre o que se passa em qualquer parte do mundo, isso se deve a uma luta que, infelizmente, ainda não terminou. Quando um aluno não reconhece importância às primeiras eleições onde as mulheres puderam votar em igualdade com os homens, algo se tem vindo a perder na nossa sociedade. Quando um juíz acusa uma vítima de se insinuar e ser culpada por ser violada, algo de muito mau se está a passar neste país. Quando um político não respeita a casa da democracia, que exemplo é dado à juventude? 

Abril.

Abril é  para mim o mês da Liberdade, uma data a assinalar, venha quem viar, haja ou não luto nacional. Não me interessa quem está no governo, quem tenta ditar as leis ou quem tenta impor as suas crenças. Num estado livre e laico, irei sair à rua e celebrar a Liberdade. Hoje, amanhã e sempre!

Devo muito.

Devo muito aos homens e mulheres que morreram pelo meu país. Sim. Pelos que morreram, também. Não foram só os militares que naquele dia se encheram de coragem e saíram à rua, foram anos de luta contra uma autoridade que não tinha dó em acusar, em prender, em torturar e matar! Foram anos de censura, anos de medo e de repulsa, contra um regime contra o qual não se podia sequer tossir. E é para que esses dias não voltem, para que o medo se continue a afastar - continue, sim, pois ainda temos muita gente a viver com medo -  que eu continuarei a ler, a escrever, a falar sobre a Liberdade, sobre a importância da nossa história.

Não se calem!

Gritem pela liberdade! Defendam os valores de Abril.

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publicado às 19:55

Durante a manhã de 11 de março de 1975, "Lisboa é palco de inesperadas movimentações militares: uma parelha de T6 sobrevoa Lisboa a baixa altitude em ação de intimidação." Mais tarde, pelas 11h50, "forças da Base Aérea n.º 3 atacam o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), provocando um morto e 14 feridos."

Ao princípio dessa tarde, "o general António de Spínola e os principais implicados no golpe fogem para Espanha."

A Intentona de "11 de Março de 1975 apenas é compreensível se analisarmos de uma forma mais ampla os acontecimentos e processos que tiveram lugar desde o 25 de Abril de 1974 e, em particular, a partir do 28 de Setembro."

Ocorre que depois da revolução de abril de 1974, as forças políticas ligadas a Spínola e à direita democrática, queriam que "Portugal liderasse uma organização" em que estivessem incluídas as antigas colónias, e que nestas fossem garantidos os interesses do país. Ora esta posição é oposta à defendida pelos militares que tinham preparado o 25 de Abril, "principalmente os membros do Movimento das Forças Armadas (MFA)."

Este Movimento apoiava por sua vez "os partidos totalitaristas marxistas africanos que estavam a consolidar controlo dos territórios recém-independentes, chegando os portugueses do MFA até a posicionar-se contra as organizações de nativos oposicionistas," apoiando a sua "supressão." 

Os "novos regimes africanos em consolidação," não poupam nem os portugueses que por lá se tinham mantido, nem os "autóctones, que são apoiantes do antigo regime ou pertencentes a facções opostas," o que leva a uma situação de precariedade, "com crescentes conflitos, perseguições políticas e exclusões dos processos transicionários na forma de violência, exílios, prisões e mesmo mortes." Spínola queria fazer valer a "independência dos territórios," garantindo a estabilidade dos portugueses, enquanto o MFA, cansado da guerra, queria fazer sair, quão rapidamente fosse possível, as tropas, não se mostrando "dispostos a prolongar a sua presença em África."

Em setembro de 1974, "na tentativa de contrariar uma viragem à esquerda liderada por diversas forças, Spínola" promove "a realização de uma manifestação de apoio à sua política." No entanto, essa manifestação acaba por ser inviabilizada por um grupo de civis apoiantes da esquerda e por "elementos do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Em consequência desta derrota, o general Spínola demite-se e é substituído por Costa Gomes. 

Demitem-se também os "ministros da Defesa e da Comunicação Social, Firmino Miguel e Sanches Osório, respetivamente." A 1 de outubro de 1974 toma posse o III Governo Constitucional, que se torna "o segundo mais longo de todo o processo revolucionário português, abrindo uma fase de alguma estabilidade." É constituído ainda o "Conselho dos Vinte, organismo que reúne todos os oficiais com funções político-militares: membros da JSN, da Coordenadora do MFA, comandante-adjunto do COPCON e ex-membros da Coordenadora que, nesse momento, desempenhavam funções de ministro ou Alto-Comissário." Pretendia-se assim articular a "intervenção política dos militares e evitar as decisões de cúpula da JSN."

No entanto, a imagem internacional do país passa a ser uma preocupação.

A de março de 1975, Spínola é informado de um possível ataque que visaria a direita. Perante esta suposição denunciada pelos "serviços secretos espanhóis" é preparado um "novo golpe."

Segundo informação que correu então, "1500 pessoas ligadas à direita," estariam sob a mira de forças de esquerda, ligadas ao PCP e à União Soviética. Esta operação (também conhecida como operação matança da Páscoa e que teria entre as personalidades a abater 500 oficiais e 1000 civis apoiantes de Spínola), levou a que no dia 11 de março, o Regimento de Artilharia de Lisboa fosse "atacado por aviões e helicópteros da Força Aérea e por unidades de paraquedistas. Um soldado é morto durante o ataque e, no dia seguinte, regista-se também a morte de um civil." 

Perante tal falha, "Spínola escapa de avião para Espanha e outros oficiais pedem asilo político noutras embaixadas localizadas em Lisboa." Uma das consequências é a radicalização "à esquerda" e a consequente nacionalização (nomeadamente, da banca). Mais tarde, "Vasco Lourenço, implicado nesta alegada ação," acabaria por declarar "que não havia lista nenhuma na operação matança da Páscoa, e que afinal tinham "sido serviços de informação americanos ou russos que puseram a circular essa ideia com o fim de «lançar a casca de banana aos spinolistas»." 

Fontes:

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_11_de_Mar%C3%A7o_de_1975

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-tentativa-de-golpe-de-11-marco-de-1975/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Matan%C3%A7a_da_P%C3%A1scoa

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/equilibrios-politicos-no-pos-28-de-setembro/

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publicado às 23:08

Charlie Hebdo - 10 anos depois, o que mudou?

por Elsa Filipe, em 08.01.25

Fez ontem 10 anos que o mundo olhou em choque para as imagens de uma redação de um jornal francês a ser atacado. O ataque "matou 12 pessoas nas instalações do jornal satírico francês Charlie Hebdo," dos quais "oito membros da redação."

O tempo passa quase sem darmos por isso e, neste caso, foi ontem ter visto algumas publicações que me direccionavam para a frase "Je suis Charlie" que me fez lembrar o ataque. Nesse dia, lembro-me que estava a trabalhar e que me senti revoltada com a situação. Não tinha sido aqui, nem perto de ninguém conhecido, mas fez-me pensar que estamos expostos a uma catrefada de doidos que por aí andam. Felizmente, o nosso cantinho ainda está protegido.... diziam alguns. Não me parece que estivesse na altura ou que esteja agora. Só que nós não temos nenhum jornal que arrisque publicar uma fotografia de um profeta em poses mais eróticas. Arriscou algo parecido Gil Vicente, pondo a nú muitos dos celeumas sociais da época, incluindo uma clara imagem da devassidão do clero da época...mas depois dele, poucos o terão feito.

O movimento de apoio sob o lema "Je suis Charlie", encheu as redes sociais e preencheu capas de jornais, acabando por correr mundo. Se algo de positivo podemos tirar desta memória triste, é que nos fez falar sobre a liberdade de expressão. 10 anos volvidos, será que ainda há medo?

A 7 de janeiro, dois irmãos franceses de origem argelina, entraram "de kalashnikov em punho," dando início a "três dias de horror na região de Paris, que terminaram com a morte de 17 inocentes," (12 neste ataque e, outros cinco, num outro ataque no dia seguinte). Ficaram ainda feridas 11 pessoas, cinco das quais com gravidade. Os irmãos "Kouachi," terão reagido perante a publicação "de uma representação caricaturada do profeta Maomé," a qual foi considerada ofensiva para muitos muçulmanos. Um desenho que, no entender de muitos muçulmanos, era um insulto direccionado ao seu profeta e à própria religião.

No mesmo dia, um outro muçulmano de nacionalidade francesa, e que estaria "ligado aos atacantes do jornal," atacou um polícia na região de Montrouge. No dia seguinte, o mesmo indivíduo "invadiu um supermercado kasher perto de Porte de Vincennes," tendo assassinado quatro dos reféns que ali fez. "Este novo ataque" só "terminou após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa." Esta não tinha sido a primeira publicação a despertar o ódio contra os cartoonistas deste jornal. Em 2011, a capa de uma das suas edições, com o título "Charia Hebdo, mostrava uma caricatura do profeta islâmico Maomé," o que resultou num ataque à bomba às instalações do jornal.

Apesar disto, em 2012, o jornal voltou a mostrar que uma caricatura é uma forma de crítica, apresentando "uma série de caricaturas de Maomé, incluindo caricaturas de nudez," no seguimento de "uma série de ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio, supostamente em resposta ao filme anti-islâmico Innocence of Muslims." Estes ataques tinham levado "o governo francês a fechar embaixadas, consulados, centros culturais e escolas internacionais em cerca de 20 países de maioria muçulmana." A publicação tentava mostrar que, as ameaças iniciadas por uma religião, faziam um país como a França, encerrar a sua presença nesses países, cedendo de certa forma, às ameaças.

Charb, que seria depois um dos principais alvos no massacre de 2015, estaria desde 2013 "na lista dos mais procurados pela Al-Qaeda, juntamente com três funcionários do Jyllands-Posten: Kurt Westergaard, Carsten Juste e Flemming Rose." Mesmo com conhecimento desta situação e de haver uma atenção redobrada sobre estas publicações ("Charlie Hebdo", em França e "Jyllands-Posten", na Dinamarca), as autoridades não foram capazes de intercetar o ataque.

A 8 de janeiro, era mostrada na capa, uma caricatura da autoria de "Michel Houellebecq," acompanhado de um dos desenhos de Charb que, nessa mesma edição, ilustrava a frase "Ainda nenhum ataque terrorista na França."

Apesar do ocorrido, o jornal parisiense não cedeu e continua o seu trabalho tendo mesmo sido feito um concurso no final de 2024 para que os cartoonistas ilustrassem o tema: "Rir de Deus", mostrando através do seu trabalho, a sua "cólera perante o controlo que todas as religiões exercem sobre as suas liberdades". 

E por cá? Somos um Estado laico, (o mesmo princípio foi "consagrado na legislação francesa em 1905, e em 1945 passou a fazer parte da Constituição), mas ainda há muito medo em nos manifestarmos contra a religião (mas se for a favor, está tudo bem). Ainda temos um país em que anda o "credo" na boca do povo e em que a religião católica faz gastar milhões ao país. Somos verdadeiramente livres ou, teremos afinal, medo de dizer o que pensamos sobre os tantos deuses e profetas que por aí andam?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/01/06/ataque-ao-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos

https://pt.euronews.com/2015/02/07/charile-hebdo-franca-nao-esquece-vitimas-dos-atentados

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-terrorista-ao-jornal-satirico-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos_a1625741

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_Charlie_Hebdo

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publicado às 20:44

Há 25 anos, Timor foi a eleições e, além da independência, ganharia então a vontade de construir uma democracia firme. "Depois de uma colonização de quase cinco séculos, pelos portugueses, e 24 anos de ocupação indonésia, o povo timorense foi chamado no dia 30 de agosto de 1999 para votar se queria livrar-se dos ocupantes ou manter-se sob a sua governação." O ato foi de facto um marco importante, em que a verdadeira vontade daquele povo foi mostrada ao mundo. Na verdade, "ninguém, nem o próprio presidente indonésio, que aceitou o referendo após longa batalha diplomática entre Portugal, Indonésia e as Nações Unidas, esperava tamanha afluência às urnas."

António Guterres, antigo primeiro ministro português, está presente em "Díli para participar nas celebrações dos 25 anos do referendo que levou à restauração da independência do país, pondo fim à ocupação Indonésia" junto com outros representantes nacionais e internacionais. Ao atual secretário-geral da ONU foi atribuída hoje a cidadadina timorense.

Guterres encontrou-se hoje com "o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão", uma das figuras mais importantes em todo este processo, a quem "António Guterres prestou também homenagem", destacando o seu papel "enquanto líder da resistência timorense e pela forma como defendeu a independência do seu povo detido em Jacarta, capital da Indonésia," bem como, no seu papel na "transformação de Timor-Leste num país independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e que se afirma internacionalmente com crescente influência."

Guterres referiu ainda, que tinha ficado "impressionado com o compromisso do Governo timorense em matéria de segurança alimentar e investimento na agricultura," o que considerava ser um "desafio crucial para o êxito do desenvolvimento, saúde, educação e infraestruturas."

"Timor-Leste aderiu no início do ano à Organização Mundial do Comércio, é fundador do G7+ e deverá aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano."

Uma outra figura importante neste processo, foi Durão Barroso, que em "1992, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal," participou em "quatro rondas de negociações" com a Indonésia. Apenas a 5 de maio de 1999, os dois países assinariam "três acordos, nomeadamente sobre a questão de Timor-Leste, outro sobre a modalidade da consulta popular e um terceiro sobre segurança," com o contributo essencial das Nações Unidas. Barroso, salientou ainda que foi "o massacre do cemitério de Santa Cruz" o grande acontecimento que "contribuiu para dar visibilidade à questão de Timor-Leste." Lembro-me ainda hoje desse massacre e eu era bem pequena na altura. Existem imagens que nos ficam gravadas na mente. Se foi "com a ajuda da comunidade internacional," que o povo de Timor-Leste se conseguiu livrar do domínio indonésio, também não se deve esquecer que muitos países não acreditavam que tal fosse possível.

"Os acordos foram assinados por Jaime Gama, na altura chefe da diplomacia portuguesa, pelo seu homólogo indonésio, Ali Alatas, e por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU." No entanto, o processo não foi fácil e a«s Nações Unidas tiveram mesmo de permanecer no país como força de gestão e manutenção de paz até ao ano de 2012. Durante este período, chegou mesmo a ser necessária a entrada de uma força liderada pela Austrália, devido a ataques de extrema violência causados por milícias apoiadas pela Indonésia.

Fontes:

https://www.tsf.pt/1577666496/timor-ganhou-a-batalha-da-independencia-agora-tem-de-ganhar-a-do-desenvolvimento/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2623023/timor-uma-historia-bonita-conseguida-com-dificuldade-e-falta-de-apoio

 

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publicado às 22:42


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