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Ainda se morre de frio

por Elsa Filipe, em 16.01.26

Faz frio. Mas em regiões como a Ucrânia, a Rússia ou a Palestina, faz frio, muito frio. 

E não há energia que permita aquecer as casas. Tem sido assim, intermitentemente, desde que a guerra começou. Zelensky decretou o estado de emergência energética e pela cidade vão-se erguendo tendas, nas quais as pessoas entram para se aquecerem, carregar os telemóveis e comer uma refeição quente. As escolas deverão ficar encerradas durante os próximos dias. O estado de espírito é de entreajuda, enquanto se tentam manter rotinas. Nos prédios, de muitos andares, não se pode usar o elevador e os mais velhos têm mais dificuldade em sair de casa, onde faz quase tanto frio como na rua.

O ano passado, foi o ano em que mais civis morreram na Ucrânia desde que a guerra começou. Os ataques russos têm destruíodo sucessivamente as estruturas energéticas do país - é a sua forma de matar e causar dano às populações mais vulneráveis sem as bombardear diretamente. Os últimos grandes ataques ocorreram a 9 de janeiro. No mesmo dia em que a Rússia atingiu Kiev com um míssel hipersónico, do qual resultaram 4 mortos, uma equipa de socorristas foi também atacada e um deles acabou por perder a vida. Só nos "primeiros dias deste ano, a agência da ONU já documentou nove ataques a serviços de saúde na Ucrânia, com duas mortes e 11 feridos."

Na noite de 12 de janeiro, "quase 300 drones de ataque, a maioria deles 'shaheds', juntamente com 18 mísseis balísticos e 7 mísseis de cruzeiro, foram lançados pelos russos contra a Ucrânia ontem à noite." Um dos locais atacados foi uma "central termoelétrica pertencente à empresa privada ucraniana DTEK," o qual sofreu "danos substanciais nos equipamentos."

A Ucrânia tem também usado drones para contra-atacar, atingindo infraestruturas russas importantes. Na semana passada, atacou também a região de Beldorod, atingindo infraestruturas energéticas russas e "deixando mais de 500 mil russos sem electricidade." Nestes ataques podem ter sido atingidos "uma empresa industrial, casas, gasodutos e veículos," na região de "Taganrog."

O direito que protege os cidadãos é o mesmo, pois colocam em risco aquelas que são as pessoas mais vulneráveis. E isso é verdade não só nas tendas de Kiev, como ainda são mais visíveis na Faixa de Gaza, onde o frio mata. Apesar do cessar-fogo, a região continua a ser bombardeada. Estes "bombardeamentos e incursões militares ocorrem num contexto de agravamento extremo da crise humanitária, marcada pelo frio intenso, falta de abrigo e colapso do sistema de saúde, que já vitimou bebés e crianças deslocadas." As temperaturas baixas chegam para matar: desde novembro, "pelo menos quatro bebés morreram de hipotermia," sendo o caso conhecido mais recente, o de "Mohammed Abu Harbid, de dois meses, que faleceu no Hospital Infantil Al-Rantisi devido a hipotermia severa," no passado domingo. No dia anterior, "um outro bebé palestiniano de apenas sete dias" tinha também perdido a vida pelo mesmo motivo: o "frio extremo" que se faz sentir naquela região. As tempestades e os ventos fortes destroem os abrigos e deixam os colchões, mantas e cobertores totalmente encharcados. Aqui, também os cortes de energia matam, principalmente os bebés dependentes de incubadores que na sua frágil vida, não encontram qualquer possibilidade de sobrevivência.

Fontes:

 

https://www.publico.pt/2026/01/09/mundo/noticia/ataque-russo-kiev-mata-quatro-ofensiva-ucrania-deixa-meio-milhao-energia-2160574

https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852028

https://www.dn.pt/internacional/extensa-destruio-ataque-atinge-infraestruturas-energticas-clnica-peditrica-e-faz-quatro-mortos

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2026-01-11-ataques-israelitas-matam-tres-pessoas-e-inverno-intenso-tira-a-vida-a-quatro-bebes-em-gaza-3833100c

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publicado às 12:58

Movimentações

por Elsa Filipe, em 29.12.25

Estamos a terminar 2025... o ano está quase a chegar ao fim, mas permanecemos suspensos em decisões e acordos que não avançam nem recuam. Damos um pontapé numa pedra e saem ideias estúpidas, com remanescências em ideologias bíblicas ou colonizadora e que, aidna por cima, têm poder económico e bélico, para mandar nos outros, o que não deixa de ser um problema.

Pois, porque tantas reuniões e encontros depois, a guerra da Ucrânia continua. A Rússia não desiste, a Ucrânia não cede. A Rússia exige que a Ucrânia aceite que deve retirar as suas tropas "dos cerca de 20% da região leste de Donetsk que ainda controlam." Putin não quer que a Ucrânia adira à NATO, não quer uma pausa, quer ficar com o que conquistou... e por aí vão os planos de paz, com um moderador que ora parece estar de um lado, ora parece estar a apoiar o seu adversário. Talvez venha a conseguir este acordo... era bom que a guerra acabasse. Mas a que preço?

Houve um cessar fogo em Gaza, mas a situação está longe de estar resolvida - parece que apenas deixamos de falar no problema. Enquanto isso, Israel continua a construir colonatos na Cisjordânia, usando como desculpa que era o que "deus queria." Ocupam terras que não são suas, cultivam-nas e dizem que são um posto avançado de onde irá surgir uma cidade. Acham que o direitos estão escritos nas bíblias, livros antigos que cada um interpreta à sua maneira. Abatem jovens, invadem territórios que não são seus, tentando continuamente esticar o seu território. Algo está muito errado, quando a fé é desculpa para atacar, violar ou matar o outro. Seja em que religião for.

A China faz exercícios militares sobre Taiwan, usando "munições reais." Taiwan negociou a compra de armas com os EUA e Pequin não gostou, ordenando por isso que se fizesse "um exercício militar" sobre a região mostrando a "capacidade de ataque da força aérea e da marinha." A China informou que estas manobras militares são um aviso às "forças separatistas" e à "interferência externa," que segundo a sua opinião está a empurrar os "defensores da independência" para "uma situação perigosa de guerra iminente." E Taiwan quer manter-se independente. Tem esse direito? Sim. E mais uma vez, lá estão os EUA a intrometer-se em políticas externas, a negociar com os dois lados, a reunir ora com uns, ora com outros. Se por um lado, mantém negócios com a China, por outro defende a autonomia de Taiwan e apoia-os com armamento. É que, ao que parece, é preciso que as guerras continuem para que as fábricas de armamento tragam lucro. 

Estamos a terminar 2025 e ainda há quem afirme que as vacinas fazem mal e que a Terra é plana. E assim vai o nosso mundo. O que peço para 2026? Que uns salpicos de inteligência atingissem alguns cérebros que parecem ter parado no século XVI e acham que ainda andamos por aí a matar mouros e a colonizar terras por esse mundo fora. 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-12-28-russia-apela-a-ucrania-para-que-aceite-retirada-de-tropas-de-donetsk-42e18ea7

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/severo-castigo-china-lanca-exercicios-militares-em-torno-de-taiwan-para-avisar-forcas-separatistas_n1706718

https://pt.euronews.com/2025/12/29/china-responde-a-compra-de-armas-por-taiwan-com-um-exercicio-militar-em-grande-escala

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-12-29-video-expansao-do-territorio-israelita-na-cisjordania-o-povo-de-israel-esta-a-voltar-a-sua-terra-e-isso-e-a-lei-0114a210

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publicado às 12:48

A guerra sem fim...

por Elsa Filipe, em 19.10.25

Será que há mortos que valem mais do que outros nesta guerra? Seá que há reféns e presos que valem mais do que outros?

A resposta rápida poderia ser "não", mas a realidade talvez seja outra.Temos visto nos últimos dias um grande ênfase dado aos reféns que o Hamas tem estado a libertar e, esses, apanhados num ato de imensa brutalidade e há mais de dois anos em cativeiro, sofrerão horrores que a nenhum de nós lembra, ameaçados pela morte às mãos de uma guerrilha ou, tantas vezes, recaindo sobre as suas cabeças a ameaça dos mísseis enviados para os, supostamente, salvarem.

Felizmente (e muito tardiamente) estes homens e mulheres voltam agora a casa. Outras famílias, estão neste momento a receber ainda os restos mortais dos seus entes queridos, se tais corpos se confirmarem serem mesmo os seus. Foi isto, que a negociação que Trump liderou, conseguiu. E em troca, o governo de Israel libertou cerca de 1900 prisioneiros. Quem são e porque estavam presos, alguém sabe? Que valor tem cada um deles? É que vários (muitos) foram entregues também já mortos. Mortos de quê e porquê? Foram presos ou também eram reféns? É que isto de se olhar para os outros, pode dar-nos uma opinião errada de acordo com a perspetiva que seguimos.

E nesta guerra, há vítimas - demasiadas - mas também há culpados de ambos os lados. Até do lado ocidental que tanto preza dizer que é contra e a favor disto e daquilo, sem saber do que fala. A história de Israel e da Palestina é muito mais antiga do que muitos imaginam. A terra "prometida" por um deus foi depois prometida por um governante. Um governante que a prometeu a dois povos, que hoje se julgam ambos no direito de a habitar. "A região histórica da Palestina foi assim denominada pelos gregos e romanos por causa de um dos povos que habitavam essa área, os filisteus."

Para mim, é o hoje que mais importa, um hoje feito de muitos mortos de ambos os lados. Mortos que têm de importar o mesmo de ambos os lados, que deviam ter o mesmo destaque e não têm. Parece que, ao apoiarmos um dos povos, somos obrigados a concordar com o "fim" do outro, e não, isso não é assim. O que é a solução dos dois estados de que todos falam e como é que se podes chegar a um acordo entre dois povos que têm ainda muito ódio a correr nas veias? 

Em 1891, "várias centenas de americanos proeminentes," assinaram uma declaraçá que apoiava a criação "de um Estado judaico na Palestina." Anos mais tarde, os judeus seriam amplamente perseguidos, mais uma vez, um povo do mundo, mas sem casa, embora muitos falassem da pátria que os receberia. A história deste povo é dura, mas é também dura a história do povo palestiniano, que atualmente vive na Faixa de Gaza, mas também na Líbia, Jordânia (onde vivem cerca de 1,9 milhões de palestinianos) e Cisjordânia.

Falam árabe, mas possuem também um dialeto local. A "religião predominante é o islamismo sunita, mas existe uma importante minoria cristã." Podíamos aqui falar também da influência britânica neste conflito, "durante o Mandato Britânico da Palestina" ou da "Guerra de Independência de Israel, entre 1947 e 1949," na qual mais de "600 mil" palestinianos "foram deslocados, no que os palestinos chamam de Nakba”. Em 1967, ocorreu a "Guerra dos Seis Dias" que transformou a Palestina, não apenas num "local de origem," mas também na ideia de "um passado e um futuro compartilhados, na forma de um Estado palestino."

Durante os Acordos de Oslo (que ocorerm em 1993 e 1994), foi criada a "Autoridade Nacional Palestina (ANP), um autogoverno provisório palestino liderado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), um conjunto de organizações políticas criado em 1964 por Yasser Arafat e que visa representar o povo palestino internacionalmente."

O importante seria este conflito terminar e, fora a questão política e geográfica, o que mais importaria era haver respeito e aceitação, de ambas as partes e isso, está muito difícil de acontecer.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Palestinos

 

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publicado às 12:37

Um Plano de Paz...

por Elsa Filipe, em 14.10.25

Como se faz um Plano de Paz sem que os envolvidos na guerra estejam presentes ou representados?

Difícil de perceber, mas foi precisamente isso que aconteceu. Na sexta-feira, entrou em vigor um "acordo de cessar-fogo" que segue um "plano de 20 pontos apresentado pelo Presidente norte-americano, com o objetivo de pôr fim à guerra desencadeada em 07 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas que visou o sul do território israelita."

Apesar de haver este acordo, continuaram a ouvir-se explosões na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que milhares de pessoas tentavam regressar aos locais onde antes residiam, na maioria sem saber se encontrariam lá um sítio para viver e tendo quase a certeza de que já só veriam destroços do que antes tinham sido casas, ruas, bairros.
 

Trump assinou um Plano de paz, junto com os negociadores do Egito, do Catar e da Turquia, mas sem a presença do Hamas nem de Israel, ou seja, sem as partes beligerantes. Na verdade, há a dúvida se não se poderá apenas tratar de um cessar fogo, o que deixa a grande dúvida - e depois? O que esperar depois de terminar esta primeira fase? O que acontecerá se uma das partes falhar um dos pontos do acordo? Para Trump, está tudo resolvido e todos lhe vão obedecer.

A Cimeira realizou-se no Egito e juntou representantes de "35 países (entre os quais França, Itália, Alemanha, Jordânia, Turquia e Reino Unido, bem como das Nações Unidas e da União Europeia" - incluindo Portugal, representado por e "António Costa — em representação da Comissão Europeia"), mas deixou de fora os principais intervenientes no conflito. Antes de seguir para a Cimeira, Trump foi a Jerusalém onde esteve com familiares dos reféns e discursou no parlamento de Israel, e de onde saiu afirmando que a guerra tinha terminado. Nesta visita a Israel, o principal objetivo foi o de firmar as condições para a segunda fase do acordo de paz.

Naquilo que respeita à execução do Acordo, poderão haver algumas divergências, embora o Hamas tenha já libertado "todos os 20 reféns" vivos, mantidos desde dia 7 de outubro de 2023. Faltam ainda entregar os 28 corpos dos reféns que entretanto morreram, durante estes dois anos. 

"Não existem lusodescententes entre os sete cidadãos libertados" embora se fale em "três luso-israelitas." Em troca da libertação destes reféns e da entrega dos corpos, "Israel comprometeu-se a libertar 250 palestinianos detidos por razões de segurança, incluindo vários condenados por atentados mortais anti-israelitas, bem como 1700 palestinianos detidos em Gaza desde o início da guerra.

Em discussão está também a reconstrução de Gaza e a eterna questão da aceitação dos dois estados, ideia defendida por exemplo pelo presidente do Egito, ou pelo governo espanhol.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2025-10-14-todos-no-medio-oriente-tem-uma-versao-diferente-do-plano-de-paz-de-trump-e-o-risco-imediato-e-gaza-mergulhar-no-caos-como-vimos-no-haiti-0c438fc4

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/trump-a-caminho-de-israel-a-guerra-acabou-perceberam_n1690550

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publicado às 19:12

O movimento começou a ser mais conhecido aquando da participação dos portugueses Mariana Mortágua (deputada da Assembleia da República), Sofia Aparício (manequim e atriz), Miguel Duarte e Diogo Chaves, que se juntaram a ativistas de outras quarenta nacionalidades numa viagem com destino a Gaza, onde pretendiam entregar ajuda humanitária e contestar o bloqueio israelita sobre o território palestiniano. Este grupo de barcos que viajou em direção a Gaza, não foi o primeiro a tentá-lo, tendo havido já situações que resultaram em mortes de ativistas.

Desde logo, é de realçar as intenções mediáticas que um transporte por terra não causaria - a intenção também era desde logo marcar uma posição! A ativista sueca Greta Thunberg faz também parte desta missão. A ajuda humanitária, essa não seria assim de grande volume - sendo divergentes as opiniões sobre as quantidades transportadas a bordo - mas fosse o que fosse, seria sempre mais o valor mediático da viagem do que o da própria ajuda em si, mostrando que Israel não permite que se entre na região nem para ajudar quem passa fome. A questão aqui é muito mais complexa. Uma das opiniões é a de que Israel não permitindo que civis ali entrem serve primeiramente como proteção aos próprios, uma vez que aquela é uma zona de guerra. Outras opiniões dizem que este encerramento de fronteiras leva ao agravamento da fome, ao isolamento da população palestiniana e ao seu genocídio. A própria declaração de genocídio não foi ainda aceito por todos os estados da mesma forma.  

Composta por mais de 50 embarcações e cerca de 500 pessoas a bordo, a flotinha partiu de Barcelona, tendo sofrido vários contratempos que obrigaram a paragens forçadas, começando por terem tido todos de regressar à costa espanhola devido a condições meteorológicas adversas. Devido ao mau tempo que se fez sentir no Mediterrâneo, "cinco dos barcos mais pequenos," acabaram mesmo por não seguir viagem, "por causa das condições do mar." Dias depois, algumas das embarcações chegaram mesmo a ser atacadas por drones.

A 28 de setembro saíram de Creta, mesmo sendo avisados da perigosidade de prosseguirem a viagem. A deputada Mariana Mortágua chegou a dizer, na aproximação ao destino que "o sentimento" era o "de missão mais próxima de ser cumprida e de sucesso na parte em que foi possível pressionar os governos para garantir que a missão chegava até aqui." O facto de se aproximarem de Gaza, levantava agora mais riscos, uma vez que começavam a "entrar em águas que Israel declarou exclusivas." Vários navios começavam então a rodear a flotilha. O governo chegou mesmo a aconselhar que regressassem, uma vez que a posição que queriam mostrar estava alcançada. Itália aconselhou o mesmo, acompanhando até àquela posição os barcos, numa forma de os proteger, mas avisando que a partir daquele ponto já estariam por sua conta se decidissem avançar, sugerindo até que poderiam "entregar a ajuda humanitária noutro lugar que não Gaza."

Semelhantes avisos vieram de Espanha.

Apesar dos avisos e de já estarem sob mira de Israel, decidem prosseguir viagem, avisando que só parariam em Gaza e, é na saída da segurança das águas internacionais que "o exército israelita interveio, detendo a maioria dos ativistas, entre eles os quatro portugueses que se sabe que seguiam a bordo."

No momento em que Mariana Mortágua (coordenadora do Bloco de Esquerda) fazia declarações para a RTP, foi-lhe mandado que atirasse o telemóvel à água assim como a todos os que estavam a bordo. Além desta, outras 12 "embarcações da flotilha foram intercetadas pela Marinha do Estado hebraico. Uma delas terá sido mesmo abalroada em águas internacionais, de acordo com a Flotilha Global Sumud." Mortágua havia ainda conseguido gravar um vídeo, que publicou nas redes sociais, em que apelava "para que os portugueses" se mobilizassem e pressionassem "o Governo português a agir."

De acordo com Paulo Rangel (MNE), todos os que foram detidos estão em segurança e irão estar na presença de um representante da embaixada portuguesa em Telaviv. Paulo Rangel referiu também, que já era esperada esta intervenção israelita, uma vez que "a flotilha saiu das águas internacionais," e que tinha existido sempre um acompanhamento da parte do Estado portuguêsm, dando como exemplo Tunes e explicando que, a intervenção militar, seria desproporcional.

No entanto, apesar do apoio que Portugal está a dar através da embaixada, "as diligências poderão atrasar-se por estas detenções terem ocorrido num período de festividades em Israel, durante as quais os serviços estão parados."

Entretanto, em várias cidades europeias, sucedem-se manifestações que pedem a libertação dos ativistas e voltam a exigir o fim do genocídio em Gaza. Qual é a sua opinião? Existe ou não um genocídio? E não existirá também noutros locais dos quais pouco se fala? 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-iniciada-abordagem-israelita-a-flotilha-global-sumud-a0fc6350

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/do-ultimato-a-abordagem-marinha-israelita-intercetou-flotilha-e-deteve-ativistas_v1687764

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugueses-na-flotilha-foram-sempre-acompanhados-pelo-mne-afirma-paulo-rangel_e1687697

https://pt.euronews.com/2025/10/02/flotilha-humanitaria-portugal-junta-se-aos-protestos-mundiais-apos-detencao-de-ativista

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-video-flotilha-com-ajuda-humanitaria-devera-chegar-esta-quinta-feira-a-gaza-2c99194f

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2025-09-28-portugueses-na-flotilha-insistem-em-levar-missao-ate-ao-fim-2824d250

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publicado às 23:18

Não há fome em Gaza

por Elsa Filipe, em 27.08.25

"Não há fome em Gaza", é tudo imaginação nossa. As crianças não estão a morrer devido aos ataques indiscriminados, não morrem nas filas enquanto esperam por um pouco de alimento... 

"Não há fome"... são pessoas magras porque estão doentes por outras razões. Israel já veio até exigir "que as Nações Unidas retirem de imediato o relatório" onde se declara "oficialmente" a existência de "fome na Faixa de Gaza,"  acusando a ONU de ser "uma instituição de investigação politizada". Porque os meios de comunicação social são todos mentirosos... não existe fome em Gaza.

Na caça, o caçador observa o animal. Atira comida. Depois quando o animal passa em direção à comida, o caçador dispara. Semelhanças com o que se passa em Gaza?

Esta terça-feira, o "Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo grupo islamita Hamas, elevou para 313 o número total de mortos, dos quais 119 crianças, por fome ou desnutrição no território palestiniano desde o início da ofensiva israelita em 07 de outubro de 2023." De acordo com o grupo, a maioria das mortes por causas relacionadas com a subnutrição e a fome em Gaza ocorreram nos últimos dois meses, após um bloqueio quase total de entrada de alimentos e medicamentos no enclave por parte de Israel, que controla todos os pontos de acesso ao território palestiniano, impedindo a entrada dos camiões que transportam ajuda.

Como em todos os lugares do mundo, como em todos os povos e em todas as culturas, existem extremistas, gente cuja inteligência se esgota no próprio umbigo. E não se podem confundir as partes com o todo e, aqui, a parte que estupidamente defende o direito de ocupação de uma terra e que olha para aquelas crianças desnutridas como se não merecessem sequer viver, é a parte que, embora não os representando a todos, os está a representar perante outros Estados, outros países. E ninguém faz nada... 

A barbaridade está ali, está impressa nos jornais, entra-nos pelas retinas quando entramos em qualquer site de notícias ou ligamos a televisão. Mas dizem-nos que não é real... como se pudessemos estar cegos, surdos! Até quando se vai deixar um louco governar um país sem se fazer nada e um exército matar deliberadamente inocentes? Perante as acusações, Israel intensifica apenas os ataques, porque "não há fome em Gaza," nem morrem inocentes por ali, apenas terroristas.

Entretanto, a morte vai atingindo também os repórteres, matando quem quer repôr a verdade, quem procura informar o mundo.«, arriscando a sua própria vida.

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/israel-exige-que-onu-retire-relatorio-sobre-fome-em-gaza

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dez-mortos-a-fome-em-gaza-nas-ultimas-24-horas-incluindo-duas-criancas_n1679497

 

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publicado às 12:18

Em Gaza, todos podem ser um alvo a abater

por Elsa Filipe, em 11.08.25

Até os jornalistas.

Seis foram calados, seis que estavam numa tenda "perto do portão principal do hospital de al-Shifa, na Cidade de Gaza". Cinco jornalistas eram da Al Jazeera e um era freelancer, um dos poucos que conseguem entrar no território. Israel, dificulta cada vez mais a entrada de quem pretende mostrar a verdade, de quem quer mostrar os ataques, a fome... a morte. Não foi a primeira vez que o exército israelita, justifica a morte de jornalistas, afirmando que estes "pertencem" a células terroristas.

Esta é uma guerra em que ninguém irá ganhar, mas são principalmente os palestinianos quem está a sofrer mais. Tudo isto é inaceitável. Os ataques indiscriminados, a fome que se propaga, a destruição dos hospitais e, cada vez mais, os ataques à imprensa, a proibição imposta para que as notícias não cheguem. Não querem que saibamos o que se passa - e quanto não saberemos, nunca chegaremos a ver, talvez felizmente - que assistamos ao genocídio de um povo. Um povo a quem nem se deu hipótese de lutar, pois para tal não tem capacidade, perante sucessivos ataques. Um dia, quando não houver mais nada para destruir, estarão lá os reféns ainda, para serem salvos? Estará lá alguém do Hamas à espera de ser "apanhado"? Não me parece. Estarão os mortos e os quase mortos, os desistentes, moribundos e resistentes.

De acordo com as Nações Unidas, já morreram "242 jornalistas palestinianos", no enclave palestiniano, desde 7 de outubro de 2023, numa clara violação do Direito Internacional Humanitário. A situação nesta região não é nova. Felizmente, agora temos conseguido ver, assistir, perceber, ser informados do que se passa. Quem não quer por lá os meios de comunicação social? Quem não quer que se mostre o que se passa?

É preciso pensar nisto.

Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/ataque-israelita-cala-vozes-de-seis-jornalistas-em-gaza/17858136

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-israelita-mata-jornalistas-da-al-jazeera-em-gaza_n1675590

 

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publicado às 21:20

Morrer de fome ou morrer à espera de comida?

por Elsa Filipe, em 02.08.25

Parece uma pergunta estúpida, não parece?

Mas todos os dias, milhares de pessoas têm de tomar essa decisão. Todos os dias, os habitantes de Gaza, precisam de arriscar a vida em troca de um líquido que parece uma sopa, deitada em panelas e caixas imundas, ou receber um saco de farinha. Alguém por aqui se vê a sobreviver só com farinha?

Nessa deslocação até um local onde lhes será dada alguma comida, têm de se sujeitar a filas gigantescas sob um sol castigador, sem água, sem sombras e... com o risco iminente de serem fuzilados ali mesmo. Quando chegam junto do posto onde a comida está a ser distribuída, a fome já tirou o discernimento a muitos e, é cada um por si, mesmo que isso implique empurrar uma criança ou pisar alguém que caiu. Não é uma crítica, é a pura realidade. A animalidade a sobrepôr-se à humanidade, a sobrevivência que passa a implicar matar ou morrer.

Enquanto vários países lançam, sob o território de Gaza, embrulhos com comida, um dos pontos de distribuição de comida é visitado por um "enviado especial de Donald Trump" e pelo "embaixador dos Estados Unidos em Israel." Estes pontos de distribuição são geridos por uma fundação "patrocinada por Israel e Washington",e que tem vindo a ser bastante criticada pela forma como o tem feito. Ironicamente, "Netanyahu insiste, no entanto, que não há fome em Gaza."  Num comunicado, o próprio Hamas já veio criticar esta "visita do enviado dos Estados Unidos a Gaza," a que chamou de "encenação."

De Espanha foram enviadas 12 toneladas de alimentos que já foram lançados sobre o território, esta sexta-feira, enqunato de França já chegaram "40 toneladas." Poderia ser suficiente, se chegassem à população, mas nem todos atingem locais acessíveis. Da parte dos Emirados Árabes Unidos foram já batidos "recordes em lançamentos pelo ar." Estes lançamentos são perigosos e podem mesmo matar, mas face ao drama que se vive na região, este acaba por ser um recurso de última linha para mitigar a fome de quem consiga alcançar uma destas "caixas". Quando os camiões entram em Gaza, não é de estranhar então que as pessoas os ataquem! Têm fome! Têm os filhos a definhar em casa, sem forças já para chorar! É a sobrevivência, matar ou morrer!

A fome é tanta - e felizmente os nossos meios de comunicação social têm mostrado isso mesmo - que até as equipas de saúde que tentam ajudar, estão a passar fome! Morrem-lhes nas mãos, bebés e crianças a quem as mães e os pais já não têm como alimentar. Fala-se de vacinar, de dar medicação, aqui era "só" (tão simples... não é assim tão simples...quem dera que fosse) dar-lhes comida! A fome, mata mais devagar que as bombas... faz menos barulho, mas também é uma "arma de guerra."

Na SIC Notícias, o embaixador de Israel em Portugal, além de se mostrar (naturalmente) "contra o reconhecimento do Estado da Palestina pelo Governo português," veio ainda afirmar que as imagens de crianças desnutridas são falsas e que as crianças que são mostradas têm outras "doenças", e que não estão magras devido à falta de alimentos. Se houve momentos em que senti raiva, foi ao assistir a esta entrevista. Se ver as imagens de mães a berrar agarradas aos corpos inertes dos filhos me traz um aperto no peito, ouvir as palavras deste "senhor" deu-me vómitos!

Nas suas palavras (e se não acreditarem vejam aqui, em SIC Notícias), estas imagens são uma “campanha de propaganda do Hamas”. Além de dizer que "estas imagens de meninos magros" são uma "vergonha para a SIC Notícias," acusando a própria estação televisiva de participar na "campanha de propaganda do Hamas", afirma ainda que estas são "crianças que têm doenças. Antes da guerra, centenas eram tratadas em hospitais israelitas. Não são magras por razão de fome ou de guerra. 

À jornalista que o entrevistava só tenho a dar os parabéns pela calma com que ia liderando a entrevista, colocando as questões de forma corretíssima. Eu não o teria conseguido fazer. Felizmente, apesar de todas as limitações e impedimentos para que a fome e as mortes não sejam mostradas, haverá sempre alguém com uma câmara que irá arriscar a vida para nos mostrar o que muitos querem fingir que não existe.

Continuem a mostrar, por favor! É difícil de ver mas sem as imagens muitos nunca irão acreditar.

E outra coisa! Assumir o genocídio de um povo, não apaga o crime cometido aquando do genocídio de outro! Podem sim, todos os judeus, olhar para o povo da Palestina e ver nestes o espelhar daquilo que aconteceu a muitos de vós ou aos vossos familiares! Não é isso que está em causa! É a (falta de) humanidade! 

 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-08-01-video-enviado-especial-dos-eua-visita-ponto-de-distribuicao-alimentar-em-gaza-5f198831

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/hamas-descreve-visita-de-steve-witkoff-a-gaza-como-encenacao_a1673732

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2025-08-01-video-embaixador-de-israel-em-portugal-genocidio-em-gaza-e-propaganda-do-hamas-84a5fdd1

 

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publicado às 18:58

O mundo não está a ver?

por Elsa Filipe, em 02.07.25

Basta ligarmos a televisão. Em todos os blocos noticiosos, em qualquer canal, as imagens de ataques e contra-ataques sucedem-se. Em direto, assistimos à guerra, enquanto os comentadores televisivos tecem as suas achegas e opiniões sobre como, onde e porquê cairão os próximos mísseis.

O povo da Palestina continua a ser massacrado pelos constantes "ataques das forças israelitas na Faixa de Gaza." Só ontem, contaram-se "pelo menos 74" mortos, 30 dos quais estariam junto a um café onde tentavam carregar os telemóveis, num dos poucos negócios que ainda se mantêm abertos naquela região. Este local, tornou-se um dos poucos sítios, "onde as pessoas se juntam para carregar os telemóveis e ter acesso à Internet. À hora do ataque estava cheio de mulheres e crianças." Para além "dos 30 mortos, dezenas de pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade." De um outro ataque, resultaram "15 mortos."

Outras 23 pessoas "morreram quando tentavam obter ajuda alimentar." De acordo com informações do "hospital Al-Aqsa," seis pessoas terão morrido depois do edifício onde se encontravam ter sido "bombardeado perto da cidade de Zawaida, no centro da Faixa de Gaza." Já ao "hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, no sul do país," chegaram "os corpos de pessoas baleadas quando regressavam de um local de distribuição de ajuda da Gaza Humanitarian Foundation (GHF, na sigla em inglês), onde soldados israelitas denunciaram ter ordens superiores para disparar sobre as multidões." Desde o final do mês de maio, terão já sido mortas "pelo menos 410 pessoas nestes centros de distribuição."

Estes serviços de distribuição de comida, são tutelados por Israel e pelos EUA, o que levanta muitas outras questões.

Na Ucrânia, "pelo menos 20 civis foram mortos e centenas ficaram feridos em ataques de drones e mísseis russos." no último dia 25. O presidente Volodymyr Zelenskyy continua a tentar negociar "mais ajuda ocidental para os esforços do seu país para repelir as forças russas." Mas não foi possível impedir um ataque russo com "mísseis balísticos," que atingiu "vários locais civis," nas cidades de "Dnipro" e de "Samar." Para além dos mortos, há a lamentar "cerca de 300 feridos." Um dos mísseis terá feito "explodir as janelas de um comboio de passageiros que transportava cerca de 500 pessoas."

Na madrugada de 28, a Ucrânia sofreu um dos mais mortíferos ataques. A "cidade de Samar, no oblast de Dnipropetrovsk," foi atingida e "cinco pessoas" perderam a vida, registando-se ainda 25 feridos. Na mesma noite, na "cidade portuária de Odessa, no sul do país, um casal foi morto por um drone russo que atingiu um edifício residencial de 21 andares. O ataque provocou um grande incêndio em três andares, ferindo pelo menos 14 outras pessoas, incluindo três crianças."

A Rússia voltou ainda a bombardear Kherson, atingindo "bairros residenciais e infraestruturas críticas," e provocando  quatro mortos "civis e ferindo pelo menos onze outros." Já na região de "Sumy, no nordeste da Ucrânia, um ataque de drones na segunda-feira matou três civis, incluindo um menino de cinco anos," tendo ainda feito seis feridos.

Só durante o último mês, a Rússia terá lançado "um número recorde de 5.438 drones contra a Ucrânia," enquanto que há um ano, "o número total de drones lançados por Moscovo" contra território ucraniano tinha sido "de 332." E aqui entra armamento proveniente de duas grandes potências - a China e o Irão. Desde o início dos ataques, em 2022, "a Rússia tem utilizado drones Shahed, fabricados e importados do Irão. Mais tarde, Moscovo introduziu os UAV Geran, que são cópias exatas dos drones Shahed, mas fabricados na Rússia."

"Mais recentemente, foram também utilizados os Garpiya-A1," que se assemelham "aos drones Shahed, mas utilizam componentes chineses." Nos seus ataques, a Rússia começa por lançar "chamarizes", ou seja drones e mísseis que não estão armados, de forma a sobrecarregar a capacidade de defesa da Ucrânia, "seguido de ataques coordenados com mísseis de cruzeiro e balísticos."

Fontes:
https://www.publico.pt/2025/07/01/mundo/noticia/ataques-israelitas-matam-74-pessoas-gaza-incluindo-30-cafe-junto-mar-2138478

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/25/pelo-menos-20-mortos-em-ataques-na-ucrania-enquanto-zelenskyy-se-encontra-com-os-aliados-o

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/07/01/russia-lancou-um-numero-recorde-de-5337-drones-contra-a-ucrania-so-em-junho

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/28/pelo-menos-10-mortos-em-ataques-noturnos-com-misseis-e-drones-na-ucrania

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publicado às 22:50

Razões que a razão desconhece

por Elsa Filipe, em 19.06.25

Sou só eu que acho que atacar uma central nuclear, pode correr mal, mesmo muito mal?

Ou será que a ideia é destruir a central e, aproveitando, destrruir um ou dois países ali à volta, já que não nos "estamos" a entender com eles? É que, sinceramente, isto está a começar a cheirar muito mal. Segundo afirmou Donald Trump, "ainda não decidiu se vai intervir militarmente," embora exista a possibilidade de "apoio a um ataque israelita às instalações nucleares do Irão." O Irão acusou ainda "a Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas de agir como parceira da guerra de agressão de Israel." Aquilo que parece estar aqui em causa, não é só a guerra entre o estado judaico de Israel e o regime autocrático do Irão, mas abrange outras duas grandes potências - os EUA e a Rússia. E está a ser complicado perceber quem está a apoiar quem, havendo interesses que vão muito além da política externa da qual se vai falando por aí.

O Irão acabou, há poucas horas, por se manifestar contra o apoio dos "Estados Unidos" a Israel, "avisando que tal ação teria como consequência uma resposta severa”. Já numa declaração feita numa visita ao Líbano, a intervenção do "Hezbollah, movimento armado libanês apoiado pelo regime iraniano," é visto pelos EUA como uma "péssima decisão."

A guerra entre o Irão e Israel não é nova - aliás tem décadas - mas as coisas parecem ter piorado de uma semana para a outra assim "do nada". Voltemos a 2010, quando um "vírus informático Stuxnet - amplamente atribuído aos serviços secretos norte-americanos e israelitas - desativou as centrifugadoras iranianas." Já em julho de 2020, um ataque alegadamente de origem israelita terá danificado "gravemente uma central de centrifugação em Natanz e, mais tarde nesse ano, o cientista nuclear de topo Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado perto de Teerão." No ano seguinte, "o Irão voltou a culpar Israel por um apagão em Natanz e, pouco depois," terá começado "a enriquecer urânio a 60%." Em 2022, estas acusações foram aumentando "ainda mais, com o Irão a acusar Israel de envenenar dois dos seus cientistas nucleares sem apresentar provas." As relações entre os dois estados agravaram-se ainda mais quando, depois dos ataques de 7 de novembro, o Irão "manifestou o seu apoio" ao Hamas. 

Os ataques mútuos, apesar de frequentes, não eram diários e andávamos talvez distraídos com outras guerras. Depois de diversos "atos de sabotagem e ataques aéreos," foi lançada no "início de 2024, uma operação israelita" que resultou em danos num "gasoduto iraniano."  A 1 de abril do mesmo ano, "um ataque com mísseis destruiu o consulado do Irão em Damasco, matando dois generais e 14 outras pessoas."

Em retaliação, "o Irão lançou mais de 300 mísseis e drones num ataque direto a Israel, a maioria dos quais" acabou por ser "intercetada." Em outubro seguinte, "Israel conduziu os seus primeiros ataques diretos no interior do Irão, visando as defesas aéreas e locais onde existiam mísseis." A Mossad tem aqui um papel importante, por ter sido responsável por montar "uma base secreta para drones explosivos no interior do Irão semanas antes da operação, que foi posteriormente utilizada para atacar plataformas de mísseis superfície-superfície."

Na passada sexta-feira, Israel anunciou que iria avançar com "uma operação militar de grande envergadura contra alvos nucleares e militares no Irão, sob o nome de Lion Rising," referindo que pretende “eliminar a ameaça iraniana à existência do Estado hebreu”. Durante esta última semana, a Mossad terá investido pelas "profundezas do território iraniano, visando sistemas de mísseis, defesa aérea e infraestruturas nucleares."

Durante esta noite foram lançados vários mísseis de parte a parte. Um hospital israelita, "em Be'er Sheva, no sul," bem como um outro em "Holon e Ramat Gan, no centro do país," acabaram por ser atingidos. O balanço mais recente é de "65 pessoas" feridas, embora de forma "leve". Israel fala em crime de guerra, porque o ataque atingiu alguns edifícios hospitalares - faz-me lembrar alguma coisa, hum... a vocês não? Um outro míssil iraniano terá também conseguido "furar" a Hiron Dome israelita e acabou por atingir "a base de um arranha-céus na rua Jabotinsky em Ramat Gan, perto do centro de Telavive e a cerca de 200 metros da bolsa de diamantes da cidade."

Entretanto, as "Forças de Defesa de Israel" atacaram "dezenas de alvos militares no Irão e foi emitido um aviso instando os civis a evacuar a área em torno do reator de água pesada de Arak." Os EUA já reforçaram as suas bases militares no Médio Oriente, tentando, entre outras coisas, evitar o "encerramento do Estreito de Ormuz."

O que a mim também não me faz sentido - mas que vindo daqueles lados, já começa a parecer normal - é a intenção demonstrada por Vladimir Putin de ser mediador do "fim do conflito entre Israel e o Irão, ao mesmo tempo que Moscovo intensifica a sua guerra contra a Ucrânia." A Rússia, alertou para as consequências de um "eventual" apoio dos "Estados Unidos contra qualquer intervenção militar no conflito entre o Irão e Israel," dizendo que estas pode ser "verdadeiramente imprevisíveis.” O presidente russo chegou mesmo a sugerir "que o Kremlin poderia ajudar a negociar um acordo que permitisse a Teerão prosseguir um programa nuclear pacífico, ao mesmo tempo que atenuaria as preocupações de segurança de Israel." Que interesse está por trás desta mediação e que solução poderia aqui ser encontrada, tendo em conta os interesses dos envolvidos?

E deixo aqui outra questão. Parece que estamos longe e que não é nada que nos possa atingir, mas sabemos que não é bem assim. De que lado se coloca a UE? As opiniões dividem-se, mas há que explicar que a "UE considera que o Irão é a principal influência desestabilizadora no continente europeu, através do seu apoio militar à Rússia."

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/06/19/putin-diz-que-russia-pode-mediar-acordo-entre-israel-e-irao-enquanto-intensifica-ataques-a

https://pt.euronews.com/2025/06/19/hospital-no-sul-de-israel-atingido-por-missil-iraniano-informam-as-autoridades

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/19/ue-dividida-quanto-ao-direito-de-israel-bombardear-o-irao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-no-medio-oriente-a-evolucao-do-conflito-entre-israel-e-irao_e1663271

https://pt.euronews.com/2025/06/13/cronologia-como-ocorreu-a-escalada-do-conflito-entre-israel-e-o-irao

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publicado às 15:20


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