Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


O movimento começou a ser mais conhecido aquando da participação dos portugueses Mariana Mortágua (deputada da Assembleia da República), Sofia Aparício (manequim e atriz), Miguel Duarte e Diogo Chaves, que se juntaram a ativistas de outras quarenta nacionalidades numa viagem com destino a Gaza, onde pretendiam entregar ajuda humanitária e contestar o bloqueio israelita sobre o território palestiniano. Este grupo de barcos que viajou em direção a Gaza, não foi o primeiro a tentá-lo, tendo havido já situações que resultaram em mortes de ativistas.

Desde logo, é de realçar as intenções mediáticas que um transporte por terra não causaria - a intenção também era desde logo marcar uma posição! A ativista sueca Greta Thunberg faz também parte desta missão. A ajuda humanitária, essa não seria assim de grande volume - sendo divergentes as opiniões sobre as quantidades transportadas a bordo - mas fosse o que fosse, seria sempre mais o valor mediático da viagem do que o da própria ajuda em si, mostrando que Israel não permite que se entre na região nem para ajudar quem passa fome. A questão aqui é muito mais complexa. Uma das opiniões é a de que Israel não permitindo que civis ali entrem serve primeiramente como proteção aos próprios, uma vez que aquela é uma zona de guerra. Outras opiniões dizem que este encerramento de fronteiras leva ao agravamento da fome, ao isolamento da população palestiniana e ao seu genocídio. A própria declaração de genocídio não foi ainda aceito por todos os estados da mesma forma.  

Composta por mais de 50 embarcações e cerca de 500 pessoas a bordo, a flotinha partiu de Barcelona, tendo sofrido vários contratempos que obrigaram a paragens forçadas, começando por terem tido todos de regressar à costa espanhola devido a condições meteorológicas adversas. Devido ao mau tempo que se fez sentir no Mediterrâneo, "cinco dos barcos mais pequenos," acabaram mesmo por não seguir viagem, "por causa das condições do mar." Dias depois, algumas das embarcações chegaram mesmo a ser atacadas por drones.

A 28 de setembro saíram de Creta, mesmo sendo avisados da perigosidade de prosseguirem a viagem. A deputada Mariana Mortágua chegou a dizer, na aproximação ao destino que "o sentimento" era o "de missão mais próxima de ser cumprida e de sucesso na parte em que foi possível pressionar os governos para garantir que a missão chegava até aqui." O facto de se aproximarem de Gaza, levantava agora mais riscos, uma vez que começavam a "entrar em águas que Israel declarou exclusivas." Vários navios começavam então a rodear a flotilha. O governo chegou mesmo a aconselhar que regressassem, uma vez que a posição que queriam mostrar estava alcançada. Itália aconselhou o mesmo, acompanhando até àquela posição os barcos, numa forma de os proteger, mas avisando que a partir daquele ponto já estariam por sua conta se decidissem avançar, sugerindo até que poderiam "entregar a ajuda humanitária noutro lugar que não Gaza."

Semelhantes avisos vieram de Espanha.

Apesar dos avisos e de já estarem sob mira de Israel, decidem prosseguir viagem, avisando que só parariam em Gaza e, é na saída da segurança das águas internacionais que "o exército israelita interveio, detendo a maioria dos ativistas, entre eles os quatro portugueses que se sabe que seguiam a bordo."

No momento em que Mariana Mortágua (coordenadora do Bloco de Esquerda) fazia declarações para a RTP, foi-lhe mandado que atirasse o telemóvel à água assim como a todos os que estavam a bordo. Além desta, outras 12 "embarcações da flotilha foram intercetadas pela Marinha do Estado hebraico. Uma delas terá sido mesmo abalroada em águas internacionais, de acordo com a Flotilha Global Sumud." Mortágua havia ainda conseguido gravar um vídeo, que publicou nas redes sociais, em que apelava "para que os portugueses" se mobilizassem e pressionassem "o Governo português a agir."

De acordo com Paulo Rangel (MNE), todos os que foram detidos estão em segurança e irão estar na presença de um representante da embaixada portuguesa em Telaviv. Paulo Rangel referiu também, que já era esperada esta intervenção israelita, uma vez que "a flotilha saiu das águas internacionais," e que tinha existido sempre um acompanhamento da parte do Estado portuguêsm, dando como exemplo Tunes e explicando que, a intervenção militar, seria desproporcional.

No entanto, apesar do apoio que Portugal está a dar através da embaixada, "as diligências poderão atrasar-se por estas detenções terem ocorrido num período de festividades em Israel, durante as quais os serviços estão parados."

Entretanto, em várias cidades europeias, sucedem-se manifestações que pedem a libertação dos ativistas e voltam a exigir o fim do genocídio em Gaza. Qual é a sua opinião? Existe ou não um genocídio? E não existirá também noutros locais dos quais pouco se fala? 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-iniciada-abordagem-israelita-a-flotilha-global-sumud-a0fc6350

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/do-ultimato-a-abordagem-marinha-israelita-intercetou-flotilha-e-deteve-ativistas_v1687764

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugueses-na-flotilha-foram-sempre-acompanhados-pelo-mne-afirma-paulo-rangel_e1687697

https://pt.euronews.com/2025/10/02/flotilha-humanitaria-portugal-junta-se-aos-protestos-mundiais-apos-detencao-de-ativista

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-video-flotilha-com-ajuda-humanitaria-devera-chegar-esta-quinta-feira-a-gaza-2c99194f

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2025-09-28-portugueses-na-flotilha-insistem-em-levar-missao-ate-ao-fim-2824d250

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:18

Morrer de fome ou morrer à espera de comida?

por Elsa Filipe, em 02.08.25

Parece uma pergunta estúpida, não parece?

Mas todos os dias, milhares de pessoas têm de tomar essa decisão. Todos os dias, os habitantes de Gaza, precisam de arriscar a vida em troca de um líquido que parece uma sopa, deitada em panelas e caixas imundas, ou receber um saco de farinha. Alguém por aqui se vê a sobreviver só com farinha?

Nessa deslocação até um local onde lhes será dada alguma comida, têm de se sujeitar a filas gigantescas sob um sol castigador, sem água, sem sombras e... com o risco iminente de serem fuzilados ali mesmo. Quando chegam junto do posto onde a comida está a ser distribuída, a fome já tirou o discernimento a muitos e, é cada um por si, mesmo que isso implique empurrar uma criança ou pisar alguém que caiu. Não é uma crítica, é a pura realidade. A animalidade a sobrepôr-se à humanidade, a sobrevivência que passa a implicar matar ou morrer.

Enquanto vários países lançam, sob o território de Gaza, embrulhos com comida, um dos pontos de distribuição de comida é visitado por um "enviado especial de Donald Trump" e pelo "embaixador dos Estados Unidos em Israel." Estes pontos de distribuição são geridos por uma fundação "patrocinada por Israel e Washington",e que tem vindo a ser bastante criticada pela forma como o tem feito. Ironicamente, "Netanyahu insiste, no entanto, que não há fome em Gaza."  Num comunicado, o próprio Hamas já veio criticar esta "visita do enviado dos Estados Unidos a Gaza," a que chamou de "encenação."

De Espanha foram enviadas 12 toneladas de alimentos que já foram lançados sobre o território, esta sexta-feira, enqunato de França já chegaram "40 toneladas." Poderia ser suficiente, se chegassem à população, mas nem todos atingem locais acessíveis. Da parte dos Emirados Árabes Unidos foram já batidos "recordes em lançamentos pelo ar." Estes lançamentos são perigosos e podem mesmo matar, mas face ao drama que se vive na região, este acaba por ser um recurso de última linha para mitigar a fome de quem consiga alcançar uma destas "caixas". Quando os camiões entram em Gaza, não é de estranhar então que as pessoas os ataquem! Têm fome! Têm os filhos a definhar em casa, sem forças já para chorar! É a sobrevivência, matar ou morrer!

A fome é tanta - e felizmente os nossos meios de comunicação social têm mostrado isso mesmo - que até as equipas de saúde que tentam ajudar, estão a passar fome! Morrem-lhes nas mãos, bebés e crianças a quem as mães e os pais já não têm como alimentar. Fala-se de vacinar, de dar medicação, aqui era "só" (tão simples... não é assim tão simples...quem dera que fosse) dar-lhes comida! A fome, mata mais devagar que as bombas... faz menos barulho, mas também é uma "arma de guerra."

Na SIC Notícias, o embaixador de Israel em Portugal, além de se mostrar (naturalmente) "contra o reconhecimento do Estado da Palestina pelo Governo português," veio ainda afirmar que as imagens de crianças desnutridas são falsas e que as crianças que são mostradas têm outras "doenças", e que não estão magras devido à falta de alimentos. Se houve momentos em que senti raiva, foi ao assistir a esta entrevista. Se ver as imagens de mães a berrar agarradas aos corpos inertes dos filhos me traz um aperto no peito, ouvir as palavras deste "senhor" deu-me vómitos!

Nas suas palavras (e se não acreditarem vejam aqui, em SIC Notícias), estas imagens são uma “campanha de propaganda do Hamas”. Além de dizer que "estas imagens de meninos magros" são uma "vergonha para a SIC Notícias," acusando a própria estação televisiva de participar na "campanha de propaganda do Hamas", afirma ainda que estas são "crianças que têm doenças. Antes da guerra, centenas eram tratadas em hospitais israelitas. Não são magras por razão de fome ou de guerra. 

À jornalista que o entrevistava só tenho a dar os parabéns pela calma com que ia liderando a entrevista, colocando as questões de forma corretíssima. Eu não o teria conseguido fazer. Felizmente, apesar de todas as limitações e impedimentos para que a fome e as mortes não sejam mostradas, haverá sempre alguém com uma câmara que irá arriscar a vida para nos mostrar o que muitos querem fingir que não existe.

Continuem a mostrar, por favor! É difícil de ver mas sem as imagens muitos nunca irão acreditar.

E outra coisa! Assumir o genocídio de um povo, não apaga o crime cometido aquando do genocídio de outro! Podem sim, todos os judeus, olhar para o povo da Palestina e ver nestes o espelhar daquilo que aconteceu a muitos de vós ou aos vossos familiares! Não é isso que está em causa! É a (falta de) humanidade! 

 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-08-01-video-enviado-especial-dos-eua-visita-ponto-de-distribuicao-alimentar-em-gaza-5f198831

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/hamas-descreve-visita-de-steve-witkoff-a-gaza-como-encenacao_a1673732

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2025-08-01-video-embaixador-de-israel-em-portugal-genocidio-em-gaza-e-propaganda-do-hamas-84a5fdd1

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:58

Se isto não é genocídio...

por Elsa Filipe, em 15.05.25

... então não sei o que é!

Numa atitude vergonhosa, Israel continua a intensificar os ataques na Faixa de Gaza. Há dois dias, "um ataque aéreo em Jabalia, no norte de Gaza, fez pelo menos 10 mortos, incluindo mulheres e crianças."

Os confrontos israelo-palestinianos continuaram com o Exército israelita a lançar bombardeamentos sobre "dois hospitais em Khan Younis." Novamente, a justificação de que estes hospitais teriam no seu interior “um centro de comando e controlo” do Hamas. A verdade é que estes ataques provocaram a morte a pelo menos 28 pessoas no Hospital Europeu, em Khan-Younis, e vários outros no Hospital Nasser, em Gaza. Um dos ataques "aconteceu horas depois do Hamas ter libertado um refém israelo-americano." O número de mortos tem vindo a aumentar, havendo a notícia de um novo ataque feito durante a última madrugada e que vitimou "79 pessoas. Só em Khan Younis, que voltou a ser atingida, registaram-se 53 mortos, mas o número ainda é provisório." Muitas destas vítimas ainda estariam debaixo dos escombros, por isso o número pode ser superior.

"Um repórter de imagem da agência norte-americana Associated Press, que está na cidade palestiniana, contou dez ataques aéreos contra Khan Younis, durante a última noite, e viu vários corpos serem levados para a morgue do Hospital Nasser." As imagens não nos mostram tudo e, na sua maioria, já são bastante alusivas e impressionantes. Nestes conflitos, os reporters de imagem e os jornalistas têm um papel fundamental e colocam a sua vida em risco para mostrarem ao mundo a realidade. Então, que pelo menos não finjamos que não sabemos de nada!

Estes bombardeamentos têm vindo a acontecer, no mesmo "momento em que Donald Trump visita o Médio Oriente, indo a Estados do Golfo, mas não a Israel." Numa visita ao Catar, o presidente norte-americano voltou a falar em tornar a Faixa de Gaza numa "zona livre" o que não tem sido uma ideia bem aceite por todos os envolvidos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:00

Condenar os ataques israelitas

por Elsa Filipe, em 11.05.24

Começaram por ordenar a saída dos refugiados dos "campos de Rafah e Shabura," bem como dos "bairros de Adari e Jeneina, cuja população" foi aconselhada a ir para a “zona humanitária” de Al Mawasi.

Além disso, "no norte do enclave palestiniano, Israel ordenou a saída de residentes entre Jabalia e Beit Lahia, que designou como zona de combate perigosa e pediu que se deslocassem para oeste da Cidade de Gaza." A justificação dada é estarem “a trabalhar em força contra as organizações terroristas na região" o que faz com que as famílias fiquem "expostas ao perigo."

As forças israelitas lançaram esta segunda-feira a sua “operação limitada” em Rafah, dando ordem de retirada a "cerca de 100 mil pessoas na periferia leste da cidade." No mesmo dia, "peritos da ONU para os direitos humanos" ficaram horrorizados perante "a descoberta de valas comuns com cadáveres de pessoas que tinham sinais de tortura, execução e de terem sido enterradas vivas pelos militares israelitas." De acordo com as notícias, "mais de 390 corpos foram descobertos nos hospitais Al Nasser e Al Shifa, incluindo de mulheres e crianças, muitos dos quais parecem ter sinais de tortura."

Na terça-feira, "assumiu o controlo da parte palestiniana da passagem de Rafah, que liga ao Egito." O exército colocou "tanques em Rafah," assumindo "o controlo da passagem fronteiriça com o Egito" e encerrando "os dois principais pontos de acesso da ajuda humanitária (Rafah e Kerem Shalom), uma medida considerada inaceitável pelos Estados Unidos."

Desde então, o exército tem realizado “ataques seletivos” com o objetivo de "capturar combatentes do Hamas no leste da cidade." Isto depois dos EUA terem suspendido "a entrega de um carregamento de bombas," em oposição à realização desta grande ofensiva que estava a ser "planeada pelas tropas israelitas em Rafah."

Como resultado destes ataques, esta quarta-feira, pelo menos "sete pessoas morreram," todos da mesma família, e "várias ficaram feridas num ataque áereo israelita em Gaza."

Ontem, foi apresentado pelos Emirados Árabes Unidos "em representação do Grupo de Países Árabes, e copatrocinado por cerca de 40 países," um "projeto de resolução" que "obteve 143 votos a favor - incluindo de Portugal -, nove contra e 25 abstenções dos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU)." Os países que votaram contra foram, por exemplo, "Israel, Estados Unidos ou Hungria" e abstiveram-se países como a "Ucrânia, Itália, Reino Unido, Alemanha ou Canadá." Com esta resolução, a Palestina ganha o direito ao "assento entre os estados-membros por ordem alfabética, a apresentação de propostas individualmente ou em nome de um grupo perante a Assembleia-Geral, a solicitação do direito de resposta, fazer declarações ou solicitar modificações na agenda, entre outros."

Hoje, um bombardeamento aéreo terá morto "15 pessoas" em Rafah, "de acordo com fontes oficiais do Hospital Kuwait, que opera na região". Em contrapartida, hoje foi anunciada a instalação de um "novo hospital de campanha em Dir al-Balah, na região de Gaza," pelas Forças de Defesa Israelitas.

Em vários países, têm-se feito manifestações de apoio à Palestina e que condenam as ações militares das forças israelitas. Hoje, "milhares de pessoas" juntaram-se numa manifestação, em Lisboa, "numa marcha iniciada junto à Fundação José Saramago e que terminou no Martim Moniz." Esta ação foi "convocada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente, entre outras associações." Na mesma, marcaram presença o "secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, o líder parlamentar do BE, Fabian Figueiredo, e a líder do PAN, Inês Sousa Real." Estes líderes acusam Israel de um crime de genocídio.

 

Fontes:

https://visao.pt/atualidade/mundo/2024-05-11-israel-ordena-evacuacao-de-areas-a-leste-de-rafah-e-norte-da-faixa-de-gaza/

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-05-08-eua-suspendem-entrega-de-bombas-a-israel-por-causa-do-iminente-ataque-a-rafah-b4e45bac

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-05-08-sete-mortos-e-varios-feridos-em-ataque-israelita-em-gaza-44e9b3f7

https://sicnoticias.pt/pais/2024-05-11-video-milhares-saem-a-rua-em-lisboa-em-defesa-da-palestina-935a48c8

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-05-10-assembleia-geral-da-onu-apoia-adesao-plena-da-palestina-e-da-lhe-novos-direitos-949343f4

https://observador.pt/2024/05/06/peritos-da-onu-horrorizados-com-valas-com-cadaveres-de-pessoas-sepultadas-vivas/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:00

Fim de semana sangrento

por Elsa Filipe, em 21.04.24

O sangue não pára de correr... Gaza tem sido constantemente atacada. Nem as crianças são poupadas.

As balas não têm destinatário. Todos podem ser atingidos. Homens, mulheres, crianças e bebés.

Durante a noite a Faixa de Gaza foi novamente atacada em força. Num primeiro ataque, "um homem, a mulher e o filho de 3 anos," foram mortos, tendo os corpos sido recebidos pelo Hospital do Kuwait, que apesar da morte da mãe, conseguiu salvar o bebé que ela transportava no ventre. Este bebé nasceu com vida, mas já nasceu sem mãe, pai ou irmão.

Um segundo ataque contra a região "matou 13 crianças" além de duas mulheres, todos membros da mesma família.

Mas infelizmente, basta vermos as notícias dos dias anteriores para percebermos que estes não foram atos isolados. "Na noite anterior, um ataque aéreo em Rafah matou nove pessoas, incluindo seis crianças." Sete meses depois do início do conflito, Israel continua a culpar "o Hamas pelas mortes de civis," uma vez que os militantes deste grupo "combatem em bairros residenciais densos." Mesmo que lá estejam membros do Hamas, não sabem que estão lá crianças?

Ontem, nas notícias outras situações eram relatadas, como a de um raide aéreo israelita que atingiu uma casa onde dormia uma família. O resultado foram nove mortos, dos quais seis eram, apenas, crianças. Um "casal, os três filhos, a cunhada, a sobrinha e mais duas crianças" foram todos mortos.

Segundo as autoridades em Gaza, já "foi ultrapassada a fasquia dos 34 mil mortos desde o inicio da ofensiva de Israel contra o território palestiniano."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-04-21-video-ataques-israelitas-em-rafah-fazem-varios-mortos-61e60909

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-04-20-video-mortos-em-gaza-ja-ultrapassam-os-34-mil-revelam-autoridades-locais-1fb2747e

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:18

1994, o ano da morte no Ruanda

por Elsa Filipe, em 07.04.24

Passaram-se 30 anos, mas ninguém pode esquecer o massacre que aconteceu no dia 7 de abril de 1994 no Ruanda. Lembro-me vagamente de ouvir algumas coisas sobre isto, mas na altura eu tinha apenas 10 anos e, claro, os blocos noticiosos muito mais fechados naquela época, não nos traziam as notícias como no-las trazem hoje.

Há 30 anos, o Ruanda estava em plena guerra civil. "O Ruanda e o Burundi são dois pequenos países africanos que viviam em permanente tensão desde a sua independência, na década de 50. Essa tensão decorria precisamente do conflito entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi." 

"No Ruanda, as raízes desta hostilidade remontam ao período colonial." Esta região foi colonizada primeiro pela Alemanha mas, posteriormente, passou para a administração da Bélgica, que "favoreceu a rivalidade entre os dois grupos e promoveu a supremacia da minoria Tutsi." Já os Hutus, mesmo sendo 85% da população, não tinham acesso à mesma educação, nem às mesmas oportunidades que eram dadas aos Tutsis. A raiva contra os Tutsis cresceu e deu origem à segregação em vastos campos de refugiados que se perdiam de vista. O gatilho, já bastante tenso, foi puxado quando o avião onde seguia o presidente Hutu foi abatido e os rebeldes Tutsis considerados culpados pela sua morte.

O genocídio não se fez esperar. Milhares de pessoas foram mortas de forma bárbara. O exército Hutu fechava as estradas e entrava nas casas dizimando todos os que lá estivessem. Os homens da casa eram mortos e depois as mulheres e as adolescentes violadas e assassinadas em seguida. As casas eram saqueadas. Avançavam casa após casa, até não restar ninguém.

Estamos a falar em cerca de dez mil pessoas por dia. Ainda hoje, trinta anos depois, se continuam a descobrir as valas comuns onde jazem cadáveres destas vítimas. "Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas durante este período de pouco mais de três meses, enquanto a guerra civil que se seguiu terá causado cerca de 2 milhões de refugiados."

A indignação na altura, não foi  apenas causada pelo horror das imagens dos massacres, mas sobretudo "pela passividade e indiferença das potências mundiais." O contingente militar que a "ONU colocou" no país, revelou-se impotente para travar os ataques! Não conseguiram "proteger as populações. Houve alertas e denúncias de que estava em marcha uma catástrofe humanitária no país, mas nada foi feito."

Durante aqueles dias, a população foi completamente dizimada e "nem os locais de culto serviam como sítios seguros." Há relatos de que "numa igreja na província de Gikondo, controlada pela ordem religiosa polaca dos palotinos, e onde estavam escondidas várias pessoas, cerca de 100 homens pertencentes às milícias ligadas aos hutus entraram no local e levaram a cabo um autêntico massacre."

Quinze dias depois dos ataques começarem, as Nações Unidas retiraram as suas tropas da região. "A França, tradicional aliada dos Hutus, foi posteriormente acusada de ter tido conhecimento dos planos genocidas das elites Hutus e de não ter tomado nenhuma ação. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram igualmente a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais."

O massacre, esse só terminou cem dias depois, quando os rebeldes da Frente Patriótica do Ruanda conquistaram a capital. O seu comandante ainda é hoje, o presidente da República do Ruanda. 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/

CNN Portugal 07/04/2024: reportagem sobre os 30 anos do genocídio do Ruanda, transmitido no Jornal CNN Domingo;

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:56

Desde dia 7 de outubro que várias famílias aguardam por notícias dos seus familiares, raptados depois do ataque do Hamas a Israel e que terá feito "cerca de 1200 mortos e cerca de centena e meia de reféns, segundo as autoridades de Israel." Como resposta, Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ordenou "uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza que matou mais de 31300 pessoas até quinta-feira, segundo as autoridades do enclave governado pelo Hamas."

Esta quinta-feira, em mais uma manifestação, uma das principais autoestradas israelitas, foi bloqueada por manifestantes que representam as famílias de cerca de 40 reféns ainda nas mãos do Hamas. Hoje, os manifestantes tentaram novamente bloquear a autoestrada como forma de protesto contra as decisões que têm vindo a ser tomadas pelo primeiro-ministro e exigem eleições antecipadas em Israel, tendo sido usados canhões de água para dispersar a multidão. Este tipo de manifestação já não é nova e mostra como uma grande parte da população está contra as políticas implementadas e a contestação tem estado a crescer.

Apesar das tentativas de parar a ofensiva israelita em Gaza, a verdade é que a paz ainda parece estar longe de acontecer. A solução de um cessar fogo tem sido por várias vezes negociada mas não havendo razoabilidade de ambos os lados, isto tem sido impossível. Ora de um lado, ora do outro, o entendimento tem sido impossível, mesmo com outras nações a tentar mediar as conversações. Enquanto esta quinta-feira, o "Hamas propôs um novo plano para uma trégua em Gaza," através de mediadores do Qatar, Netanyahu, primeiro-ministro de Israel veio informar que "as exigências" são "inaceitáveis" e confirmou que iria lançar uma nova operação militar em Rafah. 

Hoje, antes de partir para a Jordânia onde se irá reunir com o rei Abdullah II, o "chanceler alemão, Olaf Scholz," alertou para a possibilidade "de uma ofensiva militar terrestre do exército israelita em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza." Lembremo-nos que foi para esta zona que milhares de palestinianos se viram obrigados a fugir e que, um ataque direcionado para essa região irá provocar "uma grande tragédia humana."

Têm sido tentadas diversas formas de se entregar comida e água à população de Gaza, mas muitas vezes essas tentativas têm vindo a ser frustradas. Os ataques, além de matarem e ferirem diretamente os palestinianos, acabam também por deixá-los completamente sem meios de subsistência. Sem a cedência de Israel, que tem sido acusado de usar a "fome" como arma de guerra, todo o apoio que se queira fazer chegar, tem sido impedido de alcançar o seu destino. Ontem, o apoio entrou por mar através de um corredor marítimo que ligou o Chipre a Gaza. O navio espanhol "Open Arms" em conjunto com uma organização não governamental norte-amricana, com um carregamento de cerca de "115 toneladas de alimentos e água" e de "130 paletes de equipamento humanitário," foi o responsável pelo transporte que depois seguiu depois numa coluna de cerca de 30 camiões e que se espera agora chegue ao seu destino sem problemas de maior. O processo, envolveu o exército israelita, que antes de permitir o descarregamento, inspecionou o navio e acompanhou o descarregamento dos bens essenciais no porto. A dificuldade que envolve a deslocação e toda a burocracia envolvida, bem como o risco associado, torna esta forma de ajuda bastante demorada.

As entregas feitas através das vias marítimas e aéreas, não podem substituir as vias terrestres, mas estas têm sido impossibilitadas enquanto os bombardeamentos não cessarem.

Fontes:

https://observador.pt/2024/03/14/o-hamas-apresentou-acordo-de-treguas-netanyahu-diz-que-as-exigencias-sao-inaceitaveis/

https://observador.pt/2024/03/16/scholz-contra-ofensiva-israelita-em-rafah-para-evitar-grande-tragedia-humana/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2522373/exercito-israelita-confirma-chegada-a-gaza-da-ajuda-humanitaria-em-navio

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:00

Continuam a decorrer graves ataques contra as populações civis na zona norte da faixa de Gaza. Ninguém parece ser poupado! Nem crianças, nem jornalistas e repórteres, nem sequer membros da ONU...

Um ataque aéreo feito pelos israelitas provocou a morte a 76 pessoas que se abrigavam numa habitação e, entre os quais estavam várias crianças e ainda um funcionário da ONU. "Ao todo, já morreram 136 trabalhadores humanitários da ONU em Gaza."

Alguém acha demais que eu diga que esta guerra é um genocídio? Quem são as verdadeiras vítimas? Tanto de um lado como do outro: as crianças! Que estado pode defender a morte de seres inocentes? Que crenças podem ter estes energúmenes para acharem bem a morte de tantas crianças, de um lado e do outro do conflito? De ambos os lados se "ostentam" vítimas para acusar o outro lado e legitimar ataques! 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-12-23-Havia-mais-de-30-criancas-em-casa-ataque-israelita-em-Gaza-mata-familia-numerosa-d1df025c

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:22

Um fim de semana muito complicado na Faixa de Gaza, com mais um apagão e vários bombardeamentos que atingiram zonas vitais e mataram dezenas de pessoas. Os relatos, são cada vez mais difíceis de ouvir. E a ajuda humanitária não consegue chegar às populações. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, atualizou para perto de 10 mil o número de pessoas mortas desde o início da guerra com Israel. 200 pessoas morreram esta madrugada na sequência de centenas de ataques aéreos isrealitas na Faixa de Gaza.

A Força Aérea da Jordânia, encontrou forma de coordenar com Israel e enviou ajuda humanitária através de caixas lançadas de um avião, com paraquedas, para apoiar um hospital de campanha instalado na Faixa de Gaza. O rei Abdullah II da Jordânia anunciou ontem à noite o lançamento aéreo de ajuda médica de emergência para Gaza, reafirmando o seu apoio ao povo palestiniano.

Enquanto isso, o ministro de extrema-direita israelita, Amichay Eliyahu, afirmou ser "uma opção" utilizar uma bomba nuclear na Faixa de Gaza na guerra contra o grupo Hamas, numa entrevista de rádio onde afirmou que não estava totalmente satisfeito com o alcance das retaliações israelitas no território palestiniano após o brutal ataque do hamas a 7 de outubro. Revelou ainda que estaria disposto a colocar em perigo a vida dos mais de 240 reféns mantidos pelo Hamas no território, questionando "porque é que as vidas dos reféns (...) são mais importantes do que as dos nossos soldados?" Aquilo que ele não refereiu é que não seria apenas a vida dos reféns e da população palestiniana que estaria a pôr em causa se tal fosse aprovado, mas a vida de muitos milhares de pessoas do seu próprio país e de países vizinhos, o que não faz qualquer sentido.

Fontes:

https://www.tsf.pt/mundo/jordania-lancou-ajuda-medica-de-emergencia-para-gaza-por-via-aerea-17290010.html

https://www.tsf.pt/mundo/ministro-israelita-suspenso-por-defender-que-ataque-nuclear-contra-a-faixa-de-gaza-seria-uma-opcao-17285966.html

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:30

Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, que tem vindo a matar milhares de palestinianos, tem-se assistido ao aumento de atos antissemitas em vários países europeus, com maior enfoque em França onde já foram detidas, segundo o governo francês, mas de 500 pessoas. O conflito está a ter repercussões por todo o mundo, assistindo-se na Europa a várias manifestações de apoio à Palestina.

Só na área metropolitana de Paris, a polícia contabilizou 257 atos antissemitas e fez 90 detenções. Na semana passada, ocorreram vários alertas de bomba nos aeroportos de França, o que tem vindo a contribuir para um clima de medo de qua algo maior venha a acontecer no país.

Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, foram alguns dos países que implementaram medidas acrescidas de segurança em torno de sinagogas, de escolas e de outras instituições judaicas. Uma das medidas foi a proibição de manifestações pró-palestina. Em várias manifestações ocorridas nos dias seguintes aos ataques de 7 de outubro, podiam ver-se pessoas a festejar as mortes ocorridas em Israel. 

As paredes de várias escolas de Estrasburgo foram vandalizadas com grafitis anti-semitas: "várias suásticas e uma estrela judaica" foram encontradas na parede de uma escola primária no bairro Esplanade, disse uma fonte policial. Outra suástica foi também encontrada numa escola secundária na mesma zona.

Em Portugal, as paredes da sinagoga da comunidade israelita do Porto, a maior da Europa, foram vandalizadas com mensagens anti-israelitas e pró-palestinianas. Por cá, as manifestações têm ocorrido sem grandes problemas, organizadas por associações e grupos de apoiantes que defendem o fim do conflito e acusam Israel de genocídio. Ficam marcadas desde logo as palavras do nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que não foram muito bem aceites quando disse no Bazar Diplomático, ao representante da Palestina, a frase: “desta vez foi alguém do vosso lado que começou e não devia”. As suas palavras não agradaram e, mesmo que não tenha sido a sua intenção, levantou aqui uma horda de gente contra si.  “O radicalismo gera mais radicalismo e desta vez o radicalismo começou por parte de alguns palestinianos”, continuou o chefe de Estado Português, talvez confundindo o Hamas com a totalidade dos palestinianos. 

Fontes:

https://www.tsf.pt/mundo/cerca-de-500-detencoes-em-franca-por-antissemitismo-desde-7-de-outubro-17288290.html

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/atos-anti-semitas-aumentam-na-europa-medidas-de-seguranca-reforcadas-na-comunidade-judaica_n1521247

https://www.contacto.lu/mundo/escolas-de-estrasburgo-vandalizadas-com-grafitis-anti-semitas/4620432.html

https://www.contacto.lu/sociedade/novos-alertas-de-bomba-em-franca-em-18-aeroportos-10-evacuados/4461418.html

https://expresso.pt/politica/2023-11-04-Nao-percebo-o-alarido--Marcelo-regressa-as-palavras-dirigidas-ao-representante-da-Palestina-e-BE-desafia-PR-a-defender-cessar-fogo-d955c050

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:32


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D