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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.
Mas não foi só isso.
O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".
E o que é que está mal aqui?
O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI.
O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."
O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."
O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."
Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos.
E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?
Fontes:
https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref
Um homem armado entrou num edifício de Manhattan, "com uma espingarda de assalto" e "matou quatro pessoas", entre as quais um agente da Polícia de Nova Iorque. O edifício terá sido escolhido por albergar, entre muitos outros, os escritórios da Liga Nacional de Futebol Americano.
Depois de ter viajado desde Las Vegas, o atirador - identificado como Shane Tamura de 27 anos - entrou no átrio do edifício situado numa "zona movimentada do centro da cidade, a poucos quarteirões do Central Park" onde "disparou sobre uma mulher e dois homens." O atirador terá depois subido de elevador até ao 33º piso, onde atingiu mortalmente "uma outra mulher antes de se matar." Houve ainda uma quinta pessoa atingida que luta pela vida no hospital.
O atirador foi jogador de futebol americano e sofreria de uma condição cerebral comum em praticantes de desportos de contato, um problema denominado "encefalopatia traumática crónica (ETC), uma doença degenerativa do cérebro." Tanura teria em "sua posse uma nota onde culpabilizava a NFL pelas suas lesões cerebrais." A ETC é uma condição "que só pode ser diagnosticada por autópsia," mas que pode levar a uma série de comportamentos em que se incluem a "agressividade, impulsividade, depressão, ansiedade, paranoia" e também "tendências suicidas, além de sintomas cognitivos progressivos, como perda de memória." Esta doença pode ser "provocada por múltiplos traumatismos repetitivos na cabeça e é frequentemente associada a jogadores de futebol americano, devido à exposição prolongada a impactos cerebrais."
A facilidade de circular com armas de fogo nos EUA foi, neste caso, facilitador do ataque. Quase que é com naturalidade que se vê Tanura a passar na rua, carregando uma arma de fogo de grandes dimensões. Só não fez mais mortos porque não quis e, possivelmente, aqueles que fez foi na tentativa desesperada de chamar a atenção sobre o seu problema.
https://www.swissinfo.ch/por/atirador-que-matou-4-em-nova-york-tinha-nfl-como-alvo/89754446
Serem dois jovens, dois jogadores promissores já me traz uma sensação de injustiça, mas pensar que Diogo e André são irmãos, ainda me dá um aperto maior.
Diogo Silva, mais conhecido por Diogo Jota, tinha 28 anos, era atualmente jogador do Liverpool e tinha casado no mês de junho com a sua companheira de vida, Rute Cardoso, com quem tinha três filhos. Ao seu lado no carro seguia o irmão, André Silva de apenas 25 anos e que jogava no Penafiel. Além de ter jogado no Paços de Ferreira e no FC do Porto, Diogo Jota "integrava também a selação nacional, tendo sido recentemente bicampeão da Liga das Nações da UEFA, após Portugal vencer Espanha a 9 de junho."
O acidente que os vitimou "ocorreu na província espanhola de Zamora, depois do Lamborguini onde viajam se ter despistado e incendiado." Não está ainda provada a causa do acidente, mas, "de acordo com a Guardia Civil de Espanha, um furo no pneu da viatura esteve na origem do" grave acidente.
Os dois seguiam para "Santander", onde iriam "apanhar um ferry para Inglaterra, onde Jota deveria regressar à sua equipa para um treino de pré-temporada." Diogo tinha sido desaconselhado a viajar de avião devido a uma pequena intervenção que tinha feito aos pulmões e que poderia causar problemas devido à altitude e às diferenças de pressão e, era por esse motivo que iam por estrada. Em causa, pode estar o estado do carro alugado, aliado ao mau estado daquela autoestrada e, à possibilidade, de viajarem em velocidade excessiva para as condições da estrada em causa. O embate levou a que a viatura se tivesse incendiado.
Os adeptos do Liverpool vieram já pedir que a camisola nº 20, usada por Diogo, fosse retirada e que o número ficasse eternizado para o internacional português, muito acarinhado pelos simpatizantes e adeptos do clube inglês. Seria a primeira vez que isso aconteceria, uma vez que o clube, considerado como um "gigante da Premier League inglesa," nunca antes retirou "nenhum número da camisola nos seus 133 anos de história." Além de colocarem à disposição dos adeptos um livro de condolências físico e outro digital, o Liverpool veio ainda prestar as suas condolências à família dos dois jovens, pedindo respeito pela sua dor. "Entretanto, os adeptos do Liverpool" começaram a "reunir-se no exterior do estádio de Anfield e têm depositado flores, cachecóis e camisolas em memória de Jota." Também o FCP, prestou homenagem ao seu antigo jogador, colocando "as bandeiras a meia haste no Estádio do Dragão." Apesar do irmão, "que morreu no mesmo acidente, também" ter jogado "nas camadas jovens do FC Porto," a imagem que se vê no ecrã gigante do estádio, é apenas a do "internacional português com a camisola portista, que vestiu na época de 2016/17."
Num clube diferente e com muito menos mediatismo, André tinha acabado o curso de Gestão. "Antes de jogar no Penafiel, André representou Gondomar, Boavista e Famalicão (sub-23). O percurso de formação foi feito no FC Porto, Paços de Ferreira, Padroense e Gondomar."
Tem sido difícil de ver as muitas imagens dos dois jovens que têm sido, até excessivamente, divulgadas pelos media portugueses. Especialmente, em ouvir constantemente a frase "Diogo e o irmão" como se este não tivesse a mesma importância (para a família teriam os dois, com certeza, a mesma importância e trazem a mesma dor), mas os comentadores não pensam e acabam por ser, de certa forma, injustos para não dizer desrespeitosos para com a dor destes pais e da restante família. Claro que, pela dimensão dos clubes onde jogavam, conheceríamos melhor Diogo, mas tem de haver algum cuidado nas publicações.
Fontes:
https://www.abola.pt/futebol/noticias/quem-era-andre-silva-o-irmao-de-diogo-jota-2025070310435956288
Esta semana, tem sido marcada por debates em volta do caso do beijo que o selecionador espanhol deu a uma das jogadoras da seleção, depois da vitória destas no Mundial que se realizou na Austrália e na Nova Zelândia.
Hoje, sábado, no mesmo dia em que se assinala o Dia Internacional da Igualdade Feminina, é também suspenso o selecionador Rubiales, depois de toda a questão que ensombrou a vitória das jogadoras da seleção espanhola de futebol feminino.
Esta efeméride é comemorada neste dia em alusão à ratificação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão a 26 de agosto de 1789, em França. Na mesma data, mas em 1971, celebrou-se pela primeira vez a Igualdade Feminina, nos EUA, mas apenas dois anos depois, a dia 26 de agosto de 1973, o Congresso dos Estados Unidos da América definiu a data como sendo a da Igualdade Feminina, em homenagem à aprovação da XIX emenda à Constituição dos EUA que concedeu o poder de voto às mulheres, em 1920.
Voltando ao debate em volta da seleção espanhola, logo no dia 22, Miguel Ángel Galán, diretor da escola de treinadores de futebol de Espanha (CENAFE), oficializou uma queixa junto do Conselho Superior do Desporto contra Luis Rubiales, presidente da federação espanhola, na sequência do beijo na boca dado à jogadora Jenni Hermoso após a final do Mundial feminino. A princípio, as declarações de Jenni Hermoso, deixavam dúvidas acerca do seu consentimento, mas, posteriormente e apoiada pelas colegas, Jenni perdeu o receio e falou toda a verdade, salientando que o comportamento não foi consentido e que ela própria foi ameaçada e incitada a apoiar o discurso de Rubiales.
A FIFA abriu esta quinta-feira um inquérito disciplinar ao presidente da RFEF, considerando que os factos "podem constituir uma violação das alíneas 1 e 2 do artigo 13 do código disciplinar" do organismo, aludindo ao facto de a conduta poder "prejudicar a dignidade ou integridade" de uma pessoa, em razão do seu sexo.
Luis Rubiales, reiterou esta sexta-feira a que não se vai demitir do cargo, depois de ter sido noticiado por vários meios de comunicação social espanhóis que iria apresentar a demissão, reiterando perante a Assembleia Geral da RFEF, que o beijo "foi espontâneo, mútuo e consentido". Apesar de o dirigente se recusar demitir, o Conselho Superior do Desporto vai levar de imediato as queixas ao Tribunal Administrativo do Desporto, para que este suspensa Rubiales das suas funções enquanto que a Procuradoria de Madrid vai abrir um processo e enviá-lo para o Tribunal Nacional.
Luis Rubiales, não se demitiu e, perante isso, começaram-se a fazer ouvir outras jogadoras e apoiantes. O gesto de Rubiales teve enorme repercussão e nas redes sociais surgiram outras imagens de críticas ao dirigente, que, um pouco antes, ainda na tribuna do estádio de Sydney, se agarrou aos genitais a celebrar o triunfo, a poucos metros da rainha Letizia e da filha.
Cerca de 80 futebolistas (e algumas ex-futebolistas), entre as quais estão também todas as jogadoras que estiveram neste Mundial feminino, assinaram um comunicado, através do sindicato das futebolistas espanholas (FutPro), em que anunciam que “não voltarão a uma convocatória da seleção se continuarem os atuais dirigentes”.
A declaração é assinada à cabeça por Jennifer Hermoso, a jogadora que Luis Rubiales beijou na entrega das medalhas após a final do Mundial. A futebolista, afirma: “Senti-me vulnerável e vítima de agressão”, que descreve o ato do dirigente como “impulsivo, machista, fora do lugar e sem qualquer consentimento” da sua parte. Graves são também as acusações por parte de Hermoso de que a RFEF a terá pressionado para fazer um falso testemunho.
Perante todas as acusações, a FIFA suspendeu hoje Rubiales "por um período inicial de 90 dias, enquanto se aguarda o processo disciplinar aberto contra o senhor Luis Rubiales na quinta-feira, 24 de agosto", como se pode ler no comunicado da FIFA.
Por outro lado, a Real Federação Espanhola de Futebol emitiu na madrugada deste sábado um comunicado no qual tenta desmentir Jenni Hermoso, mostrando, em algumas imagens, aquilo que aconteceu nos instantes antes do beijo, onde supostamente é possível ver-se a jogadora a levantar Rubiales no ar enquanto o abraçava. A mim, ao ver as mesmas imagens parece-me mais que Rubiales "salta" para o colo da jogadora apoiando-se nela quando esta o abraça, mas o problema é que são imagens soltas que podem ser interpretadas da forma contrária. De qualquer das formas, acho que uma coisa é um abraço mais efusivo, outra coisa é um beijo na boca e que, um, não dá permissão por si mesmo ao outro.
Mas ao que parece o problema dentro da seleção espanhola, já vem de trás. Em outubro do ano passado, 15 jogadoras da seleção espanhola renunciaram em uníssono, embora separadamente e com uma carta que repetia o mesmo texto em cada caso. Naquela época, essas jogadoras queriam que o técnico, Jorge Vilda, fosse demitido porque o seu “estado emocional” as afetava “de forma significativa”.
Fontes:
https://tribuna.expresso.pt/futebol-feminino/2023-08-25-Mais-de-80-jogadoras-espanholas-anunciam-que-nao-voltam-a-selecao-enquanto-Rubiales-se-mantiver-e-Hermoso-nega-consentimento-d5d0074b
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx9rgvjq7j9o
Portugal foi apurado para o Mundial que este ano se realiza no Qatar. este Campeonato está a ser muito falado e pelas piores razões. Perguntamo-nos como é que o Qatar foi escolhido mas esquecemo-nos de uma palavra - dinheiro. Sim. Aquele bem que mexe e conquista tudo e que gira de bolso em bolso, tanto ou mais como a bola irá girar no relvado. Estou feliz pela minha seleção estar a disputar mais este campeonato e vou torcer para que consiga pelo menos chegar à final! Mas não me posso esquecer que este Mundial está ensombrado e que pouco passa cá para fora sobre os meandros das construções das infraestruturas, das condições dos trabalhadores e sobretudo da forma como se vive num país em que ser mulher é ser um ser inferior e ser homossexual é punível com a morte.
Resolvi pesquisar. Eu não sabia nada sobre este país e ainda sei muito, muito pouco. O que sei, infelizmente, vem manhado pelas notícias que assolam a televisão nacional e internacional e as redes sociais e aquilo que leio, vejo e oiço, não me pode deixar indiferente.
O Qatar é um país árabe, um Emirado localizado na zona do Golfo Pérsico, entre o Bahrein e a Arábia Saudita.É independente deste 1971 (petencendo antes à Grã-Bretanha). A sua riqueza provém do petróleo e do gás natural. A Amnistia Internacional tem vindo a trazer à luz diversas situações em que não são respeitados os Direitos Humanos. Nesta pesquisa fiquei a saber que a maioria da população é constituída por emigrantes (em 2020, apenas 12% da população do país tinha realmente lá nascido) e isso já coloca aqui uma questão: o que leva as pessoas a sair do seu país e a emigrar para um Emirado considerado absolutista? O facto de ser um dos países mais ricos e mais desenvolvidos onde as oportunidades abundam?
No que diz respeito à religião, a maioria da população do Qatar é Sunita, sendo uma grande parte Salafista. A população cristã é composta quase inteiramente por estrangeiros. Alguns muçulmanos acabam també por se converter ao cristianismo, mas são ainda uma minoria.
E aqui vem o cerne da questão, quanto à política, não há legislatura independente, e os partidos políticos são proibidos. As eleições parlamentares, que foram prometidas para 2005, acabaram adiadas indefinidamente. É o Emir que possui a palavra final em todas as questões, mesmo depois de votadas e discutidas em Conselho de Ministros. Nenhuma eleição legislativa tem sido realizada desde 1970. Mas em que se baseiam as leis? Na Charia.
A Charia é então a principal fonte da legislação do país de acordo com a Constituição do Qatar. Na prática, o sistema legal é uma mistura do direito civil e do direito islâmico. A lei charia é aplicada em casos relativos ao direito de família, herança e vários atos criminosos (como adultério, roubo e assassinato). Em alguns casos, os tribunais de família com base na charia consideram que o testemunho de uma mulher vale metade do testemunho de um homem, ou nem sequer o aceitam. A poligamia islâmica é permitida no país para os homens e nunca para as mulheres. A flagelação é usada no país como um castigo para o consumo de álcool ou para relações sexuais ilícitas. Diz no artigo 88 do código penal do Qatar que a punição para o adultério é punido com cem chicotadas (ou seja, os homens podem mas as mulheres são chicoteadas se o fizerem). Apenas muçulmanos considerados clinicamente aptos são susceptíveis a tais sentenças. Não se sabe se todas as sentenças proclamadas chegaram a ser implementadas aos condenados, mas muitos desses condenados eram estrangeiros a residir no país. E quem protege ou defende estas pessoas?
Não nos podemos nunca esquecer dos direitos humanos mas este não é (infelizmente) o único país onde os mesmos não são respeitados - aqui haveria tanto a dizer, não haveria? Devemos estar indignados, não devemos mostrar conivência com certas atrocidades nem esconder a cabeça debaixo da terra a fingir que está tudo bem.
Estaremos a ser hipócritas? Se "sempre" foi assim, porque não nos indignamos antes? A lapidação também é uma punição legal neste Emirado como em outros. As relações homossexuais também são punidas com a pena de morte. Ficamos por aqui?
Talvez haja aqui um lado positivo - já se fala em todo o lado das condições precárias de vida e de trabalho, nas leis do país e de futebol. Vai falar-se muito de futebol, de quem joga mais minutos, de quem chega à final. Pelo meio, iremos continuar a falar de Direitos Humanos! O que vai mudar? Talvez nada, talvez muito pouco nestas próximas semanas de "mostrar ao mundo quem somos". Se aceitam e respeitam a Charia, as mudanças de mentalidades serão sempre difíceis de conseguir. Atingir níveis mínimos de condições de vida pode ser possível, mas o que se passa por detrás dos panos e que não nos está a ser mostrado?
Sem prejuízo do dito anteriormente, existe gente muito séria e boa a viver neste país, existe gente que foi para lá trabalhar e que gosta de lá estar e que tem observado mudanças de mentalidades a acontecer. Mas não será a regra, será sim a exceção.
A seleção portuguesa de Futsal venceu o campeonato europeu, por 3-2 numa final muito bem disputada contra a Espanha. Duas equipas excelentes em campo. Ricardinho com 7 golos e Bruno Coelho com 6, são os melhores marcadores do campeonato!
Ao trabalhar com crianças nesta modalidade, costumo estar atenta a estes jogos, para depois trocar impressões com eles no treino seguinte. Eles ainda são pequeninos, mas há coisas que já sabem e gostam de falar dos seus jogadores preferidos, tanto do futebol como do futsal. E o importante, não são os clubes, mas a forma como se pode aproveitar os bons exemplos para ensinar e, neste caso, para os motivar a continuar na modalidade.
O Afeganistão está, mais uma vez, sob domínio de fundamentalistas islâmicos, tornando-se a cada dia a situação insustentável para todos, muito em especial para os jovens. Vivendo num país livre, não me consigo imaginar sujeita a todas as limitações que as mulheres sofrem no Afeganistão e noutros países onde os direitos humanos não são respeitados, nem tão pouco os direitos das mulheres, dos jovens e das crianças do país. "O cerco do Talibã em Cabul ocorre 20 anos depois do grupo extremista" ter sido expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país apenas alguns dias depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, às Torres Gémeas.
As jogadoras da Seleção Feminina de futebol do Afeganistão, viram o seu sonho de poderem continuar a joga à bola desmoronar-se desde o avanço dos talibãs, em agosto deste ano. O medo, levou-as a "abandonarem as suas casas, escaparem de perto dos vizinhos que sabiam do seu papel como futebolistas, e apagarem qualquer vestígio desse histórico."
As jovens atletas, perceberam que se queriam continuar a defender o desporto e a liberdade a ele inerente, não poderiam permanecer no seu país. A questão era acima de tudo a sua sobrevivência, uma vez que "muitas delas eram facilmente identificáveis como ativistas e defensoras dos direitos das mulheres e a confiança nas promessas dos novos governantes de que respeitarão as minorias e os opositores é escassa, se não inexistente."
A fuga do país aconteceu finalmente, depois de várias tentativas frustradas. Entre cerca de 80 pessoas no total iam as 26 jovens (entre 14 e 16 anos), "foram sendo passadas de casa em casa, escondidas enquanto figuras como Robert McReary, que trabalhou no gabinete do Presidente George W. Bush e com forças especiais americanas no Afeganistão, e Nic McKinley, um ex-membro da CIA que agora gere um grupo humanitário para realojar afegãos, coordenavam um plano de fuga – Operação Bolas de Futebol – com aliados no terreno e com os próprios talibãs."
Deixaram para trás tudo o que tinham, incluindo as famílias. "Na retaguarda estava Farkhunda Muhtaj, capitã da seleção afegã feminina, que vive agora no Canadá e ajudou a coordenar a operação. Era ela quem falava com o grupo regularmente para manter a calma e dar-lhes esperança."
Quando lhes informaram que tinham uma janela de oportunidade de apenas 3 horas para poderem deixar o país, não olharam para trás. "Conseguiram finalmente sair do Afeganistão a bordo de um voo charter" a caminho de Portugal, país de onde é originário um dos seus ídolos. Portugal deu-lhes asilo e a possibilidade de continuarem a treinar.
No dia 19 de setembro aterraram em Lisboa e tinham à sua espera a "capitã da seleção nacional de futebol do Afeganistão, que participou na operação de resgate das meninas a partir da sua casa no Canadá."
Fontes:
https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2021/09/23/selecao-feminina-do-afeganistao-feliz-e-pronta-para-sonhar-em-portugal/254214/
https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/selecao-feminina-do-afeganistao-teme-pela-vida-apos-retorno-do-taliba-ao-poder-afirma-ex-capita.ghtml
É com uma grande alegria que se viu hoje sair o treinador, depois de já terem saído todos os rapazes da equipa de futebol que tinham ficado presos numa gruta na Tailândia. A lamentar há a morte de um dos mergulhadores, Saman Kunan, de apenas 38 anos.
Os rapazes tinham sido dados como desaparecidos poucas horas depois de terem entrado na caverna e de terem começado as chuvas fortes, comuns da época de monções, tendo as operações de busca começado imediatamente. Durante uma semana não houve nenhum contato com os rapazes nem com o treinador.
Nos últimos dias, os rapazes foram encontrados e puderam até ter contato com o exterior através de uma linha telefónica. Estavam todos vivos, embora não soubessem em que dia ou hora se encontravam devido à escuridão da gruta. Nos primeiros dias, conseguiram levar-lhes comida. Os mergulhadores, apesar de todos os riscos, fizeram várias viagens de ida e volta através de tuneis escuros e estreitos, com fortes correntes e águas muito barrentas, apenas conseguidas via mergulho.
Este resgate acabou por juntar socorristas, técnicos e mergulhadores provenientes de vários países. Mais de 1000 pessoas estiveram envolvidas na operação de resgate, incluindo forças especiais da Marinha Tailandesa, bem como equipas e assistência técnica de vários países, incluindo o Reino Unido, China, Myanmar, Laos, Austrália, Estados Unidos, Rússia, Finlândia, Suécia, Ucrânia e Israel.
Mergulhadores da marinha tailandesa e equipas de resgate internacionais conseguiram passar por uma entrada estreita da gruta, na segunda-feira, depois de passarem pela câmara principal no domingo.
Para os retirar foram ponderadas várias hipóteses. Uma delas era a de usar uma equipa de mergulhadores que retiraria os rapazes um a um, a qual acabou por ser a forma escolhida. Esta hipótese apesar de tudo, não se revelou simples. Isto porque os rapazes retidos não sabem nadar e não têm experiência de mergulho. Esta opção do mergulho podia também estar condicionada pelo estado fragilizado dos jovens, que passaram dez dias sem comer e com pouca água.
Uma outra hipótese colocada, consistia em bombear a água – o que até esteve a ser feito, mas a operação acabou por ser dificultada pela chuva que continuava e que se previa piorar –, permitindo-lhes fazer o percurso a pé. A terceira opção colocada foi a de esperarem que as águas vazassem de forma natural, o que poderia demorar meses. Por norma, esta gruta tailandesa fica inundada durante o período das monções, que podem durar até Setembro ou Outubro.
Como disse, a opção acabou por ser a primeira e foi assim que todos acabaram por ser salvos, numa mega operação. Foi preciso evitar o pânico durante o processo de salvamento. Em preparação para este cenário, os socorristas deram aulas rápidas de natação e de mergulho aos adolescentes.
Depois de localizados, as operações de retirada do grupo duraram três dias, concluindo um moroso processo de preparação. No dia 8 de julho foram retirados quatro rapazes, outros quatro no dia seguinte, e hoje saíram os últimos cinco ocupantes, incluindo o treinador. Cada um foi retirado acompanhado de dois mergulhadores profissionais.
A subida do nível de água, apesar das bombas, e a água barrenta constituíram obstáculos para os mergulhadores, com falta de visibilidade e dificuldades para progredir. Cada viagem de ida e volta esgotava 11 horas e, nas zonas submersas mais estreitas, na qual cabia apenas uma pessoa, foi usada uma corda.
Durante a operação os rapazes foram sedados com Cetamina para diminuir o risco de hipotermia e de ataques de pânico. Foram depois para o hospital para serem avaliados e para recuperarem.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Resgate_da_caverna_de_Tham_Luang
Segundo as notícias, doze jogadores, entre os 11 e os 16 anos e o seu treinador de 25 anos, poderão estar presos numa gruta na Tailândia.
Os rapazes costumavam ir à caverna depois dos treinos. No sábado, à entrada da gruta, foram encontradas uma moto e onze bicicletas, mochilas, chuteiras e equipamento de desporto.
As autoridades foram chamadas ao local e disseram que os jovens podem ter ficado encurralados pelo aumento da água, na sequência de uma chuva forte que inundou a entrada. As autoridades também acreditam que, apesar da extensão de túneis e da profundidade a que a água pode chegar em algumas zonas, os jogadores possam estar numa zona seca da gruta Tham Luang Nang Non, localizada num parque nacional.
Uma equipa de mergulhadores da marinha foi enviada para as buscas no sábado, mas, a meio da tarde de segunda-feira, ainda não tinha sido feito nenhum contato. O maior risco, além da subida da água, é a falta de oxigénio, o frio, a escuridão e a falta de comida e de água potável que possam beber.
Esperemos que as crianças ainda estejam vivas e que se consigam localizar e salvar com a maior brevidade possível. Estes acontecimentos, embora longe da minha vista, afetam sempre o meu coração, como mãe, uma vez que penso sempre na ansiedade que aqueles pais, mães e irmãos estarão a sentir por não saberem se as suas crianças estão vivas e qual o seu estado de saúde. Fico a acompanhar na televisão todas as notícias que posso, ansiosa pela sua rápida resolução.
Fontes:
https://www.jn.pt/mundo/autoridades-procuram-equipa-de-futebol-presa-em-gruta-inundada-9512717.html
Pela segunda vez (a primeira em 2018) Portugal sagra-se campeão europeu em Futsal. Desta vez a final foi contra a seleção russa que não deixou o trabalho simplificado para os portugueses.
A seleção tem feito um caminho muito bonito, sendo agora bi-campeã europeia. Pelo meio, venceu o mundial também! Esteve a perder por 2 golos, mas conseguiu mostrar a sua competência e ganhar por 4-2!
Bonito de se ver, com várias jogadas para rebobinar e estudar!
Um motivo de orgulho, seja qual for a modalidade, mas quando se fala em futsal, fico sempre mais atenta, porque é a modalidade com que trabalho todas as semanas. As minhas crianças já gostam de ver os jogos e falamos várias vezes sobre isso. Têm os seus ídolos. Todos querem ser marcadores e é um trabalho continuo mostrar-lhes que o que importa é o trabalho de equipa. Um dia, quem sabe algum deles estará a vencer um campeonato, agora vamos ficando
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