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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Pensamos muitas vezes no Irão como um país em que quase toda a gente obedece de forma cega ao poder instituído, mas aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é bem isso.
Pelas ruas, as pessoas manifestam-se contra o ayatolah Ali Kohamenei, líder do regime, juntamdo-se em acesos protestos que "começaram na capital Teerão, mas depressa se alastraram a outras cidades do país, como Shiraz, Mashad, Isfahan ou Karaj." Há cerca de 2600 detidos e mais de uma centena de mortos. Estes protestos começaram a 28 de dezembro e resultaram da insurgência contra "o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito" a muitas sanções por parte do exterior, em especial dos EUA. Na base destes protestos estiveram a "rápida desvalorização da moeda iraniana, a subida súbita dos preços de bens essenciais," bem como a decisão tomada pelo "banco central de acabar com um mecanismo que permitia a alguns importadores aceder a dólares a um câmbio mais favorável," o que provocou a indignação da população, em especial dos jovens. Depois dpo encerramento de várias lojas e mercados, as reinvindicações que inicialmente eram económicas, foram-se tornando cada vez mais políticas.
Nos últimos dias, as linhas telefónicas foram cortadas, sendo assim mais difícil que se saiba realmente o que se passa no território. A Internet está também em baixo e a "televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação." Aos manifestantes que são mortos, o regime apelida de "terroristas." Os protestos são vistos como ameaças ao regime e os participantes nos protestos são vistos como "inimigos de Deus," uma acusação que, no Irão, é punível com a pena de morte. extremamente violenta. As "forças de segurança, incluindo a polícia, a milícia Basij, a Guarda Revolucionária e agentes à paisana, recorreram a munições reais" e ao uso de "balas de metal." Soube-se de atropelamentos usando viaturas contra a multidão. É este o risco que quem ali clama por liberdade corre e, mesmo assim, ali estão às centenas. Aos milhares.
Trump tem publicado declarações nas redes sociais, como vendo sendo hábito, afirmando que o "Irão aspira à liberdade" e que os EUA "estão prontos para ajudar." Enquanto a "ONU manifestou profunda preocupação com o número de mortos," o presidente norte-americano, ameaçou "intervir militarmente caso as forças iranianas continuem a matar manifestantes." Em resposta a esta ameaça de intervenção, o "regime iraniano" já veio acusar "Washington de instigar os protestos."
Também nas redes sociais chegou a circular um vídeo no qual se podia ver um cartaz que dizia "Já não temos medo. Vamos lutar" numa clara manifestação contra a repressão do regime iraniano, que dura já há 47 anos. Muitos dos manifestantes são jovens e exigem a "recuperação da dignidade e o direito a um futuro."
Nas forças de repressão podem até estar já incluídos "membros das Forças de Mobilização Popular do Iraque (Hashel al Shaabi)," mas devido à falta de informação e às poucas imagens disponíveis, torna difícil confirmar o que se acontece.
Reza Pahlavi, (príncipe herdeiro e filho do último monarca do Irão) fez um apelo público onde exorta "os iranianos a permanecerem nas ruas, definindo explicitamente como objetivo a tomada e manutenção do controlo dos centros das cidades," apelando a "protestos coordenados." Por outro lado, Reza Pahlavi, "apelou a Trump para que esteja preparado para adotar medidas de apoio ao povo iraniano," apelando ainda para que os "sectores económicos mais importantes, nomeadamente o petróleo e a energia," participem ativamente "nas greves nacionais, o que faz eco de uma estratégia utilizada durante os últimos meses do regime do seu pai, em 1979." Os protestos espalharam-se entretanto por outros países, sendo interessante ver que a "liberdade de expressão" é uma das principais exigências. Muitos "iranianos que vivem no estrangeiro ou pessoas de ascendência iraniana," juntam-se em manifestações ou desfiles, afirmando que mais do que um direito, é seu "dever" manifestarem-se e mostrarem "o seu apoio à distância, uma vez que os iranianos no seu país, de todas as idades e origens, continuam a sair à rua para lutar pela sua liberdade."
Fontes:
Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.
Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."
Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa."
Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.
E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?
E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.
São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.
Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393
Pode um país, só porque tem mais poder militar, entrar noutro e dele retirar duas pessoas? Pode um país, seja porque justificação for, usar a sua superioridade militar, ameaçando e atacando outro país? Bem, parece que efetivamente até pode, pois se a ação em si podia ser criticável sobre muitos aspetos, a verdade é que a crítica veio fraca e a aceitação fez-se saber. Continuando o que ontem já aqui tinha vindo a referir, Trump usou a diretiva da possibilidade: se é possível, faz-se.
Obviamente que sou contra o governo de Maduro, tal como sou contra muitos outros governos autoritários e autocratas, que usam a força e repressão do seu povo para governar, mantendo de cabeça baixa em submissão os seus cidadãos. Na verdade, a prisão de Maduro pode à primeira vista, ser algo bom, quando olhamos para a questão de um regime controlador, num país em que não há liberdade de expressão nem liberdade de imprensa e onde grassa a corrupção, a criminalidade grave e o narco-tráfico. Aliás, as acusações de Trump já têm alguns anos, embora só nete mandato se tenham manifestado mais intensamenmte. A Venezuela "luta contra uma hiperinflação recorde, escassez de bens básicos, desemprego, pobreza, doenças, elevada mortalidade infantil, subnutrição, problemas ambientais," entre outros.
Durante o século XX, o país passou por várias crises começando desde logo pela governação de Cipriano em 1908, caraterizada "por uma política externa agressiva." Foi substituído devido a problemas de saúde "por Juan Vicente Gómez, que governou a Venezuela" através de políticas de "autoritarismo, corrupção, cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e eleições fraudulentas." Durante "o governo de Gómez, pouco antes da Primeira Guerra Mundial," foram descobertas e começaram a ser amplamente exploradas as "gigantescas reservas de petróleo venezuelanas," o que trouxe "grandes lucros, permitindo ao Estado fazer obras de infraestrutura, subsidiar a agricultura e pagar a dívida." No entanto, a maioria da população continuava a viver na pobreza e foram raros os "investimentos estatais na saúde ou educação."
Até aos dias de hoje, a Venezuela foi governada intermitentemente por Juntas militares e por governos autocratas, dos quais se destacaram Eleazar López Contreras, o Major Marcos Pérez Jiménez, o Tenente-Coronel Carlos Delgado Chalbaud e, mais tarde, Hugo Chavéz. Madúro, que havia sido vice-presidente de Chavez, "assumiu interinamente a presidência" depois do golpe de estado que derrubou Chavéz do poder. "A eleição presidencial de 14 de abril de 2013," foi "a primeira em que o nome de Chávez" não apareceu "na cédula de votação desde que assumiu o poder em 1999." E esta foi vencida por Maduro. Apesar da sua nomeação não ter sido consensual, "o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu que, segundo a constituição nacional, Nicolás Maduro" era "o presidente legítimo e foi investido como tal pelo congresso venezuelano."
Mas se esta eleição estava "ganha" a continuidade passaria por vários precalços. Em agosto de 2017, "a Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foi eleita e retirou os poderes da Assembleia Nacional," numa eleição que "levantou preocupações sobre uma ditadura emergente." Em dezembro desse mesmo ano, "Maduro declarou que os partidos da oposição estavam impedidos de participar nas eleições presidenciais do ano seguinte, após terem boicotado as eleições autárquicas." Venceria "as eleições de 2018 com 68% dos votos" com o resultado a ser "contestado pela Argentina, Chile, Colômbia, Brasil, Canadá, Alemanha, França e Estados Unidos, que o consideraram fraudulento e reconheceram Juan Guaidó como presidente." Perante esta desconfiança, os EUA começaram a aplicar sanções ao país. Em agosto de 2019, no seu primeiro mandato, "o presidente americano Donald Trump impôs um embargo econômico à Venezuela" e em março do ano seguinte, "indiciou Maduro e autoridades venezuelanas, sob acusações de tráfico de droga, narcoterrorismo e corrupção."
Na Venezuela, quem é contra o governo, acaba por desaparecer ou tornar-se preso político, podendo mesmo ser submetido a tortura. A oposição acaba por ser muitas vezes silenciada.
Em 2024, "Maduro concorreu ao terceiro mandato consecutivo nas eleições presidenciais," contra a oposição representada pelo "ex-diplomata Edmundo González Urrutia," em representação da "Plataforma Unitária (PUD)." As sondagens apontavam para uma clara vitória da PUD, "principal aliança política da oposição," mas depois do "Conselho Eleitoral Nacional (CNE), controlado pelo governo, ter anunciado resultados parciais que mostravam uma vitória estreita de Maduro em 29 de julho, os líderes mundiais expressaram predominantemente ceticismo em relação aos resultados" que lhes estavam a ser apresentados pela CNE. Ambos "se proclamaram vencedores," mas os resultados acabaram por não ser "reconhecidos pelo Carter Center e pela Organização dos Estados Americanos."
Se a Venezuela estava bem? Se o povo Venezuelano estava bem? Não.
Se agora ficarão melhores? Sinceramente, tenho as minhas dúvidas. Saiu Madúro, mas a governação do país ficou entregue à sua vice-presidente, à mesma equipa e, por isso, a forma de controlar e de gerir poderá manter-se. Além do mais, penso que tem sido bastante percetível que os EUA querem controlar a exploração de petróleo e, com isso, beneficiar de forma exploratória daquilo que são os recursos venezuelanos. Podemos dizer que estão em guerra? Para já, penso que não, mas estaremos a enfiar a cabeça na areia, se não conseguirmos comparar esta situação com aquilo que se passa na Ucrânia ou com aquilo que se pode vir a passar em Taiwan.
A Europa precisa de acordar!
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela
Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Bem, precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano.
Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...
Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.
Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."
Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.
Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.
Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil.
O primeiro-ministro português não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."
Fontes:
Estamos a terminar 2025... o ano está quase a chegar ao fim, mas permanecemos suspensos em decisões e acordos que não avançam nem recuam. Damos um pontapé numa pedra e saem ideias estúpidas, com remanescências em ideologias bíblicas ou colonizadora e que, aidna por cima, têm poder económico e bélico, para mandar nos outros, o que não deixa de ser um problema.
Pois, porque tantas reuniões e encontros depois, a guerra da Ucrânia continua. A Rússia não desiste, a Ucrânia não cede. A Rússia exige que a Ucrânia aceite que deve retirar as suas tropas "dos cerca de 20% da região leste de Donetsk que ainda controlam." Putin não quer que a Ucrânia adira à NATO, não quer uma pausa, quer ficar com o que conquistou... e por aí vão os planos de paz, com um moderador que ora parece estar de um lado, ora parece estar a apoiar o seu adversário. Talvez venha a conseguir este acordo... era bom que a guerra acabasse. Mas a que preço?
Houve um cessar fogo em Gaza, mas a situação está longe de estar resolvida - parece que apenas deixamos de falar no problema. Enquanto isso, Israel continua a construir colonatos na Cisjordânia, usando como desculpa que era o que "deus queria." Ocupam terras que não são suas, cultivam-nas e dizem que são um posto avançado de onde irá surgir uma cidade. Acham que o direitos estão escritos nas bíblias, livros antigos que cada um interpreta à sua maneira. Abatem jovens, invadem territórios que não são seus, tentando continuamente esticar o seu território. Algo está muito errado, quando a fé é desculpa para atacar, violar ou matar o outro. Seja em que religião for.
A China faz exercícios militares sobre Taiwan, usando "munições reais." Taiwan negociou a compra de armas com os EUA e Pequin não gostou, ordenando por isso que se fizesse "um exercício militar" sobre a região mostrando a "capacidade de ataque da força aérea e da marinha." A China informou que estas manobras militares são um aviso às "forças separatistas" e à "interferência externa," que segundo a sua opinião está a empurrar os "defensores da independência" para "uma situação perigosa de guerra iminente." E Taiwan quer manter-se independente. Tem esse direito? Sim. E mais uma vez, lá estão os EUA a intrometer-se em políticas externas, a negociar com os dois lados, a reunir ora com uns, ora com outros. Se por um lado, mantém negócios com a China, por outro defende a autonomia de Taiwan e apoia-os com armamento. É que, ao que parece, é preciso que as guerras continuem para que as fábricas de armamento tragam lucro.
Estamos a terminar 2025 e ainda há quem afirme que as vacinas fazem mal e que a Terra é plana. E assim vai o nosso mundo. O que peço para 2026? Que uns salpicos de inteligência atingissem alguns cérebros que parecem ter parado no século XVI e acham que ainda andamos por aí a matar mouros e a colonizar terras por esse mundo fora.
Fontes:
Porque é que uma pessoa acha que pode matar outra por causa de uma diferença ideológica? Atentados com armas de fogo, com carros, com camiões que proliferam pelo mundo.
Domingo. Uma família dirige-se à praia de Bondi para celebrar o seu Hanukkah. Saõ judeus australianos e estavam reunidos para acendedr as velas que marcam o início da celebração. Muitas outras famílias se juntam, netos e avós, pais e filhos. Quando alguém se lembra de fazer disparos indiscriminados contra quem está na praia, numa atitude de ódio e intolerância. "Doze pessoas morreram" e pelo menos 29 ficaram feridas na sequência do tiroteio que ocorreu este "domingo, 14 de dezembro, na praia australiana de Bondi, em Sydney, onde se realizava a festa judaica de Hanukkah."
"Entre os feridos há ainda dois agentes policiais, que acorreram ao local, bem como um segundo atirador, que se encontra em estado crítico," já sob custódia das autoridades. Houve ainda uma "ameaça de bomba em curso naquela área", com a polícia a referir que "estava a trabalhar para desarmar (...) um artefato explosivo improvisado."
Na Alemanha, as autoridades anteciparam e detiveram "cinco homens" que estariam a planear "um ataque a um mercado de Natal no sul da Baviera. Os homens, três "marroquinos de 22, 28 e 30 anos, um cidadão egípcio de 56 anos e um sírio de 37 anos foram detidos na sexta-feira na passagem fronteiriça de Suben, entre a Alemanha e a Áustria." Segundo se sabe, o mais velho, um homem de 56 anos, "terá feito um apelo numa mesquita" para encontrar quem com ele quisesse colaborar num ataque a "um mercado nos arredores da cidade de Dingolfing-Landau, perto de Munique," referindo que iriam utilizar "Qum veículo para matar ou ferir o maior número possível de pessoas." Os restantes terão concordado na realização do atentado.
Em 2016, um islamita avançou com um camião atropelando quem passeava num "mercado de Natal no centro de Berlim" e, em dezembro passado, "um ataque" com um carro-bomba em Magdeburgo, provocou "seis mortos e mais de 300 feridos."
Ontem, na universidade de Brown, na cidade de Providence, nos EUA, duas pessoas terão perdido a vida num tiroteio, que aconteceu "no segundo dia de exames nacionais." O edifício atingido é onde fica a "Escola de Engenharia e o departamento de Física," e conta com "mais de 100 laboratórios, dezenas de salas de aula e escritórios." Esta universidade é privada e faz parte da reputada "Ivy League, um grupo de universidades de elite," com cerca de "11 mil alunos." Não se sabem as razões nem as motivações para este tiroteio.
Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5z7dlvervo
https://www.jn.pt/mundo/artigo/dois-mortos-e-oito-feridos-em-tiroteio-na-universidade-brown-nos-eua/
A tensão entre a Venezuela e os EUA tem vindo a crescer. A situação agravou-se com o anúncio feito pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que dava ordem de "encerramento" do espaço aéreo venezuelano. O narcotráfico, é um problema real para os EUA, mas numa outra interpretação dos factos, podemos dizer que esta forte presença militar, pode também servir como pressão contra o regime de Nicolás Maduro. A Venezuela viu a mobilização dos seus cidadãos, criando milícias e "comandos de defesa".
Nicolás Maduro, acusado por muitos de ser um ditador, interpreta o posicionamento do arsenal americano e as ameaças de Trump, "como uma tentativa de o afastar do poder."
Donald Trump já tinha colocado na região das Caraíbas um grande dispositivo militar, "incluindo o maior porta-aviões do mundo," - o Gerald R. Ford, "com quatro mil soldados e 75 caças a bordo" - com a intenção de, ao que o mesmo afirma, acabar com o tráfico de droga e de pessoas na Venezuela. Desde setembro, os Estados Unidos destruíram já cerca de "20 lanchas supostamente envolvidas no tráfico de droga no mar das Caraíbas e no Pacífico, matando mais de 80 pessoas com recurso a ataques aéreos."
Trump recomendou às companhias aéreas comerciais que tivessem "extrema cautela” ao sobrevoar aquela região, o que muitas acabaram por fazer, receando que os voos pudessem de alguma forma ser atingidos em potenciais ataques de parte a parte. A TAP, que serve os milhares de emigrantes que se encontram na Venezuela, seguiu o exemplo de outras companhias aéreas e "suspendeu também os voos para Caracas," alegando falta de condições de segurança.
No seguimento deste aconselhamento de Trump, Maduro ameaçou que, ou as companhias retomavam os voos em 48 horas, ou não retomariam mais e, cumprindo a ameaça, revogou "as autorizações de operação de várias companhias aéreas, nomeadamente a TAP, Avianca, Latam, Turkish Airlines, Colombia e Gol," acusando-as de se "unirem aos atos de terrorismo" promovidos pelos Estados Unidos. Sem forma de sair do país, estão muitos emigrantes, muitos deles portugueses. Muitos desses portugueses, são madeirenses,
Trump deu agora a "ordem" de encerramento do espaço aéreo venezuelano - que, ao que se vai vendo nos noticiários, está a ser cumprida. O anúncio foi publicado nas redes sociais, onde se pode ler, algo como: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos, por favor considerem o espaço aéreo acima e em torno da Venezuela como encerrado na sua totalidade”. Ordens dadas a um outro estado? Envolvida está também a República Dominicana cujo governo, depois de uma reunião com o "secretário de Defesa dos Estados Unidos" Pete Hegseth, cedeu autorização para que os Estados Unidos possam "utilizar de forma provisória dois aeroportos no âmbito da luta contra o tráfico de droga na região."
Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.
Mas não foi só isso.
O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".
E o que é que está mal aqui?
O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI.
O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."
O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."
O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."
Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos.
E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?
Fontes:
https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref
Como se faz um Plano de Paz sem que os envolvidos na guerra estejam presentes ou representados?
Difícil de perceber, mas foi precisamente isso que aconteceu. Na sexta-feira, entrou em vigor um "acordo de cessar-fogo" que segue um "plano de 20 pontos apresentado pelo Presidente norte-americano, com o objetivo de pôr fim à guerra desencadeada em 07 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas que visou o sul do território israelita."
Trump assinou um Plano de paz, junto com os negociadores do Egito, do Catar e da Turquia, mas sem a presença do Hamas nem de Israel, ou seja, sem as partes beligerantes. Na verdade, há a dúvida se não se poderá apenas tratar de um cessar fogo, o que deixa a grande dúvida - e depois? O que esperar depois de terminar esta primeira fase? O que acontecerá se uma das partes falhar um dos pontos do acordo? Para Trump, está tudo resolvido e todos lhe vão obedecer.
A Cimeira realizou-se no Egito e juntou representantes de "35 países (entre os quais França, Itália, Alemanha, Jordânia, Turquia e Reino Unido, bem como das Nações Unidas e da União Europeia" - incluindo Portugal, representado por e "António Costa — em representação da Comissão Europeia"), mas deixou de fora os principais intervenientes no conflito. Antes de seguir para a Cimeira, Trump foi a Jerusalém onde esteve com familiares dos reféns e discursou no parlamento de Israel, e de onde saiu afirmando que a guerra tinha terminado. Nesta visita a Israel, o principal objetivo foi o de firmar as condições para a segunda fase do acordo de paz.
Naquilo que respeita à execução do Acordo, poderão haver algumas divergências, embora o Hamas tenha já libertado "todos os 20 reféns" vivos, mantidos desde dia 7 de outubro de 2023. Faltam ainda entregar os 28 corpos dos reféns que entretanto morreram, durante estes dois anos.
"Não existem lusodescententes entre os sete cidadãos libertados" embora se fale em "três luso-israelitas." Em troca da libertação destes reféns e da entrega dos corpos, "Israel comprometeu-se a libertar 250 palestinianos detidos por razões de segurança, incluindo vários condenados por atentados mortais anti-israelitas, bem como 1700 palestinianos detidos em Gaza desde o início da guerra.
Em discussão está também a reconstrução de Gaza e a eterna questão da aceitação dos dois estados, ideia defendida por exemplo pelo presidente do Egito, ou pelo governo espanhol.
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/trump-a-caminho-de-israel-a-guerra-acabou-perceberam_n1690550
O que é que se passa com as pessoas? É só o que me apetece perguntar. Esta tarde, houve mais um tiroteio. Longe daqui, é certo, mas num país supostamente democrático e isto diz muito sobre o rumo que o mundo está a tomar... ou será que nunca deixámos de ser bestas sem princípios e sem respeito pelos outros?
O tiroteio, que ocorreu "na Igreja de Jesus Cristo e dos Santos dos Últimos Dias, em Grand Blanc, a norte de Detroit, Michigan," fez vários feridos, entre os quais poderão haver também crianças. A própria igreja sofreu danos avultados devido a um incêndio que foi ateado logo a seguir, envolvendo dispositivos de ignição que terão sido mais tarde encontrados. De acordo com alguns relatos, "Thomas Jacob Sanford, de 40 anos", terá invadido "a igreja" com o seu carro e saiu do veículo disparando sobre quem lá se encontrava, provocando o pânico, enquanto as pessoas tentavam fugir no meio da confusão.
Além do atirador, morreram outras três pessoas, podendo ainda o número de vítimas vir a aumentar, uma vez que as autoridades afirmam que só saberão o número exato de vítimas, quando a extinção do incêndio, tornar seguro entrar no edifício.
O atirador terá sido abatido pelas autoridades. O que é que pode ser tão importante que leve algém a entrar num espaço público - seja ele um centro comercial, ou uma igreja - e desatar aos tiros, indiscriminadamente, com o único objetivo de fazer vitimas? Os EUA têm um historial de tiroteios que assusta qualquer um de nós, mas mesmo assim, mantém-se a política de que "qualquer" um pode ter uma arma.
O que é que esta pessoa pode querer provar ou pode ganhar com estas atitudes? Estará mesmo a religião ligada a estes atos de loucura ou será "apenas" pura maldade?
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