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Enquanto isso, no Congo...

por Elsa Filipe, em 28.07.25

... a guerra continua, mas esta parece estar um pouco mais distante e não nos afetar tanto (temos tendência para isso, penso que nem seja por mal). A verdade, é que temos de colocar a mão na consciência quando, não existe tempo nos media portugueses para falar de um massacre que aconteceu numa igreja do Congo.

O ataque de ontem, terá sido causado por "milícias das Forças Democráticas Aliadas (ADF), compostas por ex-rebeldes ugandeses" e que estão ligados ao "Estado Islâmico." Terão, ao que é relatado pelo "Vatican News", a partir de "informações fornecidas à AFP por fontes locais", usado "facões" (ou catanas) e "armas de fogo," para assassinar pessoas, civis, "que se haviam reunido para rezar." As ADF serão já responsáveis pela morte de milhares de pessoas, ao longo dos anos.

De acordo com um português, Marcelo Oliveira, numa alegada "mensagem enviada para a Fundação AIS em Lisboa," os “rebeldes assassinaram uma quantidade imensa de crianças”. Quantas eram em concreto? Ao que parece, a maioria das vítimas faziam parte de um grupo de "jovens cristãos" que pertenciam a um grupo chamado "Cruzada Eucarística, que se encontravam numa sessão de formação, típica neste período de férias para crianças," tal como Marcelo Oliveira explicou também. O ataque terá "ocorrido de madrugada, pela 1 hora da manhã," quando os jovens se encontravam em vigília.

O que dizer? Será que acabar com as religiões, acabaria com as guerras? Seria isso possível? Neste momento, isso é apenas uma utopia. O ideal, seria haver respeito. Só que a verdade, é que o problema não está em uma pessas acreditar numa personagem imaginária a que chama de Deus, outra acreditar no mesmo e chamar-lhe Alá, ou outra rezar a uma pedra ou a uma árvore.

Por trás de tudo isto, estão interesses muito mais antigo que já perderam até, pelo caminho, as suas causas "religiosas", trata-se de dinheiro e de poder. De fronteiras, de ter direito a usar esta ou aquela terra, a não permitir que o "outro" fique na terra que aquele diz que é sua. E, se mais nenhuma razão lhe aprouver, dizem que foi herdada, que foi oferecida. São estes os interesses que matam no Congo e que matam em Gaza. Parece muito diferente, o contexto? Talvez, mas historicamente, não será assim tão diferente.

E porque é que eu, que não acredito em nada disto, venho falar nestas coisas? Bem, porque neste massacre - que não foi o primeiro, nem será o último - morreram cerca de 40 pessoas! Só por isso, não chega? Não me importa se eram católicas, judias ou se rezavam a uma pedra do caminho, eram pessoas! Só isso importa! Na minha pesquisa, apenas encontrei referência a este episódio em sites ligados à igreja católica e, na sua maioria, em brasileiro ou em inglês. Por cá, viram ou ouviram alguém falar sobre isto?

"Uma estação de rádio apoiada pelas Nações Unidas", contabilizou "43 vítimas," mas podem ser até mais, visto que  "os agressores," que terão vindo "de um reduto a cerca de 12 quilómetros do centro de Komanda," não se ficaram por ali, atacando e incendiando também "várias casas e lojas" enquanto fugiam. Para muitas destas pessoas, a ajuda chegou tarde. 

"Há duas semanas," este mesmo grupo, terá morto "66 pessoas na área de Irumu," e em Baeti, no início deste ano, outras "oito pessoas" terão sido assassinadas, "cinco das quais enquanto rezavam" e cerca de "trinta" terão sido "feitas reféns pelos agressores." Que é feito desses reféns? Alguém sabe?

Já em maio do ano passado, de acordo com "dados apresentados no Parlamento Europeu, as ADF foram também responsáveis pela morte de 14 católicos no Kivu Norte. Neste caso, o ataque teve como justificação a“sua recusa em se converterem ao islamismo”, ou seja, não se convertem, são mortos. Outros 11 cristãos foram também "executados” na aldeia de Ndmino, na província de Ituri, tendo também havido várias pessoas raptadas dessa província. E nós a assobiar para o lado?

"Já em Fevereiro deste ano, noutro ataque atribuído às ADF, e visando especificamente a comunidade cristã, mais de 70 corpos foram encontrados numa igreja protestante na localidade de Maiba, no território de Lubero, também na República Democrática do Congo." São casos sucessivos, que pela sua gravidade têm de ser denunciados! Mesmo que não possamos fazer muito mais... que não tenhamos coragem para mais.

Fontes:

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/rd-congo-massacre-igreja-catolica-komanda.html

https://fundacao-ais.pt/r-d-congo-dezenas-de-pessoas-massacradas-muitas-delas-criancas-numa-igreja-catolica-em-komanda-no-leste-do-pais/

 

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publicado às 18:50

Atropelamento em Nova Orleães

por Elsa Filipe, em 02.01.25

O 1º dia do ano ficou ensombrado por um ataque numa das mais movimentadas zonas de Nova Orleães, a Rua Bourbon, no Estado americano de Louisiana. Infelizmente, mais uma vez, as ruas mostraram não ser um lugar seguro, mesmo quando o ambiente é de festa.

Por volta das 3h15, horário local, um homem avançou com o carro sobre as pessoas que passavam nesta rua, atropelando-as intencionalmente. De seguida, saiu da carrinha e começou a disparar. A sua ação resultou na morte de, pelo menos 15 pessoas e ferimentos em outras 35, incluindo dois agentes da autoridade atingidos por disparos.

O condutor, que levava na viatura uma "bandeira do grupo radical Estado Islâmico" foi morto no local. Dentro da viatura, foram também encontrados engenhos explosivos de fabrico "artesanal."

Posteriormente, o homem "foi identificado pelo FBI," como sendo um cidadão americano de 42 anos, chamado "Shamsud-Din Jabbar."

Shamsud-Din era "veterano de guerra" e morava no Texas. Situações deste género não são inéditas em épocas festivas. Falta saber se este atentado estará ligado ao EI, se o homem terá agido sozinho ou se terá este ataque feito parte de um plano maior. Por agora, a tese é que terá sido um ato isolado de um seguidor do grupo radical Islâmico. 

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yx306yvdyo

 

 

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publicado às 22:11

Ataque a sala de concertos em Moscovo

por Elsa Filipe, em 23.03.24

Ontem, ao final do dia, na Rússia, um grupo de atiradores entrou na sala de concertos Crocus City Hall, "uma sala de espetáculos situada em Krasnogorsk, nos arredores da capital russa, onde se preparava para atuar a banda PikNik," e atacou indiscriminadamente quem lá estava. O balanço ao início da madrugada era de cerca de 40 mortos e mais de cem feridos, mas hoje esses valores já foram atualizados e passam para 140 vítimas mortais e centenas de feridos.

O grupo armado terá também lançado um cocktail "molotov" que incendiou o espaço e causou o pânico das pessoas que tentaram fugir das chamas. O telhado do edifício acabou por desabar parcialmente, ainda estando a decorrer operações de busca e salvamento. "Não foi dada qualquer informação sobre o número de pessoas presas no interior da estrutura."

Uma das falhas apontadas tem sido a falta de segurança do edifício e a demora dos serviços de socorro e de segurança a chegar ao local para socorrer as pessoas. A Rússia começou por apontar logo a mira à Ucránia, através de Dmitri Medvedev, "ex-chefe de Estado e atual vice-chairman do Conselho de Segurança russo," que começou logo por fazer um apelo a "uma forte retaliação caso se descubra uma ligação entre Kiev e o atentado." Putin, manteve-se em silêncio.

A Ucrânia desde logo negou ter "qualquer responsabilidade e os serviços secretos de Kiev" acusaram mesmo "o Kremlin de orquestrar o ataque, para culpar a Ucrânia e justificar uma escalada da guerra, conforme noticiou a agência France-Presse (AFP)." Também outros grupos armados "pró-ucranianos, incluindo a Legião Rússia Livre, ativa em território russo," negaram qualquer envolvimento no ataque.

Entretanto, o atentado já foi aparentemente reinvindicado pelo Estado Islâmico. O Daesh, através da sua célula "Khorasan, ativa no Médio Oriente, Irão, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central," terá reinvindicado o ataque" e, ao que parece, "há muito que o país se encontrava na mira do grupo, sobretudo após a participação das forças russas na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad."

O Presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou o "cancelamento de todos os eventos públicos deste fim de semana. Os principais museus e teatros da capital também anunciaram que vão fechar as portas." Segundo informações transmitidas pela televisão russa, "foram tomadas medidas de segurança reforçadas, nomeadamente nos aeroportos de Moscovo e noutras grandes cidades do país."

Já foram entretanto efetuadas várias detenções, tendo sido detetado um veículo em fuga "perto da localidade de Jatsun, região de Briansk, a cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo" no qual terá sido encontrada "uma pistola, um carregador para uma arma de assalto e passaportes para o Tajiquistão, noticiou a agência russa TASS." O governo tajique, informa que "a difusão de informação não confirmada e pouco fiável pode prejudicar os cidadãos do Tajiquistão que se encontram atualmente fora do país."

Num comunicado de 7 de março, uma nota emitida pela "embaixada dos Estados Unidos na Rússia apelava aos cidadãos norte-americanos para evitarem ajuntamentos na capital russa, alertando para a possibilidade de um ataque terrorista." 

Este foi é o mais mortífero ataque registado nos últimos anos na Rússia, depois do ataque ao Teatro Dubrovkna, em 2002, e do ataque a uma escola em Beslan, em 2004.

Em 2002, "um comando checheno fez cerca de 850 reféns no teatro Dubrovka" em Moscovo, mas foi durante a "operação de resgate" que se registou um dramático “banho de sangue”, com a morte de pelo menos 170 pessoas.

Já em setembro de 2004, "durante uma cerimónia de início do ano escolar, três dezenas de rebeldes chechenos invadiram o recinto de uma escola em Beslan, mascarados e com cintos explosivos. Exigiam a retirada das tropas russas da região da Chechénia. Durante três dias, mantiveram mais de mil pessoas sequestradas no interior da escola, que armadilharam com bombas, ameaçando explodir o edifício a qualquer momento." A situação terminaria numa terrível falha de atuação, "três dias depois, com a entrada repentina de tropas especiais russas no edifício. As explosões ocorridas no início do sequestro e durante a entrada das tropas russas causariam mais de três centenas de mortes, entre as quais 186 crianças."

Fontes:

https://www.jn.pt/6976308829/onze-detidos-apos-ataque-do-daesh-que-matou-115-pessoas-em-moscovo/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-em-moscovo-a-evolucao-da-situacao-na-russia-ao-minuto_e1559470#article_content_1559478

https://www.jn.pt/572632479/ataque-em-moscovo-e-operacao-do-kremlin-acusam-servicos-secretos-ucranianos/

https://www.publico.pt/2024/03/22/mundo/noticia/tiroteio-seguido-explosao-moscovo-faz-varios-mortos-2084600

https://observador.pt/2024/03/23/fotogaleria-ataque-reivindicado-pelo-autoproclamado-estado-islamico-deixa-rastro-de-destruicao-e-morte-em-moscovo/

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publicado às 12:50


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