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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Por aqui, o verão está a começar a despedir-se e antecipa-se a chegada de mau tempo para o próximo fim de semana. Enquanto isso, chuvas torrenciais provocaram cheias e inundações em vários pontos da Europa!
No noroeste de França, "uma mulher de 55 anos foi encontrada morta dentro do carro na região de Côtes d’Armor," depois de ter "tentado passar uma estrada inundada," onde "acabou por ficar presa. Há, ainda, várias pessoas que estão desaparecidas." No sul do país, na região de Marselha, a forte chuva também provocou danos. Em Espanha, o corpo de uma criança foi encontrado sem vida estando ainda um homem, que se pensa ser o pai do menor, desaparecido, depois do carro onde os dois seguiam ter sido arrastado.
Em Itália, na região de Alessandria, "uma pessoa está desaparecida e os bombeiros estão levar a cabo uma operação de salvamento de 15 pessoas que ficaram retidas num parque de campismo," devido à forte chuva. "Em Milão, o rio Seveso transbordou devido às fortes chuvas que começaram logo às cinco da manhã." Apesar das previsões, estes países continuam a sofrer elevados danos sempre que a precipitação ultrapassa o que é considerado normal, tal como aconteceu em Espanha ainda nem há um ano.
Fontes:
A nossa História está recheada de episódios caricatos e interessantes (para quem gosta de saber um pouco mais sobre o país e as suas origens). A 25 de agosto de 1580, deu-se em Lisboa uma batalha curta mas na qual se tentou travar o avanço das tropas espanholas que nessa data entravam no território português. Ora, nos manuais dá-se pouco destaque a estes episódios, talvez porque nem meia hora as tropas do Prior do Crato, com o apoio da população, conseguiram resistir perante os avanços das tropas do Duque de Alba, ou talvez porque a chegada dos espanhóis já tinha sido assumida pela corte portuguesa. Mas será que não se deve falar desta batalha? Afinal de contas, termina aqui a Dinastia de Avis, "que se havia iniciado pouco menos de duzentos anos antes, em 1383-1385, e se havia consagrado com a vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385."
Mas quem foi D. António e porque nunca foi aclamado verdadeiramente como rei? D. António era, na verdade, "filho bastardo do infante D. Luís". Apesar do pai o tentar encaminhar através da carreira eclesiástica, esta não configura a sua vontade. D. António, terá sido apoiante de Gil Vicente e "protetor" de Damião de Góis, nomes hoje reconhecidos na praça pública, mas que na época, não era assim tão bem vistos.
Chegou ainda assim a receber o "priorado do Crato, um dos mais ricos do reino," mas com "a morte do pai", recusa "a ordenação de presbítero," o que não foi nada bem aceite pelo seu tio, o cardeal-regente D. Henrique. Uma das razões para esta oposição, teve principalmente a ver com a chamada "Crise de Sucessão."
Em 1568, D. António recebe o "título de governador de Tânger, em África, "e conquista a estima do rei, D. Sebastião," a quem acompanha na "batalha de Alcácer-Quibir." Nesta batalha, D. António "é feito prisioneiro." mas acaba por ser "libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida," mostrando-se opositor à união dos dois países.
Ao saber-se do desaparecimento de D. Sebastião (e de se presumir a sua morte), D. António apresenta-se como "candidato à sucessão," argumentando que "os seus pais" se haviam "casado em segredo," o que o tornaria legítimo herdeiro e "o que lhe dava precedência na linha de sucessão sobre o cardeal D. Henrique, que efetivamente herdou o trono," apesar de já ter na altura "sessenta e seis anos." Não chega a governar dois anos e, é com o monarca já às portas da morte, que se reunem as Cortes de Almeirim. D. António voltou a apresentar-se para "reclamar os seus direitos à coroa portuguesa," como um de entre três candidatos: "D. António, prior do Crato, filho natural do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel I, ou D. Catarina, filha de D. Duarte, filho mais novo de D. Manuel I, a qual estava casada com D. João, duque de Bragança. Por outro lado, havia o candidato castelhano, Filipe II, filho de D. Isabel, filha mais velha de D. Manuel I, e de Carlos V."
Ora Filipe, apesar de governar em Castela, era descendente da coroa portuguesa, enqunto que, D. António, era considerado por muitos, inclusive por seu tio, D. Henrique, como filho ilegítimo por duas razões: o Infante D. Luís, "duque de Beja," não era casado com D. "Violante Gomes", sendo que esta, seria "cristã-nova", ou seja, não era de "sangue puro."
Também "D. Catarina, ainda que tivesse uma boa situação jurídica para poder suceder ao trono," não "contava com fortes apoios."
Entretanto, já Filipe II começava a pressionar cada vez mais "as autoridades portuguesas a reconhecerem-no como rei, ameaçando que se não fosse obedecido invadiria Portugal." Para tal, D. Filipe II encontrava-se já a "reunir um poderoso exército," em Badajoz pronto para avançar e, a 18 de junho de 1580, Elvas rende-se. No dia seguinte, impulsionados pelo receio da já "iminente invasão castelhana, D. António foi aclamado tumultuosamente rei em Santarém." Também foi aclamado rei, em "Lisboa a 23 de junho."
Em agosto desse mesmo ano, dá-se a chegada do exército de D, Filipe II, "comandado pelo duque de Alba." Antecipando a sua chegada e sabendo de antemão na queda de outros postos, a "1 de agosto de 1580, D. António mandou concentrar as suas forças na margem esquerda da ribeira de Alcântara, frente à velha ponte que aí existia." Nesse local, sabendo que pouco haveria a fazer para impedir a entrada do "exército invasor", manda "abrir duas linhas de trincheiras e parapeitos com plataformas de artilharia para assim" tentar "impedir" o seu avanço, enquanto mais para o interior, "num olival", se encontrava escondida a "maior parte dos seus homens," muitos deles sem qualquer "experiência militar." Conta-se que, no "decorrer dos dias de espera pela chegada dos invasores em Alcântara muitos dos homens que a defendiam iam dormir a Lisboa, tendo alguns deles aí ficado no dia da batalha."
D. António, apesar de sair bastante ferido desta batalha, tanto por inimigos como por forças portuguesas, que o terão atacado de traição, não se deu por derrotado.
Encontra alguns apoiantes e, depois de ter passado por França e por Inglaterra, chega mesmo a ser "reconhecido como Rei na Ilha Terceira," para onde tinha fugido, muito para não ser morto à traição, algo muito comum. Acaba por ser novamente derrotado, mas desta vez pelas forças do "Marquês de Santa Cruz", no ano de 1583.
"A partir de então, e até à sua morte em 1595, D. António viveu entre França e Inglaterra."
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/d-antonio-prior-do-crato-e-defensor-de-portugal/
https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/organizacao/comissoes/cphm/rphm/edicoes/ANO4/72024/7_8
Não pode estar em causa a vergonha de pedir meios e apoios, através do acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil! Ou estavam a competir em área ardida antes de pedirem ajuda?
Espanha pediu "o envio de duas aeronaves Canadair," numa altura em que sete pessoas já tinha sido "hospitalizadas, quatro das quais em estado crítico, na região de Castela e Leão." Já tinha havido duas mortes a lamentar no país vizinho. Na província de Ourense, em Espanha, os bombeiros estão com muitas dificuldades para "extinguir um grande incêndio em Chandrexa de Queixa."
E em Portugal, a situação tem estado a piorar! Há dias que se pedem meios, ajudas! A população está desesperada, não dorme de noite, olhando as chamas que galgam montes e vales sem se deter em mudanças de concelho, vedações ou zonas protegidas! Mas só esta tarde se avançou com o acionamento do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil," tendo sido solicitada "ajuda para o combate aos incêndios". Este pedido, que irá "permitir a chegada de aviões Canadair de apoio internacional," vem tarde... já há uma enorme área ardida e já temos feridos a lamentar (vários deles operacionais dos bombeiros) - dois feridos graves e um morto...
É que por cá, para haver Canadairs, parece que só alugados! E isso dará jeito a quem?
"Apesar de ser o país do mediterrâneo com mais área de floresta ardida, Portugal é também o único que não tem uma frota própria destes aviões - os três" que por cá andavam e que avariaram, "são alugados"!
Olhando para as notícias, parecem-me um dejá-vu... a sensação é de estar a ver a repetição de algo mais antigo! Ainda se discute a falta de meios? Ainda se acusa quem limpou e quem não limpou os terrenos, quem permitiu a abertura de estradões? Não se discutiu já isto tudo, não se criaram grupos e comissões, nã se fez alterações na estrutura da PC? Então, o que é que se passa?
Existem meios no terreno, sim, e temos de agradecer a todos os operacionais que se encontram a combater as chamas. Mas continuamos a ter bombeiros a ter de ser alimentados pelas populações? Ainda é assim, em 2025? Os populares continuam a ter de combater as chamas praticamente sozinhos! Mandam evacuar as aldeias, mas se as pessoas não vêem os meios a chegar, como é que conseguem sair de lá? Como é que podem sentir que as suas coisas estão protegidas? Há muita coragem nestes dias, não apenas em quem enverga uma farda, mas também em quem luta apenas com uma mangueira de jardim e uns galhos.
Ontem, ouvi a ministra da Administração Interna a dizer coisas que, simplesmente, me enojaram. Maria Lúcia Amaral começou por agradecer aos operacionais o trabalho desenvolvido, para depois referir que o país está em luta contra as chamas, numa onde de calor que afeta o país há “22 dias consecutivos" e "que gera, evidentemente, naqueles que estão na linha da frente exaustão e cansaço”. Isso é óbvio senhora ministra, mas que apoios estão a ter os bombeiros, quando são rendidos pelos seus colegas e regressam a casa (muitos, não chegam a ir a casa, vão para o quartel e regressam ao trabalho), tanto a nível da sua saúde física quanto psicológica?
Como é que o socorro está dependente de contratações a empresas privadas? Quantos é que estão a ganhar dinheiro com isto? Enquanto isso, Montenegro andava pelo Algarve nas festanças. E decretar a situação de contingência no país? Porque demora tanto? Há pois, se estivessem em contingência teriam de interromper as férias? Cancelar eventos!?
Onze dias e 6500 hectares depois, o incêndio de Vila Real foi dado como dominado - ei! Mas não pára aqui o combate! Há uma enorme área que tem ainda de ser trabalhada, não se pode virar costas - acho que sabemos todos isso, certo? Cerca de três mil militares foram mobilizados "para o combate aos incêndios no país, tendo atualmente 34 patrulhas diárias empenhadas na vigilância e deteção de fogos." O trabalho destas equipas é extremamente importante, mas é preciso lermos tudo - três mil é o total acumulado ao longo do ano.
Refere Xavier Viegas que "os combustíveis, não só os finos, secos, mortos," que se vieram a multiplicr este ano, devido à chuva que caiu no início do ano e da falta de chuva no final da primavera, início do verão, mas também "os "arbustivos, que têm um tempo de resposta mais longo, também vão secando e a sua secura vai aumentando à medida que avançamos" pelo verão, ficando cada vez mais disponíveis para arder. Perante esta conclusão, os autarcas poderiam mandar limpar os terrenos. Basta vermos qualquer um dos canais de notícias e vemos, atrás dos jornalistas, vastas extensões de campos dourados, secos, a começarem logo junto às estradas e às habitações. Aqueles moradores, passam ali todos os dias, todos os dias... não se sentem em risco?
Fontes:
Não mostram parar, querer ceder aos meios aplicados...
Não é só Portugal que está a lutar contra as chamas (novamente, digamos que todos os anos é o mesmo, desde que me lembro de ser gente), a situação está muito complicada também em Espanha, em França e na Itália. Estou no centro do país, mas não consigo estar indiferente ao que se está a passar aqui à volta... em Portugal e nos países vizinhos. A situação é muito alarmante por toda a Europa, onde só aqui na vizinha Espanha se registam mais "de 30 incêndios ativos", além de tantos outros em na "Grécia, Turquia e Reino Unido."
Em Espanha, já morreram duas pessoas, vítimas da catástrofe que tem estado a afetar as regiões de "Galiza, Castela e Leão e Extremadura" onde as chamas são alimentadas "pela maior onda de calor de que há registo no país." Duas vítimas que apenas estavam a ajudar, um no combate ao fogo e po outro a tentar salvar os animais de um hipódromo. Lá, tal como aqui, a população está em desespero, está desamparada, queixa-se, reclama mudanças, reclama apoios. Quase "4000 pessoas foram evacuadas em Castela e Leão," onde um grave incêndio ameaça "o Patrimônio Mundial de Las Médulas." Em Espanha, ainda não foi ativado o Mecanismo Europeu de Proteçáo Civil. Também por lá se reclama ajuda, os meios parecem sempre poucos...
Na Turquia, o fogo também não está a dar tréguas à população obrigando à retirada de "mais de duas mil pessoas." Este incêndio já "destruiu centenas de habitações e carros. Cerca de 50 pessoas foram assistidas por inalação de fumo." Em França, os incêndios que começaram a "5 de agosto foram os mais intensos desde 1949," lamentando-se "uma morte," dezanove bombeiros e seis civis feridos, bem como "várias dezenas de casas" destruídas. O alerta passou de laranja a vermelho, devido ao prognóstico de agravamento da onda de calor que teima em não dar descanso.
Na Croácia também se luta contra as chamas, com as temperaturas a bater recordes. Em Montenegro, "um soldado morreu e um outro ficou gravemente ferido quando"o camião-cisterna onde seguiam para ir apoiar o combate aos fogos, capotou.
Na Albânia, "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país. Houve necessidade de evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat."
Na Grécia, os incêndios começam a ser cada vez mais uma realidade, mas longe de serem normais ou aceitáveis, num país onde "nas últimas 24 horas deflagraram 152 novos incêndios." Estão a combater as chamas cerca de "cinco mil bombeiros." Os incêndios que afetam o território já levaram "à retirada de centenas de pessoas das ilhas de Chios e Zakynthos. Já em Patras, durante a noite, o fogo destruiu casas, empresas e viaturas. Pelo menos 13 bombeiros foram tratados por queimaduras e outros ferimentos."
Em Itália a situação também se aproxima de catastrófica: "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país." Os diversos incêndios que atingem a Península fizeram "evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat." Na região da Sardenha, um menino de apenas quatro anos, "de origem romena," foi deixado numa viatura, acabando por sucumbir.
E por cá?
Por cá esperemos que não se repita 2017...
Por aqui continuam os incêndios a devastar vastas áreas de pinhal, mato e vinhas, a ameaçar casas e animais, a destruir quintais, armazéns e muitos outros bens, pondo a vida da população em risco. Pergunto-me (e muitos se perguntam como eu) o porquê de não se ter ainda ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Foram pedidas imagens de satélite há uns dias, à União Europeia, mas o que é que falta acontecer para que se solicitem meios?
Não é só uma questão de números... mas de desgaste dos operacionais! De desgaste das viaturas, de avarias que são próprias de acontecer perante o esforço a que estas viaturas são sujeitas! A 30 de julho, o "secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha," disse que o Governo estava "a fazer o necessário para garantir a disponibilidade de 76 meios aéreos, insistindo que o contributo destes meios para apagar incêndios depende das caraterísticas dos fogos." Para quem não está no terreno, os meios são os suficientes... como se quem lá estivesse não quisesse fazer mais. Para os autarcas das regiões afetadas, para as pessoas que lá vivem, para quem está a perder aquilo que levou uma vida a conseguir, os meios nunca serão os suficientes. Estou incrédula perante a demora de se perceber que esses meios não estão a atuar, não os 76... e bem que eram necessários!
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/espanha-dois-mortos-e-varios-feridos-nos-incendios_v1676167
https://pt.euronews.com/2025/08/10/nova-vaga-de-calor-prossegue-sem-treguas-no-sul-da-europa
Sabemos que as catástrofes naturais podem provocar, de forma rápida e muitas vezes sem aviso, inúmeros mortos, feridos e danos graves em infraestruturas. Mas será que estamos a levar a sérios os alertas de mau tempo que vão chegando e estaremos a tomar as medidas preventivas necessárias? Apesar de estarmos em plenio verão, o tempo tem estado bastante instável, mas nada que se compare com as tempestades que têm assolado a Europa e os Estados Unidos.
A situação que atingiu o estado do Texas, nos EUA, acabou por fazer mais de 120 mortos, de entre os quais, 30 eram crianças. O desastre aconteceu quando o rio Guadalupe aumentou "quase oito metros em 45 minutos" devido a uma queda de precipitação fora do normal. A chuva foi anunciada mas não foram tomadas medidas, pois segundo as autoridades, não se esperava que o caudal do rio subisse tanto e tão depressa. Apesar daquela ser uma zona de cheias e, apesar de terem havido alertas de precipitação forte, ninguém pensou que, talvez, aquela não fosse a melhor noite para acampar nas margens do Guadalupe. De forma drastica, o rio encheu e saiu das margens, arrantando na sua fúria tudo o que encontrou pela frente. Devastou casas, arrastou "carros e camiões." As buscas continuam, estando neste momento, "161 pessoas" ainda "dadas como desaparecidas," no Condado de Kerr.
Aqui mais perto, a situação não foi tão má. A Catalunha (Espanha) foi assolada por fortes chuvadas que fizeram "transbordar o rio Foix" cujas fortes correntes terão arrastado duas pessoas. A causa terá sido as chuvas torrenciais, que "provocaram inundações em vários pontos" da região. O mau tempo causou ainda outros constrangimentos, desde logo um corte de eletricidade, "que impediu a admissão de novos pacientes," num hospital de Barcelona. O tráfego aéreo também registou problemas com "um avião que tinha descolado com rumo aos Estados Unidos" ter tido de regressar a Espanha "depois de ter sido danificado pela queda de granizo."
Mas a verdade é que vários modelos meteorológicos avisavam já desde quinta ou sexta-feira para a eventual ocorrência de tempestades, alertando não só para chuva intensa, mas também para a eventualidade de ocorrência de "alguns tornados localizados, mas potencialmente intensos – mais prováveis no Norte de Itália," bem como para a possível ocorrência de consequências como "inundações, cheias, enxurradas e derrocadas."
Então, perante estes alertas, o que é que limita os governantes destes países a lançar alertas a tempo e a proceder a ações preventivas, como a limpeza de escoadouros e sumidouros, o alargamento de canais e, se necessário, a evacuação de zonas de cheia, principalmente salvaguardando a população mais idosa ou com limitações de mobilidade? Podemos ser práticos e preventivos, sem sermos alarmistas?
O que é necessário que ocorra para que os alertas sejam tidos em atenção e que os governos ajam numa atitude mais preventiva? Não esqueçamos que Trump está a acabar com os gabinetes de análise climática, tendo já demitido centenas de trabalhadores da Agência Meteorológica, e que isso não irá apenas afetar os americanos....
Fontes:
https://lusometeo.com/atualidade/tempestades-europa-julho-25807/
Serem dois jovens, dois jogadores promissores já me traz uma sensação de injustiça, mas pensar que Diogo e André são irmãos, ainda me dá um aperto maior.
Diogo Silva, mais conhecido por Diogo Jota, tinha 28 anos, era atualmente jogador do Liverpool e tinha casado no mês de junho com a sua companheira de vida, Rute Cardoso, com quem tinha três filhos. Ao seu lado no carro seguia o irmão, André Silva de apenas 25 anos e que jogava no Penafiel. Além de ter jogado no Paços de Ferreira e no FC do Porto, Diogo Jota "integrava também a selação nacional, tendo sido recentemente bicampeão da Liga das Nações da UEFA, após Portugal vencer Espanha a 9 de junho."
O acidente que os vitimou "ocorreu na província espanhola de Zamora, depois do Lamborguini onde viajam se ter despistado e incendiado." Não está ainda provada a causa do acidente, mas, "de acordo com a Guardia Civil de Espanha, um furo no pneu da viatura esteve na origem do" grave acidente.
Os dois seguiam para "Santander", onde iriam "apanhar um ferry para Inglaterra, onde Jota deveria regressar à sua equipa para um treino de pré-temporada." Diogo tinha sido desaconselhado a viajar de avião devido a uma pequena intervenção que tinha feito aos pulmões e que poderia causar problemas devido à altitude e às diferenças de pressão e, era por esse motivo que iam por estrada. Em causa, pode estar o estado do carro alugado, aliado ao mau estado daquela autoestrada e, à possibilidade, de viajarem em velocidade excessiva para as condições da estrada em causa. O embate levou a que a viatura se tivesse incendiado.
Os adeptos do Liverpool vieram já pedir que a camisola nº 20, usada por Diogo, fosse retirada e que o número ficasse eternizado para o internacional português, muito acarinhado pelos simpatizantes e adeptos do clube inglês. Seria a primeira vez que isso aconteceria, uma vez que o clube, considerado como um "gigante da Premier League inglesa," nunca antes retirou "nenhum número da camisola nos seus 133 anos de história." Além de colocarem à disposição dos adeptos um livro de condolências físico e outro digital, o Liverpool veio ainda prestar as suas condolências à família dos dois jovens, pedindo respeito pela sua dor. "Entretanto, os adeptos do Liverpool" começaram a "reunir-se no exterior do estádio de Anfield e têm depositado flores, cachecóis e camisolas em memória de Jota." Também o FCP, prestou homenagem ao seu antigo jogador, colocando "as bandeiras a meia haste no Estádio do Dragão." Apesar do irmão, "que morreu no mesmo acidente, também" ter jogado "nas camadas jovens do FC Porto," a imagem que se vê no ecrã gigante do estádio, é apenas a do "internacional português com a camisola portista, que vestiu na época de 2016/17."
Num clube diferente e com muito menos mediatismo, André tinha acabado o curso de Gestão. "Antes de jogar no Penafiel, André representou Gondomar, Boavista e Famalicão (sub-23). O percurso de formação foi feito no FC Porto, Paços de Ferreira, Padroense e Gondomar."
Tem sido difícil de ver as muitas imagens dos dois jovens que têm sido, até excessivamente, divulgadas pelos media portugueses. Especialmente, em ouvir constantemente a frase "Diogo e o irmão" como se este não tivesse a mesma importância (para a família teriam os dois, com certeza, a mesma importância e trazem a mesma dor), mas os comentadores não pensam e acabam por ser, de certa forma, injustos para não dizer desrespeitosos para com a dor destes pais e da restante família. Claro que, pela dimensão dos clubes onde jogavam, conheceríamos melhor Diogo, mas tem de haver algum cuidado nas publicações.
Fontes:
https://www.abola.pt/futebol/noticias/quem-era-andre-silva-o-irmao-de-diogo-jota-2025070310435956288
Ontem, a grande maioria dos portugueses foi surpreendida por uma falha de energia elétrica. O que nos primeiros minutos se pensou ser algo mais localizado, era de facto uma falha que atingia também Espanha e uma zona de França. Não atingiu toda a Europa como ainda se chegou a ouvir. Aliás, durante o dia de ontem (e hoje ainda mais, pois hoje é que as pessoas foram regressando às redes) tem sido divulgada muita informação duvidosa. E se numas vezes, pode ser mesmo por desconhecimento e por tentativa de encontrar uma causa para esta situação, noutras terá mesmo sido divulgada informação falsa com a intenção de lançar o caos e de prejudicar os envolvidos. Nem uma nem outra coisa deveriam ter sido feitas e era bom que se encontrassem os responsáveis por começarem a lançar teorias da conspiração através (não apenas, mas principalmente) na Internet.
No meio disto tudo, e apesar de em algumas regiões do país a eletricidade ter regressado ao final da tarde, muitas pessoas acabaram por estar sem luz, sem comunicações e sem água até perto das 23h00 (sendo que nalgumas regiões a situação só se restabeleceu pela manhã de hoje).
A falha de eletricidade num país vai afetar, não apenas o consumidor final desse tipo de energia, como também outros sistemas que dependem de eletricidade para funcionar, como é caso do fornecimento de água, cujas bombas são elétricas, e o caso das torres de telemóveis, que ao longo do dia foram ficando sem sinal.
O que nunca nos abandonou foi a rádio. Neste dia, muitas das rádios estiveram em transmissão ininterrupta, trabalhando para encontrar e transmitir à população o máximo de informação possível. Mesmo com as dificuldades de filtragem de toda a informação, a rádio acabou por prestar um excelente serviço à comunidade - tenham sido as rádios nacionais, tenham sido as rádios locais.
Não vou divagar muito sobre este tema, uma vez que acho que, apesar de ser muito importante, está a ser, erradamente, aproveitado para se fazer campanha política. Acho, no entanto, que devo dar os parabéns àqueles profissionais que, mais uma vez, continuaram a trabalhar para que a situação regressasse à normalidade o mais rapidamente possível. E um destaque para os funcionários dos supermercados: parabéns pela vossa paciência, para aturar coisas que não lembra a ninguém.
A nossa sociedade continua a não estar preparada para eventos destes. A marioria das pessoas não sabia o que fazer, não estava organizada com a família para que fossem tomadas decisões assertivas. Dou um exemplo que aconteceu com algumas famílias. Por não conseguirem encontrar transporte, muitas pessoas entraram em pânico por não conseguirem contatar com ninguém para o filho ou a filha serem recolhidos da escola, ou da creche. Foram vários casos destes que aconteceram e, claro, é natural que se fique ansioso, mas tem de haver um plano familiar pré-definido que, nestes casos, possa ser executado. As creches, Jardins de Infância e escolas de 1º ciclo e 2º ciclo, não poem crianças sozinhas no meio da rua e mesmo nas escolas em que os alunos são mais velhos, a ordem foi para só se deixar sair aqueles alunos que, já nos outros dias, saem sozinhos.
O que eu senti, e que entendo perfeitamente, foi a necessidade das pessoas resolverem a sua própria situação no imediato, numa impaciência motivada talvez pela falta de comunicação das entidades competentes. Mas temos de nos lembrar que, no decorrer destas horas, muitas das pessoas ligadas às entidades competentes estavam a gerir situações. E essa gestão, feita de acordo com procedimentos organizados, tem ordens de prioridades e obedece a tempos que muitas vezes não são os mesmos que a cada um de nós poderia interessar.
De acordo com informação do "operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes", a meia noite estariam já "ligadas parcialmente 424 subestações," o que dava para fornecer energia a cerca de 6,2 milhões de clientes" dos 6.5 milhões de consumidores.
Não acho, porém, que tenha sido um bom dia. Houve situações graves que podiam ter corrido muito mal e se, ainda, não temos registos de mortos, foi porque no meio do possível caos que se começou a fazer sentir, houve algumas pessoas que usaram uma capacidade que se chama resiliência, enquanto outras usavam o "chico-espertismo." Por favor, isto não foi nada bom, podia ter sido bem pior. Agora que já passou, podemos refletir - a nível pessoal e familiar, o que correu bem ou mal, o que podia ter sido feito de outra forma e, claro, a nível comunitário, encontrando não tanto soluções, mas caminhos.
Este apagão acabou por levar ao encerramentos dos aeroportos, ao "congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades," ao encerramento de lojas e serviços e à "falta de combustíveis," e de ter sido até considerado como um dos mais graves a acontecer na Europa nos últimos anos. Para muitos, foi um incómodo, um dia diferente que nos surpreendeu e transtornou, mas para algumas pessoas, foi mesmo uma situação de uma gravidade extrema, principalmente naqueles casos em que a presença de uma tomada elétrica pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Foi o caso de doentes que necessitam de dispositivos como ventiladores, bipap, cipap ou outros (apesar de haver baterias, por vezes, as pessoas esquecem-se de as carregar e de ter baterias extra caso aquelas se tenham de gastar até ao fim ou avariem), ou podem sofrer um agravamento da sua situação devido ao stress causado pela falha elétrica em si. Outros casos bastante graves - as pessoas que ficaram retidas em comboios, elétricos e elevadores (felizmente a falha começou às 11h30 porque se fosse na hora de ponta em que os transportes vão completamente apinhados, acredito que aí sim a situação teria sido bem pior), as que estavam em veículos suspensos (teleféricos) ou em gruas e estruturas elevatórias. Muitos destes sistemas funcionam a eletricidade e, apesar de terem sistemas de descida redundantes (por exemplo, manuais) ou hidráulicos.
Esperemos que uma situação destas não se volte a repetir, mas que esta tenha servido de aprendizagem para muitas pessoas. Principalmente no que se refere à prevenção.
Fontes:
A explosão de uma máquina que estava a ser utilizada na extração de "minério para o fabrico de grafite," provocou cinco mortos quatro feridos. O acidente aconteceu na mina de carvão, de Cerredo, nas Astúrias, norte de Espanha. A explosão desta máquina, provocou várias "queimaduras e traumatismos nas pessoas que se encontravam nas proximidades."
"Pelo menos dois dos feridos foram transportados para o hospital com queimaduras graves no corpo."
Fontes:
Ultimamente tem-se falado muito sobre os sismos que têm sido sentidos em Portugal. Se alguns nos podem afetar mais diretamente, outros, apesar de sentidos, não causam danos nas habitações, infraestrutura, nem perdas humanas.
Esta madrugada, um "sismo de magnitude 4,1 na escala de Richter foi sentido em vários municípios espanhóis. O epicentro do terramoto foi na localidade sevilhana de Cazalla de la Sierra, uma pequena cidade com cerca de 4.000 habitantes." Por cá, o abalo foi sentido "na região alentejana de Reguengos de Monsaraz," no distrito de Évora. "De acordo com o IPMA, o sismo foi sentido com intensidade máxima II, na escala de Mercalli modificada."
Numa situação de sismo, é importante sabermos o que devemos fazer. "Durante o terramoto, o principal conselho é ficar onde se está. Se estivermos num edifício, temos de ficar no interior, debaixo de uma estrutura sólida. Se estivermos no exterior, devemos ficar na rua." O último sismo a ser sentido na região de Lisboa e margem sul, foi no dia 17 deste mês, teve o seu epicentro perto da Fonte da Telha e "foi sentido com intensidade máxima V/VI (escala de Mercalli modificada) no concelho de Almada e Sesimbra." A este seguiram-se alguns abalos menores.
Fontes:
https://pt.euronews.com/my-europe/2025/02/27/sismo-de-41-esta-manha-em-espanha-sentido-em-portugal
https://pt.euronews.com/my-europe/2025/02/17/sentido-sismo-em-lisboa
As vítimas tentavam chegar a Espanha. Podemos julgar ou condenar as suas decisões? Não estamos na situação em que estas pessoas se encontravam e, por muito que queiramos pensar que haveria outras soluções, a verdade é que esta foi a solução que eles encontraram.
Seguiam no barco cerca de 80 pessoas e o destino seria as ilhas Canárias, em Espanha, uma das várias portas de entrada na Europa. Destas apenas 11 sobreviveram. Entre as vítimas estão "25 jovens" provenientes do Mali. Os restantes 69 foram dados como mortos.
Mas o naufrágio deste barco aconteceu no passado dia 19 de dezembro, embora a Lusa e outras fontes estejam agora a divulgá-lo, por ocasião do balanço feito todos os anos e que nos dão conta de números assustadores. Este ano, "10.457 pessoas" perderam a vida "na tentativa de chegarem à costa espanhola, numa média de quase 30 por dia e num aumento de 58% em relação ao ano passado." A causa para tanta mortalidade poderá estar na falta de auxílio, com "os protocolos de resgate" a serem tardiamente ativados na maioria das vezes e à "escassez de recursos nas operações de resgate."
"Muitos migrantes que empreendem esta perigosa viagem vêm de países da África Ocidental, como o Mali, o Senegal e a Mauritânia, em busca de melhores condições de vida ou fugindo da violência e da agitação política."
Fontes:
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