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Daqui a uma semana, iremos a eleições. Mas já há quem tenha votado. A ida às urnas iniciou-se logo no dia 6 de janeiro, nos círculos da emigração. Quem vive no estrangeiro, viu-se "obrigado a deslocar-se a um posto consular, nalguns casos a centenas de quilómetros de distância de casa," se quis "participar na escolha do próximo Presidente da República."

Votar não é obrigatório, mas é um direito e nem a distância deveria ser um impedimento. Poderia ser mais fácil? Sim, poderia. Por algum motivo, ainda não é possível usar as novas tecnologias a favor da participação em eleições, preferindo-se aceitar que muita gente não irá às urnas, abstendo-se de participar num ato tão importante. Apesar da possibilidade de votarem a partir do dia 6, muitos portugueses queixam-se de falta de informação. 

Amanhã, dia 11, já se pode votar em Portugal (incluindo ilhas), ou seja, quem tenha decidido votar antecipadamente e se tenha inscrito até à última quinta-feira, "por não conseguir deslocar-se às urnas no dia das eleições, 18 de janeiro, vai poder votar apenas este domingo," no local por si "selecionado."

Aliás foi por causa dos votos da emigração que não foi possível corrigir os boletins de voto e iremos ter 14 nomes, sendo que "apenas" 11 candidatos vão a votos! Mesmo assim, onze, é um dos maiores números de candidatos de sempre. Por algum motivo, "a definição dos nomes que neles vão constar tem que ocorrer antes do processo de validação das candidaturas," e esta discrepância nas datas, fez com que este fenómeno pudesse acontecer. Na minha opinião, isto poderia ter sido corrigido, mas parece que foi mais fácil aceitar que ia ser assim e pronto. " O primeiro nome que aparece no boletim é o de Ricardo Sousa," aparecendo depois misturados nos restantes, os nomes "de Joana Amaral Dias e o de José Cardoso," mas marcar a cruz em qualquer deles será igual a voto nulo. Penso que ninguém vá, sem que o faça propositadamente, marcar o nome num destes nomes, mas depois de conversar com uma colega minha que já esteve em mesas de voto, sim parece ser possível que as pessoas se enganem.

E assim vai Portugal. Com pessoas que votam sem saber em quem votam e com um Tribunal Constitucional que permite a passagem de 14 nomes, sem os ter antes confirmado.

E depois temos aqueles onze. No grupo da frente, afastados por uma pequena percentagem que vai oscilando consoante a origem da sondagem ou o dia da semana, estão António José Seguro, Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura. Depois, com alguma distância, vêm Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Sugiro a leitura do Perfil de cada candidato nesta página, caso tenham alguma curiosidade. Neste grupo de personalidades, algumas mais conhecidas do que outras, há de tudo um pouco. Uns declaradamente mais à Direita e outros mais à Esquerda. Houve esta semana até a discussão sobre se alguns candidatos poderiam desistir para que os votos não ficassem tão dispersos e se concentrassem mais num candidato do que noutro, numa clara tentativa da Esquerda para não se deixar vencer pela Direita. Na política, vale (quase) tudo. 

Entretanto, lá vão puxando a brasa às suas sardinhas e referindo este ou aquele nome, como apoiante ou inspiração, numa clara tentativa de apelar às memórias e ao coração dos eleitores. Mário Soares, Cavaco Silva ou Francisco Sá Carneiro, são apenas exemplos desta ida constante ao baú.

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/mais-cm/especiais/eleicoes-presidenciais-2026/detalhe/um-em-cada-seis-eleitores-esta-no-estrangeiro-e-nao-pode-votar-a-distancia

https://observador.pt/opiniao/o-espelho-do-estado-num-boletim-de-voto-com-14-nomes/

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026-01-08-ultimo-dia-para-se-inscrever-e-poder-votar-antecipadamente-em-mobilidade-nas-eleicoes-presidenciais-63e73be2

https://sapo.pt/artigo/conheca-o-perfil-de-cada-um-dos-11-candidatos-6957deca7f0df3a885b27763

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publicado às 19:33

Houve um golpe de estado na Guiné?

por Elsa Filipe, em 05.12.25

Há quem fale em "encenação", outros em "golpe de estado". Sabe-se que o presidente deposto está no Congo, para onde viajou depois da contagem dos votos ter sido interrompida por forças militares. Segundo as notícias, um grupo de militares suspendeu o processo eleitoral e tomou posse. Isto ocorreu depois da realização das eleições presidenciais e legislativas, no passado dia 23 de novembro, sem que o "principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato à presidência, Domingos Simões Pereira," tivessem concorrido.

Perante a exclusão do ato eleitoral, o PAIGC afirmou o seu apoio "ao candidato opositor independente Fernando Dias da Costa." A divulgação dos resultados eleitorais não chegou sequer a acontecer, tendo havido lugar à "destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló, o encerramento de todas as instituições da República, a suspensão da atividade de todos os meios de comunicação social, um recolher obrigatório noturno, o encerramento do espaço aéreo e a detenção de opositores."

No dia 26, depois de "um tiroteio que durou cerca de meia hora," perto do "Palácio Presidencial em Bissau, a residência oficial do Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, e nas redondezas da sede da Comissão Nacional de Eleições, na capital da Guiné-Bissau," os militares anunciaram ter tomado "o poder na Guiné-Bissau, segundo um comunicado das Forças Armadas guineenses, lido na televisão estatal TGB pelo porta-voz do Alto Comando Militar, Dinis N´Tchama." Foram detidas, de acordo com a "Liga Guineense dos Direitos Humanos" pelo menos, "18 pessoas," entre as quais 5 membros da Comissão Nacional de Eleições. 

Os militares empossaram o "general Horta Inta-A" como "Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense," enquanto que o "Presidente deposto", Sissoco Emabló, foi para o Senegal e dali viajou depois para o Congo.

A Coligação PAI Terra Ranka (PAI-TR), "liderada por Domingos Simões Pereira, interpretou" este golpe de forma mais leviana, classificando-o de "suposto golpe de Estado" e dizendo que foi apenas uma "tentativa desesperada do Presidente para travar a proclamação dos resultados eleitorais, que dariam vitória a Fernando Dias da Costa," já que esta ação militar ocorreu "na véspera de se conhecerem resultados eleitorais, que o opositor Fernando Dias garante ter vencido."

Entretanto, o próprio Dias da Costa "condenou o golpe militar no país" e pediu à comunidade internacional para "fazer valer a democracia na Guiné-Bissau, não a ditadura", chamando Umaro Sissoco Embaló, de "ditador."

Por estranho que possa parecer, quem, supostamente, deteve Embaló, foi um homem que até ali era da sua confiança, o "brigadeiro-general Dinis N’Tchama." N'TChama terá explicado que haveria um “esquema dos políticos nacionais com a participação de um conhecido barão da droga." Disse ainda que houve "a colaboração de forças estrangeiras" e que tinha "sido descoberto um depósito de armamento de guerra”.

A confusão está lançada e não se sabe o que está realmente a acontecer. Esta ação tem estado a ser denunciada e condenada "pela comunidade internacional," onde se inclui a Presidência portuguesa, que tem estado a acompanhar a evolução da situação. Entretanto, ontem foram já libertados os "cinco magistrados do Ministério Público e os membros do secretariado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que estavam detidos por militares na Guiné-Bissau." Entretanto, soube-se que o Embaló estará "a salvo" no Senegal, "onde chegou a bordo de um avião fretado por este vizinho do norte da Guiné-Bissau." 

Ao que parece, o presidente deposto pode estar ainda a governar - embora à distância - e os problemas do país continuam, mas com mais violência nas ruas.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guine-bissau-golpe-militar-que-oposicao-diz-ser-tentativa-de-travar-resultados-eleitorais_n1701598

https://observador.pt/especiais/o-esquema-com-o-barao-da-droga-e-manipulacao-das-eleicoes-encenacao-ou-golpe-de-estado-o-que-se-passa-na-guine-bissau/

https://observador.pt/2025/12/01/guine-bissau-cplp-prepara-cimeira-extraordinaria-para-sanar-vacatura-na-presidencia/

https://expresso.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2025-11-28-golpe-de-estado-na-guine-bissau--uma-mascarada.-um-autogolpe-sem-duvida-972d4a38

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publicado às 13:58

A caminho das presidenciais 2026

por Elsa Filipe, em 30.11.25

Começaram os debates entre os os candidatos para a Presidência da República. Estes debates permitem-nos conhecer um pouco mais sobre as ideias de cada candidato, mesmo quando estes se calam ou mudam de assunto perante questões mais incómodas. As eleições, que se realizarão a 18 de janeiro, poderão ser realizadas em duas voltas, uma vez que, de acordo com a lei portuguesa, o candidato à presidência da República "deve receber a maioria absoluta dos votos para ser eleito. Se nenhum candidato alcançar a maioria na primeira volta, deve ser realizada uma segunda volta, entre os dois candidatos que receberam mais votos na primeira."

Nestas eleições, concorrem para já 8 candidatos (mas chegaram a ser mais).

Aquilo que tenho notado (e porque andamos a falar sobre a queda da monarquia e a implantação da República), é que a grande maioria dos jovens não sabe quais são as funções do Presidente da Raepública e confundem-no com o Primeiro Ministro. Estes jovens, que agora ainda não votam, não fazem ideia de quem foi Mário Soares, Jorge Sampaio ou Cavaco. E se posso estar a pedir muito, talvez não seja assim tão descabido que lhes seja explicado o que é um partido de extrema esquerda e de extrema direita, quais as implicações de estarmos na União Europeia e na NATO.

Em Portugal o presidente da República "atua como chefe de Estado com funções principalmente cerimoniais, embora tenha alguma influência política e possa dissolver o Parlamento durante uma crise." Para conhecermos um pouco mais sobre os candidatos, temos vários programas televisivos e de rádio. Desde logo, o programa "Grande Entrevista" brilhantemente conduzido por Vitor Gonçalves na RTP. Há também um ciclo de debates (28 ao todo) transmitidos de forma intercalada pelos três principais canais, que opõem num frente a frente moderado por um jornalista, todos os candidatos. O formato é interessante, enquanto dois candidatos debatem num canal, todos os outros vão discutindo o que está a ser dito. Podemos ir mudando de canal se quisermos escutar o que é dito pelos comentadores em vez de prestar atenção aos próprios candidatos, porque há muita palha a ser mastigada entre uma e outra questão. O que mais me choca, é a incapacidade de se ouvirem e de nos deixarem ouvir. A técnica usada por alguns é interromper o outro de tal forma que, no fim, não conseguimos espremer nada de jeito. 

Em corrida, destaco agora:

Luís Marques Mendes (PSD), Catarina Martins (BE), António José Seguro (PS), António Filipe (PCP), João Cotrim Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo (Ind), André Ventura (Chega), Jorge Pinto (Livre), José Cardoso (PLS), Joana Amaral Dias (ADN), Vitorino Silva (Ind), André Pestana (Ind) e Aristides Teixeira (Ind). Alguns são mais conhecidos do que outros, pelo menos no que respeita ao panorama e à experiência política.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_portuguesas_de_2026

https://www.rtp.pt/noticias/politica/candidatos-a-presidencia-da-republica_i1696454

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publicado às 10:14

Em quem é que vamos votar?

por Elsa Filipe, em 12.10.25

Domindo, 12 de outubro. Dia de eleições autárquicas. Vamos votar em três órgãos: Câmara Municipal. Junta de Freguesia e Assembleia Municipal. Vivemos em democracia, "um sistema político em que o poder está no povo" e esse poder "pode ser exercido de forma direta, através de participação popular direta em decisões, ou indiretamente, através de representantes eleitos." É isso que temos hoje de fazer. Ir às urnas e votar, dar a nossa opinião, mostrar com quem concordamos e em quem discordamos, mesmo que não seja totalmente. Quem queremos na frente da nossa autarquia, a dar a cara, a decidir, nos próximos 4 anos?

As primeiras eleições autárquicas realizaram-se em 1976, no mesmo ano em que se realizaram as primeiras eleições livres para a AR. Nas primeiras eleições autárquicas, o partido vencedor foi o Partido Socialista, "que conseguiu cerca de 33% dos votos, apesar de ter empatado com o Partido Popular Democrático (PPD) em número de presidentes de câmara: 115." Em 1976, tendo sido eleitos no total "304 presidentes de câmara municipais, 1 906 vereadores municipais, 5 130 deputados municipais, 4 035 presidentes de junta de freguesia (787 dos quais em plenário de cidadãos eleitores) e 26 286 membros de assembleias de freguesia." 

Nas últimas eleições autárquicas, que se realizaram em 2021, "o PS venceu 147 municípios e o PSD 114" municípios.

Hoje, facto curioso, estão inscritos mais de "9,3 milhões de eleitores" para votar, dos quais, cerca "de 41 mil são cidadãos estrangeiros recenseados em Portugal." Dos 9,3 milhões, existem também "18.319" que "são eleitores estrangeiros da União Europeia (UE) e 22.799" que "são eleitores estrangeiros provenientes de fora da UE, em ambos os casos recenseados em território nacional. Em muitas autarquias, vão ver-se novas caras, não porque a mudança fosse desejada, mas porque quem estava no poder atingiu o limite de mandatos. São 89 os presidentes que saem "nestas autárquicas por terem chegado ao limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia," sendo que destes, "49 são socialistas, 21 social-democratas ou de coligações lideradas pelo PSD, 12 da CDU, três do CDS-PP e quatro independentes."

Durante a manhã, já fomos vendo as rádios e as televisões a entrevistarem os líderes dos vários partidos com assento parlamentar, enquanto estes fazem o dever cívico de ir votar, tentando assim ter algumas reacções e captar mais alguns detalhes sobre aquilo que, à partida, todos sabemos: cada um votará certamente no seu próprio partido e todos desejam, lá no fundo, que no fim, a contagem lhes dê a vitória. Mais do que quem fica a governar cada Câmarra Municipal, quer-se saber quais as cores com que o país será pintado e, far-se-ão inúmeras comparações noite dentro.

Ao votar, cada eleitor irá receber três boletins: um verde, para a câmara municipal, um amarelo, para a assembleia municipal e um branco, para a assembleia de freguesia. Três órgãos distintos mas que trabalham em articulação no dia a dia de cada município. Acredito que hoje, se vá votar mais pela pessoa, pelo efetivo que se conhece ou contra aquele que achamos que já ali não faz nada, e não pela cor partidária. 

Uma outra curiosidade, é que este ano, foram repostas "302 freguesias" que tinham sido "extintas na reforma administrativa de 2013, num processo que desagrega 135 uniões de freguesia. O país passa assim a ter 3.258 freguesias." De todos os concelhos, o "Corvo é o único concelho sem junta de freguesia, sendo as suas competências assumidas pela câmara municipal." E sabiam que em "37 freguesias" do país se irá "escolher o executivo em plenários de cidadãos, por terem menos de 150 votantes"?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/politica/dia-de-eleicoes-autarquicas-ao-minuto_e1690256

https://expresso.pt/sociedade/2025-10-12-eleicoes-autarquicas-2025-mesas-de-voto-ja-abriram.-saiba-onde-e-ate-que-horas-pode-votar-0904f90b

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/quase-90-presidentes-de-c%C3%A2mara-saem-nestas-elei%C3%A7%C3%B5es-por-limite-de-mandatos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_aut%C3%A1rquicas_portuguesas_de_1976

 

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publicado às 11:36

Bem, que ainda falta contar os votos dos emigrantes e que ainda podemos ter mais algumas alterações no Parlamento, todos sabemos, mas hoje venho dar aqui destaque a outros dois atos eleitorais que se realizaram na Europa. 

Na Roménia, as eleições presidenciais foram ganhas pelo "candidato independente pró-ocidental Nicusor Dan," que conseguiu, este domingo, "54%" dos votos. "O seu concorrente, o candidato da extrema-direita George Simion," ficou com "46% dos votos." Mas... e não havia mais nenhum candidato a concorrer? A verdade é que, na primeira volta, realizada a 4 de maio, o vencedor tinha sido "George Simion, o pouco conhecido candidato da extrema-direita. No entanto, as intenções mudaram em apenas "duas semanas" com Nicusor Dan, defensor da UE, a conseguir "dar a volta ao resultado e passar para a frente."

O partido "Aliança para a União dos Romenos - um pequeno partido nacionalista de extrema-direita," de Simion, defendia entre outras coisas, "a integração da Moldova e do sudoeste da Ucrânia na Roménia, o que lhe valeu a proibição de entrar nesses países."

Estes resultados mostram a dicotomia existente no país, ficando assim o "futuro presidente" com um grande desafio em mãos: a reunificação do país." Nicusor Dan, terá ainda de lidar com "a turbulência económica que se aproxima e que assola a Roménia." A Ucrânia e a Moldova não ficaram indiferentes a este resultado, "num momento crucial" para toda a UE, uma vez que se espera que o "presidente eleito," trabalhe "com a atual maioria pró-ocidental no parlamento." Nestas que foram consideradas as eleições mais importantes desde o "fim do comunismo" na Roménia, a polémica tem sido uma constante. A primeira volta, em dezembro, acabou por  ser "anulada" pelo "Tribunal Constitucional, numa decisão inédita, por suspeita de ingerência russa, que teria beneficiado nas redes sociais, nomeadamente no TikTok, o candidato pró-russo Calin Georgescu."

Já na polónia, tudo aponta para a vitória de Rafał Trzaskowski, na primeira volta que também se realizou este domingo, "contra o rival de direita, Karol Nawrocki." A segunda volta irá disputar-se "a 1 de junho." Trzaskowski, do "partido Plataforma Cívica," de onde é também o "primeiro-ministro Donald Tusk," conseguiu "30,8% dos votos, enquanto Nawrocki, apoiado pelo partido populista de direita Lei e Justiça (PiS), obteve 29,1%." Neste caso, estavam em disputa "13 candidatos" (11 homens e 2 mulheres) e nenhum deles conseguiu ter "mais de 50% dos votos, sendo necessária uma segunda volta, que vai agora ser influenciada pelo sentido de voto dos derrotados." Segundo as projeções, o "terceiro colocado será Slawomir Mentzen, candidato da Confederação (extrema-direita), com 15,4% dos votos."

Em ambos os casos, a extrema direita saiu, para já, derrotada. 

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/05/18/candidato-pro-ue-lidera-presidenciais-cruciais-na-romenia-segundo-sondagens-a-boca-das-urn

https://expresso.pt/internacional/europa/2025-05-18-eleicoes-presidenciais-na-polonia-candidato-pro-europeu-vence-rival-populista-por-pequena-margem-na-primeira-volta-4dfbe263

https://www.dn.pt/internacional/europe%C3%ADsta-dan-vence-presidenciais-na-rom%C3%A9nia-e-ue-respira-de-al%C3%ADvio

 

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publicado às 23:05

Eleições e muitas preocupações

por Elsa Filipe, em 19.05.25

Ontem foi dia de eleições legislativas e, posso-vos dizer que me senti bastante dececionada. Sabia que haveria uma grande abstenção (para mim, valores que se mantêm acima dos 40%, são elevados, sim) mas não pensei que os resultados fossem estes. Por um lado, entendo o descontentamento da população, mas a verdade é que temos de ter em conta que a dispersão de votos por partidos mais pequenos, acaba por dificultar as decisões que têm de ser tomadas e mostram um país mais fragilizado.

A queda do PS em vários círculos eleitorais deixou espaço à subida da direita, especialmente, da direita posicionada mais à esquerda. "O Partido Socialista (PS) ficou no segundo lugar com 23,38%, quase menos 5% do que em 2024, o que se traduz em quase menos 420 mil votos e em apenas 58 assentos paralamentares, ou seja, perdeu 20" deputados. "Portugal foi apanhado pela onda crescente de populismo na Europa, com o Chega a subir para o terceiro lugar nas eleições do ano passado."

A AD acabou por ganhar, mas sem ter maioria, ficando a oposiçaõ dividida entre o PS e o CHEGA. Ah, já agora, que se diga também que Pedro Nuno Santos vai deixar a liderança do PS e isso irá deixar espaço a reestruturação interna no partido. "Ainda com os círculos da emigração por apurar, a coligação formada pelo PSD e CDS-PP obteve o maior número de votos (32,72%), uma subida superior a 4%, e de deputados (89), mais nove do que no ano passado."

Chegou à Assembleia um novo partido, com filiação na Madeira: o "Juntos Pelo Povo (0,34%)." O JPP obteve "um aumento de quase mil votos," conseguindo assim eleger "Filipe Sousa, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz."

A Iniciativa Liberal teve uma subida conquistando "(5,53%)," dos votos e conseguindo assim "mais um deputado."  O Livre conseguiu também subir "(4,20%)," passando "de quatro para seis lugares no parlamento."

Em relação à CDU "(3,03%)" e ao "Bloco de Esquerda (2%)" houve uma descida "em número de votos e deputados: os comunistas tinham quatro parlamentares e ficam agora com três, ao passo que os bloquistas sofrem uma derrota ainda maior, diminuindo de cinco para apenas um." O "PAN (1,36%), apesar de perder mais de 45 mil votos, manteve Inês de Sousa Real como deputada." 

Desta forma, a maioria fica à direita, contrariamente com o que se registava até aqui. A direita do Parlamento é neste momento formada por "AD (89), Chega (58) e IL (9)" somando assim, para já, 156 deputados, mais de dois terços da Assembleia do Parlamento, deixando o PS (58) de ser necessário para uma revisão constitucional."

Esta "maioria de dois terços serve também para outras alterações, nomeadamente de leis com valores reforçado, como as leis eleitorais, além de poder influenciar outras questões como as nomeações para o Tribunal Constitucionais."

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/05/18/ad-vence-eleicoes-legislativas-segundo-projecao-da-universidade-catolica

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/05/17/dia-de-reflexao-portugal-prepara-se-para-as-terceiras-eleicoes-em-tres-anos

https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2025/2025-05-18-legislativas-2025-sondagens-resultados-declaracoes-noite-eleitoral-3dc3e490

 

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publicado às 22:25

Há 25 anos, Timor foi a eleições e, além da independência, ganharia então a vontade de construir uma democracia firme. "Depois de uma colonização de quase cinco séculos, pelos portugueses, e 24 anos de ocupação indonésia, o povo timorense foi chamado no dia 30 de agosto de 1999 para votar se queria livrar-se dos ocupantes ou manter-se sob a sua governação." O ato foi de facto um marco importante, em que a verdadeira vontade daquele povo foi mostrada ao mundo. Na verdade, "ninguém, nem o próprio presidente indonésio, que aceitou o referendo após longa batalha diplomática entre Portugal, Indonésia e as Nações Unidas, esperava tamanha afluência às urnas."

António Guterres, antigo primeiro ministro português, está presente em "Díli para participar nas celebrações dos 25 anos do referendo que levou à restauração da independência do país, pondo fim à ocupação Indonésia" junto com outros representantes nacionais e internacionais. Ao atual secretário-geral da ONU foi atribuída hoje a cidadadina timorense.

Guterres encontrou-se hoje com "o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão", uma das figuras mais importantes em todo este processo, a quem "António Guterres prestou também homenagem", destacando o seu papel "enquanto líder da resistência timorense e pela forma como defendeu a independência do seu povo detido em Jacarta, capital da Indonésia," bem como, no seu papel na "transformação de Timor-Leste num país independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e que se afirma internacionalmente com crescente influência."

Guterres referiu ainda, que tinha ficado "impressionado com o compromisso do Governo timorense em matéria de segurança alimentar e investimento na agricultura," o que considerava ser um "desafio crucial para o êxito do desenvolvimento, saúde, educação e infraestruturas."

"Timor-Leste aderiu no início do ano à Organização Mundial do Comércio, é fundador do G7+ e deverá aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano."

Uma outra figura importante neste processo, foi Durão Barroso, que em "1992, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal," participou em "quatro rondas de negociações" com a Indonésia. Apenas a 5 de maio de 1999, os dois países assinariam "três acordos, nomeadamente sobre a questão de Timor-Leste, outro sobre a modalidade da consulta popular e um terceiro sobre segurança," com o contributo essencial das Nações Unidas. Barroso, salientou ainda que foi "o massacre do cemitério de Santa Cruz" o grande acontecimento que "contribuiu para dar visibilidade à questão de Timor-Leste." Lembro-me ainda hoje desse massacre e eu era bem pequena na altura. Existem imagens que nos ficam gravadas na mente. Se foi "com a ajuda da comunidade internacional," que o povo de Timor-Leste se conseguiu livrar do domínio indonésio, também não se deve esquecer que muitos países não acreditavam que tal fosse possível.

"Os acordos foram assinados por Jaime Gama, na altura chefe da diplomacia portuguesa, pelo seu homólogo indonésio, Ali Alatas, e por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU." No entanto, o processo não foi fácil e a«s Nações Unidas tiveram mesmo de permanecer no país como força de gestão e manutenção de paz até ao ano de 2012. Durante este período, chegou mesmo a ser necessária a entrada de uma força liderada pela Austrália, devido a ataques de extrema violência causados por milícias apoiadas pela Indonésia.

Fontes:

https://www.tsf.pt/1577666496/timor-ganhou-a-batalha-da-independencia-agora-tem-de-ganhar-a-do-desenvolvimento/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2623023/timor-uma-historia-bonita-conseguida-com-dificuldade-e-falta-de-apoio

 

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publicado às 22:42

A Venezuela foi a eleições na passada semana, mas passada quase uma semana, os resultados ainda não são explícitos. Ainda não tinha conseguido vir aqui falar deste assunto (sendo que por outro lado estava também a aguardar que a situação deixasse de ser tão ambígua e que as atas fossem realmente apresentadas e a verdade reposta), mas uma semana depois a situação na Venezuela - onde estão milhares de cidadãos portugueses e luso-descendentes - continua tensa.

No passado domingo, ainda faltava terminar a contagem de várias mesas eleitorais, já Nicolás Maduro alegava ter ganho com 51,20% dos votos contra 44,2% da oposição, liderada por Edmundo Urrutia. Logo depois, a oposição reinvindicava que, mesmo sem a contagem total, já tinham conseguido derrubar o governo de Maduro por quase 80% dos votos. Perante esta dualidade de resultados e com a falta de apresentação das atas definitivas, a verdade é que uma semana depois, a situação não está devidamente esclarecida e Maduro não foi ainda legitimado para iniciar o seu terceiro mandato consecutivo como presidente da Venezuela. Vários estados vieram já pedir a divulgação das atas eleitorais, ainda mais, depois de ter sido recusada a entrada de representantes europeus e pan-americanos.

Por sua vez, Maria Corina Machado, afirma que Edmundo Urrutia venceu com 70% dos votos, levando a que milhares de venezuelanos viessem para a rua protestar por fraude eleitoral. Corina Machado, depois de alegar que tinha tido de se esconder e que temia pela sua própria vida, acabou por aparecer na manifestação, pedindo "mobilização para exigir transparência no resultado eleitoral e defender a alegada vitória de Edmundo González."

Aquilo que está em causa não é apenas a contagem dos votos, mas sobretudo os atos de violência que estão a ser executados contra quem se opõe a Maduro ou quem se mostre apoiante da oposição. Desde domingo passado, já se registaram vários conflitos, os quias levaram à morte de, pelo menos, 20 pessoas, entre as quais estava um jovem de apenas 15 anos.

Fora da Venezuela, os Estados Unidos já vieram reconhecer a "vitória de Edmundo Gonzales", considerando "válida a contagem de votos apresentada pela oposição, liderada por María Corina Machado, que representa 80% das assembleias de voto." 

Na sexta-feira, Nicholás Maduro já veio anunciar que 1200 pessoas tinham sido "detidas em protestos pós-eleitorais na Venezuela" e que outras 1000 estavam "a ser procuradas por destruírem 300 esquadras" no país, alegando ainda que estes "alegados criminosos" tinham sido "treinados nos Estados Unidos, na Colômbia, no Peru e no Chile."

Brasil, Colômbia e México, já vieram apelar para que "os atores políticos e sociais" exerçam as suas manifestações com a "máxima cautela e contenção" para que possa ser evitada "uma escalada de episódios violentos," bem como a que seja realizada "uma verificação imparcial dos resultados" das eleições presidenciais.O Brasil assumiu entretanto a representação da Argentina, depois dos diplomatas de sete países terem sido expulsos aquando do rompimento diplomático entre Caracas e Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Os governos desses países foram acusados pelo governo de Maduro de "intromissão" e de "desconhecerem os resultados eleitorais". A apoiar Maduro estão países como a China e a Rússia...

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-venezuela-29-ex-chefes-de-estado-pedem-a-lula-e-petro-para-reconhecerem-gonzalez-como-presidente-f3b4e0c2

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-video-eua-reconhecem-vitoria-da-oposicao-na-venezuela-maduro-pede-que-tirem-o-nariz-do-pais-c14f7584

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-capturamos-mais-de-1.200-criminosos-e-estamos-a-procura-de-mais-mil-395ac041

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-01-brasil-colombia-e-mexico-pedem-verificacao-dos-resultados-na-venezuela-d1691590

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-01-video-ja-morreram-pelo-menos-20-pessoas-nos-protestos-contra-a-reeleicao-de-nicolas-maduro-bf0040e9-1

 

 



 

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