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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Infelizmente, e penso que seja do conhecimento de todos vós, o Sapo Blogs irá deixar de funcionar em breve. Apesar de ainda faltarem alguns meses, eu quis fazer já a migração dos meus conteúdos para um novo blog.
Andei a pesquisar, pois a ideia seria manter tudo de forma gratuita, com a facilidade de partilha que encontrei aqui no Sapo, mas não tem sido uma tarefa fácil. Se souberem de plataformas gratuitas e que sejam fáceis de usar, por favor digam-me.
Para já vou colocar os meus conteúdos aqui (Blogue Com os pés na História) e ainda aqui (Blogue Caderno Diário)!
A partir de hoje não farei novos posts nesta plataforma e estarei a atualizar na nova localização. Por favor, vão visitar e dêem-me a vossa opinião.
Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.
Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."
Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa."
Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.
E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?
E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.
São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.
Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393
Não pode estar em causa a vergonha de pedir meios e apoios, através do acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil! Ou estavam a competir em área ardida antes de pedirem ajuda?
Espanha pediu "o envio de duas aeronaves Canadair," numa altura em que sete pessoas já tinha sido "hospitalizadas, quatro das quais em estado crítico, na região de Castela e Leão." Já tinha havido duas mortes a lamentar no país vizinho. Na província de Ourense, em Espanha, os bombeiros estão com muitas dificuldades para "extinguir um grande incêndio em Chandrexa de Queixa."
E em Portugal, a situação tem estado a piorar! Há dias que se pedem meios, ajudas! A população está desesperada, não dorme de noite, olhando as chamas que galgam montes e vales sem se deter em mudanças de concelho, vedações ou zonas protegidas! Mas só esta tarde se avançou com o acionamento do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil," tendo sido solicitada "ajuda para o combate aos incêndios". Este pedido, que irá "permitir a chegada de aviões Canadair de apoio internacional," vem tarde... já há uma enorme área ardida e já temos feridos a lamentar (vários deles operacionais dos bombeiros) - dois feridos graves e um morto...
É que por cá, para haver Canadairs, parece que só alugados! E isso dará jeito a quem?
"Apesar de ser o país do mediterrâneo com mais área de floresta ardida, Portugal é também o único que não tem uma frota própria destes aviões - os três" que por cá andavam e que avariaram, "são alugados"!
Olhando para as notícias, parecem-me um dejá-vu... a sensação é de estar a ver a repetição de algo mais antigo! Ainda se discute a falta de meios? Ainda se acusa quem limpou e quem não limpou os terrenos, quem permitiu a abertura de estradões? Não se discutiu já isto tudo, não se criaram grupos e comissões, nã se fez alterações na estrutura da PC? Então, o que é que se passa?
Existem meios no terreno, sim, e temos de agradecer a todos os operacionais que se encontram a combater as chamas. Mas continuamos a ter bombeiros a ter de ser alimentados pelas populações? Ainda é assim, em 2025? Os populares continuam a ter de combater as chamas praticamente sozinhos! Mandam evacuar as aldeias, mas se as pessoas não vêem os meios a chegar, como é que conseguem sair de lá? Como é que podem sentir que as suas coisas estão protegidas? Há muita coragem nestes dias, não apenas em quem enverga uma farda, mas também em quem luta apenas com uma mangueira de jardim e uns galhos.
Ontem, ouvi a ministra da Administração Interna a dizer coisas que, simplesmente, me enojaram. Maria Lúcia Amaral começou por agradecer aos operacionais o trabalho desenvolvido, para depois referir que o país está em luta contra as chamas, numa onde de calor que afeta o país há “22 dias consecutivos" e "que gera, evidentemente, naqueles que estão na linha da frente exaustão e cansaço”. Isso é óbvio senhora ministra, mas que apoios estão a ter os bombeiros, quando são rendidos pelos seus colegas e regressam a casa (muitos, não chegam a ir a casa, vão para o quartel e regressam ao trabalho), tanto a nível da sua saúde física quanto psicológica?
Como é que o socorro está dependente de contratações a empresas privadas? Quantos é que estão a ganhar dinheiro com isto? Enquanto isso, Montenegro andava pelo Algarve nas festanças. E decretar a situação de contingência no país? Porque demora tanto? Há pois, se estivessem em contingência teriam de interromper as férias? Cancelar eventos!?
Onze dias e 6500 hectares depois, o incêndio de Vila Real foi dado como dominado - ei! Mas não pára aqui o combate! Há uma enorme área que tem ainda de ser trabalhada, não se pode virar costas - acho que sabemos todos isso, certo? Cerca de três mil militares foram mobilizados "para o combate aos incêndios no país, tendo atualmente 34 patrulhas diárias empenhadas na vigilância e deteção de fogos." O trabalho destas equipas é extremamente importante, mas é preciso lermos tudo - três mil é o total acumulado ao longo do ano.
Refere Xavier Viegas que "os combustíveis, não só os finos, secos, mortos," que se vieram a multiplicr este ano, devido à chuva que caiu no início do ano e da falta de chuva no final da primavera, início do verão, mas também "os "arbustivos, que têm um tempo de resposta mais longo, também vão secando e a sua secura vai aumentando à medida que avançamos" pelo verão, ficando cada vez mais disponíveis para arder. Perante esta conclusão, os autarcas poderiam mandar limpar os terrenos. Basta vermos qualquer um dos canais de notícias e vemos, atrás dos jornalistas, vastas extensões de campos dourados, secos, a começarem logo junto às estradas e às habitações. Aqueles moradores, passam ali todos os dias, todos os dias... não se sentem em risco?
Fontes:
... a guerra continua, mas esta parece estar um pouco mais distante e não nos afetar tanto (temos tendência para isso, penso que nem seja por mal). A verdade, é que temos de colocar a mão na consciência quando, não existe tempo nos media portugueses para falar de um massacre que aconteceu numa igreja do Congo.
O ataque de ontem, terá sido causado por "milícias das Forças Democráticas Aliadas (ADF), compostas por ex-rebeldes ugandeses" e que estão ligados ao "Estado Islâmico." Terão, ao que é relatado pelo "Vatican News", a partir de "informações fornecidas à AFP por fontes locais", usado "facões" (ou catanas) e "armas de fogo," para assassinar pessoas, civis, "que se haviam reunido para rezar." As ADF serão já responsáveis pela morte de milhares de pessoas, ao longo dos anos.
De acordo com um português, Marcelo Oliveira, numa alegada "mensagem enviada para a Fundação AIS em Lisboa," os “rebeldes assassinaram uma quantidade imensa de crianças”. Quantas eram em concreto? Ao que parece, a maioria das vítimas faziam parte de um grupo de "jovens cristãos" que pertenciam a um grupo chamado "Cruzada Eucarística, que se encontravam numa sessão de formação, típica neste período de férias para crianças," tal como Marcelo Oliveira explicou também. O ataque terá "ocorrido de madrugada, pela 1 hora da manhã," quando os jovens se encontravam em vigília.
O que dizer? Será que acabar com as religiões, acabaria com as guerras? Seria isso possível? Neste momento, isso é apenas uma utopia. O ideal, seria haver respeito. Só que a verdade, é que o problema não está em uma pessas acreditar numa personagem imaginária a que chama de Deus, outra acreditar no mesmo e chamar-lhe Alá, ou outra rezar a uma pedra ou a uma árvore.
Por trás de tudo isto, estão interesses muito mais antigo que já perderam até, pelo caminho, as suas causas "religiosas", trata-se de dinheiro e de poder. De fronteiras, de ter direito a usar esta ou aquela terra, a não permitir que o "outro" fique na terra que aquele diz que é sua. E, se mais nenhuma razão lhe aprouver, dizem que foi herdada, que foi oferecida. São estes os interesses que matam no Congo e que matam em Gaza. Parece muito diferente, o contexto? Talvez, mas historicamente, não será assim tão diferente.
E porque é que eu, que não acredito em nada disto, venho falar nestas coisas? Bem, porque neste massacre - que não foi o primeiro, nem será o último - morreram cerca de 40 pessoas! Só por isso, não chega? Não me importa se eram católicas, judias ou se rezavam a uma pedra do caminho, eram pessoas! Só isso importa! Na minha pesquisa, apenas encontrei referência a este episódio em sites ligados à igreja católica e, na sua maioria, em brasileiro ou em inglês. Por cá, viram ou ouviram alguém falar sobre isto?
"Uma estação de rádio apoiada pelas Nações Unidas", contabilizou "43 vítimas," mas podem ser até mais, visto que "os agressores," que terão vindo "de um reduto a cerca de 12 quilómetros do centro de Komanda," não se ficaram por ali, atacando e incendiando também "várias casas e lojas" enquanto fugiam. Para muitas destas pessoas, a ajuda chegou tarde.
"Há duas semanas," este mesmo grupo, terá morto "66 pessoas na área de Irumu," e em Baeti, no início deste ano, outras "oito pessoas" terão sido assassinadas, "cinco das quais enquanto rezavam" e cerca de "trinta" terão sido "feitas reféns pelos agressores." Que é feito desses reféns? Alguém sabe?
Já em maio do ano passado, de acordo com "dados apresentados no Parlamento Europeu, as ADF foram também responsáveis pela morte de 14 católicos no Kivu Norte. Neste caso, o ataque teve como justificação a“sua recusa em se converterem ao islamismo”, ou seja, não se convertem, são mortos. Outros 11 cristãos foram também "executados” na aldeia de Ndmino, na província de Ituri, tendo também havido várias pessoas raptadas dessa província. E nós a assobiar para o lado?
"Já em Fevereiro deste ano, noutro ataque atribuído às ADF, e visando especificamente a comunidade cristã, mais de 70 corpos foram encontrados numa igreja protestante na localidade de Maiba, no território de Lubero, também na República Democrática do Congo." São casos sucessivos, que pela sua gravidade têm de ser denunciados! Mesmo que não possamos fazer muito mais... que não tenhamos coragem para mais.
Fontes:
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/rd-congo-massacre-igreja-catolica-komanda.html
Adoro o mês de Setembro. É o meu mês e sempre o considerei um mês de decisões e mudanças. Mas é também um mês muito difícil. É um mês em que nos chegam propostas, em que nos exigem decisões rápidas. Mas o pior de tudo, para mim, são as opiniões que nos querem impor, sem pensarem que as palavras nos podem magoar.
E isto vem porquê?
Porque as minhas decisões hoje, não são de hoje. Vêm da minha construção própria, da aceitação de quem eu sou, das minhas fragilidades e capacidades. É um processo contínuo que, mais do que externo, é um processo que ocorre dentro de mim. É um processo instável, que muitas vezes me torna muito emocional.
Mas esta sou eu. A Elsa que gosta de escrever, de ensinar. Eu sou diferente daquilo que fui há uns anos, mas estou cá, inteira e forte. Com medos, com inseguranças, mas com muitos objetivos.
Se podia ou desejava estar numa situação mais estável? Claro que sim. Acho que todos nós ansiamos por chegar aos quarenta com a nossa vida estabilizada e eu ainda não tenho isso. Mas não sou infeliz por isso. Tenho quarenta e um, tenho muita coisa na vida que me arrependo de ter feito, mas são essas coisas que me fazem como sou e, aos poucos tenho aprendido a lidar com cada um desses momentos - os bons e os maus. Sou uma pessoa muito solitária. Gosto do meu canto, dos meus livros, das minhas folhas e cadernos e lápis... e desenhos e canetas... gosto das minhas séries, de ver programas que me fazem chorar. Gosto da areia nos pés e do som do mar, mas detesto que me atirem água ou gente que faça muito barulho na praia. Gosto de uma boa conversa, mas não me venham com coscuvilhices que eu não tenho paciência. Sou sempre a última a saber das coisas e não me importo com isso.
Introspeção é para mim algo que me leva a ser eu, a preparar-me para o mundo, a enfrentar a vida.
Será que a nossa espécie não consegue evoluir ao ponto de entender que a guerra só nos leva à dor e à destruição? Às vezes, parece que não mudámos nada desde o tempo das Cruzadas...
Gostava que tivessemos crescido e aprendido um pouco mais, que as guerras não fossem consideradas "santas", que as invasões não fossem consideradas "operações militares especiais"... o que há são interesses pessoais, pessoas retrógadas com ideais individualistas e com fome de poder. O que há não são interesses nacionais, nem patrióticos, mas sim questões de dinheiro e poder que só beneficiam alguns seres energúmenes.
Como é que se continuam a atacar serviços de saúde e escolas? Como é que se mata indiscriminadamente? Como é que se usam pessoas como escudos humanos e como é que se arranjam desculpas que justificam os ataques perante os Estados vizinhos, coniventes e colaborantes na carnificína?
Como é que a nossa espécie não evolui? Somos assim tão animais, mais do que os próprios que o são?
Hoje tive de ir a Lisboa e, depois de uma noite mal dormida - ainda ia culpar o meu sporting, mas foi mesmo por pura ansiedade - lá fui.
A viagem até foi rápida, mas estacionar é que foi a grande dor de cabeça! Acabei por optar por um daqueles estacionamentos subterrâneos que nos estragam logo o dia só de olhar para os preços, mas enfim, entre isso e arriscar ser multada... pareceu-me melhor o dito cujo. Para começar, o local onde o IPR ainda se encontra ao fim de tantos anos, é tudo menos o melhor. É que na impossibilidade de estacionar ali perto, lá temos de fazer grandes caminhadas a pé, por entre calçadas esburacadas e estaleiros de obras porta sim, porta sim.
Um ano depois lá estava eu e a conversa parecia um déja-vu.
Lá consegui que a médica, entre as infelizes expressões de "isso é normal", "isso é só muscular" e "isso é da sua doença", fizesse o favor de avaliar as minhas queixas... à saída, trazia já o papel para marcar uma eco, que ficou marcada para uma vaga em setembro (dois anos depois de eu me ter começado a queixar da anca). Enfim, se ando a coxear há tanto tempo, mais uns meses não irão fazer diferença, pois não? Os joelhos é que já se vão queixando de compensarem o peso e o andar mais desengonçado mas desses trato depois. Lá trouxe mais do mesmo em medicação... não deve haver muito por onde escolher, nem opções a tentar, ou então dá muito trabalho ajudar um pouco nessa parte.
O que ainda me lixa, é que ao fim de tantos anos de ouvir tantas coisas, ainda me conseguem fazer correr as lágrimas. Mas já passou, amanhã é outro dia.
E pronto, desculpem lá, mas hoje precisava de desabafar um pouco.
Ultimamente não tenho dedicado muito a falar sobre mim, porque na verdade, tudo continua igual e, realmente, a conjuntura nacional e internacional tem sido muito mais interessante. Talvez porque não me dê grande relevância, ou porque tenha mais que fazer do que me estar a dar demasiado valor. No fundo, há sempre coisas boas e más a acontecer todos os dias na minha vida, mas a principal, sem dúvida, é sentir-me realizada com aquilo que agora estou a fazer.
Ontem caiu uma certa nostalgia e, até um certo aperto, quando comecei a pensar que está tudo a seguir no bom caminho. Mas eu não estou habituada a que as coisas me corram bem e isso faz-me sempre recear... não sei se conhecem a sensação. Eu não estou aqui a dizer que está tudo perfeito, não está mesmo, há muito para melhorar, tenho muito para trabalhar e sobretudo, para me auto-construir. Mas é este caminho que agora estou a percorrer é que me está a dar uma motivação diferente e me faz olhar para situações passadas e me faz pensar: como é que isto me aconteceu? como é que eu deixei que me fizessem isto? como é que eu me permiti a passar por isto? como é que eu não vi isto?
E estas memórias ainda me afetam. Sim, ainda acordo a meio da noite com angústias. Ainda temo e desconfio.
Ainda há sonhos e apertos que me fazem acordar a meio da noite.
E aqui está o foco que quero muito melhorar. A minha saúde. Vivo há anos demais presa a diagnósticos, a medicamentos, a tentativas de fazer os outros perceberem que há doenças que não são visíveis mas que estão cá e nos magoam, nos vão tirando as forças bocadinho a bocadinho. Mas sabem o que eu também sei? É que aquilo que mais me tira as forças, não é a doença nem a medicação, que sim estão cá e fazem parte da minha vida há muitos anos, é a minha preocupação sobre o que os outros pensam de mim. E essas pessoas interessam? Não deviam, porque não são as pessoas próximas de mim, nem as pessoas da minha família próxima, nem as pessoas que me querem bem. Se são só as "outras" e, muitas delas já nem fazem parte da minha vida, porque é que ainda me magoam, me fazem angustiar? Porque é que as memórias do que se passou, não podem passar apenas de memórias e, ainda hoje, me fazem ficar triste?
E porque é que eu estou hoje a escrever isto? Bem, uma das razões é porque não sou a única pessoa a viver com fibro e sei que há muitas pessoas que dizem que o pior desta doença é a incompreensão dos outros. E é exatamente aí que eu sinto que tenho de trabalhar. Não nos outros, mas em mim, em aceitar-me como sou, sem me estar a preocupar se os outros acreditam em mim ou se falam por trás, ou se são falsos... é que eu sei que isso não me devia estar a magoar, não aos quarenta anos, nem depois de tudo aquilo que eu já passei na minha vida, de tudo aquilo que eu já vi e já vivi.
E é tudo isso que importa.
Enquanto o país anda entretido com as peixeiradas que já começaram na AR, a criminalidade violenta lá se vai mostrando aqui e ali país fora. As forças de autoridade precisam de ser mais respeitadas e mais valorizadas.
Ontem, sexta-feira, Porto, e plena hora de almoço e no meio de uma rua movimentada. Um homem saiu de um carro, "foi em direção ao alvo e, em plena rua e perante o olhar de vários moradores, disparou cinco vezes. Um dos tiros atingiu um homem de 27 anos," no rosto. Segundo as notícias, os dois estariam conotados "com a venda de droga." A suspeita é que "o homicídio terá sido uma vingança, motivada por um negócio de droga que terá causado prejuízos ao autor dos disparos." Porventura, parece que o homicida foi "enganado pela vítima, que saiu há poucos dias da cadeia, e tenha decido ajustar contas a tiro."
Também na sexta-feira, um caso um pouco mais insólido, mas mesmo assim, também grave. No Barreiro, um jovem, "com idade entre os 16 e os 20 anos, sofreu esta sexta-feira ferimentos graves depois de ter sido esfaqueado nas costas." Parece que "uma patrulha" se terá deparado "com o jovem ferido, acompanhado por outro, a correr com uma faca cravada nas costas na Avenida D. João I, no centro da cidade. Os agentes abordaram os jovens, que se recusaram a contar o que tinha acontecido, e deram o alerta para os meios de socorro," tendo posteriormente o jovem sido socorrido e levado ao hospital. O que se terá passado aqui? Eu acho muito estranho que não tivessem contado o que se tinha passado, não acham?
Já hoje, sábado, em Lisboa, plena Avenida das Descobertas. De madrugada, foi encontrado um cadáver que apresentava “indícios de violência” e, por isso, foi acionada a Polícia Judiciária. O homem terá sofrido uma facada numa perna, mas as "circunstâncias do homicídio estão ainda a ser apuradas." Alguns conhecidos da vítima, terão colocado a hipótese de que o homem "tenha morrido ao ser assaltado, quando regressava do trabalho, no Hotel Mundial, no Martim Moniz, no centro da cidade de Lisboa."
E quanto a tráfico? Sim, também houve esta semana! Seis jovens, "com idades entre os 17 e os 26 anos, vendiam produtos estupefacientes a consumidores dos concelhos de São João da Pesqueira, Meda, Tabuaço, Penedono e na Guarda." Foram detidos e presentes a juíz. Terão ficado presos? Nas "oito buscas" realizadas "foram apreendidas doses de haxixe e cocaína, seis balanças de precisão e material de corte e embalamento de produto estupefaciente."
E por aquipodia continuar, mas fica só "um cheirinho" do que se anda por aqui a passar... Crimes, sempre houve! Mas parece que a violência cada vez é maior. Ah, e já agora, não me posso esquecer de referir a forma como alguns elementos de alguns bairros recebem os elementos das forças de segurança. E porquê? Provavelmente, porque sabem que por cá a polícia não entra a disparar e, quando o fazem, ainda têm problemas. Quando apedrejaram a polícia no meio do bairro, sabiam que um ladrão tinha invadido uma casa onde estava um casal com crianças? Como se terá sentido aquela família, tendo em conta que, ao que parece, nem o conheciam? Quem não deve, não teme, nem receia qualquer abordagem da polícia. É que além de um telemóvel que tinha roubado, o indivíduo também tinha droga com ele. Então, vamos lá ter alguma coerência e deixar a polícia fazer o seu trabalho, sem medos.
Fontes:
https://www.jn.pt/3696646402/abatido-em-rua-do-porto-e-a-luz-do-dia-devido-a-negocio-de-droga/
https://www.jn.pt/1265656039/funcionario-de-hotel-morre-esfaqueado-em-assalto-na-portela-de-sacavem/
Hoje faz anos aquela mulher que me ensinou o que é a liberdade e a democracia, que me deu a ler a história da primeira república andava eu no 1º ciclo e me deixava ler tudo o que eu queria, tivesse ou não idade para isso. Tanto é especial, que foi logo teimar em nascer no dia 29! Assim sendo, faz agora uns 30 anitos, se bem que é minha avó e tem a cabeça cheia de cabelinhos brancos.
Para mim, há dois adjetivos que a caraterizam: lutadora e irreverente! E dela eu herdei a teimosia, a dificuldade em dizer que gosto quando não gosto, a incapacidade de sorrir sem me apetecer e a capacidade de ser autónoma e independente. O pior que nos podem fazer, sei que ambas estamos de acordo nisso, é fazerem-nos baixar a cabeça perante alguém. Podemos passar despercebidas, mas nunca nos deixamos rebaixar. Não é de estranhar que por vezes as nossas opiniões e os nossos feitios se choquem e que até passemos algum tempo chateadas, mas na verdade nunca estamos zangadas uma com a outra.
A ela agradeço ter aprendido a ler, a escrever corretamente, a contar, a multiplicar e a dividir. Aprendi e hoje ainda uso diariamente muito daquilo que ela, só com a 4ª classe, me ensinou. Hoje ainda sei de cor as tabuadas, dividir sem usar a calculadora, fazer a prova dos nove ou a prova real. Mas a ela também agradeço ter confiado em mim, tantas vezes! E nem vou falar aqui de outras tantas coisas que fez por tanta gente, mas isso não é para aqui...
Existem muitas mulheres com um papel importante na minha vida, mas esta é especial. Sei que ela odeia fazer anos, especialmente se a data calhar numa ano que não seja bissexto (aí escusamos até de lhe dar os parabéns), mas para mim, é importante dedicar-lhe estas palavras.
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