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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Domindo, 12 de outubro. Dia de eleições autárquicas. Vamos votar em três órgãos: Câmara Municipal. Junta de Freguesia e Assembleia Municipal. Vivemos em democracia, "um sistema político em que o poder está no povo" e esse poder "pode ser exercido de forma direta, através de participação popular direta em decisões, ou indiretamente, através de representantes eleitos." É isso que temos hoje de fazer. Ir às urnas e votar, dar a nossa opinião, mostrar com quem concordamos e em quem discordamos, mesmo que não seja totalmente. Quem queremos na frente da nossa autarquia, a dar a cara, a decidir, nos próximos 4 anos?
As primeiras eleições autárquicas realizaram-se em 1976, no mesmo ano em que se realizaram as primeiras eleições livres para a AR. Nas primeiras eleições autárquicas, o partido vencedor foi o Partido Socialista, "que conseguiu cerca de 33% dos votos, apesar de ter empatado com o Partido Popular Democrático (PPD) em número de presidentes de câmara: 115." Em 1976, tendo sido eleitos no total "304 presidentes de câmara municipais, 1 906 vereadores municipais, 5 130 deputados municipais, 4 035 presidentes de junta de freguesia (787 dos quais em plenário de cidadãos eleitores) e 26 286 membros de assembleias de freguesia."
Nas últimas eleições autárquicas, que se realizaram em 2021, "o PS venceu 147 municípios e o PSD 114" municípios.
Hoje, facto curioso, estão inscritos mais de "9,3 milhões de eleitores" para votar, dos quais, cerca "de 41 mil são cidadãos estrangeiros recenseados em Portugal." Dos 9,3 milhões, existem também "18.319" que "são eleitores estrangeiros da União Europeia (UE) e 22.799" que "são eleitores estrangeiros provenientes de fora da UE, em ambos os casos recenseados em território nacional. Em muitas autarquias, vão ver-se novas caras, não porque a mudança fosse desejada, mas porque quem estava no poder atingiu o limite de mandatos. São 89 os presidentes que saem "nestas autárquicas por terem chegado ao limite de três mandatos consecutivos na mesma autarquia," sendo que destes, "49 são socialistas, 21 social-democratas ou de coligações lideradas pelo PSD, 12 da CDU, três do CDS-PP e quatro independentes."
Durante a manhã, já fomos vendo as rádios e as televisões a entrevistarem os líderes dos vários partidos com assento parlamentar, enquanto estes fazem o dever cívico de ir votar, tentando assim ter algumas reacções e captar mais alguns detalhes sobre aquilo que, à partida, todos sabemos: cada um votará certamente no seu próprio partido e todos desejam, lá no fundo, que no fim, a contagem lhes dê a vitória. Mais do que quem fica a governar cada Câmarra Municipal, quer-se saber quais as cores com que o país será pintado e, far-se-ão inúmeras comparações noite dentro.
Ao votar, cada eleitor irá receber três boletins: um verde, para a câmara municipal, um amarelo, para a assembleia municipal e um branco, para a assembleia de freguesia. Três órgãos distintos mas que trabalham em articulação no dia a dia de cada município. Acredito que hoje, se vá votar mais pela pessoa, pelo efetivo que se conhece ou contra aquele que achamos que já ali não faz nada, e não pela cor partidária.
Uma outra curiosidade, é que este ano, foram repostas "302 freguesias" que tinham sido "extintas na reforma administrativa de 2013, num processo que desagrega 135 uniões de freguesia. O país passa assim a ter 3.258 freguesias." De todos os concelhos, o "Corvo é o único concelho sem junta de freguesia, sendo as suas competências assumidas pela câmara municipal." E sabiam que em "37 freguesias" do país se irá "escolher o executivo em plenários de cidadãos, por terem menos de 150 votantes"?
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/politica/dia-de-eleicoes-autarquicas-ao-minuto_e1690256
https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_aut%C3%A1rquicas_portuguesas_de_1976
Foi ontem atribuído o Prémio Nobel da Paz e, felizmente, foi parar às mãos certas! Disse Jørgen Watne Frydnes, o presidente do Comité, em Oslo, que "quando os autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem."
María Corina Machado, tem 58 anos e tem sido ao longo dos últimos anos, uma "das figuras-chave da política venezuelana da atualidade," vivendo na "clandestinidade" devido à "sua forte oposição ao regime de Nicolás Maduro." É engenheira industrial e ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela. É ela o "rosto da oposição venezuelana a Nicolás Maduro."
O prémio foi-lhe atribuído, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela" e "pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia". O Comité declarou ainda sobre a entrega deste prémio que "a democracia depende de pessoas que se recusam a permanecer em silêncio, que arriscam dar um passo em frente apesar dos graves riscos e que nos recordam que a liberdade nunca deve ser tomada como garantida, mas deve ser sempre defendida – com palavras, coragem e determinação."
Maria Corina Machado candidatou-se às "eleições primárias" da Venezuela. tendo vencido as mesmas, mas sendo impedida pelo regime de Maduro de exercer as suas funções. Assim, passou a dar o seu apoio a "Edmundo González Urrutia, que o Parlamento Europeu (PE) reconheceu como presidente eleito, na sequência da contestação dos observadores internacionais, incluindo a ONU, à declaração de vitória de Maduro." Edmundo Urrutia, que já tinha sido "embaixador da Venezuela na Argentina e na Argélia," acabou por substituir María como "candidato nas presidenciais de 28 de julho de 2024" e que depois se viu obrigado a ir para Espanha. A o receber o prémio, Corina Machado afirmou que faz parte de todo um grupo e que não trabalha de forma isolada: "Muito obrigada, mas eu espero que perceba que isto é um movimento, eu sou só uma pessoa. Eu certamente não mereço isto."
Merece, sim.
Foi escolhida entre um total de 338 candidatos, incluindo 244 personalidades individuais e 94 organizações.
Frustrado deve ter ficado o presidente dos EUA, Donald Trump, que por várias vezes afirmou que devia ser nomeado para receber este prémio. Trump "afirmou considerar que será um insulto para os Estados Unidos se não receber o Nobel da Paz." Publicamente, recebeu apoio do "primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu," que afirmou que Trump deveria receber este galardão pela “dedicação inabalável e excecional à promoção da paz, da segurança e da estabilidade em todo o mundo”, e do Paquistão, chegou também o pedido de nomeaão pelo seu “trabalho na resolução do conflito entre a Índia e o Paquistão”. Algo que para mim soaria estranho, se fosse ele o vencedor, mas, neste tipo de prémios, tudo é possível.
Fontes:
Hoje, véspera de eleições legislativas, é dia de reflexão.
Tenho estado a pensar que a nossa democracia é muito novinha e que, por isso mesmo, ainda estejamos a aprender a viver assim, com direitos. Tal como disse Churchil um dia, "a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros.” Podemos não estar contentes com aquilo que temos, mas temos a possibilidade de escolher: ir ou ficar em casa, votar em quem achamos que deve ganhar, votar naquele com quem nos identificamos mais, votar no outro que achamos que não será tão mau. Podemos votar sempre no mesmo... ou sempre num diferente.
E é este poder, que nos voltou a ser dado em abril de 1974, que não podemos deixar cair novamente nas mãos de um grupo ou de uma só pessoa. O poder ainda é nosso, ainda é do povo, mas só valerá a pena se, amanhã, nos fizermos ouvir e, se todos, formos dar o nosso contributo para a democracia.
Hoje será também dia de campeonato de futebol e, daqui a pouco se saberá quem vai até ao Marquês de Pombal (a taça, ficará cá por baixo este ano). Aquilo que espero, é que todos se divirtam - ganhe quem ganhar - e que, depois, não se lamentem distúrbios. O futebol é a festa do povo, traz para a rua milhares de pessoas e acende mais discussões do que a própria política.
Logo, Portugal estará na final do Festival da Canção. Um sábado bem popular, não é? Tenciono ficar a ver o Festival, nem que seja para perceber quais são as outras canções a concurso. A nossa, já conheço e, para mim, representa bem aquilo que nós somos. Um país de jovens que têm de dizer adeus a quem cá fica, para irem à procura de um futuro mais promissor lá fora, na estranja. Já fomos o país de iletrados que saía à procura de qualquer trabalho com o qual fosse possível mandar dinheiro para a família que cá ficava, o país de gente que partia para trabalhar de sol a sol, fora de casa e que voltava anos depois com uma espécie de riqueza que cá não teria hipótese de construir. Hoje, o país de engenheiros, enfermeiros, que saiem à procura de valorização profissional, enriquecimento curricular, estatuto e respeito. Somos tudo isto e, por isso, como dizem os NAPA, "O meu caminho eu faço a pensar em regressarÀ minha casa, é ilha, paz,..." Uma letra que nos fala de um lugar muito especial, "...Madeira...do meio do marDo coração do oceano," mas que nos representa a todos, portugueses. Pelo que tenho acompanhado, a maioria das outras canções são apresentadas com todo um espetáculo montado por trás, entre leds, fogo de artifício e sistemas complicados de movimentação em palco. Os nossos, irão quase que apenas só com a voz e o instrumental, em comparação com as outras grandes produções e, por isso, quase de certeza que ficaremos cá para baixo... mas não importa.
Além dos nossos NAPA, "entre os que passaram à final estão o contratenor austríaco de formação clássica JJ, um dos favoritos das casas de apostas com a sua canção pop-ópera Wasted Love, e o israelita Yuval Raphael, que interpretará a canção New Day Will Rise". Israel, "apesar de não localizar-se no continente europeu, participa no Festival Eurovisão da Canção por ser filiado da União Europeia de Radiodifusão." Tal como Israel que participa ddesde 1973, também participam a Arménia, desde 2006 e o Azerbaijão, desde 2008, pela mesma justificação.
Quanto à Austrália, que este ano nem sequer passou à final, só participa neste Festival desde 2015, aquando da celebração dos 60 anos do festival. "Mesmo que, com a diferença horária, o concurso só comece às 4h da madrugada," a verdade é são, e média, "mais de 2,7 milhões de australianos a acompanhar a final."
Fontes:
https://pt.euronews.com/cultura/2025/05/16/eurovisao-2025-estao-definidos-os-26-finalistas
https://www.publico.pt/2020/10/13/opiniao/noticia/democracia-pior-sistemas-1934958
https://pt.wikipedia.org/wiki/Israel_no_Festival_Eurovis%C3%A3o_da_Can%C3%A7%C3%A3o
Como um dia Ary dos Santos afirmou num dos seus célebres poemas, "agora ninguém mais cerra, as portas que Abril abriu". Mas se este era o desejo do poeta... 50 anos depois, ainda há restícios de um país com medo da Liberdade!
Ontem à noite, assisti aqui no Seixal ao concerto de celebração dos 51 anos da Revolução de Abril, com a atuação de A Garota Não e de Ségio Godinho. Duas vozes diferentes, de gerações diferentes mas que se conjugaram de forma brilhante. Com letras carregadas de simbolismo e que fazem uma verdadeira reflexão sobre os tempos em que vivemos, A Garota Não, que cantou "Diga 33", uma letra dedicada ao trabalho de Sérgio Godinho, mostrou-nos também que ainda há espaço para as cantigas de intervenção. Sérgio Godinho e Os Acessores, trouxeram-nos as canções de Abril, sem esquecer a poesia de Eugénio de Andrade e de Zeca Afonso. De entre bgrande momentos desta noite, a cantiga "A Balada da Rita", uma versão de arrepiar de "Os Vampiros" cantada a dois. Ums dupla que me surpreendeu pela positiva, seguido de um espetáculo de fogo de artifício que, pelo que estamos acostumados, foi bastante mais contido e concentrado.
E porque é que este ano eu falo deste espetáculo de abril?
Porque em muitos locais, num país que é laico, pela sua constituição, se pararam as celebrações por luto ao Papa. Se somos um país em que todas as religiões são permitidas, então como é que se faz luto ao chefe máximo da igreja católica e não se declarou luto nacional por exemplo, pela morte do Aga Khan, líder dos muçulmanos ismailitas, que até presidia em Lisboa? Ninguém põe em causa a importância da figura do Papa, especialmente deste Papa, amado por tantos e repeitado por muitos, católicos ou não. Mas, não consigo entender como é que o governo coloca à frente da Liberdade e da Democracia, à frente do país, o representante de uma religião, fosse ela qual fosse. Reforço, na Constituição da República, diz que somos um país Laico. Mas parece que é mais uma daquelas coisas que está escrita, sem no entanto ser posta em prática pelos nossos governantes.
A religião não pode fazer parte das decisões do país nem nelas ter qualquer interferência. Infelizmente. este não é o primeiro caso em que isso acontece e, especialmente, num dia de celebração da Liberdade, esta interferência revolta-me. Sejam lá o que quiserem, acreditem naquilo que queiram, mas não, por favor, não imponham aos outros as vossas crenças e credos. Faleceu um homem bom, um diplomata, um pacificador, um revolucionário que de certeza defenderia que celebrassemos a nossa liberdade e que afirmassemos os valores de democracia e de paz!
A câmara de Almada manteve os eventos programados, mantendo também "a sessão solene da Assembleia Municipal, no qual se homenageiam "os valores de liberdade," cancelando apenas o fogo de artifício. A Câmara de Sintra, chegou mesmo a cancelar a "tradicional cerimónia de hastear da bandeira, nos Paços do Concelho." E não se pense que isto tem apenas a ver com a cor política, pois em Beja, mesmo "depois de o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, ter criticado o executivo de Luís Montenegro por ter adiado festividades," o presidente da Câmara, autarca do PS, cancelou o "fogo-de-artifício em Beja," devido ao luto nacional de três dias que foi "decretado pelo Governo pela morte do Papa Francisco."
O governo, ao ser criticado. veio já esclarecer que não “cancelou”, nem "recomendou o cancelamento de quaisquer sessões evocativas da revolução," tendo no entanto "adiado para o dia 1 de Maio o evento festivo na residência oficial do primeiro-ministro". E a razão evocada para que os concertos ficassem "adiados para o 1.º de Maio," foi "por o país estar em luto nacional pela morte do Papa Francisco."
Noite fora, fui vendo pela televisão o que se estava a passar no Largo do Carmo, "um dos locais mais simbólicos do 25 de Abril de 1974 por ter sido no quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) lá situado que Marcello Caetano se refugiou antes de o edifício ser tomado por uma companhia do Movimento das Forças Armadas liderada por Salgueiro Maia o ter tomado." Tal como ocorreu no ano passado, e mais uma vez sem contar com o apoio da Câmara de Lisboa, o povo juntou-se e entoou "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.
Uma frase que me fica do dia de hoje, foi a acusação de Pedro Nuno Santos, repetida em vários canais televisivos é a seguinte "Hoje o povo sai à rua, enquanto o Governo fica à janela."
Fontes:
https://cm-sintra.pt/atualidade/cultura/aviso-comemoracoes-do-25-de-abril-canceladas
Assusta-me pensar que um dia, os nossos jovens deixem de saber o que aconteceu na Revolução. E não é por falta de se falar sobre isso - pois fala-se e muito - é por falta de interesse, por desvalorização daquilo que é a nossa história, por uma orientação para novos valores. Não se pode falar ainda em saudosismo, mas quando a nossa juventude, os futuros homens do amanhã, dizem que não lhes interessa saber o que era a ditadura, não sabem o que é o fascismo e não sabem que importância tiveram os capitães de abril... penso que estamos em risco de perder a luta no futuro.
Por isso, sim, vou ser chata e continuar a falar e a escrever sobre o mesmo. A ensinar mesmo quando não lhes apetece aprender, a tentar mostrar que se hoje podem abrir um site e ler sobre o que se passa em qualquer parte do mundo, isso se deve a uma luta que, infelizmente, ainda não terminou. Quando um aluno não reconhece importância às primeiras eleições onde as mulheres puderam votar em igualdade com os homens, algo se tem vindo a perder na nossa sociedade. Quando um juíz acusa uma vítima de se insinuar e ser culpada por ser violada, algo de muito mau se está a passar neste país. Quando um político não respeita a casa da democracia, que exemplo é dado à juventude?
Abril.
Abril é para mim o mês da Liberdade, uma data a assinalar, venha quem viar, haja ou não luto nacional. Não me interessa quem está no governo, quem tenta ditar as leis ou quem tenta impor as suas crenças. Num estado livre e laico, irei sair à rua e celebrar a Liberdade. Hoje, amanhã e sempre!
Devo muito.
Devo muito aos homens e mulheres que morreram pelo meu país. Sim. Pelos que morreram, também. Não foram só os militares que naquele dia se encheram de coragem e saíram à rua, foram anos de luta contra uma autoridade que não tinha dó em acusar, em prender, em torturar e matar! Foram anos de censura, anos de medo e de repulsa, contra um regime contra o qual não se podia sequer tossir. E é para que esses dias não voltem, para que o medo se continue a afastar - continue, sim, pois ainda temos muita gente a viver com medo - que eu continuarei a ler, a escrever, a falar sobre a Liberdade, sobre a importância da nossa história.
Não se calem!
Gritem pela liberdade! Defendam os valores de Abril.
O 25 de abril de 1974 trouxe grandes mudanças na governação do país, o que levou a uma clara distinção "entre aqueles que pretendiam prosseguir a revolução com o MFA, incluindo-se aqui o governo liderado por Vasco Gonçalves e os que entendiam que o caminho se deveria fazer com os partidos políticos sufragados em eleições."
As opiniões dividiam-se e o país acabou por assistir, nos meses seguintes, a vários "episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita. Sentia-se no ar "a ameaça de uma guerra civil." O que se passou no dia 25 de novembro, foi um entre tantos momentos importantes, naquele período de dois anos que vai de 1974 a 1976. Foram dois anos complicados, em que se sucederam diferentes governos provisórios, em que uns se demitiram e outros se revoltaram. Não se fala disto nos livros de História e, só se o formos pesquisar, é que encontramos alguma informação sobre esta data e sobre os vários acontecimentos que se sucederam à Revolução de Abril. Parece que foi apenas uma data e que no dia seguinte, a democracia estava instalada. Nada disso...
Em julho de 1975, Vasco Gonçalves, faz a proposta de recentrar "a autoridade no Conselho da Revolução, e a liderança política num diretório que incluiria também Costa Gomes (na altura Presidente da República) e Otelo Saraiva de Carvalho." Vasco Gonçalves, ficaria conhecido como "companheiro Vasco" e já em finais de 1973, tinha integrado o movimento dos capitães e participado na comissão responsável pela elaboraço do "programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), assegurando também a ligação ao general Costa Gomes," sendo por isso uma das várias personalidades importantes e que é tantas vezes esquecido.
Outros, seriam os integrantes de um grupo organizado e composto por "um conjunto de militares moderados e pertencentes ao Conselho da Revolução," designado de “Grupo dos Nove." Este grupo vem propor que "o poder seja exercido pelos partidos políticos.
Este grupo, "composto por militares conotados com a ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)", lançaram a 7 de agosto de 1975, um documento que ficaria conhecido como o “Documento dos Nove”, em que se "opunham aos modelos socialistas da União Soviética e da Europa do Leste, assim como à social-democracia europeia."
Vieram ainda a propor um "sólido bloco social de apoio a um projeto nacional de transição para o socialismo", mas que fosse de forma inequívoca, "inseparável da democracia política”.
No entanto, acabam por ser mesmo afastados do "Conselho na sequência dessa tomada de posição," e em resultado do confronto entre as diversas forças políticas durante o chamado " Verão Quente de 1975," Vasco Gonçalves acaba também por ser afastado do poder, "não voltando à ribalta política."
No dia 12 de novembro desse ano, "houve uma manifestação reivindicativa que contou com dezenas de milhares de trabalhadores e que cercou o Palácio de São Bento durante dois dias," impedindo que os deputados que estavam lá dentro pudessem sair "durante dois dias." O Ministério do Trabalho recusa-se a receber os manifestantes o que conduz a ações mais radicais e à mobilização contra o VI Governo Provisório.
Na semana seguinte o governo - algo que eu nunca pensei que pudesse acontecer - "entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato." O país acaba por ficar num limbo em que não tem quem o governe.
É a 25 de novembro que toda esta tensão chega ao limite, "com setores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado," com o Grupo dos Nove a ser responsável por "organizar e desencadear as operações do 25 de Novembro fazendo a tal correção para a via democrática, liberal." Este golpe acabou por sair frustrado pelos militares que se encontravam em conluio com o “Grupo dos nove”, apoiados por um "plano militar liderado por Ramalho Eanes."
Mas qual o motivo de tanta discórdia, se a verdade é que este golpe pôs fim aos extremos (da esquerda e da direita)?
Para Joaquim Vieira, autor da biografia de Mário Soares, “o 25 de Novembro assinalaria o fim do PREC e a entrada de em fase de normalização democrática, com a consagração do projeto constitucional e a realização dos atos eleitorais nele previstos." O resultado, acabou por ser a vitória da chamada "ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)," que "marcaram o fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC)."
Diz também o autor que, o próprio Mário Soares, se fosse vivo, teria recusado participar nestes festejos. O seu papel foi, no entanto, preponderante na vitória da democracia conseguida nessa data. Mário Soares era, na época, "ministro sem pasta do IV Governo Provisório," e como representante do PS, assinaria "o primeiro pacto constitucional MFA-Partidos," em abril de 1975. Depois da sua demissão, "juntamente com os restantes ministros do PS, a 10 de julho de 1975," e da "demissão dos ministros do PSD", a crise agravar-se-ia.
A 23 de novembro, o discurso que faz durante a "manifestação do PS na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa," acabou por ser um marco simbólico "na mobilização que visava conter os setores mais radicais do processo revolucionário português."
Este ano, pela primeira vez, a data será celebrada na Assembleia da República - assinalando-se a passagem de 49 anos desde o acontecimento. Porquê só este ano - ou porquê este ano?
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/
https://ensina.rtp.pt/artigo/vasco-goncalves-o-companheiro-vasco/
Michel Barnier, foi este o nome escolhido por Emmanuel Macron para primeiro ministro.
A França foi a eleições legislativas no passado mês de julho, das quais a coligação formada pela esquerda conseguiu, depois de duas rondas, conquistar "o maior número de lugares" no parlamento francês - mas sem maioria absoluta, o que deixa o país num impasse. A extrema-direita, apesar de derrotada não perdeu força - pelo contrário - e mostra-se em recuperação, não apenas em França, mas em muitos outros países europeus.
Na realidade, estas eleições antecipadas tinham lançado o partido do presidente Macron (coligação centrista Ensemble) para o segundo lugar. Com estes resultados, a França ficou como que "paralisada", uma vez que o país nunca "nunca conheceu um parlamento sem partido dominante." Temos de ver que, em França, o sistema eleitoral é um pouco diferente do nosso, e que logo depois das legislativas o primeiro ministro, Gabriel Attal, demitiu-se, deixando o país numa situação ainda mais complicada.
Neste caso, a opinião de muitos seria de que a culpa desta instabilidade era do próprio Macron - no poder desde 2017 - e das suas políticas. Num artigo do Público muito interessante e que aconselho à leitura, Gabriel Santo (advogado e cronista) diz que a Assembleia Nacional, acabou por ser "relegada para o papel de mera câmara de registo, limitando-se a aprovar textos elaborados à porta fechada por tecnocratas ministeriais sob a tutela do Palácio do Eliseu, muitas vezes em detrimento das liberdades públicas." E isto é algo que, numa democracia não deveria acontecer, especialmente pela importância que esta Assembleia tem tido ao longo dos anos.
A opinião de muitos, era de que "Macron poderia procurar um acordo com a esquerda moderada para criar um governo conjunto", mas isso é algo a que a França não está habituada e que não se veria acontecer: a decisão acabou por ser tomada agora, quase dois meses depois e penso que esteja longe de agradar a todos, uma vez que não foi aos primeiros, mas sim à "quarta força política," que Macron foi buscar o nome para primeiro ministro: Michel Barnier. Algo que não deixa de ser muito estranho. Vamos ver o que aí vem...
"Barnier será o primeiro-ministro mais velho da Quinta República," e foi também o "negociador da União Europeia para o Brexit," o que lhe poderá dar mais competências e alguma experiência em lidar com documentos e dossiers mais complexos.
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/quem-e-michel-barnier-o-novo-primeiro-ministro-de-franca_a1597842
https://www.publico.pt/2024/07/12/p3/cronica/democracia-agonia-aviso-frances-portugal-ouvir-2097235
Hoje assinala-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades de Língua Portuguesa. É feriado e, neste caso, dá direito até a fim de semana prolongado.
Esta data começou por ser um feriado municipal em Lisboa, dedicado a Camões, que foi entretanto elevado pelo Estado Novo a feriado nacional, como o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça». Depois da Revolução de 25 de abril, esta data passou a ser designada como "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses."
E ontem foi dia de ir votar para as eleições europeias, uma votação importante, para nós portugueses, mas também para todos os outros países que compõem a UE. E por isso, apesar da abstenção ter diminuído em relação a 2019, ainda devemos pensar que cerca de 63% da nossa população não foi às urnas. Foram eleitos 21 deputados - 8 do PS, 7 da AD, 2 do CHEGA, 2 da IL, 1 do BE e 1 da CDU.
Por um lado, devemos pensar na importância que o orçamento da UE tem para cada um dos países que a integram. Este orçamento "permite garantir que a Europa continua a ser uma força democrática, pacífica, próspera e competitiva. A UE utiliza-o para financiar as suas prioridades e grandes projetos que a maioria dos países da UE não poderia financiar isoladamente."
Mas além dos benefícios decorrentes das contribuições do orçamento da UE, existem também outros que têm a ver com o facto de fazermos parte de um "mercado único, de uma abordagem partilhada dos desafios comuns da migração, do terrorismo e das alterações climáticas e de ganhos concretos, como melhores infraestruturas de transportes, serviços públicos modernizados e digitalizados e tratamento médico de ponta." Podemos saber quais os projetos que estão a ser realizados na nossa área geográfica, com financiamento europeu, no site Kohesio.
No Parlamento Europeu, podemos então já ter uma ideia dos resultados, sendo que o PPE - Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) foi o grande vencedor com 189 lugares atribuídos, seguido pelo S&D - Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, com 135.
Fontes:
https://european-union.europa.eu/principles-countries-history/eu-countries/portugal_pt
https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas
Hoje realizou-se no território português um importante ato eleitoral, mas que muitos ainda desvalorizam. As eleições para o parlamento europeu irão eleger 21 deputados nacionais que nos irão representar. É importante compreendermos a importância deste órgão e a afectação que tem nas nossas leis e na nossa economia. Ao que parece, o vencedor da noite foi o PS, com Marta Temido como cabeça de lista, logo seguido pela Aliança Democrática. O CHEGA desceu consideravelmente e a IL acabou por se aproximar.
Aquilo que se tem falado bastante durante esta noite eleitoral é a diminuição da abstenção, mas de olhamos bem para os números, estes são ainda muito elevados, ainda mais se a estes somarmos os votos brancos e nulos, o que de certa forma, dá que pensar sobre a importância que os cidadãos atribuem a este órgão europeu. A não esquecer que a UE é composta por 27 países e tem 361 milhões de eleitores, que elegem os 720 lugares que compõem o Parlamento.
Eu fiz a minha parte. Informei-me, decidi e fui votar. Agora, é aguardar pelos resultados finais e pelas consequências desses mesmos resultados. Noite dentro, fico a assistir agora aos debates.
Fontes:
https://sicnoticias.pt/especiais/europeias-2024/resultados-europa
... mas não passou de uma fantochada!
Não foram eleições nem livres, nem justas, mas isso não nos espanta, sabendo nós a forma como as coisas são feitas do lado russo e quais são os objetivos "escondidos" de tal regime.
Putin foi a eleições com três concorrentes: "o representante do partido Novo Povo Vladislav Davankov, o comunista Nikolai Kharitonov e o ultranacionalista Leonid Slutski." Segundo algumas sondagens, que pouco valor terão na atual conjuntura, o "representante do partido Novo Povo, Vladislav Davankov, e o comunista Nikolai Kharitonov reúnem 6% das intenções de voto. Já o ultranacionalista Leonid Slutski poderá ter cerca de 5% dos votos." Aqueles que se atreveram a pôr em questão a guerra, foram desde logo afastados. "A oposição ao Kremlin não pôde concorrer às eleições, uma vez que a comissão eleitoral não registou os seus candidatos por várias razões técnicas ou questões formais, devido ao seu apoio à paz na Ucrânia."
Mas a ida às urnas decorreu num clima de repressão e sem liberdade, embora com algumas ações de protesto, que tentaram mostrar ao resto do mundo o descontentamento e a contestação da população. Num grave atropelo à democracia, a repressão irá continuar, uma vez que embora muitos estejam contra as ações de Putin, a verdade é que poucos têm coragem de o enfrentar.
"Milhares de russos protestaram pacificamente, nas assembleias de voto locais, contra a reeleição de Vladimir Putin: boicotaram o voto ao destruir o boletim ou selecionar outro candidato que não o líder russo." Estes russos, seguiram aquilo que lhes tinha sido pedido por "Alexei Navalny pouco antes da sua morte." Alguns dos "protestantes escreveram simbolicamente o nome de Navalny no boletim." A existência de muita gente a votar é relativa, uma vez que por exemplo os funcionários públicos receavam retaliações caso não fossem votar.
A vitória esmagadora de Putin, nesta espécie de eleições, dá-lhe a possibilidade de continuar a dizer que está legitimado nas suas ações. Putin irá continuar a sua guerra contra a NATO e contra a Ucrânia, irá continuar a reprimir o seu povo e a ameaçar os seus opositores. "Os ucranianos que moram nas regiões ilegalmente anexadas pela Rússia em setembro de 2022 (Luhansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson) também estão a ser obrigados a votar."
Em Portugal, foram muitos os russos que hoje se deslocaram à embaixada da Rússia, junto à Calçada de Arroios para exercer o seu direito de voto, embora muitos deles tenham afirmado que não acreditam no ato eleitoral.
"A eleição deverá manter Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, devido a uma alteração constitucional feita em 2020."
Entretanto, nos últimos dias, enquanto a Rússia continua a atacar em território ucraniano, a Ucrânia tem lançado ataques contra várias refinarias russas de forma a diminuir a capacidade russa de se reabastecer e de continuar a exportar combustível. Macron, presidente francês, continua a não afastar a hipótese de enviar tropas para território ucraniano.
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