Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Estará a Gronelândia em risco?

por Elsa Filipe, em 06.01.26

Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.

Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."

Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa." 

Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.

E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?

E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.

São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.

Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:54

O último grande furacão a atingir o continente americano "fez, pelo menos, 32 mortos nas Caraíbas," e foi já considerado como "o terceiro furacão mais intenso observado" naquela região, "atrás do Wilma (2005) e do Gilbert (1988)" e igualando "o recorde de 1935 como o mais intenso a atingir a Jamaica."

O enorme rasto de destruição começou na terça-feira, quando o Melissa atingiu "a Jamaica como uma tempestade recorde de Categoria 5, com ventos de 298 quilómetros por hora." Das 32 mortes confirmadas, pelo menos 25 ocorreram "em Petit-Goâve, no Haiti, depois de um rio inundado pelo Melissa ter transbordado." Nesta região, "muitas famílias" ficaram "isoladas devido à falta de serviço telefónico" e aos cortes na eletricidade, provocados sobretudo pelas "inundações generalizadas." É estimado que cerca de "25 mil pessoas estejam em abrigos."

O furacão chegou a terra "perto de Black River, em Saint Elizabeth, no sudoeste do país" e chegaram a ser registadas "rajadas de vento que ultrapassaram os 300 km por hora." Claramente, os efeitos "foram catastróficos, quer no interior montanhoso, com vários deslizamentos de terras, quer nas zonas costeiras, onde a subida das marés provocou inundações num raio de vários quilómetros."

Quando chegou a Cuba, a violenta tempestade era de Categoria 3, atingindo a cidade de Santiago, isolando inúmeras "comunidades locais" e afetando "cerca de 140 mil habitantes." As províncias de "Holguín e Guantánamo" foram também bastante afetadas. Foram registados em Cuba "ventos sustentados de 193 quilómetros por hora, intensidade que tem vindo a enfraquecer." 

No Haiti, aquele que continua a ser considerado como o "país mais pobre das Caraíbas," a tempestade provocou a subida dos níveis de cheia na região, provocando a morte de "pelo menos 20 pessoas, incluindo 10 crianças," e provocando ainda dez desaparecidos.

Na República Dominicana, menos afetada, o Melissa "fez também um morto e deixou mais de um milhão de pessoas sem água potável devido aos efeitos das chuvas em dezenas de aquedutos." Já no Panamá, registaram-se "pelo menos, quatro mortos, três deles menores de idade, e mais de 1100 pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas em várias províncias." Este evento atmosférico segue em "direção às Bermudas."

De acordo com o "Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC), o aviso de furacão" acabou por ser retirado, passando agora apenas para Categoria 1, nas "regiões central e sudeste das Bahamas, mas as autoridades continuam a alertar para riscos de inundações, quedas de energia e estradas intransitáveis," recomendando que sejam seguidas as indicações das autoridades, para que a prevenção possa minimizar os riscos.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/10/29/azul/noticia/furacao-melissa-abranda-deixa-rasto-destruicao-cuba-jamaica-haiti-2152642

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-10-30-video-furacao-melissa-deixa-32-mortos-e-um-rasto-de-destruicao-nas-caraibas-0b40fe8c

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-10-29-video-governo-da-jamaica-declara-zona-de-catastrofe-apos-passagem-de-furacao-melissa-bec11790

https://www.dn.pt/internacional/pases-das-carabas-fazem-contas-a-destruio-sem-precedentes-deixada-pelo-furaco-melissa

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:08


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D