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Caderno Diário

Caderno Diário

22
Fev21

1 ano depois

Elsa Filipe

Há um ano, a Europa já sabia (parcialmente, é certo) da situação na China, mas não estava preparada para o que aí vinha. Em Portugal, ainda não tínhamos casos positivos, embora se começassem a testar casos suspeitos. 

Segundo a OMS apurou depois, os primeiros casos registaram-se em Janeiro de 2020 em França, mas estudo posteriores demonstraram que o caso º 1 na Europa ocorreu na Alemanha.

Itália, há um ano, debatia-se com o início da pandemia. Os casos começaram a aumentar substancialmente e a espalhar-se pelo resto da Europa. Ao mesmo tempo, nos EUA também se começa a assistir a um aumento do número de casos. O caos estava instalado e a partir daí, já todos sabemos o que aconteceu.

As imagens dos hospitais de algumas cidades italianas, assustavam-me já nessa altura, embora por cá, não houvesse ainda uma grande preocupação. Há um ano, não sabíamos bem o que nos esperava - acho que um ano depois, ainda há muito que não sabemos. 

Temos de continuar na luta, especialmente na prevenção, pois a cura está ainda muito longe. Muito se conquistou, com danos diretos e colaterais que nos vão ainda afetar daqui a vários anos. O mundo sofreu um embate muito forte, mas somos fortes e vamos conseguir ultrapassar. 

Ainda vão haver muitas baixas desta guerra, seremos muitos portugueses a não conseguir sobreviver, a perder amigos, a sentir a saudade dos nossos familiares, a perder os empregos... mas estarão cá os sobreviventes para levantar o país, a Europa e o Mundo, que nunca mais serão iguais.

 

10
Fev21

Abraços virtuais

Elsa Filipe

Sou mãe e educadora, adoro escrever, gosto muito de ler. Na minha vida passei por muitas coisas, conheci muitas pessoas que me enriqueceram e passei por várias situações que quis esquecer.

Neste momento, trabalho com crianças do 1º ciclo. Um desafio diário, que abracei há pouco mais de um ano e que me traz, todos os dias, uma enorme satisfação. Mas o desafio agora, é conseguir chegar-lhes todos os dias, recebê-los nos meus braços, acarinhá-los. E isso não é possível. Já no Centro, com as máscaras e o distanciamento tinham acabado os abraços e os beijos. Não podíamos. Era triste, mas havia sempre um bocadinho para conversar, para saber como tinha corrido o dia, para os escutar. Eu estou aqui, na mesma com toda a disponibilidade, e por isso às vezes é tão difícil terminarmos os trabalhos de casa! Não dá tempo, porque queremos conversar, trocar experiências, falar do que sonhamos e nos assustou. As minhas crianças (que são um pouquinho minhas, me desculpem os pais) estão a passar por situações difíceis. Estão fechadas em casa, sem os amigos. Começar um 1º ano traz marcas - que normalmente serão boas lembranças, os primeiros amigos, os primeiros professores, o dente que caiu, a bola que foi para o telhado... mas este ano? Este 1º ano, que memórias irá deixar nestes meninos? Quero tanto fazer a diferença, quero tanto dar-lhes boas memórias!

Ser professora, ser educadora, é isto, é proporcionar experiências, aprendizagens. E abraçá-los.

E no meio disto tudo, junto o ser mãe, o estar do outro lado, o "ouvir" as aulas do meu filho, os colegas que estão com ele desde a pré e que no 5º ano continuam juntos. E, confesso, quando os oiço, choro tantas vezes. Não consigo explicar porquê, mas tenho pena destes meninos, tenho pena do meu filho não estar a viver a sua passagem da infância para a adolescência com a devida liberdade. 

12
Jan21

O novo ano pode ser pior que 2020?

Elsa Filipe

Ao tocar as badaladas do novo ano, não senti que tivesse havido uma mudança. Não saí de casa, apenas espreitámos da janela o fogo de artifício, mas o sentimento era de angústia.

Este ano, apenas pedi saúde, mesmo sabendo que o ritual é uma estupidez, mas não quis arriscar a perder uma oportunidade de pedir saúde, mesmo que seja a mim mesma. As mudanças partem em primeiro lugar de nós mesmos e não de milagres.

Mas tal como previra, o novo ano, não trouxe milagres. Terminados os festejos do Natal e do Ano novo, o balanço é trágico. Basta olharmos como estão os hospitais.

À porta, há pessoas idosas, que continuam a ser abandonadas pelos seus na época festiva. Não é novidade que nos dias antes do Natal há um acréscimo de velhos doentes, que são deixados nas urgências para que a família passe a quadra sem o trabalho que dá a sua presença. Vão depois buscá-los uns dias depois da passagem de ano. Assisti a diversas situações dessas na primeira pessoa. 

Este ano, vêm-se nas salas de espera onde as máquinas de comida não são abastecidas, à espera que alguém os vá buscar ou, pelo menos, que lhes leve uma sopa. O ser humano é assim mesmo. Miserável.

Um homem, seus 80 anos, agarra a porta do carro de uma mulher e abre-a, tentando sentar-se no lugar do pendura, pedindo que o leve a casa, por favor, que "se esqueceram dele ali". A pandemia não justifica a miséria humana, a falta de amor ao próximo. A família, que reza ao jantar de Natal e reclama por ter de estar agora confinada, ou sem trabalhar, é a mesma que sobrecarrega os serviços hospitalares com o abandono dos seus, enquanto outros morrem dentro da célula sanitária de uma ambulância sem chegar a dar entrada no hospital por falta de espaço.

Espero que volte rápido o confinamento, se possível, mais rígido, mais vigiado, com multas e penalizações para quem não cumpre. 

A maldade essa, não passa com uma vacina.

06
Mai20

"Pandemia: o mundo em quarentena"

Elsa Filipe

Não conhecia ainda a escrita de Luciano Aulicino, que a 20 de Março de 2020, publica este pequeno livro de 58 páginas onde disserta sobre os conflitos entre a natureza, "dona de tudo" e a humanidade.

Uma natureza que castiga, que destrói, pondo as garras de fora sempre que o homem agride os seus iguais ou outros seres vivos. Os avisos da Natureza, a preparação do castigo a implementar à humanidade e a sua execução, são alegoricamente tratados aqui. Farta das atitudes da humanidade, que incluem a execução de milhões de abortos e esterilizações forçadas irritaram-na de tal forma que agora cobrará o seu preço e vingará o sangue dos inocentes. 

A Natureza desafia a humanidade e traz uma doença que só poderá ser curada por uma mulher. Tudo isso seria normal se esta mulher não vivesse em um dos países mais patriarcais do mundo. 

Na minha modesta opinião, o livro é confuso, pois se usa a Natureza como uma força superior, a presença dos "outros deuses" torna-se infundada. Penso que a mulher represente a "China" e inclui também os outros países e sociedades que não respeitam a mulher, que a acham um ser inferior, mas é essa mesma mulher que vai depois ser a portadora da solução, o que se levarmos para o plano da pandemia atual, pode representar os mesmos países que "esconderam" a pandemia e que agora surgem aos olhos do mundo com "soluções" para combater o vírus. 

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