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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Porque é que uma pessoa acha que pode matar outra por causa de uma diferença ideológica? Atentados com armas de fogo, com carros, com camiões que proliferam pelo mundo.
Domingo. Uma família dirige-se à praia de Bondi para celebrar o seu Hanukkah. Saõ judeus australianos e estavam reunidos para acendedr as velas que marcam o início da celebração. Muitas outras famílias se juntam, netos e avós, pais e filhos. Quando alguém se lembra de fazer disparos indiscriminados contra quem está na praia, numa atitude de ódio e intolerância. "Doze pessoas morreram" e pelo menos 29 ficaram feridas na sequência do tiroteio que ocorreu este "domingo, 14 de dezembro, na praia australiana de Bondi, em Sydney, onde se realizava a festa judaica de Hanukkah."
"Entre os feridos há ainda dois agentes policiais, que acorreram ao local, bem como um segundo atirador, que se encontra em estado crítico," já sob custódia das autoridades. Houve ainda uma "ameaça de bomba em curso naquela área", com a polícia a referir que "estava a trabalhar para desarmar (...) um artefato explosivo improvisado."
Na Alemanha, as autoridades anteciparam e detiveram "cinco homens" que estariam a planear "um ataque a um mercado de Natal no sul da Baviera. Os homens, três "marroquinos de 22, 28 e 30 anos, um cidadão egípcio de 56 anos e um sírio de 37 anos foram detidos na sexta-feira na passagem fronteiriça de Suben, entre a Alemanha e a Áustria." Segundo se sabe, o mais velho, um homem de 56 anos, "terá feito um apelo numa mesquita" para encontrar quem com ele quisesse colaborar num ataque a "um mercado nos arredores da cidade de Dingolfing-Landau, perto de Munique," referindo que iriam utilizar "Qum veículo para matar ou ferir o maior número possível de pessoas." Os restantes terão concordado na realização do atentado.
Em 2016, um islamita avançou com um camião atropelando quem passeava num "mercado de Natal no centro de Berlim" e, em dezembro passado, "um ataque" com um carro-bomba em Magdeburgo, provocou "seis mortos e mais de 300 feridos."
Ontem, na universidade de Brown, na cidade de Providence, nos EUA, duas pessoas terão perdido a vida num tiroteio, que aconteceu "no segundo dia de exames nacionais." O edifício atingido é onde fica a "Escola de Engenharia e o departamento de Física," e conta com "mais de 100 laboratórios, dezenas de salas de aula e escritórios." Esta universidade é privada e faz parte da reputada "Ivy League, um grupo de universidades de elite," com cerca de "11 mil alunos." Não se sabem as razões nem as motivações para este tiroteio.
Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5z7dlvervo
https://www.jn.pt/mundo/artigo/dois-mortos-e-oito-feridos-em-tiroteio-na-universidade-brown-nos-eua/
Um ataque com uma faca terá ferido, pelo menos 12 pessoas, "na plataforma 13/14 da Estação Central de Hamburgo", segundo o jornal alemão BILD." Todos os serviços de comboio foram cancelados.
Das 12 vítimas, "pelo menos seis pessoas sofreram ferimentos graves e três encontram-se em estado crítico. Seis das vítimas apresentam ferimentos ligeiros."
"Um comboio estava na altura parado nos carris e, segundo a imprensa alemã, algumas das vítimas foram mesmo assistidas dentro das carruagens."
O suspeito, "uma mulher de 39 anos" terá sido detida já pelas autoridades no local. Outros crimes parecidos têm ocorrido pelo país, mas nem todos se devem às mesmas motivações. No passado sábado, "quatro pessoas ficaram feridas durante uma agressão com faca no oeste do país. O autor dos esfaqueamentos é um sírio de 35 anos detido pelas autoridades, que suspeitam de ataque islamista. Este cidadão sírio atingiu um grupo de pessoas frente a um bar no centro da cidade de Bielefeld antes de se colocar em fuga." Numa outra situação, um "estudante de 12 anos" foi também agredido com uma faca, "no pátio da sua escola por um dos seus colegas de 13 anos."
"No final de janeiro, uma criança de dois anos e um homem morreram" naquele que foi um dos mais falados ataques da altura, "num ataque com faca." As vítimas estavam num parque no sul do país, tendo sido atacadas por um cidadão "afegão de 28 anos, com antecedentes psiquiátricos graves," que tomou como vítimas "um grupo de crianças em idade escolar."
Fontes:
França foi mais uma vez palco de um "atentado com recurso a uma faca durante uma manifestação", que decorria na cidade de Mulhouse, em "apoio à República Democrática do Congo, que enfrenta uma ofensiva, no leste, do movimento armado M23, apoiado pelo Ruanda."
Durante o ataque, um português de 69 anos, que tentou conter o ataque, foi morto e cinco polícias municipais foram feridos, "sendo que dois estão em estado grave."
"A unidade nacional de procuradores antiterroristas de França (PNAT), que assumiu o comando da investigação, disse que o suspeito atacou primeiro os polícias municipais." Também o "presidente francês, Emmanuel Macron," se referiu a este ato, como um "ato de terrorismo" e como um ato de origem "islâmica". O suspeito, é um homem de 37 anos que nasceu "na Argélia" e que já "estava sinalizado para efeitos de prevenção de terrorismo." ,Segundo relatos da imprensa francesa, ao avançar com uma faca direito aos manifestantes, "terá gritado “Allahu akbar” (“Deus é grande”, em português)."
Num outro ataque, que aconteceu na noite de ontem, mas neste caso, na Alemanha, um "turista espanhol de 30 anos ficou gravemente ferido." A vítima, foi "atacada aparentemente sem razão conhecida," tendo sido esfaqueada na região do pescoço, "quando visitava o Memorial do Holocausto em Berlim."
O suspeito deste ataque, fugiu, mas acabou por ser detido algumas horas depois. o suspeito deste ataque é um cidadão sírio, com estatuto de refugiado. Terá apenas "19 anos" e "mora em um abrigo para refugiados na cidade de Leipzig, no leste alemão."
Estas duas situações, além da sua proximidade temporal, nada terão que as relacione. No entanto, o ato que ocorreu na Alemanha, foi relacionado com o "conflito no Oriente Médio", tendo acontecido apenas "dois dias antes das eleições gerais no país." Um país que está em tensão não apenas pelas eleições mas por uma "série de ataques fatais" que aconteceram durante as últimas semanas e "cujos suspeitos são imigrantes," ou refugiados.
Fontes:
Penso que cada vez mais estes fenómenos se repetem, por imitação, porque resultam ou porque os estados nada fazem... mas a verdade é que é apenas o ser humano a mostrar o pior de si, sem se importar com o outro e querendo apenas olhar para o seu próprio umbigo.
Um homem, ultrapassou as barreiras policiais e investiu com a sua viatura contra "um grupo de mais de mil pessoas que estava a participar numa manifestação no centro da cidade de Munique, no sudeste da Alemanha." O grupo integrava "uma manifestação do sindicato Verdi."
O suspeito que foi pouco depois detido pela polícia, "é um afegão de 24 anos," que vivia em Munique, mas "cujo pedido de asilo" tinha sido rejeitado. O homem era afinal já "conhecido da polícia por crimes relacionados com drogas e furtos," e se estava ilegal no país, porque não tinha ainda sido expulso ou detido? Ter-se-ia assim evitado mais este atentado, do qual acabaram por resultar "pelo menos 28 feridos," dois dos quais em estado grave. Apesar do "porta-voz dos bombeiros da cidade" ter explicado que era difícil "indicar um número exato de vítimas, uma vez que alguns dos feridos tinham procurado abrigo nos edifícios vizinhos," iamos entretanto sabendo através das notícias que havia crianças envolvidas e que o atentado tinha também provocado dois mortos.
Naquele local, estava montada já "uma grande operação policial devido à realização da Conferência de Segurança de Munique," que irá "acontecer no Hotel Bayerischer Hof, situado a apenas dois quilómetros da praça onde o carro avançou contra a multidão." Nesta conferência irão estar entre outros, o "vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky."
O ataque ocorreu "durante a campanha eleitoral para as legislativas alemãs de 23 de fevereiro," a qual já estava a ser dominada por questões ligadas à imigração e à segurança.
Fontes:
https://pt.euronews.com/my-europe/2025/02/13/carro-abalroa-grupo-de-pessoas-em-munique
No dia 27 de janeiro de 1945, soldados das forças soviéticas chegaram ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, onde encontraram aqueles que tinham ficado para trás. Começo por aconselhar a vossa pesquisa sobre esta data - existe muita informação, espalhada por aí. Reforço ainda que esta data não deve ser esquecida! Um dos primeiros locais que vos convido a visitar é o site "A Enciclopédia do Holocausto", onde encontram diversa informação sobre o tema.
"À medida em que as tropas aliadas penetravam na Europa, em uma série de ofensivas contra a Alemanha, os soldados começaram a encontrar e a libertar os prisioneiros dos campos de concentração, muitos dos quais haviam sobrevivido às marchas da morte para o interior da Alemanha. As forças soviéticas foram as primeiras a se aproximar de um campo nazista de grande porte, chegando ao campo de Majdanek próximo de Lublin na Polônia, em julho de 1944. Surpreendidos pelo rápido avanço soviético, os alemães tentaram demolir o campo numa tentativa de ocultar as evidências do extermínio em massa que haviam cometido."
Neste dia, começava a ser posta a descoberto "a escala das atrocidades cometidas pelo regime nazi naquele e noutros locais.
"6 milhões de judeus, minorias e dissidentes políticos foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial pelo regime nazi," e para que isto não se repita, há que lembrar o que se passou e não deixar disseminar as ideologias que, ainda hoje, passados 80 anos, dizem que foi tudo uma invenção.
Assinalando hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e os 80 anos que passaram sobre a libertação de Auschwitz, António Guterres, chefe das Nações Unidas, ressalta durante o seu discurso "que a lembrança dos eventos do Holocausto é um bastião contra a difamação da humanidade e um apelo à ação coletiva para garantir o respeito pela dignidade e pelos princípios fundamentais."
Os campos de concentração nazi foram erguidos na Alemanha em março de 1933, logo depois de Adolf Hitler se ter tornado Chanceler e do seu Partido ter recebido "o controle da polícia pelo Ministro do Interior do Reich, Wilhelm Frick, e pelo Ministro do Interior prussiano, Hermann Göring." Estes campos eram usados "para prender e torturar" aqueles que eram considerados como "adversários políticos e sindicalistas." Inicialmente, cerca de "45 mil prisioneiros" deram entrada nestes campos. Estima-se que em janeiro de 1945, estivessem em campos de concentração cerca de "715 000" pessoas. Além dos campos de concentração, onde existiam "bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs," foram também criados "os campos de extermínio." Estes campos foram estabelecidos com apenas um objetivo: matar! Nestes campos, foram assassinadas milhares de pessoas, de todas as idades, a uma escala praticamente "industrial" não só de judeus, mas também de eslavos, comunistas, homossexuais e outros que os nazistas consideravam "Untermensch" (povos inferiores) ou indignos de viver," através das "câmaras de gás."
Este genocídio do povo judeu por toda a Europa foi a solução encontrada pelo "Terceiro Reich para a questão judaica", o que hoje designamos coletivamente por Holocausto.
Mas aqueles que conseguiram sobreviver, nunca chegaram a ver a sua vida reposta nem foi feita justiça ao que ali sofreram, muito menos chegou alguma vez a ser feita justiça às mortes causadas às mãos dos nazis.
A "segregação da população judaica na Alemanha," começou com "as leis de Nuremberga," introduzidas a "15 de setembro de 1935 pelo Reichstag, numa reunião especial durante o comício anual em Nuremberga do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães." O objetivo era obrigar à "Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã." Em "26 de novembro de 1935", as leis foram corrigidas para incluírem, além da população judaica, "os ciganos e os negros." No ano seguinte, "depois dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936," que se realizaram em Berlim, começaram as perseguições sob pretexto de pôr em prática estas leis.
"As Leis de Nuremberga tiveram um impacto económico e social incapacitante na comunidade judaica. As pessoas suspeitas de violar as leis do casamento eram detidas, e (a partir de 8 de março de 1938) após terem cumprido as suas condenações, eram novamente presas pela Gestapo e enviadas para campos de concentração nazis."
"Em 1938, já era difícil, se não impossível, os emigrantes judeus encontrarem um país que os aceitasse. Os esquemas para as deportações em massa, como o Plano Madagáscar, mostraram-se impossíveis de realizar, e a partir de meados de 1941, o governo alemão deu início à exterminação em massa dos judeus na Europa." Este plano consistiu numa tentativa de "transferir a população" judaica "da Europa para a ilha de Madagáscar," proposta pelo governo nazi, depois da França entregar a sua colónia à "Alemanha, como parte dos termos de rendição franceses," na 2ª Guerra Mundial. Este plano, acabou por não ir em frente e foi substituído, por uma "evacuação para o leste," mas que não era nada mais nada menos do que a expulsão e perseguição dos judeus em direção ao leste da Europa.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Nuremberg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campos_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_nazistas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_exterm%C3%ADnio
https://news.un.org/pt/story/2025/01/1844016
https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/liberation-of-nazi-camps
Os ataques em parques ou feiras, a pessoas que passeiam ou se manifestam e que ocorrem de forma, aparentemente, aleatória, estão a ser cada vez mais comuns na Europa, sobretudo em países como a Alemanha e a França.
Ontem, ocorreu um novo ataque com faca na Alemana, mais propriamente na região da Baviera, do qual resultou a morte de duas pessoas e ferimentos em outras duas. "O ataque aconteceu num parque, na cidade de Aschaffenburg, no sul da Alemanha." As "vítimas mortais são um homem de 41 anos e um menino de dois anos."
Nem sempre os ataques acabam por ser reeinvindicados por células ou grupos terroristas, mas quase sempre estão ligados a motivod políticos, culturais e religiosos. Desta vez, a polícia alemã deteve um homem de "28 anos, de nacionalidade afegã," por suspeitas de ser ele o perpretador deste crime.
"A polícia local está a averiguar o motivo do ataque, mas adiantou que não se trata de um ato terrorista, tendo o suspeito agido sozinho. Segundo as autoridades, a população no local já não corre perigo."
Os ataques que no último ano atingiram a Alemanha, custaram várias vidas. "Em junho, um agente da polícia perdeu a vida num ataque com faca em Mannheim, tendo um cidadão afegão sido identificado como o principal suspeito."
Já em "agosto, três pessoas foram mortas e outras oito ficaram feridas durante uma série de esfaqueamentos num festival de rua na cidade ocidental de Solingen." Foi detido "um suspeito sírio relacionado com o ataque, que mais tarde foi reivindicado pelo EI."
Apesar de não se encontrar atualizado, é suposto que "a Agência da UE para a Cooperação Policial," publique "todos os anos um relatório sobre a situação e as tendências do terrorismo na UE." Neste relatório devem constar "dados sobre os atentados terroristas e as detenções relacionadas com o terrorismo na União Europeia e baseia-se nas informações facultadas pelos Estados-Membros da UE."
Fontes:
https://www.consilium.europa.eu/pt/infographics/terrorism-eu-facts-figures/
A primeira reação é pensar porque é que estão outra vez a falar de atentados em mercados de natal, para depois me aperceber que, infelizmente, a situação se voltou a repetir. Esta sexta-feira, várias pessoas passeavam pelo mercado de natal de "Magdeburgo, no leste da Alemanha, quando uma viatura avançou sobre adultos e crianças. Há a registar pelo menos 5 mortos, um dos quais "uma criança. Há ainda a registar mais de 200 feridos, vários deles em estado grave."
Passaram-se 30 anos, mas ninguém pode esquecer o massacre que aconteceu no dia 7 de abril de 1994 no Ruanda. Lembro-me vagamente de ouvir algumas coisas sobre isto, mas na altura eu tinha apenas 10 anos e, claro, os blocos noticiosos muito mais fechados naquela época, não nos traziam as notícias como no-las trazem hoje.
Há 30 anos, o Ruanda estava em plena guerra civil. "O Ruanda e o Burundi são dois pequenos países africanos que viviam em permanente tensão desde a sua independência, na década de 50. Essa tensão decorria precisamente do conflito entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi."
"No Ruanda, as raízes desta hostilidade remontam ao período colonial." Esta região foi colonizada primeiro pela Alemanha mas, posteriormente, passou para a administração da Bélgica, que "favoreceu a rivalidade entre os dois grupos e promoveu a supremacia da minoria Tutsi." Já os Hutus, mesmo sendo 85% da população, não tinham acesso à mesma educação, nem às mesmas oportunidades que eram dadas aos Tutsis. A raiva contra os Tutsis cresceu e deu origem à segregação em vastos campos de refugiados que se perdiam de vista. O gatilho, já bastante tenso, foi puxado quando o avião onde seguia o presidente Hutu foi abatido e os rebeldes Tutsis considerados culpados pela sua morte.
O genocídio não se fez esperar. Milhares de pessoas foram mortas de forma bárbara. O exército Hutu fechava as estradas e entrava nas casas dizimando todos os que lá estivessem. Os homens da casa eram mortos e depois as mulheres e as adolescentes violadas e assassinadas em seguida. As casas eram saqueadas. Avançavam casa após casa, até não restar ninguém.
Estamos a falar em cerca de dez mil pessoas por dia. Ainda hoje, trinta anos depois, se continuam a descobrir as valas comuns onde jazem cadáveres destas vítimas. "Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas durante este período de pouco mais de três meses, enquanto a guerra civil que se seguiu terá causado cerca de 2 milhões de refugiados."
A indignação na altura, não foi apenas causada pelo horror das imagens dos massacres, mas sobretudo "pela passividade e indiferença das potências mundiais." O contingente militar que a "ONU colocou" no país, revelou-se impotente para travar os ataques! Não conseguiram "proteger as populações. Houve alertas e denúncias de que estava em marcha uma catástrofe humanitária no país, mas nada foi feito."
Durante aqueles dias, a população foi completamente dizimada e "nem os locais de culto serviam como sítios seguros." Há relatos de que "numa igreja na província de Gikondo, controlada pela ordem religiosa polaca dos palotinos, e onde estavam escondidas várias pessoas, cerca de 100 homens pertencentes às milícias ligadas aos hutus entraram no local e levaram a cabo um autêntico massacre."
Quinze dias depois dos ataques começarem, as Nações Unidas retiraram as suas tropas da região. "A França, tradicional aliada dos Hutus, foi posteriormente acusada de ter tido conhecimento dos planos genocidas das elites Hutus e de não ter tomado nenhuma ação. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram igualmente a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais."
O massacre, esse só terminou cem dias depois, quando os rebeldes da Frente Patriótica do Ruanda conquistaram a capital. O seu comandante ainda é hoje, o presidente da República do Ruanda.
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/
CNN Portugal 07/04/2024: reportagem sobre os 30 anos do genocídio do Ruanda, transmitido no Jornal CNN Domingo;
Faz hoje precisamente 90 anos que o Regime tremeu. Infelizmente, as ações promovidas pelos sindicatos não tiveram o resultado pretendido, mas não podemos deixar de lembrar como é que o dia 18 de Janeiro se tornou "um marco na história da resistência ao fascismo em Portugal."
Salazar e a maioria dos seus ministros, passou a noite no "quartel do exército que funcionava onde hoje está a Universidade Nova de Lisboa, em Campolide." Nas imediações das fábricas e dos bairros dos operários, viam-se elementos a cavalo prontos com metralhadoras, enquanto pelos cafés, teatros e outros recintos de diversão, a PIDE acompanhava a PSP e a GNR, encetando esforços para o seu encerramento. O Exército e a Marinha tiveram também de ser postos em ação, com ações de vigilância e prevenção. Mas a que se devia tamanha agitação?
É que seguindo aquilo que Hitler tinha feito na Alemanha, pouco tempo antes, Salazar preparava-se para dissolver de forma forçada aqueles que ainda eram os sindicatos livres, transformando assim "a ditadura militar num regime de tipo fascista. Estes, tencionava substituir por “sindicatos nacionais”, os quais seriam controlados pelo governo, tal como o "modelo fascista italiano que tinha sido estabelecido por Mussolini, em 1927", com a implementação da “Carta del Lavoro." Esta tentativa de "greve geral" pode ser considerada como "o primeiro grande desafio colocado a Salazar após a entrada em vigor da Constituição de 1933 e das leis laborais do novo regime, que dissolveram os sindicatos e proibiam expressamente as greves."
No dia 18 de janeiro de 1934, "as diversas organizações sindicais" que tinham formado um "Comité de Unidade", planearam "uma revolta geral que deveria paralisar o país nesse dia." No entanto, não houve a adesão que se esperava e os resultados acabaram por ficar aquém do esperado. Um dos locais onde se verificou maior adesão a esta que deveria ter sido uma greve geral a nível nacional, foi na Marinha Grande, onde "centenas de operários e trabalhadores," particularmente da indústria vidreira e coordenados por "um núcleo da CIS, a Confederação Inter Sindical, cortaram as estradas de acesso à vila, as linhas telefónicas e o caminho-de-ferro." Inicialmente, não se depararam com grande resistência e avançaram para o centro, ocupando "os correios, a Câmara Municipal e o posto da GNR." Conseguiram resistir apesar da rápida chegada dos militares que estavam em Leiria e que rapidamente ali acorreram.
Após alguma troca de tiros, por volta do meio-dia, já tudo tinha terminado, "com a prisão dos últimos grupos que tinham fugido para os pinhais das redondezas." Fala-se em cerca de 131 detidos, dos quais "45 revoltosos foram processados e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial, com penas entre três e 14 anos de prisão e ao pagamento de pesadas multas." Pode-se dizer que estes grupos de "revoltosos da Marinha Grande sofreram uma punição particularmente pesada." Dois anos depois foram levados para a recém-inaugurada "prisão do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde," onde "alguns acabariam por morrer devido às condições terríveis do campo."
A adesão esperada "das zonas operárias da margem sul e a insurreição dos meios urbanos contra o regime," acabou por não acontecer. "Deflagraram várias bombas em Lisboa, em Coimbra e no Barreiro e várias fábricas paralisaram, mas sem impacto significativo," uma vez que as "forças do regime entraram imediatamente em ação e os focos grevistas" acabaram afinal por ser "rapidamente dominados."
Esta data "teve um profundo impacto nos círculos da oposição ao regime de Salazar, agravando as divisões e a desconfiança entre anarco-sindicalistas e comunistas e afetando gravemente as organizações operárias em Portugal."
Fontes:
https://vozoperario.pt/jornal/2024/01/09/90-anos-da-greve-de-18-de-janeiro-uma-revolta-antifascista/
https://ensina.rtp.pt/artigo/revolta-da-marinha-grande/
Estou aqui a tentar encontrar as melhores palavras para iniciar... Em todas as guerras há mortos. Em todas se cometem atrocidades. Israel e Palestina. Estamos a assistir a um autêntico massacre. Famílias inteiras mortas, queimadas, mutiladas, decapitadas pelo Hamas, em ataques terroristas. Num último balanço, contam-se entre os mais de mil mortos, "260 crianças e 230 mulheres". Cerca de 4600 pessoas ficaram feridas. Logo na sequência dos ataques, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou a "preparação de uma ofensiva total contra a Faixa de Gaza que alterará totalmente a situação no terreno".
Segundo Benjamin Netanyahu, caraterizou o ataque do Hamas a Israel como “uma selvajaria nunca vista desde o Holocausto”. Numa conversa telefónica com Joe Biden, o primeiro-ministro israelita, fala numa “centenas de massacres, famílias destruídas nas suas camas, nas suas casas, mulheres brutalmente violadas e assassinadas, mais de uma centena de raptos (…), levaram dezenas de crianças, amarraram-nas, queimaram-nas e executaram, decapitaram soldados”.
Vários líderes europeus têm-se manifestado. Desde Erdogan, da Turquia, a Zelensky presidente Ucraniano. "Numa conferência de imprensa com o chanceler austríaco Karl Nehammer, o líder turco manifestou ainda a sua preocupação com o alastramento do conflito a todo o Médio Oriente após o ataque terrorista do Hamas." O medo invade a Europa. Em Berlim, na Alemanha, manifestações a favor da Palestina foram proibidas por poderem representar, de acordo com as autoridades, “um perigo para a segurança e ordem pública”. Já Zelensky, afirmou "que a Rússia apoia o ataque do Hamas a Israel para promover a desestabilização global." O presidente ucraniano afirma ter "indicações que nos levam a crer que a Rússia está a ajudar a levar a cabo certas operações terroristas", e que “não é a primeira vez que atua desta forma". Dá o exemplo do que se passou na Ucrânia, na Síria e no continente africano.
Numa mensagem forte e emotiva, Joe Biden afirmou que "os Estados Unidos reforçaram a postura das forças militares na região para fortalecer a dissuasão”, estando armamento a caminho e já tendo mesmo aterrado no país o primeiro avião com munições. Serão cerca de vinte, os cidadãos norte-americanos desaparecidos em Israel e ainda "não é claro se estão entre os reféns capturados pelo Hamas e levados para Gaza, embora a Casa Branca tenha confirmado que um número indeterminado se encontra entre os reféns."
João Gomes Cravinho, "defendeu o regresso à via diplomática, com um diálogo mais aprofundado que inclua ONU e países árabes". Uma família lusodescendente está desaparecia e uma jovem de 25 anos, acabou mesmo por ser encontrada morta. Neumann, luso-israelita, estudava em Tel Aviv e estava "no festival Teva, um dos vários festivais de música perto da fronteira de Gaza que foi invadido por militantes nas primeiras horas da manhã de sábado".
Israel está cercado, os ataques estão a vir de todos os lados. "As forças israelitas adiantaram que estão a responder, com artilharia e morteiros, a um ataque com projéteis não identificados desde a Síria, enquanto prossegue a resposta de Israel contra Gaza na sequência do ataque do Hamas." A maioria terá caído numa zona deserta. Do Líbano, foram lançados vários foguetes que atingiram o território.
Do lado palestiniano, há também fortes acusações, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Palestina a acusar Israel "de utilizar bombas de fósforo branco, destruindo um bairro no noroeste da cidade de Gaza". O cerco a Gaza, condena a população que lá permanece. O "rei Abdullah II da Jordânia ordenou o envio de ajuda médica e humanitária para a Faixa de Gaza, face às exigências israelitas para bloquear fundos internacionais à Palestina." Este apoio está a ser coordenado com o Egito, "através da passagem de Rafah", que entretanto foi encerrada depois dos "bombardeamentos israelitas terem atingidos as zonas envolventes".
Israel terá bombardeado "bairro por bairro na Faixa de Gaza, reduzindo prédios a escombros e fazendo com que as pessoas procurassem todos os meios para encontrar segurança no pequeno e isolado território," como retaliação ao ataque surpresa do Hamas. "As organizações humanitárias apelaram à criação de corredores humanitários para levar ajuda a Gaza, alertando que os hospitais locais, sobrelotados com feridos, estão a ficar sem meios e "os Médicos Sem Fronteiras indicaram que não conseguiram contatar as suas equipas em Gaza" depois do governo israelita ter cortado por completo o fornecimento de água e eletricidade à população.
É o povo que sofre. De ambos os lados.
Fontes:
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