Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Reencontros

Se a edição do meu livro foi um sonho teornado realidade, a verdade é que além da satisfação pessoal, a sua saída trouxe-me muitas outras coisas boas. Uma delas foi a possibilidade de voltar a falar com algumas pessoas com as quais a vida me tinha feito perder o contato e, também, voltar a encontrar-me com alguns amigos.

A possibilidade de rever algumas pessoas, de ir entregar o livro em mão (na maioria das vezes ficava mais barato enviar por correio), com uma dedicatória, umas palavras pensadas em especial para aquela pessoa, tornam o momento em que o livro troca de mãos ainda mais especial. Não sei se dará vendas suficientes, mas já estou a ganhar com este retomar de relações que fui perdendo. As redes sociais trazem esta possibilidade, tanto na divulgação do próprio livro, como no reencontrar de pessoas, antigas colegas de curso, antigos colegas de trabalho, amigos que nunca deixaram de estar presentes, mas com os quais não falamos todos os dias.

Sou muito crítica em relação ao meu trabalho e com este meu livro não foi exceção. Para mim, há sempre algo a melhorar, algo que as pessoas não vão gostar. 

Mas os comentários ao meu trabalho têm sido bons. Tenho ouvido e lido frases de motivação e de incentivo e, sobretudo, de surpresa. Quem me conhece bem, sabe que eu sempre gostei de escrever e que sempre escrevi muito.

Este passo da edição foi uma aventura, um risco grande que eu corri sozinha. Tinha de ser sozinha, sem ninguém das minhas relações que se envolvesse demasiado ou investisse no projeto. Se correr mal, terei de ser só eu. 

Vivi e o dragão_img_novidade.jpeg

Orlando Costa

Infelizmente, as notícias desta sexta-feira, deram conta do falecimento do ator Orlando Costa com 73 anos. 

Orlando Costa, conhecido também do grande público pela sua participação em séries e em novelas nacionais, nasceu em Braga, a 24 de dezembro de 1948. 

Em 1969, Orlando Costa, estreou-se como profissional no Teatro Experimental de Cascais, com a peça "Um Chapéu de Palha de Itália", tendo-se destacado no percurso que fez na televisão com o icónico papel que interpretou na série "Zé Gato", corria o ano de 1979, na RTP.

Na década de 70, o ator estreou-se no cinema, onde se deu a conhecer em várias produções como por exemplo "Jogo de Mão" (1982), "Amor e Dedinhos de Pé" (1993) ou em "Sapatos Pretos" (1998).

Em 1973, foi também fundador do Teatro da Cornucópia, com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo. 

Na televisão, trabalhou com todos os canais e entre vários trabalhos que fez, destaca-se a sua participação em "Duarte e Companhia" (1985) na RTP, "Desencontros" (1995), "Polícias" (1996), "Ballet Rose"(1998), "O Fura-Vidas" (1999), "Esquadra de Polícia" (1999), "Capitão Roby" (2000), "Olhos de Água", "Conta-me como foi", "Inspetor Max" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Os Filhos do Rock" e claro, fez parte da maravilhosa equipa de "Malucos do Riso" (2001) na SIC e em "João semana" (2005)

Em 2007 integrou o elenco de Hamlet de Shakespeare, numa encenação de André Gago, que o levou a percorrer o país.

Ultimamente, participou na SIC em "Amor Amor" e "Por Ti", onde era o sargento Silva. Era uma pessoa muito ativa e querida dos seus colegas e do público que o gostava de ver trabalhar. Uma grande perda que deixa mais pobre o nosso teatro e televisão.

Paula Rego

Faleceu a pintora Paula Rego, com 87 anos, na sua casa em Londres onde estava acompanhada da família.

Nascida em Lisboa, no dia 26 de janeiro de 1935, a pintora dividiu sempre opiniões em relação à sua obra. O que não podemos deixar de dizer é que usava a arte para fazer valer os seus valores contra a opressão, o que muitas vezes fazia com que uns a admirassem e outros a odiassem. Uma dessas coleções foi "Aborto", tendo sido se calhar a que recentemente mais impacto político e social teve em Portugal, produzida durante a campanha pela despenalização deste procedimento no nosso país.

Paula Rego começou a desenhar ainda criança, partindo das ideias das histórias que lhe contavam e daquilo que via e imaginava. Cedo lhe reconheceram talento e os seus professores (na St. Julian´s School, em Carcavelos) ajudaram a que fosse possível ir para Londres apenas com 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Em 1975, conseguiu uma bolsa atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian para poder fazer pesquisa sobre contos infantis. 

Seria em Londres que viria a conhecer o artista inglês Victor Willing, que viria a ser seu marido. Mais tarde, em Cascais, Paula Rego exibiu por várias vezes na Casa das Histórias a obra deste conhecido artista que faleceu vítima de esclerose múltipla. É também na Casa das Histórias que está uma grande parte do acervo das suas obras.

Na pintura, Paula Rego destaca-se então pelas imagens típicas da infância, por vezes até consideradas fetichistas ou mesmo traumáticas. Podemos dizer que se relacionam ou que exemplificam cenas de violência. Os animais são frequentemente os protagonistas da sua linguagem artística, mas representa também outros temas como as mulheres ou o abuso do poder.

A artista recebeu vários prémios, tais como o Prémio Turner em 1989 (atribuído normalmente a artistas britânicos), o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2013, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 2004.  No ano de 2010, Paula Rego foi galardoada com a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes, das mãos da Rainha Isabel II. Em 2016, recebeu também a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.

 

Eunice Munoz

Perdeu-se hoje uma das maiores atrizes portuguesas. Nascida na Amareleja, no distrito de Beja, em 1928, Eunice festejou em Novembro 80 anos de carreira e despediu-se dos palcos com a peça que fez com a neta Lídia "A margem do tempo". Na televisão aparece pela última vez em "Festa é Festa" na TVI.

93 anos de vida pautados por muitas peças de teatro e diversas participações em elencos de novelas, nos quais será sempre recordada. Neste momento ainda não estou preparada para falar desta grande senhora. As saudades serão sempre consoladas com a possibilidade de a voltar a ver através de uma rápida pesquisa na net. Com apenas 13 anos, em 1941, estreia-se no palco do grande Teatro Nacional D. Maria II, em "Vendaval", de Virgínia Vitorino. Partilha o palco com outros nomes sonantes como Amélia Rey Colaço, João Villaret, Palmira Bastos ou Raul de Carvalho e o seu talento brilha tanto que os grandes mestres a integram logo na companhia. Da minha parte, nunca irei esquecer pequenos episódios em que a vi atuar na televisão, na revista à portuguesa, como no "Passa por mim no Rossio" de Filipa la Féria, ou na "Dona Branca" da novela "A banqueira do povo."

Rayan

O mundo tem os olhos postos num buraco que se abriu para as profundezas e onde um menino, 5 anos, caiu.

O mundo tem os olhos postos nas ações das equipas que o tentam tirar de lá, esperando o erro, para criticar, dizer fazer, mas não é todo o mundo que está lá... são eles que cavam a terra suja e dura nas suas mãos e com o coração apertado tentam um último esforço, talvez no fim já sabendo que nada havia a fazer por ele...

Só o querendo resgatar do coração da terra, dar-lhe finalmente o calor de um colo, de uma manta, de um toque humano...

O mundo tem os olhos no pai que coloca a mão sobre a mãe e a conforta quando, talvez já o soubessem dentro do coração sangrante, adivinham o fim trágico de um da sua prole...

O mundo tem os olhos na mãe e nos seus gestos, no conforto que ela tenta dar à comunidade que a apoia com comida em tom de agradecimento, quando ela mesma sabe que é apenas o que pode fazer, esperar e agradecer...

O mundo quer estar ali, para ajudar, mas não está, estamos do lado de cá do ecrã a espreitar ocasionalmente o buraco, onde caiu o menino que uniu por horas o mundo, além de credos, regiões e religiões.

E ele descansou, deixou-se levar no embalo do sono, do frio, da fome... alheio ao murmurinho do mundo.

 

Teresa Mota

Foi com "As cartas do tio João" em que protagonizou a sobrinha "Teresinha" que se tornou conhecida do público. Poucos se lembrarão dela e de como respondia às cartas dos jovens, numa interação constante com o público, nos primeiros passos da televisão em Portugal.

Teresa nasceu em Tomar, em 1940, e cedo foi para Paris onde fez grande parte da sua carreira, apesar de ter também trabalhado em filmes como "Raça" (1961), "Histórias Simples da Gente Cá do Meu Bairro" (1961) e "Meus Amigos" (1974), bem como no Teatro onde em 1961, sob a alçada da grande Amélia Rey-Colaço,  viu reconhecida a sua interpretação em "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, com o prémio da crítica apenas com 20 anos.

Faleceu ontem em Paris, cidade onde vivia, com 82 anos de idade.

 

Rogério Samora

Depois de ter sofrido duas paragens cardio-respiratórias a 20 de Julho deste ano, Rogério Samora acabou por falecer a 15 de Dezembro. Durante estes meses, em que esteve em coma profundo, muito se falou sobre a sua vida, sobre a pessoa ativa que era e os projetos em que estava envolvido e, já se tornava infelizmente expectável este desfecho.

O teatro, o cinema e a televisão deram-nos a conhecer este homem, que no entanto, era uma pessoa reservada. Estava a gravar a novela "Amor Amor", da Sic, quando se deu o colapso, sem que nada o fizesse prever.

Este ano foi trágico para os atores portugueses, para a cultura no geral e perderam-se grandes nomes e sobretudo pessoas ainda jovens e em atividade.

Jorge Sampaio

O ex-presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio morreu com 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado desde o final de agosto, devido a dificuldade respiratória e doença cardíaca que já o acompanhava desde há muito.

Filho de mãe professora de inglês, de quem herda o rigor, e de pai médico, investigador, de quem herda a preocupação com o serviço de saúde público, criado numa família burguesa, democrática, que marcou a sua educação e personalidade. Irmão do conhecido psiquiatra Daniel Sampaio. Casou com Maria José Ritta, em Abril de 1974, de quem teve dois filhos, Vera e André, e com quem partilhou a vida privada e pública.

É em 1958, que desponta o seu entusiasmo pela política, talvez por ser o ano da campanha do General Humberto Delgado às presidenciais e ele, mesmo que ainda com 19 anos numa ditadura em que a maioridade era atingida apenas aos 21, ser já presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Havia a vontade de fazer algo e Jorge Sampaio estaria no momento e local exatos para poder fazer a diferença. Funda o MAR (Movimento de Ação Revolucionária), o MES (Movimento de Esquerda Socialista) e o IS (Intervenção Socialista) antes de, em 1978, se tornar militante do PS (Partido Socialista). Embora mais tarde tenha reconhecido publicamente "o erro" de não ter-se inscrito mais cedo, em 1963, quando o PS foi fundado.

Durante quase 30 anos, desempenhou cargos políticos, tendo sido líder do PS. Em 1996 ganha a presidência da República a Soares, só deixando o lugar 10 anos depois. O homem da frase "há vida para além do orçamento" (2004), era tímido e discreto, mas ao mesmo tempo demonstrava uma cultura acima da média. Nem sempre entendido, afirmava que a "democracia global" teria de envolver a "democracia participativa e não só a representativa", mostrando uma preocupação com o futuro do país e do mundo, em especial com os países de expressão portuguesa.

Passou por cinco governos, e entre outros acontecimentos marcantes, assistiu há 21 anos à aprovação de um orçamento que valeu grande investimento na zona do Minho e o famosos "queijo Limiano", assistiu à queda de Guterres e conviveu com Durão Barroso e com a sua "mentira" sobre a Cimeira das Lajes, interrompeu o caminho de Santana Lopes dissolvendo a Assembleia e abriu o caminho para a eleição de José Sócrates. Foi ainda responsável pelos primeiros referendos nacionais, foi recordista de vetos (22, todos ganhos), percorreu os 308 concelhos do país. Não escapou aos escândalos da Universidade Moderna e da Casa Pia e teve um papel fundamental na independência de Timor Leste, que visitou assim que lhe foi possível. Foi o primeiro chefe do Estado português a fazê-lo.

No fim da presidência da República, Kofi Annan escolhe-o primeiro para lutar contra tuberculose e depois para unir as civilizações. O desempenho dessas funções valeu-lhe uma distinção da Organização Mundial de Saúde e o primeiro prémio Nelson Mandela instituído pelas Nações Unidas para premiar "feitos e contribuições excecionais ao serviço da humanidade".

 

Otelo Saraiva de Carvalho

Quando eu andava na escola, falaram-me do 25 de Abril, da revolução. Em casa, ouvi várias vezes falar sobre o "antes", de como era a vida, do que a revolução trouxe. Mas a verdade é que só em adulta entendi. Só quando vi a reconstituição feita por atores é que entendi quem era quem, aqueles atores mostraram-me a noite que mudou muitas vidas.

Foi através da televisão que eu depois senti vontade de pesquisar mais sobre o tema (mais do que tinha feito quando aluna para vários trabalhos que fiz sobre o tema). Li romances que retratavam a vida nos anos 50, 60. Não pensei que nada se dissesse (quase nada) quando morre um dos heróis do nosso país, da nossa história moderna. Para muitos pode ter sido apenas mais um coronel ou capitão de Abril, mas não terá sido Amália também mais uma cantora e Eusébio mais um jogador? 

Para mim foi mais do que um capitão.

Nasceu em Lourenço Marques a 31 de Agosto de 1936 e faleceu a 25 de Julho de 2021. Além da sua carreira militar, foi também político e, apesar de se concordar ou não com algumas das suas opções, a verdade é que devemos olhar a história com a importância que esta merece.

As suas primeiras atividades de contestação ao regime deram-se por ocasião da preparação do Congresso dos Combatentes do Ultramar (que teve lugar de 1 a 3 de junho de 1973, no Porto). Exigiu, junto com os outros oficiais em Bissau, a participação de oficiais do Quadro Permanente que exigiam reconhecimento pelo congresso. Foi depois um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães que depois se transformou em MFA. Esse decreto trouxe grande descontentamento porque faria entrar para o quadro permanente das Forças Armadas, como capitães ou majores, muitas pessoas com uma qualificação e tempo de aprendizagem muito inferiores às dos oficiais do quadro na altura. Em Bissau foi, portanto, criada a Comissão do Movimento dos Capitães (CMC), em que Otelo teve um papel de relevo. É promovido a Major em 1 de Setembro de 1973 e a 7 do mesmo mês faz uma exposição ao Ministro do Exército. Reunidos em Évora, 136 capitães assinam um documento semelhante, seguindo o exemplo da Guiné, seguidos por 94 em Angola e 106 em Moçambique. Em resumo, a contestação foi tal que esse decreto foi revogado (e um seguinte, que "resolvia" o problema dos majores), mas, como diz Otelo no seu livro Alvorada em Abril, o movimento já estava lançado. A 1 de dezembro de 1973, há um plenário mascarado de confraternização em Óbidos, e é criado o MOFA (Movimento de Oficiais das Forças Armadas, cujo nome, por razões óbvias de sigla, mudaria para MFA alguns dias antes do 25 de Abril por sugestão de Spínola).

Após o fracasso da intentona das Caldas de 16 de março de 1974, em que vários militares seus companheiros foram presos, e Otelo não o foi por um triz, tomou a seu cargo desenhar o plano militar de operações que deu origem ao golpe militar de 25 de Abril, sendo, portanto, o estratega indiscutível da Revolução de 25 de Abril de 1974, responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães.

Otelo dirigiu também as operações com outros militares, a partir do posto da Pontinha, no Regimento de Engenharia n.º 1, onde esteve em permanência desde o fim da tarde de 24 de abril até ao dia 26 de abril de 1974 e entre outras ações, Otelo também seguiu de perto os acontecimentos do Largo do Carmo, tendo sido ele que escreveu a ordem manuscrita para que Salgueiro Maia iniciasse o fogo contra o Quartel do Carmo.

Depois da revolução, foi nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, e Comandante do COPCON, com polémica atuação durante o Processo Revolucionário em Curso.

Pertenceu ao Conselho dos 20 e ao Conselho da Revolução, e é considerado um dos elementos mais carismáticos do Movimento das Forças Armadas.

Nos anos 1980, foi acusado de ter participado da luta armada em prol da revolução proletária como membro da organização terrorista Forças Populares 25 de Abril, tendo sido condenado a 15 anos de prisão por associação terrorista em 1986. Otelo sempre negou essa participação. Em 1991, Otelo recebeu indulto por seus crimes, que foram amnistiados em 2004. 

Muito poderia acrescentar aqui, de uma vida cheia e que em vários aspetos contribuiu para o país que hoje temos. Ele e outros com a devida importância.

Carlos Miguel

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

entrevista tarde é sua carlos miguel

img_724x482$2010_02_28_11_47_00_59778.jpg

Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama.

O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses.

Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos.

Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

Mais sobre mim

imagem de perfil

Calendário

Agosto 2022

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub