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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Festas e romarias

Hoje dia de Todos os Santos, celebra-se aqui bem pertinho na Arrentela a festa em honra de Nª Sª da Soledade.

A Igreja que alberga a imagem que muitos fiéis devotam, de estilo Barroco, foi em parte destruída pelo terramoto de 1755. É composta por uma só nave. Está revestida por uma série de painéis de azulejos representando cenas da vida da Virgem Maria. O altar-mor, em talha dourada, anterior ao terramoto, possui um conjunto de colunas salomónicas, um minucioso sacrário e uma pintura figurando a Adoração do Santíssimo Sacramento. Na cobertura da nave pode-se observar um magnífico trabalho de estuque em relevo, de várias cores, onde se destaca uma imagem da Padroeira, com a muleta - barco de pesca típico desta região - a seus pés, rodeada de pescadores, fidalgos e dos quatro evangelistas.

O ponto alto da festa decorrerá amanhã na benção dos barcos, na sua maioria embarcações tradicionais que rumam até junto da zona velha da Arrentela e aí "assistem" à passagem da imagem da Santa.

Para conhecer mais sobre as festas e romarias do nosso concelho, Seixal, convido a visitar o blog As Raízes de Amora, onde poderá encontrar acontecimentos e momentos históricos (https://asraizesdeamora.blogs.sapo.pt/).

 

Jorge Sampaio

O ex-presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio morreu com 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado desde o final de agosto, devido a dificuldade respiratória e doença cardíaca que já o acompanhava desde há muito.

Filho de mãe professora de inglês, de quem herda o rigor, e de pai médico, investigador, de quem herda a preocupação com o serviço de saúde público, criado numa família burguesa, democrática, que marcou a sua educação e personalidade. Irmão do conhecido psiquiatra Daniel Sampaio. Casou com Maria José Ritta, em Abril de 1974, de quem teve dois filhos, Vera e André, e com quem partilhou a vida privada e pública.

É em 1958, que desponta o seu entusiasmo pela política, talvez por ser o ano da campanha do General Humberto Delgado às presidenciais e ele, mesmo que ainda com 19 anos numa ditadura em que a maioridade era atingida apenas aos 21, ser já presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Havia a vontade de fazer algo e Jorge Sampaio estaria no momento e local exatos para poder fazer a diferença. Funda o MAR (Movimento de Ação Revolucionária), o MES (Movimento de Esquerda Socialista) e o IS (Intervenção Socialista) antes de, em 1978, se tornar militante do PS (Partido Socialista). Embora mais tarde tenha reconhecido publicamente "o erro" de não ter-se inscrito mais cedo, em 1963, quando o PS foi fundado.

Durante quase 30 anos, desempenhou cargos políticos, tendo sido líder do PS. Em 1996 ganha a presidência da República a Soares, só deixando o lugar 10 anos depois. O homem da frase "há vida para além do orçamento" (2004), era tímido e discreto, mas ao mesmo tempo demonstrava uma cultura acima da média. Nem sempre entendido, afirmava que a "democracia global" teria de envolver a "democracia participativa e não só a representativa", mostrando uma preocupação com o futuro do país e do mundo, em especial com os países de expressão portuguesa.

Passou por cinco governos, e entre outros acontecimentos marcantes, assistiu há 21 anos à aprovação de um orçamento que valeu grande investimento na zona do Minho e o famosos "queijo Limiano", assistiu à queda de Guterres e conviveu com Durão Barroso e com a sua "mentira" sobre a Cimeira das Lajes, interrompeu o caminho de Santana Lopes dissolvendo a Assembleia e abriu o caminho para a eleição de José Sócrates. Foi ainda responsável pelos primeiros referendos nacionais, foi recordista de vetos (22, todos ganhos), percorreu os 308 concelhos do país. Não escapou aos escândalos da Universidade Moderna e da Casa Pia e teve um papel fundamental na independência de Timor Leste, que visitou assim que lhe foi possível. Foi o primeiro chefe do Estado português a fazê-lo.

No fim da presidência da República, Kofi Annan escolhe-o primeiro para lutar contra tuberculose e depois para unir as civilizações. O desempenho dessas funções valeu-lhe uma distinção da Organização Mundial de Saúde e o primeiro prémio Nelson Mandela instituído pelas Nações Unidas para premiar "feitos e contribuições excecionais ao serviço da humanidade".

 

Otelo Saraiva de Carvalho

Quando eu andava na escola, falaram-me do 25 de Abril, da revolução. Em casa, ouvi várias vezes falar sobre o "antes", de como era a vida, do que a revolução trouxe. Mas a verdade é que só em adulta entendi. Só quando vi a reconstituição feita por atores é que entendi quem era quem, aqueles atores mostraram-me a noite que mudou muitas vidas.

Foi através da televisão que eu depois senti vontade de pesquisar mais sobre o tema (mais do que tinha feito quando aluna para vários trabalhos que fiz sobre o tema). Li romances que retratavam a vida nos anos 50, 60. Não pensei que nada se dissesse (quase nada) quando morre um dos heróis do nosso país, da nossa história moderna. Para muitos pode ter sido apenas mais um coronel ou capitão de Abril, mas não terá sido Amália também mais uma cantora e Eusébio mais um jogador? 

Para mim foi mais do que um capitão.

Nasceu em Lourenço Marques a 31 de Agosto de 1936 e faleceu a 25 de Julho de 2021. Além da sua carreira militar, foi também político e, apesar de se concordar ou não com algumas das suas opções, a verdade é que devemos olhar a história com a importância que esta merece.

As suas primeiras atividades de contestação ao regime deram-se por ocasião da preparação do Congresso dos Combatentes do Ultramar (que teve lugar de 1 a 3 de junho de 1973, no Porto). Exigiu, junto com os outros oficiais em Bissau, a participação de oficiais do Quadro Permanente que exigiam reconhecimento pelo congresso. Foi depois um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães que depois se transformou em MFA. Esse decreto trouxe grande descontentamento porque faria entrar para o quadro permanente das Forças Armadas, como capitães ou majores, muitas pessoas com uma qualificação e tempo de aprendizagem muito inferiores às dos oficiais do quadro na altura. Em Bissau foi, portanto, criada a Comissão do Movimento dos Capitães (CMC), em que Otelo teve um papel de relevo. É promovido a Major em 1 de Setembro de 1973 e a 7 do mesmo mês faz uma exposição ao Ministro do Exército. Reunidos em Évora, 136 capitães assinam um documento semelhante, seguindo o exemplo da Guiné, seguidos por 94 em Angola e 106 em Moçambique. Em resumo, a contestação foi tal que esse decreto foi revogado (e um seguinte, que "resolvia" o problema dos majores), mas, como diz Otelo no seu livro Alvorada em Abril, o movimento já estava lançado. A 1 de dezembro de 1973, há um plenário mascarado de confraternização em Óbidos, e é criado o MOFA (Movimento de Oficiais das Forças Armadas, cujo nome, por razões óbvias de sigla, mudaria para MFA alguns dias antes do 25 de Abril por sugestão de Spínola).

Após o fracasso da intentona das Caldas de 16 de março de 1974, em que vários militares seus companheiros foram presos, e Otelo não o foi por um triz, tomou a seu cargo desenhar o plano militar de operações que deu origem ao golpe militar de 25 de Abril, sendo, portanto, o estratega indiscutível da Revolução de 25 de Abril de 1974, responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães.

Otelo dirigiu também as operações com outros militares, a partir do posto da Pontinha, no Regimento de Engenharia n.º 1, onde esteve em permanência desde o fim da tarde de 24 de abril até ao dia 26 de abril de 1974 e entre outras ações, Otelo também seguiu de perto os acontecimentos do Largo do Carmo, tendo sido ele que escreveu a ordem manuscrita para que Salgueiro Maia iniciasse o fogo contra o Quartel do Carmo.

Depois da revolução, foi nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, e Comandante do COPCON, com polémica atuação durante o Processo Revolucionário em Curso.

Pertenceu ao Conselho dos 20 e ao Conselho da Revolução, e é considerado um dos elementos mais carismáticos do Movimento das Forças Armadas.

Nos anos 1980, foi acusado de ter participado da luta armada em prol da revolução proletária como membro da organização terrorista Forças Populares 25 de Abril, tendo sido condenado a 15 anos de prisão por associação terrorista em 1986. Otelo sempre negou essa participação. Em 1991, Otelo recebeu indulto por seus crimes, que foram amnistiados em 2004. 

Muito poderia acrescentar aqui, de uma vida cheia e que em vários aspetos contribuiu para o país que hoje temos. Ele e outros com a devida importância.

Carlos Miguel

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

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Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama.

O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses.

Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos.

Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

Maria João Abreu

A vida é tão injusta. Todos os dias, a Maria João entrava nas nossas vidas para nos fazer rir ou para nos fazer chorar. A mim fez-me dar muitas gargalhadas e, por esse motivo, apesar de toda a tristeza e revolta que sinto nesta ida tão precoce, não consigo deixar de fazer um sorriso sempre que a lembro em papéis como a criada do "Médico de Família" ou mais recentemente em "Patrões fora". Não imagino como será para os colegas regressar ao palco sem a sua presença.

A partida deu-se ontem, aos 57 anos, no Hospital Garcia de Orta, depois de um aneurisma cerebral que lhe vinha dando sinais (segundo dizem agora vários colegas) mas ao qual ninguém deu a importância devida. Faz-nos perceber como somos tão pequeninos.

Dela, nunca esquecerei a sua presença nas revistas à portuguesa, junto de outras grandes figuras que admiro, como Marina Mota, Simone de Oliveira, João Baião, Joaquim Monchique, José Raposo, Natalina José ou Carlos Areia, entre tantos outros nomes.

Aqueles que nos marcam, irão sempre cedo de mais.

Artur Garcia

Poucos se lembram deste cantor que cedo deixou - ou foi afastado - da vida pública de cantor, mas que teve uma vida completamente dedicada à música e ao entretenimento. Faleceu quase a completar os 84 anos, após um período de doença e de um AVC que o deixa dependente. Estaria muito debilitado e a residir numa residência de Cuidados Continuados em Cascais.

Como outros grandes nomes da canção da sua geração, Artur Garcia frequentou o Centro de Preparação de Artistas da então Emissora Nacional.  Além de programas como “Gente Nova ao Microfone” e “Serões para Trabalhadores”, participou em "Andam canções no ar", em "Melodias de Sempre" onde fazia duetos com vozes tão conhecidas como Simone de Oliveira, Fernanda Soares, Madalena Iglésias e Maria de Lourdes Resende.

Artur Garcia participou em várias edições do festival da canção, nomeadamente nas duas primeiras, em 1964 e 1965. Em 1967, interpretou “Porta Secreta”, uma canção composta pelo autor de “Ele e Ela”, Carlos Canelhas, com a qual atingiu o 5.º lugar, a sua melhor posição neste festival e que se revelou um dos maiores êxitos da sua carreira.

A última vez que representou o seu país na Eurovisão foi em 1974, com “Dona e Senhora da Boina”.

Foi também ator em diversas peças e filmes e em algumas produções da RTP. De 1978 a 1998, com menos atividade nos palcos, foi proprietário de uma loja de discos, em Lisboa. Em 1977 fez com Amália Rodrigues uma digressão aos Estados Unidos.

Foi homenageado em 2005 pela Câmara Municipal de Lisboa, aquando dos 50 anos da sua carreira.

Em 2015, participou no espetáculo “Scarllaty – 40 Anos, A Vida à sua Maneira”, dedicado a Guida Scarllaty, a personagem criada por Carlos Alberto Ferreira, pioneiro do transformismo em Portugal.

RTP 64 anos

Hoje o meu post é dedeicado à história da Rádio e Televisão de Portugal que completa hoje 64 anos, mas o seu início vem de há oito décadas, começando de certa forma com a atividade da Emissora Nacional em 1935.

A Emissora Nacional contava com duas emissões diárias, uma à hora de almoço e outra ao serão.

A 16 de janeiro de 1956, na Presidência do Concelho de Ministros, é celebrado o primeiro contrato de concessão de Serviço Público de Televisão, assinado por Camilo de Mandonça (Presidente da Administração da RTP) e por Marcello Caetano (Ministro da Presidência e Ministro das Comunicações interino). A 4 de setembro de 1956 acontece a primeira emissão experimental na Feira Popular, na altura em Palhavã, Lisboa.

A Radiotelevisão Portuguesa começa a emitir a  7 de Março de 1957,  em abril de 1958, a Televisão cobria 44% do território nacional e chegava a cerca de 58% da população, só atingindo todo o país em meados dos anos 60.

Sabiam que... a RTP1 emite ainda hoje o programa de informação mais antigo de Portugal: o Telejornal. Foi para o ar pela 1ª vez a 19 de outubro de 1959. O primeiro diretor de programas foi Miguel Araújo.

Só a 25 de dezembro de 1968 começaram as emissões dRTP2.

A compra de televisores em Portugal aumentou muito após 1974 tendo em consequência disso, as audiências da RTP também aumentado bastante.

As primeiras emissões a cores, surgiram em 1976 com as eleições legislativas com recurso ao sistema SECAM.

As emissões a cores voltaram em 1979 com a transmissão dos jogos olímpicos mas só se tornaram regulares a partir de 7 de março de 1980.

No ano de 1990, a RTP1 mudou de nome passando a chamar-se "Canal 1", mas em 1996, regressou ao seu antigo nome "RTP1" para reforçar a identidade do serviço público frente às suas concorrentes privadas - SIC e TVI.

 

Parabéns RTP.

Maria José Valério

3.05.1933 - 03.03.2021

Hoje a cultura ficou mais pobre com a morte (pelas notícias que li terá sido mais uma vítima de Covid19) de Maria José Valério, que estaria internada desde 20 de Fevereiro no hospital de Santa Maria. A artista, cuja imagem de marca era a sua franja verde, notabilizou-se pela forte presença nos grandes palcos e, também, por ser a intérprete da "Marcha do Sporting". 

Embora no curso de Direito, Maria José começou a deixar-se levar pela música tendo com a ajuda do tio, o maestro Frederico Valério conseguido passar numa audição na Emissora Nacional que lhe deu acesso ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio. Na verdade, este foi o ponto de partida de uma carreira que logo nos anos 50 viveu um período de grande sucesso, participando em vários espetáculos de variedades da mesma Emissora Nacional mas também nas emissões experimentais da RTP, feitas na Feira Popular, em Lisboa. 

Protagonizou outros êxitos como "Olha o Polícia Sinaleiro" e "As Carvoeiras". 

Também se destacou no cinema, com participação no filme "O Homem do Dia" (1958), de Henrique Campos e Teresita Miranda, protagonizado pelo ciclista Alves Barbosa.

Na década de 1960, foi eleita rainha da Rádio de Goa, território então sob administração portuguesa.

Em 1962, casou com o matador de touros José Trincheira, que marcou a atualidade da época, com transmissão em direto pela RTP. O casamento foi celebrado pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, tendo o Papa mandado tocar os sinos em Roma, em sinal de bênção.

A artista gravou, em homenagem ao marido, do qual se veio a separar, o 'pasodoble' "Trincheira", no qual exalta as suas qualidades toureiras. O toureiro despediu-se das arenas em 1989.

Nos anos 90, participou na série televisiva "Um Solar Alfacinha" ao lado de Deolinda Rodrigues, Pedro Pinheiro, Carlos Cabral, Natalina José e Natália de Sousa, entre outros.

Em 2000, participou na série televisiva "Casa da Saudade", de autoria de Filipe la Féria, tendo contracenado com Carmen Dolores, Anita Guerreiro, Virgílio Teixeira, Raul Solnado, João d'Ávila, Helena Rocha e Artur Agostinho, entre outros.

Em 2004, recebeu a Medalha de Mérito da Cidade de Lisboa, grau ouro. Em maio de 2009, o município da Amadora inaugurou um centro cultural com o seu nome, na freguesia da Venteira.

Em 2017, liderou, com o cantor António Calvário, o espetáculo "Do musical à revista".

Maria José Valério internada após cair em casa e perder os sentidos

O seu repertório, dividido entre o fado e a canção ligeira, inclui temas como "Cantarinhas", "Fado da Solidão", "Expedicionário", "Um Dia", "Casa Sombria", "Deixa Andar", "Férias em Lisboa", "Longos Dias", "Lisboa, Menina Vaidosa", "Nunca Mais", muitos da dupla de autores Eduardo Damas e Manuel Paião, que assinam também a "Marcha do Sporting".

O carnaval na história

Hoje, é terça-feira de Carnaval. Aquele dia que eu sempre achei que devia ser feriado, pois o Carnaval faz parte das festividades de várias terras, de norte a sul do país. As festas datam de há muitos séculos. Sabiam que os Romanos faziam algo parecido?

As Saturnálias, eram festas épicas que aconteciam na Roma antiga em exaltação a Saturno, deus da agricultura. A diferença é que essas festas aconteciam em dezembro. Outra curiosidade da época dos Romanos, é que também tinham uma espécie de "carro alegórico" onde iam homens e mulheres nus. Chamava-se de carrus navalis (“carro naval”), pois tinham formato de navio. Seria essa a origem da palavra “Carnaval”, então?

Sabemos que mais tarde, quando a Igreja Católica começou a cristianizar diversas tradições pagãs, o termo passou a significar, por aproximação fonética, carne vale (adeus à carne).

Porquê “adeus à carne”? Tem ligação com o período que antecede a quaresma (Páscoa) e por isso, o dia de Carnaval antecede o "carne vale", que nunca fez parte do calendário religioso oficial, ficou marcado como o momento de exagero feito para compensar a entrada no período de penitência – no qual o consumo de carne era proibido.

E em Portugal, a história do Carnaval também deriva de festividades religiosas e é festajado de formas muito diferentes, com tradições seculares.

Sabiam que os festejos do Carnaval do Brasil ganharam outra vida com a chegada dos colonos portugueses? O Brasil já teria as suas tradições, mas  entre os séculos XVI e XVII surgiu o entrudo. Essa brincadeira fixou-se primeiramente no Rio de Janeiro e era realizada dias antes do início da Quaresma.

O entrudo manifestava o clima de zombaria pública que regia o Carnaval e foi uma brincadeira muito comum até meados do século XIX. A sua manifestação mais tradicional era conhecida como “molhadelas”, em que as pessoas atiravam líquidos malcheirosos umas nas outras (água suja, lama e até urina). No entrudo também se usavam águas aromatizadas, principalmente pela classes mais altas da sociedade. 

A partir do século XX, o envolvimento popular com a festa contribuiu para a consolidação de ritmos que incorporavam a influência da cultura africana na capital brasileira. Assim, na década de 1930, o samba e os desfiles das escolas de samba tornaram-se no elemento fundamental Carnaval

A música não tem apenas relação com os povos africanos,  mas também com os portugueses. Por exemplo, o cavaquinho (que é um instrumento da família dos cordofones originário do Minho, norte de Portugal) foi levado para outras paragens como Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Havai.

Também não podemos deixar de reparar nas similiaridades entre o Bombo, tipicamente tão português e o surdo. 

Estes traços históricos não são muito explicados às crianças, a não ser pelas tradições da terra onde vivem e em que podem participar. O que são os "caretos" de Podence? O que são os "diabos" de Vinhais?

Ciclone de 1941

Passaram-se 80 anos que a dia 15 de Fevereiro de 1941, o país e em particular a vila de Sesimbra, da qual eu sou oriunda (saudades da minha terra natal) foram fustigados por um ciclone. Desde miúda que oiço falar deste evento, pelos meus avós que me diziam "isto? Isto não é nada! Não queiras saber como foi no ciclone. Tudo destruído." A verdade é que sempre quis saber. Tenho desde já a agradecer justamente, ao Museu Marítimo de Sesimbra, por partilhar este e outros factos da nossa amada vila, fazendo-nos recordar a força da qual os pexitos são feitos.

Este ciclone provocou a morte de quatro pessoas na vila de Sesimbra e a destruição de, aproximadamente, três centenas de embarcações. Os ventos podem ser considerados os mais violentos desde que há recolha de registos meteorológicos (finais do século XIX), tendo rondado os 130 km/hora.

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e ao ar livre

A destruição causada pelo ciclone, pode ser vista em algumas das fotos que o próprio museu disponibiliza.
 
Pode ser uma imagem de ao ar livre
 
Nesta foto, podemos ver um grupo de homens (possivelmente todos pescadores, ou quase) a verificar os estragos nas embarcações arremessadas pelo mar e pelo vento contra as casas.
 
A história das gentes de Sesimbra, é um dos temas sobre os quais escrevo (só falta coragem de publicar alguma coisa, talvez um dia).

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