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Colisão entre comboios turísticos no Algarve

por Elsa Filipe, em 16.09.25

Apesar do aparato, a colisão entre dois comboios turísticos ocorrido esta tarde junto à praia do Barril, não passou de um susto para os seus ocupantes e respetivos maquinistas. A colisão entre as duas composições, acabou por provocar ferimentos ligeiros em cerca de 16 pessoas, mas apenas uma das vítimas teve necessidade de assistência no hospital.

A bordo, seguiam passageiros de diversas nacionalidades. Estes dois comboios intercalam entre si a ligação entre Pedras d'el Rei e a Praia do Barril, transportando entre os dois, cerca de 50 passageiros. O embate ter-se-á devido a uma das composições não ter parado e aguardado na estação de Pedras d'el Rei, entrando na via onde acabaria por colidir com a composição que seguia em sentido inverso.

A gravidade do acidente não foi muita, mas volta a ser posta em causa a utilização segura das linhas de caminho de ferro em Portugal. Falha humana ou material, aquilo que se nota é uma falha da segurança e do não cumprimento dos protocolos instituídos. Ficará o país bem visto, quando queremos trazer para cá turistas, mas não cuidamos devidamente das infraestruturas de que dispomos para os receber? 

Já este sábado, um atropelamento ferroviário resultou na morte de duas pessoas que tiravam fotografias à composição que se aproximava. O atropelamento ocorreu em "Mesão Frio, no distrito de Vila Real, levando ao corte da circulação." No mesmo dia, um outro "atropelamento mortal", ocorreu na zona da "Ribeira de Santarém," envolvendo o "Alfa Pendular na Linha ferroviária do Norte."

Fontes:

CM Tv - "Grande Jornal da Noite", 16/09/2025;

SIC Notícias - "Jornal do Dia", 16/09/2025;

https://www.publico.pt/2025/09/13/sociedade/noticia/tres-vitimas-mortais-atropelamentos-ferroviarios-sabado-2147082

https://expresso.pt/economia/transportes/2025-09-13-alfa-pendular-um-morto-apos-atropelamento-na-linha-do-norte-em-santarem-49cec27b

 

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publicado às 18:53

Desastre de Alcafache

por Elsa Filipe, em 11.09.25

Dias depois do acidente que ocorreu em Lisboa e que voltou a trazer à discussão pública a qualidade dos serviços de caminhos de ferro em Portugal, relembro um outro caso: o da colisão entre um comboio internacional e um comboio regional, que ocorreu a 11 de setembro de 1985, na região norte do país, mais propriamente em Moimenta da Beira. Podem encontrar. com um pouco mais de detalhe, a publicação no meu novo blog: https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981.

O acidente aconteceu perto do apeadeiro de Moimenta-Alcafache, a 11 de setembro de 1985 e foi mesmo considerado como um dos maiores acidentes ferroviários do país. Esta colisão que envolveu "um comboio internacional e um regional," ficou para a história pela sua violência e quanto ao número de mortos, apenas se pode estimar, "já que a larga maioria dos corpos nunca foram identificados."

É possível ainda lamentar que, teria bastado uma chamada para um dos maquinistas e tudo se poderia ter evitado. Os factos são os seguintes: 

"Às 15h57, parte de Campanhã, no Porto, um comboio Sud-Express com destino a Paris-Austerlitz" e que seguirá caminho passando por Vilar Formoso. "Levava à volta de 400 passageiros, a maior parte emigrantes que tinham vindo passar férias a Portugal. Sai com um atraso de 17 minutos."

Precisamente "às 16h55, parte da estação da Guarda um comboio regional com destino a Coimbra, cumprindo o horário." Uma vez que o "Sud-Express" irá atravessar "a faixa centro-interior portuguesa, ambos os comboios terão de, a certa altura da sua viagem, passar no mesmo troço da Linha da Beira Alta, eixo ferroviário central na região, mas que na maior parte do percurso tem apenas uma única via."

"Com o "ganho de tempo" entretanto conseguido, havia que "alterar o cruzamento do comboio Internacional, onde estariam cerca de 350 passageiros, com o Regional 1439, que circulava no sentido oposto, da Guarda para Coimbra. Como a linha era, e ainda é, de via única, esse cruzamento apenas podia acontecer numa estação, e isso devia agora ocorrer em Nelas — em vez do local habitual, Mangualde."

"O Sud-Express chega a Nelas às 18h19. Entretanto, o comboio regional alcança quatro minutos depois a estação de Mangualde, a poucos quilómetros. Aqui, tendo em conta o atraso do comboio internacional, esta locomotiva devia ter aguardado. Mas não o fez." 

E é aqui que uma decisão provoca um acidente que poderia ter sido evitado. Na época dependiam do "posto de comando em Coimbra" para comunicar "às estações a mudança no cruzamento dos comboios, e aos chefes de estação comunicar entre si antes de mandar avançar comboios, para se assegurarem de que o caminho estava livre."

Mas isso não aconteceu e o "comando em Coimbra, que supervisionava a linha com base nas informações dos chefes de estação, não comunicou a Nelas a necessidade de o Internacional esperar lá pelo Regional. Com essa informação em falta, os chefes de Nelas e Mangualde não sabiam que estavam a enviar dois comboios para uma colisão fatal." O então "responsável da estação de Nelas" ainda chegou a ligar "para a passagem de nível, pedindo que se fizesse sinal para o comboio parar, com petardos na via ou o agitar de uma bandeira," porém, infelizmente, o pedido chegou tarde e "o comboio já tinha passado. O acidente era agora inevitável " e foi confirmado pela visualização de "uma nuvem de fumo a elevar-se no meio do pinhal."

É indiscritível e assustadora a imagem da "certeza assustadora de choque frontal." Esta impossibilidade de "comunicar, na altura, com dois comboios em andamento, os passageiros e funcionários circulando em ambas as viaturas rumam a um desastre inevitável," que ocorreria "às 18h37, quando o internacional 315 e o regional 1324 chocaram com estrondo e violência, descarrilando ao longo de dezenas de metros num espaço florestal." Embora tivessem sido os homens que se encontravam na passagem de nível e de uma ambulância que passava na estrada no momento a dar o alerta, acabaram por ser os populares os primeiros a tentar ajudar, resgatando mortos e feridos por entre os ferros retorcidos, que a deflagração de violentos incêndios, que "o derrame de gasóleo das locomotivas gerou" nas carruagens e "no pinhal em redor," tornou impossível.

Os bombeiros que, algum tempo depois, ali chegaram e que "participaram na operação de salvamento descreveriam um cenário de absoluto horror. Desde terem de descolar literalmente o que restava de corpos de pessoas, inclusive pais abraçados aos filhos num acto derradeiro e desesperado de proteção." Muitas das vítimas morreram carbonizadas. "A demora no auxílio deveu-se ao facto de o local onde ocorreu o acidente ser remoto, mas também à falta de organização dos meios, num país pouco habituado à gestão deste género de tragédias."

O presidente da República da altura, Ramalho Eanes, visitou o local e falou com sobreviventes. Foi no seu "helicóptero que acabaria por ser transportado para o hospital" de São José, em Lisboa, um dos feridos graves, depois realizada "uma análise do próprio médico presidencial." Também a "Força Aérea Portuguesa e o Exército colaboraram activamente nas operações, nomeadamente no resgate dos feridos e no transporte dos mesmos por via aérea."

No local da catástrofe, "Eanes, ciente da importância do sucedido e também dos fantasmas de um país que dez anos antes vivera sob um ditadura que controlava as notícias, declarou que o país tinha o direito de saber o que se passara ali, e na hora." As imagens, recolhidas por um operador de vídeo que foi ao local do acidente, naquele dia, que havia registado tudo o que lhe tinha sido possíveis, foram depois enviadas para "os estúdios da RTP no Porto" para serem transmitidas e, assim, se mostrar aos portugueses o resultado daquele desastre. "Na sequência desta transmissão televisiva, centenas de cidadãos dirigiram-se aos hospitais para dar sangue."

Ainda hoje não se sabe exatamente o número de vítimas, estando atualmente assumidas como mortas, as vítimas contabilizadas à época como desaparecidas. As contagens, foram sendo feitas ao longo dos anos, mas nunca se soube um número exato. "Algumas estimativas colocam o número de vítimas de Alcafache na ordem dos 150."

No local do acidente foi aberta "uma vala comum. Aqui se reuniram todos os pedaços soltos de corpos e cinzas calcinadas possíveis e, depois de uma pequena cerimónia, fechou-se então esta sepultura improvisada."

"O primeiro-ministro, Mário Soares, chegou uma hora depois, anunciando ao país três dias de luto nacional e um inquérito para apuramento dos factos." Este inquérito, "rapidamente concluiu que este acidente foi causado por erro humano." Depois de quatro anos de julgamento, o juís absolveu os arguidos pois era a palavra de um contra a do outro e não existiam registos.

No mesmo ano, tinham já sido registados oito "desastres ferroviários," embora de menor dimensão. "Antes de 1985, os fatídicos desastres na Linha Porto-Póvoa em 1963, com entre 91 e 102 mortos, e em Santa Clara, Odemira, dez anos antes, registando 54 vítimas, habituaram o país a esta realidade. Aliás, um ano antes do desastre de Alcafache-Moimenta, a colisão entre uma camioneta e uma automotora em Recarei causa 17 mortos.

Naquele dia, não houve forma de evitar esta catástrofe e, hoje, haveria? Sim ainda existem linhas que em algumas regiões se tornam em pontos de circulação únicos e este "erro" que esteve na origem deste cenário “aterrador”, poderia voltar a repeir-se uma vez que "Portugal ainda tem linhas dependentes de chamadas entre estações para controlar os comboios." No entanto, depois deste desastre "foi instalada uma rede de sistemas mais avançados de comunicação e sinalização do tráfego, o que teria impedido este desastre, e ocontrolo de velocidade, que tornou estes desastres muito mais difíceis de acontecer." Ocorreu ainda a "introdução desistemas de rádio solo, que permitem que os maquinistas comuniquem entre si e com as centrais de controlo."

Apesar disso, não nos podemos esquecer que "quarenta anos depois, a presença do cantonamento telefónico em quatro linhas significa que há 412,5 quilómetros da ferrovia portuguesa onde um erro humano pode ter consequências mais graves." Este sistema, que data do século XIX, consiste num "sistema de operação de uma linha ferroviária onde os agentes numa estação pedem autorização à estação seguinte para que o trem ou comboio possa avançar." Inicialmente, chegou a ser feita por telégrafo. Atualmente, tal como era na época do acidente de Alcafache, "para controlar a circulação ferroviária, as linhas são divididas por cantões, que não podem ser ocupados por mais do que um comboio ao mesmo tempo. Esses cantões tanto podem corresponder a toda a linha entre duas estações — o que acontece no sistema telefónico e no de interpostos — como espaços mais reduzidos, de poucas centenas de metros, num equilíbrio entre a capacidade necessária na linha e a velocidade permitida aos comboios."

Fontes:

https://www.nationalgeographic.pt/historia/11-setembro-1985-quando-a-linha-da-beira-alta-foi-palco-de-uma-tragedia-nacional_4197

https://www.rtp.pt/noticias/pais/alcafache-40-anos-jose-augusto-sa-nunca-encontrou-nem-o-pai-nem-a-irma_a1682895

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cantonamento_telef%C3%B3nico

https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981

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publicado às 12:31

História do elevador da Glória

por Elsa Filipe, em 06.09.25

Muito se tem falado agora do acidente que envolve o ascensor da Glória e, é importante também referir que. além das vítimas que este desastre causou, poder-se-á ter perdido para sempre um ícone da nossa história. O elevador da Glória é um dos muitos monumentos nacionais, visitado por milhares de turistas todos os anos. Podemos até dizer que é um dos muitos postais de visita da cidade de Lisboa e do país (tal como outros ascensores, pontes e diversos monumentos que atraem os visitantes ao nosso país).

O Elevador da Glória pode mesmo ser considerado como um exemplo do desenvolvimento da "engenharia do século XIX", que viria ao longo do século XX" a sofrer diversas alterações para o adaptarem "ao crescimento constante da cidade e ao seu uso." Atualmente, podemos dizer que a engenharia foi evoluindo de forma a adaptá-lo às exigências do "século XXI, combinando tradição histórica com sistemas de segurança modernos."

 

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publicado às 14:14

Descarrilamento do Ascensor da Glória

por Elsa Filipe, em 03.09.25

O elevador da Glória descarrilou esta tarde, embatendo num prédio na rua da Glória. Infelizmente, o número de vítimas mortais é bastante elevado e irá ser decretado um dia de luto nacional. Fala-se em cerca de quinze mortos, a confirmar, pois ainda decorrem as operações de socorro às vítimas e de resgate dos corpos. O número de feridos é também elevado (18 feridos), cinco dos quais estão em estado grave. As noticias foram chegando praticamente em direto, através dos órgãos de comunicação social que se deslocaram ao local.

O acidente aconteceu pouco depois das 18 horas. O veículo que estava em baixo, na mesma rua, descaiu cerca de um metro e meio chamando a atenção a quem passava na rua e que tentou desde logo ajudar com os feridos leves que se encontravam na primeira composição. Rapidamente, apercebendo-se da composição que vinha desgovernada pela rua abaixo, as pessoas fugiram.

O veículo que descarrilou, descendo pela Rua da Glória e embatendo num prédio, ficou praticamente desfeito, numa enorme amálgama de ferro. Ambos os veículos teriam muita gente, antevendo-se que além dos ocupantes dos veículos, tenham também sido atingidos alguns peões que pudessem circular na rua, àquela hora.

Além das muitas ambulâncias do INEM e dos Bombeiros (Sapadores e Voluntários), foi ainda ativada a Viatura de Intervenção em Catástrofe do INEM, duas VMER's e um Posto de Comando Avançado. A causa do acidente ainda não foi apurada, mas a situação poderá ter tido como causa a quebra de um cabo de tração, que liga o elevador ascendente ao descendente (por "um cabo subterrâneo"), tendo o descendente ficado completamente destruído. De estranhar que os próprios travões (freios) não terem funcionado.

O elevador da Glória, foi inaugurado a 24 de outubro de 1885 e liga a "Praça dos Restauradores ao Bairro Alto." Este elevador constitui "uma das principais atrações turísticas de Lisboa e transporta anualmente mais de três milhões de passageiros." O primeiro elevador do género foi o ascensor do Lavra, inaugurado um ano antes "graças à iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa." O ascensor tinha inicialmente funcionado a água, depois a carvão e, atualmente, funciona através de um sistema elétrico.

Não há memória de um acidente deste tipo, apesar de em 2018 (a 7 de maio) ter-se registado um descarrilamento, mas do qual não resultaram vítimas. Nessa data, o "serviço do elevador foi interrompido durante cerca de um mês," e a inspeção feita às infraestruturas levou que fossem postas "a nu graves falhas na manutenção dos rodados dos veículos, o que levou a que os rodados saltassem para fora dos carris." Existem ainda em Lisboa, o "Elevador de Santa Justa" de 1885, que "liga a Rua do Ouro, na Baixa Lisboeta, ao Largo do Carmo," e o elevador da Bica que faz a ligação entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, de 1982.

Fontes:

"Jornal do dia," e "Grande Edição", da SIC Notícias;

https://www.dn.pt/sociedade/elevador-da-gl%C3%B3ria-descarrilou-perto-da-avenida-da-liberdade;

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-03-descarrilou-o-elevador-da-gloria-em-lisboa-0761e662

https://www.publico.pt/2025/09/03/local/noticia/descarrilou-ascensor-gloria-lisboa-2145917#113915

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publicado às 20:35

Queda de avião na Índia

por Elsa Filipe, em 12.06.25

Poucos segundos depois de descolar do "Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel," em "Ahmedabad", na Índia, um "Boeing 787-8 Dreamliner colidiu com um prédio usado como alojamento para médicos do Hospital Civil e da Faculdade de Medicina Byramjee Jeejeebhoy." A aeronave não terá atingido a velocidade necessária para a subida, acabou por parar e perder altitude, despenhando-se numa área residencial. A bordo seguiam 230 passageiros, dos quais sete deles tinham nacionalidade portuguesa. Havia ainda 169 indianos, 53 britânicos, um canadiano, além de 12 tripulantes. Apenas um homem sobreviveu, tendo saído do local do acidente a andar pelo seu pé. Dos sete passageiros com dupla-nacionalidade e que detinham passaporte português, “cinco estão registados no consulado de Londres e dois em Manchester," não tendo que se saiba, família a residir em Portugal.

"De acordo com a torre de controlo de tráfego aéreo do aeroporto, o avião chegou a emitir um mayday, sinalizando uma situação de emergência, mas não deu nenhum sinal depois disso. Os dados de voo terminam com o avião a uma altitude de 190 metros." A bola de fogo que se seguiu ao embate, terá tido origem nos depósitos de combustível do avião, que tinha Londres, em Inglaterra, como destino. 

De acordo com as equipas de resgate, foram evacuadas do local "41 pessoas" com "ferimentos graves, mas informações avançadas pelo comissário da polícia apontam para a morte das 242 pessoas a bordo do avião e de outras que estavam no local de embate. Pelo menos 204 corpos foram retirados das zonas junto ao desastre e ainda há pessoas ainda sob os escombros de alguns edifícios."

Ficamos agora a aguardar que as investigações (em que a FAA estará envolvida) tragam algumas respostas. Ficam as histórias de uma mulher que perdeu o voo e a de um rapaz que terá saltado de um 2º andar para fugir do local da colisão, escapando assim à morte, apesar de alguns ferimentos. Este é um dos piores desastres aéreos registado nos últimos anos.

No Japão, em janeiro do ano passado, uma colisão entre um "avião da Guarda Costeira" e um "Airbus A350," resultou na mortes dos "cinco passageiros do avião da guarda costeira."  Já o "avião civil operado pela Japan Airlines aterrou em Haneda em chamas" e os "367 passageiros e 12 tripulantes que se encontravam a bordo," acabaram por se salvar, tendo sido "retirados em segurança."

"Em julho, um Bombardier CRJ200 da Saurya Airlines, do Nepal, despenhou-se logo após a descolagem em Catmandu," levando à morte de "dezoito pessoas." Apenas o piloto sobreviveu ao desastre.

Em agosto, assistimos pelas redes sociais, à queda de "um ATR-72 da companhia aérea brasileira Voepass oriundo da cidade de Cascavel, no estado do Paraná." A aeronave "perdeu sustentação e caiu em espiral em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todos os ocupantes, 58 passageiros - incluindo uma portuguesa - e quatro tripulantes, morreram."

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceqg3pg0ly0o

https://www.publico.pt/2025/06/12/mundo/noticia/sabemos-desastre-aereo-india-2136418

https://www.dn.pt/internacional/avi%C3%A3o-com-destino-a-birmingham-despenha-se-no-aeroporto-de-ahmedabad-na-%C3%ADndia

https://www.jn.pt/3273869093/acidentes-aereos-os-ultimos-desastres-que-causaram-centenas-de-vitimas/

 

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publicado às 22:52

As notícias ultimamente não têm sido boas... 

No sábado, a descoberta do corpo de um menino de 4 anos, afogado numa piscina que está em obras, após ter (ao que parece) fugido do campo de visão do pai, deixou-me de coração partido. Resta saber quais as circunstâncias em que a criança terá desaparecido e quem lhe facilitou a entrada num espaço que deveria estar vedado. Espero que a culpa não venha a morrer solteira. 

Nos últimos anos, tenho referido aqui no blogue vários casos de afogamento, mas tenho a sensação que este ano ainda está a ser pior. Foi ontem, 1 de junho, encontrado um corpo "na praia da Falca" que poderá ser de uma das crianças que no passado dia 25 de maio, desapareceram no mar na zona de Pedrógão. Este corpo foi encontrado na região que faz "fronteira entre os concelhos de Alcobaça e Nazaré."  Há também a notícia do aparecimento de um outro corpo na "praia de São Pedro de Moel, na Marinha Grande." Nas duas situações, poderemos estar perante os corpos de Celso e Sérgio, dois irmãos angolanos, de 11 e 16 anos, mas só as respetivas autópsias o confirmarão.

Hoje foi ainda encontrado o corpo de um dos dois homens, que desde ontem, se encontravam desaparecidos no "Açude do Vale das Bicas, também conhecido como barragem da Moinhola, na freguesia de Landeira, em Vendas Novas," Évora. O outro encontra-se ainda desaparecido.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/06/01/sociedade/noticia/corpo-encontrado-praia-falca-sera-crianca-desaparecida-mar-pedrogao-2135180

https://www.jn.pt/2926042246/encontrado-corpo-em-praia-da-marinha-grande-pode-ser-um-dos-irmaos-desaparecidos/

https://www.jn.pt/2974302287/encontrado-corpo-que-pode-ser-de-uma-das-criancas-afogadas-em-leiria/

https://sicnoticias.pt/programas/jornais-10---15---20/primeiro-jornal-20/2025-05-26-video-20-minutos-irmaos-menores-de-idade-desaparecidos-no-mar-da-praia-de-pedrogao-3f18a5ca

https://observador.pt/2025/06/01/homem-morre-afogado-e-outro-esta-desaparecido-em-barragem-de-vendas-novas/

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publicado às 15:46

O apagão de que "todos" falam

por Elsa Filipe, em 29.04.25

Ontem, a grande maioria dos portugueses foi surpreendida por uma falha de energia elétrica. O que nos primeiros minutos se pensou ser algo mais localizado, era de facto uma falha que atingia também Espanha e uma zona de França. Não atingiu toda a Europa como ainda se chegou a ouvir. Aliás, durante o dia de ontem (e hoje ainda mais, pois hoje é que as pessoas foram regressando às redes) tem sido divulgada muita informação duvidosa. E se numas vezes, pode ser mesmo por desconhecimento e por tentativa de encontrar uma causa para esta situação, noutras terá mesmo sido divulgada informação falsa com a intenção de lançar o caos e de prejudicar os envolvidos. Nem uma nem outra coisa deveriam ter sido feitas e era bom que se encontrassem os responsáveis por começarem a lançar teorias da conspiração através (não apenas, mas principalmente) na Internet.

No meio disto tudo, e apesar de em algumas regiões do país a eletricidade ter regressado ao final da tarde, muitas pessoas acabaram por estar sem luz, sem comunicações e sem água até perto das 23h00 (sendo que nalgumas regiões a situação só se restabeleceu pela manhã de hoje).

A falha de eletricidade num país vai afetar, não apenas o consumidor final desse tipo de energia, como também outros sistemas que dependem de eletricidade para funcionar, como é caso do fornecimento de água, cujas bombas são elétricas, e o caso das torres de telemóveis, que ao longo do dia foram ficando sem sinal.

O que nunca nos abandonou foi a rádio. Neste dia, muitas das rádios estiveram em transmissão ininterrupta, trabalhando para encontrar e transmitir à população o máximo de informação possível. Mesmo com as dificuldades de filtragem de toda a informação, a rádio acabou por prestar um excelente serviço à comunidade - tenham sido as rádios nacionais, tenham sido as rádios locais. 

Não vou divagar muito sobre este tema, uma vez que acho que, apesar de ser muito importante, está a ser, erradamente, aproveitado para se fazer campanha política. Acho, no entanto, que devo dar os parabéns àqueles profissionais que, mais uma vez, continuaram a trabalhar para que a situação regressasse à normalidade o mais rapidamente possível. E um destaque para os funcionários dos supermercados: parabéns pela vossa paciência, para aturar coisas que não lembra a ninguém.

A nossa sociedade continua a não estar preparada para eventos destes. A marioria das pessoas não sabia o que fazer, não estava organizada com a família para que fossem tomadas decisões assertivas. Dou um exemplo que aconteceu com algumas famílias. Por não conseguirem encontrar transporte, muitas pessoas entraram em pânico por não conseguirem contatar com ninguém para o filho ou a filha serem recolhidos da escola, ou da creche. Foram vários casos destes que aconteceram e, claro, é natural que se fique ansioso, mas tem de haver um plano familiar pré-definido que, nestes casos, possa ser executado. As creches, Jardins de Infância e escolas de 1º ciclo e 2º ciclo, não poem crianças sozinhas no meio da rua e mesmo nas escolas em que os alunos são mais velhos, a ordem foi para só se deixar sair aqueles alunos que, já nos outros dias, saem sozinhos. 

O que eu senti, e que entendo perfeitamente, foi a necessidade das pessoas resolverem a sua própria situação no imediato, numa impaciência motivada talvez pela falta de comunicação das entidades competentes. Mas temos de nos lembrar que, no decorrer destas horas, muitas das pessoas ligadas às entidades competentes estavam a gerir situações. E essa gestão, feita de acordo com procedimentos organizados, tem ordens de prioridades e obedece a tempos que muitas vezes não são os mesmos que a cada um de nós poderia interessar.

De acordo com informação do "operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes", a meia noite estariam já "ligadas parcialmente 424 subestações," o que dava para fornecer energia a cerca de 6,2 milhões de clientes" dos 6.5 milhões de consumidores.

Não acho, porém, que tenha sido um bom dia. Houve situações graves que podiam ter corrido muito mal e se, ainda, não temos registos de mortos, foi porque no meio do possível caos que se começou a fazer sentir, houve algumas pessoas que usaram uma capacidade que se chama resiliência, enquanto outras usavam o "chico-espertismo." Por favor, isto não foi nada bom, podia ter sido bem pior. Agora que já passou, podemos refletir - a nível pessoal e familiar, o que correu bem ou mal, o que podia ter sido feito de outra forma e, claro, a nível comunitário, encontrando não tanto soluções, mas caminhos. 

Este apagão acabou por levar ao encerramentos dos aeroportos, ao "congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades," ao encerramento de lojas e serviços e à "falta de combustíveis," e de ter sido até considerado como um dos mais graves a acontecer na Europa nos últimos anos. Para muitos, foi um incómodo, um dia diferente que nos surpreendeu e transtornou, mas para algumas pessoas, foi mesmo uma situação de uma gravidade extrema, principalmente naqueles casos em que a presença de uma tomada elétrica pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Foi o caso de doentes que necessitam de dispositivos como ventiladores, bipap, cipap ou outros (apesar de haver baterias, por vezes, as pessoas esquecem-se de as carregar e de ter baterias extra caso aquelas se tenham de gastar até ao fim ou avariem), ou podem sofrer um agravamento da sua situação devido ao stress causado pela falha elétrica em si. Outros casos bastante graves - as pessoas que ficaram retidas em comboios, elétricos e elevadores (felizmente a falha começou às 11h30 porque se fosse na hora de ponta em que os transportes vão completamente apinhados, acredito que aí sim a situação teria sido bem pior), as que estavam em veículos suspensos (teleféricos) ou em gruas e estruturas elevatórias. Muitos destes sistemas funcionam a eletricidade e, apesar de terem sistemas de descida redundantes (por exemplo, manuais) ou hidráulicos.

Esperemos que uma situação destas não se volte a repetir, mas que esta tenha servido de aprendizagem para muitas pessoas. Principalmente no que se refere à prevenção.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/apagao-corte-de-energia-eletrica-atinge-portugal-e-outros-paises-europeus_e1650845

 

 

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publicado às 22:54

Incêndio em gasoduto na Malásia

por Elsa Filipe, em 01.04.25

Uma fuga num gasoduto provocou "um incêndio de grandes dimensões num posto de abastecimento de combustível, perto da capital da Malásia, Kuala Lumpur." O incêndio visível a quilómetros de distância levou à evacuação de várias pessoas. Houve ainda a lamentar várias pessoas com queimaduras quando as suas casas foram atingidas pelas chamas.

"Sete moradores, incluindo dois idosos, tiveram de ser resgatados. Várias casas arderam e muitas outras habitações tiveram que ser evacuadas."
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/fuga-de-gasoduto-causa-incendio-na-malasia_v1644923

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publicado às 22:53

Explosão numa mina em Espanha

por Elsa Filipe, em 31.03.25

A explosão de uma máquina que estava a ser utilizada na extração de "minério para o fabrico de grafite," provocou cinco mortos quatro feridos. O acidente aconteceu na mina de carvão, de Cerredo, nas Astúrias, norte de Espanha. A explosão desta máquina, provocou várias "queimaduras e traumatismos nas pessoas que se encontravam nas proximidades."

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publicado às 22:01

Incêndio mata em discoteca

por Elsa Filipe, em 16.03.25

Neste caso, com a vida dos outros.

Se não houve, alguém, uma cabeça com um mínimo de inteligência que olhasse para o arraial ali montado e visse que algo não estava bem?

Hoje, acordei um pouco agressiva, talvez, mas seja aqui ou na Macedónia do Norte, há coisas que eu só posso chamar de homicídio (intensional ou por negligência, se irá saber) e, se acaso não foi intenção, então só o posso colocar na categoria da ignorância. Para mim, só é negligente quem não sabe o que está a fazer ou as suas consequências. Usar fogo dentro de um espaço fechado, onde existem diversos materiais inflamáveis, iria correr bem, só no pensamento de alguns.

O número provisório do incêndio que terá "sido causado pela utilização de dispositivos pirotécnicos no interior da discoteca,"é de 51 mortos e mais de 100 feridos. Nas imagens, é percetível o uso de fogo de artifício dentro do estabelecimento noturno. Parece fazer parte da atuação, mas as faíscas, porventura maiores que o desejado, atingem o teto que muito rapidamente se incendeia. Culpam os jovens que assistiam à atuação da banda, mas não é ignífugo aquele material, e não foi fogo de artifício lançado para o telhado que incendiou o espaço. Há muito ainda a explicar.

Com também houve (ou ainda há) a explicar em ouros casos de que logo me lembrei ao ver esta notícia. De origens diferentes, o fogo e o pânico mataram quem se divertia naqueles fatídicos locais. Que sirvam de alerta para uma atitude mais preventida e de maior fiscalização dos espaços, o da discoteca Luanda, em Alcântara (em 2000), o de Amarante (em 1997) e o de uma discoteca que ardeu no Brasil (em 2013).

Num espaço que poderia ter 360 pessoas, estavam cerca de mil. Tantas quantas as que sentindo os efeitos do gás pimenta, tentaram sair para a rua. Em vez de saídas de emergência, encontraram portas fechadas a cadeado e grades. Na discoteca, de nome "Luanda", com clientes na sua maioria africanos, morreram 7 pessoas.

Em 1997, a discoteca "Mea Culpa" é incendiada em Amarante. "Três homens armados," atearam fogo ao estabelecimento, depois de o regarem com gasolina e trancar lá dentro clientes e empregados. Morreram 13 pessoas. José Queirós, autor moral, é considerado culpado e condenado à pena de 25 anos de prisão, mas sempre recusou a culpa pelo desfecho trágico.

A 27 de janeiro de 2013, uma tragédia semelhante "foi provocada por um engenho pirotécnico usado por uma banda, os Gurizada," que atuavam numa discoteca , no Brasil. Os primeiros a tentar sair, viram a sua intenção rogada pelos seguranças e pelas portas fechadas. Muitos, em pânico tentaram esconder-se nas casas de banho, onde morreram asfixiados. Outros foram esmagados no meio do desespero. "Quando os bombeiros chegaram, tiveram de abrir um buraco na parede para tentar retirar mais jovens da discoteca." Além dos muitos feridos, alguns dos quais em estdo grave, revgistaram-se 231 mortos.

Fontes:

https://www.jn.pt/7584010460/incendio-em-discoteca-faz-51-mortos-na-macedonia-do-norte/

https://www.publico.pt/2013/01/27/mundo/noticia/portas-da-discoteca-onde-morreram-232-pessoas-fechadas-tempo-de-mais-1582298

https://www.publico.pt/2000/04/18/jornal/tragedia-ainda-sem-explicacao-142792

https://observador.pt/2017/04/14/autor-moral-do-massacre-na-boite-meia-culpa-em-amarante-continua-preso-apos-20-anos/

 

 

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