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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Pelo pessoal docente

Nos últimos dias temos assistido a uma troca de palavras de ataque entre quem é contra e quem é a favor da greve dos professores e dos funcionários das escolas.

Eu só quero dizer que estou do lado de todos os professores que têm feito greve e que faria também o mesmo se estivesse neste momento na vossa situação. A mim custa-me muito quando os pais estão mais preocupados em os filhos terem aulas do que na qualidade das aulas. Que não sabem como é que a escola funciona e que os professores vão sendo obrigados a ministrar as aulas, com currículos desadequados, salas com demasiados alunos, condições às vezes abaixo de mínimas. Pais, que estão mais preocupados em que os filhos passem de ano, do que se realmente em perceber se eles estão a trabalhar por isso, como se estão a relacionar com os colegas na sala, ou se são capazes de organizar a sua mochila, organizar o estudo, saber quando é que têm testes. 

Ouço diariamente frases de alunos como: "Oh 'stôra, isso nem conta para nota!" ou "esta nota não vai contar para nada." A partir daqui, parece que vale tudo. E tenho alunos de 5º ano que não sabem ler nem escrever. Tenho alunos que chegaram ao 4º ano sem saberem o que são vogais e consoantes. Tenho alunos que não sabem colocar palavras por ordem alfabética nem consultar um dicionário...

Mas não faz mal, o que importa é que pais e crianças não sejam frustrados nas suas expetativas de passar para o ano seguinte, mesmo sem terem atingido as metas mínimas. 

Estou do lado dos professores porque tiveram as suas carreiras congeladas. Aqueles que tiveram a coragem de ir para a função pública e de serem colocados a centenas de quilómetros de casa e que ficaram semanas sem ver a mulher ou o marido e até sem estarem com os filhos, para poderem lecionar. Eu não tive essa coragem e por isso tenho zero na minha contagem de tempo de serviço, anos passados noutras andanças e noutra carreira.

Estou do lado dos Educadores que como eu tantas vezes têm de seguir outros caminhos e desistir do sonho que construiram durante a sua formação, porque não havia vagas suficientes para todos, porque na creche o tempo de serviço nem sequer conta, porque "qualquer um" faz esse trabalho de tomar conta dos miúdos. Não faz!

Estou do lado dos técnicos de ação educativa a quem cada vez mais (e muito bem!) é exigida formação e a quem tão pouco valor se dá! Lutem e dêem-se ao valor! Apoiem-se uns aos outros. 

E termino dizendo que, mesmo que pareça que vos estou a boicotar a greve, não estou. Não posso é fechar a porta da minha sala aos alunos que não têm aulas e que deviam voltar para casa ou ficar na porta da escola para que a vossa greve tivesse o impacto desejado, porque a porta da sala não é minha e sou apenas uma prestadora de serviços. Estou do lado dos professores e dos técnicos de ação educativa e da minha parte, não aviso quando há greve, mesmo que o saiba! Continuem a lutar! 

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