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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

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Jornalistas e crianças, assassinados em ataques suicidas no Afeganistão

Os jornalistas, operadores de câmara e fotógrafos são aqueles que avançam para as zonas de conflito, enquanto outros tentam fugir. Tentam ser dos primeiros a chegar e por isso, colocam diariamente as suas vidas em risco. Tudo isto para que nas redações dos seus jornais não faltem as notícias.

Estão lá em direto, com risco da sua própria vida e com a esperança de que um colete com a palavra PRESS estampada os distinga e os salve das balas e dos fragmentos das explosões.  Esperam que aqueles homens e mulheres respeitem o seu direito a trabalhar - ali, entre fações contrárias, naquele local, naquele momento.

Durante o tempo que estão a desempenhar as suas tarefas são também eles alvos fáceis, às vezes demasiado fáceis e esquecemo-nos que sem o seu trabalho, não saberíamos o que se está a passar nestes países. São eles também heróis.

Hoje vários destes heróis foram mortos quando uma explosão sincronizada das bombas de dois terroristas suicidas fez, pelo que se sabe até agora, 25 mortos – nove deles jornalistas, segundo o Comitê de Segurança dos Jornalistas Afegãos (AJSC), citado pela agência EFE – e quase 40 feridos no centro de Cabul. 

Estes jornalistas estavam no local a cobrir uma primeira explosão que tinha acontecido pouco tempo antes nas proximidades do escritório do Serviço de Inteligência (NDS), muito perto de uma escola de inglês no bairro de Shash Darak. Dessa explosão resultaram quatro mortos e cinco feridos, todos civis. O bairro de Shash Darak abriga a sede da NATO e os escritórios de várias ONGs internacionais. O chefe da polícia de Cabul, Dawood Amin, disse numa mensagem pública que a segunda explosão aconteceu perto do local onde um grupo de jornalistas se tinha reunido enquanto esperavam atrás de um cordão de segurança a centenas de metros de distância do local do primeiro ataque.

Cerca de meia hora após o atentado original, um homem-bomba que portava uma câmera e fingia ser jornalista, levando uma câmara ao ombro, fez-se explodir.

Segundo um comunicado do Estado Islâmico, os "apóstatas das forças de segurança, dos meios de comunicação e outras pessoas foram para o local da operação, onde um segundo irmão camicase os surpreendeu com seu colete explosivo”. 

O primeiro-ministro afegão, Abdullah Abdullah referiu que estava "muito triste com o ataque terrorista de segunda-feira contra civis e jornalistas em Cabul. Um ataque aos meios de comunicação é um ataque à democracia e uma tentativa de silenciar a voz daqueles que não tem voz”.

Dos que tentavam dar voz ao povo e foram assassinados, conta-se Shah Marai, fotógrafo da agência France Presse (AFP) que deixa mulher e seis filhos - o mais novo com apenas semanas de vidaKhair Muhammad, da rede afegã Tolo News, e Ebadullah Hananzai, da emissora Azadi Radio. O fotógrafo Shah Marai, da A. France Press, o cinegrafista Nawroz Rajabi e o repórter Ghazi Rasouli da ITV, foram mortos no ataque. Um jornalista da Jahan TV, que ainda não foi identificado, também morreu.

Ainda hoje, um outro ataque levou à morte de mais inocentes: 11 crianças perderam a vida e outras 17 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco soldados romenos da NATO. Tudo se deveu a um ataque suicída, contra um comboio das forças aliadas na província de Kandahar, no sul do Afeganistão. O suicida detonou um carro-bomba contra o comboio da NATO quando este passava perto de uma mesquita, causando uma forte explosão que derrubou um muro fino que cercava o pátio do centro religioso, no bairro de Daman. As crianças, que estavam no pátio da mesquita, perderam a vida quando foram atingidas por estilhaços e esmagadas por pedaços do muro destruído pela explosão.

Num outro ataque assumido pelo grupo jihadista, há uma semana, um ataque suicida contra um centro de registro eleitoral no oeste de Cabul, fez 69 mortos e 120 feridos. Um dos piores ataques deste ano, ocorreu no fim de janeiro pelos talibãs com uma ambulância-bomba que explodiu em plena rua em um bairro central de Cabul, matando mais de cem pessoas. Em qualquer dos casos, houve um aproveitamento da confiança das pessoas para provocarem ainda mais mortes.

Fontes:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/30/internacional/1525065943_395987.html

https://oestecapital.clicrdc.com.br/Blog/Geral/Duplo_ataque_a_bomba_mata_25_no_Afeganist%C3%A3o;_6_s%C3%A3o_jornalistas

https://www.bemparana.com.br/exterior/serie-de-ataques-no-afeganistao-mata-11-criancas-e-9-jornalistas-que-noticiavam-atentado/