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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Há quem fale em "encenação", outros em "golpe de estado". Sabe-se que o presidente deposto está no Congo, para onde viajou depois da contagem dos votos ter sido interrompida por forças militares. Segundo as notícias, um grupo de militares suspendeu o processo eleitoral e tomou posse. Isto ocorreu depois da realização das eleições presidenciais e legislativas, no passado dia 23 de novembro, sem que o "principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato à presidência, Domingos Simões Pereira," tivessem concorrido.
Perante a exclusão do ato eleitoral, o PAIGC afirmou o seu apoio "ao candidato opositor independente Fernando Dias da Costa." A divulgação dos resultados eleitorais não chegou sequer a acontecer, tendo havido lugar à "destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló, o encerramento de todas as instituições da República, a suspensão da atividade de todos os meios de comunicação social, um recolher obrigatório noturno, o encerramento do espaço aéreo e a detenção de opositores."
No dia 26, depois de "um tiroteio que durou cerca de meia hora," perto do "Palácio Presidencial em Bissau, a residência oficial do Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, e nas redondezas da sede da Comissão Nacional de Eleições, na capital da Guiné-Bissau," os militares anunciaram ter tomado "o poder na Guiné-Bissau, segundo um comunicado das Forças Armadas guineenses, lido na televisão estatal TGB pelo porta-voz do Alto Comando Militar, Dinis N´Tchama." Foram detidas, de acordo com a "Liga Guineense dos Direitos Humanos" pelo menos, "18 pessoas," entre as quais 5 membros da Comissão Nacional de Eleições.
Os militares empossaram o "general Horta Inta-A" como "Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense," enquanto que o "Presidente deposto", Sissoco Emabló, foi para o Senegal e dali viajou depois para o Congo.
A Coligação PAI Terra Ranka (PAI-TR), "liderada por Domingos Simões Pereira, interpretou" este golpe de forma mais leviana, classificando-o de "suposto golpe de Estado" e dizendo que foi apenas uma "tentativa desesperada do Presidente para travar a proclamação dos resultados eleitorais, que dariam vitória a Fernando Dias da Costa," já que esta ação militar ocorreu "na véspera de se conhecerem resultados eleitorais, que o opositor Fernando Dias garante ter vencido."
Entretanto, o próprio Dias da Costa "condenou o golpe militar no país" e pediu à comunidade internacional para "fazer valer a democracia na Guiné-Bissau, não a ditadura", chamando Umaro Sissoco Embaló, de "ditador."
Por estranho que possa parecer, quem, supostamente, deteve Embaló, foi um homem que até ali era da sua confiança, o "brigadeiro-general Dinis N’Tchama." N'TChama terá explicado que haveria um “esquema dos políticos nacionais com a participação de um conhecido barão da droga." Disse ainda que houve "a colaboração de forças estrangeiras" e que tinha "sido descoberto um depósito de armamento de guerra”.
A confusão está lançada e não se sabe o que está realmente a acontecer. Esta ação tem estado a ser denunciada e condenada "pela comunidade internacional," onde se inclui a Presidência portuguesa, que tem estado a acompanhar a evolução da situação. Entretanto, ontem foram já libertados os "cinco magistrados do Ministério Público e os membros do secretariado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que estavam detidos por militares na Guiné-Bissau." Entretanto, soube-se que o Embaló estará "a salvo" no Senegal, "onde chegou a bordo de um avião fretado por este vizinho do norte da Guiné-Bissau."
Ao que parece, o presidente deposto pode estar ainda a governar - embora à distância - e os problemas do país continuam, mas com mais violência nas ruas.
Fontes:
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