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EUA invadem Venezuela

por Elsa Filipe, em 04.01.26

Pode um país, só porque tem mais poder militar, entrar noutro e dele retirar duas pessoas? Pode um país, seja porque justificação for, usar a sua superioridade militar, ameaçando e atacando outro país? Bem, parece que efetivamente até pode, pois se a ação em si podia ser criticável sobre muitos aspetos, a verdade é que a crítica veio fraca e a aceitação fez-se saber. Continuando o que ontem já aqui tinha vindo a referir, Trump usou a diretiva da possibilidade: se é possível, faz-se. 

Obviamente que sou contra o governo de Maduro, tal como sou contra muitos outros governos autoritários e autocratas, que usam a força e repressão do seu povo para governar, mantendo de cabeça baixa em submissão os seus cidadãos. Na verdade, a prisão de Maduro pode à primeira vista, ser algo bom, quando olhamos para a questão de um regime controlador, num país em que não há liberdade de expressão nem liberdade de imprensa e onde grassa a corrupção, a criminalidade grave e o narco-tráfico. Aliás, as acusações de Trump já têm alguns anos, embora só nete mandato se tenham manifestado mais intensamenmte. A Venezuela "luta contra uma hiperinflação recorde, escassez de bens básicosdesemprego, pobreza, doenças, elevada mortalidade infantilsubnutrição, problemas ambientais," entre outros.

Durante o século XX, o país passou por várias crises começando desde logo pela governação de Cipriano em 1908, caraterizada "por uma política externa agressiva." Foi substituído devido a problemas de saúde "por Juan Vicente Gómez, que governou a Venezuela" através de políticas de "autoritarismo, corrupção, cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e eleições fraudulentas." Durante "o governo de Gómez, pouco antes da Primeira Guerra Mundial," foram descobertas e começaram a ser amplamente exploradas as "gigantescas reservas de petróleo venezuelanas," o que trouxe "grandes lucros, permitindo ao Estado fazer obras de infraestrutura, subsidiar a agricultura e pagar a dívida." No entanto, a maioria da população continuava a viver na pobreza e foram raros os "investimentos estatais na saúde ou educação."

Até aos dias de hoje, a Venezuela foi governada intermitentemente por Juntas militares e por governos autocratas, dos quais se destacaram Eleazar López Contreras, o Major Marcos Pérez Jiménez, o Tenente-Coronel Carlos Delgado Chalbaud e, mais tarde, Hugo Chavéz. Madúro, que havia sido vice-presidente de Chavez, "assumiu interinamente a presidência" depois do golpe de estado que derrubou Chavéz do poder. "A eleição presidencial de 14 de abril de 2013," foi "a primeira em que o nome de Chávez" não apareceu "na cédula de votação desde que assumiu o poder em 1999." E esta foi vencida por Maduro. Apesar da sua nomeação não ter sido consensual, "o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu que, segundo a constituição nacional, Nicolás Maduro" era "o presidente legítimo e foi investido como tal pelo congresso venezuelano."

Mas se esta eleição estava "ganha" a continuidade passaria por vários precalços. Em agosto de 2017, "a Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foi eleita e retirou os poderes da Assembleia Nacional," numa eleição que "levantou preocupações sobre uma ditadura emergente." Em dezembro desse mesmo ano, "Maduro declarou que os partidos da oposição estavam impedidos de participar nas eleições presidenciais do ano seguinte, após terem boicotado as eleições autárquicas." Venceria "as eleições de 2018 com 68% dos votos" com o resultado a ser "contestado pela Argentina, Chile, Colômbia, Brasil, Canadá, Alemanha, França e Estados Unidos, que o consideraram fraudulento e reconheceram Juan Guaidó como presidente." Perante esta desconfiança, os EUA começaram a aplicar sanções ao país. Em agosto de 2019, no seu primeiro mandato, "o presidente americano Donald Trump impôs um embargo econômico à Venezuela" e em março do ano seguinte, "indiciou Maduro e autoridades venezuelanas, sob acusações de tráfico de droga, narcoterrorismo e corrupção." 

Na Venezuela, quem é contra o governo, acaba por desaparecer ou tornar-se preso político, podendo mesmo ser submetido a tortura. A oposição acaba por ser muitas vezes silenciada.

Em 2024, "Maduro concorreu ao terceiro mandato consecutivo nas eleições presidenciais," contra a oposição representada pelo "ex-diplomata Edmundo González Urrutia," em representação da "Plataforma Unitária (PUD)." As sondagens apontavam para uma clara vitória da PUD, "principal aliança política da oposição," mas depois do "Conselho Eleitoral Nacional (CNE), controlado pelo governo, ter anunciado resultados parciais que mostravam uma vitória estreita de Maduro em 29 de julho, os líderes mundiais expressaram predominantemente ceticismo em relação aos resultados" que lhes estavam a ser apresentados pela CNE. Ambos "se proclamaram vencedores," mas os resultados acabaram por não ser "reconhecidos pelo Carter Center e pela Organização dos Estados Americanos."

Se a Venezuela estava bem? Se o povo Venezuelano estava bem? Não. 

Se agora ficarão melhores? Sinceramente, tenho as minhas dúvidas. Saiu Madúro, mas a governação do país ficou entregue à sua vice-presidente, à mesma equipa e, por isso, a forma de controlar e de gerir poderá manter-se. Além do mais, penso que tem sido bastante percetível que os EUA querem controlar a exploração de petróleo e, com isso, beneficiar de forma exploratória daquilo que são os recursos venezuelanos. Podemos dizer que estão em guerra? Para já, penso que não, mas estaremos a enfiar a cabeça na areia, se não conseguirmos comparar esta situação com aquilo que se passa na Ucrânia ou com aquilo que se pode vir a passar em Taiwan.

A Europa precisa de acordar!

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela

https://sicnoticias.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2026-01-03-ataque-dos-eua-na-venezuela-e-viragem-dramatica-na-arquitetura-internacional-4d3d2477

 

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