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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Natal é tempo de mensagens bonitas, de presentes que se oferecem e outros que se desembrulham. Para alguns, o natal é tempo de pôr o sapatinho na chaminé e esperar que lá apareçam prendas, colocadas por um menino que nessa noite não tinha nascido ainda ou por um senhor de barbas brancas que sempre foi velho mas nunca envelheceu a tempo de morrer. Tradições, cada um tem as suas. As tradições vão-se adaptando aos tempos, até porque a maioria das casas já nem tem uma chaminé de jeito, as árvores são de plástico e até já é proibido ir apanhar musgo. Problemas de quem já tem tanto com que se preocupar ao longo do ano.
Para mim, cada vez mais o Natal é para ser prático. Sendo época de frio, troco bem uma tarde a tentar montar uma árvore e a apanhar lixo, por uma manta, um chá quente e um bom livro. Também sou menina para trocar uma ida às compras de última hora, por um bom filme ou um passeio ao ar livre junto à baía. Os presentes, começo logo a comprá-los a partir de setembro e a embrulhá-los conforme vão chegando. Cá por casa, faz muito tempo que não há pai natal. Nem Jesus. Quem trabalhou fui eu.
O que importa é que estejamos bem, pelo menos com alguma saúde. Natal é tempo de rir, de pôr a conversa em dia com pessoas que não vemos todos os dias. É dia de jantar na casa do pai porque é consoada e de almoçar na casa da irmã porque ela faz anos. É dia de acordar cedo e querer aproveitar o dia, mas perceber que são poucas as pessoas que já estão acordadas. É também o dia de me irritar porque se marcou o encontro para o almoço às 12 horas e às 13h30 ainda falta gente (para o ano fazemos uma vaquinha e oferecemos-lhes um relógio de pulso). De passar o dia sentados à mesa a comer, a dizer parvoíces e a contar coisas que não contaríamos noutros dias. Descobrem-se carecas e trocam-se sorrisos cúmplices. De ano para ano os miúdos crescem e nós vamos ficando mais velhos, isso já sabíamos, mas depois percebemos que na mesa das crianças o mais velho já conduz, os outros para lá caminham e só as mais pequeninas ainda acham alguma piada a ter uma toalha com desenhos que se pode pintar (ainda pensei em trocar de mesa com um deles, pois a toalha era bem gira). A Internet vai-nos trazendo fotos de natais passados em que as crianças ainda eram todas crianças e não adolescentes de hormonas aos saltos.
Natal é tempo de ter a televisão ligada o dia todo. Este ano confesso que passámos um pouco ao lado dos noticiários. Um pouco fartos de que se fale tanto do mesmo. Não entendo a necessidade de se repetirem tantas vezes as mesmas notícias - e ainda se fossem notícias! Lá vamos vendo excertos de filmes, dos antigos e dos mais recentes, para de repente alguém fazer um comentário, começar uma nova conversa e, quando voltamos a prestar atenção ao ecrã, já não está a dar a Frozen e está a dar o Rei Leão. Felizmente, com a possibilidade de ir ver o que passou no pequeno ecrã nos últimos dias, sei que vou ter agora de arranjar tempo para ver os filmes e as séries que perdi. Natal é tempo de fazer doces e de arriscar receitas que não se voltarão a fazer durante o resto do ano, porque dão muito trabalho, principalmente a mim que não tenho jeitinho nenhum para a cozinha.Valem as caixas vazias de gelado que nestes dias se voltam a encher para trazer carne assada ou feijoada de choco.
Natal é dia dos mais velhos dizerem que no tempo deles é que se trabalhava e que não havia máquinas para nada, mesmo quando a sua profissão foi ser mecânico (às tantas achei que não sabia que os camiões e os autocarros eram movidos a motor). Para guardar para os próximos encontros à mesa: não discutir com quem acha que o que descontava para a segurança social era superior àquilo que ganhava quando a matemática ficou já lá atrás esquecida nos bancos de escola. As conversas passam dos ordenados, para a política, discutem-se ideologias e comparam-se partidos. Chegamos à conclusão que nem todos defendemos o mesmo, mas que defendemos que se vote e que quem não vota não se deveria queixar (até que alguém diz "eu não voto porque eles são sempre os mesmos", "são chulos" e "eu nem os conheço" - tudo na mesma frase, em algo que me soa a antítese dita sem querer - e lá ficamos a fazer contas de cabeça, a tentar perceber porque é que o país está como está e se a culpa é toda das novas gerações).
E lá se passou mais um natal. Agora, um chazinho para a noite. Camomila, para acalmar o estômago nada acostumado a tantas misturas de paladares em tão pouco tempo e vou para a cama tentar acabar de ler um livro que tem de ser entregue amanhã na biblioteca! Feliz Natal.
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