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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Podemos dizer que está na altura da chuva forte e que, no meu tempo, a estes fenómenos se chamava, inverno, mas existem dois aspetos a considerar: o primeiro é que passamos de andar de manga curta para uma tempestade que quase não nos deixava sair de casa e, o segundo, é que apesar de todos os avisos, de passar informação constante nas televisões e na internet (jornais digitais, sites, publicações nas redes sociais) ainda houve quem se deixasse surpreender e achasse estranho tanto vento e tanta chuva, Há dias que se andava a falar nisto!
Infelizmente, as previsões acabaram por se comprovar em muitas regiões: houve cheias rápidas tal como havia sido anunciado, houve deslizamentos de terras e pequenas derrocadas devido às terras soltas que se viram rapidamente infiltradas de águas, houve painéis que tombaram, telhados que levantaram e placas que se soltaram devido aos fortes ventos. O que é de estranhar não é o fenómeno em si, mas a falta de preparação para estes eventos que nós continuamos a acusar, como se houvesse em nós uma confiança inata de que aqui nunca "acertam com as previsões", "o temporal passa ao lado", "dizem que vai chover e afinal foi só umas pinguinhas"... pois é, mas agora, desta vez, houve mortos, houve feridos, gente a precisar de ser resgatada, houve um aumento significativo no número de ocorrências e (pasmem-se!) afinal o número de bombeiros disponíveis já nem sequer é o mesmo em algumas regiões do país do que era no verão.
Continuamos a sofrer de falta de consciência preventiva. Há falta de reuniões e discussões com a população sobre o que fazer se isto ou aquilo vier a acontecer, andamos sempre a correr atrás do prejuízo. Se na primavera e no verão, os canais televisivos repetem e repetem informações sobre os incêndios, chegamos ao outono e ao inverno e são as cheias, as ondas que galgam os muros, os avisos para que não vão para as zonas de risco! E continuamos assim, ano após ano...
Fomos alertados para chuva forte e pelo agravamento da tempestade ao chegar a terra pela confluência de um "rio atmosférico" (lembram-se? Aquele fenómeno que tantos mortos fez em Espanha no ano passado?) o que levou a que se andasse nos últimos dias em oscilação entre alertas laranjas e vermelhos em diversos pontos do país. Entre os avisos divulgados, esteve o da ANEPC, que "emitiu um aviso à população, apelando à adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos do mau tempo." Entre as recomendações estavam atos práticos e que nãoi deveriam ser guardados para quando a tempestade chega, mas que já deviam ser comuns, especialmente neste período do ano em que as folhas das árvores tendem a causar maiores entupimentos: "a limpeza de sarjetas e sistemas de escoamento de águas," bem como outras recomentdações como "a fixação de estruturas soltas" e evitar "deslocações desnecessárias durante os períodos de maior instabilidade."
No dia 12, já se havia avisado que "a frente fria estacionária associada à depressão Claudia" estava "a enviar sucessivas linhas de instabilidade," prevendo-se "que os períodos de chuva ou aguaceiros, inicialmente mais fortes no Minho e Douro Litoral" se tornassem "mais persistentes e fortes em termos de área geográfica abrangida à medida que o sistema frontal" fosse "progredindo de oeste para leste" nas horas seguintes. O IPMA já avisava para a possibilidade de ocorrência de "precipitação forte e persistente, rajadas de vento entre 75 e 90 km/h," que podiam "atingir os 100 km/h em algumas zonas, e ondas que" poderião "atingir 4,5 metros de altura significativa, sobretudo na costa ocidental," ondas estas que poderiam chegar aos "3 e 4,5 metros de altura a partir de quinta-feira" (ontem).
Ou seja, nada indicava que a depressão nos passasse ao lado. Fomos alertados para a "possibilidade da precipitação ser acompanhada de trovoada" e que o vento forte poderia levar ao risco "de danos em infraestruturas e de potenciais quedas de árvores, entre outros possíveis impactos."
Ontem, quinta-feira, "cerca de 20 mil clientes" ficaram "sem energia devido ao mau tempo, sendo Lisboa, Santarém e Setúbal as zonas mais afetadas - um número que pelas 15h já estava reduzido a 7000." No distrito de Setúbal - que se encontrava em alerta vermelho - cerca de "8000 clientes" ficaram sem eletricidade e houve mesmo várias escolas que não chegaram a abrir devido ao mau tempo.
Entre elas, estiveram as escolas do "Agrupamento de Escolas do Montijo, do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, da Escola Profissional do Montijo e do Conservatório Regional de Artes do Montijo," bem como, do Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra, o que permitiu evitar a deslocação de alunos por zonas alagadas e perigosas, tanto para quem circula a pé como de carro.
Além das estradas alagadas e que ficaram intransitáveis, houve várias quedas de árvores e de estruturas. "A forte chuva levou também ao corte temporário da Segunda Circular, junto ao aeroporto, cerca das 06h00, devido a uma inundação." Desde o início do evento até à manhã de quinta-feira, tinham sido efetuados "três salvamentos terrestres e cinco aquáticos."
Em Fernão Ferro, aqui mesmo no Seixal, um casal de idosos perdeu a vida, ao que tudo indica por não terem conseguido sair da sua habitação no momento em que a mesma ficou inundada. Nesta freguesia, foram vários os casos de inundações, mas este foi de todos o mais grave. Esta é uma zona vulnerável à ocorrência de cheias, tendo a água isolado "várias ruas da freguesia."
As vias de circulação ferroviária, foram também afetadas, tendo as do "Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte," sido as que registaram maiores atrasos na circulação. No que respeita à agitação marítima, 14 barras portuguesas, entre as quais a do "Douro, Esposende, Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde" entre outras, foram encerradas à navegação. "As barras de Aveiro, Figueira da Foz, Albufeira e Portimão, ficaram também "condicionadas à navegação."
E o mau tempo vai ainda continuar nos próximos dias, por isso, mantenham-se em segurança!
"Face às condições adversas, a Proteção Civil recomenda especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas e aconselha precaução junto à orla costeira e zonas ribeirinhas. Pede ainda que sejam evitadas atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-mar ou o estacionamento de veículos junto à linha de costa." Evitem também circular em zonas alagadas, caso não tenham percebido, compraram um carro, não um submarino! E podem correr o risco de "arrastamentos ou quedas em buracos e caixas de esgoto abertas." Por último, mas não menos importante, por favor protejam também os vossos animais! Sim, ainda há alguns inergúmes que deixam os animais presos a trelas no exterior e nem sequer se lembram de que em caso de subida rápida das águas, eles podem afogar-se!
Fontes:
https://www.sesimbra.pt/noticia-74/mau-tempo-causa-estragos-em-todo-o-concelho
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