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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

08
Abr22

Chover no molhado

Esta semana não tem sido fácil, nem este mês, nem este ano.

Mudar é sempre uma decisão complicada, especilamente quando temos quem dependa de nós e nunca sei se estou à altura de atingir os meus objetivos, nem que seja o de pôr comida na mesa em todas as refeições e pagar as contas.

O pior é quando sentimos que de alguma forma temos de tomar decisões difíceis, fazer as escolhas que uns meses (anos?) antes não teríamos de fazer. Aí nessas alturas eu penso, "pior era se o meu país estivesse em guerra e eu de malas às costas a fugir daqui" mas porra! Eu não mereço isto, não estudei para isto (sim, já me arrependi bem de não ter seguido secretariado, mas pronto é o que acontece quando ouvimos os outros e temos vergonha de dizer que afinal já não queremos ser professoras como queríamos aos seis anos de idade).

A nossa vida devia dar para espreitar mais à frente, nem que fosse só um episódio do futuro. Assim escusavamos de andar a fazer figura de ursos em caminhos que não levam a lado nenhum. 

Esta semana, alguém me perguntou "mas tirou o curso, trabalhou e depois esteve tantos anos noutra área?" Porque numa dada altura da minha vida, eu era "muito nova" e tinha "pouca experiência". Hello! Eu tive de ir trabalhar noutra profissão, numa que eu sabia fazer, que tinha experiência e onde aprendi muito e ganhei ainda mais competências, mas não porque fosse o meu sonho, foi só para pôr dinheiro em casa e comida na mesa.

Felizmente, numa determinada altura da minha vida tive pessoas que me ajudaram a superar, me arranjaram trabalho e me deram uma oportunidade de ir em frente. Ao Zé e à Fátima nunca serei suficientemente grata. Mas infelizmente, à minha volta houve também gente a pisar-me. Essas pisadelas, empurrões, estão gravadas no meu corpo fisicamente como se não tivessem sido só palavras e atos nas minhas costas (ou mesmo à minha frente, sem vergonha que eu visse, a olharem-me nos olhos enquanto me prejudicavam e ficavam por cima).

A dor é física como é psicológica. Às vezes, dói tanto que tenho me marcar os dentes no pulso ou no braço para retirar o foco da dor "oca" noutras partes do corpo. Oca porque é como se estivesse com uma zona vazia, fria, uma dor fantasma num membro que ainda lá está, que dói como se estivesse partido, queimado mas que eu olho e não tem lá nada!

Apetece bater até marcar, negro, para depois mostrar e dizerem "ah, não te dói aí?" Talvez entendessem a dor sem sentido, fantasmagórica que me acorda de noite e me massacra. Qundo não vem dor, vem a comichão ou as cãibras, ou a dor, a comichão e as cãibras. E só quero que a noite acabe e de manhã o dia amanheça como se eu tivesse dormido bem, mas nada disto acontece.

Estou sem tomar medicação. Várias semanas já, a levar-me à loucura.