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Caderno Diário

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19
Jun21

Carlos Miguel

Elsa Filipe

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

entrevista tarde é sua carlos miguel

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Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama.

O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses.

Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos.

Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

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