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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

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A situação da Ucrânia - dois anos depois

Começou na noite de 23 para 24 de fevereiro de 2022 a intrusão das tropas russas no território ucrâniano. Há meses que as tropas se concentravam na fronteira. A ofensiva "mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial."

Os ataques foram-se sucedendo, enquanto Zellenskii pedia apoio à União Europeia e a Nato dirigia meios para países próximos, mas sem interferir de forma direta. "No primeiro dia da invasão, a Rússia mostrava vontade de terminar o conflito rapidamente. Com largas colunas militares e bombardeamentos estratégicos, os soldados do Kremlin avançaram por território ucraniano a passo rápido." 

Um dos primeiros alvos foi a "central nuclear de Chernobil."  Kiev, capital ucraniana, foi atacada pouco tempo depois. Os primeiros mísseis "atingiram um prédio com civis."

Um dos piores ataques foi o que levou à destruição da cidade de Mariupol e que pode ter conduzido à morte de cerca de 20 mil civis. Um desses "ataques russos teve como alvo o teatro de Mariupol, um edifício que estava a ser usado como refúgio por centenas de residentes, principalmente mulheres e crianças." O presidente da câmara de Mariupol, "Vadym Boychenko, que falava à agência Associated Press através de uma entrevista telefónica, realçou também que as forças russas movimentaram para aquela cidade equipamentos móveis de cremação, para descartar os corpos." O autarca ainda acusou "Moscovo de recusar a entrada de comboios humanitários na cidade, na tentativa de esconder a carnificina."

As autoridades ucranianas acusaram também "as forças russas de cometerem atrocidades, incluindo um massacre na cidade de Bucha, nos arredores de Kiev." Bucha trouxe-nos as piores imagens deste conflito, onde os civis foram atacados de forma intencional e deliberada. "A divulgação pela imprensa internacional de imagens da cidade que mostram cadáveres nas ruas, alguns deles com as mãos amarradas ou parcialmente queimados, ou valas comuns, provocou uma onda de indignação."

Não esqueçamos as várias "maternidades e hospitais" que foram atingidas por mísseis, bem como os bairros habitacionais, as escolas, os museus, as igrejas...

Ao mesmo tempo que a população tentava fugir, iam-se destruindo as estradas e as pontes que davam acesso às cidades. A fuga levou a que milhares de mulheres e crianças tentassem sair do país e foram várias as ações humanitárias que tentaram ajudar. A Portugal, durante o primeiro mês de guerra, chegaram "17.504 refugiados ucranianos."

Apesar do "número de soldados russos mortos durante a invasão" ser quase sempre um "tema tabu para o Kremlin," a verdade é que as baixas são superiores do lado russo.

Além do apoio com armamento e munições, para o qual o nosso país também contribuiu, a "comunidade internacional respondeu à invasão russa com pacotes de sanções, concebidos para estrangular a economia russa." Além disso, houve também a intenção de acabar com "a liquidez dos oligarcas próximos de Vladimir Putin," os quais foram considerados "responsáveis pelo financiamento do esforço de guerra russo" e por isso pessoas "non gratas" em vários países. De forma a retaliar a retirada da maioria dos bancos russos do SWIFT e desvalorização da moeda, retaliação e para contrariar a desvalorização da moeda, Vladimir Putin exigiu "que o pagamento de gás exportado para os países europeus" bem como para outros considerados como “hostis” à Rússia, passasse a ser "feito em rublos e não em euros ou em dólares." Esta "mudança da moeda nas transacções fez com que" houvesse uma subida abrupta do preço do gás no mercado "europeu e britânico" entre "15% e 20%."

No início do verão de 2023, a Ucrânia deu início a uma contra-ofensiva, mas apesar de todos os esforços, esta acabou por falhar. Em junho deu-se o "colapso da barragem de Nova Kakhovka, no sul da Ucrânia," ataque que foi considerado como um "dos maiores atentados ambientais." Este ataque à barragem "provocou a subida repentina do caudal do rio Dnipro e obrigou a evacuação de dezenas de vilas e de aldeias." A água inundou ruas, destruiu a rede elétrica, entrou pelas casas e deixou centenas sem água potável, levando à evacuação das populações dos dois lados do rio que dividia as forças russas e ucranianas. "O colapso da barragem terá libertado para o rio toneladas de substâncias tóxicas, inundou terrenos agrícolas e matou milhares de animais," mas apesar de tudo, houve muitos habitantes que se recusaram a abandonar as suas casas.

Em outubro, Zaporizhia, Dnipro e Kherson, foram apenas algumas das zonas atacadas e em "Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, a rede elétrica foi danificada pelos bombardeamentos" russos. Mas foi mesmo no fim do ano de 2023 que se registou um dos maiores ataques aéreos "desde que começou a guerra na Ucrânia." A Rússia lançou "158 mísseis e drones" dos quais as "forças ucranianas conseguiram abaterem 118," não evitando porém a "morte de, pelo menos, 30 pessoas em várias regiões do país. Há ainda mais de 160 feridos a registar." A Rússia terá utilizado "mísseis de cruzeiro, balísticos e hipersónicos, incluindo mísseis que são muito difíceis de intercetar," como forma de retaliação ao ataque ucraniano a "um navio de desembarque russo no Mar Negro" que ocorrera nessa mesma semana.

Dois anos passados, a guerra continua e a Zelenskii "faltam-lhe militares no campo de batalha, as munições estão a escassear, e o apoio dos aliados teima em não chegar." Apesar de no dia 13 de fevereiro deste ano, "o senado dos Estados Unidos" ter aprovado "um novo pacote financeiro para enviar à Ucrânia: cerca de 61 mil milhões de dólares (56 mil milhões de euros)," não se sabe se lá chegará. Isto porque "a ajuda de que Zelensky desesperadamente precisa" poderá vir a "ser travada pela Câmara dos Representantes, onde o Partido Republicano tem maioria, e onde a estratégia eleitoral de Donald Trump fala mais alto."

Uns dias antes, "a Hungria deixou cair o seu veto" à aprovação de um novo pacote de ajuda por parte da União Europeia. Assim, foi aprovado "um pacote de apoio adicional de 50 mil milhões de euros para a Ucrânia - 33 mil milhões em empréstimos até 2027, e 17 mil milhões em subsídios a fundo perdido."

Uma certeza é que "Putin será reeleito em março," uma vez que ninguém lhe consege fazer oposição sem ficar em risco de vida, tal "como aconteceu com Yevgeny Prigozhin, o criador do grupo Wagner, e, agora, com Alexei Navalny, o seu principal opositor político." Também Maxim Kuzminov, "um piloto russo que desertou com o seu helicóptero Mi-8 e se entregou ao exército ucraniano em agosto passado," foi encontrado morto na sua garagem na passada semana, em Espanha. A história da fuga de Kusminov, "serviu de propaganda para o esforço de guerra do país" ucraniano.

Fontes:

https://www.publico.pt/2022/03/24/infografia/russia-comecou-invasao-ucrania-ha-mes-tropas-crise-refugiados-veja-aqui-precisa-saber-guerra-674

https://rr.sapo.pt/fotoreportagem/mundo/2024/02/24/a-guerra-de-3-dias-faz-2-anos-e-putin-pode-aguenta-la-por-mais-dois-ou-tres-aniversarios/368142/

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2024/02/24/portugal-mantem-apoio-sem-reservas-a-ucrania-e-pelo-tempo-que-for-preciso/368139/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-na-ucrania-sete-mortos-em-zaporizhia-kherson-e-dnipro_v1522640

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-24-Colapso-da-barragem-Nova-Kakhovka-um-dos-maiores-atentados-ambientais-08f9467f

https://pt.euronews.com/2023/12/29/pelo-menos-18-mortos-num-dos-maiores-ataques-russos-a-ucrania-desde-que-a-guerra-comecou

https://pt.euronews.com/2024/02/20/russo-que-desertou-em-helicoptero-do-exercito-e-morto-a-tiro-em-espanha?dicbo=v2-ZUGkmEI

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/forcas-russas-mataram-mais-de-10000-civis-durante-cerco-a-mariupol-afirma-autarca-de-mariupol_n1397911

https://noticias.r7.com/internacional/imagens-mostram-que-civis-de-bucha-foram-alvos-de-ataques-intencionais-afirma-onu-27062022