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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.
Mas não foi só isso.
O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".
E o que é que está mal aqui?
O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI.
O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."
O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."
O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."
Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos.
E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?
Fontes:
https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref
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