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Hoje há uma certa nostalgia no ar... uma tristeza que nos percorre o corpo. Sabemos que foi melhor assim e que as condições não estavam propícias a que houvesse desfile. Que os materiais e as fantasias se iriam estragar, já para não falar nas aparelhagens, sistemas de som e instrumentos que não iriam resistir à chuva. Falta-nos um espaço fechado onde desfilar nestes dias de chuva. Já conseguimos um carnaval de verão, mas quem é do samba sabe, que isso não substitui a falta que este desfile nos faz.

Ontem, sábado, já ão se desfilou na Quinta do Conde. Iria sair a minha escola (Batuque do Conde), o Corvo de Prata e um grupo de Motards, mas não estavam reunidas as condições para que tal acontecesse em segurança. Em Sesimbra, o sol permitiu que o grupo de Axé Tripa Mijona tivesse a sorte de percorrer a marginal da nossa baía. Animou a nossa vila e quem a veio visitar. Felizes por elas e tristes por nós... mas ainda pensamos que hoje fosse possível ter algumas tréguas.

Mas de madrugada, já todos tínhamos consciência de que o desfile estaria prestes a ser cancelado (ou adiado). Apesar de ter dado aos grupos da noite um pouco de tolerância, S. Pedro não esteve pelos ajustes e o aviso de mau tempo não foi levantado. O mar, batido a vento e a chuva forte fez com que não se pudesse desfilar em Sesimbra...

Espera-se que amanhã os palhaços possam sair e animar as ruas de Sesimbra! Festejando 25 anos de folia e animação! Quem é da minha geração, lembra-se certamente do primeiro desfile... da ansiedade em saber se tinha sido batido o recorde de palhaços! Amanhã, estarei a trabalhar mas o meu coração estará nas ruas da minha terra.

E espera-se que as condições atmosféricas melhorem e que na terça se possa fazer um grande desfile, que as Escolas e os grupos de Axé possam mostrar na Avenida o trabalho de um ano inteiro! As coreografias e músicas que já espreitamos na semana passada no ensaio técnico e que, todos, desejamos ver agora compostas pelas fantasias! Os arames moldados em asas, armações, cabeças e cabeções! As milhares de penas, plumas e lantejoulas que bordam em elaborados desenhos os tecidos coloridos! As pinturas, maquilhagens e claro, as máscaras... os trabalhos dos artistas que esculpem e moldam o esferovite com que nos presenteiam e que, não fosse a chuva do fim de semana, já teríamos visto desfilar!

Não fiquem tristes! Ainda nos vamos encontrar e iremos fazer Sesimbra brilhar!

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publicado às 12:00

Quando o cansaço se torna em exaustão...

por Elsa Filipe, em 28.01.24

Fazendo aqui uma pausa nas minhas publicações viradas à política, venho hoje desabafar aqui um pouco, depois dos últimos dias que foram física, mental e emocionalmente muito cansativos.

Na sexta de manhã fui fazer a eletromiografia (sim, aquela que estava planeada desde novembro, daquela consulta que eu já estava à espera desde janeiro passado) e não vim de lá mais satisfeita. É que durante os últimos meses, meti na cabeça que ia ser operada e que as dores nas minhas articulações e a dormência que tenho constantemente nos dedos eram do túnel cárpico, mas afinal, parece que o problema não está aí. E não foi por descobrir que o túnel que poderia estar inflamado não está assim tão mau que fiquei descansada. É que as dores que tenho nos dedos têm aumentado muito nos últimos meses, os tremores (o meu sismógrafo pessoal, como lhe costumo chamar) voltaram e acho que têm estado piores do que estavam e às vezes tenho retrações dos tendões que são extremamente dolorosas e incapacitantes.

Associado a estes sintomas e que nada ligam com as mãos, tenho cãibras frequentes, bem como parestesias em determinadas zonas dos pés, do nariz e de outras zonas do corpo. E há aquela sensação de que tenho bichos a passar pela pele, que "mordem, picam" a noite inteira! Coço-me tanto que às vezes a pele começa a escamar e chego a fazer feridas. O cansaço tem vindo a aumentar mas sinto que isso pode estar relacionado com a perda de massa muscular, uma vez que devido às dores na articulação da anca e do ombro, passo todo o tempo que posso na cama... Pelos entretantos, levanto-me para ir trabalhar (ou apenas me sento quando o trabalho é online) e só subir a rua (uns longos 500 metros...) é um esforço demasiado pesado para os músculos cada vez mais fracos. Quando me encosto no muro da secundária, a meio da subida, não é para mais do que para descansar um pouco antes de continuar a subir.

Acabei por desistir do desfile deste ano, quando percebi que poderia dar-se o caso de não ser capaz de fazer a avenida, mas também porque tenho episódios de desiquilibrio e de tonturas quando estou em pé. E nem todos entendem que no ensaio eu devia estar sentada para me conseguir concentrar porque em pé, não são apenas as dores que pioram: são também os espasmos e as parestesias que me distraem do que estou a tentar fazer, E não, ninguém é obrigado a entender aquilo que às vezes nem eu sei explicar. E os meus colegas estão sempre a perguntar se estou melhor, se já consigo ensaiar ou o porquê de afinal eu não ir desfilar e eu, na maioria das vezes, já nem sei que lhes responder. Só que tenho dores e estou farta e cansada de ter dores! E quando regresso a casa depois de assistir aos ensaios, venho para casa e choro.

Ainda tenho a árvore de natal para acabar de arrumar. Não consigo fechar os ramos e enfiá-la na caixa. Já me deu vontade de a pôr no lixo... tirei as placas que protegem a parte de baixo dos móveis da cozinha e não consigo pô-los de volta porque isso implica baixar-me para os voltar a encaixar. E não consigo. Então, estão ali, a um canto...

De manhã, costumo levantar-me com o objetivo de ir fazer uma caminhada - mesmo que pequena - mas fico cansada nas pequenas tarefas, como tomar duche, vestir-me ou deixar o quarto minimamente arrumado que na maior parte das vezes acabo por desistir. Se faço a cama, já não arrumo a loiça que está na máquina... é tudo uma coisa de cada vez. Que inveja que eu tenho das pessoas que têm forças para manter tudo limpinho, tudo arrumado e organizado!

Nos últimos dias, tenho boicotado as tarefas da casa de manhã e obrigo-me a ir à rua, conduzir um pouco ou ir a pé, para ver gente ou, às vezes, só ficar dentro do carro a ler umas páginas de um livro. Quando está sol. Se está nevoeiro ou chuva, só me consigo levantar porque me obrigo a ir trabalhar. É mais do que uma sensação de cansaço. É acordar já exausta.

Escrever... ai, era tudo o que eu queria... tenho tanta coisa para pôr no papel e não consigo! No teclado, é por enqunto muito mais fácil e lá vou conseguindo fazer alguns textos, preparar as minhas formações, com algumas pausas pelo meio mas... e pegar numa caneta, como sempre gostei? Tenho um romance a meio, mas não consigo avançar no teclado do computador. Falta-me a ligação entre o cérebro e a mão, que é mais natural e mais verdadeira que o ecrã. Às vezes, escrevo nas fichas dos meus alunos e depois percebo que o que escrevi não está tão percetível como eu desejava, a minha letra está diferente. Eu que estou sempre a defender a escrita "à mão" e que defendo o seu uso como forma preferencial por dezenas de razões, às vezes, nem eu percebo o que escrevi... e se isso vos pode parecer que não é nada de mais, enganam-se! Para mim, é tudo, porque sempre amei a escrita, porque em tudo o que faço e para onde vou, tenho canetas e papel a acompanhar-me!

E sim, por tudo isto, às vezes fico acordada noite dentro sem saber o que a vida me reserva... acabando às vezes por ter de me levantar para ir trocar a fronha da almofada, molhada pela tristeza que me assoma pelas longas noites.

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publicado às 20:00

E hoje regresso às palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, que ao contrário do que muitos queriam, não foi afastado do seu cargo e que afirma que o número de civis mortos na Faixa de Gaza mostra que há algo "claramente errado" com as operações militares de Israel contra o Hamas. Os números assustadores são do próprio grupo terrorista e por isso, não sabemos se é o verdadeiro número de vítimas ou se foi empolado, mas quando pensamos em quase 10 mil mortos, torna-se claramente assustador. Há registo também de mais de 32 mil feridos, de acordo com informações do Ministério da Saúde de Gaza, que afirma também que de todos os mortos, quase quatro mil serão crianças. Não se esqueçam aqui os cerca de 1400 mortos em Israel há um mês.

Além disso, milhares tentam fugir do norte de Gaza para o sul, mas são impossibilitados! Israel sabe que o Hamas os usa como escudos humanos! E continua a atacá-los! Sabe bem que os membros do Hamas, na sua maioria está protegido e que quem está a sofrer é a população civil. Mata um comandante, por cada mil civis assassinados? 

Foram milhares os palestinianos que obedeceram às ordens militares israelitas e fugiram a pé para o sul de Gaza na quarta-feira, durante uma janela de quatro horas para evacuação. Milhares de pessoas percorreram a principal autoestrada- Salah al-Din - apenas com o que podiam carregar nos braços. Alguns levavam panos brancos, improvisando bandeiras de forma a se identificarem... o que pensariam aquelas pessoas enquanto caminhavam, que sentido tem a sua vida nestes dias?

Em colaboração com os Estados Unidos, o governo do Qatar tenta mediar com o Hamas a libertação de alguns dos reféns que mantém desde 7 de outubro, em troca de Benjamin Netanyahu permitir uma pausa humanitária em Gaza.

Ontem, o governo de Israel afirmou ter invadido a cidade de Gaza por terra e identificado o bunker onde está o líder do Hamas (Yahya Sinwar, considerado como o número 2 do grupo). Numa emissão da televisão israelita, Yoav Gallant (ministro da defesa), declarou rejeitar qualquer ideia de cessar-fogo, e que as Forças de Defesa de Israel estão “no coração” da cidade de Gaza.

Yahya Sinwar, fundou o grupo Izzedine al-Qassam Brigades, considerado um braço armado do Hamas. Entre as ações que com ele estão relacionadas, estão vários ataques suicidas e o lançamento de mísseis contra Israel. O líder do Hamas passou mais de 20 anos preso em Israel, após ser condenado a quatro penas perpétuas na década de 1980. Entre os crimes pelos quais foi condenado estão acusações de homicídio e de rapto. A sua liberdade foi conseguida quando o Hamas negociou a libertação de um soldado israelita (Gilad Shalit). Em troca deste combatente, Israel abriu mão de mais de mil prisioneiros palestinianos, entre os quais estariam membros do grupo terrorista Hamas.

Já no passado dia 3 deste mês, foi anunciada por Israel a morte de Mustafa Dalul, um outro comandante do grupo Hamas, pertencente ao batalhão de Sabra Tel al-Hawa. A informação foi confirmada pela Força de Defesa de Israel (IDF) e pelo Serviço de Segurança (Shin Bet) do país, na manhã da passada sexta-feira.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2023/11/08/milhares-de-palestinianos-caminham-em-direcao-ao-sul-da-faixa-de-gaza?dicbo=v2-yzysMeA

https://www.metropoles.com/mundo/israel-afirma-ter-identificado-esconderijo-de-lider-do-hamas-em-gaza

https://www.metropoles.com/mundo/comandante-hamas-morto-israel

 

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publicado às 10:40

O que dizem das palavras de Guterres

por Elsa Filipe, em 25.10.23

Antes de começar, não é este um post em defesa de quem quer que seja. Sou muito pragmática. Não defendo nenhuma guerra e muito menos quando se usa a "desculpa" esfarrapada de que uma qualquer entidade atribuiu o quê a quem quer que seja. Ainda estou numa fase de incompreensão perante tamanha barbárie que se está a passar. Sou completamente contra este conflito e acho que isto tem de acabar. Apetece dizer para pegarem numa régua e dividirem a meio aquilo tudo, metade para a direita metade para a esquerda! No meio disto tudo, ninguém tem razão. Não há nenhuma razão, nenhum motivo para matar inocentes. Nem de um lado, nem do outro!

Mas hoje resolvi também vir falar das palavras de um português. Um homem que agora está a ser posto em causa por aquilo que disse - meus caros, ele é cidadão português e nós somos livres de dizer e escrever as nossas opiniões - e não estou com isto a dizer que concordo com ele. As afirmações que fez no Conselho de Segurança da ONU não foram felizes. Esteve mal, mas quem o condena agora, não está melhor.

Antes da reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, condenou os atos "de terror" e "sem precedentes" perpetrados pelo Hamas a 7 de outubro, salientando que "nada pode justificar o assassínio, o ataque e o rapto deliberados de civis". No entanto, durante o seu discurso, Guterres acabou por afirmar que seria "importante reconhecer" que os ataques do grupo "não aconteceram do nada", frisando que o povo palestiniano "foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante". Estas palavras não agradaram o embaixador Gilad Erdan, que pediu a António Guterres que se demitisse "imediatamente".

Palavras mal medidas, mal ponderadas, mas que consigo de certa forma compreender no sentido em que tantas vezes as emoções estão à "flor da pele" e nos impedem de pensar de forma mais pragmática. Imagens desoladoras, trágicas e desconcertantes tinham precedido este discurso e sem aquele filtro a que seria obrigado, Guterres deixou escapar o seu lado mais humano e menos ponderado. Por vezes, temos momentos assim - quem nunca? A sua posição porém é diferente da "nossa". A ele, não são perdoados escapes de língua, desabafos e, nem tão pouco, tentativas de justificação de algo injustificável.

Em consequência porém das palavras que Guterres proferiu, Israel começou logo por bloquear vistos a funcionários da ONU. Gilad Erdan anunciou que foi já recusado o visto de entrada em Israel ao subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários. As palavras que fizeram Israel reagir, talvez tenham sido uma espécie de contextualização dos ataques, em que Guterres diz que "o povo palestiniano tem estado sujeito a 56 anos de ocupação sufocante." Nas palavras do secretário-geral, que penso não venham legitimar os ataques, mas vêm em defesa da Palestina como povo e de como acabaram por ter de "aceitar" a sua situação com o Hamas, acrescentou ainda que os palestinianos viram "as suas terras serem constantemente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia sufocada, o seu povo deslocado e as suas casas demolidas." Acrescentou que a esperança "numa solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer". 

Por vezes, é preciso medir as palavras e ponderar a capacidade de aceitação de quem as escuta. Nem sempre estão todos os ouvintes no momento certo para compreender o que se afirma, outras vezes o que quer ser transmitido como mensagem tem o efeito contrário à intenção pretendida. Fossem quais fossem as palavras trasnmitidas nesse dia, e nos que se seguem, serão sempre uma ofensa para Israel se defendem a Palestina e uma ofensa para a Palestina se legitimarem Israel. O entendimento neste caso são duas paredes de betão, cujo único ponto em comum é se reprimirem e afastarem mutuamente.

Aproveitando esta situação, Eli Cohen, cancelou uma reunião agendada com Guterres (não seria uma oportunidade de se confrontar e explicar o seu ponto de vista?)mas prefere Israel dizer com todas as letras que "é tempo de ensinar uma lição" à ONU, insistindo na demissão do secretário-geral da organização. 

Guterres recusa ter justificado os atos de terror do Hamas, mas os protestos de Israel encontraram eco em vários membros dos governos britânico e italiano, que já vieram a público dizer que discordam dos comentários do Secretário-Geral da ONU sobre Israel e as alegadas violações dos direitos humanos.

Acusando a ONU, desde sempre - não é de agora e nem foram as palavras do seu secretário-geral a despoletar esta opinião - de estar contra Israel, afirmou Erdan que "a partir de agora, todos os dias em que ele estiver neste edifício, a não ser que peça desculpa imediatamente, não há justificação para a existência deste edifício. Este edifício foi criado para evitar atrocidades." Será uma ameaça à própria ONU e aos seus funcionários? Matar a população, sem qualquer limite nem consciência, fazendo com os seus ataques mais mortes do que contra os seus foram cometidos, pior do que "olho por olho, dente por dente", é aceitável para um homem que representa um país? É aceitável pelos seus? Nós não concordamos com muito do que se passa pelo mundo e não saíamos por aí a lançar bombas a torto e a direito! 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/onu/nacoes-unidas/demonstra-compreensao-pela-campanha-de-homicidio-em-massa-de-criancas-mulheres-e-idosos-embaixadores-de-israel-na-onu-e-em-portugal-acusam-guterres-de-nao-estar-apto-para-liderar/20231024/65381014d34e371fc0b914e8

https://pt.euronews.com/2023/10/25/israel-abre-guerra-a-onu-pelas-criticas-de-guterres

 

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publicado às 23:37

Se há coisas de que tenho algum orgulho é de viver num país que me permite liberdade de expressão. Estas são as minhas palavras de hoje. Um país com muitas falhas, um país com corrupção no governo, com gente que nada vale em altos cargos, mas um país onde é possível dizer o que se pensa, escrever sobre o que se acha. Ser ponderado não é deixar de ser livre. Ser crítico, não é ser mal educado nem tão pouco ofensivo. Estar contra ou a favor de algo é apenas uma opinião, não é ter mais ou menos razão que o outro. Debater, é isso apenas, trocar ideias, discutir pontos de vista. Não é virar as costas à opinião do outro, mas pode ser escolher o lado que se acha mais correto segundo os nossos padrões.

Quando se procura alívio, nestes tempos difíceis, fazer um desabafo em forma de escrita pode ter uma função terapêutica. Uma página em branco pode ser difícil de ultrapassar, mas pode ser também uma terapia de autoconsciencialização e de reflexão sobre o que se passa à nossa volta. 

As notícias à nossa volta são assustadoras. Todos os dias somos "atacados" por más notícias, que nos vão afetando a mente e a compreensão do mundo. Podemos tornar-nos imunes à dor do outro? Não quero estar imune! Isso seria deixar de sentir, deixar de me importar. A dor do outro não pode ser desvalorizada só por estar atrás de um ecrã, por estar tão longe aparentemente. As lágrimas de uma mãe que grita a morte de um filho vítima de um bombardeamento, não pode ser vista de ânimo leve sem uma dor profunda que nos atravessa o coração. A dor de um pai que segura o corpo de um filho nos braços, caminhando numa estrada cheia de pó... sem destino...

Quando o local que conhecem como habitação, é atingido, para onde se dirigem os sobreviventes? Quando um familiar, um amigo, um conhecido, um vizinho, está ferido, para onde se leva? Parece que não é assim tão literal em contexto de guerra, pois não? E quem protege quem salva?

Na Ucrânia, já se registam mais de 500 crianças mortas desde o início da guerra (ou seja, desde fevereiro de 2022) e ferimentos em mais de mil (e, como é bastante fácil de compreender, estes dados podem estar a ser divulgados por baixo). Sobreviver, é apenas a primeira fase, depois, chegam outros problemas, uma vez que os ataques aéreos e as explosões também danificam "serviços essenciais como escolas e hospitais" o que traz um forte impacto na vida e na saúde destas crianças. 

De 7 a 14 de outubro, mais de 700 crianças foram mortas na Faixa de Gaza. Citando James Helder, porta-voz da UNICEF, "as imagens e histórias são claras: crianças com queimaduras horríveis, ferimentos de morteiro e partes do corpo perdidas. E os hospitais estão totalmente sobrecarregados para tratá-los.” Afirma também James Helder que, as crianças israelitas que foram raptadas no passado dia 7 de outubro, e que ainda estão "como reféns em Gaza devem ser reunidas de forma segura e imediata com as suas famílias e entes queridos”.

Os ataques aos hospitais e os cortes sistemáticos de energia colocam também a vida de milhares de crianças em risco na Faixa de Gaza. Um dos médico que se manifestou, afirma que "muitas crianças que dependem de ventiladores não sobreviveriam a uma interrupção de eletricidade em Gaza".

No dia 17 deste mês, o hospital de "Al-Ahli na Cidade de Gaza," foi alvo de um bombardeamento e "caso seja confirmado, será o mais mortífero bombardeamento aéreo israelita nas cinco guerras que foram travadas desde 2008." Nas imagens que foram mostradas por alguns meios de comunicação, vê-se "um enorme incêndio rodeando as fachadas do edifício, vidros estilhaçados e corpos, muitos deles desmembrados, espalhados por toda a zona." O ataque terá feito cerca de 500 mortos, entre os quais dezenas de crianças. No mesmo dia (17/10) uma escola foi também bombardeada, o que provocou a morte de pelo menos seis pessoas e dezenas de feridos. A escola, que era administrada por uma agência afeta à ONU, estava localizada no "acampamento de refugiados de Al Maghazi." Seriam cerca de 4000, as pessoas que "estavam refugiadas naquela escola."

Para quê isto?

E é difícil escrever sobre estes ataques. Mas temos de o fazer. Repetidamente. Temos de continuar a espalhar estes números por aí. Talvez o meu blogue não chegue a muita gente, o meu público é "pouqinho" (mas bom), mas acho que é um passo importante se cada um de nós for chamando a atenção para estes problemas uma e outra vez, não sendo cumplíces em calar tanta maldade!

 

Fontes:

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mais-de-700-criancas-palestinas-morreram-em-gaza-durante-guerra-com-israel-diz-unicef/

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/vidas-de-criancas-correm-risco-se-eletricidade-parar-diz-medico-de-gaza/

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-17-Israel-Ataque-aereo-a-hospital-mata-pelo-menos-500-pessoas-em-Gaza-eeaab0a9

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-17-Israel-ataque-atinge-escola-da-ONU-em-Gaza-e-mata-pelo-menos-seis-pessoas-cc4ff8ca

 

 

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publicado às 23:16

25 anos de prisão (e mais houvesse...)

por Elsa Filipe, em 01.08.23

Falei aqui já do caso da Jéssica, a menina que foi assassinada em junho de 2022, em Setúbal. A dor que nos une é a de que ninguém fez nada enquanto podia. Quem soube, não se mexeu. A vida desta menina poderia ter sido tão diferente se a comunidade tivesse os olhos abertos, se a vizinhança não tivesse medo de falar e se as autoridades tivessem sido mais autoritárias e no momento certo, não tivessem deixado esta progenitora sair do hospital com a bebé, como deixou.

Hoje saiu a sentença, que condenou a 25 anos de prisão a progenitora da menina de 3 anos, Inês Sanches, a suposta ama, Ana Pinto também conhecida por Tita, o seu marido, Justo Montes, e a filha destes, Esmeralda Montes.

Esmeralda tem uma filha mais ou menos da idade de Jéssica e resta saber o que vai agora acontecer a esta criança, quem vai ficar a cuidar dela e como. Se estava na casa, ouviu e viu, e nada fez... como é que estas pessoas conseguiram ouvir os gritos desta criança e não se comoverem? As paredes das casas são assim tão grossas para os vizinhos não terem dado conta de nada? Também Jéssica tinha sido sinalizada quando tinha apenas um mês, mas a família não autorizou a intervenção e o desfecho foi aquele que todos já sabemos.

Recordando o que foi dito no despacho de acusação do Ministério Público durante os cinco dias em que permaneceu na casa de Ana Pinto - como garantia de pagamento de uma dívida da mãe, de 200 euros, por alegadas práticas de bruxaria (ou há quem ache, por dívidas de tráfico de droga que não foram provadas) - a menina foi sujeita a vários episódios de maus-tratos violentos e utilizada como correio de droga. O juiz presidente do colectivo a afirmar que a criança “perdeu o direito à infância de uma forma medieval”.

Jéssica só foi devolvida à mãe cerca das 10:00 do dia 20 de junho de 2022, numa altura em que já não reagia a qualquer estímulo. O tribunal aceitou a qualificação, concluindo pelo crime de homicídio qualificado, “por tratar-se de uma criança indefesa” e por ter existido tortura.

Os sinais evidentes do seu sofrimento foram ignorados durante várias horas pela própria mãe, facto que a investigação considerou que também poderá ter contribuído para a morte da criança, que ocorreu poucas horas depois no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

“Seguramente com envolvimento e conivência de todos” os arguidos que viviam na mesma casa, a criança sofreu agressões “da cabeça à ponta dos pés”, num “total mínimo de 78 fortes pancadas”. Sofreu ainda 76 cortes, beliscões e outras ofensas cortantes que provocaram escoriações. Foi dado como provado que foi queimada com líquido fervente, sofreu fortes embates com a cabeça contra superfície dura e múltiplos arrancões de cabelo, pela raiz, que a deixaram com peladas.

Explicou ainda o juíz que o tribunal separou três equimoses, “que são as lesões que provocaram a morte, de acordo com o perito”. São embates contra superfícies duras. “Nas descartamos a possibilidade de a criança ter sido agarrada pelos pés e arremessada contra a parede, como se de um bastão se tratasse. Não temos a certeza, mas o resultado é compatível”, segundo disse o coletivo. A descrição das lesões enchem dez páginas.

“As equimoses falam de acordo com a cor e dizem que as mais antigas têm cerca de cinco dias, e isso dá-nos a baliza de quando começaram as pancadas, cinco dias antes da morte. E depois temos um sem-fim de cores, e, com base no tempo dessas lesões, conseguimos agarrar alguns marcos fortes sobre onde foram feitas," adicionou o juíz.

Os vestigios encontrados falam por si, mesmo que os arguidos tenham enchido o tribunal de mentiras. O colectivo convenceu-se também de que Inês Sanches viu a filha na véspera da sua morte, quando teve a convulsão e já estava em risco de vida. Esse facto não ficou provado mas o colectivo entende “poder dar esse passo”, no âmbito das presunções que lhe são admitidas. Ficou provado que a criança foi exposta “a cocaína no período em que esteve” na casa da família Montes, mas não se provou o contexto.

Quanto ao pai, a este foi atribuído um valor considerado simbólico, por ter sido também ele um pai "simbólico", não presente e que em pouco contribuiu para o bem estar da menina.

Fontes:

https://www.publico.pt/2023/08/01/sociedade/noticia/jessica-perdeu-direito-infancia-forma-medieval-acusados-homicidio-crianca-condenados-penas-maximas-2058840

https://sicnoticias.pt/pais/2023-08-01-Caso-Jessica-tribunal-condena-quatro-dos-cinco-arguidos-a-25-anos-de-prisao-89daf9f9

https://www.publico.pt/2022/06/23/sociedade/noticia/jessica-sinalizada-estar-exposta-ambiente-familiar-colocar-causa-bemestar-2011199

 

 

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publicado às 21:13

O toque que incapacita

por Elsa Filipe, em 12.06.23

Há dias em que acordar é um fardo, uma luta em que até as pálpebras doem abrir. Levantar requer uma dose de concentração, força e energia, que me deixam esgotada para o resto do dia. 

Há dias em que conseguir sair de casa e caminhar até à paragem, é um esforço quase demasiado grande para ser suportado. A meio da manhã, já estava a entrar em "burnout" - se é que este pico não foi apenas o sinal do corpo que já lá tinha chegado há vários dias. Alguns "entendidos" dizem que a fibromilagia é uma depressão disfarçada. Eu não acho isso. Eu acho que lutar contra esta doença é tão frustrante que nos leva à depressão. Também é verdade que fico pior quando me irrito, quando estou preocupada, ou quando não durmo o suficiente. Mas então, se fosse só isso, não teria crises em dias em que descansei bem, em que o dia correu de forma normal e sem sobressaltos, em que estive tranquila. Mas nessas alturas, o corpo ataca dizendo "estou aqui" e num repente, surge uma dor aguda numa articulação, ou uma perna fica presa, ou a cabeça começa sem aviso a latejar de tal forma que tenho de me segurar para não cair, a visão fica turva do nada, os olhos a arder e as palavras que estão na cabeça, não são as mesmas que saem da minha boca no decorrer de uma conversa.

Noutros dias, faço as mesmas horas, o mesmo trabalho, os mesmos esforços, com mais facilidade, com mais vontade e sem um nível insuportável de dor. Por isso, isto não é uma queixa, é uma constatação. Para quem tem Fibromialgia, cada dia é diferente. Hoje estou mal, amanhã, estou bem. Não é do calor, não é do frio, é porque sim. Claro que nos dias de mais trabalho, canso-me mais - como todas as pessoas - mas não é esse o factor que despoleta as crises. 

O conhecimento da forma como o nosso corpo funciona é fundamental. Mas há dias em que me sinto deseperada, em que o nível de dor torna qualquer movimento difícil, qualquer som passa a ser ensurdecedor, qualquer toque mesmo que ao de leve, parece um forte beliscão. A pele arde como se estivesse com um escaldão e até a roupa incomoda, as pontas do cabelo a tocar na cara e no pescoço parecem agulhas a espetar na pele. Só reconhece verdadeiramente quem já passou por isto, os outros apenas podem imaginar.

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publicado às 23:37

Dia Mundial da Fibromialgia

por Elsa Filipe, em 12.05.23

Foi há muito pouco tempo que eu aprendi a lidar com a minha doença e a aceitar que o meu corpo dói, sempre. Não me queixo sempre que sinto dor, porque seria chato para as outras pessoas se o fizesse. Mas isso não significa que eu não esteja a forçar naquele momento um sorriso ou um movimento. 

Antes, não percebia o porquê de me doer do lado direito e na hora seguinte, me doer do lado esquerdo.Ou qual a razão de ficar sem paciência ao longo do dia. É tudo devido à doença. Ou porque é que fico sem força e não consigo subir dois degraus seguidos sem respirar fundo. É do cansaço constante que a doença me dá. Os músculos e as articulações estão constantemente rígidos. 

Se me lembro da primeira vez que me afetou? Talvez consiga situar num dia em que me baixei para pegar no meu filho ao colo e fiquei sem me conseguir levantar. Já passaram uns 12 anos, mas nessa época eu achava que podia fazer tudo ainda. Até me convencer que tinha de mudar de vida e que a minha vida nunca mais seria a mesma, demorou muito tempo.

O Dia Mundial da Fibromialgia faz com que se fala nisto, com que se oiçam outras histórias, que se vejam histórias de superação. O bom seria que as pessoas entendessem que não somos nós que estamos a fingir ou que somos queixinhas, ou que apenas não queremos trabalhar. 

Muitas vezes, até para virar o corpo na cama exige um esforço sobre-humano. Noutros dias, estamos melhores e achamos que conseguimos fazer aquelas coisas de que já tínhamos saudades... e abusamos do corpo mal habituado. Devido aos anos que se passaram, eu já sei antecipar as crises na maioria das vezes. Quando o tempo começa a ficar mais húmido, o corpo dá sinal. Ou quando me enervo, não consigo relaxar os músculos e os moviementos tornam-se menos amplos e mais dolorosos. Quando tomo banho à noite e desperto antes de ir para a cama, ou fico muito interessada numa série que está a dar na televisão e adormeço mais tarde, o corpo castiga-me no dia seguinte como se eu não tivesse direito a pequenos prazeres. 

Não olhem para nós como queixinhas. Não somos pessoas diferentes de vocês, não gostamos de estar na cama nem de estarmos embrulhados numa manta em pleno verão. Eu pessoalmente não gosto quando tenho de ir quase de gatas para a casa de banho, ou quando me agarro ao corrimão para não cair pela escada ao descer. Ou quando tropeço e caio quando vou na rua, só porque o meu corpo perde a força. 

Não, não é de propósito que deixo cair coisas, ou que me esqueço de nomes de pessoas ou de locais. E não é que eu não goste de conduzir, é poreque perco a força e tenho espasmos nas pernas e fico com medo de deixar de controlar o carro e magoar alguém. É percetível isso? Não o será para todas as pessoas - acreditem, muitos ainda me julgam mal e acham que só não me apetece!

No ano passado falei também sobre esta doença e sobre a forma como ela nos afeta. Há cada vez mais gente a partilhar conteúdos sobre ela e a dismistificar muitas das coisas que sofremos.

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publicado às 15:29

Crise anunciada

por Elsa Filipe, em 16.03.23

Esta semana tem-se ouvido falar em Crise Financeira, algo que muitos analistas já andavam a falar, mas que tem sido um pouco desvalorizado. Se bem que já vivemos em crise há vários anos e que estes últimos meses têm sido bem difíceis, a verdade é que parece que a coisa está mesmo a instalar-se e com tendência a piorar.

Há uns dias o fundo imobiliário americano (BlackStone), que falhou o pagamento de um reembolso de obrigações no valor de cerca de 500 milhões de euros, vê-se agora na obrigação de vender ativos de forma acelerada para evitar falhar outros pagamentos.

Estas crises são cíclicas porque o problema está no financiamento a médio e longo prazo. Como houve uma grande emissão de dinheiro pelos bancos centrais em 2007 e 2008 para amenizar os efeitos da crise das novas tecnologias que já vinha a afetar os mercados, nos anos seguintes os estados não tiveram forma de recuperar e de pagar a dívida. Esta crise económica foi depois também acentuada por outros problemas, como a própria pandemia e a guerra na Ucrânia. Estados mais frágeis e endividados estão agora numa grave crise de dívida soberana, Portugal incluído.

Merkel foi uma das pessoas que tentou obrigar a União Europeia a fazer reformas estruturais ao nível das economias ocidentais, mas estas foram poucas ou mesmo nenhumas. Talvez desta vez, os banqueiros centrais se pareçam estar a lembrar dos princípios mais básicos daquilo que é a base da política monetária. Esta crise não poderá ser resolvida com uma nova emissão de dívida, pois isso só iria avolumar o problema.

Nos próximos tempos poderemos não ficar satisfeitos ao ouvir falar de congelamento de contas, uma vez que essa legislação já existe e permite a imposição de moratórias aos levantamentos bancários e resgate de ativos em massa. Foi aprovada discretamente pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu por proposta do BCE.

Muito têm os nossos governantes que fazer, mas parece que andam a discutir outras coisas e não se impõem medidas que evitem as falências de restaurantes, de pequenos negócios, bem como de setores inteiros da economia, assim como evitem o aumento desmesurado do crédito mal parado dos bancos. Tiremos a venda dos olhos!

Mas deixemos de olhar por momentos lá para fora e foquemos a nossa atenção cá dentro. Uma apresentação do Banco Central Europeu (BCE) num encontro de governadores dos bancos centrais do sistema demonstrou que as margens de lucros das empresas tinham aumentado, quando, por via do aumento dos custos, deveriam estar a diminuir. Perante isto, podemos concluir que as subidas de preço, que contribuem para o agravamento da taxa de inflação, estão a servir para aumentar os rendimentos das empresas à custa da perda de compra dos consumidores. É verdade isto? Irão manter-se as subidas desenfreadas de preços?

Os cabazes alimentares básicos estão a aumentar muito! A ASAE inspecionou vários super e hipermercados e verificou a inflação dos preços em diversos produtos alimentares. Ao mesmo tempo, o Governo reconhece que há “aumentos exagerados” nos preços dos bens essenciais e garante que está “atento” para identificar situações de especulação.

 

Fontes:

https://expresso.pt/economia/2023-03-02-A-inflacao-deve-se-a-subida-das-margens-de-lucro-das-empresas--O-BCE-suspeita-que-sim--pelo-menos-em-parte--ccab5609

https://expresso.pt/sociedade/2023-03-01-Ha-um-aumento-exagerado-de-precos-e-situacoes-de-margem-de-lucro-bruta-acima-dos-50-como-a-ASAE-esta-a-fiscalizar-os-supermercados-7b582bc1

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/detalhe/tombo-do-silicon-valley-bank-contagia-mercados-internacionais-banca-cai-quase-5

 

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publicado às 08:10

Qual é o problema de nos irmos habituando a ter uma doença crónica? É que vamos criando defesas, construindo muralhas que nos ajudam a suportar cada dia e gerindo a nossa rotina diária tendo em conta os tempos certos que precisamos para descansar e recuperar.

Quando de repente, algo quebra esta cadência o corpo dispara e a dor rasga por todos os lados. É quando achamos que tudo está melhor e baixamos a guarda que ela começa a atacar, primeiro de mansinho, contraindo os músculos, limitando os movimentos a um mínimo que se torne suportável e quando nos damos conta, todo o corpo está demasiado contraído para que seja possível mexermo-nos naturalmente.

Hoje foi um desses dias. A dor atingiu todas as articulações em simultâneo, cada tentativa de me mexer e de sair da cama atingia o meu corpo como se estivesse coberta de vidros ou de espinhos que me picavam a pele.

Deitada, o corpo tremia como se uma corrente de baixa voltagem passasse por ele e de tempos a tempos descargas dessa corrente me provocassem espasmos, movimentos involuntários e dolorosos seguidos de caibras nos músculos. O que se passou? Não faço ideia, mas sei que a origem esteve numa noite inteira acordada com uma possível gastroenterite. A medicação forte para as dores e os relaxantes musculares ajudaram na parte do alívio das dores mas não foram suficientes. Tomar doses maiores fez-me ficar a dormir o dia inteiro e não conseguir ir trabalhar. 

Mas nos últimos dias esta crise esteve a espreitar, tentando encontrar um espacinho por onde eu a deixasse aparecer. Eu percebi isso, já as conheço bem, as malvadas gostam de brincar comigo mas eu já as domino, já as conheço bem para as deixar passar pelas minhas defesas. Então vieram os vómitos, as tonturas e o mau estar que me fez ficar em sobressalto a noite inteira até eu ter de me render e me deixar atacar por todo aquele fluxo de dor.

Tentei, sempre evitá-la, atrasá-la o mais possível para que coincidisse com o fim de semana e não me estragasse um dia de trabalho, mas desta vez não fui capaz. Antes assim a uma sexta...

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publicado às 21:15


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