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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
As monções são frequentes na região do sul da Ásia onde se localizam a Índia e o Pasquistão, e se por um lado são essenciais à agricultura do país, também conduzem não raras vezes a chuvas fortes, que levam a cheias e deslizamentos de terras. As que estão a acontecer este ano, foram já consideradas como "as piores cheias dos últimos 40 anos," tendo já sido contabilizadas pelo menos 800 vítimas mortais "e mais de 200 mil" pessoas foram entretanto "retiradas de casa." Numa região que, historicamente deveria estar habituada às monções, a verdade é que os prejuízos têm sido cada vez maiores. As alterações climáticas podem também estar a trazer períodos mais longos e com mais intensidade, havendo ainda registo de "trovoadas súbitas e gigantescas, como bombas de chuva."
Além da região paquistanesa, também a região "norte da Índia está a ser fortemente atingido," com registo de várias casas e edifícios a serem "destruídos, depois das chuvas terem provocado inundações e deslizamentos de terras." As chuvas não têm dado tréguas e as terras estão completamente saturadas, o que aumenta o risco de liquefação e a escorrência pelas encostas. Na zona de "Jammu, em Caxemira," foram registados para já, trinta mortos, "vítimas dos deslizamentos de terra." Aqueles que podiam ajudar, tentavam resgatar o que ainda podia "ser salvo das inundações," improvisando "pontes para atravessar o rio que galgou as margens." Há cerca de 1 mês que não pára de chover, o que, além das cheias, traz ainda sucessivas falhas elétricas.
"Em Mumbai, as equipas de resgate" continuam a busca "por sobreviventes depois de um prédio ter desabado e provocado a morte a, pelo menos, 15 pessoas." Deu-se ainda o "colapso de duas comportas de uma barragem," do lado da India que fez inundar terras paquistanesas a jusante. "Segundo as autoridades paquistanesas, mais de mil e seiscentas aldeias foram inundadas e dezenas de pessoas morreram nos últimos dias."
Estudos apontam o aquecimento global do planeta como causa para o aumento da montalidade. O vento da monção traz consigo "um ar mais quente, capaz de transportar mais humidade, e carrega o potencial de se transformar numa bomba de chuva, quando as nuvens descarregam toda a água que contêm de repente, o que desencadeia cheias repentinas e mortíferas."
Fontes:
"Não há fome em Gaza", é tudo imaginação nossa. As crianças não estão a morrer devido aos ataques indiscriminados, não morrem nas filas enquanto esperam por um pouco de alimento...
"Não há fome"... são pessoas magras porque estão doentes por outras razões. Israel já veio até exigir "que as Nações Unidas retirem de imediato o relatório" onde se declara "oficialmente" a existência de "fome na Faixa de Gaza," acusando a ONU de ser "uma instituição de investigação politizada". Porque os meios de comunicação social são todos mentirosos... não existe fome em Gaza.
Na caça, o caçador observa o animal. Atira comida. Depois quando o animal passa em direção à comida, o caçador dispara. Semelhanças com o que se passa em Gaza?
Esta terça-feira, o "Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo grupo islamita Hamas, elevou para 313 o número total de mortos, dos quais 119 crianças, por fome ou desnutrição no território palestiniano desde o início da ofensiva israelita em 07 de outubro de 2023." De acordo com o grupo, a maioria das mortes por causas relacionadas com a subnutrição e a fome em Gaza ocorreram nos últimos dois meses, após um bloqueio quase total de entrada de alimentos e medicamentos no enclave por parte de Israel, que controla todos os pontos de acesso ao território palestiniano, impedindo a entrada dos camiões que transportam ajuda.
Como em todos os lugares do mundo, como em todos os povos e em todas as culturas, existem extremistas, gente cuja inteligência se esgota no próprio umbigo. E não se podem confundir as partes com o todo e, aqui, a parte que estupidamente defende o direito de ocupação de uma terra e que olha para aquelas crianças desnutridas como se não merecessem sequer viver, é a parte que, embora não os representando a todos, os está a representar perante outros Estados, outros países. E ninguém faz nada...
A barbaridade está ali, está impressa nos jornais, entra-nos pelas retinas quando entramos em qualquer site de notícias ou ligamos a televisão. Mas dizem-nos que não é real... como se pudessemos estar cegos, surdos! Até quando se vai deixar um louco governar um país sem se fazer nada e um exército matar deliberadamente inocentes? Perante as acusações, Israel intensifica apenas os ataques, porque "não há fome em Gaza," nem morrem inocentes por ali, apenas terroristas.
Entretanto, a morte vai atingindo também os repórteres, matando quem quer repôr a verdade, quem procura informar o mundo.«, arriscando a sua própria vida.
Fontes:
https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/israel-exige-que-onu-retire-relatorio-sobre-fome-em-gaza
A nossa História está recheada de episódios caricatos e interessantes (para quem gosta de saber um pouco mais sobre o país e as suas origens). A 25 de agosto de 1580, deu-se em Lisboa uma batalha curta mas na qual se tentou travar o avanço das tropas espanholas que nessa data entravam no território português. Ora, nos manuais dá-se pouco destaque a estes episódios, talvez porque nem meia hora as tropas do Prior do Crato, com o apoio da população, conseguiram resistir perante os avanços das tropas do Duque de Alba, ou talvez porque a chegada dos espanhóis já tinha sido assumida pela corte portuguesa. Mas será que não se deve falar desta batalha? Afinal de contas, termina aqui a Dinastia de Avis, "que se havia iniciado pouco menos de duzentos anos antes, em 1383-1385, e se havia consagrado com a vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385."
Mas quem foi D. António e porque nunca foi aclamado verdadeiramente como rei? D. António era, na verdade, "filho bastardo do infante D. Luís". Apesar do pai o tentar encaminhar através da carreira eclesiástica, esta não configura a sua vontade. D. António, terá sido apoiante de Gil Vicente e "protetor" de Damião de Góis, nomes hoje reconhecidos na praça pública, mas que na época, não era assim tão bem vistos.
Chegou ainda assim a receber o "priorado do Crato, um dos mais ricos do reino," mas com "a morte do pai", recusa "a ordenação de presbítero," o que não foi nada bem aceite pelo seu tio, o cardeal-regente D. Henrique. Uma das razões para esta oposição, teve principalmente a ver com a chamada "Crise de Sucessão."
Em 1568, D. António recebe o "título de governador de Tânger, em África, "e conquista a estima do rei, D. Sebastião," a quem acompanha na "batalha de Alcácer-Quibir." Nesta batalha, D. António "é feito prisioneiro." mas acaba por ser "libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida," mostrando-se opositor à união dos dois países.
Ao saber-se do desaparecimento de D. Sebastião (e de se presumir a sua morte), D. António apresenta-se como "candidato à sucessão," argumentando que "os seus pais" se haviam "casado em segredo," o que o tornaria legítimo herdeiro e "o que lhe dava precedência na linha de sucessão sobre o cardeal D. Henrique, que efetivamente herdou o trono," apesar de já ter na altura "sessenta e seis anos." Não chega a governar dois anos e, é com o monarca já às portas da morte, que se reunem as Cortes de Almeirim. D. António voltou a apresentar-se para "reclamar os seus direitos à coroa portuguesa," como um de entre três candidatos: "D. António, prior do Crato, filho natural do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel I, ou D. Catarina, filha de D. Duarte, filho mais novo de D. Manuel I, a qual estava casada com D. João, duque de Bragança. Por outro lado, havia o candidato castelhano, Filipe II, filho de D. Isabel, filha mais velha de D. Manuel I, e de Carlos V."
Ora Filipe, apesar de governar em Castela, era descendente da coroa portuguesa, enqunto que, D. António, era considerado por muitos, inclusive por seu tio, D. Henrique, como filho ilegítimo por duas razões: o Infante D. Luís, "duque de Beja," não era casado com D. "Violante Gomes", sendo que esta, seria "cristã-nova", ou seja, não era de "sangue puro."
Também "D. Catarina, ainda que tivesse uma boa situação jurídica para poder suceder ao trono," não "contava com fortes apoios."
Entretanto, já Filipe II começava a pressionar cada vez mais "as autoridades portuguesas a reconhecerem-no como rei, ameaçando que se não fosse obedecido invadiria Portugal." Para tal, D. Filipe II encontrava-se já a "reunir um poderoso exército," em Badajoz pronto para avançar e, a 18 de junho de 1580, Elvas rende-se. No dia seguinte, impulsionados pelo receio da já "iminente invasão castelhana, D. António foi aclamado tumultuosamente rei em Santarém." Também foi aclamado rei, em "Lisboa a 23 de junho."
Em agosto desse mesmo ano, dá-se a chegada do exército de D, Filipe II, "comandado pelo duque de Alba." Antecipando a sua chegada e sabendo de antemão na queda de outros postos, a "1 de agosto de 1580, D. António mandou concentrar as suas forças na margem esquerda da ribeira de Alcântara, frente à velha ponte que aí existia." Nesse local, sabendo que pouco haveria a fazer para impedir a entrada do "exército invasor", manda "abrir duas linhas de trincheiras e parapeitos com plataformas de artilharia para assim" tentar "impedir" o seu avanço, enquanto mais para o interior, "num olival", se encontrava escondida a "maior parte dos seus homens," muitos deles sem qualquer "experiência militar." Conta-se que, no "decorrer dos dias de espera pela chegada dos invasores em Alcântara muitos dos homens que a defendiam iam dormir a Lisboa, tendo alguns deles aí ficado no dia da batalha."
D. António, apesar de sair bastante ferido desta batalha, tanto por inimigos como por forças portuguesas, que o terão atacado de traição, não se deu por derrotado.
Encontra alguns apoiantes e, depois de ter passado por França e por Inglaterra, chega mesmo a ser "reconhecido como Rei na Ilha Terceira," para onde tinha fugido, muito para não ser morto à traição, algo muito comum. Acaba por ser novamente derrotado, mas desta vez pelas forças do "Marquês de Santa Cruz", no ano de 1583.
"A partir de então, e até à sua morte em 1595, D. António viveu entre França e Inglaterra."
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/d-antonio-prior-do-crato-e-defensor-de-portugal/
https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/organizacao/comissoes/cphm/rphm/edicoes/ANO4/72024/7_8
À vista de todos e arriscando-se a que alguém perca a paciência ou seja menos despojado de princípios do que ele, Trump continua a tentar demonstrar a sua potencial força, através de ações e provocações.
Desta vez, os "Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela." Estes navios têm como "objetivo" o combate ao narcotráfico, num momento em que a tensão entre os dois países vai crescendo.
Para quem ainda não conhece a relação entre estes dois estados, começo por dizer que, no início deste mês, Trump duplicou a "recompensa oferecida por qualquer informação que permita" prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo mandato não é sequer reconhecido pelo presidente Trump, por "tráfico de drogas." Em resposta, Nicolás Maduro colocou nas ruas cerca "de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), preparadas, ativas e armadas, no que designou como um "plano de paz."
Trump não teme lançar ataques contra a Venezuela. E por isso, não é de estranhar que possam já haver mais meios a caminho, todos com o mesmo objetivo: "a missão envolve um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, vários contratorpedeiros e um navio de guerra equipado com mísseis," podendo ainda estar a caminho cerca de "4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas, perto da costa venezuelana."
Mas viajemos até ao ano de 2019. Trump estava na Casa Branca quando os EUA se recusam a aceitar a vitória de Maduro, impondo rígidas medidas contra a Venezuela, onde, manifestações contra Maduro, levaram à morte de "sessenta e sete pessoas," 59 das quais à mão de "polícias e grupos civis armados que apoiavam o governo de Maduro" e as outras seis em "execuções extrajudiciais cometidas por forças policiais especiais após os protestos."
A relação entre os dois estados tem sofrido vários altos e baixos, especialmente desde que os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país e, ainda, se nos lembrarmos que a Venezuela foi um dos países que se manifestou contra o ataque dos EUA a três instalações nucleares iranianas, a favor de Israel (além de Cuba e do Chile). Então, isto poderá estar tudo relacionado, ou será mesmo só sobre combater o tráfico de drogas?
Vamos aguardar.
Fontes:
https://observador.pt/2020/01/25/venezuela-morreram-67-pessoas-durante-protestos-em-2019/
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/06/internacional/1565055325_220193.html
Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).
Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?
Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...
Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22."
Para quê? Com que intenção?
Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."
O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?
Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."
Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.
Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz...
Fontes:
O incêndio, que "deflagrou por volta das cinco da manhã", ficou confinado ao quarto onde começou. A causa aparente terá sido um curto-circuito "num colchão anti-escaras," num quarto onde as três pessoas que ali residiam acabaram por morrer. Faleceram ainda outras três pessoas, "devido à inalação de fumo e a problemas respiratórios," que "não conseguiram resistir." Do incêndio "resultaram ainda 25 feridos, dos quais cinco em estado grave, segundo confirmou o presidente da Câmara Municipal de Mirandela."
O lar da Santa Casa da Miseriórdia, "Bom Samaritano", albergava 89 idosos, e aparentava ter boas condições (digo isto pelas imagens que entretanto consegui ver), mas falta saber qual o número de funcionários que estariam presentes nas instalações. Está a ser dado apoio às famílias e aos restantes utentes, tendo sido organizado um "Centro de Apoio à Vítima," que ficou "instalado no pavilhão do INATEL." Os restantes idosos acabaram por ser entretanto transferidos para outros lares da região, estando ainda os bombeiros e o Inem no local. O provedor da Santa Casa, numa entrevista dada à NOW, afirma que o alarme contra incêndios não terá disparado e que foi quando as funcionárias foram ao quarto e abriram a porta do mesmo, o incêndio tornou-se muito intenso (digo eu, por entrada de oxigénio no espaço e que alimentou o fogo) e que o fumo se terá espalhado pelo restante edifício.
Foram ao quarto porque ouviram chamar ou havia algum fumo a sair que lhes chamou a atenção? E se detetaram que havia um incêndio no quarto, como foi aberta a porta? Tinham extintor e usaram-no imediatamente? Fiquei com muitas dúvidas a partir das palavras deste senhor, mas a Judiciária há-de fazer o seu trabalho e detetar o que foi bem feito e o que não foi feito. Não é só o incêndio que mata... Haveria capacidade para evacuar todas as pessoas que se encontravam naquelas instalações? É que não é só saber onde estão os extintores ou as saídas de emergência, têm de ser feitos simulacros e, aqui, sabemos bem, que nenhum simulacro é feito às 5h da manhã com o número reduzido de funcionários, os utentes a dormir e, também de referir, normalmente, com um número reduzido de operacionais presentes nos quartéis (por ser de noite e por estarem na sua maioria destacados para os incêndios rurais e florestais que deflagram) - mas é precisamente nessas horas da madrugada, que muitas destas situações acontecem. Aqui pode estar em causa um incêndio por negligência e homicídios por negligência, que podem ter sido ampliadas por falta de fiscalização.
Isto num dia em que continuam os incêndios florestais no centro e norte do país. Em Oliveira do Hospital, na localidade de "Vila Pouca da Beira, na União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira," uma casa acabou por ser "completamente destruída pelas chamas." Noutra zona, na "localidade de Avô ardeu uma casa devoluta que se encontrava nas imediações da Junta de Freguesia," tendo ainda ardido vários "anexos, barracões e explorações agrícolas." É bastante perceptível o desgosto e a revolta das pessoas. Mesmo a quem as casas não foram afetadas, as situações de evacuação, dias sucessivos a olhar para as chamas a chegar às povoações, e noites sem dormir, desgastam qualquer pessoa.
Espera-se que este domingo cheguem "dois meios aéreos cedidos pela Suécia," a partir do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil em Portugal." Poderiam ser suficientes se os "nossos" meios estivessem todos a funcionar e a dúvida é quantos estão e quantos estão parados. Uma coisa, será a não atuação devido às condições atmosféricas (a segurança é muito importante e, no meio disto tudo, não pode ser descartada), mas outra coisa será estarem parados por falta de manutenção, porque falta uma peça ou porque não têm autorização para voar. Onde anda os meios aéreos portugueses, que sabemos bem, na sua maioria são "alugados." A empresa proprietária dos Canadair a operar em Portugal, já veio ontem afirmar que já podem contar "com três aviões CL-215 operacionais baseadas em Castelo Branco," uma vez que o avião de reserva já se encontra novamente funcional e que está pronto "para apoiar as autoridades portuguesas no combate aos incêndios em todo o país."
Aliás, de referir, que os outros dois aviões, atribuídos ao DECIR deste ano, devido a avarias, tinham já sido também substituídos ao abrigo do "mecanismo de cooperação bilateral com Marrocos, que enviou dois aviões Canadair de substituição, que passaram a integrar o DECIR até ao final desta semana e estão a operar a partir da Base Aérea de Monte Real." De acordo com o Secretário de Estado da Proteção Civil, como "Espanha" tinha "recorrido já ontem ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil", poderia dar-se o caso da "ajuda a Portugal" poder ser mais reduzida, o que vem dar razãpo a quem diz que o pedido já vem tarde. Em resposta às perguntas feitas, o SE pediu "serenidade e tranquilidade" ao país. Como? O país está a arder ou o senhor SE não deu conta disso?
De acordo com um deputado do PS, "o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa," terá obrigado "o primeiro-ministro a interromper as suas férias," convocando-o para "vir a Lisboa a uma reunião", que ocorreu "na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa." A presença do Primeiro-ministro no Pontal e a sua referência a se encontrar de "férias" tem despoletado muitas críticas e até pedidos de demissão. As pessoas estão desesperadas, continuam as temperaturas altas e continuam grandes frentes a avançar em direção às aldeias, aproximando-se e ameaçando habitações, sendo um dos mais preocupantes o que lavra "no concelho de Oliveira de Hospital." Neste caso, as frentes de fogo são "oriundas" do grande incêndio "que começou em Arganil na quarta-feira" e que acabou por passar "o rio Alva."
O país está "vestido" de negro, os relatos dividem-se entre a tristeza e a revolta e, claro está, há muitas críticas que se podem fazer, mas agora não é a hora de discutir, é hora de agir e de proteger as povoações, travando o avanço das chamas!
De destacar que já foram detidas ontem, duas pessoas suspeitas "de atear fogos florestais em Seia e Pinhel, duas cidades do distrito da Guarda." Uma delas, era um jovem de apenas "19 anos suspeito de atear um incêndio" no concelho de Seia "com recurso a chama direta, sem motivo evidente." Que se apanhem todos e que tenham penas pesadas, é o que se pede.
Fontes:
https://www.asbeiras.pt/incendio-destroi-casas-em-oliveira-do-hospital/
https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2025-08-04-muito-calor-e-risco-de-incendio-deixam-portugal-em-situacao-de-alerta-f1c01254?cb_rec=djRfMQ (em atualização);
Não pode estar em causa a vergonha de pedir meios e apoios, através do acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil! Ou estavam a competir em área ardida antes de pedirem ajuda?
Espanha pediu "o envio de duas aeronaves Canadair," numa altura em que sete pessoas já tinha sido "hospitalizadas, quatro das quais em estado crítico, na região de Castela e Leão." Já tinha havido duas mortes a lamentar no país vizinho. Na província de Ourense, em Espanha, os bombeiros estão com muitas dificuldades para "extinguir um grande incêndio em Chandrexa de Queixa."
E em Portugal, a situação tem estado a piorar! Há dias que se pedem meios, ajudas! A população está desesperada, não dorme de noite, olhando as chamas que galgam montes e vales sem se deter em mudanças de concelho, vedações ou zonas protegidas! Mas só esta tarde se avançou com o acionamento do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil," tendo sido solicitada "ajuda para o combate aos incêndios". Este pedido, que irá "permitir a chegada de aviões Canadair de apoio internacional," vem tarde... já há uma enorme área ardida e já temos feridos a lamentar (vários deles operacionais dos bombeiros) - dois feridos graves e um morto...
É que por cá, para haver Canadairs, parece que só alugados! E isso dará jeito a quem?
"Apesar de ser o país do mediterrâneo com mais área de floresta ardida, Portugal é também o único que não tem uma frota própria destes aviões - os três" que por cá andavam e que avariaram, "são alugados"!
Olhando para as notícias, parecem-me um dejá-vu... a sensação é de estar a ver a repetição de algo mais antigo! Ainda se discute a falta de meios? Ainda se acusa quem limpou e quem não limpou os terrenos, quem permitiu a abertura de estradões? Não se discutiu já isto tudo, não se criaram grupos e comissões, nã se fez alterações na estrutura da PC? Então, o que é que se passa?
Existem meios no terreno, sim, e temos de agradecer a todos os operacionais que se encontram a combater as chamas. Mas continuamos a ter bombeiros a ter de ser alimentados pelas populações? Ainda é assim, em 2025? Os populares continuam a ter de combater as chamas praticamente sozinhos! Mandam evacuar as aldeias, mas se as pessoas não vêem os meios a chegar, como é que conseguem sair de lá? Como é que podem sentir que as suas coisas estão protegidas? Há muita coragem nestes dias, não apenas em quem enverga uma farda, mas também em quem luta apenas com uma mangueira de jardim e uns galhos.
Ontem, ouvi a ministra da Administração Interna a dizer coisas que, simplesmente, me enojaram. Maria Lúcia Amaral começou por agradecer aos operacionais o trabalho desenvolvido, para depois referir que o país está em luta contra as chamas, numa onde de calor que afeta o país há “22 dias consecutivos" e "que gera, evidentemente, naqueles que estão na linha da frente exaustão e cansaço”. Isso é óbvio senhora ministra, mas que apoios estão a ter os bombeiros, quando são rendidos pelos seus colegas e regressam a casa (muitos, não chegam a ir a casa, vão para o quartel e regressam ao trabalho), tanto a nível da sua saúde física quanto psicológica?
Como é que o socorro está dependente de contratações a empresas privadas? Quantos é que estão a ganhar dinheiro com isto? Enquanto isso, Montenegro andava pelo Algarve nas festanças. E decretar a situação de contingência no país? Porque demora tanto? Há pois, se estivessem em contingência teriam de interromper as férias? Cancelar eventos!?
Onze dias e 6500 hectares depois, o incêndio de Vila Real foi dado como dominado - ei! Mas não pára aqui o combate! Há uma enorme área que tem ainda de ser trabalhada, não se pode virar costas - acho que sabemos todos isso, certo? Cerca de três mil militares foram mobilizados "para o combate aos incêndios no país, tendo atualmente 34 patrulhas diárias empenhadas na vigilância e deteção de fogos." O trabalho destas equipas é extremamente importante, mas é preciso lermos tudo - três mil é o total acumulado ao longo do ano.
Refere Xavier Viegas que "os combustíveis, não só os finos, secos, mortos," que se vieram a multiplicr este ano, devido à chuva que caiu no início do ano e da falta de chuva no final da primavera, início do verão, mas também "os "arbustivos, que têm um tempo de resposta mais longo, também vão secando e a sua secura vai aumentando à medida que avançamos" pelo verão, ficando cada vez mais disponíveis para arder. Perante esta conclusão, os autarcas poderiam mandar limpar os terrenos. Basta vermos qualquer um dos canais de notícias e vemos, atrás dos jornalistas, vastas extensões de campos dourados, secos, a começarem logo junto às estradas e às habitações. Aqueles moradores, passam ali todos os dias, todos os dias... não se sentem em risco?
Fontes:
Não mostram parar, querer ceder aos meios aplicados...
Não é só Portugal que está a lutar contra as chamas (novamente, digamos que todos os anos é o mesmo, desde que me lembro de ser gente), a situação está muito complicada também em Espanha, em França e na Itália. Estou no centro do país, mas não consigo estar indiferente ao que se está a passar aqui à volta... em Portugal e nos países vizinhos. A situação é muito alarmante por toda a Europa, onde só aqui na vizinha Espanha se registam mais "de 30 incêndios ativos", além de tantos outros em na "Grécia, Turquia e Reino Unido."
Em Espanha, já morreram duas pessoas, vítimas da catástrofe que tem estado a afetar as regiões de "Galiza, Castela e Leão e Extremadura" onde as chamas são alimentadas "pela maior onda de calor de que há registo no país." Duas vítimas que apenas estavam a ajudar, um no combate ao fogo e po outro a tentar salvar os animais de um hipódromo. Lá, tal como aqui, a população está em desespero, está desamparada, queixa-se, reclama mudanças, reclama apoios. Quase "4000 pessoas foram evacuadas em Castela e Leão," onde um grave incêndio ameaça "o Patrimônio Mundial de Las Médulas." Em Espanha, ainda não foi ativado o Mecanismo Europeu de Proteçáo Civil. Também por lá se reclama ajuda, os meios parecem sempre poucos...
Na Turquia, o fogo também não está a dar tréguas à população obrigando à retirada de "mais de duas mil pessoas." Este incêndio já "destruiu centenas de habitações e carros. Cerca de 50 pessoas foram assistidas por inalação de fumo." Em França, os incêndios que começaram a "5 de agosto foram os mais intensos desde 1949," lamentando-se "uma morte," dezanove bombeiros e seis civis feridos, bem como "várias dezenas de casas" destruídas. O alerta passou de laranja a vermelho, devido ao prognóstico de agravamento da onda de calor que teima em não dar descanso.
Na Croácia também se luta contra as chamas, com as temperaturas a bater recordes. Em Montenegro, "um soldado morreu e um outro ficou gravemente ferido quando"o camião-cisterna onde seguiam para ir apoiar o combate aos fogos, capotou.
Na Albânia, "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país. Houve necessidade de evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat."
Na Grécia, os incêndios começam a ser cada vez mais uma realidade, mas longe de serem normais ou aceitáveis, num país onde "nas últimas 24 horas deflagraram 152 novos incêndios." Estão a combater as chamas cerca de "cinco mil bombeiros." Os incêndios que afetam o território já levaram "à retirada de centenas de pessoas das ilhas de Chios e Zakynthos. Já em Patras, durante a noite, o fogo destruiu casas, empresas e viaturas. Pelo menos 13 bombeiros foram tratados por queimaduras e outros ferimentos."
Em Itália a situação também se aproxima de catastrófica: "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país." Os diversos incêndios que atingem a Península fizeram "evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat." Na região da Sardenha, um menino de apenas quatro anos, "de origem romena," foi deixado numa viatura, acabando por sucumbir.
E por cá?
Por cá esperemos que não se repita 2017...
Por aqui continuam os incêndios a devastar vastas áreas de pinhal, mato e vinhas, a ameaçar casas e animais, a destruir quintais, armazéns e muitos outros bens, pondo a vida da população em risco. Pergunto-me (e muitos se perguntam como eu) o porquê de não se ter ainda ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Foram pedidas imagens de satélite há uns dias, à União Europeia, mas o que é que falta acontecer para que se solicitem meios?
Não é só uma questão de números... mas de desgaste dos operacionais! De desgaste das viaturas, de avarias que são próprias de acontecer perante o esforço a que estas viaturas são sujeitas! A 30 de julho, o "secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha," disse que o Governo estava "a fazer o necessário para garantir a disponibilidade de 76 meios aéreos, insistindo que o contributo destes meios para apagar incêndios depende das caraterísticas dos fogos." Para quem não está no terreno, os meios são os suficientes... como se quem lá estivesse não quisesse fazer mais. Para os autarcas das regiões afetadas, para as pessoas que lá vivem, para quem está a perder aquilo que levou uma vida a conseguir, os meios nunca serão os suficientes. Estou incrédula perante a demora de se perceber que esses meios não estão a atuar, não os 76... e bem que eram necessários!
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/espanha-dois-mortos-e-varios-feridos-nos-incendios_v1676167
https://pt.euronews.com/2025/08/10/nova-vaga-de-calor-prossegue-sem-treguas-no-sul-da-europa
Até os jornalistas.
Seis foram calados, seis que estavam numa tenda "perto do portão principal do hospital de al-Shifa, na Cidade de Gaza". Cinco jornalistas eram da Al Jazeera e um era freelancer, um dos poucos que conseguem entrar no território. Israel, dificulta cada vez mais a entrada de quem pretende mostrar a verdade, de quem quer mostrar os ataques, a fome... a morte. Não foi a primeira vez que o exército israelita, justifica a morte de jornalistas, afirmando que estes "pertencem" a células terroristas.
Esta é uma guerra em que ninguém irá ganhar, mas são principalmente os palestinianos quem está a sofrer mais. Tudo isto é inaceitável. Os ataques indiscriminados, a fome que se propaga, a destruição dos hospitais e, cada vez mais, os ataques à imprensa, a proibição imposta para que as notícias não cheguem. Não querem que saibamos o que se passa - e quanto não saberemos, nunca chegaremos a ver, talvez felizmente - que assistamos ao genocídio de um povo. Um povo a quem nem se deu hipótese de lutar, pois para tal não tem capacidade, perante sucessivos ataques. Um dia, quando não houver mais nada para destruir, estarão lá os reféns ainda, para serem salvos? Estará lá alguém do Hamas à espera de ser "apanhado"? Não me parece. Estarão os mortos e os quase mortos, os desistentes, moribundos e resistentes.
De acordo com as Nações Unidas, já morreram "242 jornalistas palestinianos", no enclave palestiniano, desde 7 de outubro de 2023, numa clara violação do Direito Internacional Humanitário. A situação nesta região não é nova. Felizmente, agora temos conseguido ver, assistir, perceber, ser informados do que se passa. Quem não quer por lá os meios de comunicação social? Quem não quer que se mostre o que se passa?
É preciso pensar nisto.
Fontes:
https://www.jn.pt/mundo/artigo/ataque-israelita-cala-vozes-de-seis-jornalistas-em-gaza/17858136
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-israelita-mata-jornalistas-da-al-jazeera-em-gaza_n1675590
... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.
Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa.
Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".
Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...
O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.
O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...
Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.
A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.
Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Guerra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.
Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.
No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.
O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.
Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.
Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."
Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar?
A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."
Ver também:
https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777
https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410
https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933
Fontes:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o
https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945)
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