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Moçambique - 50 anos de independência

por Elsa Filipe, em 25.06.25

A 25 de junho de 1975 é proclamada a independência de Moçambique, depois de quase 400 anos de dominância portuguesa.

Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, que em 1498, durante as primeiras viagens para a Índia, sofre as primeiras incursões portuguesas que dariam "início ao período de ocupação de Moçambique", com a instalação de "feitorias em Sofala e Moçambique." Em 1569, Moçambique passa a ser nomeado como "capitania-geral, englobando a região de Sofala e a do Monomotapa."

 A exploração do território e dos seus recursos naturais, em especial o ouro existente "em grandes quantidades," e que permitia a aquisição das especiarias asiáticas, levou ao aumento do interesse da Coroa Portuguesa por aquela região. "Para além do ouro procedia-se à extração de cobre e prata e à comercialização do marfim."

As feitorias viam-se a braços com a oposição dos habitantes dessa região, mas o aumento das trocas comerciais, resultantes da exploração dos minérios, viria a resultar "na criação de uma feitoria na zona da cidade de Lourenço Marques nos finais do século XVI," época em que "Moçambique continuava a depender administrativamente da Índia."

"Durante o século XVII as jazidas de ouro e prata tinham-se esgotado," e o marfim passa então a ser "explorado em maior escala", além de se ter dado um aumento substancial da escravatura que passou "a fornecer a colónia brasileira." Ao longo da história, Moçambique sempre foi um território de grande interesse para a Coroa portuguesa, chegando mesmo a ser pensada a realização de uma ligação entre Angola e Moçambique. O "Ultimato britânico de 1890," viria a deitar por terra essa ideia - o conhecido Mapa Cor de Rosa. 

Em 1830 é abolida a escravatura, "o que provocou um forte abalo na economia da colónia e a procura de outros produtos que significassem lucro: ouro, prata e marfim." Durante o século XIX, o "colonialismo europeu em África atinge o seu auge." Portugal, depois de perder "o controlo do território brasileiro," começa a apostar "na expansão dos territórios africanos." Simultaneamente, "grande parte da região da África Oriental estava sob controlo britânico" que  acabou por solicitar várias "concessões às colónias portuguesas." A exploração de minas e a construção de caminhos de ferro passaram na sua maioria para empresas britânicas.

A "Inglaterra e a Alemanha lutaram pela posse dos territórios," principalmente em finais do século XIX inícios do século XX. Em 1902, "Portugal estabelece Lourenço Marques" como capital de Moçambique e começa a demonstrar novos interesses, mais ligados à exploração do algodão.

O fim da "Primeira Guerra Mundial," que daria a derrota à Alemanha, permitiu a Portugal "recuperar o território de Quionga (1919 - Conferência de Paz)." 

Mais tarde, Moçambique torna-se numa "colónia próspera e desenvolvida, atraindo milhares de portugueses e trabalhadores indianos," focando-se sobretudo nas plantações de arroz e de algodão. Mas a população mostra a sua insatisfação contra as políticas económicas e agrócolas que estavam a ser impostas pelo governo de Salazar. Além disso, "muitos cidadãos locais sentiam a sua tradição e cultura ser oprimida pela cultura externa de Portugal."

Em 1960, uma reunião entre "o governador do distrito de Cabo Delgado, o capitão de fragata Teixeira da Silva, e Garcia Soares," termina em conflitos com a população que se tinha juntado do lado de fora para tentar perceber o que estava a ser negociado. "O governador manda os polícias dispararem sobre os manifestantes, matando alguns: fontes locais referem 16 mortos" enquanto "o relatório militar indica 20" vítimas mortais. Anos mais tarde, a Frelimo indica "que foram 150 as vítimas; e outra fonte, Alberto Joaquim Chipande, num texto publicado no livro de Eduardo Mondlane Lutar por Moçambique, refere 600 mortos."

Durante a ditadura salazarista, Moçambique entra em guerra com Portugal. Em 1962,é criada a FRELIMO, resultando da junção de vários grupos nacionalistas, "entre os quais a União Nacional Africana de Moçambique (MANU), a União Nacional Africana de Moçambique Independente (UNAMI) e a União Democrática Nacional de Moçambique (UDEMANO)."

"No seu primeiro congresso, em setembro do mesmo ano, a FRELIMO declarava, nos seus estatutos, pretender acabar com a presença colonial e imperial portuguesa no país, conseguir a independência de Moçambique e defender as reivindicações dos cidadãos moçambicanos."

A guerrilha contava com o "apoio da União Soviética, China e Cuba," que lhes forneciam armamento, bem como com o apoio da Suécia, que apoiou o movimento "ao nível político e financeiro, durante todo o conflito." Segundo Samora Machel, a Frelimo lutava "contra o colonialismo e o imperialismo (representado pela presença de capitais norte-americanos, ingleses, franceses, alemães e japoneses." Os EUA e a NATO, à qual entretanto Portugal tinha aderido, insistiam na descolonização, mas Portugal, na época governado por Salazar, conseguiu manter as suas colónias, "forçando os grupos nacionalistas de Moçambique a procurarem ajuda junto da União Soviética."

Embora pequena, a "facção militar da FRELIMO", então liderada por "Filipe Samuel Magaia," e que tinha recebido "treino na Argélia," combatia ativamente contra as tropas portuguesas, "comandadas pelo General António Augusto dos Santos." A "desvantagem" militar, acbou por ser suplantada pela quantidade e quantidade de armamento de que dispunham, contra os velhos rádios da Segunda Guerra Mundial e as armas obsoletas que estavam a ser enviados para os combatentes portugueses.

Em 1964, a FRELIMO tenta negociar a paz, mas a conversação acabou por ser abandonada  a "25 de Setembro do mesmo ano," quando "Eduardo Mondlane iniciou ataques de guerrilha a alvos na região norte de Moçambique a partir da sua base na Tanzânia." A Frelimo aproveitava também o conhecimento muito mais vasto que tinha o território, bem como das fortes chuvadas que ocorriam na época das monções. Assim, tornava-se para os militares portugueses "bastante mais difícil" perseguir os "guerrilheiros por via aérea, anulando a superioridade aérea de Portugal, e mesmo por via terrestre" era muito mais complicado movimentar ou circular com os carros de combate pelas estradas completamente alagadas. "Por seu lado, as tropas rebeldes, com o seu equipamento mais leve, eram capazes de escapar pelo mato e juntarem-se às populações locais, passando despercebidas."

Em 1967, Mondlane acaba por solicitar "apoio externo," em particular à União Soviética e à China, que lhes fornece "metralhadoras de grande porte, armamento antiaeronave, espingardas sem recuo de 75 mm e lança-granadas-foguete de 122 mm." Entretanto, nos "anos 60 e início dos 70, para combater a crescente insurgência das forças da FRELIMO e mostrar aos portugueses, e ao mundo, que todo o território estava sob controlo, o governo português acelerou o seu programa de desenvolvimento para expandir e melhorar as infraestruturas de Moçambique, criando novas estradas, caminhos-de ferro, pontes, barragens, sistemas de irrigação, escolas e hospitais para estimular um ainda maior nível de crescimento económico, e apoio da população local." Em 1969, inicia até a construção da "barragem de Cahora Bassa" que via como "uma forma de demonstrar a Moçambique a força e a segurança do governo colonial português. Para mostrar as suas intenções, Portugal enviou um contingente de 300 soldados e mais de 1 milhão de minas para defender este projeto."

A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane é assassinado," ao que se sabe, por uma "bomba colocada numa encomenda" que foi enviada "para o seu escritório em Dar es Salaam. Dentro do pacote estava um livro que continha um sistema de detonação que foi acionado" aquando da sua abertura. A bomba em causa terá sido enviada oela própria PIDE, mas outras fontes, alegam que "Mondlane terá sido morto com uma bomba colocada debaixo da sua cadeira na sede da FRELIMO, e que os responsáveis nunca foram identificados."

Entre 1970 e 1974, a "FRELIMO intensificou as suas operações de guerrilha, especializando-se em terrorismo urbano e aumentando a "utilização de minas" que podem ter sido as causadoras de, pelo menos uma taxa de "duas em cada três vítimas do lado dos portugueses." Esta realidade, trazia algum receio às tropas portufuesas, "associado a uma frustração de sofrer baixas sem mesmo ter visto o inimigo," o que "foi deitando por terra o moral dos homens e dificultando o progresso do lado português." Os combates sucediam-se com baixas em ambos os lados. Entre 1972 e 1974, a FRELIMO acaba por optar por uma outra "estratégia de ataque contra as comunidades dos colonos," atacando  "a linha de caminho de ferro Beira-Tete" e  foi atacada e, provonando em 1974, "o descarrilamento de um comboio na linha da Beira-Umtali." O conflito começa a tornar-se insustentável e, quando no início de 1974, "um ataque da FRELIMO" mata a "mulher de um colono europeu, em Vila Pery," o sentimento de insegurança na região central de Moçambique" agrava-se. Dois dias depois deste ataque, "tanto o comércio desta cidade, como o da Beira, encerra em sinal de luto," e ocorrem "violentas contestações da população branca contra os militares," acusados de nada terem feito.

Francisco da Costa Gomes, general português, "parte para Moçambique para se inteirar sobre estes acontecimentos" e, perante a gravidade dos acontecimentos, o "Movimento das Forças Armadas (MFA) reúne-se, e expõe as suas preocupações ao General Spínola" que entretanto tinha assumido o governo do Estado. "Neste novo contexto do conflito, Costa Gomes demite o comandante da Região Militar de Moçambique. No entanto, em Lisboa também se dão movimentações políticas e, em Março, tanto Costa Gomes como Spínola, são demitidos, o que determina o fim das operações militares em Moçambique." Depois da Revolução de Abril, as tentativas de acordo de Paz continuam, mas é só em agosto de 1974, que a FRELIMO cessa "a sua atividade militar contra os portugueses."

"As negociações entre a administração portuguesa, através do MFA, e a FRELIMO culminaram na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de Setembro de 1974 na Tanzânia, com a transferência de soberania para as mãos da organização moçambicana."

Depois de 400 anos de ocupação e colonalização, Moçambique é finalmente independente. Mas os 50 anos que se seguiram, foram tudo menos pacíficos. O primeiro governo moçambicano foi liderado pelo presidente Samora Machel.

A 8 de agosto de 1976, "forças da Rodésia invadem Moçambique, alegadamente em perseguição de nacionalistas do Zimbabué. A África do Sul, que estava ainda sob domínio do regime segregacionista do 'aparheid', anuncia a realização de exercícios militares na fronteira." Em outubro desse mesmo ano, é formada a "Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), movimento apoiado, no início, pelos serviços secretos da Rodésia."

A Renamo, viria a ser "a principal força de oposição à governação da Frelimo," liderada por  "André Matsangaissa." Este movimento de guerrilha "é fundado em Salisbúria (Harare), sob a organização de Ken Flower, chefe dos serviços secretos rodesianos e Orlando Cristina, antigo membro da PIDE-DGS, a polícia política da ditadura portuguesa. As primeiras ações registam-se na Gorongosa, no centro de Moçambique." 

André Matsangaíssa, é morto "num confronto contra as forças governamentais na região centro de Moçambique (Vila Paiva)," em outubro de 1979, passando "Afonso Dhlakama" a ser o novo líder do grupo, "que projeta o movimento num exército de guerrilha que vai dar início a 16 anos de guerra civil."

A 13 de abril de 1983 é assassinado o "secretário-geral da Renamo, Orlando Cristina," sendo então substituído por "Evo Fernandes, até então representante da Renamo em Portugal." No ano seguinte, a "África do Sul e Moçambique assinam" o "acordo de Nkomati, que previa o fim das agressões mútuas, encerramento das bases do Congresso Nacional Africano (ANC) em Moçambique e o fim do apoio sul-africano à Renamo, um entendimento que não chegou a ser cumprido pelas duas partes." Em setembro desse mesmo ano, a Frelimo começa a alterar algumas das suas "estratégias" e ideologias "políticas para conseguir apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI)" e também do "Banco Mundial (BM)."

A 19 de outubro de 1986, o "primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, morre num acidente de aviação em Mbuzini, nos montes Libombos (África do Sul), durante uma deslocação entre Lusaca (Zâmbia) e Maputo. A chefia do Estado é assumida por Joaquim Chissano."

A 21 de abril de 1988, é assassinado em Cascais, Portugal, o s"ecretário-geral da Renamo, Evo Fernandes."

Só em 1990 seria adotada pelo país uma Constituição que permitia a existência de outros partidos. "O país passa a chamar-se República de Moçambique, abandonando o nome República Popular de Moçambique." Isto vem trazer também algumas alterações a nível económico e social: as "companhias do Estado" passam a poder "ser privatizadas," podem ser formados "partidos políticos" e a liberdade de expressão começa a ser uma realidade. A 4 de outubro de 1992 é finalmente celebrado em Roma, um "Acordo Geral de paz", depois de quase "dois anos de conversações mediadas pela Comunidade de Santo Egídio, para travar uma guerra civil dos 16 anos, que matou mais de um milhão de pessoas, direta e indiretamente." Dois anos depois, sob observação da ONU, são realizadas as primeiras "eleições multipartidárias," nas quais "participam mais de seis milhões de eleitores." Além da Frelimo e da Renamo, foram a votos outros 12 partidos. "Nas legislativas, a Frelimo vence as eleições com maioria absoluta, com 44 por cento, e Joaquim Chissano, do partido no poder, é eleito Presidente, com 54% de votos, embora o resultado tenha sido contestado por Dhlakama."

Em janeiro de 1995, "Moçambique passa a ser membro da Commonwealth."

Em janeiro de 1999, novas eleições voltam a dar o poder a Joaquim Chissano, apesar das críticas da Renamo. Em novembro do ano seguinte, protestos da parte dos apoiantes da "Renamo contra as eleições de 1999" terminam com "a morte de pelo menos 40 pessoas. Poucas semanas depois, 83 pessoas que tinham sido presas nas manifestações morrem sufocadas numa cela de prisão com 21 metros quadrados."

Em dezembro de 2004, "Armando Guebuza vence as eleições presidenciais," sendo reconduzido em 2009, "ao cargo de Presidente do país, com 75 % dos votos."

A 21 de outubro de 2013, "forças governamentais" da Frelimo, "tomam a base da Renamo na Gorongosa. A Renamo anuncia o fim do Acordo de Paz de 1992." A 5 de setembro de 2014 viria a ser assinado um novo acordo, entre "o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama," designado como Acordo sobre "a Cessação das Hostilidades Militares em Moçambique." Cerca de um mês depois, "Filipe Nyusi," vence as presidenciais" com uma maioria assinalável, que vem mais uma vez pôr em causa a paz.

Em 2016, é descoberta a contração de dívida pelo governo moçambicano, efetuada "sem o conhecimento do parlamento e dos parceiros financeiros," e que envolveu "mais de dois mil milhões de dólares." Com o conhecimento deste escândalo, o "Fundo Monetário Internacional (FMI) e, mais tarde, o Banco Mundial cortam" muito do apoio dado a "Moçambique." Vários "parceiros internacionais do país seguem o mesmo caminho."

Em outubro de 2017, um grupo ligado ao Estado Islâmico ataca "Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, norte de Moçambique." Dezenas de pessoas ficam feridas em resultado deste ataque.

Em agosto de 2019, a "Frelimo e a Renamo assinam um novo acordo no Parque Nacional de Gorongosa: o Acordo de Cessação Definitiva de Hostilidades Militares." A 15 de janeiro de 2020, "Filipe Nyusi é reeleito Presidente da República de Moçambique."

No mesmo ano, em agosto, grupos rebeldes "tomam a vila de Mocímboa da Praia e os confrontos com as Forças de Defesa e Segurança deixaram um número até hoje desconhecido de mortos, incluindo elementos da força marítima, além de várias infraestruturas destruídas. O grupo ficaria instalado em Mocímboa por quase um ano." Em março de 2021, um novo ataque terrorista ocorrido em "Palma, Cabo Delgado, região norte, levou a multinacional TotalEnergies a suspender o megaprojeto de exploração de gás natural. Durante a incursão terrorista, um número não especificado de estrangeiros ligados aos projetos de gás são mortos." Este ataque chamaria a "atenção internacional para o drama da violência na província" de Cabo Delgado.

Em outubro de 2023, os resultados das eleições autárquicas, levam a que a Renamo convoque diversas manifestações. É na "cidade de Maputo, onde o candidato da Renamo, Venâncio Mondlane, na altura ainda como membro daquele partido, lidera mais de 50 marchas pela capital," que ocorrem as ações mais violentas, "algumas das quais com registo de confrontos entre a polícia e os manifestantes."

Em outubro do ano seguinte, realizam-se novas eleições, que levam à "proclamação, mais tarde, da vitória de Daniel Chapo e da Frelimo." Alguns apoiantes de Mondlane, são assassinados, o que intensifica as "manifestações pós-eleitorais," em repudio não só à "morte dos aliados de Mondlane," mas "também contra os resultados eleitorais, naquela que ficaria conhecida como a pior contestação aos resultados eleitorais que o país conheceu. Cerca de 400 pessoas morreram em resultado de confrontos com a polícia em quase cinco meses."

Daniel Chapo toma posse como o quinto Presidente de Moçambique, o primeiro chefe de Estado nascido após a independência, "sob forte contestação após um escrutínio marcado por protestos que fizeram cerca de 400 mortos em confrontos entre os manifestantes e a polícia." Chapo e Mondlane encontram-se em março deste ano. O país passa ainda por diversos problemas, como a fome, a pobreza e a escassez de recursos educativos. No seu discurso nas comemorações dos 50 anos de independência, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, "salientou o aumento do número de escolas em Moçambique, para formar as gerações do futuro e desenvolver o país." No entanto, a qualidade da educação é questionada pelo "político João Massango," que critica o discurso de Chapo, destacando como contradição as crianças que ainda têm de "estudar debaixo de uma árvore e as salas de aula" com turmas compostas  por "120 alunos."

 

 Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-06-25-50-anos-de-independencia-principais-acontecimentos-do-ultimo-meio-seculo-em-mocambique-183cc94c

https://www.dw.com/pt-002/50-anos-de-independ%C3%AAncia-n%C3%A3o-queremos-fome/a-73042228

https://www.infopedia.pt/artigos/$exploracao-e-colonizacao-de-mocambique

https://portaldogoverno.gov.mz/geografia-de-mocambique/

 

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publicado às 23:14

Portugal, alega ser um país neutro, no que à questão do ataque ao Irão concerne, mas o que está agora em cima da mesa é se, o uso da base das Lajes, pode ser considerado como um apoio aos EUA no ataque às instalações iranianas. Todos sabemos do papel importante que a base das Lajes, no arquipélago dos Açores, teve durante a 2ª Guerra Mundial. "Em 1943, os britânicos instalaram-se nos Açores, nas Lajes, com esquadrilhas de aviões preparados para o combate aos submarinos. Depois da II Guerra Mundial foram os americanos a utilizar a base, que é também partilhada com unidades portuguesas."

De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa, acaba por se confirmar a existência de uma "autorização para que 12 aviões reabastecedores norte-americanos utilizassem a Base das Lajes." Mas poderia ter sido de outra forma? Este acordo bilateral, permite o uso da base pelos EUA e, embora tenha sido afirmado que "os aviões não foram utilizados para fins ofensivos," a verdade é que, os "bombardeiros que vieram dos EUA para o Irão, em algum momento da viagem, realizaram operações de reabastecimento." Esta base acaba por funcionar, como um centro de abastecimento, apresentando-se como "a segunda maior capacidade de abastecimento da Força Aérea norte-americana fora de território norte-americano, sendo a maior na Europa para estas funções."

De acordo com o gabinete do ministro da Defesa, trata-se de "um procedimento habitual" e que "as aeronaves que se encontram nos Açores são aviões de reabastecimento aéreo". O Ministério da Defesa esclarece ainda que, Portugal, além de conceder "autorizações específicas, trimestrais ou permanentes de sobrevoo e aterragem," aos EUA, as concede também a "muito outros países". Portugal não fica, assim, diretamente "envolvido no conflito Estados Unidos-Irão." Mas apesar de, formalmente, até poder nem ter sido comunicado o propósito da missão, acho que seria fácil de perceber e enquadrar o uso desta base, nas atuais circunstâncias.

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-museu-da-base-das-lages/

https://rr.pt/especial/mundo/2025/06/23/irao-pede-esclarecimentos-a-portugal-sobre-autorizacao-de-avioes-americanos-nas-lajes/430149/

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/23/base-das-lajes-esta-a-fazer-se-uma-tempestade-num-copo-de-agua

 

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publicado às 07:38

Razões que a razão desconhece

por Elsa Filipe, em 19.06.25

Sou só eu que acho que atacar uma central nuclear, pode correr mal, mesmo muito mal?

Ou será que a ideia é destruir a central e, aproveitando, destrruir um ou dois países ali à volta, já que não nos "estamos" a entender com eles? É que, sinceramente, isto está a começar a cheirar muito mal. Segundo afirmou Donald Trump, "ainda não decidiu se vai intervir militarmente," embora exista a possibilidade de "apoio a um ataque israelita às instalações nucleares do Irão." O Irão acusou ainda "a Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas de agir como parceira da guerra de agressão de Israel." Aquilo que parece estar aqui em causa, não é só a guerra entre o estado judaico de Israel e o regime autocrático do Irão, mas abrange outras duas grandes potências - os EUA e a Rússia. E está a ser complicado perceber quem está a apoiar quem, havendo interesses que vão muito além da política externa da qual se vai falando por aí.

O Irão acabou, há poucas horas, por se manifestar contra o apoio dos "Estados Unidos" a Israel, "avisando que tal ação teria como consequência uma resposta severa”. Já numa declaração feita numa visita ao Líbano, a intervenção do "Hezbollah, movimento armado libanês apoiado pelo regime iraniano," é visto pelos EUA como uma "péssima decisão."

A guerra entre o Irão e Israel não é nova - aliás tem décadas - mas as coisas parecem ter piorado de uma semana para a outra assim "do nada". Voltemos a 2010, quando um "vírus informático Stuxnet - amplamente atribuído aos serviços secretos norte-americanos e israelitas - desativou as centrifugadoras iranianas." Já em julho de 2020, um ataque alegadamente de origem israelita terá danificado "gravemente uma central de centrifugação em Natanz e, mais tarde nesse ano, o cientista nuclear de topo Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado perto de Teerão." No ano seguinte, "o Irão voltou a culpar Israel por um apagão em Natanz e, pouco depois," terá começado "a enriquecer urânio a 60%." Em 2022, estas acusações foram aumentando "ainda mais, com o Irão a acusar Israel de envenenar dois dos seus cientistas nucleares sem apresentar provas." As relações entre os dois estados agravaram-se ainda mais quando, depois dos ataques de 7 de novembro, o Irão "manifestou o seu apoio" ao Hamas. 

Os ataques mútuos, apesar de frequentes, não eram diários e andávamos talvez distraídos com outras guerras. Depois de diversos "atos de sabotagem e ataques aéreos," foi lançada no "início de 2024, uma operação israelita" que resultou em danos num "gasoduto iraniano."  A 1 de abril do mesmo ano, "um ataque com mísseis destruiu o consulado do Irão em Damasco, matando dois generais e 14 outras pessoas."

Em retaliação, "o Irão lançou mais de 300 mísseis e drones num ataque direto a Israel, a maioria dos quais" acabou por ser "intercetada." Em outubro seguinte, "Israel conduziu os seus primeiros ataques diretos no interior do Irão, visando as defesas aéreas e locais onde existiam mísseis." A Mossad tem aqui um papel importante, por ter sido responsável por montar "uma base secreta para drones explosivos no interior do Irão semanas antes da operação, que foi posteriormente utilizada para atacar plataformas de mísseis superfície-superfície."

Na passada sexta-feira, Israel anunciou que iria avançar com "uma operação militar de grande envergadura contra alvos nucleares e militares no Irão, sob o nome de Lion Rising," referindo que pretende “eliminar a ameaça iraniana à existência do Estado hebreu”. Durante esta última semana, a Mossad terá investido pelas "profundezas do território iraniano, visando sistemas de mísseis, defesa aérea e infraestruturas nucleares."

Durante esta noite foram lançados vários mísseis de parte a parte. Um hospital israelita, "em Be'er Sheva, no sul," bem como um outro em "Holon e Ramat Gan, no centro do país," acabaram por ser atingidos. O balanço mais recente é de "65 pessoas" feridas, embora de forma "leve". Israel fala em crime de guerra, porque o ataque atingiu alguns edifícios hospitalares - faz-me lembrar alguma coisa, hum... a vocês não? Um outro míssil iraniano terá também conseguido "furar" a Hiron Dome israelita e acabou por atingir "a base de um arranha-céus na rua Jabotinsky em Ramat Gan, perto do centro de Telavive e a cerca de 200 metros da bolsa de diamantes da cidade."

Entretanto, as "Forças de Defesa de Israel" atacaram "dezenas de alvos militares no Irão e foi emitido um aviso instando os civis a evacuar a área em torno do reator de água pesada de Arak." Os EUA já reforçaram as suas bases militares no Médio Oriente, tentando, entre outras coisas, evitar o "encerramento do Estreito de Ormuz."

O que a mim também não me faz sentido - mas que vindo daqueles lados, já começa a parecer normal - é a intenção demonstrada por Vladimir Putin de ser mediador do "fim do conflito entre Israel e o Irão, ao mesmo tempo que Moscovo intensifica a sua guerra contra a Ucrânia." A Rússia, alertou para as consequências de um "eventual" apoio dos "Estados Unidos contra qualquer intervenção militar no conflito entre o Irão e Israel," dizendo que estas pode ser "verdadeiramente imprevisíveis.” O presidente russo chegou mesmo a sugerir "que o Kremlin poderia ajudar a negociar um acordo que permitisse a Teerão prosseguir um programa nuclear pacífico, ao mesmo tempo que atenuaria as preocupações de segurança de Israel." Que interesse está por trás desta mediação e que solução poderia aqui ser encontrada, tendo em conta os interesses dos envolvidos?

E deixo aqui outra questão. Parece que estamos longe e que não é nada que nos possa atingir, mas sabemos que não é bem assim. De que lado se coloca a UE? As opiniões dividem-se, mas há que explicar que a "UE considera que o Irão é a principal influência desestabilizadora no continente europeu, através do seu apoio militar à Rússia."

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/06/19/putin-diz-que-russia-pode-mediar-acordo-entre-israel-e-irao-enquanto-intensifica-ataques-a

https://pt.euronews.com/2025/06/19/hospital-no-sul-de-israel-atingido-por-missil-iraniano-informam-as-autoridades

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/19/ue-dividida-quanto-ao-direito-de-israel-bombardear-o-irao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-no-medio-oriente-a-evolucao-do-conflito-entre-israel-e-irao_e1663271

https://pt.euronews.com/2025/06/13/cronologia-como-ocorreu-a-escalada-do-conflito-entre-israel-e-o-irao

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publicado às 15:20

Quando se morre... apenas por querer comida!

por Elsa Filipe, em 17.06.25

A cada dia que passa sinto-me dividida. Entre falar das férias que já antecipo, ou do medo de que não se cheguem a realizar... entre escrever sobre a felicidade que é estar numa esplanada a comer um gelado que pinga doçura e a fome de quem nada tem e ainda morre quando aguarda que lhe seja largada comida. Dizer que estou triste, é pouco. Sinto-me sem esperança. E perder a esperança, é o limite a que se chega quando o mundo nos parece um sítio negro.

O mundo tem sido atingido por catástrofes, temos ultrapassado tanta coisa, mas nada se compara à maldade humana. Nada é pior do que a falta de compaixão, a absurda incompetência de quem se acha senhor de um país, dono de um Estado, de pôr fim à barbárie que vai corroendo a superfície deste torrão.

Na Palestina, 45 pessoas foram assassinadas de forma bárbara, enquanto aguardavam que lhes fosse distribuída comida. Os rostos estão magros da fome, os olhos desesperados por algo que não sabem se chega, por alguém que os olhe e os acolha. Segundo "fontes da Defesa Civil de Gaza," estas 45 pessoas, foram "vítimas de disparos israelitas contra o centro de ajuda humanitária." A "agência de notícias norte-americana," chama-lhe "incidente."

Apesar de não assumir a culpa desta matança, Israel assume que "nas últimas semanas" foram disparados "tiros de aviso contra pessoas" que se tinham aproximado das forças "de forma suspeita".

"As autoridades sanitárias locais, controladas pelo Hamas, afirmam que foram mortas dezenas de pessoas e centenas ficaram feridas desde a abertura no mês passado de pontos de distribuição de alimentos geridos por um grupo apoiado pelos EUA e Israel." Já no final de maio, as forças "militares israelitas" alvejaram um grupo de pessoas que "invadiu um centro de distribuição de ajuda humanitária em Gaza, provocando 47 feridos." Autoridades, associações e ONG deveriam estar a unir esforços para a paz, não para a guerra. 

"A Organização das Nações Unidas tem reiterado que não há lugar seguro para as crianças na região, e os números são alarmantes: nos últimos meses, milhares de crianças perderam a vida devido aos bombardeamentos das forças armadas israelitas." A abertura de corredores humanitários não tem sido eficiente e, isso tem levado à morte de centenas de bebés. Cerca de "14 mil bebés" encontram-se "em risco de morte iminente devido à falta de alimentos e medicamentos." Locais que deveriam ser seguros, neutros, acolhedores, estão a ser bombardeados. "Escolas e hospitais," acabaram por se tornar "alvos de ataques indiscriminados. Muitas crianças foram mortas ou mutiladas enquanto" se procuravam abrigar "em locais que deveriam protegê-las. A ONU tem apelado repetidamente para um cessar-fogo imediato e para que todas as partes envolvidas respeitem o direito internacional humanitário."

 

Fontes:

https://www.jn.pt/1578752038/mortos-a-tiro-45-palestinianos-que-esperavam-ajuda-alimentar/

https://iacrianca.pt/2025/06/comunicado-a-tragedia-das-criancas-de-gaza/

 

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publicado às 22:20

Aqueles que normalizam a violência

por Elsa Filipe, em 16.06.25

Aquilo que mais me tem surpreendido nos últimos dias, tem sido a normalização da violência. Será que é normal haver mísseis a sobrevoar os céus de uma cidade durante a noite? Será que alguém considera normal, famílias a correr para os abrigos, sempre que as sirenes anunciam que se estão a aproximar novos ataques?

E não há bons e maus, quando os ataques se dirigem à população civil... "Os últimos ataques iranianos atingiram mais cidades israelitas e provocaram muitas mortes e dezenas de feridos," enquanto se multiplicam também as vítimas iranianas, com a população a começar a fugir, muitos abandonando "o país através da fronteira com a Turquia."

As escolas são fechadas e as crianças vêem a sua vida a ser totalmente alterada, podendo sofrer trauma psicológico (além de físico). Muitos outros serviços acabam também por ser encerrados. "Os hotéis são um dos poucos edifícios que se mantêm de portas abertas e que acolhem desalojados." Muitos, têm de receber hóspedes que ficaram retidos, devido ao fecho do espaço aéreo, e isso implica ter de se adaptar "à rotina dos abrigos que existem em cada piso" do hotel.

De acordo com Paulo Rangel (MNE), já saíram ontem [domingo], por nossa mão, por terra, quatro portugueses para o Azerbaijão. Entretanto já tinha saído um pela Turquia, há ainda três expatriados, mas que têm meios próprios para regressar." É que quando cai a noite, a situação complica-se em ambos os lados. Um dos primeiros ataques acabou por atingir e provocar uma "forte explosão" numa "fábrica iraniana de processamento de gás natural. Seria o primeiro ataque israelita à indústria do petróleo e gás natural do Irão."

A Tv estatal do Irão já foi mesmo atacada, levando à paragem da emissão por algum tempo, um hospital acabou também por ser atingido, além de várias outras infraestruturas, como é o caso de uma central, "onde o urânio" é "enriquecido até 60% de pureza - próximo do grau necessário para o fabrico de armas - também foi atingida. No entanto, os pavilhões subterrâneos parecem intactos." Apesar de assumir alguns danos na estrutura, o Irão afirma que não há libertação de urânio para a atmosfera, nem houve subida dos valores de radiação nas proximidades.

Já Trump, que parece querer mandar em tudo - mas sem grande sucesso - a única coisa que parece ter feito para mediar este conflito, foi tentar envolver Putin. Talvez seja só impressão minha, mas isto ainda vai piorar antes que vejamos melhorias no terreno. "Os serviços secretos norte-americanos e a Agência Internacional de Energia Atómica afirmaram repetidamente que o Irão não estava a procurar obter uma arma nuclear antes de Israel ter desencadeado a sua campanha de ataques aéreos contra o Irão a partir de sexta-feira." Já o Irão, afirma "que o seu programa nuclear se destina apenas a fins pacíficos."

Mas o conflito passa além fronteiras... na Síria, uma mulher perdeu a vida, alegadamente devido à "queda de um 'drone', afirmou este domingo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), estimando que o aparelho era provavelmente iraniano."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-no-medio-oriente-a-evolucao-do-conflito-entre-israel-e-irao_e1662329

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/hoteis-tornam-se-abrigos-para-moradores-de-edificios-atingidos-em-israel_a1662372

https://observador.pt/2025/06/16/portugal-ja-retirou-portugueses-do-irao-e-tem-em-curso-operacao-de-repatriamento-em-israel/

https://pt.euronews.com/2025/06/16/as-consequencias-dos-ataques-israelitas-as-instalacoes-militares-e-nucleares-do-irao-em-im

https://pt.euronews.com/2025/06/15/irao-e-israel-voltam-a-trocar-ataques-deixando-varios-mortos-e-dezenas-de-feridos

https://expresso.pt/expresso-fundamental/2025-06-13-irao-lanca-novo-ataque.-trump-admite-futuro-envolvimento-na-guerra-e-putin-como-mediador-efde434d

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publicado às 23:50

Sabemos que existem Portugueses espalhados por todo o mundo. Alguns em trabalho ou a estudar, muitos de férias e, claro, Israel não é exceção. De acordo com informações que vão chegando através da comunicação social, cerca de 40 portugueses estão à espera da "abertura do espaço aéreo em Israel"e da "chegada de um avião militar para o regresso a Portugal." O clima é tenso e assustador, havendo alguns portugueses a pedir já que seja enviado um avião militar para que sejam resgatados. A situação tem vindo a agravar-se, sendo que a embaixada portuguesa em Telavive, terá já disponibilizado "um contacto de emergência consular," que servirá "exclusivamente para questões de emergências e situações especiais diretamente relacionadas com o atual momento". Mantém-se como conselho, que não sejam realizadas "viagens não essenciais para Israel" ou para o Irão, tal como "quaisquer deslocações à Faixa de Gaza" e a "áreas imediatamente circundantes", "à Cisjordânia e à zona da fronteira israelo-libanesa e junto à Síria (Montes Golã)."

Israel continua a atacar o Irão, sendo que o ataque de sexta-feira a Teerão, terá causado a "morte de pelo menos 60 pessoas, incluindo 20 crianças, depois de ter atingido um edifício residencial ligado ao Ministério da Defesa." O ataque em larga escala, terá tido como justificação a notícia de que o Irão estaria apenas "a dias de conseguir desenvolver várias bombas nucleares."

Um "avião de reabastecimento aéreo," foi entretanto atingido pelo ataque israelita, "no aeroporto de Mashhad." Benjamin Netanyahu, ameaçou que "os ataques realizados até agora não são nada em comparação com o que o Irão verá nos próximos dias." Do lado iraniano, "Hossein Salami, líder das Guardas Revolucionárias," foi morto, bem como "o major-general Mohammad Bagheri."

Em Lisboa, o embaixador do Irão lançou ontem "críticas à atuação da União Europeia," que na sua opinião "devia ter a mesma posição" que foi adotada aquando do início do conflito na Ucrânia, ou seja: "Acusar e condenar esta brutalidade porque, com base no direito internacional, se o abuso de poder se tornar uma norma, então toda a gente pode atacar qualquer um". O embaixador, "Baghaei" acusou os EUA de estarem a compactuar com os ataques, afirmando que "o ataque israelita não teria ocorrido sem a permissão de Washington." Apesar de os EUA recusarem ter tido conhecimento antecipado, é verdade que foram enviados cerca de 300 mísseis americanos para Israel, os quais terão depois sido usados nos ataques da primeira noite.

O Irão retaliou contra estes ataques, lançando "centenas de mísseis contra território israelita, com explosões registadas sobre os céus das cidades de Telavive e Jerusalém." Uma mulher de 20 anos terá morrido e outras 13 pessoas terão ficado "feridas depois de um míssil ter atingido uma casa no norte do país." Já em "Tamra, uma cidade predominantemente palestiniana," um outro ataque terá morto "três pessoas."

De ambos os lados, quem sofre é a população. O Irão já ameaçou que o conflito poderá ser alargado, prometendo "retaliar também contra alvos dos EUA, Reino Unido e França." Se estes países continuarem a proteger Israel, os seus "barcos e bases militares" podem tornar-se alvos. Será apenas uma ameaça, ou irão pô-la em prática? O medo cresce para quem ainda se encontra em território de Israel.

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/ir%C3%A3o-diz-que-negocia%C3%A7%C3%B5es-com-eua-n%C3%A3o-fazem-sentido-ap%C3%B3s-os-ataques-israelitas

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataques-e-contra-ataques-iranianos-e-israelitas-continuam-a-espalhar-destruicao-e-morte_e1662146

https://www.publico.pt/2025/06/14/mundo/noticia/ataques-continuaram-madrugada-israel-atingido-sistemas-defesa-iranianos-2136627

https://www.publico.pt/2025/06/14/mundo/noticia/irao-ameaca-alargar-conflito-ate-onde-podera-ir-riscos-traz-nuclear-2136647

https://cnnportugal.iol.pt/mohammad-bagheri/guerra/chefe-das-forcas-armadas-do-irao-morto-no-ataque-macico-de-israel/20250613/684babecd34e3f0bae9f5624

https://pt.euronews.com/2025/06/13/embaixada-de-portugal-em-israel-cria-contacto-de-emergencia-face-a-escalada-do-conflito

 

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publicado às 19:06

Atentado mata ex-Congressista no Minnesota

por Elsa Filipe, em 14.06.25

A violência continua nos EUA e, desta vez, os alvos foram a ex-congressista "democrata do Minnesota," Melissa Hortman, e o seu marido, Mark Hortman. Os corpos de Melissa, que foi também "porta-voz da Câmara de Representantes" pelo Minnesota, e do marido, só foram descobertos depois da polícia ter sido chamada para a casa do "senador estadual John Hoffman (também ele democrata)" e da sua mulher, "Yvette," atacados a tiro. Os dois foram levados em estado grave mas ainda com vida para o hospital e a polícia foi verificar a casa da congressista, encontrando os dois corpos e ainda chegando a trocar tiros com o atacante.

"O governador do estado do Minnesota diz que os ataques têm motivações políticas." O suspeito é "Vance Boelter," um americano de "57 anos, mas ainda encontra em fuga. "Estava vestido" como se fosse "um agente da autoridade e foi assim que conseguiu entrar nas casas dos dois políticos, que distam cerca de 12 quilómetros uma da outra." De acordo com a CNN, o atirador teria dentro da viatura utilizada, "um manifesto com o nome de vários representantes estaduais e outros responsáveis – incluindo o de Melissa Hortman e de John Hoffman, mas também do próprio governador Tim Walz." Desta lista de potenciais alvos, constavam 70  nomes, incluindo "pessoas que prestam serviços para a interrupção voluntária da gravidez, defensores do aborto, e legisladores do Minnesota e de outros estados. A polícia também encontrou um cartão do Dia do Pai dirigido ao suspeito numa mala cheia de munições."

Melissa, "contribuiu para a aprovação de leis que alargaram os direitos ao aborto, legalização da marijuana e baixas médicas, quando os liberais tinham o controlo do Governo daquele estado." A questão do aborto é um ponto sensível na política interna dos EUA. A lei de 1973 que dava este direito às mulheres foi revogada em 2022. Em 2024, "dos 50 estados que compõem os Estados Unidos, em 21 o procedimento" era considerado "ilegal ou restrito." A polarização é bem visível, com "os estados dominados por democratas a manterem o direito à interrupção voluntária da gravidez e os estados dominados por republicanos a proibirem ou restringirem o acesso."

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publicado às 23:41

Guerra Israel - Irão

por Elsa Filipe, em 13.06.25

Como as coisas até estavam tranquilas e não havia nada com que nos preocuparmos, Israel atacou o Irão, lançando mísseis sobre o território vizinho. O Irão não fez esperar a resposta.

Um dos ataques veio a atingir a "instalação nuclear de Natanz," onde se desenvolve o "programa nuclear do Irão," danificando-a (segundo "a agência iraniana de energia atómica"). Segundo Israel, este ataque terá causado "danos na área subterrânea da central, onde se encontram centrifugadoras e material eléctrico," e que tinham "ainda" sido atacadas outras “infra-estruturas críticas”, "que permitem o funcionamento da central." O Irão refere que os danos foram apenas superficiais e que os níveis de radiação não terão sofrido alterações, acrescentando ainda que acrescentando que não tinha sido registada “nenhuma vítima."

A cidade de Tabriz, "incluindo o aeroporto local," foi também atacada esta manhã num "novo ataque da Força Aérea de Israel." O espaço aéreo iraniano encontra-se encerrado, uma vez que seria perigoso para a aviação comercial circular por ali - o sistema de defesa para conter bombardeamentos israelitas foi entretanto reativado.

Entretanto, a conferência da ONU para debater os dois estados (Israel - Palestina) foi adiada devido ao conflito. Os EUA estarão metidos neste ataque? Aquilo que sabemos é que, a escolher um lado, os EUA estarão certamente do lado de Israel e que já tinham instado o governo do Irão a que chegasse a "um acordo [sobre o seu programa nuclear] antes que não" restasse "mais nada", alertando na "sua rede social Truth Social "que a haver "futuros ataques" estes seriam "ainda mais brutais". No seu comentário na CNN, o "major-general Carlos Branco" afirmou que considerava "incontornável" que os EUA estivessem "envolvidos no ataque israelita ao Irão, restando apenas saber de que forma o fizeram."

Numa mensagem para o povo iraniano, Netanyahu fez saber que, durante as "últimas 24 horas," já tinham eliminado "os principais comandantes militares, os principais cientistas nucleares, a instalação de enriquecimento (de urânio) mais importante do regime islâmico e grande parte do seu arsenal de mísseis balísticos." Os dados de há cerca de uma hora, dizem-nos que os ataques "israelitas no Irão fizeram 78 mortos e mais de 320 feridos." Mas os ataques ainda não pararam e parece que vão piorar nas próximas horas. 

A retaliação, da parte do Irão, não se fez esperar. Em Telavive, as equipas de resgate terão entretanto prestado socorro a vários feridos, depois dos ataques com rockets, tendo ainda sido evacuados "34 feridos para hospitais" das proximidades.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/06/13/mundo/noticia/israel-lanca-ataque-precedentes-irao-responde-100-drones-2136523#112220

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/medio-oriente-israel-ataca-irao-com-instalacoes-nucleares-e-militares-como-alvo_e1661694

https://cnnportugal.iol.pt/videos/os-iranianos-foram-apanhados-em-contracurva-os-altos-dirigentes-em-vez-de-estarem-em-bunkers-estavam-em-casa-a-dormir/684c8c8f0cf20ac1d5f32fea

 

 

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publicado às 22:49

Queda de avião na Índia

por Elsa Filipe, em 12.06.25

Poucos segundos depois de descolar do "Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel," em "Ahmedabad", na Índia, um "Boeing 787-8 Dreamliner colidiu com um prédio usado como alojamento para médicos do Hospital Civil e da Faculdade de Medicina Byramjee Jeejeebhoy." A aeronave não terá atingido a velocidade necessária para a subida, acabou por parar e perder altitude, despenhando-se numa área residencial. A bordo seguiam 230 passageiros, dos quais sete deles tinham nacionalidade portuguesa. Havia ainda 169 indianos, 53 britânicos, um canadiano, além de 12 tripulantes. Apenas um homem sobreviveu, tendo saído do local do acidente a andar pelo seu pé. Dos sete passageiros com dupla-nacionalidade e que detinham passaporte português, “cinco estão registados no consulado de Londres e dois em Manchester," não tendo que se saiba, família a residir em Portugal.

"De acordo com a torre de controlo de tráfego aéreo do aeroporto, o avião chegou a emitir um mayday, sinalizando uma situação de emergência, mas não deu nenhum sinal depois disso. Os dados de voo terminam com o avião a uma altitude de 190 metros." A bola de fogo que se seguiu ao embate, terá tido origem nos depósitos de combustível do avião, que tinha Londres, em Inglaterra, como destino. 

De acordo com as equipas de resgate, foram evacuadas do local "41 pessoas" com "ferimentos graves, mas informações avançadas pelo comissário da polícia apontam para a morte das 242 pessoas a bordo do avião e de outras que estavam no local de embate. Pelo menos 204 corpos foram retirados das zonas junto ao desastre e ainda há pessoas ainda sob os escombros de alguns edifícios."

Ficamos agora a aguardar que as investigações (em que a FAA estará envolvida) tragam algumas respostas. Ficam as histórias de uma mulher que perdeu o voo e a de um rapaz que terá saltado de um 2º andar para fugir do local da colisão, escapando assim à morte, apesar de alguns ferimentos. Este é um dos piores desastres aéreos registado nos últimos anos.

No Japão, em janeiro do ano passado, uma colisão entre um "avião da Guarda Costeira" e um "Airbus A350," resultou na mortes dos "cinco passageiros do avião da guarda costeira."  Já o "avião civil operado pela Japan Airlines aterrou em Haneda em chamas" e os "367 passageiros e 12 tripulantes que se encontravam a bordo," acabaram por se salvar, tendo sido "retirados em segurança."

"Em julho, um Bombardier CRJ200 da Saurya Airlines, do Nepal, despenhou-se logo após a descolagem em Catmandu," levando à morte de "dezoito pessoas." Apenas o piloto sobreviveu ao desastre.

Em agosto, assistimos pelas redes sociais, à queda de "um ATR-72 da companhia aérea brasileira Voepass oriundo da cidade de Cascavel, no estado do Paraná." A aeronave "perdeu sustentação e caiu em espiral em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todos os ocupantes, 58 passageiros - incluindo uma portuguesa - e quatro tripulantes, morreram."

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceqg3pg0ly0o

https://www.publico.pt/2025/06/12/mundo/noticia/sabemos-desastre-aereo-india-2136418

https://www.dn.pt/internacional/avi%C3%A3o-com-destino-a-birmingham-despenha-se-no-aeroporto-de-ahmedabad-na-%C3%ADndia

https://www.jn.pt/3273869093/acidentes-aereos-os-ultimos-desastres-que-causaram-centenas-de-vitimas/

 

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publicado às 22:52

Ontem assinalou-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Esta data foi escolhida por ser a data (conhecida) da morte do poeta Luís de Camões. Este feriado começou, aiás, por ser celebrado apenas como feriado municipal em Lisboa, "dedicado a Camões," mas com o Estado Novo acabou por ser elevado "a feriado nacional, como o «Dia de Camões, de Portugal e da Raça»." A Revolução de 25 de abril, trouxe-lhe uma nova designação: "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses" - desaparecendo o termo "raça", usado pelo regime. Depois da vitória - no passado domingo - da equipa das quinas, contra a seleção espanhola, nada melhor do que homenagear os portugueses. 

Nesta data, presta-se homenagem a Portugal, aos portugueses, à cultura lusófona e à presença portuguesa por todo o mundo. São habitualmente feitas cerimónias públicas em que o Presidente da República e outras entidades, discursam. Este ano as celebrações realizaram-se em Lagos. Estas celebrações são uma boa "oportunidade de assistir ao desfile das forças armadas, em terra e no mar, à exposição dos meios militares, às bandas e orquestra militares e civil e, ainda, à atuação da charanga a cavalo da GNR, a única no mundo que executa trechos musicais nos três andamentos, a passo, a trote e a galope."

Nas comemorações deste ano, o Presidente da República condecorou o antigo Presidente da República, Ramalho Eanes, destacando também o trabalho das diferentes Forças Armadas Portuguesas. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o general "merece como ninguém o primeiro grande-colar da Ordem Militar da Avis, nunca atribuído".

O ainda Presidente da República, com a sua presença carismática, afirmou no seu discurso que "Isto é Portugal, os portugueses e as portuguesas, e nele os nossos combatentes, os nossos militares, esses militares que aqui estão, todos os anos pelo 10 de Junho, mas estão na nossa História desde que nascemos." Na sua originalidade, e não deixando de ser uma pessoa interventiva (às vezes mais do que o esperado e, quando não fala, acabamos por estranhar) e, neste discuros, lá foi dando achada daqui, bordoada dali, as suas palavras sobre a importância de sermos um país construído a partir de muitas culturas, de uma história rica em invasões e conquistas. Um país multicultural e, por isso, um país que é mais rico. Sobre as Forças Aramadas referiu que "Portugal foi um reino feito por esses soldados" e que hoje somos "uma pátria que vive em liberdade e democracia feitas por esses soldados".Mas muitos não interpretaram assim as palavras de Marcelo e criticaram a sua posição, não percebendo a alegoria das suas palavras. 

Enquanto isso, numa "cerimónia de homenagem aos ex-combatentes em Lisboa," alguns ex-militares insurgiram-se contra Gouveia e Melo e "contra o imã de Lisboa, convidado para a cerimónia."

Lídia Jorge, conselheira de estado e uma figura iimportante no panorama sócio-político e literário do nosso país, aproveitou para relembrar "o passado esclavagista de Portugal e a atualidade da obra de Camões, que viveu num fim de ciclo, tal como aquele em que o país se encontra atualmente." A escritora, alertou para "a possibilidade de loucos atingirem o poder" e contra "a fúria revisionista que assalta pelos extremos," dizendo ainda que "cada um de nós é uma soma do nativo e do migrante, do europeu e do africano, do branco, do negro e de todas as outras cores humanas. Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou."

O que mais me chocou - e o motivo para esta minha publicação no blogue - foram muitas outras coisas que se passaram à margem deste feriado: os apupos, os comentários, as agressões. O racismo, esteve todo o dia em discussão - muito, por causa de comentários e reinvindicações mais extremistas que se foram fazendo ouvir - e porque nesta data se assinala também um outro acontecimento, a morte de Alcino Monteiro, agredido com muita violência há 30 anos. Numa manifestação contra o racismo e, também, em "memória de Alcindo Monteiro, centenas de pessoas juntaram-se no centro de Lisboa, num percurso que foi desde o "local onde foi encontrado o corpo de Alcindo Monteiro, na Rua Garrett," e que terminou junto ao Largo do Carmo.

Um grupo de indivíduos - que durante a tarde tinha estado numa manifestação e já teria provocado outros desacatos - enxovalharam e agrediram alguns atores da companhia de Teatro, "A Barraca", quando estes se dirigiam para o teatro. Neste grupo, podem ter estado alguns dos intervenientes na morte de Alcino Monteiro.

O ator Adérito Lopes teve de ser levado ao hospital devido à gravidade dos ferimentos. A atriz Maria do Céu Guerra, explicou muito bem o que se passou e mostrou de forma muito precisa, que é preciso pôr fim a estes atos de violência. "Segundo o relato da encenadora, que exibiu para as televisões autocolantes da loja Pró-Pátria," este terá sido um ataque contra a liberdade de expressão e, um ato cobarde.

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas

https://www.dnoticias.pt/2025/6/10/452103-marcelo-termina-ultimo-discurso-com-homenagem-aos-militares-e-a-eanes/

https://www.publico.pt/2025/06/10/sociedade/noticia/luta-racismo-memoria-alcindo-monteiro-juntam-centenas-lisboa-2136227

https://www.rtp.pt/noticias/pais/insultos-racistas-e-a-gouveia-e-melo-em-homenagem-a-ex-combatentes_v1661173

https://www.rtp.pt/noticias/pais/somos-portugueses-porque-somos-universais-o-ultimo-discurso-de-marcelo-no-10-de-junho_e1660831

 

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publicado às 22:30

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