A 25 de junho de 1975 é proclamada a independência de Moçambique, depois de quase 400 anos de dominância portuguesa.
Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, que em 1498, durante as primeiras viagens para a Índia, sofre as primeiras incursões portuguesas que dariam "início ao período de ocupação de Moçambique", com a instalação de "feitorias em Sofala e Moçambique." Em 1569, Moçambique passa a ser nomeado como "capitania-geral, englobando a região de Sofala e a do Monomotapa."
A exploração do território e dos seus recursos naturais, em especial o ouro existente "em grandes quantidades," e que permitia a aquisição das especiarias asiáticas, levou ao aumento do interesse da Coroa Portuguesa por aquela região. "Para além do ouro procedia-se à extração de cobre e prata e à comercialização do marfim."
As feitorias viam-se a braços com a oposição dos habitantes dessa região, mas o aumento das trocas comerciais, resultantes da exploração dos minérios, viria a resultar "na criação de uma feitoria na zona da cidade de Lourenço Marques nos finais do século XVI," época em que "Moçambique continuava a depender administrativamente da Índia."
"Durante o século XVII as jazidas de ouro e prata tinham-se esgotado," e o marfim passa então a ser "explorado em maior escala", além de se ter dado um aumento substancial da escravatura que passou "a fornecer a colónia brasileira." Ao longo da história, Moçambique sempre foi um território de grande interesse para a Coroa portuguesa, chegando mesmo a ser pensada a realização de uma ligação entre Angola e Moçambique. O "Ultimato britânico de 1890," viria a deitar por terra essa ideia - o conhecido Mapa Cor de Rosa.
Em 1830 é abolida a escravatura, "o que provocou um forte abalo na economia da colónia e a procura de outros produtos que significassem lucro: ouro, prata e marfim." Durante o século XIX, o "colonialismo europeu em África atinge o seu auge." Portugal, depois de perder "o controlo do território brasileiro," começa a apostar "na expansão dos territórios africanos." Simultaneamente, "grande parte da região da África Oriental estava sob controlo britânico" que acabou por solicitar várias "concessões às colónias portuguesas." A exploração de minas e a construção de caminhos de ferro passaram na sua maioria para empresas britânicas.
A "Inglaterra e a Alemanha lutaram pela posse dos territórios," principalmente em finais do século XIX inícios do século XX. Em 1902, "Portugal estabelece Lourenço Marques" como capital de Moçambique e começa a demonstrar novos interesses, mais ligados à exploração do algodão.
O fim da "Primeira Guerra Mundial," que daria a derrota à Alemanha, permitiu a Portugal "recuperar o território de Quionga (1919 - Conferência de Paz)."
Mais tarde, Moçambique torna-se numa "colónia próspera e desenvolvida, atraindo milhares de portugueses e trabalhadores indianos," focando-se sobretudo nas plantações de arroz e de algodão. Mas a população mostra a sua insatisfação contra as políticas económicas e agrócolas que estavam a ser impostas pelo governo de Salazar. Além disso, "muitos cidadãos locais sentiam a sua tradição e cultura ser oprimida pela cultura externa de Portugal."
Em 1960, uma reunião entre "o governador do distrito de Cabo Delgado, o capitão de fragata Teixeira da Silva, e Garcia Soares," termina em conflitos com a população que se tinha juntado do lado de fora para tentar perceber o que estava a ser negociado. "O governador manda os polícias dispararem sobre os manifestantes, matando alguns: fontes locais referem 16 mortos" enquanto "o relatório militar indica 20" vítimas mortais. Anos mais tarde, a Frelimo indica "que foram 150 as vítimas; e outra fonte, Alberto Joaquim Chipande, num texto publicado no livro de Eduardo Mondlane Lutar por Moçambique, refere 600 mortos."
Durante a ditadura salazarista, Moçambique entra em guerra com Portugal. Em 1962,é criada a FRELIMO, resultando da junção de vários grupos nacionalistas, "entre os quais a União Nacional Africana de Moçambique (MANU), a União Nacional Africana de Moçambique Independente (UNAMI) e a União Democrática Nacional de Moçambique (UDEMANO)."
"No seu primeiro congresso, em setembro do mesmo ano, a FRELIMO declarava, nos seus estatutos, pretender acabar com a presença colonial e imperial portuguesa no país, conseguir a independência de Moçambique e defender as reivindicações dos cidadãos moçambicanos."
A guerrilha contava com o "apoio da União Soviética, China e Cuba," que lhes forneciam armamento, bem como com o apoio da Suécia, que apoiou o movimento "ao nível político e financeiro, durante todo o conflito." Segundo Samora Machel, a Frelimo lutava "contra o colonialismo e o imperialismo (representado pela presença de capitais norte-americanos, ingleses, franceses, alemães e japoneses." Os EUA e a NATO, à qual entretanto Portugal tinha aderido, insistiam na descolonização, mas Portugal, na época governado por Salazar, conseguiu manter as suas colónias, "forçando os grupos nacionalistas de Moçambique a procurarem ajuda junto da União Soviética."
Embora pequena, a "facção militar da FRELIMO", então liderada por "Filipe Samuel Magaia," e que tinha recebido "treino na Argélia," combatia ativamente contra as tropas portuguesas, "comandadas pelo General António Augusto dos Santos." A "desvantagem" militar, acbou por ser suplantada pela quantidade e quantidade de armamento de que dispunham, contra os velhos rádios da Segunda Guerra Mundial e as armas obsoletas que estavam a ser enviados para os combatentes portugueses.
Em 1964, a FRELIMO tenta negociar a paz, mas a conversação acabou por ser abandonada a "25 de Setembro do mesmo ano," quando "Eduardo Mondlane iniciou ataques de guerrilha a alvos na região norte de Moçambique a partir da sua base na Tanzânia." A Frelimo aproveitava também o conhecimento muito mais vasto que tinha o território, bem como das fortes chuvadas que ocorriam na época das monções. Assim, tornava-se para os militares portugueses "bastante mais difícil" perseguir os "guerrilheiros por via aérea, anulando a superioridade aérea de Portugal, e mesmo por via terrestre" era muito mais complicado movimentar ou circular com os carros de combate pelas estradas completamente alagadas. "Por seu lado, as tropas rebeldes, com o seu equipamento mais leve, eram capazes de escapar pelo mato e juntarem-se às populações locais, passando despercebidas."
Em 1967, Mondlane acaba por solicitar "apoio externo," em particular à União Soviética e à China, que lhes fornece "metralhadoras de grande porte, armamento antiaeronave, espingardas sem recuo de 75 mm e lança-granadas-foguete de 122 mm." Entretanto, nos "anos 60 e início dos 70, para combater a crescente insurgência das forças da FRELIMO e mostrar aos portugueses, e ao mundo, que todo o território estava sob controlo, o governo português acelerou o seu programa de desenvolvimento para expandir e melhorar as infraestruturas de Moçambique, criando novas estradas, caminhos-de ferro, pontes, barragens, sistemas de irrigação, escolas e hospitais para estimular um ainda maior nível de crescimento económico, e apoio da população local." Em 1969, inicia até a construção da "barragem de Cahora Bassa" que via como "uma forma de demonstrar a Moçambique a força e a segurança do governo colonial português. Para mostrar as suas intenções, Portugal enviou um contingente de 300 soldados e mais de 1 milhão de minas para defender este projeto."
A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane é assassinado," ao que se sabe, por uma "bomba colocada numa encomenda" que foi enviada "para o seu escritório em Dar es Salaam. Dentro do pacote estava um livro que continha um sistema de detonação que foi acionado" aquando da sua abertura. A bomba em causa terá sido enviada oela própria PIDE, mas outras fontes, alegam que "Mondlane terá sido morto com uma bomba colocada debaixo da sua cadeira na sede da FRELIMO, e que os responsáveis nunca foram identificados."
Entre 1970 e 1974, a "FRELIMO intensificou as suas operações de guerrilha, especializando-se em terrorismo urbano e aumentando a "utilização de minas" que podem ter sido as causadoras de, pelo menos uma taxa de "duas em cada três vítimas do lado dos portugueses." Esta realidade, trazia algum receio às tropas portufuesas, "associado a uma frustração de sofrer baixas sem mesmo ter visto o inimigo," o que "foi deitando por terra o moral dos homens e dificultando o progresso do lado português." Os combates sucediam-se com baixas em ambos os lados. Entre 1972 e 1974, a FRELIMO acaba por optar por uma outra "estratégia de ataque contra as comunidades dos colonos," atacando "a linha de caminho de ferro Beira-Tete" e foi atacada e, provonando em 1974, "o descarrilamento de um comboio na linha da Beira-Umtali." O conflito começa a tornar-se insustentável e, quando no início de 1974, "um ataque da FRELIMO" mata a "mulher de um colono europeu, em Vila Pery," o sentimento de insegurança na região central de Moçambique" agrava-se. Dois dias depois deste ataque, "tanto o comércio desta cidade, como o da Beira, encerra em sinal de luto," e ocorrem "violentas contestações da população branca contra os militares," acusados de nada terem feito.
Francisco da Costa Gomes, general português, "parte para Moçambique para se inteirar sobre estes acontecimentos" e, perante a gravidade dos acontecimentos, o "Movimento das Forças Armadas (MFA) reúne-se, e expõe as suas preocupações ao General Spínola" que entretanto tinha assumido o governo do Estado. "Neste novo contexto do conflito, Costa Gomes demite o comandante da Região Militar de Moçambique. No entanto, em Lisboa também se dão movimentações políticas e, em Março, tanto Costa Gomes como Spínola, são demitidos, o que determina o fim das operações militares em Moçambique." Depois da Revolução de Abril, as tentativas de acordo de Paz continuam, mas é só em agosto de 1974, que a FRELIMO cessa "a sua atividade militar contra os portugueses."
"As negociações entre a administração portuguesa, através do MFA, e a FRELIMO culminaram na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de Setembro de 1974 na Tanzânia, com a transferência de soberania para as mãos da organização moçambicana."
Depois de 400 anos de ocupação e colonalização, Moçambique é finalmente independente. Mas os 50 anos que se seguiram, foram tudo menos pacíficos. O primeiro governo moçambicano foi liderado pelo presidente Samora Machel.
A 8 de agosto de 1976, "forças da Rodésia invadem Moçambique, alegadamente em perseguição de nacionalistas do Zimbabué. A África do Sul, que estava ainda sob domínio do regime segregacionista do 'aparheid', anuncia a realização de exercícios militares na fronteira." Em outubro desse mesmo ano, é formada a "Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), movimento apoiado, no início, pelos serviços secretos da Rodésia."
A Renamo, viria a ser "a principal força de oposição à governação da Frelimo," liderada por "André Matsangaissa." Este movimento de guerrilha "é fundado em Salisbúria (Harare), sob a organização de Ken Flower, chefe dos serviços secretos rodesianos e Orlando Cristina, antigo membro da PIDE-DGS, a polícia política da ditadura portuguesa. As primeiras ações registam-se na Gorongosa, no centro de Moçambique."
André Matsangaíssa, é morto "num confronto contra as forças governamentais na região centro de Moçambique (Vila Paiva)," em outubro de 1979, passando "Afonso Dhlakama" a ser o novo líder do grupo, "que projeta o movimento num exército de guerrilha que vai dar início a 16 anos de guerra civil."
A 13 de abril de 1983 é assassinado o "secretário-geral da Renamo, Orlando Cristina," sendo então substituído por "Evo Fernandes, até então representante da Renamo em Portugal." No ano seguinte, a "África do Sul e Moçambique assinam" o "acordo de Nkomati, que previa o fim das agressões mútuas, encerramento das bases do Congresso Nacional Africano (ANC) em Moçambique e o fim do apoio sul-africano à Renamo, um entendimento que não chegou a ser cumprido pelas duas partes." Em setembro desse mesmo ano, a Frelimo começa a alterar algumas das suas "estratégias" e ideologias "políticas para conseguir apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI)" e também do "Banco Mundial (BM)."
A 19 de outubro de 1986, o "primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, morre num acidente de aviação em Mbuzini, nos montes Libombos (África do Sul), durante uma deslocação entre Lusaca (Zâmbia) e Maputo. A chefia do Estado é assumida por Joaquim Chissano."
A 21 de abril de 1988, é assassinado em Cascais, Portugal, o s"ecretário-geral da Renamo, Evo Fernandes."
Só em 1990 seria adotada pelo país uma Constituição que permitia a existência de outros partidos. "O país passa a chamar-se República de Moçambique, abandonando o nome República Popular de Moçambique." Isto vem trazer também algumas alterações a nível económico e social: as "companhias do Estado" passam a poder "ser privatizadas," podem ser formados "partidos políticos" e a liberdade de expressão começa a ser uma realidade. A 4 de outubro de 1992 é finalmente celebrado em Roma, um "Acordo Geral de paz", depois de quase "dois anos de conversações mediadas pela Comunidade de Santo Egídio, para travar uma guerra civil dos 16 anos, que matou mais de um milhão de pessoas, direta e indiretamente." Dois anos depois, sob observação da ONU, são realizadas as primeiras "eleições multipartidárias," nas quais "participam mais de seis milhões de eleitores." Além da Frelimo e da Renamo, foram a votos outros 12 partidos. "Nas legislativas, a Frelimo vence as eleições com maioria absoluta, com 44 por cento, e Joaquim Chissano, do partido no poder, é eleito Presidente, com 54% de votos, embora o resultado tenha sido contestado por Dhlakama."
Em janeiro de 1995, "Moçambique passa a ser membro da Commonwealth."
Em janeiro de 1999, novas eleições voltam a dar o poder a Joaquim Chissano, apesar das críticas da Renamo. Em novembro do ano seguinte, protestos da parte dos apoiantes da "Renamo contra as eleições de 1999" terminam com "a morte de pelo menos 40 pessoas. Poucas semanas depois, 83 pessoas que tinham sido presas nas manifestações morrem sufocadas numa cela de prisão com 21 metros quadrados."
Em dezembro de 2004, "Armando Guebuza vence as eleições presidenciais," sendo reconduzido em 2009, "ao cargo de Presidente do país, com 75 % dos votos."
A 21 de outubro de 2013, "forças governamentais" da Frelimo, "tomam a base da Renamo na Gorongosa. A Renamo anuncia o fim do Acordo de Paz de 1992." A 5 de setembro de 2014 viria a ser assinado um novo acordo, entre "o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama," designado como Acordo sobre "a Cessação das Hostilidades Militares em Moçambique." Cerca de um mês depois, "Filipe Nyusi," vence as presidenciais" com uma maioria assinalável, que vem mais uma vez pôr em causa a paz.
Em 2016, é descoberta a contração de dívida pelo governo moçambicano, efetuada "sem o conhecimento do parlamento e dos parceiros financeiros," e que envolveu "mais de dois mil milhões de dólares." Com o conhecimento deste escândalo, o "Fundo Monetário Internacional (FMI) e, mais tarde, o Banco Mundial cortam" muito do apoio dado a "Moçambique." Vários "parceiros internacionais do país seguem o mesmo caminho."
Em outubro de 2017, um grupo ligado ao Estado Islâmico ataca "Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, norte de Moçambique." Dezenas de pessoas ficam feridas em resultado deste ataque.
Em agosto de 2019, a "Frelimo e a Renamo assinam um novo acordo no Parque Nacional de Gorongosa: o Acordo de Cessação Definitiva de Hostilidades Militares." A 15 de janeiro de 2020, "Filipe Nyusi é reeleito Presidente da República de Moçambique."
No mesmo ano, em agosto, grupos rebeldes "tomam a vila de Mocímboa da Praia e os confrontos com as Forças de Defesa e Segurança deixaram um número até hoje desconhecido de mortos, incluindo elementos da força marítima, além de várias infraestruturas destruídas. O grupo ficaria instalado em Mocímboa por quase um ano." Em março de 2021, um novo ataque terrorista ocorrido em "Palma, Cabo Delgado, região norte, levou a multinacional TotalEnergies a suspender o megaprojeto de exploração de gás natural. Durante a incursão terrorista, um número não especificado de estrangeiros ligados aos projetos de gás são mortos." Este ataque chamaria a "atenção internacional para o drama da violência na província" de Cabo Delgado.
Em outubro de 2023, os resultados das eleições autárquicas, levam a que a Renamo convoque diversas manifestações. É na "cidade de Maputo, onde o candidato da Renamo, Venâncio Mondlane, na altura ainda como membro daquele partido, lidera mais de 50 marchas pela capital," que ocorrem as ações mais violentas, "algumas das quais com registo de confrontos entre a polícia e os manifestantes."
Em outubro do ano seguinte, realizam-se novas eleições, que levam à "proclamação, mais tarde, da vitória de Daniel Chapo e da Frelimo." Alguns apoiantes de Mondlane, são assassinados, o que intensifica as "manifestações pós-eleitorais," em repudio não só à "morte dos aliados de Mondlane," mas "também contra os resultados eleitorais, naquela que ficaria conhecida como a pior contestação aos resultados eleitorais que o país conheceu. Cerca de 400 pessoas morreram em resultado de confrontos com a polícia em quase cinco meses."
Daniel Chapo toma posse como o quinto Presidente de Moçambique, o primeiro chefe de Estado nascido após a independência, "sob forte contestação após um escrutínio marcado por protestos que fizeram cerca de 400 mortos em confrontos entre os manifestantes e a polícia." Chapo e Mondlane encontram-se em março deste ano. O país passa ainda por diversos problemas, como a fome, a pobreza e a escassez de recursos educativos. No seu discurso nas comemorações dos 50 anos de independência, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, "salientou o aumento do número de escolas em Moçambique, para formar as gerações do futuro e desenvolver o país." No entanto, a qualidade da educação é questionada pelo "político João Massango," que critica o discurso de Chapo, destacando como contradição as crianças que ainda têm de "estudar debaixo de uma árvore e as salas de aula" com turmas compostas por "120 alunos."
Fontes:
https://sicnoticias.pt/mundo/2025-06-25-50-anos-de-independencia-principais-acontecimentos-do-ultimo-meio-seculo-em-mocambique-183cc94c
https://www.dw.com/pt-002/50-anos-de-independ%C3%AAncia-n%C3%A3o-queremos-fome/a-73042228
https://www.infopedia.pt/artigos/$exploracao-e-colonizacao-de-mocambique
https://portaldogoverno.gov.mz/geografia-de-mocambique/