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Páscoa, é tempo de...

por Elsa Filipe, em 31.03.24

Algumas pessoas poderiam responder "amor", "família", "reencontro"... ou até "paz".

Se calhar, eu hoje usufruí de todas estas coisas, talvez alguns de vocês também tenham tido um dia descansado, em família e rodeados de amor. Mas depois olhamos para lá do nosso núcleo, da segurança da nossa casa, e o que vemos são atentados, agressões e mortos. Muitos acreditam em renascimento, outros na importância de Jesus e ainda há aqueles que, como eu, não acreditam em nada disto, mas celebram nesta data, a maravilha de voltar a estar em família. Alguns agradecerão a benção de um novo dia, de ter saúde, de ter trabalho... outros, estarão a olhar para cima, não à procura de qualquer deus, mas de um míssel ou de uma bomba que não lhes caia em cima. Alguns olharão algumas iguarias na mesa... mas outros esperam que lhes caia do céu uma caixa com alguma comida e que não morram enquanto a tentam alcançar.

E a Páscoa, seja qual for a motivação religiosa, ou mesmo na sua inexistência, não deveria ser uma data em que a fome e a morte estão presentes.

Enquanto círios luminosos, alegram com a sua luz algumas igrejas e casas, há dez dias, que Kharkiv, "segunda maior cidade da Ucrânia, está mergulhada na escuridão depois do sistema de energia ter sido destruído por um ataque massivo de mísseis russos." E os ataques não páram!

Já em Gaza, "o hospital de Al-Aqsa," foi atingido por um ataque aéreo, resultando em "quatro mortos e dezassete feridos." Mais uma vez, o ataque que atingiu o hospital localizado em Deir al-Balah, "onde milhares de pessoas se abrigaram depois de terem fugido das suas casas noutros locais do território devastado pela guerra, teve como alvo um centro de comando operado pelo grupo Jihad Islâmica”. Entre os feridos, contam-se vários jornalistas. "O exército de Israel informou" durante o dia de hoje, tentando assim justificar este tipo de ataques, "que as tropas encontraram numerosas armas escondidas no hospital de al-Shifa, na cidade de Gaza."

Enquanto alguns se reúnem em volta da mesa, usufruindo de uma refeição, outros há que são alvejados enquanto tentam arranjar comida. Foi o que aconteceu quando "durante uma distribuição de alimentos na cidade de Gaza," cinco palestinianos foram "mortos a tiro."

O Líbano tem sido também alvo de ataques de tropas israelitas, que afirmam ter já morto dois importantes dirigentes do "grupo xiita libanês Hezbollah." E já que falamos em Hezbollah, o grupo terá também lançado ontem um ataque "contra a zona de Kiryat Shmona, no norte de Israel," já esta manhã, "atacou também zonas próximas das cidades de Malkia e Margaliot, no norte de Israel." 

E podia aqui continuar a enumerar... mas sinceramente, acho que basta ligarmos a televisão, ouvirmos as notícias no rádio, ou lermos um dos muitos jornais digitais. É que ficamos logo cansados de tanta desgraça, especialmente, numa época que devia ser de reflexão e de união.

 

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publicado às 22:46

Enquanto o país anda entretido com as peixeiradas que já começaram na AR, a criminalidade violenta lá se vai mostrando aqui e ali país fora. As forças de autoridade precisam de ser mais respeitadas e mais valorizadas.

Ontem, sexta-feira, Porto, e plena hora de almoço e no meio de uma rua movimentada. Um homem saiu de um carro, "foi em direção ao alvo e, em plena rua e perante o olhar de vários moradores, disparou cinco vezes. Um dos tiros atingiu um homem de 27 anos," no rosto. Segundo as notícias, os dois estariam conotados "com a venda de droga." A suspeita é que "o homicídio terá sido uma vingança, motivada por um negócio de droga que terá causado prejuízos ao autor dos disparos." Porventura, parece que o homicida foi "enganado pela vítima, que saiu há poucos dias da cadeia, e tenha decido ajustar contas a tiro."

Também na sexta-feira, um caso um pouco mais insólido, mas mesmo assim, também grave. No Barreiro, um jovem, "com idade entre os 16 e os 20 anos, sofreu esta sexta-feira ferimentos graves depois de ter sido esfaqueado nas costas." Parece que "uma patrulha" se terá deparado "com o jovem ferido, acompanhado por outro, a correr com uma faca cravada nas costas na Avenida D. João I, no centro da cidade. Os agentes abordaram os jovens, que se recusaram a contar o que tinha acontecido, e deram o alerta para os meios de socorro," tendo posteriormente o jovem sido socorrido e levado ao hospital. O que se terá passado aqui? Eu acho muito estranho que não tivessem contado o que se tinha passado, não acham? 

Já hoje, sábado, em Lisboa, plena Avenida das Descobertas. De madrugada, foi encontrado um cadáver que apresentava “indícios de violência” e, por isso, foi acionada a Polícia Judiciária. O homem terá sofrido uma facada numa perna, mas as "circunstâncias do homicídio estão ainda a ser apuradas." Alguns conhecidos da vítima, terão colocado a hipótese de que o homem "tenha morrido ao ser assaltado, quando regressava do trabalho, no Hotel Mundial, no Martim Moniz, no centro da cidade de Lisboa."

E quanto a tráfico? Sim, também houve esta semana! Seis jovens, "com idades entre os 17 e os 26 anos, vendiam produtos estupefacientes a consumidores dos concelhos de São João da Pesqueira, Meda, Tabuaço, Penedono e na Guarda." Foram detidos e presentes a juíz. Terão ficado presos? Nas "oito buscas" realizadas "foram apreendidas doses de haxixe e cocaína, seis balanças de precisão e material de corte e embalamento de produto estupefaciente."

E por aquipodia continuar, mas fica só "um cheirinho" do que se anda por aqui a passar... Crimes, sempre houve! Mas parece que a violência cada vez é maior. Ah, e já agora, não me posso esquecer de referir a forma como alguns elementos de alguns bairros recebem os elementos das forças de segurança. E porquê? Provavelmente, porque sabem que por cá a polícia não entra a disparar e, quando o fazem, ainda têm problemas. Quando apedrejaram a polícia no meio do bairro, sabiam que um ladrão tinha invadido uma casa onde estava um casal com crianças? Como se terá sentido aquela família, tendo em conta que, ao que parece, nem o conheciam? Quem não deve, não teme, nem receia qualquer abordagem da polícia. É que além de um telemóvel que tinha roubado, o indivíduo também tinha droga com ele. Então, vamos lá ter alguma coerência e deixar a polícia fazer o seu trabalho, sem medos.

Fontes:

https://www.jn.pt/3696646402/abatido-em-rua-do-porto-e-a-luz-do-dia-devido-a-negocio-de-droga/

https://www.jn.pt/1265656039/funcionario-de-hotel-morre-esfaqueado-em-assalto-na-portela-de-sacavem/

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/policia-encontra-jovem-a-correr-com-faca-cravada-nas-costas-no-barreiro-levado-para-o-hospital-em-estado-grave?ref=DET_RelacionadasInText

https://cnnportugal.iol.pt/videos/roubou-um-telemovel-num-centro-comercial-da-amadora-e-fugiu-psp-foi-apedrejada-quando-o-tentou-deter/66057d840cf2dff02b7301af

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publicado às 21:47

Páscoa... férias, tradições e chocolates

por Elsa Filipe, em 29.03.24

Para mim, a Páscoa é aquele conjunto de dias em que comemos amêndoas de chocolate, somos bombardeados de imagens fofinhas de coelhinhos coloridos e, já que a criançada está de férias escolares - cada vez mais curtas por sinal - podemos aproveitar para descansar um pouco mais. 

Mas para algumas pessoas, a Páscoa também é um ritual religioso, dependendo daquilo em que acreditam. Para muitos, a Páscoa é uma festa religiosa. Mas vamos ver melhor a origem destas festividades e o que significam.

Podemos dizer que a Páscoa é uma "festa de origem judaica, que comemora a liberdade do povo hebreu após um longo período de escravidão no Egito"?

Pois é, por volta de 1250 a.C., o povo hebraico que tinha sido "escravizado durante anos" pelos Egípcios acaba por ser libertado, depois daquilo que ficou conhecido como "As dez pragas do Egipto." 

O Faraó - que na época seria Ramsés II - consente a libertação dos escravos após a primeira praga, mas assim que percebe que o Egipto está livre do problema, volta atrás na sua decisão. Deus envia uma nova praga, e assim foi acontecendo sucessivamente: "sempre que Deus enviava uma praga, convencia o Faraó, que depois de se ver livre da mesma, voltava atrás." Só quando na décima praga, Ramsés II se apercebe que estão a morrer "todos os primogênitos egípcios" destino que não irá excluir o seu próprio filho, este acaba por ceder e aceitar libertar da escravatura o povo hebraico.

Depois de se verem livres, os hebreus iniciaram a sua "travessia rumo a Israel." A própria terminologia deriva de uma palavra judaica: "Pessach," que significa “passagem." Na festa judaica, um dos símbolos mais importantes é o “Matzá” (pão sem fermento), que representa a fé. Por esse motivo, no festejo que se denomina de “Festa dos Pães Ázimos” (Chag haMatzot), "é proibido comer pães com fermento."

Mas a própria palavra, sofreu algumas evoluções, conforme o povo ou a língua. Passou a ser "Paska," na Grécia e "Pascua"  em Roma. Em latim, o termo significava mesmo "alimento", ou seja, o fim do jejum da quaresma. Então, o termo já existia e a celebração também, mas podemos afirmar que o que têm em comum estas celebrações, são a sua ligação à "libertação" e à "esperança."

No caso da festa cristã, o domingo de Páscoa encerra a Semana Santa, na qual se "recorda a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, a sua crucificação e ressurreição" - o que conforme se conta, teria "acontecido durante a celebração da Páscoa judaica." Na liturgia católica, esta semana é então composta pelo "Domingo de Ramos," - que antecede a Páscoa, "Segunda-Feira Santa, Terça-Feira Santa, Quarta-Feira Santa, Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão, Sábado Santo ou Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa." Existem também outros símbolos, como por exemplo, o Círio Pascal, que em algumas zonas do país, ainda visita a casa dos crentes. Este círio pode ser também as velas que se acendem "para comemorar o retorno de Jesus Cristo, ou seja, a vida nova." Habitualmente, estas velas têm inscritas as "letras gregas alfa e ômega," que se podem traduzir como "o início e o fim, simbolizando assim, a luz de Cristo que traz a esperança." Já o "pão e o vinho, dois elementos muito emblemáticos no cristianismo, representam o corpo e o sangue de Cristo e simbolizam a vida eterna," assim como o cordeiro, que significa o sacrifício de Jesus.

Mas, vamos lá andar um pouco mais para trás!

Segundo alguns historiadores, civilizações muito mais antigas, especialmente nas mitologias nórdica e germânica, já se prestava culto a "uma deusa, conhecida como Ostara ou Eostern, numa festa que celebrava a passagem do inverno para a primavera," e que era também conhecida por ser a "deusa da fertilidade."

Ou seja, já os "antigos povos pagãos (celtas, fenícios, egípcios, etc.) festejavam a chegada da primavera e o fim do inverno," numa celebração que "simbolizava a sobrevivência da espécie humana."

E de onde apareceram então os coelhos e os ovos?

Bem, de certeza que este costume também teria de vir dos povos mais antigos! Em várias culturas, o coelho era um símbolo ligado à "fertilidade" e ao próprio "nascimento."

Também os ovos simbolizam a fertilidade. "Os ovos de páscoa (cozidos e coloridos ou de chocolate), carregam o germe da vida e representam a fertilidade, o nascimento, a esperança, a renovação e a criação cíclica." A tradição de trocar ovos vem da antiguidade, mas ainda hoje o fazemos, seja como oferta ou até escondendo-os para as crianças os poderem encontrar. 

Em Portugal, apesar de não ser tão festejada como o Natal, a Páscoa ainda mantém um "importante significado religioso, assinalado através de diversos eventos de norte a sul do país." Este é especialmente "um momento de reunião" da família em volta da mesa, como é hábito por cá.  Em cada região podemos encontrar diferentes tradições gastronómicas, mas são os mais conhecidos, os pratos "que incluam cabrito ou borrego."

São tradição também os folares, o pão-de-ló, as amêndoas, os ninhos, as queijadinhas, entre outras delícias típicas. 

Fontes:

https://www.todamateria.com.br/origem-da-pascoa/

https://www.todamateria.com.br/historia-da-pascoa/

https://www.lostinlisbon.com/pt/blog/pascoa-a-sua-origem-e-o-que-fazer-nesta-epoca-tao-especial/

 

 

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publicado às 18:02

Os acidentes com pontes vêm sendo algo frequentes pelo mundo, mesmo com tanto desenvolvimento tecnológico. Desta vez, o acidente aconteceu em Baltimore, onde a ponte Francis Scott Key, se "desmoronou após um navio ter colido com esta durante a madrugada." A queda da ponte arrastou para o rio vários veículo e vinte pessoas foram, inicialmente "dadas como desaparecidas," embora depois este número tenha sido revisto. O navio cargueiro "Dali", "com uma dimensão já considerável" e bastante carregado, terá ficado sem energia e por isso sem capacidade de propulsão. Em consequência, não terá sido possível controlá-lo, embora existissem "algumas manobras" de emergência que podiam ter sido realizadas, "como o fundear, que é largar a amarra para tentar imobilizar o navio sem causar ali qualquer estrago”.

Até agora, "apenas duas pessoas foram resgatadas com vida" mas seis trabalhadores, que inicialmente "foram dados como desaparecidos na sequência" do colapso da ponte, acabaram entretanto por ser "dados como mortos, tendo as buscas sido suspensas até esta quarta-feira de manhã, de acordo com as autoridades." Estas oito pessoas, "faziam parte de uma equipa de construção que estava a reparar buracos no pavimento da ponte."

Esta ponte, inaugurada em 1977, localiza-se na mais movimentada entrada dos Estados Unidos e "atravessa o estuário do rio Patapsco" na "Baía de Chesapeake." 

Por cá, o mau tempo veio para ficar, pelo menos até à Páscoa! A tempestade Nelson já chegou e tem trazido fortes rajadas de vento e alguma chuva e neve. Mas não se ficará por aqui, pois o mau tempo poderá durar até, pelo menos, meio da próxima semana. Esta "sucessiva entrada de frentes muito ativas," é habitualmente conhecida "como comboio de tempestades." O IPMA já colocou todo o país sob aviso amarelo devido às rajadas de vento que poderão ser bastante fortes (como já se nota) e "que podem ir de 85 a 100km." Sob alerta laranja está também "toda a costa portuguesa," devido à ondulação, "que pode ser de 7 a 12 metros."

Na Madeira, o mau tempo também já cancelou alguns voos e fez outros divergirem, o que se deveu também à depressão "Nelson," cujo "núcleo principal" com ondulações frontais associadas, se estende "desde a Islândia até à Ilha da Madeira." Pode mesmo vir a nevar em alguns pontos da ilha. A partir de amanhã, a ilha espera ondulação de 5 a 6 metros.

Fontes:

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publicado às 11:10

Diplomacias, alertas e receios

por Elsa Filipe, em 25.03.24

Ainda o mundo está em choque com a situação que aconteceu em Moscovo e que provocou 137 mortos e que veio expor as prioridades de segurança da Rússia, já Putin vem tentar tapar as fragilidades do regime. Este fim-de-semana voltamos a assistir ao aumento da sensação de perigo a nível internacional. Se a guerra nos assusta, mais ainda custa a incapacidade em lidarmos com a ameaça de ataques terroristas, como o que ocorreu em Moscovo. Parece estar longe, mas aquela sala de espetáculos, poderia ser qualquer uma das nossas salas, dentro ou fora da nossa capital. Depois, aquilo que também me deixa inquieta é a utilização deste ataque como desculpa para se aumentar o nível de ataque a outro país, ou de criar novas desconfianças.

Começando pelo ataque e apesar da brutalidade das ações que os seus perpretadores cometeram, há agora a denúncia de que os elementos que foram detidos e que alegadamente foram os culpados pelo atentado, estão a ser sujeitos a ações de tortura. Vários países condenaram os ataques, e sabe-se também que a Rússia tinha sido avisada com antecedência de que estaria a ser preparado um grande ataque em solo russo. Não foram tomadas medidas para que o ataque fosse evitado, ou se foram, estas não foram eficazes.

"As forças de segurança russas" perseguiram e detiveram onze indivíduos de nacionalidade alegadamente tajique, ou pelo menos, que se faziam acompanhar por passaportes do Tajiquistão, que estariam relacionados "com o ataque na sala de concertos Crocus City Hall." Os suspeitos foram apanhados "na região de Bryansk," que se situa a cerca "de 340 quilómetros do local do ataque, na fronteira com a Ucrânia e a Bielorrússia." Quatro desses onze detidos, terão sido os atacantes que dispararam indiscriminadamente dentro do Crocus City Hall e que depois lançaram uma bomba incendiária que destruiu o edifício. No entanto, tendo em conta as imagens transmitidas pelo "autoproclamado Estado Islâmico" que mostra, "alegadamente, os homens armados do Daesh-Khorasan na sala de espectáculos de Moscovo" e que afirma que os combatentes terão voltado em segurança, então como é que foram detidos? Quem mente aqui?

Nas imagens que a televisão pública russa transmitiu, vê-se a entrada de quatro elementos na sala de tribunal e três dos homens detidos aparecem com "sangue no rosto." Um deles apareceu em tribunal em cadeira de rodas e aparentemente sem um olho e outro deles, com a face inchada e aparentemente desorientado. Três dos quatro suspeitos, acabaram por admitir a culpa pelos atentados em tribunal e todos eles "arriscam uma pena de prisão perpétua por terrorismo." Este ataque "reabriu o debate na Rússia sobre a pena de morte," que não foi ainda "aplicada no país" - pelo menos, não formalmente - "mas o Código Penal prevê" a aplicação da pena capital "em casos de terrorismo." Apesar de terem confessado o crime, os presos terão sido pressionados a fazê-lo mediante tortura e isso não é aceitável, mesmo que se condene veementemente todos os crimes cometidos. Ou melhor, perante a alegada tortura, não chegamos a saber se foram mesmo estes os verdadeiros terroristas ou se assumiram para que a tortura parasse.

Num vídeo, "divulgado na Internet e cuja autenticidade não foi confirmada, parece mostrar um dos suspeitos a ter uma orelha cortada por alguém fora das câmaras." 

No entanto, não há comentários da parte de elementos do regime russo sobre "a reivindicação do EI", e num "discurso televisivo difundido várias horas depois do atentado, Putin condenou o que descreveu como um ato terrorista bárbaro e sangrento e apelou à vingança." 

"Os Estados Unidos acreditam na reivindicação do ataque pelo Estado Islâmico, em particular, pelo Isis-K, um ramo do Daesh com sede no Afeganistão," mas "os investigadores russos afirmam que os atacantes têm laços com a Ucrânia."

"O Kremlin acredita que os Estados Unidos estão a tentar esconder as culpas da Ucrânia no ataque terrorista," alegando "que quatro dos detidos tentaram cruzar a fronteira" entre os dois países e que teriam aí apoio para "escapar."

"As autoridades ucranianas negaram qualquer envolvimento no ataque." Apesar de tudo, quando finalmente apareceu para falar sobre o atentado, Putin afirmou estar em "guerra." De facto, o conflito teve agora um aparente novo "impulso destrutivo", o qual "acontece quando o Kremlin reconhece estar em estado de guerra ao fim de dez anos da anexação da Crimeia e da guerra por procuração no leste ucraniano, e dois anos depois da invasão que apelidou de Operação Militar Especial”

Ontem, "em resposta a uma vaga de ataques de mísseis russos contra o território ucraniano," em que "o espaço aéreo polaco" foi violado por um "míssel cruzeiro lançado contra alvos no oeste da Ucrânia," este país "decretou estado de alerta e ativou a Força Aérea para proteger a zona de fronteira com a Ucrânia." O míssel terá entrado "no espaço polaco perto da cidade de Oserdow" e permanecido "lá durante 39 segundos. Durante todo o voo, foi observado por sistemas de radar militares".

Tendo em conta o atentado em Moscovo, "reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico, que também representa um ameaça para a França," Macron anunciou que o país se encontra "em estado de alerta máximo para a possibilidade um atentado terrorista."

Fontes:

https://www.dn.pt/4924238443/russia-recusa-comentar-alegacoes-de-tortura-de-suspeitos-e-autoria-de-atentado/

https://cnnportugal.iol.pt/videos/suspeitos-do-ataque-a-moscovo-vao-a-tribunal-com-sinais-de-tortura-medvedev-defende-pena-de-morte/6601866a0cf233605570bf58

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-03-23-Ataque-terrorista-em-Moscovo-dois-suspeitos-foram-detidos-apos-perseguicao-3b6fd53f

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/polonia-em-estado-de-alerta-depois-de-missil-russo-violar-espaco-aereo_n1559687

https://pt.euronews.com/2024/03/24/putin-declara-luto-nacional-na-russia-e-insiste-no-envolvimento-de-kiev

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/terrorismo-franca-em-estado-de-alerta-maximo_n1559842

https://www.publico.pt/2024/03/24/mundo/noticia/daesh-divulga-videos-ataque-moscovo-matemnos-misericordia-2084733

 

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publicado às 20:34

Ataque a sala de concertos em Moscovo

por Elsa Filipe, em 23.03.24

Ontem, ao final do dia, na Rússia, um grupo de atiradores entrou na sala de concertos Crocus City Hall, "uma sala de espetáculos situada em Krasnogorsk, nos arredores da capital russa, onde se preparava para atuar a banda PikNik," e atacou indiscriminadamente quem lá estava. O balanço ao início da madrugada era de cerca de 40 mortos e mais de cem feridos, mas hoje esses valores já foram atualizados e passam para 140 vítimas mortais e centenas de feridos.

O grupo armado terá também lançado um cocktail "molotov" que incendiou o espaço e causou o pânico das pessoas que tentaram fugir das chamas. O telhado do edifício acabou por desabar parcialmente, ainda estando a decorrer operações de busca e salvamento. "Não foi dada qualquer informação sobre o número de pessoas presas no interior da estrutura."

Uma das falhas apontadas tem sido a falta de segurança do edifício e a demora dos serviços de socorro e de segurança a chegar ao local para socorrer as pessoas. A Rússia começou por apontar logo a mira à Ucránia, através de Dmitri Medvedev, "ex-chefe de Estado e atual vice-chairman do Conselho de Segurança russo," que começou logo por fazer um apelo a "uma forte retaliação caso se descubra uma ligação entre Kiev e o atentado." Putin, manteve-se em silêncio.

A Ucrânia desde logo negou ter "qualquer responsabilidade e os serviços secretos de Kiev" acusaram mesmo "o Kremlin de orquestrar o ataque, para culpar a Ucrânia e justificar uma escalada da guerra, conforme noticiou a agência France-Presse (AFP)." Também outros grupos armados "pró-ucranianos, incluindo a Legião Rússia Livre, ativa em território russo," negaram qualquer envolvimento no ataque.

Entretanto, o atentado já foi aparentemente reinvindicado pelo Estado Islâmico. O Daesh, através da sua célula "Khorasan, ativa no Médio Oriente, Irão, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central," terá reinvindicado o ataque" e, ao que parece, "há muito que o país se encontrava na mira do grupo, sobretudo após a participação das forças russas na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad."

O Presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou o "cancelamento de todos os eventos públicos deste fim de semana. Os principais museus e teatros da capital também anunciaram que vão fechar as portas." Segundo informações transmitidas pela televisão russa, "foram tomadas medidas de segurança reforçadas, nomeadamente nos aeroportos de Moscovo e noutras grandes cidades do país."

Já foram entretanto efetuadas várias detenções, tendo sido detetado um veículo em fuga "perto da localidade de Jatsun, região de Briansk, a cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo" no qual terá sido encontrada "uma pistola, um carregador para uma arma de assalto e passaportes para o Tajiquistão, noticiou a agência russa TASS." O governo tajique, informa que "a difusão de informação não confirmada e pouco fiável pode prejudicar os cidadãos do Tajiquistão que se encontram atualmente fora do país."

Num comunicado de 7 de março, uma nota emitida pela "embaixada dos Estados Unidos na Rússia apelava aos cidadãos norte-americanos para evitarem ajuntamentos na capital russa, alertando para a possibilidade de um ataque terrorista." 

Este foi é o mais mortífero ataque registado nos últimos anos na Rússia, depois do ataque ao Teatro Dubrovkna, em 2002, e do ataque a uma escola em Beslan, em 2004.

Em 2002, "um comando checheno fez cerca de 850 reféns no teatro Dubrovka" em Moscovo, mas foi durante a "operação de resgate" que se registou um dramático “banho de sangue”, com a morte de pelo menos 170 pessoas.

Já em setembro de 2004, "durante uma cerimónia de início do ano escolar, três dezenas de rebeldes chechenos invadiram o recinto de uma escola em Beslan, mascarados e com cintos explosivos. Exigiam a retirada das tropas russas da região da Chechénia. Durante três dias, mantiveram mais de mil pessoas sequestradas no interior da escola, que armadilharam com bombas, ameaçando explodir o edifício a qualquer momento." A situação terminaria numa terrível falha de atuação, "três dias depois, com a entrada repentina de tropas especiais russas no edifício. As explosões ocorridas no início do sequestro e durante a entrada das tropas russas causariam mais de três centenas de mortes, entre as quais 186 crianças."

Fontes:

https://www.jn.pt/6976308829/onze-detidos-apos-ataque-do-daesh-que-matou-115-pessoas-em-moscovo/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-em-moscovo-a-evolucao-da-situacao-na-russia-ao-minuto_e1559470#article_content_1559478

https://www.jn.pt/572632479/ataque-em-moscovo-e-operacao-do-kremlin-acusam-servicos-secretos-ucranianos/

https://www.publico.pt/2024/03/22/mundo/noticia/tiroteio-seguido-explosao-moscovo-faz-varios-mortos-2084600

https://observador.pt/2024/03/23/fotogaleria-ataque-reivindicado-pelo-autoproclamado-estado-islamico-deixa-rastro-de-destruicao-e-morte-em-moscovo/

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publicado às 12:50

Finalmente... se desenha um novo governo

por Elsa Filipe, em 21.03.24

O nosso país passou por eleições legislativas no passado domingo, dia 10, e estivemos até ontem a aguardar os resultados da emigração, ou seja, estivemos mais de uma semana à espera de saber se, depois de contados os votos dos portugueses que, por variadíssimas razões, vivem no estrangeiro, continuaria a ser a AD a ter uma maioria relativa que lhes permitisse governar. Por esta forma, "votaram mais de 220 mil portugueses." Estes votos, apesar de chegarem mais de uma semana depois de se saber que Luís Montenegro iria ser o próximo Primeiro-ministro, poderiam vir a alterar esta situação uma vez que a diferença entre a AD e o PS não era assim tão significativa.

Finalmente, conseguimos que esses votos fossem contados e, já durante esta madrugada, o "site do Ministério da Administração Interna revelou que o Chega venceu com 18,30% dos votos, seguido da Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) com 16,79% e do PS com 15,73%." Assim, o Chega "elegeu dois deputados," um no círculo da Europa e outro no Brasil, enquanto a AD e o PS elegeram um deputado cada.

Na Alemanha, em França, no Reino Unido, na Irlanda do Norte e na Bélgica, a vitória foi do PS, enquanto que em Espanha, Estados Unidos e Canadá ganhou a Aliança Democrática, que ganhou também em alguns países da Ásia e da Oceânia. Na "China, a vitória da AD foi ainda maior (37,4%)."

O Chega acabou por ganhar no Brasil, com 24,6% (por grande influência de Bolsonaro), apesar de em São Paulo ter sido "dada a maioria à coligação, liderada por Luís Montenegro" com "22,59%." Já "no Luxemburgo, com 19,61% dos votos," a vitória volta a ser do Chega.

Entretanto, o presidente da República, lá se foi reunindo com os partidos políticos com assento parlamentar, ainda antes de todos os votos contados, dando de alguma forma a entender que uns portugueses são de primeira e outros, só por estarem lá fora... não são. Estes últimos votos, são responsáveis por atribuir quatro mandatos e, consoante os resultados, tudo poderia mudar. Durante a contagem destes votos, enviados por correspondência, surgiu "uma percentagem muito significativa" de voto nulos, que na maioria tiveram "origem no facto de os eleitores não terem juntado uma cópia do cartão do cidadão." 

No caso dos votos da emigração, o Chega foi o partido que mais se destacou, elegendo dois dos quatro lugares, enquanto o PS e a AD elegeram apenas um cada um. Este partido "venceu largamente na Suíça, onde votaram" cerca de 49 mil portugueses" e onde alcançou "32,62% dos votos" o que deverá fazer, pelo menos, com que o futuro governo comece a dar uma maior importância aos problemas de quem vive fora do país.

Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu então os representantes da coligação AD, onde aquilo que se fez notar não foram tanto as presenças, mas a ausência (ou se calhar até nem se notou muito, uma vez que a ausência do PPM marcou toda a campanha política). 

A AD teve então uma maioria relativa e por isso Luís Montenegro foi indigitado, já hoje perto da 01:00, como Primeiro-ministro. 

"A nova Assembleia da República poderá entrar em funções já no início de abril, tendo em conta o calendário previsto na lei, que exige que a Comissão Nacional de Eleições envie o Mapa Oficial das Eleições para Diário da República, após receber a Ata do Apuramento de Votos do Conselho Nacional de Eleições."

No que diz respeito ao PS, Pedro Nuno Santos foi recebido pelo Presidente da República na terça-feira e, à saída da reunião, o líder do PS "salientou que não há uma maioria governativa à esquerda, pelo que o papel do PS será liderar a oposição" de forma "responsável." Um dos temas em que se manifestou, foi na possibilidade de haver um entendimento, no que diz respeito à "necessidade" de valorização das "carreiras" e das "grelhas salariais de alguns grupos profissionais da administração pública."

Mas nem tudo está "em paz". Apesar das afirmações que André Ventura tem vindo a fazer, alegando o que disse ou não disse Marcelo Rebelo de Sousa durante a reunião com o Chega, o "Presidente da República rejeitou comentar declarações de partidos ou notícias de jornais," isto apenas alguns minutos depois de "o líder do Chega ter dito que Belém não se oporia a uma eventual presença do partido no Governo." Uma coisa seria opôr-se a que o partido estivesse representado na Assembleia, algo que foram os portugueses a votar, bem ou mal, através do seu direito ao voto, outra coisa, seria o país ser governado por um partido com ideias de cariz extremista. Claro que neste momento se compreende que o que Rebelo de Sousa quer, é atrasar ainda mais a tomada de posse de um novo governo, com as consequências que isso possa trazer para o país. 

Entretanto, Mariana Mortágua tem-se reunido com outros grupos parlamentares, da esquerda. A líder do BE, disse ontem "que o BE não viabiliza orçamentos da direita", apesar de "considerar que orçamentos retificativos são ainda cenários hipotéticos." Desta forma, Mariana Mortágua ressalva que, no que respeitar a "matérias concretas votará de acordo com o seu programa eleitoral e político." Perante a insistência de vários jornalistas, acaba por reforçar que "politicamente a garantia que" tinham dado e que mantinham, seria de "que o Bloco de Esquerda não viabiliza governos de direita, não viabiliza orçamentos de direita."

 

Fontes:

https://pt.euronews.com/2024/03/13/marcelo-ja-comecou-a-ouvir-os-partidos-para-indigitar-o-novo-primeiro-ministro

https://www.dn.pt/7006167823/apos-receber-ventura-marcelo-rejeita-comentar-afirmacoes-sobre-chega-no-governo/

https://www.dn.pt/6338215120/mariana-mortagua-afirma-que-be-nao-viabiliza-nem-governo-nem-orcamento-de-direita/

https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/resultados/2024-03-21-Ventura-ganhou-um-deputado-na-Suica-e-outro-no-Brasil--pais-a-pais-como-foram-os-resultados-na-emigracao--737a3701?fbclid=PAAaYDt5vpTP8EeA01sIZNe9bfJYvho-ew-Xopw4UQAYghu5GOcOilBABjfII_aem_AdXFFvtumUMzs3L4fis8qATwTmUpxDCWRvi0PnSeiYCw4BmSTO9q6izG6VQPMLcQ-WU

https://eco.sapo.pt/2024/03/20/ps-ganha-entre-emigrantes-na-alemanha-e-franca-ps-nos-eua-e-espanha-preferem-ad/

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publicado às 20:30

Este fim de semana, foi notícia uma sucessão de abalos sísmicos que atingiram o Japão e que foram sentidos na zona de Tóquio e de Fukushima. O abalo, de 5.4, seguiu-se ao de quinta-feira com 5.8 na escala de Richter, mas em ambos os casos não chegou a produzir um tsunami ou causado danos de maior relevo, embora o epicentro se tenha registado a 50 quilómetros de profundidade, no oceano Pacífico.

Este evento levou a central de Fukushima, de forma preventiva, a "parar com as descargas de água radioativa tratada" que decorriam desde que a central tinha sido atingida em 2011 por um abalo de 9.1 na escala de Richter e que levou ao "derretimento de três dos seis reatores nucleares." Este acidente foi mesmo considerado como o "mais grave desde o acidente nuclear de Chernobil em 1986, na Ucrânia Soviética." Eu já tinha aqui no blogue referido este acidente e as consequências que o mesmo causou, especialmente no que se refere às relações internacionais entre o Japão e a China: 

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/autoridades-japonesas-continuam-a-294931

Em 2011, quando o sismo foi detetado pelos sensores da Central nuclear, os reatores desligaram-se automaticamente e "devido a essas paralisações e outros problemas de abastecimento da rede elétrica, o fornecimento de eletricidade dos reatores falhou e seus geradores a diesel de emergência começaram a funcionar automaticamente." Ou seja, em vez de ficarem em suspenso, estes voltaram a funcionar de forma a fazerem circular o líquido "refrigerador pelos núcleos dos reatores." Mesmo com a fissão parada, o calor emanado ainda é muito elevado. 

O tsunami com "14 metros de altura que chegou logo depois, varreu o paredão" da central nuclear e "inundou as partes inferiores dos prédios do reator nas unidades 1–4. Esta inundação causou a falha dos geradores de emergência e perda de energia para as bombas de circulação." Foi esta "perda" de energia que levou a que ocorresse o derretimento nuclear ou a fusão do núcleo, a que seguiram "três explosões de hidrogénio" e a libertação de elementos "altamente radioativos para o meio ambiente." Em 2011, "grandes quantidades de água contaminada com isótopos radioativos" foram libertadas "no Oceano Pacífico durante e após o desastre."

Esta zona é frequentemente atingida por eventos sísmicos, uma vez que o "Japão fica no chamado Anel de Fogo," e por isso as infraestruturas são projetadas para resistir a estes eventos sísmicos, mas como prova o acidente de 2011, nem tudo pode ser previsto.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Derretimento_nuclear

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I

https://observador.pt/2024/03/15/sismo-de-58-sacode-japao-e-obriga-a-suspensao-das-descargas-de-fukushima/

 

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publicado às 10:30

Era para ser um ato eleitoral...

por Elsa Filipe, em 17.03.24

... mas não passou de uma fantochada! 

Não foram eleições nem livres, nem justas, mas isso não nos espanta, sabendo nós a forma como as coisas são feitas do lado russo e quais são os objetivos "escondidos" de tal regime.

Putin foi a eleições com três concorrentes: "o representante do partido Novo Povo Vladislav Davankov, o comunista Nikolai Kharitonov e o ultranacionalista Leonid Slutski." Segundo algumas sondagens, que pouco valor terão na atual conjuntura, o "representante do partido Novo Povo, Vladislav Davankov, e o comunista Nikolai Kharitonov reúnem 6% das intenções de voto. Já o ultranacionalista Leonid Slutski poderá ter cerca de 5% dos votos." Aqueles que se atreveram a pôr em questão a guerra, foram desde logo afastados. "A oposição ao Kremlin não pôde concorrer às eleições, uma vez que a comissão eleitoral não registou os seus candidatos por várias razões técnicas ou questões formais, devido ao seu apoio à paz na Ucrânia."

Mas a ida às urnas decorreu num clima de repressão e sem liberdade, embora com algumas ações de protesto, que tentaram mostrar ao resto do mundo o descontentamento e a contestação da população. Num grave atropelo à democracia, a repressão irá continuar, uma vez que embora muitos estejam contra as ações de Putin, a verdade é que poucos têm coragem de o enfrentar. 

"Milhares de russos protestaram pacificamente, nas assembleias de voto locais, contra a reeleição de Vladimir Putin: boicotaram o voto ao destruir o boletim ou selecionar outro candidato que não o líder russo." Estes russos, seguiram aquilo que lhes tinha sido pedido por "Alexei Navalny pouco antes da sua morte." Alguns dos "protestantes escreveram simbolicamente o nome de Navalny no boletim." A existência de muita gente a votar é relativa, uma vez que por exemplo os funcionários públicos receavam retaliações caso não fossem votar.

A vitória esmagadora de Putin, nesta espécie de eleições, dá-lhe a possibilidade de continuar a dizer que está legitimado nas suas ações. Putin irá continuar a sua guerra contra a NATO e contra a Ucrânia, irá continuar a reprimir o seu povo e a ameaçar os seus opositores. "Os ucranianos que moram nas regiões ilegalmente anexadas pela Rússia em setembro de 2022 (Luhansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson) também estão a ser obrigados a votar."

Em Portugal, foram muitos os russos que hoje se deslocaram à embaixada da Rússia, junto à Calçada de Arroios para exercer o seu direito de voto, embora muitos deles tenham afirmado que não acreditam no ato eleitoral. 

"A eleição deverá manter Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, devido a uma alteração constitucional feita em 2020."

Entretanto, nos últimos dias, enquanto a Rússia continua a atacar em território ucraniano, a Ucrânia tem lançado ataques contra várias refinarias russas de forma a diminuir a capacidade russa de se reabastecer e de continuar a exportar combustível. Macron, presidente francês, continua a não afastar a hipótese de enviar tropas para território ucraniano.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/russia/2024-03-17-Eleicoes-presidenciais-russas-ultimo-dia-da-votacao-marcado-por-acao-de-apoio-a-Navalny-e-contra-Putin-9a0e4038

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-na-russia-participacao-ultrapassa-74-a-seis-horas-do-fecho-das-votacoes_n1558050

https://expresso.pt/podcasts/leste-oeste-de-nuno-rogeiro/2024-03-17-Quem-ganhara-as-eleicoes-na-Russia--690303f2

 

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publicado às 20:58

Desde dia 7 de outubro que várias famílias aguardam por notícias dos seus familiares, raptados depois do ataque do Hamas a Israel e que terá feito "cerca de 1200 mortos e cerca de centena e meia de reféns, segundo as autoridades de Israel." Como resposta, Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ordenou "uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza que matou mais de 31300 pessoas até quinta-feira, segundo as autoridades do enclave governado pelo Hamas."

Esta quinta-feira, em mais uma manifestação, uma das principais autoestradas israelitas, foi bloqueada por manifestantes que representam as famílias de cerca de 40 reféns ainda nas mãos do Hamas. Hoje, os manifestantes tentaram novamente bloquear a autoestrada como forma de protesto contra as decisões que têm vindo a ser tomadas pelo primeiro-ministro e exigem eleições antecipadas em Israel, tendo sido usados canhões de água para dispersar a multidão. Este tipo de manifestação já não é nova e mostra como uma grande parte da população está contra as políticas implementadas e a contestação tem estado a crescer.

Apesar das tentativas de parar a ofensiva israelita em Gaza, a verdade é que a paz ainda parece estar longe de acontecer. A solução de um cessar fogo tem sido por várias vezes negociada mas não havendo razoabilidade de ambos os lados, isto tem sido impossível. Ora de um lado, ora do outro, o entendimento tem sido impossível, mesmo com outras nações a tentar mediar as conversações. Enquanto esta quinta-feira, o "Hamas propôs um novo plano para uma trégua em Gaza," através de mediadores do Qatar, Netanyahu, primeiro-ministro de Israel veio informar que "as exigências" são "inaceitáveis" e confirmou que iria lançar uma nova operação militar em Rafah. 

Hoje, antes de partir para a Jordânia onde se irá reunir com o rei Abdullah II, o "chanceler alemão, Olaf Scholz," alertou para a possibilidade "de uma ofensiva militar terrestre do exército israelita em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza." Lembremo-nos que foi para esta zona que milhares de palestinianos se viram obrigados a fugir e que, um ataque direcionado para essa região irá provocar "uma grande tragédia humana."

Têm sido tentadas diversas formas de se entregar comida e água à população de Gaza, mas muitas vezes essas tentativas têm vindo a ser frustradas. Os ataques, além de matarem e ferirem diretamente os palestinianos, acabam também por deixá-los completamente sem meios de subsistência. Sem a cedência de Israel, que tem sido acusado de usar a "fome" como arma de guerra, todo o apoio que se queira fazer chegar, tem sido impedido de alcançar o seu destino. Ontem, o apoio entrou por mar através de um corredor marítimo que ligou o Chipre a Gaza. O navio espanhol "Open Arms" em conjunto com uma organização não governamental norte-amricana, com um carregamento de cerca de "115 toneladas de alimentos e água" e de "130 paletes de equipamento humanitário," foi o responsável pelo transporte que depois seguiu depois numa coluna de cerca de 30 camiões e que se espera agora chegue ao seu destino sem problemas de maior. O processo, envolveu o exército israelita, que antes de permitir o descarregamento, inspecionou o navio e acompanhou o descarregamento dos bens essenciais no porto. A dificuldade que envolve a deslocação e toda a burocracia envolvida, bem como o risco associado, torna esta forma de ajuda bastante demorada.

As entregas feitas através das vias marítimas e aéreas, não podem substituir as vias terrestres, mas estas têm sido impossibilitadas enquanto os bombardeamentos não cessarem.

Fontes:

https://observador.pt/2024/03/14/o-hamas-apresentou-acordo-de-treguas-netanyahu-diz-que-as-exigencias-sao-inaceitaveis/

https://observador.pt/2024/03/16/scholz-contra-ofensiva-israelita-em-rafah-para-evitar-grande-tragedia-humana/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2522373/exercito-israelita-confirma-chegada-a-gaza-da-ajuda-humanitaria-em-navio

 

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publicado às 19:00

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