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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Dia Mundial dos Jornalistas pela Paz

Assinala-se hoje o dia do Jornalista pela Paz e, sem dúvida, temos mesmo de referir a importância desta profissão. Todos os dias, são eles que nos trazem aquilo que se passa no mundo. As imagens e os relatos, tantas vezes na primeira pessoa, trazem a realidade dos grandes acontecimentos que fazem a nossa história como povo.

 "Neste dia destaca-se o sentido de responsabilidade, a ética, a independência e o profissionalismo dos jornalistas que relatam a verdade sem ceder a pressões internas e externas. Os meios de comunicação social, por intermédio dos seus profissionais, podem ser um meio eficaz para derrubar injustiças, desconfianças, conflitos e para semear a compreensão, o respeito e a unidade."

Só durante o mês de outubro, no conflito entre Israel e o Hamas, na Palestina, morreram 24 jornalistas a cobrir o conflito ou dentro de casa. Três são israelitas mortos no brutal ataque do Hamas no Sul de Israel, um é o libanês Issam Abdallah, videógrafo da Reuters atingido quando filmava um tanque israelita que disparava na direcção do Líbano – os restantes 20 são palestinianos que foram mortos na Faixa de Gaza. Além disso, está em causa também o risco de ataques aéreos, interrupções nas comunicações, cortes de energia, ameaças, censuras e o assassinato de familiares. Outros oito jornalistas foram feridos e nove foram dados como desaparecidos ou detidos, disse o Comité para a Proteção dos Jornalistas, num comunicado.

De acordo com o CPJ, este foi o período mais mortal para os jornalistas que cobrem conflitos militares em décadas.

Neste dia, deve também ser relembrado que foi uma jornalista a receber este ano o Prémio Nobel da paz. Receber, ainda não, uma vez que a jornalista e ativista iraniana Narges Mohammadi, se encontra detida na prisão de Evin, onde cumpre uma pena de 10 anos, acusada de divulgar propaganda contra o estado iraniano. O prémio veio reconhecer o seu trabalho na “luta pelas mulheres do Irão contra a opressão”.

Berit Reiss-Andersen, do Comité Nobel, declarou: "Ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Paz deste ano, o Comité Nobel Norueguês pretende honrar a sua corajosa luta pelos direitos humanos, pela liberdade e pela democracia no Irão. A luta de Narges Mohammadi contra a pena de morte e a obrigatoriedade do uso do hijab para as mulheres continua atrás das grades, onde escreve artigos e incentiva aos protestos contra o regime, que emergiram após a morte de Mahsa Amini.

Com regularidade, a defensora dos direitos humanos iraniana tem alertado e criticado a situação “lamentável” em que se encontram os reclusos no Irão e tem assinado dezenas de artigos sobre maus tratos e torturas de que têm sido alvo, apesar de enfrentar sérios problemas cardíacos. 

Mohammadi iniciou a carreira como jornalista, escrevendo para a Payaam-e Haajar, uma revista dedicada às questões das mulheres no Irão e que era publicada por Azam Alaei Taleghani, filha do ayatollah Seyyed Mahmoud Alaei Taleghani. A revista foi encerrada em abril de 2000 pelo regime.

Mohammadi escreveu inúmeras vezes sobre os direitos humanos, os direitos das mulheres e sobre questões relacionadas com os estudantes universitários, tendo publicado igualmente vários trabalhos em publicações reformistas, que acabaram todas por ser encerradas.

Fontes:

https://www.calendarr.com/portugal/dia-dos-jornalistas-pela-paz/

https://www.publico.pt/2023/10/26/mundo/noticia/gaza-jornalistas-sao-mortos-cobrir-conflito-dentro-casa-2068085

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/guerra-de-israel-e-a-mais-mortal-para-jornalistas-desde-1992-diz-associacao/

https://sputniknewsbr.com.br/20231026/sobe-para-27-o-numero-de-jornalistas-mortos-pelo-conflito-em-gaza-31098230.html

https://pt.euronews.com/2023/10/06/ativista-iraniana-narges-mohammadi-vence-nobel-da-paz

https://www.forbespt.com/narges-mohammadi-uma-vida-de-luta-permanente-pelos-direitos-humanos-no-irao/

 

 

O que dizem das palavras de Guterres

Antes de começar, não é este um post em defesa de quem quer que seja. Sou muito pragmática. Não defendo nenhuma guerra e muito menos quando se usa a "desculpa" esfarrapada de que uma qualquer entidade atribuiu o quê a quem quer que seja. Ainda estou numa fase de incompreensão perante tamanha barbárie que se está a passar. Sou completamente contra este conflito e acho que isto tem de acabar. Apetece dizer para pegarem numa régua e dividirem a meio aquilo tudo, metade para a direita metade para a esquerda! No meio disto tudo, ninguém tem razão. Não há nenhuma razão, nenhum motivo para matar inocentes. Nem de um lado, nem do outro!

Mas hoje resolvi também vir falar das palavras de um português. Um homem que agora está a ser posto em causa por aquilo que disse - meus caros, ele é cidadão português e nós somos livres de dizer e escrever as nossas opiniões - e não estou com isto a dizer que concordo com ele. As afirmações que fez no Conselho de Segurança da ONU não foram felizes. Esteve mal, mas quem o condena agora, não está melhor.

Antes da reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, condenou os atos "de terror" e "sem precedentes" perpetrados pelo Hamas a 7 de outubro, salientando que "nada pode justificar o assassínio, o ataque e o rapto deliberados de civis". No entanto, durante o seu discurso, Guterres acabou por afirmar que seria "importante reconhecer" que os ataques do grupo "não aconteceram do nada", frisando que o povo palestiniano "foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante". Estas palavras não agradaram o embaixador Gilad Erdan, que pediu a António Guterres que se demitisse "imediatamente".

Palavras mal medidas, mal ponderadas, mas que consigo de certa forma compreender no sentido em que tantas vezes as emoções estão à "flor da pele" e nos impedem de pensar de forma mais pragmática. Imagens desoladoras, trágicas e desconcertantes tinham precedido este discurso e sem aquele filtro a que seria obrigado, Guterres deixou escapar o seu lado mais humano e menos ponderado. Por vezes, temos momentos assim - quem nunca? A sua posição porém é diferente da "nossa". A ele, não são perdoados escapes de língua, desabafos e, nem tão pouco, tentativas de justificação de algo injustificável.

Em consequência porém das palavras que Guterres proferiu, Israel começou logo por bloquear vistos a funcionários da ONU. Gilad Erdan anunciou que foi já recusado o visto de entrada em Israel ao subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários. As palavras que fizeram Israel reagir, talvez tenham sido uma espécie de contextualização dos ataques, em que Guterres diz que "o povo palestiniano tem estado sujeito a 56 anos de ocupação sufocante." Nas palavras do secretário-geral, que penso não venham legitimar os ataques, mas vêm em defesa da Palestina como povo e de como acabaram por ter de "aceitar" a sua situação com o Hamas, acrescentou ainda que os palestinianos viram "as suas terras serem constantemente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia sufocada, o seu povo deslocado e as suas casas demolidas." Acrescentou que a esperança "numa solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer". 

Por vezes, é preciso medir as palavras e ponderar a capacidade de aceitação de quem as escuta. Nem sempre estão todos os ouvintes no momento certo para compreender o que se afirma, outras vezes o que quer ser transmitido como mensagem tem o efeito contrário à intenção pretendida. Fossem quais fossem as palavras trasnmitidas nesse dia, e nos que se seguem, serão sempre uma ofensa para Israel se defendem a Palestina e uma ofensa para a Palestina se legitimarem Israel. O entendimento neste caso são duas paredes de betão, cujo único ponto em comum é se reprimirem e afastarem mutuamente.

Aproveitando esta situação, Eli Cohen, cancelou uma reunião agendada com Guterres (não seria uma oportunidade de se confrontar e explicar o seu ponto de vista?)mas prefere Israel dizer com todas as letras que "é tempo de ensinar uma lição" à ONU, insistindo na demissão do secretário-geral da organização. 

Guterres recusa ter justificado os atos de terror do Hamas, mas os protestos de Israel encontraram eco em vários membros dos governos britânico e italiano, que já vieram a público dizer que discordam dos comentários do Secretário-Geral da ONU sobre Israel e as alegadas violações dos direitos humanos.

Acusando a ONU, desde sempre - não é de agora e nem foram as palavras do seu secretário-geral a despoletar esta opinião - de estar contra Israel, afirmou Erdan que "a partir de agora, todos os dias em que ele estiver neste edifício, a não ser que peça desculpa imediatamente, não há justificação para a existência deste edifício. Este edifício foi criado para evitar atrocidades." Será uma ameaça à própria ONU e aos seus funcionários? Matar a população, sem qualquer limite nem consciência, fazendo com os seus ataques mais mortes do que contra os seus foram cometidos, pior do que "olho por olho, dente por dente", é aceitável para um homem que representa um país? É aceitável pelos seus? Nós não concordamos com muito do que se passa pelo mundo e não saíamos por aí a lançar bombas a torto e a direito! 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/onu/nacoes-unidas/demonstra-compreensao-pela-campanha-de-homicidio-em-massa-de-criancas-mulheres-e-idosos-embaixadores-de-israel-na-onu-e-em-portugal-acusam-guterres-de-nao-estar-apto-para-liderar/20231024/65381014d34e371fc0b914e8

https://pt.euronews.com/2023/10/25/israel-abre-guerra-a-onu-pelas-criticas-de-guterres

 

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