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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

26
Nov22

Fibromialgia

O fim de semana chega e com ele o tempo de por em ordem as ideias e de refletir sobre os próximos passos que tenho de dar. Durante anos, batalhei por ter um diagnóstico e, mesmo sabendo que aquilo de que sofria era de uma doença que para alguns médicos nem existe, nunca baixei os braços. Na última consulta a minha médica de família lá cedeu e enviou um pedido de avaliação para o Instituto Português de Reumatologia, o qual pensavamos que demorava mais a ser atendido. Fui lá esta semana. 

A médica rapidamente confirmou o diagnóstico de fibromialgia e disse que para ela era óbvio, encontrou facilmente os pontos de dor, os gatilhos. Estranhou o porquê de ter andado tanto tempo para me diagnosticarem algo que há muito se suspeitava o que era. Voltou a referir que tenho de fazer hidroginástica ou pilates clínico, mas isso para mim não é fácil - pelo menos não neste momento EM QUE ESTOU CHEIA de trabalho! Andar a pé é o máximo que agora tenho conseguido fazer e que mais se assemelha com desporto. 

Em relação aos meus pulsos ela é a favor que eu seja operada e que isso me vai beneficiar bastante, mas sinceramente eu não fiquei convencida. 

Agora terei nova consulta em maio e até lá tenho de manter a medicação (ela voltou a receitar-me duloxetina) e fazer exames. 

Não muda nada, mas para mim muda muita coisa. Pelo menos sei que estou a ser seguida no sítio certo por uma pessoa experiente. Uma pessoa frontal mas que não me fez sentir diminuída.

Mas no fundo, aquilo que me tem irritado sempre é que ainda agora estou em casa, cheia de dores. A medicação que agora aumentou deixa-me cheia de sono e ainda não vejo melhoras (sei que irá demorar a me habituar) e que esperam de mim que enfrente tudo como se não fosse nada de mais. O pior não são as dores, mesmo assim, o pior é o cansaço, a falta de força e de ânimo.

21
Nov22

Dia mundial da televisão

A televisão veio revolucionar os meios de comunicação social, mas veio também alterar as rotinas de muitas famílias.

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Televisão. Em Portugal, apesar de já haver transmissão noutros países, a primeira emisssão televisiva aconteceu no dia 4 de setembro de 1956, de forma ainda experimental. A partir de 7 de março do ano seguinte, iniciaram-se as emissões regulares que, nessa altura, só podiam ser captadas na região de Lisboa. Como quase ninguém tinha um aparelho de televisão em casa, as pessoas procuravam alguns locais para assistirem às emissões.

A televisão portuguesa tinha regras mais rígidas do que as outras televisões, porque nessa altura, Portugal estava ainda "sob o pulso forte da ditadura imposta pelo Estado Novo e a televisão, tal como todos os outros meios de comunicação social existentes nessa altura em Portugal, estava sob o controlo da censura. A 25 de abril de 1974, a revolução e a consequente queda da ditadura portuguesa, fez com que o país se libertasse da censura.

A emissão regular a cores em Portugal, só acontece em março de 1980, com o Festival RTP da Canção. Desde o seu início, a televisão trouxe-nos uma certa magia e algum deslumbramento. Em casa, gosto de rever alguns programas mais antigos, mas não sou saudosista. Relembro aqueles grandes comunicadores que fizeram parte da minha infância e relembro aquela televisão enorme com imagem a preto e branco que havia em casa da minha avó e que tinhamos de estar sempre a sintonizar. Lembro-me da música de abertura da emissão pela manhã, pois era a essa hora que estava a beber o leite para ir para a escola. A televisão é para mim ainda hoje uma companhia. 

19
Nov22

O Mundial do Qatar

Portugal foi apurado para o Mundial que este ano se realiza no Qatar. este Campeonato está a ser muito falado e pelas piores razões. Perguntamo-nos como é que o Qatar foi escolhido mas esquecemo-nos de uma palavra - dinheiro. Sim. Aquele bem que mexe e conquista tudo e que gira de bolso em bolso, tanto ou mais como a bola irá girar no relvado. Estou feliz pela minha seleção estar a disputar mais este campeonato e vou torcer para que consiga pelo menos chegar à final! Mas não me posso esquecer que este Mundial está ensombrado e que pouco passa cá para fora sobre os meandros das construções das infraestruturas, das condições dos trabalhadores e sobretudo da forma como se vive num país em que ser mulher é ser um ser inferior e ser homossexual é punível com a morte.

Resolvi pesquisar. Eu não sabia nada sobre este país e ainda sei muito, muito pouco. O que sei, infelizmente, vem manhado pelas notícias que assolam a televisão nacional e internacional e as redes sociais e aquilo que leio, vejo e oiço, não me pode deixar indiferente. 

O Qatar é um país árabe, um Emirado localizado na zona do Golfo Pérsico, entre o Bahrein e a Arábia Saudita.É independente deste 1971 (petencendo antes à Grã-Bretanha). A sua riqueza provém do petróleo e do gás natural. A Amnistia Internacional tem vindo a trazer à luz diversas situações em que não são respeitados os Direitos Humanos. Nesta pesquisa fiquei a saber que a maioria da população é constituída por emigrantes (em 2020, apenas 12% da população do país tinha realmente lá nascido) e isso já coloca aqui uma questão: o que leva as pessoas a sair do seu país e a emigrar para um Emirado considerado absolutista? O facto de ser um dos países mais ricos e mais desenvolvidos onde as oportunidades abundam?

No que diz respeito à religião, a maioria da população do Qatar é Sunita, sendo uma grande parte Salafista. A população cristã é composta quase inteiramente por estrangeiros. Alguns muçulmanos acabam també por se converter ao cristianismo, mas são ainda uma minoria.

E aqui vem o cerne da questão, quanto à política, não há legislatura independente, e os partidos políticos são proibidos. As eleições parlamentares, que foram prometidas para 2005, acabaram adiadas indefinidamente. É o Emir que possui a palavra final em todas as questões, mesmo depois de votadas e discutidas em Conselho de Ministros. Nenhuma eleição legislativa tem sido realizada desde 1970. Mas em que se baseiam as leis? Na Charia.

A Charia é então a principal fonte da legislação do país de acordo com a Constituição do Qatar. Na prática, o sistema legal é uma mistura do direito civil e do direito islâmico. A lei charia é aplicada em casos relativos ao direito de família, herança e vários atos criminosos (como adultério, roubo e assassinato). Em alguns casos, os tribunais de família com base na charia consideram que o testemunho de uma mulher vale metade do testemunho de um homem, ou nem sequer o aceitam. A poligamia islâmica é permitida no país para os homens e nunca para as mulheres. A flagelação é usada no país como um castigo para o consumo de álcool ou para relações sexuais ilícitas. Diz no artigo 88 do código penal do Qatar que a punição para o adultério é punido com cem chicotadas (ou seja, os homens podem mas as mulheres são chicoteadas se o fizerem). Apenas muçulmanos considerados clinicamente aptos são susceptíveis a tais sentenças. Não se sabe se todas as sentenças proclamadas chegaram a ser implementadas aos condenados, mas muitos desses condenados eram estrangeiros a residir no país. E quem protege ou defende estas pessoas?

Não nos podemos nunca esquecer dos direitos humanos mas este não é (infelizmente) o único país onde os mesmos não são respeitados - aqui haveria tanto a dizer, não haveria? Devemos estar indignados, não devemos mostrar conivência com certas atrocidades nem esconder a cabeça debaixo da terra a fingir que está tudo bem. Estaremos a ser hipócritas? Se "sempre" foi assim, porque não nos indignamos antes? lapidação também é uma punição legal neste Emirado como em outros. As relações homossexuais também são punidas com a pena de morte. Ficamos por aqui?

Talvez haja aqui um lado positivo - já se fala em todo o lado das condições precárias de vida e de trabalho, nas leis do país e de futebol. Vai falar-se muito de futebol, de quem joga mais minutos, de quem chega à final. Pelo meio, iremos continuar a falar de Direitos Humanos! O que vai mudar? Talvez nada, talvez muito pouco nestas próximas semanas de "mostrar ao mundo quem somos". Se aceitam e respeitam a Charia, as mudanças de mentalidades serão sempre difíceis de conseguir. Atingir níveis mínimos de condições de vida pode ser possível, mas o que se passa por detrás dos panos e que não nos está a ser mostrado?

Sem prejuízo do dito anteriormente, existe gente muito séria e boa a viver neste país, existe gente que foi para lá trabalhar e que gosta de lá estar e que tem observado mudanças de mentalidades a acontecer. Mas não será a regra, será sim a exceção.

14
Nov22

Mentes criminosas

O que passa na cabeça de uma pessoa para assassinar outra?

O que passa na cabeça de uma mãe para matar um filho, de forma brutal e com o uso de uma faca? 

Esta mãe, tem vinte e poucos anos e estava a viver em Portugal com o seu bebé de ano e meio, enquanto o pai da criança estaria em França. Após matar o filho de ambos, telefonou ao pai a dizer o que tinha feito.  Um momento de psicose? Se o foi, ela depois soube o que tinha feito e contou ao pai o que tinha acabado de fazer.

Teve consciência de que não estava bem psicologicamente e parece que até tinha pedido ajuda, segundo dizem, mas para este bebé a ajuda nunca chegou. Quem poderia imaginar? Quem poderia arriscar institucionalizar este pequenino se tudo parecia estar bem? O problema é que nem sempre as mães estão bem, nem sempre têm condições para cuidar de uma criança, tantas vezes como neste caso sem apoio familiar.

Mais um anjinho a quem a vida foi roubada.