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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

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Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

31
Out22

Halloween ou Pão por Deus

São tradições diferentes e uns festejam uma, outros pedem pela outra. Eu confesso que prefiro o Halloween. E porquê?

Pessolamente porque na minha casa, não se fazia o Pão por Deus e ouvi várias vezes a minha acvó dizer "dá com a direita que nem a esquerda saiba" referindo-se às pessoas que davam neste dia, para que os outros vissem, mas nos restantes não ajudavam ninguém. Por outro lado, se apareciam lá alguns vizinhos a pedir doces, dava-se algumas boachas ou pão, ou até arroz, feijão, comida que sabíamos que aquelas crianças levariam para a família mas raramente se davam chocolates ou chupas. Mas não se dava só naqueles dias. Trocavam-se produtos de mercearia por ovinhos caseiros, ou por frangos para a canjinha "das meninas". Era comum esta ajuda entre vizinhos e não porque se pedia por algo.

No meu tempo de criança não se festejava o Halloween, mas faziam-se lanchinhos na escola com sumpos, tortas dancake e batatas ruffles. Lembro-me de no 5º ano, quando comecei a ter InglÊs, a professora ter proporcionado à turma um pouquinho desta tradição e aí sim ter festejado com um lanche e irmos mascarados! Como sempre adorei o carnaval, era mais uma oportunidade de voltar a usar as máscaras. Cortavamos as calças que já nos ficavam curtas para um estilo mais "punk" e usavamos o lápis dos olhos das mães para desenhar verrugas no queixo! 

Estas festividades são ambas festas de origem cultural muito remotas. Umas mais ligadas à tradição religiosa, outras à pagã.

Eu como não creio em religiões nem me identifico com nenhuma em particular, prefiro a pagã em que o folclore popular festeja a vida e a morte, como o fim de um ciclo e o início de outro (não tendo tanto a ver com a "morte como nós a entendemos, mas trata-se de o fim do ciclo do verão e das cultura, para o iniciar um novo ciclo, um novo ano, novas culturas). E é uma tradição bem mais antiga, pois tem mais de 3000 anos, vindo já do tempo dos Celtas. Celtas esses que eram politeístas, ou seja acreditavam em vários deuses relacionados com a natureza, festejavam o Samhaim que comemorava o novo ano Celta cujo 1º dia equivalia ao nosso 1º de novembro.

Eles acreditavam que nesse dia os mortos se levantavam e se apoderavam do corpo dos vivos e usavam fantasias com artefatos sombrios para afastar esses espíritos.

A própria igreja foi ao longo dos anos adaptando as tradições pagãs, dando uma nova vida às mesmas. No sentido de afastar quem se opunha aos dogmas da igreja, na idade média começou-se a condenar a morrer na fogueira as bruxas - hoje muitos cientistas, seriam chamados bruxos e muitos médicos queimados por saberem como usar medicamentos para curar as doenças - mas na época a ciência estava a aparecer e estava rodeada de obscuridade. Tudo o que era estranho ou se opunha à "criação de  Deus" era mal entendida e calada através do uso das fogueiras. Condenando estas festividades pagãs, a igreja declarou o "Dia das Bruxas" e instituiu o medo. 

Não conseguindo lutar contra todas as manifestações culturais e tal como fez com outras festividades, começa a festejar o Dia de Finados, que é o mesmo que mortos e mais tarde a igreja acaba por trocar o dia de Todos os santos, de 13 de Maio para 1 de Novembro, começando a tradição de se pedir esmola para os pobres através do "Pão por Deus". No fundo, este ritual, é festejar o dia dos mortos, mas com outro nome pois se numas culturas se oferecem banquetes aos mortos, noutras se põem velas e flores. A ideia é a mesma, a intenção de agradar a quem já morreu.

De notar que mais recentemente, o 13 de Maio ganhou um novo significado, mas poucos sabem que antes de se celebrar as aparições de Nossa Senhora, se festejava o dia de Todos os Santos. 

 

28
Out22

No comboio

Hoje o dia não parece ter corrido bem a toda a gente, pelo menos, não deve ter sido a melhor manã da senhora que ia sentada no banco à minha frente no comboio. Estranhamente havia lugares vazios, pelo que aproveitei para me sentar. Infelizmente, esta senhora não parecendo reparar que havia mais gente além dela dentro da carruagem, partilhava com os restantes as músicas que ela estava a ouvir. Não que o som dos seus auriculares estivesse muito alto, ela estava mesmo com o telemóvel levantado na mão, com o som alto. Logo isto fez-me tomar mais atenção a esta personagem. Senta-se uma rapariga ao seu lado e a dita começa a olhar descaradamente o que ela está a fazer no seu telemóvel. A rapariga reparou, abanou a cabeça e desviou  um pouco o telemóvel mas a senhora sem qualquer bom senso, continuou a tentar captrapiscar o que havia de segredos na tela da vizinha.

Esta levanta-se e prefere ficar de pé. Eu levanto-me logo a seguir para dar lugar a uma outra senhora. Quando oiço a primeira perguntar se faltava muito para Coina. Íamos no sentido contrário. Então ela levanta-se, sai na mesma estação que eu, passa a correr escada abaixo. Pensei, pronto distraiu-se e agora basta-lhe apanhar o comboio que circula na outra linha, chegará se calhar um pouco atrasada. Mas não. A história não termina aqui. Quando chega ao fundo das escadas, entra nas escadas rolantes, voltando a subir, a correr, pelo meio das outras pessoas, voltando para a mesma plataforma onde estava o comboio de onde tínhamos acabado de sair. Fiquei com vontade de subir novamente para ver se tinha voltado a entrar no mesmo comboio e continuado no sentido Lisboa a pensar que agora já ia para o seu destino. Mas não o fiz. 

Tive pena dela porque ninguém merece enganar-se no comboio, mas cá no fundo, foi com um pouquinho de maldade que pensei "bem feito" para não andares a chatear os outros com "Tou nem aí" logo de manhã!